segunda-feira, 12 de setembro de 2016

AUMENTO NAS TARIFAS, PROIBIÇÃO DE AUMENTOS SALARIAIS E OUTRAS QUESTÕES












  Cunha e Silva Filho
            
        Durante  o primeiro mandato de  Dilma Rousseff, e bem assim no seu segundo mandato interrompido pelo impeachment, o funcionalismo federal de cargos  médios e baixos nunca foi contemplado com um  reajuste salarial no sentido restrito do termo, porquanto alguma reposição que tenha sido  supostamente dada,  com base  na inflação,  nada acrescenta ao bolso  do barnabé. 
       O governo  federal atual  parece estar seguindo o mesmo  caminho, o de conter  qualquer pretensão   de reajuste dos servidores.Ora, quem  ganha  bem, como os membros dos altos escalões da República, pode  suportar,   por muito mais tempo,  um novo  reajuste. No entanto, quem  ganha muito menos  do que eles, ou quem  percebe baixos salários,  sai sempre perdendo. Lembro-me do que, na administração FHC,  o funcionalismo  sofreu o diabo. O governo foi duro,  inflexível e o servidor jamais viu a cara de um aumento. Foi arrocho  pra valer. Os preços aumentam  para todos, contudo nem todos  pertencem  ao elitismo  dos  altos  cargos  públicos, setor no qual  um bom aumento  redunda em  milhões de gastos com salários  a privilegiados nas administrações federal,  estaduais e municipais. Já no setor   privado,  o  empregado, de qualquer  nível,  tem  seus sindicatos  bem mais  unidos do que  no âmbito  público. 
         Já nos governos do Lula, pelo menos para a classe do professorado,  houve  um  plano de carreira posto  em prática com aumentos escalonados que não descontentaram  ninguém.A classe dos professores foi também bafejada como um  bom número de novas  universidades  públicas e escolas técnicas espalhadas pelo país, dando oportunidades a jovens concursados do ensino médio e superior. Daí,  talvez,  seja  este um dos motivos  da adesão  política ao petismo, não obstante o descalabro  da corrupção administrativa  dos seus dois mandatos, que levou o PT à ruína  que se aproximava e  culminando com  o afastamento e perda de mandato   de Dilma Rousseff.
       Diante desta situação, se pode facilmente deduzir  que o governo Temer comete uma injustiça, quer dizer,  penaliza o  funcionalismo  duplamente: pela inflação que faz encolher  cada vez mais os salários, chamado de arrocho salarial  e determina, por seu turno,   aumentos anuais às agências reguladoras. Isso e um contrassenso.
      Por que não segura os preços dos remédios, dos alimentos, das tarifas públicas ou  de concessionárias. Essa  história  de  que tem  que controlar  os gastos  do governo, sanear   as contas públicas, arrecadar  mais não é de hoje para quem acompanha durante anos  a vida econômica  brasileira, a situação  financeira do país sempre foi, latu sensu, a mesma lengalenga, i.e., os problemas  econômico-financeiros  têm sido crônicos. 
     Portanto,  juros altos,  elevado custo de vida,  aumento de aluguel,  compra da casa própria e outros itens já eram  práticas   empregadas pelos setores públicos    Basta ler jornais  de décadas passadas para se confirmar que  o mesmo o script de filme ou de  novela  se repte na contemporaneidade  da vida nacional.
   O que diferencia  substancialmente  o hoje do ontem  em nosso país  é a violência praticada por adultos e jovens criminosos, o narcotráfico, o recrudescimento  da corrupção  política além  dos graves  problemas de saúde pública  no setores  federal, estaduais e  municipais. E, diga-se,de passagem,  todas essas mazelas que açoitam  a cidadania  brasileira  convergem para um  vilão número  1: a impunidade.
   A cultura da impunidade é que tem  dado  forte combustível  a fim de que, em todos os  segmentos  do Estado Brasileiro, ela mantenha e realimente o establisment da ausência de ética,  da imoralidade, dos desmandos governamentais e da práxis política ao arrepio dos princípios  constitucionais de um  sistema democrático somente visível na teoria, porém flagrantemente  desrespeitado na sua aplicação `na vida  em sociedade,   cujo resultado  mais  nefando e previsível é esse  viver continuamente na condição  indefinida, protelatória  e precária de “país do futuro.”

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