segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

O PAÍS DAS DISPARIDADES

                                   


                                                                        Cunha e Silva Filho



          Não pense o leitor que eu tenha alguma pretensão ou veleidade de ser um analista  da realidade brasileira como se fora um cientista político, um sociólogo,  um historiador ou um pensador. Ao meu texto simplesmente aplicaria a classificação de  gênero crônica, ou artigo de opinião. Nada mais do que isso. Meu texto  não está  repleto de quadros  estatísticos,  de porcentagens, de  gráficos,  de pesquisa  de campo,  de embasamento teórico com a sua terminologia própria e  o seu jargão técnico girando em torno de uma hipótese de trabalho. Seria, antes uma conversa (escrita) com um  leitor indeterminado, um leitor geral, em bate-papo  descontraído  e salutar, quiçá se aproximando (me perdoe a indevida comparação) de um “resmungo” à Ferreira  Gullar (1930-2016) ou à Carlos Drummond de Andrade (1902-1987). 
          Se falar do título até diria que me inspirei numa nota  aposta a uma reportagem  de um   jornal  de ampla circulação.  Meu texto apenas quer se comunicar claramente com  alguém,  ou algum leitor que, por acaso,  me venha a ler e que, talvez, nem me conheça  bem.  A minha intenção, contudo,  é boa e não fará mal a ninguém, a menos que seja uma pessoa  extremista ou radical em questões  da realidade social  do país.
      Imitando uma ficha  de dados sobre um autor  analisado, apresentada por um  eminente crítico literário  brasileiro, que, agora,  anda um pouco afastado  dos arraiais literários ou acadêmicos, veja o que  mostro na  ficha abaixo: 

Brasil: pais de dimensões continentais;
População:  muito populoso, com um crescente   contingente de  idosos;
Língua oficial: língua portuguesa;
Classes sociais:    miseráveis,  pobres,   classe média baixa (difusa, a bem dizer, de difícil classificação),  média, média alta,  elite  econômica (alta burguesia), bilionários;
Níveis de escolaridade: analfabetos,  analfabetos  funcionais,  semiletrados, letrados,  altamente letrados (um parêntese: no  ensino da matemática,  o rendimento nacional se mostra  pleno de “disparidades”:  escolas com baixo rendimento em matemática, em contraste  flagrante com  escolas públicas (poucas) e privadas com alto rendimento  nessa disciplina. Se, porém, olhar-se   para o grupo de elite (no sentido cultural) no  desempenho da matemática,  vê-se que o Brasil,   contraditoriamente,  se alça, dentro dos parâmetros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a uma  posição    que já ombreia com os países com  o altíssimo  nível da União Matemática Internacional. Quer dizer,   o país  revela ser um mosaico  que vai  dos baixos níveis da educação mundial ao mais alto nível dos países  de economia  avançada.
Maiores problemas: corrupção política,  violência crescente, tráfico de drogas e de armas pesadas,  facções criminosas, dentro dos presídios e fora deles, sobretudo nas capitais do país.
     
    Ora,  tal estratificação sóciocultural, agravada pelas suas mazelas,  dá o que pensar e ainda torna mais  contraditória e complexa  a situação anômala do Estado  Brasileiro. Diante dessa   complexidade  de modos de ser de uma nação, é fácil de entender por que o pais não cresce harmoniosamente nos setores mais  vitais  a fim de que  se alcance  um melhoria significativa  que nos conduza a um  bem-estar   mais igualitário, mais humano, mais justo. Está aos olhos de quem tem experiência  que  o Brasil é vítima  de uma  perniciosa  concentração de renda, onde uns poucos vivem  como   qualquer rico de um pais adiantado ou não.  E tal concentração tende a aumentar à medida em que  os ventos  do capitalismo  global soprem com  a rapidez e fúria devastadora. 
       A avidez do lucro e da mais valia, da reserva de mercado  pandêmica nada deixam de pé na sua passagem  em busca   do lucro  e da acumulação de riqueza  unilateralmente. Da pobreza alheia dos anônimos, sempre desavisados  e inconscientes,  nasce a opulência dos  tycoons.   A riqueza não é subjetiva, mas é dura   qual  uma pedra. A objetividade é a sua falta de limite mais perseguido.
     Neste contexto  social  é que  o país  se situa  e define  o que  seja melhor  aos plantonistas dos  poderes  político e  econômico. Neste mesmo contexto é que os destinos da nação são traçados a peso de ouro (ou de propina deslavada e cínica).
    Ao mesmo tempo em que o país  está bem adiantado na burocracia  federal,  estadual ou municipal altamente  informatizada e,  por conseguinte,  controlando  todo os passos, por exemplo, dos servidores  públicos,  em outros setores também  públicos  tudo está mal  administrado,  mal gerido  e suscetível  de desvios  de verbas, peculatos e corrupção ativa ou passiva  crônicas, a despeito  de algumas vitórias  do Ministério Público e da Polícia Federal, os setores  como educação,  segurança, saúde e transporte estão, no geral,   deixando  ainda  muito a  desejar  no que concerne a benefícios sociais  prestados  ao  contribuinte  pelo  país afora.
     Afirmar-se, pelas mensagens de governantes, que o país está saindo  do sufoco  da recessão, que o consumidor está comprando mais e que a economia está retomando seu  rumo certo é uma meia-verdade,  porquanto ainda há muito que caminhar  na direção das correções cabíveis, a começar   das ações do próprio  governo federal que, à outrance,  teimam em  modificar  a Previdência Social sem  consultar  a população brasileira e sem um amplo debate entre ela e o governo.    
     Quando  um autoritário  e   soberbo  relator  do projeto de  reforma  previdenciária admite  em público que o país tem uma contingente   significativo de  idosos e nestes  em parte  põe a culpa  pelos  desatinos  do perdulário  governo  federal, ele está  desrespeitando  essa faixa  de aposentados que não tem  nenhuma responsabilidade  pelos  desastres   da administração   Temer e dos governos que  o antecederam. Ao contrário,  os aposentados do governo  federal foram penalizados com uma espécie de confisco obrigatório,  que foi o desconto, na folha de pagamento dos servidores, do que chamam de  “contribuição para  seguridade social  de aposentadoria,”  ou seja,  os servidores, que já descontaram  tanto no período  ativo,  quando aposentados,   sofreram essa redução compulsória nos seus vencimentos. Lembro, a propósito,  que  esse desconto para a seguridade social,  foi  efetivado no  bondoso governo  Lula.
    Enquanto o pais de contrastes   e, por tabela, de  desigualdades e injustiças, vai tecendo sua teia mefistofélica e draculiana de arbitrariedades e desídias  administrativas, a sociedade, cindida em vários sentidos, vai vivendo sua dolce vita felliniana dentro das divisões  firmemente  impostas  pelos donos do poder continuamente  realimentador    do status quo   desigual e  autoritário e com aparência de fazer  os tolos  pensarem que  tudo se está   mudando para o bem geral da nação  e do seu povo   “cordial” e pândego. 
   Em outras palavras, excetuando os miseráveis que nada podem,  os ricos continuarão ainda mais ricos e a classe média lato sensu se endividando  pelo  canto de sereia do consumismo,  vão, como podem, aguentando o tranco e eu a me lembrar dos versos do poeta da saudade: A vida é uma girândola  na alvorada/ao retinir dos   guizos de vidro da Folia/Evoé⁢ Evoé!⁢
    
