domingo, 15 de janeiro de 2017

O QUE É O HOMEM BRASILEIRO?




                                                                                              Cunha e Silva Filho



      A pergunta do título  deste artigo  me  é  inspirada  pela leitura de  um artigo do  teórico e crítico literário Eduardo  Portella,  de título  “A morte do homem cordial.” (jornal O Globo, 14/01/2017).  Há muito não lia  o autor que tem  uma  obra  notável  e definitiva   no alto  ensaísmo  e na crítica  brasileira. Lembro bem do que  afirmou  o pensador e grande crítico literário Tristão de Athayde (Alceu Amoroso Lima, 1893-1983) ao saudar, se não me engano,  em jornal, o aparecimento,  na cenário   intelectual  brasileiro   de Eduardo Portella (1958, com obra Dimensões 1, crítica literária) com a frase  consagradora: “Crítico ao Norte.” Portella,  com o tempo só  confirmou  esse julgamento.
    Sem  nomear  o principal  nome   em torno do qual  o tema polêmico ainda hoje   discutível  do “homem cordial” atribuído ao brasileiro e analisado  no capítulo  V da obra Raízes  do Brasil (Rio de Janeiro: J. Olympio, 10 ed., 1976, p. 101- 112) do erudito ensaísta, crítico literário   historiador  Sérgio Buarque  de Holanda (1902-1982), Portella em texto  enxuto  e límpido, desnuda sucintamente  a questão da cordialidade  nossa, questão esta que o  próprio  Holanda, segundo  já frisei,  procurou  analisar. A cordialidade do brasileiro já havia se  espalhado  pela consciência coletiva  nacional sempre  invocada  para  justificar  que o brasileiro  é cordial, quando  não o é sobretudo  se visto  agora da ótica  da atualidade.
     A frase “homem cordial” se tornou  moeda corrente como tantas outras que se inseriram   na cultura brasileira  no sentido  de  identificar  o país e o seu povo   por um viés  positivo, como aquela  do título da obra de Stefan Zweig((1881-1942), Brasil, país do futuro(1941), ou aqueloutra bem mais antiga  de um título  do livro   Por que me ufano  do meu país (1900), do conde de Afonso Celso (1890-1938), um velho  exemplar do qual conheci na biblioteca do meu pai. 
       A expressão  “homem cordial”  não é de  Holanda, mas  do poeta diplomata e ficcionista Ribeiro Couto (1898-1963) conforme o próprio Holanda lembra    na nota de rodapé 157, (op. cit., p.106). Holanda apenas  viu  nessa   a síntese  da definição  desenvolvida  em seu livro  sobre  o assunto.
      Inclusive, não pode ser tomada ao pé da letra,  de vez que  Holanda estuda o comportamento  social  do brasileiro sob a perspectiva de que  somos  um povo avesso  ao ritualismo,  mas com  um  forte  inclinação  à quebra  de formalidades a serem  obedecidos  com rigor. Nossa  tendência  é a manifestação da liberdade, no sentido de abertura  às ideias  e a modos  assistemáticos e facilmente  digeridos.          
       Portella, para sustentar  suas ideais no  artigo, parte do argumento  de que   o homem cordial   se deveu à combinação  do “modernismo”  com  o “ufanismo.”
      No entanto,  segundo o Portella,  com  o  passar  dos anos e as transformações   gerais do país, à altura da modernidade, da qual  começam a surgir  os efeitos danosos da explosão urbana, do gigantismo   populacional  e da “privatização da esfera pública,”  fatores desta natureza  que só  deteriorariam  a realidade  brasileira  já dando seus  fortes sinais   de  novos    e nada  alvissareiros desafios   que o país teria  que   enfrentar. E tal s deu ao nosso  olhos   perplexos do presente.
    Aquele   passado  algo  romantizado,“edificante”   de um  Brasil de natureza  exuberante,  de um  “sertanejo é antes de tudo  um forte” na concepção  de Euclides da Cunha  entrevista em Os sertões,  não mais  se poderia    manter como ilusão  identificadora  do que o futuro (o nosso presente)   haveria de preservar   como a  projeção  de um nação   próspera   e feliz. Portella denomina  essas  dificuldade  não previstas   pelos  estudiosos  da nossa formação  de Estado Brasileiro de “desvios  inesperados do caminho.”
    Citando  Mário de Andrade (1893-1945), tendo por fundamento a obra  Paulicéia desvairada(1922), como  um  intelectual  que havia percebido os percalços  que  sofreria o país, a começar da capital de São Paulo, maior  centro  econômico e industrial da América Latina, Portella - diria eu -,  reforça  que  aqueles mesmos   percalços (0s “desvarios”  marioandradinos ) a serem  enfrentados  alcançariam  todo o território  brasileiro.
    Ora,  esses desvios  que conduziram   ao estado  de  imoralidade   e degradação  dos poderes e à ilegitimidade da  representação  política com o desgaste da figura   do político   a consequente repulsa da sociedade, quase  por completo   ruíram as nossas instituições  supostamente democráticas.
    O efeito foi  catastrófico  porque o sistema  republicano   ficou  em grande parte   desacreditado pela sociedade  civil, principalmente  porque foram   gravemente  feridos  os  princípios  éticos  e morais, desestruturando  o arcabouço do Estado, como são exemplos os inúmeros e recorrentes  escândalos   investigados  pela Operação Lava Jato denunciando em práticas  de ilicitude   e criminais   os governos federal,  estaduais  e municipais e a elite do empresariado.  O fato de Portella citar o poema de Carlos  Drummond de Andrade (1902-1987), “E agora,  José?,” já indicia para um  situação  social e política altamente complicada que nos coloca a todos  numa encruzilhada e na imprevisibilidade  e incertezas nos rumos do  país.
      Portella  ainda se vale  de três notáveis  filósofos de porte  universal a fim de  desconstruir  a concepção de cordialidade brasileira ao  declarar  que “(...) nenhum homem é ou deixa de ser cordial fora do seu  horizonte  existencial.” Em outras palavras, nenhum  homem escapa à sua  “circunstância” ( Ortega ), à sua “situação” (Sartre) e às aflições do “ser no tempo” (Heidegger).
    Outros  fatores são citados  por  Portella como  exemplos   dignos de  meditação que explicitariam  a nossa,direi assim,  ausência de cordialidade:  decisões impensadas  para escaparem  a condenações (caso  da queda do avião  levando  os jogadores da Chapecoense); a escravidão que, no país,  não deu  nenhum  exemplo  de humanidade; a violência  atual  em estado de calamidade pública;os presídios brasileiros, locais onde  o crime  se mantém  e ainda  coordena  a brutalidade  fora dos presídios;  a “institucionalização da violência  política”; a “privatização do público” considerada  pelo crítico  como  “negação da cordialidade.”  
    Agrega ainda como  causa  primordial a desarticulação do sistema de  educação  no país, cujas   problemas  graves poderiam ser  tratadas   com  um   ensino e educação  que respeitem   e valorizem   os  frutos   do conhecimento, da cultura, a injustiça social, outro  determinante  do recrudescimento sem precedente da  violência e criminalidade em nosso  país. 
   Portella  vê como  saída para uma país  melhor   uma efetiva   prática  de políticas do Estado, i.e., não se melhora educação nem cultura se  o Estado, através das esferas da educação e da cultura, em ações conjuntas,  não estiver   disposto  a mudar  para  aperfeiçoar com forças concentradas  em objetivos a serem atingidos  cm sucesso. É o Estado  interagindo como  uma unidade  de forças   concentradas   em objetivos  a serem  atingidos com sucesso
    Por último  refere a urgência  de uma  reforma  política em todos os sentidos, a ser levada a cabo  não por pelo que ele chama de “protagonistas do caos” mas pelo mais   “íntegro diálogo societário.”

