sexta-feira, 12 de maio de 2017

Histórias de Évora: uma ficção de erotismo, amor e saudade


O mistério das letras tem isso de atraente: torna-se mais espesso à medida que se tenta dissipá-lo.

Tzvetan Todorov,  As estruturas narrativas.
                                                    

                                                                            Cunha e Silva Filho



        PRELIMINARES. Mais conhecido como  um   respeitado poeta no seu Estado,  o piauiense Elmar Carvalho  não poderia  se considerado  um estreante  no gênero da prosa de ficção. 
         Há tempos tem escrito pequenos  textos  que se poderiam  chamar de  contos,  narrativas regionais  que misturam “realidade’ ficcional  e imaginário popular e folclórico,  adentrando-se até, em grau menor,  em textos de cunho  fantástico ou mágico que contribuem  para  um pitoresco  painel   dos costumes,  hábitos  da paisagem  interiorana  piauiense,  de cidades do interior  de seu estado natal. Lendo muitas deles, não me furto a fazer  uma analogia com alguns textos narrativos de viés sobrenatural com algumas narrativas do  escritor Bernardo Guimarães (1825-1884). Penso aqui no seu  conto  modelar que é  “A dança dos ossos.” Extraído do livro Lendas e romances (1871).
     Elmar Carvalho é um  autor  que há muito tempo venho lendo não só  analisando-lhe a poesia   que, - ninguém pode negar – é de ótima qualidade,  tendo mesmo  sido agraciado, pelo seu livro Rosa dos ventos Gerais (poesia reunida, 20002)  com o importante  prêmio “Ribeiro Couto” da União Brasileira de Escritores (UBE). Ademais,  Elmar  incursionou  elegantemente  pelo memorialismo e por algumas  pesquisas  de natureza  histórica, pelo ensaio da pesquisa histórica, pela crítica literária, pela crônica.
      Diria, em síntese, que o conjunto de textos em prosa que, até hoje, produziu  já lhe garante um lugar   definitivo   entre os escritores  mais  prestigiados da literatura  piauiense contemporânea.
    Agora,  Elmar Carvalho  nos surpreende  mais uma vez com uma novidade: a escrita de um romance, Histórias de Évora.O autor a classificou  como  romance; eu, porém  a definiria como  novela, pois se ressente de um componente forte no romance: a simultaneidade dramática.”[1]
    Deixo explícito,  no entanto,  que, nesta análise  de alguns ângulos  da linguagem e da sua  estrutura ficcional,  levarei em conta a sua íntima aproximação com  o gênero do romance e até o tratarei com tal, sobretudo  tendo em vista  o cunho ensaístico  desta  introdução, o que equivale  a dizer, que meu julgamento ou minhas   concepções  não são dogmáticas nem definitivas em terreno  tão  controvertido  quanto   a classificação de gêneros nos dias de hoje.
     Tampouco divergi dele porque seja uma obra não muito extensa, mas por um romance ser  uma narrativa que propicia uma visão totalizadora, da existência, da qual se poderia depreender melhor a  cosmovisão do narrador sobre o mundo e seus problemas mais diversificados e complexos.
      A novela, não. Tendo elementos praticamente semelhantes do romance, seu alcance narrativo é menor no tratamento destinado à trama, ao enredo, às personagens. A novela não seria um romance em ponto pequeno, mas seria um “romance incompleto,” suscetível de se prolongar indefinidamente em nosso  episódios.
    Por outro lado,  esse espaço de introdução da obra em exame não objetiva  levar-me a uma discussão teórica,  genológica, mas   apontar vias seguidas  por Elmar nesta  corajosa   empreitada de  se desincumbir  bem  no seu  projeto de  escrever ficção e estrear  como romancista  em   Histórias de Évora.
   Preferindo  seguir  a linha de uma ficção  de corte  mais tradicional, até na linguagem, com ressonâncias  de autores  portugueses  ou brasileiros do século  XIX, mas ao mesmo tempo   incorporando   ao seu texto  contribuições  da narrativa contemporânea, segundo veremos  mais adiante,  Elmar Carvalho logrou êxito nessa  combinação  do antigo   com o novo, o que,  de certa maneira,  sem forçar,  se poderia   aduzir que na obra em questão  existem  traços  distintivos  inegáveis de pós-modernidade.
  Tal estratégia do autor o salva  da pecha de uma narrativa  em modos envelhecidos ou anacrônicos. O próprio autor, nas “Advertências” de abertura da obra,  de certa maneira criteriosamente  antecipa alguns  pontos comuns entre o que ele pensa e o que eu penso acerca   da construção de seu romance no que tange a algumas  estratégicas   e técnicas narrativas por ele usadas. Desta forma,  chama a atenção do leitor para sua opção pelo não utilização, na arquitetura de sua  obra, do  experimentalismo  ou  vanguardismo: “Deixo logo bem claro que não desejei fazer uma obra de vanguarda. Quis apenas contar histórias, pois sempre entendi que um romance ou conto deve narrar algo.”  (grifos  meus).