  



domingo, 21 de janeiro de 2018

DONALD TRUMP NA PRESIDÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS

                                          


                                                                       Cunha e Silva Filho



     Como no Brasil, a sociedade  norte-americana está clivada. De um lado  os que  apoiam o governo  Trump, os nacionalistas, os racistas, os preconceituosos, os  inimigos dos imigrantes, até daqueles que já constituíram famílias nos território americano. De outro lado,  os seus adversários que, junto às vozes dos  imigrantes,  desejam  viver num país aberto  e democrático. Trump fez um ano de sua   desastrosa  administração  questionada  por muita gente  fora dos Estados Unidos, que não aprova nada do que tem feito  o trapalhão Trump (aliterei  sem querer).
    Praticando  um  nacionalismo estreito e    perigoso – haja vista o ameaçador período de Guerra Fria após o final da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) vivido entre russos e americanos -  e tendo  sua  vitória   envolvida  com uma suposta  ajuda   do governo  russo temperada com  espionagem e traição, o que, por si só, soa estranhamente   mal a um país que nunca  foi  tão  próximo  da política  russa, Trump, nesse  breve período de (des)governança, tem infernizado   a vida   de muitos americanos, sobretudo  de imigrantes.         
   Trump, que não tem  preparo intelectual e político  algum  para ser presidente de uma nação do porte dos Estados Unidos, tem tudo feito para desagradar grande  parte dos americanos natos e dos imigrantes, agora chamados de dreamers (sonhadores)  lutando, a todo custo,  a fim de  permanecerem  no país  que já teve  grandes e  honrados presidentes, como, só para mencionar um exemplo,  o grande Abraham Lincoln. Como o nível de presidentes  americanos caiu tanto ao ponto de  levar ao posto mais  alto da nação um  magnata,  xenófobo,   sem perfil  para exercer  a função  a que o alçaram   para a infelicidade  de tantos na América!
 Desejando, sem responsabilidade, desconstruir   algumas conquistas sociais  alcançadas por  Obama, sendo a mais badalada  o  sistema de plano de saúde universal, beneficiando, assim,  os mais  desfavorecidos,  Trump tem-se distinguido apenas por  atitudes  e ações  impensadas e desconexas. Um jornalista brasileiro  com razão  já o comparou a uma criança. Eu diria a uma  criança  mimada, cheia de caprichos que parece estar brincando de presidente para  motejo dos povos civilizados.  
   A meu ver, Trump governa de improviso, atabalhoado, sem direção, ou melhor,  em direções  perigosas, diz  besteiras,  usa de fake news nas redes sociais e tem  projetos mal formulados  que só agravarão ainda mais  a imagem dos  Estados Unidos  mundo afora. Não vejo muito futuro no seu mandato a menos que dê uma guinada  saudável abdicando de seus  planos  controversos  e  prejudiciais ao povo. Diria: ainda é tempo, Sr. Presidente,  de  começar  seu  governo  from  scratch, voltando a   sua atenção à convergência e não à divisão de uma sociedade multifacetada  como a americana.
    Sua ideia de construção de um muro separando (modelado  a  ideias nazifascistas do Muro de Berlim, o “Muro da Vergonha”)  o seu  país do México é estapafúrdia e vai na contramão das conquistas  de direitos humano  dos  tempos atuais tão necessitados de paz, união e solidariedade entre os povos.
    Não pense que,  insuflando a divergência e a desunião da sociedade americana  vai  conseguir  realizar  uma administração boa   que possa tornar  o EUA uma nação acolhedora que trate  os imigrantes e os estrangeiros  de forma  civilizada, com respeito e dignidade, não  revistando  pessoas  só porque não sejam  brancas, de olhos azuis e cabelos lisos.
    O Sr. não vai  colher bons frutos de seu governo  chamando nações mais pobres  de países "de merda." Nada disso,  é pela compreensão  que o Sr.  vai  unir os  americanos, quer   os adeptos de suas ideias  nacionalistas  e retrógradas, quer   os que  estão a favor  de uma sociedade  mais igualitária,  não aquela com  que  conduz a sua vida de  milionário e capitalista   empedernido.
   Trump não deve perder  de vista aquele velho   lema  que dizia ser os EUA the land of  opportunity (terra  da oportunidade). Obama governou o país  numa direção bem mais democrática e com  objetivos   centrados  nos mais humildes e numa nação  mais humana. Ele próprio, sendo o primeiro  presidente negro,  foi exemplo de que os americanos   também  são contra qualquer forma de apartheid. Tal demonstração dos americanos é prova inconteste de que esse povo empreendedor historicamente tem um passado   de que seguramente se orgulha.
   Se Trump conhecesse as biografias de um George Washington, de um  Lincoln, de um Jefferson, de uma Benjamin Franklin, de um  Franklin Delano Roosevelt  certamente  teria  uma visão  séria,   madura  e responsável  da qual tiraria  lições de como  conduzir  uma nação com acerto, com  espírito democrático e com a aprovação da grande maioria do  povo americano.
 Todavia, Trump não quer uma biografia  honrada, reverenciada  e  aclamada  livremente  pela  nação,  cuja índole é ter sido, até agora,  democrática.   
  Expulsar  aleatoriamente  imigrantes  que há tanto tempo  moram  no pais,  prender   autoritariamente  pessoas  com aparência de  imigrantes,  infelicitando tantas famílias bem formadas e adaptadas às leis americanas,  pessoas que  já deram  sua contribuição ao progresso dos EUA  não é a maneira  justa e  democrática de tratar  imigrantes.
  As passeatas,  manifestações contra o autoritarismo do governo Trump são sinais evidentes de que ali não estão  pedindo   algo  que tipifique   qualquer  infração  à Constituição  dos EUA. 
   Reivindicam  esses imigrantes apenas o que  por justiça lhes cabe  reclamar: o  direito e a vontade de viver  na América, alguns com filhos já fluentes em inglês e  com  hábitos  adquiridos  por qualquer americano  nato e branco.   
  O presidente Trump deveria ter em mente  que não se governa apenas para os  ricos e os influentes.  A sociedade, embora com níveis de renda  diferentes, segundo   o sistema capitalista, nem por isso deve   cair no erro   imperdoável de  tratar  com desprezo os imigrantes. Além disso,  os EUA  são  historicamente um país de imigrantes e é por essa razão  que Trump deveria, se quiser continuar no poder,   mudar  suas  posição  de  considerar  o estrangeiro, o de fora como  se todo  mundo  fosse terrorista,  bandido  e cidadão de segunda categoria.  
 

