sexta-feira, 23 de junho de 2017

ONDE LOCALIZAR A CRISE BRASILEIRA?


                                                                        Cunha e Silva Filho

      

       Fala-se, em toda a parte do país, em crise. Pergunto-me com sinceridade d’alma, A quem atinge a crise e a quem  interessa? Se existe, é um fato. Não se discute. Alguém me indaga com olhos desconfiados: “E os ricos, os milionários, os que, com frequência, estão  dando festas  riquíssimas aos seus diletos amigos em lugares suntuosos, em casa  faraônicas,  em mansões  principescas? 
     Ora, leitor,  a crise nacional  de que tanto  se fala   foi provocada pela anarquia  financeira, i.e., pelo gastos  bilionários  dos governos  anteriores, sobretudo do PT. Contudo, se aprofundarmos  nossa análise, ela já vem  se manifestando há longos anos, nos governos do Sarney, do Collor,   do FHC, que melhorou  um pouco com o combate da inflação e a mudança da moeda, do cruzado para o real, mas a que custo?  
   Pela   ampla privatização de estatais, arrocho salarial do funcionalismo  público federal  em todo o período do governo do FHC (nome que virou um sigla, em substituição ao nome de batismo e ao sobrenome  do presidente  intelectual. Não tenho certeza, mas penso que foi  o  grande escritor-humorista  Millôr Fernandes (1923-2012)  quem, sarcasticamente,  cunhou  aquela sigla para o sociólogo Fernandes Henrique Cardoso. No governo deste é que foram retomadas  a metas do neoliberalismo  no país, começado com  Collor e continuado com os presidentes que se lhe  seguiram, inclusive com  o petismo de Lula e Dilma e, agora,  com  Temer.
     O curioso  é que,  nos governos  petistas, o neoliberalismo  sofreu alguma inflexão mas  não se afastou   dos ventos  do capitalismo  selvagem. É muito engraçado combinar  princípios estatizantes com  capitalismo neoliberal. Vai-se entender o que seja realmente  esquerda e direita no mundo contemporâneo, a não ser que se tome os dois sistemas políticos como uma “forma  política” pós-moderna, empregando este termo de empréstimo à teoria literária ou à história dos tempos  modernos.
     Retomo  ao termo “crise” econômica, que não é especificamente  só brasileira. Até diria que é mundial em parte: vejam-se os exemplos, da Venezuela, da Bolívia, de alguns países  africanos. Afirmei  linhas atrás que a nossa crise foi produzida em decorrência de mau gerenciamento   de nossas finanças, agravada com  o mais alto  nível de corrupção  política  e respectiva  permanência  de um dos nossos males tornados crônicos, ou seja,  a impunidade que grassou  nos governos  petistas de mãos dadas com  o alto empresariado, ambos corruptos  ou corruptores.
     A gastança desenfreada,  sem  planejamento, sem responsabilidade com o dinheiro público alcançou um patamar tão extremo  que, mesmo a base aliada do  governo Dilma, foi forçada a desalojá-la  do poder, com exceção  da ala petista. Não foi  por não concordarem  tanto com  os desmandos  e inoperância da ex-presidente que Temer  a substituiu. Foi pelo fato de que o agravamento da chamada crise político-financeira  estava tão insuportável  que os políticos  “bonzinhos” da oposição  a destituíram  da presidência.Do contrário,  o país cairia em colapso   financeiro   profundo.
  Outro  fato determinante  da queda do PT  remonta aos primeiros sinais  de corrupção  do governo Lula, com o “Escândalo do Mensalão,” com  a famigerada prática  das propinas no conluio entre políticos inescrupulosos, membros do governo federal, do alto escalão do  Executivo, em  contratos  de obras públicas  superfaturadas realizadas por empresários sem caráter e dados à rapinagem. 
   As investigações da Polícia Federal, levadas a cabo  em várias operações, sob a vigilância  do Ministério Público  e da Procuradoria  da República, só concorreram  para  as primeiras prisões  de alguns  membros do governo   e de políticos   envolvidos até os dentes com  o lodaçal  mafioso  da  propina tornada  moeda corrente  nas transações espúrias entre governo  e  donos de construtoras.
  Entretanto,  se algum sinal  de melhoria  econômico-financeira   já se pode descortinar no horizonte ainda  incerto, é preciso também  acentuar que  o Brasil tem muitas faces e muitas formas de  lidar com a crise.   Nossa sociedade é por demais  fragmentária nos seus níveis de vida. 
   Há setores da vida econômica  que estão  fora da crise, nos quais  empresários ricos  estão muito longe de  falarem  em falta de dinheiro e de modos  de vida social.Ainda temos parcelas da sociedade que vivem nababescamente e mesmo certos   tipos de atividade  mais  modestos  não se queixam  de nada. Tudo está bom para eles, de sorte que  ainda podemos chamar  de brasis fora da  crise   a essa parcelas da burguesia,  e mesmo  de atividades  menores  que  rendem  uma vida  folgada, sem pagar  impostos. 
   Aí se  situam  alguns tipos de atividades   menores  ou médias, como   porteiros de condomínios de classe média ou alta ( que têm suas regalias: não pagam aluguel, pois moram nos prédios, não pagam água, luz, gás),    biscateiros,      mestres de obras, alguns pedreiros  mais habilidosos etc.   Esse número  indefinido da sociedade  ainda sobrevive bem melhor do que certos  funcionários públicos municipais,  estaduais  e até federais. 
   Ora, num país tão  fragmentado socialmente,   essa divisão,   de alguma  forma,  até   alivia  pressões contra  governos em dificuldades   financeiras. Essas frações menores funcionam como  amortecedores   de maiores demandas financeiras  por parte da sociedade. Elas representam sociologicamente  os interstícios  do que sobra  do bolo econômico-financeiro através da figura do povinho, que  consegue driblar as consequências  danosas  dos grandes  problemas  do país. Isso nos levaria à seguinte  afirmação: há pobres, que nem estão aí  para a crise e ainda podem desfrutar  das cervejinhas,  dos jogos de futebol e do carnaval.   
   Quanto mais financeiramente  clivada for  a sociedade,  tanto melhor  para os governantes   inescrupulosos. E eles sabem bem disso e por isso mesmo  deitam e rolam  sob  o tacão do poder, do cinismo,  da lei  e das armas. De alguma maneira,  não  consigo dissociar  esses artifícios dos esquemas de uma figura literário-social, que, sob  vestes diferentes,  já se denominou de pícaro,   na Espanha do Siglo de Oro.      No Brasil, também como figura literário-social  ficou conhecido  como malandro, ainda remanescente nos tempos atuais, mas  ao lado de um   outro que o substituiu  em escala ciclópica,   nas bandas da marginalidade baixa,  o bandido e, das bandas dos “white collars,”  políticos e empresários  sem vergonha na cara. 

domingo, 18 de junho de 2017

A REGRA E AS EXCEÇÕES

                                


                                             Cunha e Silva Filho

        Alguém, de forma consciente, acredita ainda em  políticos  tupiniquins, sobretudo agora com  a declaração gravíssima   do delator Joesley Batista, um dos donos da JBS, contra o  presidente Michel Temer, posto que venha de um empresário  que enriqueceu, ilicitamente,   às custas do Tesouro Nacional, ou seja, através de empréstimos  vultosos feitos  ao BNDES e a outras instituições financeiras públicas?
      Claramente que não. Quando a maioria  é indecente, corrupta, venal,  cínica, a minoria,  bem minoria mesmo,  será o bode expiatório e, assim,  apagará o brilho  daqueles que seriam considerados as raras exceções à regra. E com uma agravante,  os supostos bons políticos, como continuam nos seus mandatos,  percebendo os mesmos salários e mordomias  comuns,   seguem lutando contra  moinhos de vento,  como se não existissem.  
      Fazem papel  de coadjuvantes no cipoal  da avassaladora corrupção geral, de atores   que estão “em cima do muro,” cuja  posição  de adversários não vale um grão de areia de deserto.  Suas críticas de nada valerão  junto aos seus pares e adversários e tudo  continuará  no mesmo  lugar  de sempre. São figurinistas  da encenação e da farsa, são úteis  para que se possa dizer:  “Mas esses poucos são bons e nem tudo está perdido.” E, desta  forma, a política continua o seu jogo de espelhos  imoralmente  invertidos  e daninhos  à sociedade  que  os sustenta com corrupção ou sem ela.
        Já se comparou  a leitura de jornais a um novela, em que o leitor, cada dia,  lê parte de um  capítulo que o deixou naquela  situação  de expectativa do que vai  acontecer  na cena  de um final  de um capítulo, à semelhança dos folhetins do século  XIX, que tanto sucesso  tiveram na França com Eugène Sue (1804-1857)  e, no  Brasil, com obras de  Teixeira de Sousa (1812-1812),  de José de Alencar (1829-1877),  Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882) e outros autores de maior ou menor qualidade  literária.
       Os jornais,  são esses folhetins, só que diários e não semanais. Por essa razão,  é que não se pode afastar da leitura de jornais, revistas impressas ou  virtuais. Perdendo a ordem  linear das noticias,  reportagens e  entrevistas  publicadas, perde-se  o fio de Ariadne no labirinto  das informações  e contrainformações em  tempos de pós-verdades.
     Desde os tempos do primeiro  grande  escândalo de corrupção na política  nacional, denominado o “Escândalo do Mensalão,”  envolvendo o PT, os jornais passaram a destinar     várias  de suas  páginas tendo por títulos o já mencionado e outros que se lhe seguiram, o   Escândalo do Petrolão,”  com a “Operação Lava-Jato,” e, agora,   no jornal O Globo, o sintomático  e ominoso “A República Investigada.”
      Percorrer as páginas sob  essas rubricas   é penetrar num espaço público  de nossas instituições, máxime,  as  de natureza política,  em que fatos escabrosos são postos diante de nossos olhos  indignados  com tanta  imoralidade, com algumas prisões  e ainda com a expectativa de novas  investigações,  denúncias e possíveis  prisões ou afastamento  de   políticos de suas funções ou mandatos.  
   O labirinto, como  se vê,  é intrincado  demais  dado que suas ramificações   se estendem  a outros poderes da República.   Talvez nem um Teseu ressuscitado, com o auxílio do fio de Ariadne, tenha  fôlego suficiente para vencer  as  muitas dificuldades  antes de matar o Minotauro da corrupção  brasileira gerada  criminosamente por políticos  mancomunados com empresários  desonestos  e sem  espírito  público algum.  Mais do que arranhada, a imagem do político estraçalhou-se de vez e sua recuperação  vai demorar muito mais do que  possamos  imaginar.
     Politicagem sempre houve no espaço público, mas é no  país de hoje que  ela atingiu seu ponto mais  alto  de desmoronamento  ético. Quem imaginaria que, na história da política  brasileira um  governador  se revelasse  um malfeitor   do erário  público,   quase destruindo por completo  um dos  mais importantes Estados  da Federação? Quem hoje seria capaz de elogiar  o  Rio de Janeiro (capital e Estado) nos setores  vitais   do governo: educação,  saúde,  transporte e  segurança? O que governos   corruptos federais  fizeram nos últimos quinze anos contra a sociedade  e seus setores vitais, fez também  o   Sr. Sergio Cabral. 
    O rolo compressor  da altíssima  corrupção ativa e  passiva do governo  federal, assim como do governo  do Estado do Rio de Janeiro, ficará como o marco mais espúrio  da História do Brasil contemporâneo e será a prova mais evidente de quão nociva a uma sociedade  pode  ser  uma Nação cuja maioria de  políticos não paute suas ações segundo  os princípios da dignidade de seu cargo  e de suas ações em defesa da coletividade.  
    E aqui não podemos nos furtar  à uma  analogia   entre o país  esmagado  pela  desonestidade  política  e   o espaço do universo da bandidagem em todo o  território nacional. Tanto num caso quanto noutro, não há diferenças  de caráter nem de postura. Um e outro se confundem, não se diferenciam  no que concerne ao grau de maldade  e de prepotência   que os igualam ignominiosamente.
       


