quinta-feira, 30 de junho de 2016

ALGUNS AUTORES SÓ QUEREM ELOGIOS, NÃO A CRÍTICA




                                   Cunha  e Silva Filho


         O locus da crítica literária pelo menos do país  anda um tanto  cabisbaixo. Longe está dos antigos rodapés impressionistas, alguns até de grandes  méritos, dos anos ferozes de  1930, 1940, 1950, até princípios dos anos 1960. São muitos os nomes, mas os mais conhecidos e afamados eram os de Agripino Grieco (em atividade  crítica mais remota), Tristão de Athayde, Álvaro Lins,  Sérgio Buarque de Hollanda, Antonio Candido,  entre muitos outros bons leitores e analistas  da obra literária.
       Veio, então,  o crítico Afrânio Coutinho, nos anos  1940, trazendo dos Estados Unidos, onde estudara,  novidades e promessas de mudanças nos velhos hábitos  críticos, procurando  implantar entre nós o resultado de seus estudos, naquele país, sobretudo, na Universidade de Colúmbia,  de teoria literária, história  literária e crítica literária, tendo como mestres, entre outros, René Wellek e Austin Warren,  Roman  Jakobson (este  da corrente   formalista  russa), entre outros  autores do new criticism  norte-americano.
         A mudança que  Coutinho desejava para os estudos  literários e críticos  resumia-se no que denominava de Nova Crítica, uma abordagem adaptada por ele, aos avanços da crítica  literária, a qual tinha como seu primado na apreciação, análise e interpretação do  fenômeno  literário os valores estéticos  do texto, ou melhor, os valores intrínsecos, o seu aspecto formal, mobilizando para a crítica a contribuição  dos elementos  constitutivos da literatura ao contrário do Impressionismo, pensamento crítico mais alicerçado no gosto estético, na cultura geral, na impressão  provocada no crítico pela obra literária.
           O alvo mais premente da Nova Crítica seria desalojar  o Impressionismo muito forte ainda na vida intelectual  brasileira e que tinha como sua figura-chave o crítico Álvaro Lins, chamado pelo poeta Carlos Drummond de Andrade de o “Imperador  da Crítica.”
         O  Impressionismo  se impregnava  da subjetividade do crítico. Interessava-lhe a questão do gosto estético e as causas e consequências de fatores  extrínsecos (psicológicos, filosóficos,sociológico, históricos, personalidade literária do crítico).
          O veículo com que contava, então, o crítico  impressionista era o jornal, através de uma coluna a  que chamavam  de rodapé e, daí, crítica de rodapé. Álvaro Lins era a figura mais incensada nos anos 1940 e 1950, sobretudo.
           Coutinho se opunha a esse tipo de crítica que analisava livros no calor da hora, quer dizer,  as obras que eram lançadas se tornavam logo objeto dos críticos impressionistas em publicações semanais. Para Coutinho, que contraditoriamente,  usava o rodapé de jornais,  esse tipo de crítica não passava do que na América se chamada de review. Para ele,  a crítica  literária  teria que ser feita em outros espaços, o livro,   a cátedra, a monografia, a dissertação,   a tese na universidade. Por outras palavras,  Coutinho opunha a crítica de rodapé à crítica universitária.Ele próprio alegava que a análise de uma obra pressupunha maior tempo,  maior  pesquisa,  bibliografia,   método crítico, antiamadorismo.
          Decerto Coutinho travou uma batalha sem trégua contra o Impressionismo.Daí ter mantido uma “briga feia” com Álvaro Lins. Houve exageros de ambas as partes. A crítica de rodapé, nas mãos de um  grande crítico, como foi o caso de Lins, teve acentuada  aceitação. Lins era muito conhecido e respeitado  pelos seus pares.  Era  crítico  exigente e polêmico. Além disso,   fora  também  professor catedrático de literatura do  Colégio Pedro II e, mais tarde,  lecionou  na Universidade de Lisboa e exercia o seu ofício  com muita  vitalidade, com muita consciência  atual   da obra literária.  
        Fundamentado nas leituras profundas dos  grandes críticos franceses, como Sainte-Beuve, Anatole France,  e, depois,  familiarizado-se com a crítica anglo-americana, Lins  permaneceu sempre atento  ao que se produziu nos grandes centros  do mundo  em matéria  de crítica  e de autores de renome. Não foi, pois, um crítico  impressionista à la lettre. Se não fosse pela morte prematura,  seguramente  se enquadraria   numa das correntes  modernas do pensamento crítico ocidental.Sua produção, nos últimos anos de atividade  crítica em livro,  sinalizava  mudanças  e renovação  de suas ideias sobre literatura e abordagens críticas..
           Coutinho, tal como Lins,  primeiro foi  professor de literatura do Colégio Pedro II, em seguida,  alçou-se à cátedra universitária,  tornando-se   professor titular de Literatura Brasileira  da antiga Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, depois chamada Universidade Federal do Rio de Janeiro.
        Sua atividade de crítico,  depois combinada  com a de historiador literário, foi fecunda e podemos afirmar  que foi a ele que devemos hoje os avanços  nos estudos literários    sob  enfoques modernos,  a introdução da disciplinas teoria literária, a atualização  da crítica  literária e da historiografia literária. Foi, pois, um renovador  desses estudos  no país  nos níveis médio e universitário.
      Tendo neste artigo feito uma   digressão histórica num recorte e exposição  bastante esquemáticos, quase de passagem, de duas correntes do pensamento  crítico  do passado mais recente, devo  chamar a atenção para um novo  e ao mesmo  tempo  velho problema com que se defronta quem  se atreve  ainda ao exercício da crítica  literária  atualmente.
        De resto, em obra (ver Literatura nos jornais: a crítica literária dos rodapé às resenhas. São Paulo: Summus,  2007)   de  pouca extensão mas de profunda   reflexão, a ensaísta,  Cláudia Nina discute essa questão da antiga review e da sua correspondente hoje resenha literária em jornais, observando ela que o antigo  tom  polêmico  na crítica arrefeceu drasticamente.
        Ora,  tentando  explicitar  as palavras dela, o que está acontecendo é a ausência, nas resenhas críticas, da contribuição  do papel do julgador, no sentido  de seriedade de analista e crítico  de uma obra,  o qual  hoje apenas  faz sua resenha (evidentemente há exceções) de maneira a não se ater aos pontos fracos e falhos de uma livro, dando-nos  a impressão de que  todos  escrevem obras boas, seja na ficção, seja na poesia especificamente.
        O  velho Lins (empregado o termo "velho" no sentido do tempo histórico decorrido),  numa passagem de um de seus livros, afirmou: “[...] o ato de  tudo  aceitar  como de tudo negar,  não é um ato  de crítica.  É um ato de positiva  ou negativa apologia, e só  [....].”  Pelo que se está  vendo nos dias que correm, o que se lê, nas seções de literatura dos jornais em geral,  não é crítica. Quase só elogios.
      Diante de todos esses  empecilhos,  travam a atividade da  crítica literária. Houve já  alguns casos em nossa  história literária recente  de críticos  militantes desistirem, passados alguns anos nessa  atividade.  Confesso, sem medo do juízo alheio, que às vezes me dá vontade de seguir esses  desistentes e me ocupar com  outras  coisas do espírito.