  

sábado, 13 de janeiro de 2018

O GOVERNO FEDERAL E A OPINIÃO PÚBLICA: O CASO BRASILEIRO



                                                                Cunha e Silva Filho


      Nem é preciso  ser economista  ou cientista  político para entender a situação ambígua  e  penumbrosa da realidade  nacional. Aqueles dois  especialistas, o mais das vezes,  antes complicam  do que informam claramente  o que se  passa  no  país  chamado  Brasil. Inclusive, assim fazendo,  não falam  ao povo na linguagem que  este  possa compreender. Usam, em geral,   um discurso  técnico, no qual a subjetividade (tão por vezes  fundamental na comunicação na relações humanas)  cede lugar  proeminente   à neutralidade e frieza  dos pontos de vista  político-ideológicos. O que lhes importa, sobretudo para os economistas, são as equações,  números,  cálculos e estatísticas. A felicidade de uma Nação não se mede pela bitola   da riqueza de poucos em detrimento  da  desigualdade  da maioria. A felicidade  de uma país  é consequência de um  governo  regido  pela ética  e  pelo  bem-estar  coletivo. Não pelas recorrentes e cínicas  falcatruas  de  políticos nem pela impunidade, nem  pela propaganda  milionária, usando  dinheiro  do contribuinte,  enganadora    e lesiva  à sociedade.
     Sou da área de Letras e com muito orgulho porque, ao me decidir  sobre o que pretendia da vida,  já sabia    que,  a despeito de todos  os  grandes óbices   encontrados no próprio campo dos estudos literários, no meio literário, tanto dentro dos muros  acadêmicos quanto   na vida cá fora, no cotidiano  brasileiro, só me sentiria  feliz e  relativamente realizado. Esta nunca será  plena e tal  raciocínio se estende  ao ser humano em geral.
      Por essas premissas  é que costumo ouvir a voz das pessoas de  diferentes níveis  de escolaridade,   as conversas com um e outro, em lugares diversos: supermercados,  bancos,  filas,  o somatório das informações da imprensa, editorais,  artigos de  bons colunistas e cronistas, programas  televisivos, entrevistas,   os papos com  conhecidos e amigos e, last but not least,  a minha  longa  experiência docente. Ah, faltou  outra aliada para o entendimento do meu país: a literatura  brasileira em todos os gêneros, as leituras em  outras áreas do conhecimento  humano e o que aprendi  com o passar dos anos.
     Equipado com  todo esse background,  me sinto   preparado a enfrentar  os debates   sobre   questões  cruciais e emitir minhas opiniões sobre  temas  que me   chamam  a atenção.  Opiniões  que podem  ser  divergentes    para muita gente,  porém  que refletem   o meu jeito de ver  e entender  o que me cerca social, politica e culturalmente.
    Desta maneira,  não estou  feliz com o que  ocorre com o atual  governo  federal nem com  os governos   mais recentes, em muitos aspectos desastrosos ainda que aclamados  por tanta gente  letrada e de bom caráter, alguns até amigos.
     A maior pendência(pândega?) política atual  é a tal   reforma  previdenciária. Diante do tema, me pergunto: “qual foi o fator determinante  para que  essa reforma  se tornasse  assim tão  vital  ao país? Não seria mais  acertado e  urgente se responder  por que  o Brasil  chegou  a essa  situação  de desespero financeiro? Me respondam, então,  os  políticos. Por que há uns 15anos não se fez nada   para deixar que  o problema   de ajuste fiscal  chegasse  ao nível supostamente   ameaçador?
     O governo  Temer  quer,  por força  de  compra de  votos  de parlamentares  sem  espírito  público, que   somar  votos suficientes  de partidos aliados  a fim de  que  a reforma  da previdência  seja aprovada?   Não seria o caso de se  indagar   por que governos recentes  seguidamente  gastaram perdulariamente   o que não podiam  e, agora,  vêm  posar de salvadores  de um país   que maltrata  a sociedade e principalmente  os mais   desafortunados? Temos nós como  povo   que pagar  por toda a  ilícita gastança rabelaisiana,  sobretudo do Executivo e Legislativo.  Não, Sr.Temer, não é assim  que a banda toca. Não me venha  afirmar  que   o funcionalismo federal   tenha  que  pagar  pelo pato das mordomias nababescas   que  o governo federal  usufrui com voracidade. Há limites,  Presidente,  para tudo, até para o cinismo que pratica às escâncaras e sem nenhum constrangimento de parlamentares.
     O fato de o Sr.  determinar,  através do  frio e calculista atual  Ministro da Fazenda,  o congelamento dos  salários dos funcionalismo por um ano  ou dois, além de injusto  é perverso tendo em vista que o custo de vida  tem aumentado   sem dó  e maltratado  o bolso do barnabé. Veja que o seu governo, assim como  outros   que  o precederam,   determina, pela agências federais,  o  constante e alto aumento  dos remédios,  dos planos de saúde,  dos vorazes  impostos embutidos  na compra de qualquer item  de produtos vendidos, das tarifas   diversas (gasolina,  gás,  etc.).  Isso, no mínimo,  é outra maldade  de seu  governo. 
    Tudo, no comércio, na indústria e em outros setores de negócios está   aumentando  de preço. Enquanto isso, é forçoso reiterar, os salários dos servidores  federais, combinado  com  os estaduais e municipais, permanecem  imobilizados. Isso  é uma insensatez.
     Por outro lado,  na televisão  pipocam  as mentiras  governamentais  gastas a peso de ouro, tão  nocivas  e  inoperantes quanto  as chamadas  propagandas     eleitorais obrigatórias com seus discursos   demagógicos  e que não mais convencem   espectadores   conscientes.
    O bem-estar  dos palacianos  não é o da  população  miserável  deste país   com  futuro sempre  adiado. Brasília politicamente deu as costas  para  as vicissitudes  por que passa   o  nosso  povo. Pagará caro  por isso.