quinta-feira, 15 de junho de 2017

HOJE É CORPUS CHRISTI, SIM, SENHOR

                
                                                                Cunha e Silva Filho
          
          Muita gente está viajando para passar o “feriadão,” inclusive os políticos brasileiros que esvaziaram o Congresso a fim de emendarem  o dia santo com  festas juninas  no Nordeste, sobretudo na suntuosas quadrilhas  de Campina Grande,  cidade  paraibana. O sagrado torna-se profano e bota profano nisso.
          Pouca gente, suponho,  estará  meditando sobre o Messias, sobre o sentido do feriado no país mais católico do mundo. O que interessa a esses muitos viajantes é fugir  para as delícias  hedonísticas,  do carpe diem dolcevitiano  que o calendário brasileiro  lhes propicia à farta.
        O corpo de Cristo em si,  ficará para alguns  religiosos e católicos  mais chegados à celebração.  Ou seja, restringir-se-á às igrejas e capelas, aos conventos, mosteiros   e basílicas, ou aos lares católicos que preferem respeitar  o  dia santo indoors, em família, sozinhos,  lendo as orações  da liturgia  católica,  pensando profundamente  nos mistérios espirituais. Longe do tumultuo das velhas  capitais ou das metrópoles ou megalópoles.
          Ontem, na tevê,  as luzes dos carros saindo dessas grandes cidades brasileiras – penso em São Paulo, Rio de Janeiro – constelavam  a noite  Carros se engarrafavam  nas rodovias  em direção  ao sossego  das cidades menores. Mas quem pensava no  significado  de Corpus Christi?  Lá se iam  indivíduos de diversas classes sociais antegozando  outros prazeres mundanos,  inclusive os da carne.   O Messias não estava nos seus planos.  
          Amavam apenas o feriado,  a diversão   ou, como na filosofia de Platão,  o ponto  fulcral era  o desejo de permanecerem nas sombras  da caverna. Um professor  de filosofia, em crônica recente,  falava de tempos  minguados de  “transcendências,”  esses da contemporaneidade de ponta cabeça, cúmplice universal  dos desmandos,  da  impunidade,  da violência,  da falta  de democracia  genuína, do político no poder   agindo, isto sim,  de forma  séria e comprometido com  o bem-estar  da sociedade.
         Nesse ínterim,  em meio à  patuscada  dos prazeres,  ao frenesi dionisíaco, quem  estaria  pensando  no símbolo da imagem de Cristo  morto, imóvel, ensanguentado, com as cinco chagas? Ainda bem que, pelo menos, no Brasil e seguramente em outras partes do mundo cristão, se mantém, no calendário da Igreja,  a realização da  procissão de Corpus  Christi, tanto na cidade grande,  quanto nos  pequenas cidades do interior. 
          Bem me lembro das procissões de Corpus  Christi  a que assisti  em Teresina  na adolescência. Naquela,  época,  no entanto,  não entendia bem  de todo o seu simbolismo, de seu  ritual,  da caminhada da  celebração   religiosa   por algumas ruas  da capital. Tive aulas de catecismo, porém não concluí  o período até à realização da primeira  comunhão. Só sei que memorizei bem as orações básicas, o “Pai Nosso” e a “Ave Maria”, fazer o “O Sinal da Cruz,” mas  não consegui memorizar o “Creio em Deus.” Até hoje,  esta última oração ainda  a rezo (os protestantes me corrigirão: “oro”)  olhando no texto impresso.
         O mesmo ocorre com a linda oração, “Salve  Rainha”, que não memorizei. Também nunca aprendi a rezar o terço nem acompanhar um missa em toda aquela parte  de respostas  dadas no seu  desenrolar litúrgico. Sou meio gauche durante a missa, sobretudo quando chega a  vez de ajoelhar-se,  sentar-se ou ficar em pé. Atrapalho-me  todo.
           Entretanto,  memorizei bem o "Padre Nosso" e "Ave Maria" em  inglês,  graças ao livro   do Pe. Julio Albino Ferreira,  An English method (em dois volumes num só tomo, 14 ed, Oporto: Costa Cabral, 1939, 408 p.), um grande autor didático português  que se dedicou com afinco  à  língua inglesa, escrevendo para o ensino do inglês pelo menos quinze obras. Elogiadas em Portugal,  na  Inglaterra, na Europa, nos EUA e no Brasil.
          Essa edição, que eu trouxe de Teresina,  pertencia a meu pai e ainda ostenta a  bela assinatura dele tão nítida na minha lembrança. O “Salve Rainha”  que não decorei em português, tampouco pude aprender de cor   em inglês. Gosto, no entanto,  de ler,   em voz alta,  todas essas orações  em inglês.  
         Também acho muito bonitas  essas orações  em latim, que também não memorizei nessa língua, mas gosto de lê-las em voz alta. Percebo que tais orações, as lições do catecismo (no meu caso, ensinado pela professora Dona Eremita, que, além disso, me ajudou a aprender a ler em aulas particulares) são melhor aprendidas na  infância ou adolescência.
        Retorno ao fio da meada em torno do dia de Corpus Christi. Pois é, no  país,  quando há  dias santos, o povão,  parte  das classes médias, a burguesia e a elite, em suma,  os  que não professam  nenhuma religião ou  pertencem a outras, levam em consideração  apenas o fato de que o dia  santo é mais um  feriado  de lazer,  de fuga ao trabalho, de divertimento, de vida prosaica, quando não de   pândega. Para outros, dia de ganhar  algum dinheiro em trabalhos   extras,  em bebedeiras, em passeios a shoppings de luxo.
       O feriado é um vale-tudo longe do Corpus Christi, das preces,  do comedimento,  do silêncio  místico, do isolamento. É um dia de descanso hedonista,  equivalente a  qualquer fim-de-semana destinado a passeios variados,  ou idas aos restaurantes, a  churrascarias, a diversões  pagãs. Poucos se lembram daquele Ser ungido, sofrido, torturado, morto e sepultado.  “Pai nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso nome...”  Corpus Christi.  Amém!
      Depois do dia santo,  lá vêm os carros,   de volta,   de novo a compor o  turbilhão e a indiferença  dos que estão  acordados,  todavia, nas sombras.
   