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

O RIO DE JANEIRO PEDE SOCORRO






                                        Cunha e Silva Filho


           quase cinquenta e três anos  moro no Rio de Janeiro. É a minha cidade natal por adoção. Em todo o longo período de residência nesta cidade, umas das mais admiradas no mundo  inteiro, não existe turista que não se encante  com ela e é por esse motivo  que muitos  estrangeiros passam por aqui e terminam  ficando  para sempre.
         Com uma  vocação sem paralelo   para o turismo,  dadas as  suas  qualidades  sobejamente  cantadas  em prosa e verso, a cidade de São Sebastião, assim  como  todo o interior do Estado  homônimo, sofre uma das maiores crises   estruturais  de sua história.
        Nesses anos todos,  pude  observar   o mandato de diversos governos  estaduais, até mesmo dos biônicos do tempo da ditadura militar. Contudo, desde  quando  se tornou  governador  fluminense,  o  Sr. Sérgio Cabral, a meu ver,  se mostrou,  sobretudo no segundo mandato, o  pior governador  que já  teve o  Rio de Janeiro.
        Durante as duas gestões marcadas  pelo autoritarismo  e pela falta de diálogo, todos os setores da vida  pública foram afetados  pela sua  péssima  e fraudulenta administração  a ponto de, ao ser empossado    o  novo governador  eleito,  Sr. Pezão,  logo no início  começaram a desandar com tal magnitude, agravada ainda mais  por uma doença de  que foi acometido. A máquina  da administração estadual entrou  em regime de UTI:  falência  nas finanças, nos setores da educação estadual (ensino médio e universitário, representado  este pela  franca decadência  financeira de um  universidade do porte da UERJ, ), na saúde pública   que está com seus  hospitais  quase fechando, e sobretudo  com  a pior   situação  já vivida pelo  funcionalismo  público, desde o ano  passado,  recebendo seus vencimentos atrasados com atraso  e   em parcelas  irrisórias, com exceção  das privilegiadas   áreas do ministério  público,  do alto  escalão da Justiça  estadual (juízes, desembargadores,  procuradores do Estado),   do Executivo (governador,  vice-governador, secretários e do Legislativo.  Estes estão incólumes,  têm poder nas mãos  e nas leis.Os seu salários são líquidos e certos.  Para eles, cumpra-se  a lei e ela é cumprida.
         Porém, os barnabés  inativos, os terceirizados  ficam em  último  plano. Injustiça  maior  não pode haver mais do que  tudo isso.
        Entretanto,   há que se perguntar muita coisa  que fica no ar: o Estado  do Rio  de Janeiro continua arrecadando impostos em dia,  o turismo   tem   enchido  os cofres do governo  com  os milhares de turistas  nacionais e  internacionais que visitam  o Rio ou que já  o visitaram   aos milhares nos tempos da Copa Mundial  e das Olimpíadas. Para onde foi – pergunto -   canalizado  todo o lucro   dessa atividade econômica  colossal? Assis  como to os outros  impostos  recebidos  pela Fazenda  Estadual?  
         Reconheço que  o governo estadual  gastou  muito com a preparação  para os dois  megaeventos   atrás  mencionados, com  a reforma  gigantesca do  Estádio do Maracanã. Por outro lado,  por que  não pensaram antes tanto  o governo  federal, a prefeitura  municipal e  o governo estadual na conturbada situação  financeira  do governo  Dilma, quer  dizer,  por que  foram  se endividar   astronomicamente  com  tantos gastos   só para sediar   aqueles  megaeventos  que, na realidade,  trazem alegria  para o  povo, mas demandam  altíssimos gastos   com   construções de  estádios  de futebol e   de toda a infraestrutura   requerida   para   tais realizações?  O  Brasil   não estava em condições de  bancar ou complementar   tantas  despesas. Há que se  levar em conta  o superfaturamento    em obras  públicas,  que é do conhecimento   de todos.  Ora,   tanta sangria    poderia  resultar   na  mais desastrosa  bancarrota   da história  dos  governos    do Rio de Janeiro.
        Por conseguinte,  todos  os  setores  da administração  pública, federal, estaduais  e municipal  têm responsabilidade   na falência   administrativa   do Rio de Janeiro.  O Sr Pezão,  que pertenceu  ao governo  passado,  obviamente sabia  de tudo que   iria herdar  do  fatídico  governo precedente. O desgoverno do Sr  Sérgio Cabral foi tão  nocivo  à população  do Rio de Janeiro que o resultado  aí está aos olhos  dos que  o elegeram  em dois mandatos:  encontra-se preso   por  corrupção e malversação do dinheiro  público.
      Toda a rapinagem acontecida no governo do Cabral explica a bancarrota  do Rio de Janeiro.  No entanto,  cabe  acrescentar que  o  Estado do Rio de Janeiro,   é perdulário:  só com  os poderes  legislativo e   judiciário   têm  uma despesa   monumental,   se levar-se em conta   as chamada mordomias,  salários   polpudos,  benesses  e regalias   faraônicas.  Ninguém  me venha dizer que  toda     essa despesa  conjunta  não tem  sua parcela  de responsabilidade  na derrocada das  finanças  estaduais.
     Sendo tão  caótica a crise financeira  do Estado   Rio de Janeiro, com uma dívida  também   volumosa    com o governo  federal, é urgente  que o governo federal  venha socorrer  o Rio de Janeiro, mas sem exigências  tantas contrapartidas   do governo estadual, as quais só irão ainda mais   pesar  no bolso  do funcionalismo    estadual já com seus salários atrasados, segundo já assinalei, sem perspectiva de reajuste  mesmo a longo prazo  e  impossibilitado de   suportar   qualquer  medida  do Executivo que venha  piorar  os já combalidos   proventos   dos barnabés do Rio de Janeiro e o funcionamento  dos setores vitais  da máquina administrativa estadual. 
      O que a crise financeira   está   acarretando  à população mais  humilde que se vê  privada da assistência hospitalar e de outros  setores  importantes do governo,   vai-se se refletir  nas próximas  eleições.  Não se tenha dúvida disso, tanto  na esfera estadual  quanto  federal.  O eleitor  brasileiro,  após tanta   crise  institucional  e corrupção, decerto sairá mais   amadurecido  politicamente  e dará o seu troco  nas eleições vindouras.
    Não se oprime  uma sociedade  por tanto tempo, como são ilustrativos  os sofrimentos e as  aflições vividos  pelo   povo do Rio de Janeiro,  cariocas  e fluminenses, atravessando  hoje situações angustiantes, como o seu ensino superior representado pela  Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ ), praticamente  paralisado  nas suas atividades normais, nas suas pesquisas, na interrupção  de  suas aulas  da graduação e pós-graduação.  No mesmo descompasso de decadência, temos o Hospital  Pedro Ernesto, que é o hospital-universitário da UERJ. Podiam-se citar outros  importantes  hospitais  estaduais, todos  em petição de miséria,  sem  condições  de atenderem  à população  mais   humilde  que não  dispõe de plano de saúde, que  procura   tratamento  emergencial ou mesmo laboratorial. Hospitais esses  sem   insumos básicos   ao funcionamento   normal,    prestes a fechar suas portas,   porquanto seus funcionários é imperioso  frisar -   estão  sem receber salários, assim como  os  funcionários terceirizados.
    Só para finalizar este artigo,  o Rio de Janeiro, como  o resto do Brasil,  vale sempre  lembrar - está ainda  vivendo  esse problema  nº1  que afeta  impiedosamente  a sociedade  brasileira, a violência  sem freios infernizando  a todos nós  que precisamos de sair,  de viver  em paz e não conseguimos,  visto que ,em cada canto,  em cada esquina,  em cada rua da cidade, tanto  quanto até em algumas cidades do interior do Estado,   pode um  bandido  estar pronto a nos assaltar  ou,o que é pior,  tirar-nos  o bem maior -  a vida.
    O Presidente  Temer parece que não está vivendo  no  Brasil. Talvez com  os horrores bestiais  (com cenas gravadas   por celulares e viralizadas nas redes sociais, com gritos de alegria   de criminosos diante das atrocidades  cometidas),   à maneira  de execuções  dos membros do Estado Islâmico,    praticados  e aqui  imitados, ocorridos há poucos dias em Manaus e Roraima, ele possa despertar  para a carnificina, a crueldade holocaustiana em que se transformou   a  triste realidade social  brasileira.   

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

CUNHA E SILVA FILHO: ESCRITOR E CRÍTICO LITERÁRIO




                                                                           Por Gilvaldo Quinzeiro.