    Estejam certos  os governantes  do país  de  que  “Água mole em pedra dura tanto  bate até que fura.” As eleições de 2018, de alguma forma,   mostrarão  a esses  políticos que o pais com a Internet  e as  redes sociais,  com  os  vídeos  viralizando   pelo mundo  afora,  mostrando como se  comportam  governantes, ministros,   deputados, senadores, prefeitos e vereadores é outro e menos  ingênuo. Os eleitores  serão mais cautelosos,  pensaram  duas ou mais vezes antes de darem  o voto  e é nessa fase  de  corrida  aos mandatos que a porca torcerá o rabo. Quem viver,  verá. 
A voz do povo – diz a velha  expressão -  é a voz de Deus; todavia,  no caso brasileiro,  tem sido, infelizmente, a voz de um presidente   denunciado pela  Polícia Federal e Ministério Público.  O Sr. Temer quer ficar na História  brasileira  como  o "salvador da  Previdência Social" com  um  séquito de  bondosos  ministros, todos eles amigos do  povo...

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

ENTRE O "CÉU" E O "INFERNO"

                    


                                                                                     Cunha e  Silva Filho

   O mês de dezembro transcorre com duas comemorações de grande importância no calendário ocidental: o Natal e o Ano Novo. Na primeira, celebra-se o nascimento de Jesus Cristo, fundamento do cristianismo; na segunda, festeja-se a abertura de um novo ano  deste segundo milênio. Ambas as datas mexem muito com os nossos sentimentos, nossas emoções,  nossos  desejos,  nosso empenho de confraternização, de novos projetos,  como se fora mesmo   uma nova  vida, com uma expectativa de que seja melhor do que a do ano  que se finda. 
   No mundo globalizado, mudanças se fizeram  com as comunicações  relacionadas ao cumprimentos de Natal e Ano Novo: em vez dos consagrados e tradicionais  cartões de Natal sempre combinados com  os votos de um Feliz Natal e Feliz  Ano Novo,  os quais  estão praticamente   fora de circulação, vindo a diminuir  a venda de cartões  e  os gastos com  o envio  pelos Correios,  entraram  em cena as redes sociais, quer pelo computador, quer  pelo celular ou  outro aparelho do universo  virtual. Acredito que vieram para ficar.
   Aqui me lembro de, nessas datas, procurar os endereços das pessoas queridas nas agendas ou em outros lugares já um tanto  esquecidos  a fim de, nos novos cartões, passar um bom tempo, ainda que cansando a munheca,  escrevendo à mão mensagens criadas no  instante da escrita, pequenas, médias e longas em tom  afetuoso  e até mesmo  lírico, dependendo do grau  de maior ou menor  amizade. Entretanto,  posso afirmar que os velhos cartões de Natal e Ano Novo  ainda me deixam um travo de  saudade. O lucro dos Correios sofreram prejuízos  com  a quebra do hábito  dos cartões. As mochilas dos carteiros  perdera  também peso.
    O leitor, até aqui,  deve estar se perguntando ou me perguntando se tudo o que escrevi  acima tem a ver com o título desta crônica. Tem e o fio do novelo  se concentra em  volta dos festejos natalinos  e do novo ano, 2018. Explico-lhe a seguir.
   Já há algum tempo  venho repisando que a realidade  social brasileira persiste em ser múltipla  e resistente  a mudanças para melhor. As modernidades (Eduardo Portella)  continuam fortes e firmes. Nenhum sinal  de melhoria da estrutura  do Estado brasileiro. Ao contrário,   na essência,   permanece como sempre esteve  e ainda pior nos últimos anos   para quem  toma consciência do que  acontece no país  em setores vitais   a uma Nação que não  se corrige, porém  mantém-se sólida na resistência férrea de dividir  o  bolo de suas riquezas  com o povo, rigidamente  clivado em  classes que vão dos milionários – uma minoria  a quem cabe  as benesses e o paraíso brasílicos -,  aos miseráveis e analfabetos  que  chafurdam no lodaçal  dos barracos  sujos e fétidos  das favelas dos morros e dos casebres insalubres tanto nas grandes cidades quanto  no interior do país.  Ou seja, os pobres continuam  pobres e os ricos se tornam ainda mais ricos segundo o binômio concentração versus  miséria, agravado ainda  com o pior  problema que enfrenta a sociedade, o da violência galopante e sem precedente  tomando conta  do território nacional e sem perspectiva de solução. A esses problemas  se adicionam a ruína  da saúde pública, a falência de alguns estados  brasileiros, sendo o pior deles o do Rio de Janeiro e, para complementar o quadro  da tragédia,  a corrupção deslavada  no seio  da política  brasileira.
   Ao falar de “Céu” e “Inferno” quero  aludir  ao descompasso  do cotidiano brasileiro  multifacetado, i.e.,  o país  dispõe de  vantagens  e privilégios para alguns  assim como  de agruras   e sofrimentos para outros. Para os senhores do poder,  até parece que   nada de ruim   acontece  com  o povo. Estão indiferentes  no aconchego dos palácios das mil e uma noites de prazeres  e regalias desmedidas.
  Sabedor da índole  pacata  desse povo,   o governo federal, vai amansando   a população,   liberando  um beneficiozinhos de quando em quando e, assim, vai amortecendo  possíveis  atritos  sociais, administrando  subliminarmente  reações de indignação, manifestações do populacho controladas por pão e circo: futebol,  carnaval,  shows musicais e programas  de terceira linha  dirigidos  ao povo.  