domingo, 11 de junho de 2017

UM PINGO NO OCEANO

                                        
                                                                Cunha e Silva Filho

            
       Muitas vezes tenho a sensação de que o mundo precisa de menos  livros. Será que estou  dizendo Uma heresia? Ou estou  exagerando? Ou estou, na condição de autor,    com  medo da competição diante de milhões de livros espalhados pelo mundo afora?        Como se poderia   fazer  uma   rigorosa  estatística dos livros que circulam globalmente? Em quantas línguas? Com quantos leitores? Em quantas editoras? Livros para todas as idades, gostos, assuntos, livros para isso, livros para aquilo. Seriam  ainda válidos os versos  magníficos, a seguir citados,  de Castro Alves (1847-1871) exaltando  o valor  dos livros:  Ó bendito o que semeia/ livros, livros à mancheia/ e manda o povo pensar./ E o livro caindo n'alma,/ é germe que faz a palma,/ é chuva que faz o mar." (...) Claro que seriam bem-vindos. Porém, o meu medo é que sejam  mal distribuídos,  mal lidos,  pouco lidos,  desprezados,  não reconhecidos, vistos com indiferença,  e o que é pior,  jogados no  lixo.
         Somos, globalmente,  uma ilha gigantesca cercada de livros. Isso é bom? E, para os bibliófilos, como ficará  esta questão geral  de publicações? Não precisamos de ir muito longe. Basta um Estado brasileiro. Quantos  autores temos num só Estado? Quantos nos chegam ao conhecimento? Quantos são conhecidos? Quantos são lidos? Quantos serão  impressos e jamais lidos  pela maioria dos leitores? Estamos afundados em livros que nunca haveremos de ler, principalmente porque não teremos  tempo de vida para fazê-lo. Que pena não podermos ler nem a milésima parte  desses livros difundidos num só país. É isso que me  incomodo  também como  leitor. E olhe que estou  me referindo a livros impressos,  não aos e-books, não aos que têm  existência apenas virtual e encontrados nos blogs, nos sites, os quais se contam aos milhares. 
  São obras que não acabam mais. Seria necessário que tivéssemos várias  reencarnações a fim de que  pudéssemos dar conta da leitura  de muitos deles – milhares deles preciosos. E estou  pensando  só nos que  compõem   o número elevado no terreno  da literatura. Imagine-se nos outras  áreas do   conhecimento humano!
     Por outro lado,  existe algo que me inquieta: os livros ainda são caros, sobretudo os recém-lançados por editora  famosas. Até os dos sebos à moda  antiga, em espaço físico de uma livraria antiga, assim como os sebos  virtuais,   já têm preços elevados. Alguns, caso sejam  muito procurados,  viraram  produto  de luxo.
    Enquanto isso, os autores, muitíssimos,  estão no limbo, esquecidos quase que por completo a menos que haja um pesquisador  que,  voltando-se para o passado,   necessitem  de ler alguns desses volumes esquecidos a fim de completarem suas pesquisas acadêmicas.
    Já disse alhures que os críticos, por exemplo, hoje têm que limitar-se a períodos da história literária,  a fim de possam fazer seus recortes  de temas e de autores. O crítico militante de hoje é um  indivíduo  restrito  às  suas possibilidades de querer  estar acompanhando essa enorme  quantidade  de obras lançadas a público, nacional e mundialmente. Ou seja,  não terão tempo  suficiente nem terão tempo de vida  necessária a uma maior  dedicação às resenhas,   às análises dos livros saídos, lançados,   escritos e divulgados, quer impressos, quer  pelo  espaço virtual. Já se se foi o tempo das resenhas de rodapés das décadas de trinta,   quarenta, cinquenta, sessenta, a cargo, às vezes,  de um ou dois críticos militantes por jornal. 
     O número de autores,  ruins, bons e ótimos  subiu vertiginosamente. Assim também o  número de editoras espalhadas pelo país. Levando em conta cada Estado da Federação,  com  o  aumento  do número de universidades e faculdades  privadas e o consequente número de estudantes  de todos os níveis,   proliferaram  livros e autores em todos os gêneros, didáticos,  não didáticos,  obras de referências,  obras de artes etc.
    O fato paradoxal  é que, num país com  graves problemas  financeiros e com altos índices de analfabetos  e analfabetos funcionais,  ainda assim é espantosa  a quantidade  de livros  lançados. 
    Entretanto,  há dois aspectos curiosos   no meio dessa realidade  editorial:  os livros  de autores  nacionais  bem vendidos e em  edições de boa  tiragem  e  livros  igualmente de autores  nacionais  pouco vendidos e em edições  modestas. Para saber  quais  fatores  são determinantes na elucidação  desses  dois tipos de vendagem seria o  caso de ter que  se fazer um análise  aprofundada da  questão.   Some-se a isso  a circunstância de que  não sabemos ao certo se os livros bem vendidos são realmente lidos  pelos compradores, e bem assim  os poucos vendidos.  
    E o problema desse desequilíbrio ainda se agrava mais com a concorrência dos livros chamados best sellers, dos livros traduzidos,  ricamente  impressos, com  capas  chamativas,  e tendo  na retaguarda uma poderosa  logística  de  publicidade,  divulgação  e distribuição em grandes  livrarias    de potenciais   compradores   de classes mais elevadas.  
   Os autores não bafejados  por essa retaguarda de elite dificilmente  conseguirão  ter voz e vez e seus livros, em geral,  se transformam  em  encalhes  fragorosos ou  senão vão engrossar  os milhões de livros  dos grandes sebos  virtuais.

  Os autores não muito lidos nem  muito conhecidos ou não conhecidos, por força do impulso  da criação, não desistem de escrever para se sentirem  úteis. Quem sabe, um dia  serão descobertos... Ou então, terão o destino  certo dos escritores, em vários gêneros,  que estão lá  nas prateleiras  de um velho sebo   ou nas estantes de uma biblioteca  imensa povoada de tantos outros autores  hibernando  por falta  de quem  os procure e lhes dê o prazer de um  leitura  só pelo amor  aos livros. Isso  pode acontecer numa cidade,  num Estado, num país e no mundo. Um pingo no oceano.     

terça-feira, 6 de junho de 2017

SOBRE O BRASIL ATUAL: ALGUMAS INDIGNAÇÕES

                                        
                                                                         Cunha e Silva Filho

        
         Já se está falando que a Operação Lava-Jato vai ter  o mesmo destino  da italiana  Mãos Limpas. Não direi que sim, mas também não direi que não. Mas a novela  da impunidade, da corrupção e da violência sem freios já mostrou  a sua  resistência às leis,  à democracia plena, às soluções que delas esperamos sem o passo de tartaruga,  sem as protelações,  sem os jogos  das instâncias  jurídicas, sem empurrar a barriga.
       O povo quer  conclusões,   justiça feita contra malversações  do dinheiro público que, em parte, escorreu pelo ralo  das propinas milionárias, aqui e fora do país, pois a corrupção  nacional  se internalizou  para grande vexame  dos homens de bem desta Nação vilipendiada nos seus  fundamentos básicos:  seu sistema político  desmoralizado,   suas instituições   desacreditas, sua falta de rumo para a sucessão  do novo  presidente   da República. Um mato sem cachorro. Um caminhar nas trevas  do imponderável.
      O quadro  político brasileiro mostra-se sombrio. O país se encontra  dividido em várias  classes sociais, o povão, “bestializado” em sua grande parte,  pouco se importa com os graves  problemas   que  atravessamos. Para  suavizar  seus males e sua  carência encontra um meio de entrar num botequim, preparar-se para o próximo carnaval e assistir  a um jogo  de futebol num boteco próximo de sua casa, ou ainda participar de  uma roda de samba de fundo de quintal na periferia  das grandes  cidades.  Seu  único  gesto  é o da sobrevivência,  do salve-se quem puder,  com medo só da falta de emprego, preocupado só  com o sustento   da família,  e com a desenfreada violência urbana ou mesmo  interiorana, à frente, a bala perdida,  o desespero de mortes anunciadas,  que se banalizam  com a sua recorrência  sem fim.
       No entanto,  as reais causas primeiras,  o fundo das questões  que levaram à crise   econômico-financeira estão muito longe de sua compreensão. Penso mesmo que os políticos  maus do Brasil  jogam   com essas carências,  com essa ignorância,  com   as ideias embaralhadas  do uomo qualumque sem  estudo,  o analfabeto, analfabeto funcional, sem horizontes,  sem metas  definidas. E, por falta de inclusão cultural-econômica, vão se reproduzindo por anos a fio.  São o que o crítico  Eduardo Portella (1932-2017),   definia como  assimetrias   de modos de vida  sociais  dos brasileiros, numa convivência secular  entre o arcaico e o moderno, à semelhança daquela  imagem  culturalmente grotesca de  mansões luxuosas  ao lado da extrema penúria dos favelados.
     Enquanto isso, a sociedade civil letrada ou semiletrada e   socialmente  dividida,  conduz suas vidas  presas a um  individualismo    exagerado,  com os  seus membros afastados uns  dos outros,  vivendo cada um  o seu exclusivismo   em níveis  melhorados  social, cultural   e financeiramente. Aqui se situam a classe média, média  alta, da burguesia  e da elite  econômica. Não existe, assim, homogeneidade ou interpenetração,  mas compartimentação visível  e previsível.
      Por outro lado,  já no caso das investigações da Lava-Jato,  no julgamento da chapa Dilma-Temer, o vaivém das notícias veiculadas pela mídia e por notícias  que saem em áudios, nas redes sociais, essa espécie de 5º poder que  está se  constituindo  no cyberspace,  acrescidas de comentários e opiniões divergentes  ou convergentes, a depender  da posição ideológica  do usuário, os fatos que vêm à tona vão se acumulando  vertiginosamente ao ponto de  deixarem  algumas pessoas  entediadas  da mesmice  da questões.
    Essa explosão de fatos  do mesmo teor sobre decisões tomadas  pela Justiça,  pelos Tribunais, pelo Ministério Público e pela Procuradoria  Geral da União são muito maiores  na sua  quantidade do que  a nossa capacidade de assimilação de muitas delas. 
  Já uma vez, em artigo,  chamei  às desastrosas  e multiformes   formas do comportamento  político  do país de “poliedro de insânias.”   Constato, infelizmente,  que ainda penso de igual  maneira.  Pouco se alterou  o que era de ruim  na política  nacional,  nos nossos males renitentes, nas nossas crises, quer morais, financeiras,  econômicas,  quer no setor de segurança  pública,  na educação,  no ensino  universitário,  na saúde,  nos transportes, no meio-ambiente,  na mais aguda   onda de violência de que já se teve notícia na história da  sociedade brasileira. Assim como  na  impunidade  diante  de todos esses  aflitivos  problemas  que vêm  maltratando o nosso povo. Ainda que tentemos ser  um pouco esperançosos,   a realidade  do país  ainda se mostra  inquietante,   arriscada,  perigosa,
  Quando Dilma foi  destituída do poder no seu segundo mandato, por via do impeachment,  ainda cheguei a pensar que teríamos  águas menos turbulentas. Qual nada! Mudou-se o governo, mudaram-se  os ministros,   e lá veio o vendaval de novos  escândalos, desta vez  envolvendo o vice-presidente  do governo Dilma, o atual   presidente Temer.  Investigações novas  vieram  comprometer  o seu  mandato que parecia, a princípio, estar  dando alguns passos  certos, porém  polêmicos,  como  reformas  intempestivas  na Previdência Social, nas leis trabalhistas e na condição das finanças  federais, procurando,  segundo  o próprio Temer proclamara,  “pôr a economia nos trilhos.”   
    No entanto,  as investigações da Polícia Federal  levantaram o véu da  fantasia da sisudez  do Temer e causaram um   nova reviravolta  no seu  instável  governo, tendo ele na berlinda  de  ser mais um  membro do governo considerado  como suposto   beneficiário  das práticas  de propinas e dinheiro  oriundo de Caixa 2  durante   campanhas  políticas  ao lado de Dilma Rousseff.  A espada de Dâmocles agora paira sobre a cabeça  do ex-professor de Direito Constitucional, de um político  culto, inteligente,  diplomático.
    O Brasil não vai bem das pernas. Há algo  que não dá certo  quando uma  pequena luz  surge no  fim do túnel. Pode-se afirmar que  quase ninguém escapa  das manchas deletérias  da propina,  da corrupção passiva ou ativa,  da lavagem de dinheiro, de enriquecimento  ilícito, do conluio  fétido entre políticos  influentes e  parte do grande empresariado  brasileiro,   em tal  magnitude  que  praticamente todas as esperanças  na figura dos nosso  políticos  parecem  nos levar  à condenação geral.
       O país,  rico  por natureza,  quase não aguenta mais de tanta pancada que lhe dão homens inescrupulosos,  ávidos  tanto do poder  quanto do vil mental. Lembro-me agora de um artigo de Leandro Konder (1936-2014) publicado há tempos no  antigo Jornal do Brasil em que  ele  faz uma pequena  e lúcida análise   acerca  do dinheiro e da  morte. Sobre o dinheiro,   me recordo de que ele o considerava  o corruptor de todos os valores.