A QUESTÃO DO NARRADOR. Existem dois narradores nas Histórias de Évora. O narrador 1 e o narrador 2.    O narrador 1 relata as  exuberantes e ousadas  experiências erótico-amorosas  de Marcos Azevedo,  protagonista do romance,  desde a sua  iniciação  sexual  com a famosa  madame  Doralice, até o final  feliz do romance, à moda romântica, já casado com a auditora fiscal, Lívia Maria.
       O narrador 2, que é interno, quer dizer,  inserido numa narrativa primeira, é um  narrador-personagem, só que, agora, na condição de escritor. Este,    a partir do capitulo  XI, será incumbido de  narrar  textos extraídos  de suas obras na fase adulta e  madura. São as obras Histórias de Évora, Mitologia de Évora e Memórias. Pelo que se viu,  o narrador I, de terceira pessoa,  emprega  o recurso  digressivo e metaficcional, ou seja, a quebra do ilusionismo  realista do chamado  romance burguês do século XIX ao mostrar  que o leitor  está diante de uma história inventada, de “criatura de papel” no dizer de Roland Barthes e, por conseguinte, não referencial,  não empírica.Na realidade,  esse recurso  metaficcional ou metalinguístico,  desponta mais de uma vez  na narrativa tanto sob o domínio do narrador 1 quanto do narrador 2. Daí advertir o leitor de que os relatos  de Marcos Azevedo virão (...) em itálicos e entre aspas”(.... )  Importa acentuar que relatando, com minúcias, os saudosos  grandes  momentos de seu  passado, os seu relatos tornam-se, por assim dizer,   tanto  ficcionais quanto fragmentos de memórias do escritor. E mais: a função narratológica  do narrador 2 tem um caráter de complementaridade no conjunto do enredo do narrador 1.
        Além disso,  enquanto narrador 2,  Marcos Azevedo  se distancia um  pouco  do que  conta,  tornando, assim,  sua narrativa mais objetiva e mais   interessada em outras realidades  não  descritas nem  expostas e nem discutidas pelo  narrador  em terceira  pessoa, o que, para a engenharia do romance,  evita descambar para uma tautologia. No conjunto geral  do romance,   essa segunda narrativa (narrador 2) em alguns capítulos, conseguem chegar  a competir, em qualidade literária,  com a narrativa   primeira (narrador 1).
        A condição de Marcos ser um escritor não deixa, dessa asneira,de funcionar como um recurso metanarrativo ou metaficcional,  de vez que os textos dele, inseridos no texto maior (narrador 1), tendo como narrador central na primeira  pessoa,  segundo já frisei, são, em grande parte, narrativos memorialísticas de Marcos  Azevedo. Portanto,  os dois planos narrativos dialogam entre si posto que  indiretamente, i.e., sem fazer explícita menção à narrativa primeira.
        Não há paira dúvida de que, nos dois planos narrativos, tem-se um alter ego do autor ( e isso é muito frequente em alguns autores), sobretudo evidente  para quem, como eu,  conhece a produção literária do autor e, além disso,  mantém com ele laços de  amizade. Entretanto,  em literatura,  a realidade, esse mundo  referencial,  sofre deformação ao se  transmudar em obra de arte, ou seja,  vira a  mímesis da concepção aristotélica e não há  senão que aceitar  essa metamorfose, com toda a sua “astúcia”  na criação literária.
        Cumpre assinalar mais um recurso   narratológico de Histórias de Évora de cunho  metaficcional. Refiro-me a exemplos, ao longo do romance, considerados os dois mencionados  narradores principais, de um deles estar  reportando alguma história ou causo, fato ou acontecimento  pitoresco ouvidos ou de que tenha  tido conhecimento pela boca de terceiros, ao invés de delegarem a palavra a estes, preferem  resumir  o narrado  e manter as rédeas da narração.
        Ora,  em exemplos como  este se poderia bem falar aqui de  recurso que mantém alguma semelhança do mise en abime, [2] notadamente quando, no mesmo  capítulo se encaixam outras histórias, outras narrativas ou fragmentos autônomos de narrativas.
        Num exemplo último, no romance pude observar  que,  em alguns capítulos,  se poderia  identificar  traços de polifonia  ou dialogismo, sobretudo  quando a narrativa  se presta a introduzir  duas ou mas versões ou depoimentos  visando à   elucidação ou não  de um relato misterioso ou fantástico. São exemplares as histórias “A terra encantada (1)” (capítulo XXII) e a sua conclusão, no capítulo XXII., e “O lendário Zé Lolô” (capítulo XVIII).
      Vê-se que a composição do romance  de Elmar só aparentemente  é simples. Ao contrário,  ele exige redobrada  atenção do leitor  especializado no que se refere ao inventivo modo de  elaboração  formal  do  romance. 
       Superada essa dificuldade de natureza  teórica,  o romance Histórias de Évora vai, sem dúvida,  agradar o leitor, seja o leitor comum, mais despertado pela sequência das aventuras erótico-amorosas do protagonista  Marcos Azevedo,  seja o leitor mais exigente por outras dimensões e leituras  sugeridas  pela  obra.
     Sabe por quê? Porque há na obra um chamariz contagiante da ordem do escatológico: o lado erótico, a sensualidade, de resto, não exagerados, não resvalando para uma baixa voltagem neo-naturalista, mas não deixando de  aguçar a curiosidade e o espanto  do receptor diante de algumas cenas  do coito. Comparado a outros romances que tematizam esta dimensão escatológica, por exemplo, com  o romance Pilatos (1973), de Carlos Heitor Cony, a ficção de Elmar é  quase virtuosa. Elmar tem, na representação de cenas de sexo,  uma habilidade narrativa especial e é criativo nesse ponto.