        

terça-feira, 28 de junho de 2016

REDUNDÂNCIA NECESSÁRIA




                                                      Cunha e Silva Filho



          Estou ciente de que estou repetindo o tema do conhecimento geral da sociedade. Muitas vezes não escolhemos os temas, ele é que nos escolhem e, desta forma, somos  apenas o agente da transmissão.
       O país  vive uma crise geral aguda,  afetando vários setores  da vida  nacional relacionados diretamente às seguintes questões em andamento: a situação grave da economia, a inflação,  o alto custo de vida, a interinidade  do cargo  de presidente da República, as investigações  da Polícia  Federal no sentido de punir   os responsáveis  envolvidos nos escândalos  de desvios do dinheiro  público do governo federal, sobretudo  do início da era Lula até ao período da presidente afastada e, para culminar  esses desastres sociais,  a violência galopante que toma conta  das grandes e pequenas cidades de todo o país.
     Não é necessário  ser um sociólogo para constatar  a vitória da violência  quotidiana  sobre os órgãos de segurança  pública. Nesse jogo  do bem contra o mal  está vencendo  a violência
      Por que, então,  o mal está sendo o campeão  na corrida da  violência? Ora,  está vencendo  porque, em primeiro  lugar,   não se   combateu,  à altura do que  a sociedade civil espera  dos governantes,  a impunidade. Essa fera  indomada ainda se coloca em segundo  plano, a começar  da legislação penal  falha e desatualizada para os tempos  apocalípticos que estamos  atravessando.
    Estou  cansado de ouvir, de ver,  de saber  pela diversas  mídias que os homicídios,  os assaltos,   os estupros,   o tráfico de drogas, a contravenção  correm soltos  e fagueiros. A morte, pelos vários tipos de violência,  ronda todos os brasileiros, sem exceção, não obstante uns privilegiados estejam  mais  protegidos por serem ricos  e por terem  poder.
      Por conseguinte, as vítimas, em estado de banalização, vão aumentando  as taxas de violência. Jovens vão sendo ceifados às dezenas, às centenas.  Diuturnamente.  Gritantemente.  Ao abandono dos  órgãos competentes federal, estaduais e municipais, que deveriam  estar em combate  sem trégua, contra esse mal que contamina  o tecido  social, pondo em polvorosa toda uma Nação, tem-se a impressão de que o país  não tem  governo,  não tem leis, não tem  meios de lutar contra esse  inimigo cruel, impiedoso e  até consciente de que  nada contra ele  se está efetivamente fazendo.
      Prioriza-se a gerência da crise  financeira como se esta fosse a solução dos outros malefícios  que afligem o nosso povo, quando, ao contrário,  já há tempos o país vem  sofrendo com  as mazelas  da criminalidade, com as leis frouxas  que até parecem  ficar do lado  dos celerados e não dos martirizados.
     Dessa forma,  a Justiça vira injustiça e forma indireta de  cumplicidade com a alta criminalidade, que mata -  repito -, continuamente, em todo o território brasileiro,  jovens, adultos,  velhos, pobres,  classe média,  ricos. Sem exceção. Somos todos  reféns da  violência nacional. As armas estão com os bandidos. Os homens de bem,  os desprotegidos  estão à mercê  dos facínoras. A paz social,  a ordem pública estão  sobrevivendo em meio ao caos urbano,  do interior,  em toda a parte.
   E por isso há mães e pais chorando pelos filhos assassinados brutalmente,  as esposas  chorando pelos seus companheiros   executados,  os esposos chorando  pelas suas mulheres mortas,  os avós pelos seus netos assaltados e mortos, os policiais  fuzilados em combate contra traficantes mais bem armados, as balas perdidas  dizimando  crianças,  adolescentes, jovens e adultos.
    Será que as autoridades brasileiras, a começar do presidente da República, não estão vendo toda essa carnificina que se avizinha, nos seus efeitos destruidores,  a guerras civis ou a atos terroristas? São todos reis nus  que desfilam  sendo  ovacionados pelos  seus súditos bajuladores?
    Será que os juristas, juízes, os desembargadores, as instituições  ligadas aos direitos  humanos  não enxergam  tamanha  mortandade de  inocentes  e nada fazem no sentido de  pressionarem   o Congresso  Nacional a alterar  leis anacrônicas ou muito lenientes que não dão mais conta do império da violência vivida pela contemporaneidade?
  A questão da violência, da insegurança  da sociedade,, a meu ver,  devia ser  um problema de segurança  nacional, porquanto  afeta  diretamente  o direito à vida  das pessoas de bem. Vidas encurtadas de repente por homicídios cruéis equivalem a prejuízos enormes  no desenvolvimento  do país  em todos os seus níveis de atividade.
  Em sucessivos artigos, tenho  mostrado que a violência seria o primeiro grande problema brasileiro a ser enfrentado com todo o rigor. Se continuarmos sendo regidos pela mesma atual  legislação  penal, que serve mais ao criminoso do que a preservação da vida, então estaremos  fadados  à perpetuação  da criminalidade e do seu  recrudescimento.
    Enquanto prevalecerem  brechas nas leis penais, recursos  e mais recursos  em favor dos criminosos,  comutação de pena,  prisão condicional  para  assassínios hediondos, prisão domiciliar e outros benefícios penais estaremos mais estimulando   a prática dos crimes do e relegando a segundo plano o equacionamento de  fatores dissuasórios. As sentenças, de acordo com a gravidade do delito, devem ser cumpridas à risca sem as tradicionais regalias de que dispõem os meliantes.
   Sendo um leigo  em direito penal, não me constranjo em defender a tese  da prisão perpétua por um período experimental.. Com ela em vigor, acredito que boa parte da criminalidade será contida. Friso “prisão perpétua” mesmo, sem brechas nem chicanas com o cumprimento da sentença  à risca, da mesma forma  que sou a favor, nas mesmas condições de vigência provisória, da redução da minoridade penal aos catorze anos.
 Certamente, essas mudanças mais severas para os apenados deverão  ser  desenvolvidas paralelamente a  um avanço efetivo  no sistema de educação do país e nos níveis de melhorias sociais de nossa sociedade.Deficiência de educação, pobreza e criminalidade andam juntas.  Combatendo as duas primeiras, caminharemos em direção a um redução drástica  da violência brasileira. 


quarta-feira, 22 de junho de 2016

O QUE É A AMIZADE?