       Posso finalizar essas reflexões dizendo que  a raiz de toa  essa falta de vergonha nacional  tem como  núcleo  central  o endeusamento  do dinheiro a qualquer custo, ainda que   fira moralmente uma Nação toda  ou um Estado inteiro, como no caso  do Rio de Janeiro, com o Sr. Sérgio Cabral, já preso pela suas  desídias e maracutaias cometidas contra  os cariocas e fluminenses. Todos os que praticaram  ilegalidades e crimes financeiros   abomináveis perderam a dignidade, ou seja, perderam tudo. E não há volta nem perdão,  nem reabilitação  para  criminosos do Erário Público.  

sexta-feira, 2 de junho de 2017

"O OLHO MORTAL": DAS AVENTURAS A OUTRAS QUESTÕES


                                                               Cunha  e Silva Filho

         Miguel Carqueija já é uma autor  bastante conhecido dos aficionados em ficção científica. Tem produzido neste gênero alguns livros  que dão suficiente   demonstração  do talento   do autor  para essa vertente  de literatura. O olho mortal é uma novela que dá sequência a duas anteriores, O fantasma do apito e O Clube da Luluzinha. Alguns livros do autor, nesse gênero de que tenho notícia, são A âncora do argonautas (1999),  A esfinge negra ( 2003), As luzes  de Alice (2004), Farei o meu destino (2008)
       As três sequências mencionadas acima, incluindo O olho mortal (ainda a ser publicada),  têm extensão de média para curta quanto ao número de páginas,  o que não é desdouro  a um tipo de ficção que,  a meu ver, se concentra primordialmente  no dinamismo da narrativa, nos incidentes, nas ações, no suspense,  no ponto certo de  dosar  o nível narrativo  e descritivo  de  uma história, sem desprezar a força dos diálogos. Um dos requisitos  principais do autor de ficção científica é saber como atrair  o leitor, e sobretudo  o adolescente, posto que adultos há que são admiradores desse gênero literário.
          Quem não gosta de adentrar numa história cheia de lances  espetaculares, de risco, de perigos à vista,  de fatos imprevisíveis? Esse o caso de O olho mortal, narrativa com  todos os componentes   que  aproximam  o leitor  de uma leitura  divertida e até  reflexiva,  porquanto   a ficção científica nunca foi  meramente passatempo, mas  uma oportunidade em que o narrador  nos fornece momentos de  reflexão sobre  temas  relevantes da vida, atual ou  futura. 
         Não se pode deixar de salientar que a ficção científica tem um caráter  de evasão, de escape, onde o leitor se transporta a um  universo  específico, no qual a inverossimilhança se torna verossimilhança  segundo  aquele conceito de “pacto narrativo.”
      Quer dizer,  o leitor  imerge num  espaço físico e de ações humanas  que ultrapassam  a realidade  lógica   da vida.  O leitor, para fruir tal tipo de narrativa,  deixa-se levar  pela mão do narrador  a mundos e a situações humanas  fora da realidade  referencial, em que   se aceita  o que nos é  narrado,  à semelhança de uma  história  inventada  para um  criança  curiosa de saber qual o desfecho  da história  e o que vai  acontecer com seus protagonistas. Se o leitor juvenil ou adulto se envolver com esse mundo imaginário, cheio de  fantasias  e de surpresas  sensacionais (agradáveis ou não),  seguramente  vai  sendo conquistado  pela habilidade do autor  na  elaboração de suas histórias, seus personagens,  seu enredo.       
         Em resumo,  sãos as aventuras vividas, pelos seus personagens  num enredo bem urdido que farão  com que a ficção científica  alcance sucesso. Certamente não hão  de faltar no enredo os heróis e os vilões, sendo que   a vitória dos heróis terá  maior peso  nas histórias, ou seja, serão os vencedores. Nesse tipo de ficção,  é preciso  que o bem vença o mal no  epílogo. Por essa razão,  há - não digo em todas -, um elemento  que torna a narrativa desse gênero  algo compensador: um determinado   propósito  edificante.
    Alguns  teóricos da ficção literária ainda veem a ficção científica como   subliteratura, apesar de que a história literária da ficção já considerou  as obras  de um Júlio Verne ou de um H. G. Wells como  ficção científica, em sentido lato,  de qualidade e, na segunda  metade do século  20, notabilizaram-se grandes nomes da FC, como  Ray Bradbury,  Arthur C.  Clark e  Isaac Asimov.
      Segundo o professor Martin Gray (Dictionary of literary  terms, p. 258, 1994), obra que costumo  consultar,  a FC (ficção científica)  ganhou  “imensa  popularidade”  tanto nos romances quanto no cinema e,  ainda nas palavras desse autor,  “[a ficção científica]  desempenha um papel fundamental na imaginação moderna, possibilitando  a aplicação de um maior  senso  de realismo científico com uma mescla variada  de  discretos  voos fantasiosos.”  Conclui o mesmo autor: “Amiúde ainda não se considera a FC  uma literatura ‘séria.’
  O enredo de O olho mortal,  para as pretensões dos supostos leitores e da faixa etária  mais visada pelo  autor,  é muito simples. Três jovens tinham o  propósito de cursar Letras numa  Faculdade em Teresópolis,  a Faculdade Modelo, Ocorre,  contudo,  que,  no local, surgem assassinatos “misteriosos!,  “enigmáticos” e selvagens e a culpa  da  primeira vítima recai sobre as três estudantes, Carol, Andreia e Fátima.           Os crimes acontecem sempre  após um “toque de um apito.” Em socorro das meninas,  aparece uma outra personagem, a  espertíssima   e corajosa  policial, Irina Danowszki, uma paranormal. Ela, em contato com as jovens,  percebe logo que uma das três estudantes é dotada também do poder de vidência  e que, ademais,  usava um caleidoscópio a fim de conseguir  visualizar  o que procurasse. Cada uma das quatro personagens  é reconhecida  por traços  específicos de personalidades.
Por exemplo, Carol está sempre   encrencando   com a policial  Irina; Fátima, a lamentar a morte de George,  assassinado pelo  robô do conde  Haroldo Bruxelas, o grande vilão da narrativa.  É obvio que o leitor logo é conquistado pelos objetivos das jovens, da  policial  e do detetive  Anselmo, de quem falarei a seguir. Carolina demonstra impaciência diante da vida e  sempre sarcástica;  Andreia é solitária,  ressente-se de uma  decepção amorosa e é dona de um cachorro dálmata, de nome Malhado, sempre em companhia dela. 
Na luta  sem trégua para vingarem-se do conde Bruxelas,   desenrola-se uma narrativa  cheia de percalços,  perigos,   situações-limite. As quatro jovens  não desistem de  perseguirem  o conde, um psicopata,   dono de um  robô assassino que está sob seu controle  para a prática  do mal,  pronto a eliminar qualquer inimigo ou quem quer que seja,   porquanto para ele  o ódio contra os outros pode ter ou não  justificativas.
Conde Bruxelas, por sinal,  é o proprietário da Faculdade Modelo  Tem estreitas ligações com  o underground  do crime. Representa, de certa forma, o mal e o bem,  pois é considerado  um mecenas do ponto de vista  de ser o fundador da Faculdade Modelo.
Na perseguição  contra o  conde Bruxelas,  surge ainda a figura do detetive Anselmo, pronta a ajudar as jovens a dar cabo.   Anselmo é espirituoso, esperto,  por vezes  não se afina com a detetive  Irina. Todavia,  secretamente, ele nutre um forte sentimento amoroso   para com Fátima. A presença de Anselmo  reforça  a luta das estudantes e da policial  Irina.
As ações da novela se complicam  na passagem em que,  durante a perseguição ao conde, as meninas, Irina e  Anselmo não conseguiram   capturar o vilão que se encontrava na casa do seu  oftalmologista, Dr. Gedeão Aniceto. Ele escapou mais uma vez  e se dirigiu em direção a um rio  com forte correnteza. Assim mesmo,  uma das meninas,  Carol,  entrou também na água  onde aconteceu um duelo  mortal. É o ponto alto da aventura  em perseguição do  conde Bruxelas. Depois de tantos   enfrentamentos  na água,   Carol, já exausta,   é socorrida e regatada pela   policial Irina.  Mais uma vez  o conde se escafedeu.
 É necessário  dizer que na novela não existem  apenas  perseguições, lutas,  lances dramáticos e mesmo  heroicos. Na narrativa,  há outras camada  de leituras que se podem  desentranhar. Irina não é só uma policial  destemida  e  inteligente. Ela é agente de um “poder  oculto,” a “Liga Mundial, ”uma organização  pouco conhecida  que tem objetivos de lutar pela “paz e a ordem” mundiais. Na última  parte da novela,  denominada “A Liga se pronuncia,”  entram mais outros personagem, de presença  passageira na trama:  o francês Moacir Hardy,  Paulinelli, Anthony Joelsas (apenas citado),  Diana (apenas citada),  todos agentes da Liga.
Dali em diante, seriam eles que dariam cabo do conde Bruxelas. As três jovens passariam a integrar, na condição de agentes, a organização Liga Mundial e ainda continuariam a frequentar a Faculdade Modelo. A  rival da Liga Mundial é a Rede (organização criminosa ),  à qual pertence, caso não  me tenha enganado,  o conde de Bruxelas. No entanto,  os crimes do conde Bruxelas são perpetrados  por sua conta e risco.
Segundo aludi linhas atrás,  O olho mortal é uma novela que comporta outras dimensões de leitura. Pode-se mesmo   pensar na  possibilidade de a narrativa subtextualmente   sinalizar  a outras motivações do narrador: os despistamentos  para  diretamente  não  identificar  situações  sociais, políticas  e históricas   que ainda   estamos   enfrentando no  mundo atual,  assim como  problemas   que a contemporaneidade  enfrenta sem soluções devidamente   resolvidas, como questões do meio-ambiente,  do clima, de poluição,   da corrupção, pois são muitas os índices   que remetem o leitor  mais atento  a essas  questões  que fazem  parte do debate em escala mundial,  da segurança  do nosso planeta Terra, entre outras.
A linguagem do texto de Miguel Carqueija é direta,  fluente,  linear, embora  se observe, na narrativa forte,  influência   de situações  espaciais  e de descrições  dinâmicas,   muito  visuais e objetivas, a nos lembrarem cenas do cinema. A novela está  pontuada de alusões a autores estrangeiros, personagens de obras famosas, nomes de artistas brasileiros, nomes de lugares, sobrenomes de personagens  estrangeiros, como a lembrar que literatura é o locus especial  do diálogo entre autores e autores e entre estes e leitores, quer dizer, a  literatura possui uma natureza metaficcioal,  metalinguística e dialógica.