ROMANCE DE FORMAÇÃO. Histórias de Évoras, por suas característica estruturais, é mais um romance de formação   a ser acrescido  a esta linhagem  de ficção na literatura  brasileira que já conta com O Ateneu (1888), de Raul Pompeia, Amar, verbo intransitivo (1927), de Mário de Andrade, os romances ‘ciclo do açúcar’ (1933-1937), de José Lins do Rego, Mundo dos mortos (1937), de Otávio de Faria,  e, na literatura portuguesa, Fanga (1942), de Alves Redol, Manhã submersa (1955), de Vergílio Ferreira e o ciclo de A velha Casa (1945-1966), de José Régio.[3]
      Na literatura de outras línguas, sobretudo  no alemão, onde mais se cultivou,  temos o Agathon (1766), de Wieland, e o celebérrimo Wilhelm Meister, que (1795-1796), de Goethe. Na esteira da tradição em alemão,  podem-se citar autores que cultivaram esse tipo de romance, chamado de Bildungsroman, igualmente  denominado künstleroman, como  Tieck, Novalis, Jean-Paul, Eichendorf, Keller, Stifter, Raabe, Herman Hesse. Na língua inglês citar-se-iam Charlotte Brontë, Charles Dickens, Samuel Butler, Somerset Maugham[4], James  Joyce, este último com  o  famoso  Portrait  of the artist as a young man (1916). Na França, Romand Rolland.[5]        
     O enredo dessa obra relata  a formação  de Marcos Azevedo , desde a infância em Évora, um  topônimo com ressonâncias  de Portugal, de Eça de Queirós (não é gratuito o título do capítulo  XXXI: “O crime do Padre Amaro, romance realista de Eça   com título  homônimo) passando  pela adolescência,  mocidade e maturidade e abordando   sua iniciação  sexual,   educação escolar e intelectual, sua orientação  familiar,  suas amizades,   seus hábitos  e preferências, sua  vida agitada e tórrida vida  amorosa na adolescência e mocidade, suas alegrias, frêmitos e frustrações, seus relacionamento  sociais, seu amigos mais íntimos, seus familiares, sua atividade  profissional  e, no caso dele,  sua atividade  de escritor.
      Por fim,  o seu reencontro proustiano pela memória voluntária com seus correspondentes  lugares nos quais fez o seu aprendizado sexual e – por que não? – amoroso, espaço  irremovível da suas mil lembranças de situações vividas, sonhadas, de fatos pitorescos, decepcionantes,  constrangedores, humorísticos, melodramáticos e tragicômicos.
    Lugares da sua velha e afetivamente  distante Évora, uma cidade modificada, agora, diante dos seus olhos  saudosistas, românticos, sentimentais, segundo se constata com o capítulo final da obra. Ali se narra e se descreve tanto quanto se medita o tema do ubi sunt naquela atitude de flâneur deambulando pelos antigos, decadentes  e amados lugares e tempos da juventude. Uma Évora modificada  no seu antigo traçado urbanístico com novos prédios, que substituíram algumas antigas moradias levadas pelo  progresso e pela ganância dos homens. Esse monólogo  silencioso  e elegíaco de Marcos para sempre o acompanhará até os seus últimos dias.