                                Cunha e Silva Filho


       Eis algo que está sempre me surpreendendo. Será que a amizade é semelhante a uma definição do percurso existencial  que uma conhecida me deu um dia ao falar que a vida tem prazo de validade? Sendo assim, me pergunto: a amizade tem também prazo de validade, como a data de fabricação de um remédio ou do estado  normal da duração de uma fruta?
     Confesso que não sou capaz de pensar numa definição própria do que seja a verdadeira amizade. O leitor, a essa  altura, me poderá  perguntar  por que, de  vez em quando, me assalta essa preocupação em tentar  um explicação plausível para o sentimento  nobre da amizade.
     Um poeta de minha terra, em crônica recente, chamava a atenção do leitor para a crescente solidão que sentia diante  das amizades que teve, ou seja,  para o crescente  afastamento das antigas amizades com a chegada da velhice octogenária.
     Ora, isso basta para  abrir uma discussão  isenta do que  seja o que se chama de  amizade, além de indagações outras, como   saber se ela realmente existe, se depende de fatores condicionantes do relacionamento  social, se depende da condição de riqueza ou outras motivações inconfessáveis envolvendo a amizade entre as pessoas, se esse sentimento, tão altruísta é inalcançável, e não passa de uma  doce ilusão  dos homens que a desejam  para si e julgam   que são  correspondidos,enfim, se ela não existe, mas o que dela fazemos, nós mortais, é apenas um expediente, uma convenção  social  ou uma mentira da civilização antiga ou moderna,
    O que, nuclearmente desejo assinalar é um ponto controverso e por mim jamais compreendido: por que, de repente, por uma nonada rosiana, por uma simples divergência sem intenção  mínima de  ferir alguém, se estremece uma  suposta amizade? Será que aquele que consideramos amigo  realmente era nosso  amigo ou não  era mais do que um aparente  e  flutuante  recuo de uma onda do mar? Assim como é fácil muitas vezes  fazer-se uma amizade, assim é rápido o instante em que ela soçobra e escapa de nossas mãos. Amiúde  intuímos quais sejam os motivos do afastamento, mas não temos a coragem de claramente apontá-los para o alvo certo. Preferimos deixar que o esquecimento aconteça, em tempo mais maduro, até o seu desaparecimento  total.
    Podemos até recorrer à compreensão desse sentimento lendo o tratado da amizade do grande orador, escritor, filósofo, político romano  Cícero ( 3/01 de 106  a. C -7/12 de 43 a.C.) ou até mesmo procurar, em alguns filósofos antigos e modernos,  por uma  explanação  que nos faça  entender todos os  componentes  implicados nesse sentimento e no  seu esfacelamento doloroso.
   Sinto, no mais recôndito do meu ser, que a amizade existe; contudo ela, como quase tudo na vida, é passageira até porque materialmente acaba, já que estou  discutindo a amizade terrena, não a espiritual, não a transcendente, não a dos místicos  puros,  dos santos, do Ser Supremo, a qual está situada em planos mais elevados ou elevadíssimos e nada tem a ver com  as misérias e as fragilidades humanas, tomando essa expressões últimas num sentido machadiano  de  perscrutar  a alma humana..
     O que me intriga,  porém,  é a incógnita, a solução  da questão  da  quebra desse sentimento. O que me deixa assustado, abismado, é a prima ratio da questão crucial. Por que somos tão mesquinhos diante de um sentimento  que poderia  ser uma das soluções até da paz entre os homens  no mesmo  país,  entre países e tendo como referência magna, a Humanidade?
    Por que divergências étnicas, ideológicas, políticas, epistemológicas, linguísticas, literárias, históricas são  estopins  venenosas  que redundam  na pulverização  da amizade e, daí em diante, pelo sofrimento ou  ressentimento  provocados, não mais adquirem aquele viço alegre,  gostoso,  saudável da antiga  amizade que, aqui para provocar o leitor, havia entre dois cultivadores da amizade? A ferida resultante é praticamente não cicatrizável. O passo errado  deixou  o vaso da amizade  estilhaçado, sem volta. Tudo passar a ser diferente,  ainda que seja retomada. Seremos  gatos   escaldados. Uma vez  aquele vaso quebrado,  partido,   suas partículas mínimas, sopradas pelo vento,  não mais  farão retroceder  a antiga   naturalidade,  o antigo   afeto ainda não  partido, ainda não arranhado..
     Por outro lado,  sei que o pensamento  cético  ainda não me invadiu de vez. Isso me consola em parte. Não quero o socorro de Schopenhauer (1788-1860), nem o  de Nietzsche (1844-1900), nem de nenhum pensador que possa me fazer inteiramente descrente do sentimento da amizade. Obviamente, sinto a dor  imensa,  a  incompreensão, o espanto diante  do fato.
   O que me incomoda muito,  além  da ruptura da amizade súbita ou paulatina, é a certeza de que nunca, do me lado,  a quis  ver  abalada,  capenga,  claudicante. Não, sempre a quis saudável, viçosa, inalterável, perene, fecunda até o final de meus dias. O mundo para mim  é muito vasto (o “vasto mundo” drummonmdiano poderia ser) e eu sou  muito pequeno  para enfrentá-lo  da forma como ele é e não como eu  desejo que  seja. O “Fiat lux" bem poderia ser a metáfora da eclosão da amizade e o seu rompimento seria    o seu antípoda, i.e.,  a escuridão,  a qual desfaz um dos mais belos sentimentos do Homem: a amizade, que deve ser duradoura, estreme, imaculada,    incondicional,  simples e bela como os “lírios do campo.”  
            .

      

domingo, 19 de junho de 2016

UM RIO DE JANEIRO BARRCO E PÓS-MODERNO

     



                                                         Cunha e Silva Filho