O escritor, ensaísta e crítico literário Cunha e Silva Filho concedeu uma entrevista a Sky Culture e-Magazine.  Nesta entrevista, Cunha e Silva Filho, que também é Pós-Doutor em literatura brasileira, fala, além do seu mais recente livro; de Ferreira Gullar, Adailton Medeiros, da literatura piauiense e da atual conjuntura política brasileira.
Cunha e Silva Filho é piauiense de Amarante, mas hoje reside no Rio de Janeiro. Confira a entrevista.

Sky Culture e-Magazine:  Quem é Francisco da Cunha? Fale-nos também da sua atividade cultural.
Cunha e Silva Filho: Sou um escritor nascido em Amarante, Estado do Piauí,  que, atualmente,  vive de escrever  sobre gêneros  diferentes: crônicas, ensaios,  crítica literária,  resenhas,  traduções de poesia, memórias e temas  relacionados à política nacional e internacional. Uso o nome literário Cunha e Silva Filho na minha produção acadêmica e fora da academia. 
Por influência paterna, fui, ainda adolescente, levado a escrever sobre literatura em jornais de Teresina, capital do Estado do Piauí. Em 1964, deixei Teresina para estudar Medicina no Rio de Janeiro, mas logo mudei meus planos e decidi ingressar no curso de Letras (Português-inglês) da antiga Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil, hoje UFRJ. Paralelo a isso, continuava a enviar artigos para jornais de Teresina. Ingressei por concurso de provas e títulos  no magistério municipal e estadual do Rio de Janeiro, lecionando português, literatura brasileira e inglês. Mais tarde, voltei à Universidade Federal do Rio de Janeiro para fazer Mestrado em Literatura Brasileira, em seguida, Doutorado em Literatura Brasileira e, finalmente, Pós-Doutorado em Literatura Comparada.
Fiz novamente concurso  de provas e títulos para a  disciplina de língua Inglesa do centenário Colégio Militar  do Rio de Janeiro.  Ao mesmo tempo, fui lecionar Literatura Brasileira e Língua Inglesa no curso de Letras e de Comunicação e Jornalismo da Universidade Castelo Branco, Rio de Janeiro. Foram longos anos de magistério médio e uma década de superior. Atualmente, estou aposentado da atividade docente, mas, sempre que possível, publicando livros, prefácios, traduções, crônicas, artigos em blogs, sites, jornais e revistas   culturais .