OUTRAS QUESTÕES  DO ROMANCE. Histórias  de Évora,  no que se propôs o autor,  se desenvolve  com uma simplicidade de linguagem, correção, um leve sabor clássico e arcaizante  de vocábulos,   moderação   no plano poético (traço corrente no conto, novela e no  romance)     desenvoltura  nas descrições e trechos dissertativos  do espaço literário, conhecimento da natureza, atilado  poder de observação dos costumes e hábitos do interior, da sua cultura, da sua história,  dos seus habitantes e da vida social estratificada. 
      O núcleo  fulcral da história - não custa  enfatizar –  a vivência e as vicissitudes de um adolescente e seus arroubos amorosos assim como sua fase da mocidade e do início da velhice em cidade do interior piauiense entre os anos 1970 e finais de 1980. O ficcionista domina toda essa ferramenta  que se faz  necessária  à articulação na escrita 
     Todavia,  a sua capacidade narrativa não termina aí e,  sob a superfície  da enunciação/enunciado, o texto literário  sinaliza para muitos  artifícios  retóricos  que só elevam  a sua  qualidade  textual.
      Quero significar aqui a riqueza de diferentes recursos  intertextuais, na obra, tais como  as inúmeras alusões a autores e poeta  de épocas diferentes, às citações de música  popular, de obras de cordel, de filmes, da época da história  narrada, assim como  as autorreferencias  de versos  do  próprio autor, as nomeações de figuras importantes  da vida cultural e literária  do Piauí ou fora dele (traços de roman  à clef ), como a referência ao próprio  nome do autor  no corpo da narrativa.
      Ora  tais riquezas  alusivas,  paródicas,  tornam o texto, em nível de leitura mais profunda  uma narrativa de amplo espectro  e alta  taxa informativa.O narrador 1 não somente  remete a objetos de uso pessoal,   usos de comunicação do tempo da narrativa, mas  inclui  também  os meios de comunicação   da atualidade, como  a internet,  os CDs,   e outras formas  de comunicação da sociedade de massa. 
    Desta forma,  a vida social  daqueles jovens das décadas de 70 e 80 do século passado é reconstruída com  rara acuidade : os lupanares, a prostituição,  sobretudo  no ápice do desabrochar  da adolescência. 
      A vida das madames de cabarés, na “Zona Planetária,”  um dos redutos de prostituição, tão bem visitada  pela poesia de  Elmar Carvalho, as carraspanas  de jovens e velhos,  as brigas  por ciúmes, as traições  conjugais, as tragédias amorosas, os subtérreos da sexualidade,   os desencantos  amorosos,  o romantismo  da época, tudo isso é pintado com fortes cores e com  fidelidade e verossimilhança nas descrições dos ambientes internos e externos  das diferentes situações  da realidade  local, da sociedade alta com seu  ricaços, seus coronéis,  seu apego ao dinheiro,  suas hipocrisias e seus preconceitos, recriadas com muito vigor.
      A passagem entre o período da   riqueza  extrativista da carnaúba  e sua decadência  é outro  ponto alto  no romance muito bem  narrada no  capítulo XXXVI, de título “E assim se passaram os anos.”  
     Por outro lado,  em  questões ideológicas na fase do final da adolescência, da mocidade e maturidade, não há sequer  nenhuma  indicação na narrativa   à fase  aguda da ditadura militar no país. Levando em conta que o personagem é um escritor, pessoa de visão, culta, sensível,  bem informada,  que produz artigos em jornais locais e, vivendo  intensamente o seu tempo, em tal contexto histórico-social-cultural, seria quase inescapável  alguma referência, posto  que velada,  aos anos duros  do regime discricionário. É bem verdade que há dois parágrafos (o terceiro e o quarto)  no romance, capítulo XVI, de título  “Gracinha”, nos quais  o narrador alude ao jornal  O Liberal,  fundado  por ele e pelos amigos    Fabrício,  Mário Cunha, Cazuza,  e outros companheiros. Contudo,  seria um  periódico apartidário, mas não dispensando  críticas aos governos federal, estadual e municipal. 
     No meio de tantos ângulos  de visão propiciados  por essa   narrativa múltipla, o que  me  encantou  como leitor foram os incidentes por que passaram  Marcos e seus companheiros  de juventude,  ressaltando-se  o Fabrício,  o Milton Ferreira, o Cláudio Bastos, o Cazuza, entre outros. E, para concluir essa já prolongada  introdução,  ficarão  também na minha memória  de leitor aquelas mulheres da vida, desde as mais requintadas até as mais  desprezadas.
       Do ponto de vista de organização dos capítulos,  julgo que o “Anexo” inserido após o epílogo, com pequenos fragmentos de um outro livro  de Marcos Azevedo, de título Outras histórias de  Évora,  escrito aos 62 anos, melhor destino teria se fosse inserido como mais um capítulo   da obra, circunstância que levaria o ficcionista a mudanças na ordem  dos capítulos. As explicações que o narrador em terceira pessoa fornece ao leitor evidenciam  seu  viés metalinguístico. Os mencionados  fragmentos descrevem a fisionomia,  os traços físicos e psicológicos  desse conjunto de tipos populares  de Évora, alguns  engraçados,  alguns excêntricos, outros dignos de piedade, alguns patéticos,  patéticos,  desse tipos  de seres, que, por seus defeitos ou até qualidades,   passam a fazer  parte da memória  urbana e do seu  anedotário. A caracterização desses  tipos populares já tinha sido  empregada por Elmar na sua  poesia. Reporto-me à seção “PoeMitos de Parnaíba,” uma seção da quarta parte do livro linhas atrás citado,   Rosa dos ventos gerais.
       Outras ponderações teóricas  e formas de leitura  deixarei  para analistas  e   intérpretes  de literatura. Para os leitores não especializados, convido-os ao prazer  da leitura  simplesmente. Porém, a uns e a outros direi   que a maior atração  na leitura    dessa  obra  foram as aventuras amorosas do Marcos Azevedo e seus desdobramentos  felizes ou fracassados. O amor nem sempre é completo na vida tanto quanto na arte literária. Com as Histórias de Évora, o  Piauí ganha  mais um  romancista. Que esta  obra encontre muitos leitores.

                         

 NOTAS
             




[1] MOISÉS, Massaud. A criação literária – poesia e prosa.. Edição revista e atualizada. São Paulo: Cultrix, 2012. Ver capítulo X: A Novela (p.334-380; Ver também  capítulo XI: O Romance, p. 381-547.
[2] MARTIN, Gray.  Dictionary of literary terms. 2nd edition, third impression, 1994,p.181.
[3] MOISÉS, Massaud., op. cit. Ver verbete “Bildungsroman”, p. 63.
[4] _______________. Op. cit., p.63
[5] GRAY, Martin. Op. cit., p. Ver verbete “Bildungsroman,” p. 43.