         O Rio de Janeiro vive, agora,  dias difíceis e, apesar disso,  a cidade resiste aos solavancos que recebe de todos os lados: violência altíssima, arrastões, desemprego, estupros a cada  duas horas,  tráfico, quadrilhas com facínoras  armados até os dentes  e com  poderio  de armamentos muito acima do  arsenal dos policiais,  greves de professores estaduais e de outras categorias. Isso tudo acontecendo  às portas de um dos mais  importantes,  senão o mais importante  evento  desportista do mundo, os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, com sede na Cidade Maravilhosa.
        Ora,  o quadro  é multifacetado,  um  verdadeiro caleidoscópio, no qual se podem vislumbrar o lado perverso e o lado ainda  festivo da cidade. Esses contrastes e confrontos  tornam a cidade um espaço  complicado, um  esfinge a ser decifrada.
      A superposição de realidades  enfrentadas pelo Rio de Janeiro, essa desordem urbana polimorfa, mistura do bom e do péssimo,  da beleza e da fealdade,   do antigo e do contemporâneo,   talvez seja a melhor  resposta para a questão   que nos desafia a toda a hora: Como pode a cidade  sobreviver a tantos ataques  sem  jamais  deixar de continuar sua vida  tumultuada com um povo se divertindo? É bem provável que essa dimensão entre o céu e o inferno,  entre o antigo e o moderníssimo, en ter a fé e a aparente ausência desse sentimento, entre o ruído e o silêncio de seus mosteiros, a torne uma cidade exemplarmente barroca.
       Sabe-se que seu  povo  continua a comparecer   aos lugares  de sempre, os seus restaurantes, sobretudo nos fins de semana,  as suas igrejas católicas, lindas, no geral, os seus templos  evangélicos, a sua multiplicidade de   crenças  religiosas,  os seus lugares turísticos,  os seus botecos   conhecidos, o seu Centro   com todas as suas mazelas e riscos, o seu trânsito  completamente  mudado com a modernização  da zona  portuária, com  o transporte sobre  trilhos, o  VLT,  com o seus engarrafamentos (mesmo  há muito tempo, o Rio teve sempre engarrafamentos, posto que em nível menor)  por toda a parte, com os seus teatros e casas de shows, as suas praias  magníficas, com o seus habitantes  e seu sotaque  chiado e alguns traços  da antiga  malandragem  de certos lugares  da Lapa.
        O Rio, a despeito de todas as pressões adversas, continua com o seu subúrbio de vida mais  vagarosa e descontraída, bastante  diferente  dos bairros da Zona Sul, parecendo termos dois Rio de Janeiro, além dos  majestosos bairros da Barra e do Recreio dos Bandeirantes, da Zona  Oeste mais  pobre  e  algo esquecida, da Zona Norte em que o bairro da Tijuca  se  destaca  anda por sua antiga  majestade do tempo do Império (no bairro morou,  se não me engano, José de Alencar (1829-1877), grande romancista  do Romantismo,  morou, por  pouco tempo também, o poeta condoreiro  Castro Alves, 1847-1871)),  de um outro bairro da Zona Norte, o Méier, lugar bem adiantado e que guarda algumas semelhanças com os bairros mais  ricos.
   É essa paisagem diversificada que torna talvez o Rio uma cidade  singular e fascinante  ainda aos olhos  de outras  regiões do país. Um amigo meu da Bahia me disse uma vez que prefere esse frenesi carioca a qualquer outra cidade brasileira. Por que o Rio de Janeiro é  impregnada dessa magia,  desse canto de sereia que, uma vez vindo para cá,  por mais árdua que se torne a nossa vida,  não temos com explicar por que  não deixamos  a cidade de São Sebastião?  
     Essa pergunta, muitas vezes, já me fez e não consigo  dar a ela um resposta, como também não sei como responder a alguém que me perguntou  o motivo de eu não ter voltado  para da minha terra nos dias mais  espinhos  da minha vida.  Uma professora  minha, uma das melhores que tive e que me deu  aulas de conversação inglesa   e  um curso  sobre a obra de  William Shakespeare (1564-1616) uma vez, há muitos anos,  me fez um comentário, ou melhor,   me fez uma sugestão: “Por que, Francisco,  não volta,  depois de formado, para  o seu Estado natal e lá inicia sua vida profissional  no magistério?”
      Não me lembro de que lhe tenha  respondido. Talvez não lhe tivesse dito nada, mas apenas lhe sorrido. Minha professora, há longos anos,  vive nos EUA,  onde foi uma vitoriosa, lecionando em universidades  aquilo de que mais gostava:o teatro  shakespeariano, sobretudo com uma abordagem de dar aula sobre o bardo inglês  através dos recursos  da encenação.
     Penso que o Rio de Janeiro, tal como Paris,  ainda, em alguns  traços, constitui  uma espécie de  “vitrine cultural” do  Brasil, tal como Paris o é para a França.
    Se São Paulo tem mais variedades de seu espaço cultural,  de centros de pesquisas,   o Rio de Janeiro mantém  ainda um halo da cultura  literária, dos tempos idos,  dos tempos, por exemplo,  da  vida na Rua do Ouvido (abordada no livro Memórias da Rua do Ouvidor, livro de Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882),  das suas livrarias,  com a presença de escritores vindos de toda a parte do  país a buscar fama e notoriedade nacional, da Livraria  Garnier, da Livraria São José, dos encontros de intelectuais da Belle Époque na tradicional Confeitaria  Colombo da atual Rua Gonçalves Dias (há ainda  uma outra em Copacabana)  dos passeios de senhoras  vestidas  na última moda, de  senhores encasacados elegantemente  vestidos, com bengala e chapéu da moda   pela  Avenida Central (hoje Avenida Rio Branco), fazendo o seu footing, ou, parados nas calçadas,  palestrando  alegremente sobre os assuntos do momento. Na rua, a presença de  alguns  veículos da época, como  tílburis, cabriolés, carroças puxadas pelas mãos  de pessoas  humildes levando quinquilharias para algum lugar  afastado do Centro.  
     Incrivelmente, o Rio de Janeiro é assim, contraditoriamente  barroco e pós-moderno, ora alegria,  festa, ora tragédia, ora ainda um prazer inesquecível ao olhar  de quem sabe e quer  por ele se apaixonar.
         