Sky Culture e-Magazine: Qual o seu gênero literário? Quais obras publicadas?
Cunha e Silva Filho: Segundo afirmei  na pergunta anterior,  utilizo mais de um gênero  literário na minha atividade escrita.. Além de outros  livros  coletivos, tenho as seguintes  obras  publicadas: Da Costa e Silva: uma leitura da Saudade. Teresina: Academia Piauiense se de Letras/ Universidade Federal do Piauí, 1996; As ideias no tempo (Teresina: Gráfica do Senado Federal/Academia Piauiense de Letras, 2009); Breve introdução ao curso de Letras uma introdução (Rio de Janeiro: Litteris Ed: Quártica, 2009); Apenas memórias (Rio de Janeiro: Quártica,  2016). Por outro lado, devo  assinalar que disponho  de  um vasto  número de textos publicados em jornais, revistas no meu Blog “As ideias no tempo” e no site de literatura   “Entretextos”, coluna “Letra Viva”, que,  organizados,   me renderiam  pelo menos  mais alguns  livros.
Sky Culture e-Magazine: Atualmente, o Senhor está se dedicando a escrever algum livro? Se sim, fale-nos um pouco a respeito. Tem previsão de lançamento?
Cunha e Silva Filho: A par dos livros publicados referidos  atrás,  tenho  quase prontos, faltando apenas  organização final,   as  obras:  As duas face da literatura: ensaios de literatura brasileira), Poemas  traduzidos,  Ensaios  de literatura de autores piauienses, Poliedro de insânias (crônicas e artigos). Pretendo também publicar Tese de Doutorado, de título O conto de João Antônio: na raia  da  malandragem, meu ensaio  de pesquisa de Pós-Doutorado,  de título Álvaro Lins e Afrânio Coutinho: dois críticos e uma polêmica (2014). Não obstante estar  escrevendo  sempre no meu Blog “As ideias no tempo” e no site “Entretextos”, direção do  escritor  Dílson Lages, coluna ”Letra Viva,” alguns   textos   postados  nesses dois   espaços  virtuais são postados  também  no site www.academia.edu., - Francisco da Cunha e Silva Filho.
Obviamente,  todos os livros inéditos já referidos estão  esperando  para serem  editados.. Não sei se serão editados. Por outro lado, nutro o desejo de escrever  mais  ensaios  sobre literatura brasileira ou mesmo  de literatura  estrangeira, assim como  continuar  fazendo mais traduções de poesia. Não vou  parar por falta de  editores. Ficaria, sim, regozijado se essas obras viessem à luz. É impensável a ideia de parar de escrever, que é o que conta para qualquer  escritor.
Sky Culture e-Magazine:    Como o   Senhor vê  a atual produção literária brasileira? Há algum autor ou obra que o Senhor destacaria?
Cunha e Silva Filho: O país está em crise  financeira,  porém, apesar disso,  a literatura continua sendo  produzida e muito, seja  custeada  pelos autores, seja  editada   pelo mercado, instituições culturais,  convênios,  fomentos,  editoras  universitárias e outros  meios, dentro os quais os blogs,  os e-books,  os sites. Sei que  o número  é grande, no entanto, posso  afirmar ser, em muitos  autores,  de alta qualidade. 
.Os autores se multiplicaram  por toda a parte  do país. São muitos e muitos jovens escritores  com projetos de manter-se em atividade, seja na ficção,  na poesia,  no ensaio. Nesta entrevista,  vou puxar a brasa para a minha sardinha. No  Piauí, por exemplo,  estamos assistindo a uma  movimentação  intensa  e jamais vista de novos autores,  poetas, romancistas, contistas, ensaístas e críticos literários. Muitos deles incursionam  por mais de um gênero  literário. Este impulso formidável  que  os autores  piauienses   tiveram  deveu-se, em grande parte,  à criação das universidades  federal,  estadual e privada, espalhando-se  por campi fora da  capital e aumentando,  desta maneira,   o número de alunos  que ingressam no ensino superior e, por consequência, aumentando o quadro  de professores  contratados  ou concursados, muitos  vindo até de outros  Estados brasileiros.
Ademais,  com  a criação  local  de  cursos de pós-graduação lato sensu e   stricto sensu,  a melhoria da qualidade  do ensino se fez  notar  com o tempo. Outro  fator determinante do avanço no campo da literatura piauiense foi o surgimento  de  editoras  locais  que  começaram a  editar  livros  dos autores  piauiense, tanto obras literários quanto  ensaios e, em menor número ainda,  livros  didáticos para o ensino médio e universitário.  Citaria, por exemplo, da atualidade   os poetas  Luiz Filho de Oliveira,   Nathan  Sousa,  o ficcionista Rivanildo Feitosa,  o contista  Milton Borges,  o ficcionista, poeta e ensaísta  Dílson Lages Monteiro, o ficcionista e  ensaísta  Halan Silva, as ensaístas  Terezinha  Queiroz,  Raimunda Celestina Mendes da Silva, os poetas e ensaístas   Wanderson Lima, Ranieri  Ribas, o poeta  Adriano  Lobão,  o ensaísta  João Kennedy Eugênio, a romancista Socorro  Abreu, a ficcionista Lara Larissa,  o contista Geovane Fernando Monteiro, o poeta, cronista  e jornalista Zózimo Tavares,  o poeta Élio Ferreira de Sousa, entre os mais moços ou pouco menos moços..