Uma última  característica  dessa obra,  desta vez do ponto de vista  estrutural da novela,  são sinalizações que se prestariam a enquadrar  a novela   como  pós-moderna, na qual  misturam-se   tempos,  objetos, atmosfera, ambiente,  meios de transporte  pertencentes a outras épocas que dão um ar divertido  e mesmo   irônico  ante a combinação dessa mistura espácio-temporal. E, por fim, enfatizando a sua peculiaridade de ficção científica, com  ingredientes do  sobrenatural, i.e., os poderes  de vidência  da personagem  Fátima, da paranormalidade  da policial  Irene, o robô assassino do conde Bruxelas. Ora, de tais ingredientes  nasceu um  novela  inteligente e ao mesmo  tempo  agradável e divertida.

sábado, 27 de maio de 2017

BRAZIL' OVERVIEW CORNER: THE QUESTION OF THE POST-TRUTH AND ITS HARMFUL CONSEQUENCES ON INDIVIDUAL AND COLLECTIVE ETHICS IN TODAY'S GLOBALIZED WORLDS



     [The Portuguese translation of this text is just below it]                                                                     

                                                                     
                                                                                 By  Cunha e Silva Filho

           The theme that I chose for this meeting belongs to the kind of debate which cannot be left aside having in view its nature  of being a topical issue as well as its higly controversial character. I say  polemic  because it brings  up to its main thematic core the question of post-truth which, furthermore,  is not something so  new and  it even could  be traced back to a remote past as well as  in  not so remote past years along the history of mankind,  mainly in the political  world sphere. In other words,  in all the periods  of human life in which  men in general are called upon to give their opinions on truths and their  opposite side i.e.,  lies.
      However, for the discussions of my theme now proposed to the emminent partipants of this Virtual Hall, I will not make  any exposition of a historical, scientifical and philosophical nature. My interest aims at tackling the question  in terms of   their effects on  present political  life in the world and my views  are  based on concepts here  arosen, with the    purpose of being as much objective and clear as  possible  along the unfolding of this text.  On the other hand, I do not have the intention of theorizing on politics as woud do  political  scientists, inasmuch as my special field  of researches  is literature. Therefore, I simply desire to make  some connections between political life and the debate of my main topic.
         Suppose someone in this meeting  asks a professional in the field of medicine, for example,  about the concept  of post-truth, someone  who is not knowlegeable about matters that chiefly  concern the role of  politicians in today’s world,  as well as the role of written and virtual   press and other kinds of media. It is quite probable that the professional  will not  know how to answer to it and what is more,  he  will perhaps  say he had never heard  about    the phrase.
        As it is,    it si high time  we put the question  for discussion on a world scale, so as  to  account for the meaning of this phrase which, in 2016, was statistically the most   spoken  expression to the  point of becoming an entry in the well-known Oxford Dictionary. Post-truth is thus  explained:  “relating to or  denoting circumstances in which  objective facts are less influential in shaping public  opinion than appeals to emotion  and personal  belief.”In other words,  to begin with, the term  post-truth is opposed to  objetivity or lack of objectivity, being that for the  public  opinion in general, it will prevail or not  according to each person’s  cultural background  and  education  level.
      But we cannot  assure that, even in such  a situation, the person  is not  liable to being  biased  or unbiased in their opinions and views. The  risk of  accepting a post-truth  piece of information, in whatsover   condition,  is  a step foreward towards accepting lies disguised as real facts. I cannot deny, however,  that the post-truths  are artful and a threat to the uncautious  individual. So, one has to be on our guard against falling  into a trap  in the domains of  current  information  from all sides, national and abroad.
     If for  philosophical conscience, the truth  (see in Plato) ought to be the great  purpose  on the part  of the individual, in today’ conditions worldwide and in the sphere of communication in all its forms, this serch for truth  is being neglected. Such a  fact  originates  one of the evils of  life in a globalized world, at least for those nations  we know better, which are situated in the West.  The fear everywhere is  a  tendency  to the acceptance of subjectiveness  when facing objetive facts.
      As there is not a single subjectiveness  for all persons considered  as a whole, but  individuals with their specfic  subjectiveness who  think and reflect on their own, there is a risk for some of them representing  groups or  considerable part of the population of a country to be co-opted by a given ideology. And under such  a circumstance,  the individual  becomes  a partisan, thus accepting  all the orientation   imposed  upon them  subrreptitiouly by  a political party. The fact remains  that, on  internalizing the principles of a party,  the individuals  become blind to its errors and  wrongdoings. What will prevail from then on will be the determinations, for better or for worse,   of leaders of such a party. What is more serious,  such an engagement  occurs irrespective of  the  education level and of the social  conditions of  each  person.
    This  posture of an individual or group   of individuals or even of a whole collectitviy implies an ethic  and moral  behavior or the breaking of  it. If in these  three situations  their posture is considered correct and accepted, then a body of doctrinary  principles is put into practice and its application  in politics may lead followers either to the left-wing, right-wing or to  the extreme right-wing  or centre-wing or of other ideological doctrines.
     When their leaders  take over power, none of them will want to leave their position conquered, let alone their privileges. They will do everything to  remain firm  in  power until the end of their mandate, or, according to the political system, they may haave one more mandate in case they are reelected. Of course I am  referring to  democratic  countries, not to dictatorship rulers.
   In dealing  with the concepts of ethics or moral,  the bad  leaders of parties in order to  keep on in power, will not think twice to forget  any traces of ethic values. The same is true for  dishonest  politicians and the  for their  partisans. This posture  accounts  for the heating  divergencies, sometimes with  violent means, between  situation and opposition in  political   life.
     With reference to  left-wing parties, just to give an exemple of a typical  prototype of ruling a country,  the periods of governments of PT in Brazil, I would say that everything was admitted in   the actions of  these rulers, even breaking the laws or discarding  ethic values. How so?  All was done (so it was implied in their   leader’s mind as a friend of mine reminded  me of )  on behalf of  decreasing the level of Brazil’s  extreme poverty and of other social problems. One cannot deny that a lot of social    improvements   were  successful under the leftist rulers. However, this is only half  the truth as  we cannot hide the fact that in the  governments  of Lula and Dilma political   corrruption  skyrocketed. People also   require  of a ruler  that he/she  behave honestly and act with ethics with  the exception of followers of leftist partisans who behave themselves as accomplices  of foul pratices.  inasmuch as, to some extent,  they are more vehement than the genuinely democratic rulers.  At least, this seems to me in  what I have seen in my country with reference to unlawful practices against public money.
      Just to give one good exemple in my country:  the “Escândalo do Mensalão.”   This was the first sign of a leftist  government  that would  certainly collapse due to its so many  political  and financial  corruption scandals. The  PT (Workers’ Party ) in a way,  broke into pieces. The Operation  Lava-Jato sums up  what has been left of this  party, especially with  the recent  ex-president Lula’ testimony  before  the Federal Judge  Sergio Moro.
    The investigations carried out by “Operação Lava-Jato” and its subsequent  phases   provide us with a typical example of the use of post-truths owing to several  versions of the facts and of the contradictions and denials between the members involved in the scandals and the facts investigated by the Brazilian Federal  Police and the Prosecuting Counsel
    It takes for granted that Brazil  has lived its most  troublesome political  and financial crisis for the past fifteen  years owing  to   its topmost  level of political  corruption and its  spurious relations between  public institutions and private business resulting in the wide  use of bribe practices benefiting both unscrupulous  politicians and  corrupt wealthy construction companies. Moreover, the political corrruption extended to  payments  on the part of companies  through the use of bribes giving out to politicians  to finance their  campaigns in exchange of future   advantages after they were elected. Moreover, large use of   bribery would be employed as much  for political  campaigns as for foul enrichment advantages.  Later, for  dishonest   businessmenbribery would serve,  in  turn, to get financial benefits from politicians in case they were elected.
    No wonder that such  unworthy practices of public institutions would cause indignation in  society and would  degrade the image of  politicians  in general. On the other hand, the   leftist party and their  partisans  still denied  all the  truths concerning  these  scandals, while the oppositions vehemently criticized the PT. On  the other hand,  it is  well known that several  parties of  the opposition, especailly PMDB, and PSDB  have also  been  investigated  by the  Federal Police for similar reasons: corruption and  bribes.  Under  this unfavorable and  gloomy situation.
   Demonstrations from opposition became to grow and grow  demanding the impeachement of President Dilma. She lost power and in her place Michel Temer  replaced her promising to  moralize  the country and try to  put it in order mainly  due to prevaiing economical and political  crisis, as well as high  unemployment   rates.
    I am not going  - as I said before - further into  only political  issues (though it is hard to separate the nucleus  of my theme from political  implications) because my main  objetive is to point out  the  question of post-truth and its intimate  connections  with political  ways of  conveying  information  that are to be denied,  sooner or later, and have serious  consequences  in public  opinion today, not only in Brazil but also  anywhere. For sure this  kind of  statements or denials will bring out  serious damages   in the peoples’ choices of    candidates  for  political  functions  or mandates.  What  post-truths  instil in people’s opinion is too strong and at same time  bring about bewilderment among  themselves, as well as doubts  and ambiguities. 