   
       

         

segunda-feira, 13 de junho de 2016

A LITERATURA É PARA SER LIDA





                                                 Cunha e Silva  Filho



        Um ex-professor professor meu de literatura, A. Tito Filho (1924-1992)  no velho Liceu Piauiense (no meu tempo  se chamava Colégio Estadual  “Zacarias Góis),   nome respeitado e admirado do magistério,  do jornalismo,  da boêmia literária, uma vez   me levando, em sua Rural Willlis,  para  casa de volta de um  encontro, em lugar  aprazível, se não me engano,  num sítio de um amigo comum  de  intelectuais e professores, incluindo meu pai,  me dissera:”Leia primeiro os autores, depois complemente com a teoria. Só terá a  lucrar com isso.”
       Essa recomendação, dirigida sobretudo a jovens, enfatizava a grande importância da leitura  intensiva e extensiva. Tal  declaração do meu professor  aproveitei  para  citar no meu livro  para estudantes de Letras, Breve introdução ao curso de Letras: uma orientação (Litteris  Editora; Quártica, Rio de Janeiro,  2009, 120 p).
       A sugestão inteligente de A. Tito Filho é ainda atualíssima, e assim será sempre. Contudo, deve ser entendida, a meu ver,  nos seguintes  termos: a leitura deve ser intensa e extensa, conforme  assinalei acima, mas acompanhada simultaneamente das leituras da teoria literária, com a leitura dos críticos e ensaístas. Ela se põe, assim, num tripé, ou seja, autor + leitor + teoria. Naturalmente,  me  estou  referindo a alunos que se destinem aos estudos literários, conquanto reconheça que  leitores há que gostam também  de ler sobre o que teóricos e críticos pensam acerca de ficcionistas, poetas,  dramaturgos,  cineastas,  artistas  em geral. 
        O que não deve acontecer é a hipertrofia, o excesso de leituras teóricas que dizem mais respeito a acadêmicos  das áreas das ciências humanas.ou até científicas, pois conheço pessoas que, sendo  engenheiros, ou mesmo  acadêmicos  de engenharia ou de  outras  áreas tecnocientíficas, valorizam  a literatura,  a linguística etc. Tanto é verdade que, no passado e no presente,  escritores existem que se graduaram  em áreas não correlatas  às humanidades.
      O que eu chamaria  de leitura  da perda  da inocência não deve ser entendido como aquela destinada ao divertimento,  às horas  ociosas  do leitor  comum ou do leitor  de bestsellers. Essa leitura, assim especificada,  seria a leitura   dos estudantes de Letras,  dos  professores de literatura,  dos teóricos e ensaístas, do espaço   universitário.
       Ao ser introduzido às noções de teoria literária que, em geral, começam nas últimas séries do ensino fundamental e se complementam, em nível  intermediário,  no ensino médio, o estudante das disciplinas  língua portuguesa e literatura  luso-brasileira, ao ler ficção e poesia  já vai se familiarizando com  a terminologia   ou os elementos  de teoria literária que lhe propiciará entender a literatura  como  um refinamento da linguagem, chamada lingua literária, diferente  da linguagem  da comunicação ou das referencialidades  ligadas  à realidade  empírica.
         Se, por acaso, fosse um leitor que,  por conta própria,  gostasse de ler ficção ou  poesia ou as duas  coisas,  aí se  depararia com aquela leitura não contaminada pela perda da inocência, o que seria puramente um leitor  que, de uma forma ou de outra,  também  fruiria  o prazer de ler uma história e com ela se emocionar. Sentiria o prazer estético  ainda que num nível compatível com a sua  instrução.     .
         Ao contrário, o estudante,  instrumentalizado   com as noções de teoria literária, e notadamente,  o estudantes que  ingressa  nos cursos de Letras,  aos poucos  irá se desapegando da leitura ingênua, destituída  interferências  crescentes  metaficcionais. Iniciará  uma nova etapa  de aquisição de  um arsenal  teórico tanto no campo da teoria literária quanto no  da linguística.
       Ou seja, essa absorção fará parte de seu  repertório  de conhecimentos  mais profundos  do fenômeno literário, gramatical, filológico e linguístico, somados ao conhecimento de outras   áreas  humanas, como a filosofia,  a psicologia,  a sociologia,  a história,  a política, a economia. Se já graduado em Letras,  passará a conviver  profissionalmente com dois processos  de intelectualização contínua  dos quais  não mais se apartará. Se pender para a linguística, a gramática, a filologia, a análise do discurso,  a linguística  textual,   todo esse background  específico   estará   intimamente  relacionado à  sua vida mental, seja pela dimensão  da metaliteratura, seja pela dimensão da metalinguística ou, em muitos  caso,  por ambas.
          Por fim, a sua formação, no campo das ciências humanas,  ainda  será invadida  por outras   disciplinas ou saberes dada a transversalidade em que se encontram os estudos contemporâneos, com as fronteiras do conhecimento intercambiáveis. O seu espectro de conhecimentos  convocados aos  novos    comportamentos exigidos  pelos estudos  do estudante  e do  profissional  acadêmico demandará outros campos epistemológicos, nas disciplinas da psicanálise,  da música, das artes em geral,  da antropologia e mesmo das ciências estatísticas,   computacionais. Mutatis mutandi,  seria, a grosso modo,  um “neoenciclopedismo” da modernidade  célere  e em  bases  transnacionais.
       Ora,  todas essas transformações operadas no  seio das literatura e de terrenos   do conhecimento correlatos ou não correlatos, por sua vez,  tornaram muito mais complexos e mais exigentes para  os novos tempos  atravessados  pela era  digital e pelo  mundo   virtual.
       Os antigos compartimentos estanques dos saberes  já estão sepultados e com eles  sofreram inflexão  algumas áreas  humanas, como, por exemplo, a filologia, os estudos clássicos, com repercussão   nos grandes centros  europeus e nas formulações   de currículos   do ensino médio e superior.
    Os docentes dessas disciplinas não desejavam perder seu espaço e prestígio  cultural. A própria sociedade culta, os estudantes se manifestaram  contra   as medidas das autoridades educacionais de exclusão  do latim e, se não laboro em erro,  também do grego,   como, não faz muito tempo, aconteceu na França.
     O Brasil sofreu dessa mesma espécie de  aversão das autoridades educacionais pela abolição da língua latina do ensino fundamental  e médio que se efetivou no início dos anos sessenta do século   passado, com a exclusão do latim  do curso ginasial. Eu mesmo,  tendo  concluído o curso  científico,  fiz um  inflamado  artigo criticando  a exclusão do latim Felizmente,  ainda temos, em algumas escolas e cursos de direito pelo menos, um ou dois  semestres,   do ensino do latim.
       Por outro lado, apesar dos novos tempos  globalizados, no tocante à implantação da interdisciplinaridade  professores mais conservadores de universidades  e do curso de Letras, sub-áreas de língua portuguesa e  filologia,  ainda veem com  certa  má vontade (acredito que nem todos) que, em  congressos de língua e filologia,  se apresentem trabalhos abordando temas  especificamente literários, ou  seja,  professores que  ainda insistem  na clivagem entre estudos literários e estudos  filológicos e linguístico, o que é  desconhecer  os avanços  dos estudos  interdisciplinares. Felizmente, creio que  esses tabus   com o tempo serão superados.Um deles me chegou a fazer um comentário, no mínimo ingênuo, ao me dizer que  os professores de literatura  “viajam muito” e se perdem em  especulações interpretativas   intermináveis.
        Retomando a questão da perda da inocência no que tange à leitura da imaginação (romance, novela,  conto,  poesia,  drama, teatro escrito) pelo menos de uma  boa notícia já dispomos. Foi exatamente de um  ex-estruturalista famoso, principalmente no auge do estruturalismo,  tempo de minha graduação em Letras, Tzvetan Todorov, que ouvimos  uma forma de  “mea culpa” ao afirmar  que  o excesso de  hermetismo  teórico  afastou  os leitores  do “prazer” da leitura.
       E acrescento eu,  afastou, além de alguns  estudantes de Letras,  até pessoas  estudiosas  no campo  da literatura, provocando nelas ojeriza pelo estruturalismo, pelas análises  alicerçadas nessa corrente do pensamento crítico.  O estruturalismo foi  atacado  por alguns intelectuais brasileiros, sendo um dos mais  ferrenhos o  jovem  crítico  José Guilherme Merquior (1941-1991). O aparato  técnico e científico do estruturalismo seguramente teria dias contados.As cansativas leituras teóricas  estruturalistas, com seus  famosos “esquemas fonogramáticos” (de árvores)  ou os esquemas de “parentetização etiquetada,” (Eduardo Lopes,  Fundamentos da linguística contemporânea, Cultrix,  1974) tomados aos  avanços  na época da linguística. Sucede que,  mesmo  aos especialistas de hoje  aquelas cansativas visualizações que lembravam as decomposições  dos elementos da  química ou funções algébricas, quadros  esquemáticos,   estatísticos os especialistas, o estruturalismo dos anos 1970 já não diz muita coisa.
      Suponho tenha sido ele, o estruturalismo aproveitado da antropologia  de  Lévi Strauss (1908-2009) e adaptado aos estudos  literários,   um dos principais  responsáveis  pelo  perda do   antigo  prazer de ler  e de escrever sobre literatura.
     Críticos literários, com o tempo, encontrariam  novas  correntes do pensamento crítico, da Nova crítica   defendida por Afrânio Coutinho (1911-2000)  para formas mais  abertas  e não ortodoxas de  estudar  e analisar  o fenômeno  literário, não necessariamente   subordinadas   à linguística e ao vezo  de, em vão,  submeter  a literatura  a um formalismo cintificizante e tecnicista.
        Outras vias de abordagens de análise surgiriam, outras mais  aproveitariam o que de positivo  encontraram  nas diversas  correntes críticas, inclusive no estruturalismo,  mas dando  maior  peso  de análise aos aspectos  culturais,  sociais e estilísticos  da obra literária.
       Quer dizer,  approaches que dariam  conta da análise literária e dos estudos críticos tendo em consideração que a  obra literária, sendo criação humana,  deve proporcionar prazer, emoção, sentimento, humanidade  e elaboração estética fazendo  com que o leitor, o crítico e o teórico  sinalizem para a leitura como vida, gosto de ler, encantamento, enfim,  um diálogo  constante entre o leitor e o criador no sentido de  melhor compreender os homens e tudo que há à sua volta.       
        Só pela citação de  um pequeno  trecho do livro  A literatura em perigo. Trad.  de Caio Meira. (Rio de Janeiro:DIFFEL, 2009, p..25),   de Todorov, de quem assisti a uma conferência nos anos 1970, na Faculdade de Letras da UFRJ, pode o leitor imaginar  uma mudança de atitude diante da obra literária: “Na escola não aprendemos acerca do que falam as obras,  mas sim do que falam os críticos.”
     Por isso,  vejo com  certo  fundamento  a minha   referência,  no domínio da literatura   de ficção,  àquilo que chamei a perda da inocência tão logo somos  envolvidos  intelectualmente  com  o arcabouço teórico  que, em si,  é basilar,  mas que, não posso negar,   nos tira para sempre   a leitura pela leitura, ou seja,  o encontro com um mundo de vidas e de sentimentos,  segundo  assinalei acima,  um pedaço da vida  encontrado na materialidade  da palavra escrita.  O que posso fazer se  a pureza  da leitura se acaba na vida adulta   de um estudioso? 
       