  Ora, diante  da riqueza de poucos essas migalhas sociais   nada custam aos cofres  públicos,  principalmente  porque tudo o que o governo  libera vem  do bolso  do contribuinte,  do mais humilde ao mais  aquinhoado  financeiramente. Agora, realizar  uma redistribuição   de renda em escala nacional, taxar os grandes capitalistas,  isso nunca. Mais valia e reserva do mercado são determinantes  na manutenção    concentracionária.  
   No “Céu” estão as mansões, o consumismo  desenfreado  dos endinheirados, os melhores planos de saúde, os melhores hospitais,  os melhores transportes, os mais ricos alimentos, as bebidas mais   refinadas,  as festas pantagruélicas, a suntuosidade,  o perfume,   as roupas, calçados  e bolsas de grifes, as viagens  maravilhosas,  os melhores hotéis,  balneários, o bem-bom dos potentados.
   No “Inferno”,   o desemprego,  o transporte deficiente, a moradia sem  saneamento  básico,  os bairros periféricos e humildes  ou  os barracos das favelas, a falta de assistência nos hospitais  públicos,  a ausência de planos de saúde, as escolas  sucateadas,  as universidades  falidas, os professores com  salários atrasados, os policias  com baixos salários e armas  inferiores aos dos  traficantes. Os doentes pobres morrendo  por falta de atendimento  médico, de remédios,  de equipamentos médicos, de vagas no hospitais.
   No “Céu,” a elite política, o nepotismo,   a herança política de pai a filho  ou neto, parentes e aderentes,  os dignitários do governo atual, escolhidos não por competência mas sobretudo  pelo aulicismo da  politicagem tacanha,  os ministros autoritários  com decisões   tomadas com mão de ferro semelhantes ao que  ocorre nas ditaduras escancaradas,  os polpudos salários,  as mordomias, a impunidade,  o foro privilegiado,  a compra de votos vultosos de parlamentares para manter o presidente da República no seu cargo,  o indulto  presidencial  a ladrões do  Erário Público e criminosos hediondos,  os corruptos  passivos e  ativos, a alegria da burguesia festeira,   carnavalizada,  indiferente  aos desfavorecidos  no país de crônicas  injustiças.
   No “Inferno,” a caixa de Pandora aberta por Epimeteu, os sem-teto,  os moradores de rua, os esquecidos, a ralé,  a patuleia,  a arraia miúda, cega (por ignorância) aos grandes problemas  nacionais,   cega ao dar o seu voto aos mesmos canalhas   que se  perpetuam  na politicalha  brasileira como se fossem  donatários de capitanias  hereditárias.
     Até nas prisões continuam as regalias  e os arbítrios em favor  das ratazanas que,  ao serem  premiados com  tornozeleiras eletrônicas (isso é uma comédia de erros, nome  técnico de uma aparelho  importado e imitado  para encobrir  as brechas da Justiça  em terra de  peculatos e  tranquibérnias de políticos e empresários  venais) vão para suas mansões de  marajás.
    Oh, como é bom  ser rico e ganhar o “Céu” no Brasil!  Enquanto isso,  o “Inferno” no país   se enriquece de  balas perdidas, de traficantes, de drogas,   de feminicídios,  de estupros,  de assaltos  e mortes  abomináveis, de governantes ladrões,  de impunidades, de progressivos  benefícios  a criminosos,  de prisão condicional, de brechas  da Justiça, de  indultos para marginais pobres ou de colarinho branco.  No país persiste,  insiste e não desiste o convívio  imposto entre a Casa e a Senzala, entre o senhor  e escravo.
   O mais curioso é que o  país é idiossincrático,   quase inexplicável    porque as coisas  aqui   acontecem    entre a bonança  e a fome,  entre o que funciona e o que  está  arruinado,  entre a favela e o luxo,  entre o luxo e o lixo;
   Dizem que a economia vai bem melhor do que nos últimos  anos. No entanto,  os alimentos  são caros,  a  comida é cara,   a vida é cara,  os remédios são caros, a moradia é cara,  a saúde,  via planos, é cara. Em suma, o Brasil é uma “Serra das Confusões” que, pontualmente,  parece  estar  melhorando, mas, na verdade,  no geral,  está muito mal, sobretudo  na imoralidade política,  que é corrupta, cínica e autoritária,  adjetivos que são necessários repetir ad nauseam.
    Alguém afirmou e bem que  não adianta  ter-se uma economia  dando   bons sinais de retomada do crescimento se a sociedade  múltipla e desigual  vai  muito mal,  quer dizer,  se  os ricos  tornam-se mais ricos e os pobres e miseráveis  continuam   marcando passo num ritmo secular  e inexorável. Para terminar,  esta crônica de antípodas  convém  repetir uma expressão usada por um ilustre  ministro do Supremo, Roberto Barroso: o Brasil é uma  “tragédia de corrupção.”
    Ou por outra: o país, no campo da má justiça,  não passa ainda, mutatis mutandis,  da mentalidade  dos meirinhos do tempo del-rei  Dom João VI (1767-1826) genialmente descrita   e narrada no romance Memórias  de um Sargento de Milícias (1854-55) de Manuel Antônio de Almeida (1830-1861), capítulo 1,  ”Origem, Nascimento e Batizado”  ou   daquela cena  tragicômica, capítulo 8,  de título “O Pátio dos Bichos” da guarda palaciana  do reinado joanino, cena  esta exemplar  do que seja o sistema  de segurança na mãos dos velhuscos oficiais dorminhocos e tagarelas, vítima das chacotas de eventuais transeuntes e até dos soldados subalternos  que se divertiam  a valer  com a cena hilariante  e de alta comicidade. Essa alusão que faço ao romance  picaresco-malandro-carnavalizado  de Almeida sempre me vem à baila   quando  penso nos males crônicos  do país.
  