Bibliografia consultada:

1. AGUIAR E SILVA,  Vítor Manuel de. Teoria  da literatura, 8 ed. Coimbra: Livraria  Almedina, 2011.
2.BOURNEUF, Roland e QUELLET, Real. O universo do romance. Trad. de José Carlos Seabra Pereira. Coimbra: Livraria Almedina, 1976.
3.BRASIL, Assis. Vocabulário técnico de literatura. Rio de Janeiro:  Edições de Ouro, 1979.
4.CHALUB, Samira. A metalinguagem. São Paulo: Editora Ática, 1986
5. KAYSER, Wolfgang. Análise e interpretação da obra literária. – Introdução à Ciência da Literatura. Coimbra: Armênio Amado Editora, 1985.
6.PAES, José Paulo e MOISÉS, Massaud. Pequeno dicionário da literatura brasileira. (Org.) . São Paulo: Cultrix, 1980.
7.REIS, Carlos. O conhecimento da literatura – introdução aos estudos literários. 2. ed. Coimbra: Livraria Almedina, 1999.
8.____________.M. LOPES, Ana Cristina Dicionário de teoria da narrativa. São Paulo:  Editora Ática, 1998
9.SCHÜLLER, Donald. Teoria do romance. São Paulo: Editora Ática, 1989.
10.TODOROV, Tzvetan. As estruturas narrativas. Trad. de Leyla Perrone-Moisés. São Paulo: Editora Perspectiva, 1979.

                                                  
                                                

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Tradução de um poema de Felix Maria Samaniego (1745-18










   Um poema é relevante não  porque seja grande. Um livro tem valor não porque tenha  muitas páginas, mas  porque diz alguma  coisa que implica   uma lição de sabedoria  e de  algo  oportuno  à vida das pessoas. Eis o  poema no original,  seguido da minha  tradução. Por conseguinte, leitor,  não avalie  um livro ou um poema   porque sejam  espessos e pesados. Assim diz o ditado: "Tamanho não é documento."



                                          La mona


Subió una mona a un nogal,
Y cogiendo uma nuez verde,
En la cáscara la muerde;
Con que la supo muy mal.
Arrojóla el animal,
Y se quedó sin  comer,
   
     Así suele suceder
A quien su empresa abandona
 Porque halla como a mona
 Al principio qué vencer.

                         Félix Maria Samaniego



          A macaca

Subiu a uma nogueira  uma macaca
Uma noz verde colheu.
Ao morder a casca notou
Que ainda madura não estava.
                                    Assim,  jogou-a fora
                                     E a fome.não matou.

                                          Desta maneira,  amiúde acontece
                                   A quem abandona o que faz
                                   Porque,  tal  qual o animal,
                                   Quer logo antes do tempo  se dar bem

                                                              (Tradução de cunha e Silva Filho)

                                    

                                       

segunda-feira, 10 de abril de 2017

BRAZIL'S OVERVIEW CORNER: A STEP THAT WAS MISSING







[The Portuguese translation of this article is found at the end of  the English text}

                                             By   Cunha e Silva Filho


             I cannot see eye to eye with  Donald  Trump’s way of  ruling the United States, especially   due to  some  actions  of his towards  solving  internal  problems   of his  country, among others the question  of the  immigrants,  the  building  of a great wall  separating  the States  from  Mexico and his  unpredictable  and too exaggerated  and boisterous  declarations  about  a lot  of  issues not  adequately dealt with  seriousness,  circumstance   which has led some people  to even call him a clown. Not to speak  about  a good many  lies (not white lies)  which have been attributed to him or have been  declared by him during  his  political campaign for the  presidency of the United States.
           Of course,  his focus  on concentrating all his  efforts   to protect   the interests  of Americans, thus giving  an explicit answer to thousands of  immigrants who live in the  States  as illegal  immigrants  sounds a little bit  anachronistic  nationalistic. Such attitude on his part  will only  bring about  discontentment  in  society as a whole and a poor approval  of  his  administration .He will have to give up  some of   his   thoughtless  decisions    that will  prove  wrong and hurried.
         On the  other hand,   one has to  understand  that some  readjustments  should be necessary  so as to   correct  some past  mistakes as far as    immigrants  issue  is concerned,  mainly  nowadays  when  the world  faces a tremendous  wave of  terrorism attacks  that are being   spreading the world over.
         This difficult  moment  in the  world  history  calls for  control measures  that may  somehow  reduce  foreign   threats from  the Islamic State and  his   murderous   and  coward actions against  innocents everywhere. No truce should be given – we should emphasize - to treacherous deeds practiced by  bloodshed  and fanatic assassins.