Dos mais velhos ou menos velhos podem ser nomeados o veterano e nacionalmente   respeitado  Assis Brasil, romancista   notável,  crítico  literário, historiador da literatura brasileira,   dicionarista  teórico,   autor didático  da literatura brasileira, com vários livros de literatura infanto-juvenil,  o ficcionista   O. G. Rego de Carvalho, o romancista Fontes Ibiapina, o contista Magalhães da Costa, o ficcionista e ensaísta  Esdras do Nascimento, o ficcionista  Castro Aguiar ( infelizmente,   abandonou  a carreira literária),  o contista,  romancista e  memorialista José Ribamar Garcia, o ficcionista e crítico  literário Humberto  Guimarães,  a romancista Rita de Cássia Amorim Andrade, o romancista Homero Castelo  Branco (também  memorialista), o romancista, dicionarista literário, historiador, autor didático, poeta, contista, cronista Adrião Neto,   o ficcionista Oton  Lustosa, a contista e romancista Rosa Kapila,   entre  outros.
Dos poetas menos novos, contudo ainda não velhos, mencionaria, entre outros, Herculano Moraes (também  poeta e conhecido  historiador literário), o poeta e cronista  e divulgador  de autores mais novos Cineas Santos, Elmar Carvalho (também  ficcionista, cronista, contista e memorialista),  o poeta, teatrólogo  e divulgador cultural Virgílio Queirós, o poeta,  contista e  ensaísta  José Bezerra Filho,   o poeta, ensaísta, crítico literário e  historiador literário  Alcenor Candeira  Filho,  o poeta  tropicalista Torquato Neto,  Rubervam Nascimento,  Carlos Alberto Gramoza,  Paulo Machado, Carvalho Neto,  a poeta Graça Vilhena, o  incansável pesquisador cultural   Kenard Kruel, entre muitos outros autores  dignos de estudos
Entre os mais velhos ou não tão velhos, ainda se encontram em atividade,  maior ou menor, o ensaísta (geralmente de viés filosófico), jurista e memorialista  Celso Barros Coelho, o crítico  literário  M. Paulo Nunes, o jornalista e ensaísta  Carlos Said (incansável divulgador  da literatura piauiense), o ensaísta,  poeta e ficcionista Francisco Venceslau dos Santos, o ensaísta Fabiano  de Cristo Rios Nogueira,  o ensaísta  Jose Carlos de  Santana Cruz,  a ensaísta Maria  do Socorro  Rios Magalhães,  a ensaísta Maria Gomes de Figueiredo  dos Reis,  o  ensaísta, ficcionista,  cronista,  e autor didático sobre  língua  latina, Carlos Evandro Eulálio (grande estudioso do poeta Mario Faustino) o poeta e ensaísta Hardi Filho (falecido não faz muito tempo), o poeta,  cronista, contista,  romancista, crítico  literário  e historiador literário  Francisco Miguel de Moura, entre outros.
Quanto a  novos  ou menos jovens autores que já  foram  consagrados nacionalmente, a minha  primeira   intenção era não mencionar  nenhum  por enquanto, já que parte  das minha pesquisas  se volta  mais  para autores mais   velhos,  bem velhos ou já falecidos. Contudo, entre os novos  e um pouco  menos novos, a  literatura  brasileira   pode contar  com um  grande número  de nomes   já com sucesso  ou a caminho do sucesso.
 Entretanto,  para não dizer que não mencionei alguns autores com  maior  reconhecimento nacional na ficção, teríamos, entre outros, os nomes Godofredo de Oliveira Neto, romancista  e ensaísta,  Bernardo Carvalho, João Gilberto Noll,  Milton  Hatoum, Luiz Rufatto, Patrícia Melo,  Michel Laub,  Marcelino Freire,  Ana Miranda, Cristovão Tezza, Paulo Lins, Adriana Lisboa,   entre muitos outros  que    estão  experimentando  novas linguagens,  novos temas, novos desafios e  caminhos  para a literatura brasileira.
Na poesia, sendo a quantidade de autores muito grande, novas vozes  poéticas se cruzam  com vozes mais  experientes num  profusão de nomes, muitos bons ou  ótimos,  outros  apenas  desejosos  de  parecerem  poetas mas que não trazem  nenhuma novidade  nem originalidade  a seus  versos.
 Contudo,  podemos  pensar em nomes como os de Alexei Bueno,  Armando Feitas Filho,  Ana Cristina Cesar, Cacaso, Glauco Mattoso, Paulo Leminski,  Torquato Neto,  Bráulio  Tavares,  Francisco Alvim, Geraldo Carneiro, Chacal, Sebastião Uchoa Leite, Lélia Coelho Frota, Nelson Ascher, Ivan Junqueira, Adélia  Prado, Bruno Tolentino,  Regis Bonvicino, Paulo Henrique Britto, Duda Machado,  Age de  Carvalho, Salgado Maranhão, Eucanaã Ferraz,  e tantos outros  poetas, cada qual  fazendo  a sua própria  caminhada poética e  indiferentes aos antigos  grupos,  manifestos,  teorias  poéticas, novas vanguardas, quer dizer,  uma poesia  que  pode permanecer a despeito de  marcos temporais, além dos ismos. Porém, sem perder  o pé consciente no legado da tradição literária   constituída  pelos grandes poetas  brasileiros do passado, tradição esta  que,  por sua vez, está  associada  à grande tradição  literária  universal, sobretudo do Ocidente.. 
Sky Culture e-Magazine:   
Recentemente perdemos o poeta Ferreira Gullar, sobre o qual o Senhor escreveu. Qual a importância de Ferreira Gullar? O que significa a morte de Ferreira Gullar para a literatura brasileira?
Cunha e Silva Filho: Depois de alguns  livros  consagrados (A luta corporal, O poema  sujo)  pela crítica especializada,  o poeta Ferreira  Gullar, no meu juízo,   passou a ser  conhecido  nacionalmente  por dois motivos  fundamentais:  o primeiro motivo por  ter  sido  o principal teórico e mentor  do  chamado  movimento  neoconcretista (1959)  da poesia brasileira; que foi  a dissidência  diante  do  Concretismo  de 1956, quando retomou para a poesia  a valorização do  discursivo e não do meramente   vanguardismo    subversor   do verso  de corte  tradicional da geração  de 45. 