    We  can feel this  social  phenomenon in the domain of  information  much more nowadays  with the  advances of  media where the  Internet  plays an important role that may lead people to misinformation   or misunderstandings mainly on social websites, not mentioning a lot of  friendship that are  broken up  because of  political divergences or the use of post-truths.   Thus, post-truths, in my view, are always  noxious. The difficulty lies  exactly in discerning between   truths and lies and the answer to this dilema  one might  only find  in a  more  learned culture,  i.e.,  in the possibility of  improvementas   of  a country  system of education.    However, someone might  ask: “What about  people who are learned but still choose  the wrong side? This discussion would lead us to endless  hours of  dialogs. I myself do not have  a definite  opinion about  this  dilema. Probably a lot of people do not have it.
    It is well known that in some other  governments political  life, let us say, in Venezuela, Syria, Turkey and others, their societies  go through the same problem  of a cleavage between  the governments and their  population  as far as political  preferences  are concerned. Brazil is now facing this crucial problem All past centuries had  their problems.
    However, on the  20th century  and chiefly on these sixteem years of  the 21st century the world has witnessed quite different  forms  of  living in   an    era of a globalized world and all its  good and bad  novelties,  the main  one of which  was the  surprising  advances  in  science and technology coupled with the virtual world, the cyber-space.
     That is why  I  saw as important  the  remarks  made by one of the daughters, Marina, of  a great Brazilian  literary  critic who died  recently. His name is Antonio Candido. In a report  published in O Globo (May 13, 2017) she stated  her opinion on the critic: “ {...] he lived experiences of the XIX century and he lived almost all the XX century, The XXI century did not  please him.”(italics mine).  A word to the wise, I would add.
     Countries such as those mentioned above represent other illustrations in which the “ official  truth” or alternative facts  do not match with  the real  truths  of facts. That is to say, data and information  collected by the Federal  Police  in Brazil are not confirmed by the accused  and so public opinion either may accept versions of the investigations or deny them according to  the  political parties  they support. That is the rub. People think differently, have their own convictions and wil not change them overnight. It is under these  circumstances that  the post-truths   enter the game and as such  confuse  people no matter  what cultural background they may  have, as I have already  stressed in this text.
     Governments in power, especially in the condition of dictators, vehemently deny their  mistakes and their   evil deeds practised againt part of  society. To do so,  they resort to press censureship as hard as possible, they  persecute their opponents, they order massacres and other criminal actions. Notwithstanding that,  international  media  get to   escape censureship and send press information  abroad, maily nowadays when we have at our disposal the  tools to get information  from: Internet,  cells, audios, videos  etc.
    The common man anywhre gets stunned at a bulk of information that comes to his knowledge. He compares offcial  versions to press versions   from the press or other media. In doing so he still remains  impotent to make judgements and evaluations  about  the growing  quantity of information on behalf or against facts and events that happen inside his own country or abroad.
            In undeveloped and even in developing countries, the uneducated masses are easy preys  for political parties, whether they be from the left or from the right. In these countries, the left as much  as  the right and  even communists in power, the  problem became  still worse. In a way,  generally this population  is  politically alienated and so does not care about  what is really  happening  in the country. They just think about their  survival.   Brazil is a good example of this situation.
     Actually,  deep down,  independent of ideologies,  he/she  who  gains power through democratic   form or as a dictator will constitute  politically  the elite which will govern for some limited  time, as in the case of democratic governments, or will  remain in power for  a long and indefinite  time, as in the case of dictatorships. However,  the elites in both  situations of governing a country,  enjoy privileges, sometimes too excessive  in nations where a considerable part of   their  people is poor or extremely poor. Someone may argue that   privileges are quite normal  and they are part of power game. Nothing so far from  truth. Furthermore,  one cannot  deny the fact that,  even in some democratic  nations,   when  some  rulers take office,  they  may change  their  behavior,  becoming sometimes  full of  vanity or authoritarian. So some democracies seem  to me nowadays. Power is  sometimes not so  far from  authoritarianism.
   The followers of political parties, chiefly those from the left – it is what I have noticed  lately, at least in Brasil -   on become adversaries of those who do not  share their political  plataform, show themselves extremely  intolerant, more  resembling  the behavior, mutatis mutandi,  of a soccer team  phanaticism. They think themselves  the only   holders of truth and of the best  way of ruling a society. The worst thing  is that, in practice,   their leaders, their  politicians  behave themselves after the burgoisie fashion of neoliberals. Who enjoys so much  the  products of capitalism  and its style of life. The prefer  the most elegant  social  spaces of world metropoles, the best restaurants, the best wine, food  and beverages, their  private  planes and  expensive  new-brand cars. The only struggle for their own financial  selfish  interests. On the other hand, The rabble goes on in the struggle for life, fighting for survival and for a mean, no-nothing way of living alienated  and little or not  all   worried  about  their rulers’s misdoings  and  lavishness.
    The question of  post-truth does not restrict itself to  saying lies and behave  uttering  irresponsble fake  news that will result in so many  interpretations. What matters most  is that they may  produce  bewilderment   that, in the  end,   will benefit  them in a way or another.  The use of post-truths by a president like  Donald Trump spreading out so many braggings in a  world  with a political and  confusing scenario  is, in my view,  one of the  manners of coming to power nowadays, not forgetting the fact that he did not have any previous experience in political life.   Besides, his  victorious  election  counted on  his doubtful  statements and extravagant promises to conduct his government.    
       Moreover, his victory was not due to  his firm and ethic attitudes, but to marketing  strategies and even to the resource  of signalling, during his campaign, diplomatic  approximation  with Russia. Also,  one could not  put aside in his  presidential race to the White House his unorthodox  ways of using counter-information to discredit  his opponent, Hillary Clinton, by spreading news  which referred to secret  government data that Hillary was supposededly storing in  her private e-mails. These tricky forms in political  domain are real  exemples of post-truths use.
           The truth, sooner or later, will come although it may delay sometimes, whether it be in the USA, Russia, Syria,  Venezuela, Turkey or Brazil. The truth was not  with Hitler,  Mussolini, Salazar and other dictators. History has shown all this in details. Then again, I would advance  to affirm that, in the future, even in countries where communism or discritionary governments rule with iron hands, it will be likely that  the winds will  blow differently  in a world that claims so much for freedom of speech and for the right to of everyone to  exert their  individuality when each man or woman may make their  options freely, without the tutelage of   the State. Of course, this  is a rather optimistc view of mine.   
    To carry out a great  change in the political activity necessary to  improve life conditions of citizens the world over it would be necessary  to invest massively in Education not only taking into account   the cumulative acquisition of newest technical and scientific  knowldege and high level researches by providing effective pedagocial and educational  tools  aiming at improving distorted attitudes in the midst of young people, such as excess of consumism, dishonest  competiviveness, lack of spiritual and ethical values, disdain for  a healthy living and one of he worst evil of the unduly called contemporary “civilization: the use of drugs. I guess this is  one the  best ways  to free individuals from a harmful   behavior. 
     Education (with a capital  “E”) is the key to the development  of a country. Ony through it is it   feasible to transform man according to  healthy pratices of  ethic and moral  values of leading one’s life. There is not a  single great and wise man  in the world who does not  think  about these issues   under the same humanistic  view. But Education  will only bear good  fruits if  accompanied by the cooperation  of  families also  commited  to ethic values and with  a humanistic and spiritual dimension we are so  bereft  of in our contemporary  life.
     Only through an education system deeply  commmitted to the   civic and integral formation of a citizen, a system  that actually   might stimulate the practices  of cultivating  the truth from childhood to adult life, by setting good exemples of honesty and justice and  by starting  with  experiences seen in well formed  homes, will we be preparing  good citizens  for the future.
      I know these  goals are difficult to  be reached, but they are not impossible.What we must not admit is the perpetuation of  abominable  practices of   spreading out  false  distorted and manipulated  information such as the ones  we hear and  see on TVs,  read  in papers  or  come to know from other media. Fake information  from  rulers of a country or from  politicians and their partisans,  whether  from the right or from the left, must be thwarted. It is mandatory to fight these abhorrent  practices and punish their leaders or sympathizers. Should they continue conveying fake information, we  will never see but nations in which their people  will continuously  be divided,   or better,  we will be seeing  brothers of the same country becoming enemies  among themselves as seen  in so many parts of the world. Down with post-truths culture!

Note to the reader: This text was presented to the 2nd International Virtual  Hall of Arts and Literature.