        Putting  aside  Trump’s errors and    a lot  of  post- truths  that have their  origins  in   some of  the  president’s  public declarations, one cannot  deny  that, in the   conflict of Syria,  he did well in  bombarding  some target points of   a region to  clearly say that he is not  kidding with this civil war that seems to be dragging on  for ever.
        The dictator Bashar al-Assad has been  held responsible for the  killings of  civilians  and  opponents  alike for six years. This is a long-term  conflict that  ought to be over immediately. To do so, it is mandatory  that a coalition of   relevant  democratic   nations  be entrusted with the task of giving  solution to this  thorny  problem. A cease-fire is  as  pressing as possible; it is  a must. The Syrian  citizens   peace depends largely   on the fulfillment of this challenging   mission.
       It is not a matter of  interfering  with the so-called sovereignty of  a country, as  some analysts think, chiefly those who see the United States as invaders of countries. It  is obvious that the American  invasions in some countries   are to be  harshly  and rightly criticized, as the Iraq invasion  is a good example of a hurried  and unnecessary  invasion.
       However,  in the Syrian  civil war all possible  negotiations  have been  made together with the  support of  Security  Council of the United Nations  and other  international peace  institutions  but, so far,  with no concrete  results  that  might give a sign of hope  to achieve peace. Assad cannot think he is the owner of  a country  and have his  people  chained to his  personal  will and authoritarian  determinations.
       Syria does belong to their  people, not to  an autocracy where democratic principles   are not taken into account Therefore,  all efforts of important  world democracies should be made to overthrow the dictator as son as possible. There is no time for  putting off decisions from  democratic  nations.  This anomalous   situation  in Syria cannot  last for ever, otherwise we will be  allowing  a whole population  still  living in agony to be   wiped out from   the map. In allowing the worst to happen, we will be acting  as indirect  accomplices of a genocide.    
      This  recent  criminal     use of  sarin by Syria government  was the third one thrown at unprotected   populations  made up  of civilians, especially  innocent children It is a proof of how  savage  and unmerciful   a government can behave towards  human beings. To be exact, the use of  chemical  weapon, sarin,  happened  in Goutha, in 2013, killing 1,400 people and, in 2014, Syrian  troops used the chlorine gas in military raids.
    The use of chemical  weapons  is forbidden  during   wars, but even so,  disregarding all  international  war  conventions,  as I have  referred to lines above, it was recently  employed.
     Nevertheless, the dictator, though having become  a member  of the OPCW (acronym for Organization for the Prohibition of Chemical Weapons), in practice never  respected  its  rules.    
    I cannot forget the horror of a scene seen   on TV where a young father desperately   cried out  on seeing  his  two children dead  in his arms. The little children were about to be buried in the improvised hole dug in the  ground.
    Is it  possible  that  a man,  even  in the  condition of  a dictator, does  not feel pity on  the little ones? What world, readers, do we still  live   in that allows    these  atrocities against forlorn   children as in Syria and other   regions of  the Earth? Did we not  suffer  enough with the crimes  in the  First and Second  World wars? Is it not  high  time  we halted these   abominable   crimes? What are we waiting for   to   do  our part   in putting  an end to  this  barbarous  groups of terrorists”?
   I want to make one more   comment. In the   conflict of  Syria  we clearly have the cards on the table. We  know  Russia  is in favor of  Syria and, what  is more,  is giving  all  military support to the  dictator. So does Iran. So would certainly do China, and probably would do so   North  Korea. Being this the case,  it is  easy  to  understand that if  Russia  is defending  Syria, in my  view,  it is not for  ideological  reasons only.
   The same is true for the other three mentioned countries. Russia  is on behalf  of Syria  for  other  interests: geopolitical,  economical and hegemonic. Iran  for   military  powers  and perhaps also  for   political and  religious  principles. Iran  has for a long time being a declared  enemy of the United States.
    Then again,   what this  chessboard  points out  is the fact that  if  all these prevailing  interests  go on,  the world will be  on the   verge of  committing  madness  for a third  time and the  consequences of it are  unforeseen. 
     I would recommend the world leaders that, in case they have not read  the thoughtful warnings  of a great  man, mathematician and  philosopher,  Bertrand  Russell (1872-1970) may   they do so just following Russells’s words once  proclaimed (I’m not  quoting  his words ipsis verbis)): “There two ways to follow in another  world conflict: peace  or  full destruction.”
     