   

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

UM BRASIL E UM NATAL DE 2017 PARA CADA UM



                                                                      Cunha e Silva Filho



            Assim como, leitor,  já se afirmou  uma vez  que  não há Brasil mas brasis (essa foi a impressão que meu  pai teve quando  foi,  em 1968, participar de um Congresso  de Jornalista em  Porto Alegre, viagem  que  lhe rendeu um artigo  “Dois” Brasis”) tomando como  comparação a divisão entre Sul e Norte, podemos dizer que o Natal se divide em natais. O que quero  significar  com  esta divisão? Simplesmente que o nosso país,  continental como é,  oferece de tudo, todavia de forma errada e caótica: minoria  extremamente  rica e detentora da  riqueza  financeira  e outra parte subdividida  (“dividir para reinar”) em classes médias difusas. pobreza e miseráveis, tão miseráveis que nem tantos anos de Bolsa Família conseguiram  resgatá-los dessa  desumana posição.  Em país  socialmente injusto  tal qual o nosso, é de  se esperar   tamanha  diversidade  negativa   de bem-estar  de sua  população espalhada  em seu território.
         Daí o sentido principal  deste artigo: o Natal múltiplo, cujos extremos mostram   a riqueza dos poderosos cada vez  mais concentradores e gananciosos a todo custo   do bolo econômico e o Natal dos despossuídos, da fome, da ausência total  em  todos os setores da atividade humana: moradia, saúde, salário,  alimento, direitos  sociais, lazer, em suma,  um quadro  de tragédia  humana coexistindo no mesmo  espaço geográfico  da Federação. Realmente,  não dá pra  elogiar  os tempos de Natal, sobretudo dos últimos anos  e,  em especial, dos – vamos usar um termo em moda para referir-se ao  tal governo Temer -  “desmandos” do PMDB provocados  e projetados ao futuro  por essa sigla  que causa  calafrios nos brasileiros   conscientes da situação  política de agora.
         Como daria certo um  partido, no início  da ditadura,  foi  criado  para  servir  de oposição  seletiva  ao regime  de arbítrio? Como se confiar numa  partido  que  se compõe de um   quadro  ministerial   tão insignificante    em competência e em valores humanos e intelectuais ( com exceção do ministro da Fazenda)?  Como se confiar  nas intenções,  promessas e ações num governo  federal  em que alguns  membros do  poder  estão sendo investigados  pela  Lava-Jato?
        Se o que o atual governo federal  alega   que encontraram  o país arruinado  nas finanças e  em outros  setores e, para  solucionar  tão gravíssimos  problemas,  vai  cobrar do bolso já por si  esvaziado do brasileiro  os milhões e milhões de falcatruas e  roubalheiras  dos assaltos  ao Erário Público, não seria  tal  atitude  injusta e perversa? Que culpa tem o brasileiro  de que  governantes  mancomunados com  o alto empresariado  tenha  realizado a maior  esbórnia   de desvios  do dinheiro  do Estado  brasileiro? E mais: por que  penalizar   o nosso  povo, os funcionários  públicos  com essa história  não bem contada de  reformas   trabalhistas e sobretudo de reforma  previdenciária, invocando o instrumento  isonomia   de teto  de aposentados privados e públicos  quando se sabe que isso  é um projeto  descaradamente  injusto?
         Acreditaria nessa  paridade  de teto  máximo  igual para todos  se a aplicação dela incluísse tanto  os , digamos,  senadores,  deputados, juízes,  desembargadores,  presidente da República,  enfim, todos  os  que, hoje em dia,  usufruem  dos supersalários,  acúmulo de três ou quatro  aposentadorias e outras   vantagens  que  são, em muitos casos,  muito  maiores do que os já altos  salários que  percebe essa elite dos Três Poderes.  Se não fizerem  isso,   uma reforma  previdenciária  como a que foi adiada para fevereiro  seria um monstro  de injustiça  e ilegalidade  no tratamento    das aposentadorias.
    Obviamente,  não  quero  tampouco ser  contrário a uma melhoria  dos aposentadores da Previdência Social  que, por longos anos, têm sido  injusta  com os trabalhadores da iniciativa  privada. No entanto,  ao dar paridade de salários de aposentadoria  aos funcionários  públicos que têm, na maioria de seus quadros,   pessoas   de alta competência e   dedicação  às suas funções, sejam  equiparados   indiscriminadamente   com  outros funcionários  do setor  privado.
     Por outro lado,  se houvesse  mesmo  isonomia para todos, do alto da pirâmide à base da pirâmide, eu poderia  acreditar  em justiça  social  no país. Esses argumentos  em defesa da isonomia  são tão  insustentáveis até para um leigo que  mais me parecem   estar o governo   elaborando num  mundo  surrealista, sob o comando  de um presidente  que, sem ter  sido eleito,  deu na veneta de resolver  os magnos problemas   do Brasil  à custa dos  enormes sacrifícios  da sociedade.
    Se com  esse tipo de reforma previdenciária   os donos do poder de plantão estão pensando  em artifícios e estratégias  a fim de  angariar  vitória  nas eleições do PMDB e seus  asseclas e aliados em 2018,  o que  pretendem  não  vingará  mesmo, uma vez que o povo  não está mais assim  tão  imbecil  politicamente  e não dará  respaldo a um partido   que se caracterizou  por escândalos  e desgovernos ao longa da história política  brasileira.  
    Há algo que sempre me intrigou no cenário  nacional: os analistas  econômicos, com a frieza  que lhes é peculiar, de braços dados com   a mídia em geral tendenciosa à direita,  se comportam como uma imenso séquito neoliberal  de cooptação   da vida econômica  e não veem  que,  no miúdo,  o quadro  não é tão panglossiano assim como estamos vivendo  no país. Que o digam os menos  favorecidos e as donas de casa. Se alegam  que  está havendo  retomada do crescimento,  esse fato  não se pode  negar naturalmente,  Entretanto,   os analistas  tendem a ocultar  o lado  que não lhes interessa   revelar, o qual  inclui  a continuidade  de aumento  dos preços, dos alimentos,   dos remédios,   dos planos de saúde,  dos  aluguéis,  dos condomínios, tarifas públicas, entre outros itens  que poderia   citar.
    Só lembro a esses comentadores  da economia brasileira que  o país  não vai bem se apenas  crescem suas exportações, ou diminui  sua recessão.  Um pais pode ser  rico  - veja os EUA – e,  no entanto,   ter grandes  problemas  sociais, pobreza,  violência,  sistema de saúde pública  precário, ensino caro em nível superior. Um país só é feliz  se  a sua riqueza for melhor  distribuída (e não é o caso  brasileiro) se a educação, saúde,  transportes,  segurança forem aprimoradas, se seu  povo  for civilizado,  sem preconceitos  de  qualquer natureza,  unido, solidário e, last but  not the least,  se  seus governantes forem probos e   benquistos  pela sociedade.
    Aproveito este espaço para desejar, do fundo da minh’alma, um Natal  humanizado, com paz,  saúde, alegria e bem-estar geral. Feliz Natal em 2017, leitor.⁢
     







terça-feira, 12 de dezembro de 2017

ONDE ESTÁ A VERDADE DA POLÍTICA BRASILEIRA?