 O geometrismo, o espacialismo, a  atomização ou  desarticulação  vocabular, o trinômio verbo-voco-visual concretista    apresentava o desgaste  desse tipo  de poesia  espácio-visual-semântico, que - não se pode  omitir  este fato -,  deixou  algumas   marcas, sobretudo,  no espaço da página em branco   das formas  poéticas que se lhe seguiram. Gullar  soube  discernir  uma forma  de poesia   renovadora   que poderia dar certo  sem se  submeter  aos poemas  gráficos  e geométricos. Não se poderia permanecer  indefinidamente  imitando  o espaço  branco  da página  lembrando   formas figurativas, tipográficas. A poesia  é também sintaxe, sentido  e vida. Alia as formas de desvios  semânticos, sonoros e rítmicos, sem necessariamente   ficar presa  ao visual-espacial-geométrico.
 O que  importa  é o poema bem  realizado   e esteticamente    inovador.  Daí também  ter sido  Gullar  um  crítico  ácido a tudo aquilo que, nas formas   da pintura, por exemplo,  ou nas artes  plásticas em geral,    se apresentasse   ao público como  objeto artístico,  como obra de Arte, como foi  o exemplo do urinol e Marcel Duchamp exibido no Salão dos Independentes  em Nova Iorque (1917).
O segundo motivo  fundamental na sua atividade de escritor, de crítico de arte e de cronista se assenta  na sua visão  política, a qual   sofreu  igualmente  um processo  de mudança, de um esquerda  na mocidade,   passou  a ser, na   maturidade e velhice,  um crítico  corrosivo e implacável da esquerda  brasileira, mas sem aderência e submissões  aos  exageros  e danos  do capitalismo  selvagem ou às falácias de uma  direita  contra qual   também  dirigiu sua  crítica e desta mostrou   seus  erros e vícios  crônicos  sempre com  coragem   e uma certa rebeldia. Que tanto me agradavam como leitor cativo de sua  crônicas.
 Não houve nele retrocesso  nem  no campo  ideológico  nem  no  das artes em geral. Talvez, conforme insinuou na última crônica tratando da questão da arte publicada na sua coluna de domingo da Folha de São Paulo, estivesse  esperando  por  uma nova   arte, uma nova linguagem,  não simulacros  ou contrafações  sem valor algum do prisma  artístico..  Procurou a beleza das formas bem  arquitetadas,  sem, entretanto,   negar  a tradição,  que ensina,  e sem  se  render  à mesmice  no domínio  do poético.
  Sky Culture e-Magazine:  O Senhor foi amigo do poeta Adailton Medeiros? O que o Senhor tem a nos dizer sobre Adailton Medeiros?
Cunha e Silva Filho: Francamente, diria que conheci o poeta Adailton Madeiros,  nascido em 1938,  em Angical,   Caxias, Maranhão, mais do ponto  de vista  da amizade do que mesmo   como  poeta lido  em profundidade.. Era meu intento  pelo menos  estudar sua poesia em trabalho de maior  fôlego. O que li dele como  poeta e como ensaísta foi suficiente para  reconhecer-lhe os méritos.). Adailton  Medeiros se distinguia  também como  um   dicionário  ambulante  da vida literária  brasileira. Conhecia  os bastidores de muita gente, sobretudo dos mais velhos da vida literária nacional.
 No entanto,  sua  participação nos movimentos de  vanguarda se deu  por ter  aderido  ao  movimento  poesia-práxis (ou praxismo) proposta  poética  revolucionária  que, a partir de 1962, ano de seu  aparecimento, no geral,  se  opôs a todo o passado da poesia  brasileira, sem,  é claro,   descartar   alguns  traços  das outra  vanguardas  precedentes. Seu teórico   maior foi o poeta  Mario Chamie, com o livro-chave do  movimento, Lavra  lavra (1962) Sua orientação   teórica  se fez em torno  da revista  Práxis, a qual  publicava os poemas  do grupo.Como o Neo-concretismo, teve viés social e  popular. Aproveitou  as contribuições  advindas dos mass media, mas   recusa  a armadura mecanicista do  Concretismo..
 Emprega amiúde  os vocábulos   dispostos em forma  de linhasignos (ou linossignos), os recursos da teoriada nformação.Seus  poemas,visualmente,   procuram  uma disposição gráfica do poema numa leitura horizontal, vertical,  cruzada,  necessitando para tanto da colaboração do leitor. A poesia-práxis não  subestimou o  valor do verso, da semântica.Assim,  não perdeu  seu     valor estético, emotivo, significativo e humano..Adaílton  Medeiros  publicou  os seguintes  livros de poesia: O sol fala aos sete reis das leis das aves ( (1972); Cristó-vão Cristo: Imitações (1976); Lição do mundo ( Rio de Janeiro: Edição-7, 1992); Bandeira  vermelha ( Editora Caetés,  2001), Poema Ser Poética e mais oito Pré-Textos ( Rio de Janeiro: Achiamé,1982), com introdução de Francisco Venceslau dos Santos. Em prosa: Braçadas de palmas (discurso, 1981), Floração de Minas (discursos, 1982), Quatro ensaios, in SAMUEL, Rogel. (org.). Literatura básica. Petrópolis,RJ.: Vozes, 1985, v.1) Na ficção: escreveu a novela Revoltoso Ribamar Palmeira (Rio de Janeiro: Matacavalos, 1978).
Da  sua biografia  intelectual  é curioso  acrescer que Medeiros  escreveu  em poesia  sua dissertação de Mestrado, sob o título Poema Ser Poética e mais oito Pré-Textos submetida  à Faculdade de Letras da UFRJ e  por esta  aprovada.  Dele verti  para o inglês um  poema  “Sinos,” extraído do livro Bandeira vermelha (p.78) atrás mencionado. A minha versão foi, posteriormente, publicada na IX Antologia  internacional palavras no 3º milênio (São Paulo: Phoenix Editora, 11, Homenagem  póstuma,  2010).