        
 A QUESTÃO DA  PÓS-VERDADE E SUAS CONSEQUÊNCIAS DANOSAS À ÉTICA INDIVIDUAL E COLETIVA DO MUNDO GLOBALIZADO

                                                                                     Cunha e Silva Filho     

        O tema escolhido para este encontro agrega um    tipo de discussão que não se pode subestimar tendo em vista  que, pela sua  natureza,  diz respeito a uma questão muito atual, assim como  possui  um  caráter altamente polêmico. Digo polêmico porque traz à tona como núcleo central a questão da pós-verdade, a qual, ademais,  não é algo tão novo e mesmo poderia remontar a um passado  remoto assim como  não tão remoto  na História da humanidade, mormente na esfera da  política mundial. Em outras palavras, em todos as fases da vida humana nas quais os homens são convocados a emitir opiniões  acerca de verdades ou de seu oposto,   i.e.,  mentiras.
     No entanto,  nas discussões deste tema ora proposto aos eminentes participantes deste Salão Virtual, não  farei  exposição de natureza histórica, científica e filosófica. Meu interesse visa  a tratar da questão em termos de seus efeitos sobre a vida política no mundo e minhas opiniões se fundamentam em conceitos aqui levantados, com  a finalidade de ser o mais objetivo e claro possível no desdobramento deste  texto. Por outro lado, não é minha intenção teorizar sobre o tema como um cientista político. As ideias expendidas neste texto expressam pontos de vista  pessoais, mas refletem meu amadurecimento, minha experiência com leituras gerais,
      Suponhamos que alguém indague de um  profissional no campo da medicina, por exemplo, a respeito do conceito da pós-verdade, alguém que não seja familiarizado com  assuntos que digam   respeito sobretudo ao papel  dos políticos no mundo atual, assim  como ao papel da imprensa escrita e de outras espécies de mídias. É bem provável que o  profissional não saiba responder àquela pergunta e mais, talvez nunca  tivesse ouvido  falar da expressão.
Sendo assim,  já passa da hora de colocarmos a questão para um debate em escala mundial,  a fim de darmos  conta do sentido dessa expressão que, em 2016, estatisticamente foi a  que mais se ouviu a ponto de tornar-se um verbete no conhecido Dicionário  Oxford, no qual a pós-verdade é assim  definida:  [...] reporta-se ou denota circunstâncias em que fatos objetivos são menos  influentes para moldarem  a opinião pública do que apelos  à emoção e à crença  pessoal.” Em outras palavras,  para início de conversa,  o termo pós-verdade se opõe à objetividade ou ausência de objetividade, sendo que para a opinião pública em geral,  ela terá maior peso ou não, de acordo com o nível  do  repertório cultural e formação escolar  de cada indivíduo.
Todavia,  não se pode assegurar que,  mesmo em tal situação,  a pessoa não seja sujeita a opiniões e visões  preconceituosas ou não. O risco de aceitar uma informação pertinente à pós-verdade, não importa  em que condição,  é um passo  a mais direcionado  a aceitar mentiras  mascaradas  de fatos   autênticos. Não posso  negar,  entretanto,  que as pós-verdades sejam  ameaças cavilosas aos desavisados. Portanto,  temos  que  permanecer vigilantes a fim de não sermos  vítimas de uma  armadilha nos domínios das informações divulgadas vindas de todos os lados, nacionais ou  internacionais.
Se para a consciência filosófica, a verdade ( veja em Platão), deveria ser uma grande objetivo  por parte do indivíduo, nas condições atuais em âmbito mundial  e na esfera da comunicação em todas as suas  formas, essa busca da verdade está sendo colocada em  segundo plano. Tal fato configura um dos males da  vida num  mundo globalizado, pelo menos para as nações que  mais conhecemos, as situadas no Ocidente. O medo, em toda a parte, segundo percebo, é que há uma tendência à aceitação do  sujeito quando  confrontado com  os fatos  objetivos.
Como não existe uma subjetividade única para todas as pessoas tomadas em conjunto, mas  indivíduos com específica subjetividade  que pensam e refletem por si mesmos, há um risco de que algumas  delas representando grupos ou considerável  parte da população de um país,  sejam cooptadas por uma determinada ideologia, E em tal  circunstância,  o indivíduo   se torna  partidário, aceitando, assim,  toda a orientação  imposta sub-repeticiamente  por um partido  político. O fato é que, ao internalizarem os princípios de um partido, os indivíduos tornam-se cegos aos erros e malfeitos  do partido.
O  que prevalecerá,  daí em diante,  serão as determinações, para melhor ou para  pior, de líderes de tal partido, O que é mais grave,  tal  engajamento  acontece independente  do nível de escolaridade e das condições sociais de cada pessoa.
A postura de um indivíduo ou grupo de indivíduos ou até de um todo coletivamente considerado,  implica um comportamento  ético e moral ou a sua ruptura. Se nas três situações, sua postura for considerada correta e aceita, então um corpo de princípios doutrinários é posto em prática e sua aplicação na política pode levar seguidores ou à esquerda, direita, extrema direita, centro, ou de outra coloração ideológica.
Quando seus líderes  assumem o poder – o que é natural em todo ser humano - nenhum deles desejará deixar a posição  conquistada, muito menos seus privilégios.  Farão tudo para se manter  no poder  até ao final de seus mandatos ou, conforme o sistema politico, terão mais um  mandato caso sejam  reeleitos. Naturalmente, me refiro a países democráticos, não a ditaduras.
Ao lidar com conceitos éticos ou morais,  os maus  líderes de partidos, a fim de se manter no poder, não pensarão duas vezes para esquecerem  qualquer vestígio de valores éticos. O mesmo  diria para  políticos desonestos e seus prosélitos. Esta postura explica  as divergências  inflamadas, por vezes por meios violentos, entre situação e oposição na vida  política.
Com referência a partidos da esquerda, apenas para dar um exemplo  de um  típico protótipo de governar um país, os períodos dos governos  do PT (Partido dos Trabalhadores), diria que tudo se admitiu  nas ações  destes  governantes,  até passando por cima das leis e descartando valores éticos. De que modo? Tudo se fez ( assim estava implícito na cabeça  de seus líderes, consoante   me   fez lembrar um amigo meu) em prol da diminuição do extremo nível de pobreza do Brasil ou de outros problemas sociais.
Não se pode  sonegar o fato de  que melhorias  sociais tiveram  êxito sob os governantes  da esquerda. Entretanto,  isto é apenas uma meia  verdade, visto que não se pode esconder o fato de que nos governos de Lula e Dilma  a corrupção   atingiu  pontos extremos. Exige-se de um governante   que ele/ela  se comporte honestamente e aja com ética, com a exceção  dos partidários  esquerdistas que se comportam  como  cúmplices de práticas delituosas. Além disso,  os seguidores  esquerdistas,  de uma certa forma, são mais autoritários do que governantes genuinamente democráticos. Pelo menos,  me parece  ser o que tenho visto em meu país.
Só para dar um bom exemplo no Brasil, com  relação práticas  lesivas às  finanças públicas é  o  do  “Escândalo do Mensalão,” o primeiro  numa sequências de outros  que vieram a público. Este foi o primeiro sinal de um governo da esquerda que seguramente  não se sustentaria em face de muitos escândalos  de corrupção política e financeira. A operação Lava-Jato resume o que sobrou do PT, sobretudo com  o  depoimento do ex-presidente Lula diante do Juiz Federal Sérgio Moro.
As investigações levadas a cabo pela “Operação Lava-Jato” e suas fases  subsequentes nos  oferecem um exemplo típico do uso da pós-verdade se deveram  às várias versões dos fatos e das contradições e desmentidos entre os membros envolvidos nos escândalos e os fatos  apurados pela Polícia Federal e pela Ministério Público.
Não é preciso  afirmar que o Brasil tem vivido sua mais  tormentosa crise  política e financeira nos últimos  quinze anos em razão de seu altíssimo nível de corrupção política e de suas espúrias  relações entre instituições públicas e  empresas privadas, que resultaram no largo uso de praticas de  propinas beneficiando tanto políticos inescrupulosos  e ricas  empresas de construção. A par disso,  a distribuição de propinas  a políticos seria tanto para financiar campanhas quanto para enriquecimento  ilícito. Para  empresários desonestos, a propina  serviria para obtenção de vantagens  financeiras  de políticos após estes serem eleitos.
Não é de admirar que tais práticas  indignas feitas por  instituições governamentais provocariam indignação na  opinião pública e manchariam a imagem dos políticos em geral. Por outro lado, o partido da esquerda e seus sectários persistiam em desmentir todas as verdades concernentes aos escândalos, ao passo que a oposição criticava veementemente o PT.   É do conhecimento geral que vários partidos da oposição, em especial  o PMDB e o PSDB  têm sido  igualmente investigados pela Polícia Federal por motivos  semelhantes: corrupção e propinas. Diante deste quadro desfavorável e sombrio,  manifestações da oposição  se tornaram cada vez maiores exigindo o impeachment da Presidente Dilma. Ela perdeu o mandato e, em seu lugar,  assumiu Michel Temer, seu vice-presidente que prometeu moralizar e colocar nos trilhos   o país, em virtude da persistência da crise econômica e política bem como dos altos índices de desemprego.
Segundo já salientei, não vou me cingir somente  às questões  políticas propriamente ditas ( embora seja difícil separar o núcleo do meu tema das implicações políticas),   porquanto meu objetivo é concentrar-me na pós-verdade e  nas suas íntimas  ligações com formas   políticas na transmissão de informações que são desmentidas,  cedo ou tarde, e têm  sérias consequências na opinião  pública, não somente no Brasil mas também em qualquer parte. Obviamente,  este tipo de afirmações ou desmentidos causará profundos prejuízos nas escolhas feitas pelo povo  de candidatos  a mandatos políticos. O que as pós-verdades instilam na opinião das pessoas se me afigura muito forte e ao mesmo tempo acarreta perplexidade entre  si, e bem assim dúvidas e ambiguidades.