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quarta-feira, 8 de junho de 2016

CUNHA E SILVA: UM JORNALISTA MILITANTE E HUMANISTA



                                                             Cunha e Silva Filho
                         
      




          Ontem estive  umas boas horas examinando meus modestos arquivos  e procurando organizá-los melhor com o objetivo de torná-los mais facilmente acessíveis às minha próprias pesquisas. O leitor bem sabe o quanto é trabalhosa a tarefa de distribuição de matérias impressas de acordo com a área do conhecimento, ou  melhor dizendo, com os assuntos ventilados. No entanto, há um dado delicado que não se pode perder de vista: o extremo cuidado de manusear uma quantidade de velhos artigos de meu pai, o jornalista, professor, membro da Academia Piauiense de Letras e escritor Cunha e Silva (1905-1990). 
       Além disso, pertenceu ao antigo Cenáculo Piauiense de Letras, ao Instituto Histórico e Geográfico do Piauí, à União Brasileira de Escritores e ao Sindicato dos Jornalistas do Piauí. Foi ficcionista, historiador, poeta, orador eloquente, polemista ferino de grandes recursos, cronista literário. Tinha vocação para a crítica literária, embora tenha sempre negado essa dimensão do seu talento polimorfo. Escrevia com facilidade sobre vários assuntos e era um espírito de intelectual sempre ativo e antenado com os grandes problemas e temas da humanidade.
        Fervoroso admirador das conquistas tecnológicas e científicas, sem, contudo, deixar-se contaminar pelo materialismo e pelas delícias terrenas, visto que seu mundo se direcionava para a dimensão da espiritualidade, para um cristianismo puro, sem formalismos eclesiais nem suntuosidades do catolicismo. Era um crente em Deus. Sua visão do Criador, exposta em artigos, está presente num soneto de sua autoria sob o título “Deus”: Deus é a inteligência infinita/Increada, mas criadora e eterna/Em torno da qual o Cosmo se agita/Se move em ordem em harmonia terna//Deus é a fonte de toda a energia,/`É a causa primeira do que existe,/Neste mundo imensurável e de magia,/Em tudo que de belo nele consiste.//Deus é a raiz de toda sabedoria,/A razão de ser de toda grandeza,/Que nos conforta mais do que na alegria.//Deus está presente em todos os seres/,/Mais próximo do homem em sua tristeza/Em suas mágoas mais do que em seus prazeres
     Passando os olhos em artigos do veterano jornalista piauiense, nascido em Amarante e onde está sepultado, comprovo, mais uma vez, a operosidade de sua atividade na imprensa. É muito extensa, espantosa mesmo, tomou-lhe toda a vida útil e posso afirmar com orgulho que provavelmente tenha sido em vida um dos jornalistas brasileiros que mais tenha escrito no tocante a número de artigos para a imprensa principalmente.
      Era da velha geração dos jornalistas que não passaram pelo curso de Comunicação Social, na sub-área de jornalismo, que só surgiriam com a fundação das nossas universidades alargando os estudos das áreas humanas, que não mais se restringiriam ao curso de direito e de filosofia. Os jornalistas da geração de meu pai tinham que ter talento para escrever bem e com a necessária velocidade de publicar artigos quase diariamente e, em alguns casos, diariamente nos jornais, sobretudo das capitais e de algumas cidades mais desenvolvidas do interior do país. Quem não se enquadrasse nesse perfil seria mais difícil manter-se como colaborador da imprensa.
     Do jornalista os leitores exigiam cultura geral, visão abrangente e atenta aos fatos acontecidos diariamente na cidade do profissional da imprensa, no país e no mundo. Mas, o tipo de jornalista que mais se distinguia na época era aquele que mantinha coluna versando sobre política. Meu pai se encaixava neste perfil: era um apaixonado pelos temas políticos e sociais. Acredito que tenha tido interesse pela política desde a infância e a adolescência em Amarante, pois uma vez me relatou algumas discussões calorosas que teve com colegas em posições políticas de oposição. Amarante, nas primeiras décadas do século passado, era cenário de acirradas competições políticas envolvendo, sobretudo, o governo municipal e os partidos de então. 
    Era tão intensa a atividade política local que famílias se dividiam em campos antagônicos disputando as eleições municipais e se posicionando quanto às suas preferências por candidatos a deputados, vereadores, governadores, senadores e presidentes da República nos períodos, é claro, de vigência democrática.[1] Foi a partir dessa convivência provinciana que Cunha e Silva se foi formando, preparando-se para futuros dias em que, já como jornalista, mergulharia fundo nessa atividade até os últimos dias de sua existência. Culturalmente, tinha a seu favor acumulado uma sólida formação humanística, adquirida quando aluno do Colégio Salesiano “Santa Rosa” em Niterói, Estado do Rio de Janeiro, no qual ficou de 1920 a 1922, cursando humanidades, mas sem terminar o último ano.
     No entanto, repetiu o último ano do secundário no Colégio Salesiano “São Manuel,” em Lavrinhas (São Paulo) e o concluiu. Segundo ele mesmo declarou em artigo muitos anos depois, isso lhe serviu para “adiantar-se mais no estudo do latim e grego.”[2] Em 1923, meu pai terminou o Noviciado, cursando, depois, filosofia sem porém, concluí-lo, visto que desistira da carreira eclesiástica. Se tivesse dado continuidade aos estudos de seminarista, de Lavrinhas iria para Turim, na Itália, a fim de fazer o curso de Teologia, ordenando-se sacerdote.[3] Em 1926, volta ao Piauí para rever seus familiares e, logo, retorna ao Rio de Janeiro, onde casa em 1927, ano em que regressa definitivamente para o Piauí, indo morar na sua terra natal, Amarante. Antes dos trinta anos, torna-se professor do Ginásio Amarantino, dirigido por Odilon Nunes, futuro grande historiador piauiense 
  Tornou-se competente em várias disciplinas, filosofia, latim, nas línguas latina, francesa, italiana, conhecia regularmente inglês, era profundo em geografia, filosofia e história, da última das quais se tornaria professor catedrático em Teresina. Em seguida, tendo Odilon Nunes dirigido o Ginásio Amarantino, em cuja direção ficou durante uns quatro anos, “passa" a direção desse colégio para o professor Joca Vieira.[4]
   Depois, meu pai adquire suas instalações e funda o seu Ateneu “Rui Barbosa,” onde vai lecionar, sendo o diretor e seu  único professor,  os cursos primário, de admissão e complementar. Em entrevista memorável,[5] já bem idoso, meu pai afirmou que era um professor nato e, por isso mesmo é que seu colégio se tornou um educandário famoso pela competência provada de Cunha e Silva. Lá o aluno aprendia de tudo, num leque de disciplinas que ia do estudo de português, matemática (aritmética, álgebra, geometria), geografia, história e até francês e inglês. O Ateneu “Rui Barbosa” durou quinze anos e só foi extinto porque meu pai, em 1947, foi estabelecer-se em Teresina, onde ficaria definitivamente.
   Na capital daria continuidade à sua carreira no magistério e à sua atividade jornalística durante longos anos. O maior orgulho de  Cunha e Silva era porque por sua escola, graças à orientação pedagógica  séria e rigorosa, passaram diversos alunos que se tornariam nomes conhecidos em várias áreas do conhecimento e de profissões, como altos funcionários do Banco do Brasil, professores  universitários,  um ministro,  governadores, senadores, deputados federais, engenheiros, médicos, promotores,  advogados, militares de alta patente.[6] Enquanto dava aulas no Ateneu “Rui Barbosa”começara a escrever para jornais de Teresina, Floriano, interior do Piauí,  para o jornal Imparcial, de São Luís, Maranhão e até uns dois  artigos para o Diário de Notícias, do Rio de Janeiro. Tornou-se bem conhecido como jornalista talentoso e respeitado ainda bem moço.
  Seus artigos eram originais, destemidos e criticavam a “mentalidade reacionária e fascista do momento.”[7] Na Intentona Comunista, em 1935, é injustamente acusado, processado e condenado pelo extinto Tribunal de Segurança Nacional,[8] tendo cumprido pena durante um ano em quartel de polícia de Teresina por motivos políticos e sob a alegação de que era comunista e dispunha na biblioteca de sua casa, em Amarante, de livros marxistas, além de estar ligado à Aliança Renovadora Nacional. Foi denunciado  à Polícia em Amarante, que lhe vasculhou a casa e  o prendeu  por ordem do Cel. Delfino Vaz,[9] figura sinistra que, infelizmente, não sei por que motivo, virou até nome de Praça em Teresina.
  Um intelectual piauiense, cujo nome desejo resguardar, uma vez, em Teresina, me apontou, de carro, um lugar privilegiado, no coração de Teresina Era uma praça que leva o nome do responsável pela prisão de meu pai. Fez-me, então,  a seguinte observação: “Veja, Cunha, esta praça deveria levar o nome de seu pai, não do seu verdugo.”[10] Em seguida,  me fez  um breve relato da prisão do meu pai.Contara que meu pai entrou  em luta corporal com os policiais, que lhe tomaram um revólver, com muito custo, pois meu pai era homem forte e corajoso, embora de estatura baixa. Confessara-me meu pai, anos depois,  que realmente tinha alguns livros de orientação marxista de uma pessoa que aparecera de passagem por Amarante, e lhe pedira que ficasse com eles. 