Sky Culture e-Magazine:  O Senhor esteve recentemente no Piauí, fazendo o lançamento do seu mais recente livro. Fale-nos desse lançamento e do seu livro.
Cunha e Silva Filho: O livro  em consideração  tem  o título de Apenas memórias 1.ed. (Rio de Janeiro: Quártica, 2016, 304 p.). O seu  lançamento, primeiro,  se deu no Rio de Janeiro, depois,  o lancei em Teresina, Piauí.  Foi um lançamento  festivo,  em memorável noite de autógrafo,  com amigos,  escritores e familiares com  direito à entrevista concedida ao jornal  Diário do Povo, Teresina, Piauí,  e entrevista  filmada concedida  ao jornalista  e ficcionista  Rivanldo Feitosa da   TV Meio-Norte. A apresentação do meu  livro  ficou  por conta  do  escritor Dílson Lages  Monteiro, que  escreveu  uma  substancial   introdução  lida  num momento  do lançamento.
Foi o terceiro  livro  que  lancei em Teresina. A obra   dá conta de considerável parte das minhas  memórias,  desde os primeiros anos da minha  infância  em Amarante,  depois relatos do final da infância  da adolescência em Teresina até à minha  mudança  para o Rio de Janeiro a fim de  cursar uma universidade. Nessas memórias,  que não  são rigorosamente   cronológicas,   repasso aos olhos do  leitor  como se deu a minha formação  intelectual,  iniciada  em Teresina  e continuada no Rio de Janeiro.
 O mais  importante nas memórias foi traçar  os tumultuados e aflitivos   anos  dos meus estudos  de Letras na  UFRJ realizados   durante a ditadura  militar  enfrentados com coragem,  determinação  e  vontade  de sair vitorioso. A minha vida pessoal, em alguns lances que alvitrei escolher como  fundamentais  ao relatos  na obra,  adquire  toda uma carga  de  emoção,  momentos  engraçados e situações  desagradáveis, relatos escritos  com  passagens   às quais  pudesse  imprimir   um  clima  poético com  o objetivo  de não entediar  o leitor com  textos  demasiado áridos. Suponho que  alcancei  meus objetivos e oxalá  que o leitor  tenha  fruído   com prazer  o meu  texto.
 Elaborei  a obra  me utilizando de relatos  novos  de mistura com   textos    publicados em jornais  do Piauí, no meu Blog “As ideias no tempo” e em sites   que  republicavam   os  textos.  Basicamente, pois,  é tudo isso   que  reuni  num volume misturando  passado presente  e futuro. Acredito que o saldo foi  positivo, principalmente  porque,  num  estreito círculo  de leitores e amigos,  o livro  mereceu  elogios e, até agora,  sobre ele saíram quatro  resenhas da obra  feitas  por três  especialistas   em Literatura.  e uma  por um   experimentado  jornalista  piauiense. Confesso que Apenas Memórias foi um dos livros que, até à data presente, mais me deu prazer de escrever e organizar. 