                             UMA MEDIDA  QUE FAZIA FALTA

                                                       
                                                                          Cunha e  Silva Filho


     Não  compartilho com a  maneira  pela qual  Donald Trump governa os Estados Unidos, sobretudo em razão  de algumas  de suas ações voltadas para a solução de problemas internos do  seu país, como, entre outras,  a questão  dos imigrantes,  da construção de um grande muro separando os Estados Unidos do México assim como  suas afirmações    exageradas, imprevisíveis e fanfarronas acerca de um grande número de assuntos não adequadamente  tratados por ele com maior   seriedade, fato que  levou muita gente  a chamá-lo até de palhaço.  E aqui não estou  falando das muitas  mentiras (não as mentirinhas inócuas)  a ele atribuídas ou por ele mesmo  declaradas durante sua campanha  à presidência dos Estados Unidos.
      Decerto, ao concentrar  sua atenção nos esforços em proteger os  interesses dos americanos, dando, assim,  um recado aos  milhares de imigrantes que vivem nos Estados Unidos ilegalmente, seu discurso soa anacrônico e nacionalista. Esta atitude dele    colherá   descontentamento no seio da sociedade  americana.  Tal atitude de sua parte só lhe trará  descontentamento  e  desaprovação de sua administração pela sociedade.  Ele terá que desistir de algumas   atitudes  irrefletidas   que demonstrarão   serem erradas  e apressadas. 
    Por outro lado,  tem-se que compreender que seriam necessários alguns  reajustes a fim de corrigir erros  passados no que concerne à questão dos imigrantes, sobretudo atualmente quando o mundo enfrenta uma tremenda onda de ataques terroristas que se  espalham no mundo  inteiro.
     Este momento difícil da história mundial exige rígidas medidas    controle que de alguma forma  reduzam ameaças estrangeiras conduzidas  pelo  Estado Islâmico e suas ações criminosas  e pusilânimes contra inocentes em  qualquer parte. Nenhuma  trégua deveria ser  concedida – devemos enfatizar -  a ações traiçoeiras  de assassinos fanáticos  e sanguinários.
     Esquecendo por  enquanto os erros de Trump e muitas  pós-verdades que se originaram de algumas  declarações públicas  do presidente,  não se pode negar que,  no conflito da Síria,  ele agiu bem ao bombardear  alguns  alvos de um  região no sentido de  diretamente  afirmar que não está aí para brincadeiras no caso dessa  guerra civil que parece não ater fim. O ditador Bashar al-Assad há seis anos   tem sido o responsável pela mortes de civis e de adversários indistintamente. Esse é um  conflito antigo   que precisa ser de imediato  solucionado. Para  fazê-lo  é imperativo  que  um  coalizão internacional seja  encarregada da solução desse  espinhoso  problema.  Um cessar-fogo é tão urgente  obrigatório. A paz do cidadão  sírio depende amplamente da concretização dessa tarefa  desafiadora.
       Não se trata de interferência na chamada soberania nacional, como  alguns  analistas pensam, sobretudo aqueles  que veem o Estados Unidos com  invasores   de países. È óbvio que  certas invasões Americanas em alguns países  devem ser severa e justamente   censuradas, como foi  o exemplo da invasão do Iraque, feita precipitadamente e sem necessidade.
      No entanto, na guerra civil síria se fizeram  toas as negociações  possíveis juntamente com o apoio  do Conselho de Segurança  das nações Unidas e outras instituições internacionais da paz. Contudo,  até o presente, nenhum   resultado concreto  poderia apontar para um  sinal de esperança de paz. Assad não pode  pensar que seja proprietário de seu país e ainda manter  seu povo  manietado pelas suas  determinações pessoais e autoritárias.
     A Síria pertence, sim,  ao seu povo, não a uma autocracia, na qual não se levam em consideração princípios democráticos.Portanto, todos os esforços  de importantes  democracias deveriam ser feitos n o sentido de  apear do poder o ditador. Não há mais tempo para adiamentos de decisões dos países  democráticos. Essa situação anômala não pode durar  para sempre, do contrario estaremos  permitindo que uma  população inteira  ali ainda vivendo em aflição seja  apagada do mapa. Ao permitir que  o pior  possa vir, estaremos  agindo como  cúmplices indiretos de um genocídio.
    O recente emprego do sarin (pela terceira  vez) agora usado em bombardeios pelo governo sírio sobre  populações indefesas compostas de civis, especialmente crianças é uma prova de quão selvagem e  inclemente se mostra um governo com respeito aos seres humanos. Para ser preciso, o uso desta arma química ocorreu em  Goutha, em 2013, ceifando 1.400 pessoas e, em 2014, tropas sírias utilizaram  cloro com gás em  excursões militares.
      O emprego de armas químicas é proibido durante guerras, mas, mesmo assim,  desconsiderando todas as convenções internacionais de guerra, foi recentemente usado, conforme me referi acima. No entanto, o ditador, posto tenha se tornado um membro da OPCU ( acrônimo da   Organização  para a Proibição de Armas Químicas), na prática,  nunca  respeitou seus regulamentos.
    Não posso esquecer  a cena de horror ao ver na TV um jovem pai desesperadamente gritar pelas suas  duas criancinhas mortas nos seus braços.As criancinhas estavam  prestes a serem  enterradas num buraco cavado  no chão.  De repente vêm-me à mente algumas  perguntas: È possível que um homem, mesmo na condição de ditador, não sinta piedade destas criancinhas? Em que mundo, leitores, ainda   vivemos que permite estas atrocidades contra crianças  indefesas como na Síria e em outras regiões da Terra? Não basta o que sofremos com os crimes  nas duas Guerras  Mundiais?  Já está n a hora de pararmos com estes crimes  abomináveis. O que estamos esperando para fazer a nossa parte  a fim de pôr um ponto final a estas ditaduras  e a grupos de terroristas?
     Desejo fazer mais um comentário. No conflito da Síria as cartas claramente estão na mesa. Sabemos que a Rússia é pr—Síria e, o que é mais,  está dando todo  apoio militar ao ditador. Da mesma forma o Irã. Da  mesma forma certamente a China, e provavelmente a Coréia do norte, Sendo assim,  é fácil  entender que se a Rússia defende a Síria, na minha visão,  não é por apenas razões ideológicas.
    O mesmo  diria  para os outros três mencionados países. A Rússia apoia a Síria or outros interesses: geopolíticos, econômicos  e hegemônicos. O Irã por poderes  militares e talvez por   princípios religiosos, Este país há muito é tido como  inimigo dos Estados Unidos.
     Por outro lado,  o que  este tabuleiro de  xadrez sinaliza é o fato de que , se  todos estes  interesses  prevalentes persistirem,  o mundo estará à beira de  cometer uma loucura. Por uma terceira vez e com consequências imprevisíveis.
    Minha recomendação dirigir-se-ia aos líderes mundiais que, na hipótese de não terem  lido as sábias  advertências do grande homem, matemático e filósofo Bertrand Russell (1872-1970), que possam fazê-lo. Não estou citando-o ipsis verbis: “ existem dois caminhos caso  haja um outro  conflito mundial:  paz  ou destruição completa.”

terça-feira, 28 de março de 2017

VOLTO AO ASSUNTO: A CRIMINALIDADE BRASILEIRA



      