   Ora, para um jovem intelectual com tantos projetos de vida no campo cultural, não pode haver discriminação de tipos de leituras e autores sob pena de deformar sua própria formação cultural. Durante toda a vida, meu pai lia intensamente livros das áreas de sua predileção, ciências políticas, filosofia, sociologia, economia, geografia e história. Após deixar a prisão, voltara para Amarante dando continuidade às suas aulas de professor até 1947 quando, segundo salientamos antes, mudou-se  para Teresina. Foi nos anos de permanência em Teresina que meu pai viveu provavelmente os anos mais duros de sua vida, quer como professor,  quer como jornalista. 
  Porém, foi nessa cidade que contraditoriamente também experimentou alegrias e conquistas no magistério e no jornalismo. Neste artigo, me limitarei a comentar esquematicamente o seu papel de jornalista na vida política piauiense, ainda que jornalismo e magistério estejam  sempre interligados na vida desse escritor. O jornalismo  de Cunha e Silva possui uma característica inconfundível e exponencial e pode-se dividir em três fases: 1) a que vai dos meados de 1940 à década de 1960, antes da ditadura militar; 2)  a  fase que  abrange sobretudo todo o período da ditadura militar; 3) a  fase que  vai do final da ditadura militar ao período de redemocratização.
   Pelo visto, é um longo período de militância ininterrupta e qualitativamente fecunda, visto que praticamente escreveu para todos os jornais do Piauí e uma vez, teve publicados artigos seus no Diário de Notícias, do Rio de Janeiro, e no jornal O Imparcial, de São Luís, Maranhão, citando-se,  para ilustração, os seguintes jornais piauienses em que colaborou como colunista, redator ou editorialista, praticamente sem remuneração: O Floriano, O Piauí, Resistência (diretor), A Gazeta, O Tempo, O Dia, Jornal do Piauí, A Luta, O Pirralho, O Liberal, Estado do Piauí, entre outros, a par de publicações de artigos em revistas diversas do Piauí:
    Na primeira fase, que se inicia ainda em Amarante e já com expressiva participação no jornal, seu jornalismo já despontava com uma marca de uma pena ágil, clara, objetiva e destemida a serviço da defesa de causas sociais, e de repúdio a quaisquer regimes autoritários, fosse  em Amarante, fosse na política estadual e federal, fosse no mundo com as suas grandes, complexas e desafiadoras questões nos anos trinta e quarenta do século XX. Da mesma maneira, nessa fase o jornalista aprofunda cada vez mais as sua militância, acompanhando de perto os sucessivos governos do Estado do Piauí, quase sempre na oposição contra os desmandos dos governantes, Fez campanha a favor da UDN que elegeu o governador Rocha Furtado. 
  Como estivesse ao lado da UDN, o governador lhe conseguiu uma cadeira de geografia no Colégio Estadual do Piauí (antigo Liceu Piauiense). Desentendo-se com a UDN, passou a fazer acerbas críticas ao governador Rocha Furtado que, como retaliação, o destituiu da cadeira de geografia, deixando-o desempregado e curtindo as privações financeiras além de ameaças contra ele seguramente vindas de setores do governo  estadual[11].   Segundo A. Tito Filho,[12] foram dias de grandes atribulações financeiras, pois como professor em escolas particulares, conquanto ministrasse   aulas da manhã à noite, não conseguia sustentar dignamente a família e dos artigos que escrevia para os jornais nada recebia, artigos cada vez mais corrosivos e virulentos contra o governador e seus auxiliares. Meu  pai recebia ajuda de alguns amigos e colegas. A.Tito Filho, em artigo por ocasião, do falecimento de meu pai, escreveu-lhe um comovido e importante artigo-homenagem. Num trecho resume a agressividade que era a norma da política daquela época: “ política da época não aceitava rebeldias, A punição se fazia necessária e rigorosa. Os que se rebelavam  perdiam o emprego público, tivessem ou não responsabilidade de família.” [13]
    Ao romper com a UDN, passou para o Partido Social Democrático. Com a eleição de Pedro Freitas, candidato da oposição a Rocha Furtado, meu pai recuperou um pouco o abalo financeiro, conseguindo do novo governador duas cadeiras no magistério, no Colégio Estadual do Piauí e na Escola Normal “Antonino Freire.” Nos jornais, continuava na defesa do PSD e verberando contra a oposição.[14]
  Foram anos de intensas lutas político-partidárias.  Veio o governo de Petrônio Portella e do governador ganhou o cargo de diretor da Casa Anísio Britto que englobava administrativamente o Arquivo Público, a Biblioteca e o Museu do Piauí. Fora nesse período que teve oportunidade de aprofundar ainda mais seus conhecimentos, sobretudo no campo da História do Brasil, quando aproveitou para se preparar a uma prova para a cátedra de História do Brasil da Escola Normal “Antonino Freire.” Escreveu, então, a tese, A odisseia do cativeiro no Brasil.[15] Realizou-se o concurso e dele saiu aprovado não sem ter enfrentado alguns obstáculos decorrentes de suas posições políticas e da sua veia crítica. Escrevera ainda outra tese de título O papel de Floriano Peixoto na obra de proclamação e consolidação da República (1957), apresentada à cátedra de História do Brasil do Colégio Estadual do Piauí. Não me consta que tenha sido realizado o concurso de defesa dessa tese.
  Deixou, por último, uma obra, de título Gatos de Palácio, sátira política, ainda inédita.[16] Desejo acentuar que meu pai sempre encontrou algumas pedras no caminho que procuravam prejudicá-lo. Da função de diretor da Casa Anísio Britto pediu demissão simplesmente para solidarizar-se com um amigo desafeto do governador.[17] Era assim meu pai, um espírito elevado, que colocava a dignidade pessoal em primeiro lugar ainda que isso lhe custasse dissabores de toda ordem. No governo de Chagas Rodrigues, foi nomeado diretor do Colégio Estadual do Piauí, função na qual pouco demorou, pois, tendo punido um professor que saiu da linha de seus critérios de administração, o professor recorreu à Justiça e o juiz de direito da capital concedeu-lhe mandado de segurança. Considerando-se desprestigiado, deixou o cargo.[18]
  Na segunda fase, houve um longo e tumultuado caminho de sua militância jornalística. Era o tempo de uma fase delicada do governo federal que, em última análise, resultou na tomada do poder pelos militares. Foram longos anos de autoritarismo, de ausência de liberdade e de partidos de fachada, de prefeitos e governadores biônicos. Vieram os anos de chumbo. Nesses anos, meu pai prosseguia escrevendo no meio do vendaval de profundas mudanças na estrutura política do país, tendo, além disso, a presença atuante da censura à imprensa. Veio o AI-5, o exílio de políticos de projeção, de professores, de cientistas, de artistas e intelectuais que combatiam a ditadura. Cunha e Silva  não se deixou intimidar, mostrava os erros dos governantes, defendia o seu credo político, a democracia social.
  Combatia sempre os regimes discricionários, quer no país, quer no exterior. Seu jornalismo já o encontrava na fase de grande amadurecimento e equilíbrio e sabia como criticar sem se expor ingenuamente. Até mesmo na sua produção fora do jornalismo, suas ideias de esperança na democracia e na vontade de ver seu país um dia vivendo sob um regime de democracia social nunca arrefecera de seu espírito e de suas preocupações constantes. Tal se refletiu em dois livros que publicou,  A república dos mendigos,[19] do qual tive o privilégio de fazer uma pequena introdução e  Copa e cozinha.[20] Em ambos, ainda que, no primeiro tenha utilizado o gênero ficcional, há o viés político, a crítica aos regimes fechados e a defesa da democracia social.
   Na terceira fase, sua forte vocação de jornalista político, malgré lui, não consegue se desprender da notação ideológica por ele cultivada, ou seja, há na sua visão de escritor um elemento jamais descartável, o proselitismo de um espírito para quem a única saída para os problemas sociais do mundo é o exercício da democracia social, implantada na sua plenitude desde que o homem político e o ser humano em geral se  transformem pela humanização e desprendimento dos bens materiais, tal como se pode ver encarnado no protagonista – e seguramente o alter-ego do autor -, Simão Lopes, novela A república dos mendigos, já citada. Simão Lopes não é apenas uma mera construção ficcional.
  É, antes, símbolo, com sua matriz na República de Platão, de um mundo de harmonia e paz social, de justiça e de humanidade entre as pessoas, mundo para alguns utópico,  mas que, na verdade, é real na possibilidade da arte de ficção. 