Sky Culture e-Magazine:  O Senhor escreve também sobre política. Como o Senhor ver o atual momento político do Brasil?

Cunha e Silva Filho: Não é que desprezo a política brasileira, mas, quando  sobre ela medito,  só vejo à minha frente  um cenário  sombrio,  desesperador,  onde campeia  sobretudo, além  da  politicagem,  o grave   problema da corrupção que ronda quase cem  por cento dos  políticos, não só  dos que estão em Brasília, mas em cada  Estado da Federação. Por isso, só posso  admirar  o que  a Operação Lava  Jato tem feito  a fim de  punir efetivamente  e afastar de  nossa  vida pública  os maus governantes,  os ladrões que infestam  o nosso sistema  político  e os nossos  governos.   Por tais  motivos é que meus artigos  têm, em geral,  um cunho   polêmico,  rebelde, satírico, irônico. Não poderia  ser de outra forma, já que  estão aos olhos perplexos  dos cidadãos  de nossa  Pátria   as marcas  de desgoverno  e da alta  corrupção  de que foi  vítima a sociedade brasileira, pelo menos,   de uns quinze anos  até à data presente.
Sinto, todavia,  um pouco de alívio  quando  os políticos,  com todos os seus defeitos  e com todo  um comportamento  censurável,  depuseram a   Sra.  Dilma  Rousseff do  poder e praticamente liquidaram   com a hegemonia do lulopetismo   que não podia mais  governar   o Estado  Brasileiro.
 Vejo  o novo  governo Temer,  a despeito de nele ainda persistirem   políticos que  apoiaram  o lulopetismo, com a chamada  base aliada  do PT, com alguma esperança de que   os atuais  ocupantes do poder   repensem  os malfeitos   e procurem  vias  de soluções democráticas   com uma nova   forma  de governar   menos contaminada   de falcatruas   e  desídias tão  recorrentes  durante  a era  petista.
 Só espero  que as mudanças   que deseja  implantar  o novo governo   não prejudiquem  a geração de jovens  que ingressaram e ingressam   no mercado do  trabalho e no setor  público.
No plano  internacional,   tem sido  um  objetivo   primacial   dos meus  artigos  denunciar  os crimes   cometidos  por ditadores  no mundo  inteiro, chamar  a atenção dos  organismos   internacionais   responsáveis  pela segurança dos povos  oprimidos, das nações que não respeitam   sua sociedade  civil,  de governos que  cometem  atrocidades  em guerras civis  que ceifam   milhares de  inocentes pelo mundo afora.Enfim,   pelo uso  da palavra, continuarei a   deblaterar  contra  os crimes  contra  a liberdade de expressão, contra o terrorismo   mundial,   contra os genocídios  praticados em pleno  século XXI, contra os preconceito  de toda   espécie, ou seja,  meus artigos   visam  ao desejo   de ver o mundo, quer ocidental, quer oriental,   com mais harmonia,  paz  e prática  do humanismo – único caminho  para se evitar o mal maior repugnado pela consciência  dos homens de bem em qualquer parte  e em qualquer  época.
Sky Culture e-Magazine:   Deixe o endereço do seu blog ou site, caso tenha para que os nossos leitores possam acessar.
Cunha e Silva Filho:  Meu blog : “As ideias no tempo”
Sky Culture e-Magazine:  Faça as suas considerações finais.
Cunha e Silva Filho: Quero agradecer  ao entrevistador, escritor  Gilvaldo Quinzeiro,  pela  oportunidade que me  propiciou a falar um pouco  da minha vida de escritor  e de outras facetas  resultantes  dessa atividade  que requer tanto desprendimento  e tremendos sacrifícios num pais  onde é espinhoso  um  intelectual conseguir, hoje mais do que  no passado, ser   visível, sobretudo  quando  não pertence  a grupelhos, igrejinhas  ou nichos  que, em cada  época,  tornam mais   dificultosa a penetração  de alguns  autores nos meios   editoriais  mais mobilizados  para  os lucros  em produções  que estejam   afinadas com os vários tipos   de obras de qualidade, muitas vezes,  duvidosa. Não obstante  todos  esses percalços  enfrentados  pelo escritor  brasileiro,   ele não desiste. Sua afirmação como produtor de obras  literárias ou de estudos  teóricos e críticos se situa   acima  das mesquinharias  próprias  do ser humano.