                                                  CUNHA E SILVA FILHO


           É um truísmo ouvir-se de alguém conhecido ou não, com certo enfado e ojeriza,  afirmar que não mais lê seções de  jornais sobre crimes,  nem assistir a programas na TV filmes que   abordem a questão da violência, os horrores  de homicídios, latrocínios, assaltos à mão armada, estupros, feminicídio e outras  perversidades dos tempos atuais.
          No meu juízo,   pessoas que pensam desta  maneira   estão erradas  visto que, agindo assim,  só concorrem  para que  providências não sejam  tomadas para, pelo menos,  a sociedade  repensar  em profundidade as razões   pelas quais  o nosso  país  anda atolada na barbárie  cotidiana  desses males   que não escolhem  vítimas pelo sexo,  pela etnia,  por religião, por nível social ,por nada.  Matar,  roubar,    é o objetivo   maligno desses indivíduos.
       O caçador selvagem  ataca todos sem  dó nem piedade Comportam-se como  feras e predadores  irracionais,  prontos a darem o bote  fatal e covarde.  Poucos brasileiros de todas as idades  não foram, um dia,  vítimas da sanha  desse  monstros  sociais, alguns psicopatas. Matam  trucidam,  decapitam  e destroem  vidas inocentes de quem nunca lhes fez mal.
       Há muito passou a hora de as autoridades federais,  estaduais e municipais se compenetrarem  que  o mal  está  tomando proporções titânicas pela altíssima frequência  de  mortes  cruéis em nosso  país, tanto nas grandes cidades (Rio de Janeiro, São Paulo, carros-chefe de nossa  criminalidade) e quase, senão  todas as capitais, quanto nas pequenas  cidades e até nas zonas rurais.
       A metástase da criminalidade  brasileiros vai  destruir  o tecido social  do país se medidas  rígidas e definitivas   não forem   tomadas. Nem mesmo    tempo de se considerarem componentes  religiosos que, por princípios,  rejeitam  sentenças  e condenações  mais   inflexíveis   como  a prisão perpétua  ou a pena de morte  para criminosos  de  grande periculosidade e para  criminosos e assassinos  que  matam  pessoas  de forma banal,fria  e animalesca.
        A impunidade  do sistema  penal   brasileiro  é responsável  pelo estado  de  guerra  de bandidos contra a sociedade. As pessoas  não mais têm respeito  por  autoridades  que se ocupam da segurança   pública uma vez que sabem antecipadamente que  o homicida vai preso e logo  sai  da  penitenciária a fim de cometer mais  crimes contra os indefesos.
       Além de desfrutarem de regalias  imperdoáveis  e insustentáveis como: diminuição da penalidade,indultos,  liberdade   condicional,    bom comportamento    e a execranda  invenção e implantação  da  nefanda  “prisão domiciliar.”    Nem  me dei ao trabalho de  pesquisar  de onde surgiu essa ideias estapafúrdia  de prisão domiciliar que  a meu ver,  só serve para  acobertar  benesses  penais  às elites    criminosas.   
        Assim também  é o chamado  uso da tornozeleira eletrônica   empregada para  criminosos. Ora, criminosos é criminosos e o lugar  apropriado deles é a prisão, a cadeia,  a  masmorra,   ver o quadrado. Mordomias   para  detentos   ladrões  é uma   excrescência e um  absurdo  penal, um erro  jurídico  imperdoável.
       A sua continuidade só servirá para  exacerbar  a escalda  de crimes praticado  em  todo o território nacional.A selvageria  criminosa  criará sérios  problemas para nós todos  que  nascemos  nesta  pátria amada  e tão esquecida   pelos  instituições e órgãos  responsáveis  pela segurança  do cidadão  que trabalha e concorre para o desenvolvimento  do Brasil em todos os setores.
      A violência  assim  tão entranhada em solo  brasileiro   configura um crime de lesa-pátria, um   caso  atípico  a ser  imediatamente   tratado e equacionado e reduzido  pelos muitos  meios  e logística da   Segurança  Nacional.   Há, sim, uma guerra civil às avessas em nosso país: a guerra de criminosos  contra uma  população  irmã,  desarmada  e refém de todas  as brutalidades    que se possa  imaginar. 
      Só com   a eliminação da impunidade  criminal é que irá este país afastar  bem para longe   os escroques, os meliantes,   os mafiosos,  os grandes   gângsteres de “white collars” ou das favelas. A Lei Penal  deve ser igualitária: não condescender com   monstros inimigos da  paz social,da  alegria do povo,  da segurança  das famílias  deste país.
    Os crimes crescem tanto que chegará um tempo em que o turismo  sofrerá  um  queda  inimaginável por mais que  as agências turísticas  tentem dourar a pílula. E o turismo  é um dos  fatores determinante  da economia  nacional.
     E, para  finalizar,  a criminalidade em nosso país é algo  muito entrelaçado,   no imaginário  popular, com  a violência da politicagem  brasileira, notadamente nos últimos  quinze anos  aproximadamente.
     Elas, muitas vezes,  se embricam e se confundem e por isso  se uma não vai bem,  a outra igualmente não vai  bem, i.e.,  se a política é mal  exercida e é  corrupta,  a violência tende a ser mais  solta e mais perversa.
        Os criminosos da base da pirâmide e de outros extratos sociais dirão:  se eles, lá no Parlamento, lá  no Alvorada,  lá nos tribunais fazem  muito mal  a nós, por que não vamos  fazer o mesmo ou pior e, além disso,  temos, ao nosso lado,  a impunidade, que se torna natural,  uma banalidade, um pensamento único, um jeitinho  brasileiro de tratar  os grandes males e perversidades   da nossa  sociedade. Essa aporia, que nos apresenta dois aspectos da   triste e combalida realidade brasileira,  deve ser meditada em profundidade  pelos homens de bem desta Nação.