                                                               Cunha e Silva Filho


         Eis uma pergunta  bem difícil de responder. Se o leitor me  perguntar sobre ela,  dir-lhe-ei que só o vento  poderia  me dar. Entre os eleitores potenciais, sei que deles não receberei senão respostas evasivas, indiferentes a candidatos,  indiferente a partidos. Votarão por votar, votarão como se fossem  a um show de música funk, ou sertaneja, ou a um show de um  velho  roqueiro estrangeiro, ou ainda a uma roda de samba. De um  eleitor aposentado e que já ultrapassou o limite obrigatório de votar, receberei, pelo menos, duas respostas:  Primeira,  que  irá votar  por ser um cidadão  que  quer o bem  do seu país, que vai  votar para  “exercer “ o seu  inalienável “direito”  de cidadão  comprometido  com os destinos do Brasil; segunda, que sempre há um candidato que melhor convém, quer para presidente da República, quer para outros mandatos.
      Acho que foi um sacerdote que, numa homilia,  incluiu uma afirmação de natureza  política: “Votem no melhor.” Foi numa missa  pela televisão.  Lembro-me  de que, na época,  minha  esposa aproveitou a ocasião para se perguntar: “Mas quem  é o melhor?” Para o padre,  para o telespectador,  para os fiéis da missa ou para quem?
    O melhor, no meu entender, pressupõe uma opção ideológica. O melhor é pura  subjetividade de quem   o diz e o melhor, para mim,   pode até não ser nenhum candidato  dos que estão em campanha. O melhor, quiçá, não seja tampouco  para você, leitor, nem para outros e outros e outros.   Daí, a dificuldade  de se saber  em quem  votar. E a dificuldade ainda  aumenta no atual  e tumultuado  momento  da vida política brasileira.
     Durante anos a fio,  após o Segundo Reinado (1840-1889),  quando  a República Velha (1889-1930) assumiu as rédeas do governo,  instituiu-se  o voto de cabresto, fruto do  mandonismo,  coronelismo   rural  que exigia  o voto aberto a fim de que  o pobre  subjugado sufragasse  o nome   do candidato  exigido pelos “coronéis”  do latifúndio. Desse voto  de cabresto ao voto  eletrônico,  a mesma cantilena  se ouviu  de eleitores e de políticos: as promessas de campanha, as brigas entre partidários  adversários,  entre políticos e políticos segundo o surrado binômio situação-oposição de tal forma que se  estabeleceram  duas “verdades,”  as quais, para simplificar, seriam, nos extremos: direita e esquerda. 
      Essa mesma cantilenea hoje foçi substituída  pelo  exibição da propaganda eleitoral na televisão  que não passa de uma forma  ridícula  e falaciosa  de  oportunista  desejosos  de  entrar ou se perpetuar  na vida política. Hoje, está mais sofisticada com  os avanços da mídia e dos meios eletrônicos, cujo exemplo mais   degradante   foi o surgimento, durante as campanhas políticas, dos chamados marqueteiros,   profissionais da publicidade que, em muitos casos,   se tornaram  milionários à custa do farto  dinheiro  distribuído   não só pelo governo  como  pela via mais   criminosa, que é a prática  ignominiosa da propina, da  corrupção ativa  e passiva, do  conchavo  entre  grandes empresários e políticos inescrupulosos, conforme sobejamente  demonstraram  as  denúncias e as investigações   da LavaJato  na caça aos maus políticos e aos  empresários   mafiosos.   
     Nas velhuscas campanhas  do  interior  do país,  a sociedade civil se  bifurcava em duas vertentes antagônicas e ao mesmo tempo   pertencentes à elite local, em geral duas famílias tradicionais que dominavam  a vida  política num jogo de alternâncias de poder   que perduravam  por longo tempo até que   o outro partido  conseguisse assumir  o poder. E, assim, foi por um longo período da  vida nacional.  As refregas eram tão violentas que,  por vezes,   se cometiam de ambos os lados  crimes  entre essa famílias. Quando  não,  os donos do poder  não se falavam,  nem admitiram  que   seus filhos se casassem  com  filhas de adversários  políticos. A política era,  um fascínio  e ao mesmo tempo uma tragédia. Até os adolescentes, como  foi  exemplo, o meu pai,  jornalista Cunha e Silva (1905-1990), em Amarante, Piauí,  discutiam  política,  em debates  inflamados, cada parte  se sentindo  dona da verdade.
    Cronologicamente,   esse fatos  ocorreram, no século passado, dos anos 1910 aos anos  1950, aproximadamente,  incluindo, o tempo  do Estado Novo (1937-1946) mas com uma política local    vivida  sob  tutela da ditadura  Vargas e, portanto,  com todas  as especificidades   inerentes a um período de exceção. Pesquisar esse longo período da vida social brasileira voltada para a prática política no  interior dos estados brasileiros constitui um inesgotável  e extensíssimo  campo de investigação digno  da atenção de  cientistas políticos e sociólogos.
     A dimensão  política  era indissociável  da vida quotidiana  daquelas sociedades   passadas e mesmo  poderia   afirmar que a intensa  vida política  do interior era, por assim dizer,  o locus   mais  adequado  para se aprender   o jogo  político  entre as pessoas, de adolescentes a adultos. Era um verdadeira  escola de aprendizagem   sobretudo  para os que  gostavam  de questões  sociais,  econômicas e políticas,  da - para usar dois termos  emprestados   à Economia -, micropolítica à  macropolítica,  uma vez que o que se passava nos grandes centros de decisões  do poder, posto que numa comunicação um tanto atrasada e dependente, em grande parte, de jornais ou de rádios, chegava aos pequenos, médios ou  grandes  municípios e capitais fora do eixo Rio de Janeiro-São Paulo. 
     Atravessamos vários  governos  ditos democráticos ou  discricionários. No entanto,  a recorrente   questão da verdade na política, nos  políticos e eleitores tem-se, nos últimos quinze anos,  aproximadamente,   tornado  um  nó górdio, ou melhor,  uma vexata questio, na pós-modernidade, onde não se tem mais  tanta  certeza do que seja verdade ou mentira nesse tempos  de agora,  useiro e vezeiro  em notícias fake, não mais apenas nacionais, mas transnacionais, como foi exemplo  a campanha para eleição de Donald Trump, bastante  entrelaçada  de verdades e pós-verdades envolvendo  interferências  da Rússia no pleito  americano   que elegeu   um presidente   trapalhão e, por conseguinte,  prejudicial  às relações de paz  na geopolítica mundial.
