sexta-feira, 19 de julho de 2013

Tradução do poema "Because I Could Not Stop for Death," de Emily Dickinson (1830-1886)-





Because I Could  Not  Stop for Death


Because I could not stop for Death—
He kindly stopped for me—
The Carriage held but just Ourselves—
And Immortality.

We slowly drove—He knew no haste
And I had put away
My labor and my leisure too,
For His Civility—

We passed the School, where Children strove
At  Recess—in the Ring—
We passed the Fields of Grazing Grain—
We passed the Setting Sun—


Or rather—He passed Us—
The Dews drew quivering and chill—
For only Gossamer, my Gown—
My Tippet—only Tulle—

We passed before a House  that seemed
A Swelling of the  Ground—
The Roof was scarcely visible
The Cornice—in the Ground—

Since then—‘tis Centuries—and yet
Feels shorter than the Day
I first surmised the Horses’ Heads
Were towards Eternity—


Porque não poderia temer  a Morte

A morte temer   não poderia
Já que amavelmente à minha  espera  estava.
Na Carruagem lugar havia só pra Nós duas
Mais a Imortalidade.

Vagarosamente, andamos. Ela, sem  pressa.
Para trás  igualmente, intactos,  deixei
Trabalho e diversão
Só para a  Gentileza atender.

Pela  Escola  passamos, na qual Crianças competiam
No Recreio – no Pátio
Campos e Pastagens  de Cereais atravessamos.
O  Poente  passamos.

Ou melhor: Ele por Nós passou.
Trêmulos e friorentos  surgiram  os orvalhos.
Só um Leve  Vestido trajava
Com uma Echarpe de Tule.

Estacamos  diante de uma Casa que  semelhava
Um Inchaço do Chão.
Mal lhe víamos o Telhado.
No Chão,  uma Cornija

Dali em diante – durante  séculos, contudo,
Mais curto que o Dia  tudo parecia.
Desconfiei logo de que as Cabeças  dos Cavalos
A caminho  estavam da Eternidade.


                                                                   (Trad. de Cunha e Silva Filho)

3 comentários:

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  2. Infelizmente, meu caro Renan, eu não posso concordar com V. que, ao contrário, da minha interpretação, tresleu o poema.
    Ora, a situação do "eu-lírico em diálogo com a Morte não é a de "esperar" a Morte. Muito ao contrário, é a de não "temer" a Morte, não "rejeitá-la. Por conseguinte, é o contrário do que V. supôs.
    A voz lírico (o poeta, ) lembra até, mutatis mutandis, aquela cena caseira de um poema de Bandeira, em que o poeta se encontra e, se por acaso a morte o viesse arrebatar, tudo estaria nos seus devidos lugares: a mesa posta etc etc. É o que se dá com o poema em tela.

    Lembro-lhe que o meu convívio com a língua inglesa não é de desprezar. São em torno de 50 anos. Isso é mais do que tempo para me sentir bem à vontade de não cair na desleitura em que V., apressadamente se meteu.

    Por que não me apresenta um tradução que seja melhor do que a minha feita por V. mesmo, de vez que se arvora em analista de poesia em língua inglesa?

    Enfim, não poderia acolher a sua sugestão que, de algum modo, me serviu para fazer uma ligeira alteração no título, ao empregar, com maior eficácia, o verbo "temer".

    Cunha e Silva Filho

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  3. Eric Alcalainovembro 20, 2016

    Gostaria de ser mais capaz de entender os poemas de Emily Dickinson no idioma original. Creio entender bem inglês, mas ainda está aquém do vocabulário dos poemas, e do próprio enigma que são.
    Aprecio muito que tenha publicado uma tradução para os que gostamos da poetisa! Um forte abraço!

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