Podemos  sentir este fenômeno social no domínio da informação muito mais hoje com os  avanços   da mídia na qual a Internet desempenha   um papel que pode conduzir as pessoas à desinformação  ou  a  equívocos, mormente nas redes sociais, sem falar nas muitas amizades  que,  por divergências  políticas,  se desfizeram  em decorrências  do uso da pós-verdade. Destarte,  pós-verdades,, em meu juízo,  são sempre nocivas. A dificuldade reside exatamente  em discernir  entre verdades e mentiras e a resposta a este dilema pode-se  encontrar numa formação cultural mais  desenvolvida, i.e., na possibilidade de aprimoramento do sistema  educacional   de um país. Todavia,  alguém poderia  argumentar: “E as pessoas que são  letradas mas ainda fazem  opções erradas?” Esta discussão conduzir-nos-ia a horas a fio de conversas.. Eu mesmo  não tenho ainda   uma opinião firmada  acerca deste dilema. Provavelmente,  muitos não a tenham.
É notório que em alguns governos de outros  países, digamos, na Venezuela,  Síria, Turquia,  por exemplo, suas sociedades atravessem quase  os mesmos  problemas de uma clivagem entre  partes da população no que tange  a preferências  políticas, i.e., aqueles que são a favor do governo e aqueles que são contra ele. Todos os séculos passados tiveram seus problemas,
Contudo,  no século 20, e principalmente nestes dezesseis anos do século 21, o mundo testemunhou formas bem diferentes formas de viver numa era globalizada  com todas as suas boas ou más novidades,  a primeira das quais foram os avanços surpreendentes na ciência e tecnologia combinados com o mundo virtual, o cyber-espaço.
Eis a razão pela qual reputei importante as observações feitas por uma  das filhas, Marina,  de   um grande crítico literário brasileiro que faleceu recentemente. Seu nome é Antonio Candido. Numa reportagem publicada em O Globo  (13 de maio de 2017),ela   afirmou sua opinião sobre o crítico: “[..] ele viveu experiências do século 19  e viveu quase todo o século  o século 20. O século 21 não lhe  agradava. (grifos meus). A bom entendedor meia palavra basta, acrescentaria eu.
Países não democráticos tais como aqueles já citados anteriormente representam outros  exemplos em que “verdades oficiais,” ou “fatos alternativos, ” poderiam ser rotulados de pós-verdades.  Ou seja,  como no caso  brasileiro, dados e informações coletados pela Polícia Federal não são confirmados pelos acusados e, assim, a opinião púbica pode aceitar  ou não versões  das investigações ou negá-las  consoante os interesses do  partido político que apoiam. Aí está o busílis. Pessoas pensam diferentemente, têm suas próprias convicções e não as mudarão da noite para o dia. É nestas circunstâncias que a pós-verdade entra no jogo e como tal confundem  as pessoas não importa qual seja seu repertório cultural, segundo já acentuei.
Governos   especialmente na condição de ditadores, negam com veemência seus erros e suas atos de maldades perpetrados contra uma parte da  sociedade. Para consegui-lo, recorrem à censura de imprensa tão duramente quanto possível, perseguem os adversários, ordenam massacres e outras ações criminosas. Apesar disso,  a mídia internacional consegue despistar a censura e envia informações para fora do país, sobretudo atualmente quando se tem à disposição os instrumentos para conseguir informações  da Internet,  celulares , áudios,  vídeos etc.
O homem comum em qualquer lugar fica atônito com uma grande quantidade de informações que lhe  chegam ao conhecimento. Ele compara versões oficiais com versões da imprensa ou de outros meios de comunicação. Ao fazer isso, ainda permanece impotente para fazer julgamentos  e avaliações acerca da quantidade crescente de informações  a favor ou contra fatos e acontecimentos que ocorrem dentro de seu próprio país ou no exterior.
Em países subdesenvolvidos e mesmo em desenvolvimento,  as massas ignorantes são presas fáceis dos partidos políticos, quer sejam da esquerda, quer da direita. Com a esquerda tanto quanto  com a direita no poder (neste aspecto,  não há muita diferença ), a população pobre ou miserável, politicamente alienada, pouco se importa com o que na verdade está acontecendo no país. Apenas pensa na sobrevivência a todo custo. Numa palavra,  o Brasil é um bom exemplo desta situação.
Na verdade, no fundo,  independentemente de ideologias, ele/ela  que assuma o poder por vias democráticas ou como ditador formará politicamente  a elite que governará durante um período limitado, como é o caso dos governos democráticos, ou permanecerá no poder por um longo e indefinido tempo, caso das ditaduras. As elites, todavia,  em ambas as situações de governança,  desfrutam de privilégios, por vezes em excesso em nações na quais parte ponderável do povo  é  pobre ou extremamente  pobre. Algumas podem argumentar que isso é normal  e faz parte do poder.  Nada tão distante da verdade. Além disso, não se pode esquecer o fato de que, mesmo em nações democráticas, quando seus governantes tomam posse, eles podem mudar de comportamento, tornando-se às vezes cheios de vaidade ou autoritarismo. Assim me parecem algumas  democracias atualmente.
Os sectários de partidos  políticos, principalmente da esquerda – é o que tenho percebido ultimamente, pelo menos no Brasil -,  tornam-se extremamente  intolerantes com quem  não partilha de sua plataforma  política, mais  lembrando, mutatis mutandi,  o comportamento fanático de torcedores de um  time de futebol.  O pior é que, na práxis, seus líderes, seus políticos se comportam à moda burguesa de neoliberais, que usufruem  tanto dos produtos do capitalismo e do seu estilo de vida. Preferem os mais elegantes  espaços sociais das  metrópoles mundiais, os melhores restaurantes, os melhores vinhos, alimentos e bebidas, os melhores jatinhos  e carrões  da última  moda. Lutam apenas pelos  seus interesses financeiros  egoístas.
A questão da pós-verdade não se restringe propriamente a afirmar mentiras e proferir notícias  falsas e irresponsáveis que resultarão em tantas interpretações. O que  importa  mais é que elas produzam perplexidade que, no final  das contas,  beneficiarão alguém  de uma maneira ou  outra. O emprego da pós-verdade pelo Presidente Donald Trump divulgando  tanta bravatas, num mundo com um cenário político  confuso, é, a meu ver,  uma das formas de chegar ao poder  hoje em dia, sem esquecer a circunstância de que o presidente americano não possuía nenhuma experiência anterior na vida  política.
 Além disso, sua eleição vitoriosa se deveu também às suas declarações e promessas extravagantes para conduzir seu governo utilizando-se de bandeiras e slogans nacionalistas. , do tipo “A América para os americanos” ou coisas do gênero. Sua vitória, aliás, não devido  às atitudes firmes e éticas, mas a estratégias de marketing e até ao recurso de sinalizar, durante sua campanha,  duvidosas  novas aproximações diplomáticas com a Rússia, sobretudo tendo em vista  ser ele um capitalista  milionário. Não se pode também  deixar de lado em sua  corrida à Casa Branca,  seus meios inortodoxos  de utilizar informações duvidosas  a fim de desqualificar sua adversária,  Hillary  Clinton, divulgando notícias que se referiam  a dados  governamentais que Hillary supostamente  acumulava em seus correio eletrônico  particular. Estes meios  ardilosos na política  são verdadeiros  exemplos de usos da pós-verdade.
A verdade, cedo ou tarde, emergirá posto que por vezes possa  demorar, seja nos EUA, Rússia, Síria, Venezuela, Turquia, ou Brasil. A verdade nunca esteve com Hitler, Mussolini, Salazar,  Franco e outros  ditadores. A História já mostrou tudo isso em detalhes. Por outro lado,  adiantaria para afirmar que, no futuro,  mesmo em países onde o comunismo ou governos discricionários tomam as rédeas com mão de ferro, é provável que os ventos soprem diferentemente num mundo que clama tanto pela liberdade de expressão e pelo direito de todos de exercerem  sua individualidade quando cada homem ou mulher possam  fazer suas opções livremente, sem a tutela do Estado, Obviamente, esta é uma visão  minha algo otimista.
Para levar a cabo uma grande mudança na atividade  política, é imperativo  aprimorar as condições de vida no mundo inteiro, assim como  investir  maciçamente na Educação não  somente levando em conta  a aquisição cumulativa de novos conhecimentos técnicos e científicos em pesquisas de ponta, mas ainda  fornecendo  efetivos  instrumentos pedagógicos e educacionais  visando a melhorar atitudes  distorcidas  no seio da juventude,  como excesso de consumismo,  competitividade  desonesta, egoísmo,  ausência de valores espirituais e éticos,    desprezo pelos saudáveis hábitos  de convivência humana  e um dos piores  males da  indevidamente  chamada  “civilização” contemporânea: o uso de drogas. Penso que a Educação seja uma das mais decisivas formas de livrar o indivíduo de um  comportamento prejudicial.
A Educação (com E maiúsculo)) é a chave do desenvolvimento de um país. Somente através dela é exequível a transformação do homem segundo práticas saudáveis de conduzir a vida.  Acredito  que não há um único grande e sábio homem no mundo que pense diferentemente em todas  estas questões à luz da mesma  visão humanística. A Educação,  contudo,  só dará frutos se acompanhada da cooperação da família comprometida com  os valores  éticos e com uma dimensão -  repito – humanística e  espiritual de que estamos  tão necessitados. Somente através de um sistema de educação profundamente comprometido com a formação cívica e  integral de um cidadão que na realidade estimule as práticas do cultivo da verdade da infância à vida adulta, dando bons  exemplos de honestidade e justiça e começando com as experiências vistas em lares bem  constituídos, estaremos preparado bons cidadão no futuro.
Sei que estas  metas são difíceis de serem atingidas, porém não são impossíveis nem  tampouco utópicas. O que não devemos admitir é a perpetuação de práticas abomináveis de divulgação de notícias falsas distorcidas e manipuladas tais como as que ouvimos e vemos nas TVs, lemos nos jornais ou que nos chegam ao conhecimento por outros meios de comunicação. Informações falsas vindas de governantes de um país ou de políticos e seus seguidores, seja da direita ou da esquerda, devem ser  repelidas. É imperativo combater estas práticas repudiantes e punir os  responsáveis  por elas (governantes, políticos e prosélitos).
No caso de continuarem transmitindo informações fraudulentas, não veremos senão nações em que seu povo continuamente  será dividido, ou melhor,  veremos  irmãos do mesmo  país tornarem-se inimigos  uns dos outros conforme vemos em tantas partes do mundo. Abaixo  com a cultura da pós-verdade!

Nota ao leitor  Este texto foi apresentado no 2º SalãoVirtual  de Artes e Literatura