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À guisa de conclusão: 

 O presente estudo está longe de ser desenvolvido em maior profundidade, inclusive em virtude de falhas de pesquisas, que demandariam deslocamentos do autor para consultas em Arquivos e Bibliotecas de Teresina, Amarante, Floriano, Niterói e Lavrinhas,  além de testemunhos de pessoas que o conheceram na melhores fases de sua atuação jornalística. No tocante a leituras e releituras dos artigos e da produção existente de meu pai visando a um trabalho de envergadura de análises dos seus textos e de seu pensamento político e intelectual,  minha pretensão, por enquanto, fica apenas na vontade  de ver um estudo realizado neste nível. Desejo acrescentar que a bibliografia passiva de  meu pai ainda não foi levantada com todo o cuidado que a relevância do jornalista piauiense merece da parte de estudiosos. No final deste estudo,  acrescento todos  os artigos  nos quis  foquei  meu interesse sobre a sua vida e obra e ainda adiciono alguns textos  (artigos,  perfis biográficos ou trabalhos de outra natureza  acerca de Cunha e Silva.






NOTAS:

[1] Grande parte dos dados informativos  de caráter biográfico deveram-se a diversas conversas que com meu pai mantive na adolescência em Teresina, Piauí, depois confirmadas por alguns artigos de cunho memorialístico que publicou ao longo da vida. Devo acrescentar que  meu pai sentia  um grande prazer em conversar comigo  sobre  o seu passado.
[2] SILVA, Cunha e. A virtude está no meio. Só tenho o recorte do jornal, mas provavelmente foi publicado em O Liberal, Teresina, [2]PI. Só uma indicação encontro no verso do recorte: Teresina, Dom./Seg. 26/27 de Setembro de 1988. 
[3] Em conversa com meu pai nas condições indicadas na nota “1” acima
[4]  SILVA, Cunha e. Omissão injusta. Jornal Estado do Piauí, Teresina, 22 de julho de 1983. Tais informações se encontram igualmente em outros artigos memorialísticos de Cunha e Silva
[5] Entrevista: Prof. Cunha e Silva. In: EDUCAÇÃO. Ano III, Nº 06 – Revista Trimestral – 15/10/1986, p. 17-22. Órgão Oficial da Secretaria de Educação do Estado do Piauí.
[5]  Cunha e. Amarantinos ilustres. Recorte do artigo provavelmente publicado no jornal Estado do Piauí, Teresina
[7] SILVA, Cunha e. Profissão de fé. Jornal Estado do Piauí, Teresina, PI., publicado em duas partes, a primeira em 24/06/1980, a segunda, em 27/06/1980.
[8] TITO FILHO, A. Cunha e Silva. In: Crônicas de A. Tito Filho. Teresina, PI.: Gráfica do Jornal O Dia, 1990, p. 65-66. Texto, em cópia-xérox conseguido, através de um  amigo piauiense e residente no Rio de Janeiro. O mesmo amigo também  me conseguiu, em cópia-xérox,  um excelente estudo sobre meu pai,  o qual se encontra no capítulo “Perfis,”   livro Elogio  da sombra(1979) da autoria de José Maria Soares Ribeiro,  de resto,  ex-aluno de meu pai  no Ateneu Rui Barbosa, em Amarante. Vale enfatizar que ambos os textos, a meu ver, de tudo que pude ler sobre Cunha e Silva, me parecem o que há de melhor sobre o entendimento da personalidade intelectual e do pensamento e ideias de meu pai. A cópia-xérox do livro Elogio da sombra não faz a indicação  dos dados da editora e do lugar  da imprenta. 
[9] SILVA, Cunha e. Profissão de fé. Op. cit.
[10] O intelectual piauiense alude ao Cel. Delfino Vaz, já citado na nota anterior,  o verdugo que mandou prender meu pai em Amarante.
[11] TITO FILHO, A. Op. cit.
[12] Idem, ibidem
[13] Idem, ibidem
[14] Idem, ibidem
[15] SILVA, Cunha e. A odisseia do  cativeiro no Brasil. Teresina: Imprensa Oficial, 1952. 61 p. (Tese apresentada à Escola Normal “Antonino Freire” no concurso para catedrático de História do Brasil).
[16] Infelizmente, o destino dessa obra não foi bom. Pelas informações que tenho da minha família,  a obra se perdeu. Entretanto,   aguardo que, um dia, apareça,  pois eu tive o privilégio de copidescá-la e mesmo  fazer uma primeira  revisão, enviando-a novamente ao Piauí para um possível  publicação. É lamentável um aconteci mento desses
[17] TITO FILHO, A. Op. cit.
[18] Idem, ibidem.
[19] A república dos mendigos (novela). Rio de Janeiro, RJ.: Folha Carioca Editora Ltd., 1984, 135 p. Introdução de Cunha e Silva Filho
[20] SILVA, Cunha e. Copa e cozinha. Teresina: Academia Piauiense de Letras/Projeto Petrônio Portella, 1988, 127 p. 


BIBLIOGRAFIA SOBRE CUNHA E SILVA


MOURA, Francisco Miguel de. Cunha e Silva. In: Literatura do Piauí.(De Ovídio aos nosso dias). 2. ed., rev. ampliada. e melhorada Teresina: EDUFPI,  203, P. 109-110.
NETO, Adrião. Verbete  Cunha e Silva. In:__. Dicionário biográfico escritores  piauienses de todos os tempos. 2. ed. Prefácio de Elmar Carvalho. Teresina: Halley S.A, 1995, p. 245.
FILHO, Severino. Há 25 anos morreu Cunha e Silva. Acesso em:
cidadeverde.com/tuneldotempo.
SILVA FILHO,  Cunha e. Esboço biobibliográfico e crítico. Estado do Piauí, Teresina,  29/07/1974.
____________. Em defesa de um autor. Jornal do Piauí, Teresina, PI., 22/01/1982.
  Recorte de jornal, provavelmente um editorial, publicado em 1975,  em homenagem ao ingresso de Cunha e Silva como  imortal da Academia Piauiense de Letras, ocupante da cadeira nº8, cujo patrono é José Coriolano  de Sousa Lima.
ACADEMIA PIAUIENSE DE LETRAS. 4º Ocupante –  CUNHA E
SILVA. Publicado no jornal Estado  do Piauí. Recorte de  jornal possivelmente datado de 1975.
SILVA, Brito. Prof. Cunha e Silva. Estado do Piauí.Teresina, 21 de setembro de 1975.
 SILVA FILHO,. Cunha e Silva: oitenta anos. Jornal do Piauí, 07/08/1984.
FILHO, Vasques.  A república  dos mendigos. Tribuna do Ceará. Fortaleza, 1990. Acervo A. Tito Filho (8).Disponível em: acervoatitofilho8blgspot.com.br
SILVA FILHO, Cunha e.  A ausência presente. In: __. As ideias no tempo(crônicas, artigos, resenhas e ensaios). Teresina: Academia Piauiense de Letras/Gráfica do Senado, Brasília, DF., 2010, p. 47-48. Artigo anteriormente  publicado em jornal de Teresina,PI. 
___________.Três encontros com meu pai. Idem, ibidem, p. 262-264.
 ___________.Relendo Copa e cozinha. Jornal da Manhã, Teresina, PI., 1988. Posteriormente publicado na obra As ideias no tempo, op. cit.
__________.  Um ano sem Cunha e Silva. Jornal da Manhã, Teresina, PI., 17/02/1991
_________ . Nas estantes de Cunha e Silva. Meio-Norte, Teresina, PI., 03/10/2004
__________.Cunha e Silva: centenário, fotos e saudades (em duas partes). Meio-Norte, 20/01/2006.. 
__________.Recordando Papai (duas partes). Diário do Povo, Teresina, PI., 30/10/2007. 
__________.Cartas a meu pai (1). Diário do Povo. Teresina, PI., 14/08/2008 
__________.Cartas a meu pai (Conclusão). Diário do Povo. Teresina, PI., 14/08/2008. 
__________.O menino, o pai e a garapa.Ver Arquivo do meu Blog “As ideias no tempo”.
__________.Memórias de Papai: sede de sabedoria.Ver Arquivo do meu Blog “As ideias no tempo.”
__________.Cunha e Silva, enfim, a consagração.Ver Arquivo  do meu Blog “As ideias no tempo.”

SOARES RIBEIRO,  José Maria. Cunha e Silva. In:__. Elogio da sombra. Teresina, s.ed., 1979, p. 31-41.

TITO  FILHO, A.  Cunha e Silva. In:__. Crônicas de  A.  Tito Filho. Teresina: Gráfica do Jornal O Dia, 1990, p.65-66.

NOTA DO AUTOR:

     Este ensaio é   uma versão nova, aumentada, inclusive revisada,  de um  trabalho  anteriormente publicado neste Blog. Entretanto,  a sua novidade está na  sua melhor organização e enriquecimento de dados, sobretudo  bibliográficos. Julguei que a antiga versão merecia um tratamento mais acadêmico. No que concerne à bibliografia passiva de Cunha e Silva,  ainda espero  colher mais  textos sobre esse importante  jornalista e educador  piauiense que, por felicidade do destino,  é meu pai.. Uma outra razão  pela qual  venho   escrevendo  sobre  o valor de sua  contribuição ao jornalismo e às letras do Piauí se deve à pouca valorização da historiografia  piauiense pelo que ele produziu  por décadas, sobretudo  no campo do jornalismo político-doutrinário, na educação e na vida cultural piauiense. O que venho  publicando sobre ele objetiva, portanto,  despertar  uma maior  atenção  para  esse intelectual talvez já esquecido das gerações mais novas