      Sabe Deus até que ponto  Trump  será digno de  governar um país  da importância   dos Estados Unidos. Só se tem  a certeza  de que, nesses poucos meses  no poder,  ele só tem prejudicado a imagem  desse  país como também  tem   provocado  nova onda de ira contra  o atual  governo americano com a recente  declaração  de que a Israel  cabe  ter como capital Jerusalém  em detrimento de alguns direitos alegados  pelos palestinos   sobre Jerusalém e, portanto, sobre a possibilidade de  ela vir a ser  a capital da Palestina. O índice empregando  um termo  do domínio da semiótica -,  de indignação mais emblemático, em tal  conjuntura,   é  o imediato gesto de tocar fogo na bandeira americana, O fato é que, de uma forma ou  de outra,  o que a posição de Trump significou   para a  recorrente disputa  sangrenta entre árabes e judeus já está surtindo   seus efeitos deletérios com  o acirramento dos ânimos  exaltados entre árabes e judeus, resultando já  em  300 palestinos  feridos e dois mortos nos confrontos   deflagrados  após  a declaração  de Trump.
       Os EUA  não podem se arvorar em  juízes do mundo  e, assim,  tomarem  decisões unilaterais  com  referência  à situação  geopolítica   de dois países  soberanos  no  Oriente Médio. Eles não  representam  a ONU  sozinhos.  As decisões  mais   importantes sobre   questões territoriais   no mundo  não podem  ser  tomadas  por um só país  com se vivêssemos nos tempos  de Alexandre  Magno,  do  expansionismo  do Império Romano, da era napoleônica, do colonialismo europeu,  do nazismo  hitlerista e de outros   conquistadores   pelo mundo afora.  Ninguém  é dono do mundo, sobretudo em  tempos  globalizados.
     Os EUA não podem, sob  hipótese  alguma,  agir  unilateralmente  tomando as dores de países  com os quais  mais se afinam   nas relações  internacionais. Recorda o leitor a  insensatez do medíocre Bush, filho,  ao enviar   as forças militares americanas a fim de  invadir  e bombardear  covardemente  o Iraque sob a alegação de que  esse país   possuía arsenal   nuclear, quando  logo se descobriu  que  isso não passava  de uma   grande mentira e que provavelmente as razões  eram  bem  outras que não as alegadas  pela fúria de Bush, filho?   Se não me engano, foi o  governo  britânico  quem  chamou a atenção para  essa ação genocida  do presidente americano.
   Para dirimir grandes e intricados conflitos entre nações já temos  suficientes  organizações  internacionais   às quais  se destinam  a esse  fins. O tempo do imperialismo  já passou. O que se espera das  nações  do mundo  é que   lutem, em fóruns  internacionais,  pelos seus direitos  de justiça,  de paz,   de liberdade  de expressão  e de locomoção. Os meios diplomáticos  são ainda os únicos   indicados para  tentarem  solucionar  a paz mundial e eliminar  guerras   futuras.
    Todos os grandes problemas  que  afligem  o mundo contemporâneo  têm raízes  assentadas  nos descumprimentos   de normas    e leis internacionais. Da mesma forma,  países como  o Brasil  atingiram   o atual   momento  de   agudas crise de  imoralidade  em decorrência  de desvios  éticos  no campo da governança  e da ação política. A degenerescência de nossas instituições derivam das ações humanas tipificadas no  comportamento   desonesto de grande parte de nossos  políticos que, cinicamente,   afundaram  as finanças do  Estado  Brasileiro através  do generalizado  emprego   de propinas para enriquecerem  políticos e  grande s empresários. A ponto de  tornar-se quase   impossível   diferenciar  o comportamento  de um  político do de um marginal  e  perigoso delinquente.
      Vilipendiados pela maioria dos eleitores brasileiros, os políticos   atingiram  a mais  abjeta  forma  de  exercerem  seus mandatos   conquistados com o voto popular. É nesse ponto que a questão da “verdade”  entra como  um dos  componentes mais decisivos  práxis  da política  brasileira. As ideologias  múltiplas que nos cercam,  os partidos  extremos,  segundo acentuamos  atrás,  direita e  esquerda,   não são mais   um conjunto de   princípios confiáveis e   norteadores de uma mudança  visando à melhoria  da  nossa sociedade  dividida em classes e isoladas  entre si, insolidária,  egoísta e individualista  na sua generalidade, sobretudo em tempos de pós-modernidade e  escassez de humanismo no mundo contemporâneo.
      Ora,  para alcançar o eleitorado todos os artifícios são utilizados,  sedo o primeiro  o da chamada “verdade” de cada  agremiação partidária. “Verdade” que não encontra convalidação em outras “verdades’   propaladas por outros  partidos, porquanto cada qual tem a sua “verdade”  que, no fundo,  não   traduz  a verdade profunda   do espírito  humano, mas uma verdade  edulcorada,,   gestada  para fins  eleitores   e que  se reproduz há  décadas  na  vida  brasileira por todos os partidos  sem exceção. È evidente que, num partido  em que seus   membros deveriam ser  uniformes   na obediência aos seus princípios ideológicos,  pode haver   membros  com  boa vontade  de  querer  o bem-estar  do país. 
       O Brasil de hoje vive o impasse entre a verdade e a pós-verdade. As redes sociais ( à frente o Facebook) estão aí  para tão bem ilustrarem esse dilema  brasileiro. Esse dilema  compreende  a soma  de verdades  e  mentiras,  de noticias  fraudulentas e de notícias   verdadeiras. Ora, tudo isso  é fator gerador de  divisões, no meio do eleitorado consciente ou  não,  de  acirradas clivagens  político-ideológicas,  fomentadoras de inimizades e de  rompimento de   amizades  em todos os níveis de  escolaridade, o que é lamentável  na formação  social  saudável  de um  povo.
     Um  povo  dividido,  hostilizando-se por querelas  políticas  do baixo clero, será um  povo  infeliz  e desunido, um fator desagregador   e perverso  da unidade  nacional. Talvez, de alguma maneira,  eu tenha pelo menos   suscitado   um debate  cívico e independente  que pudesse nos conduzir  a uma resposta   mais  fundamentada à indagação  que dá título a este artigo.
    
     
      

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domingo, 3 de dezembro de 2017

POR QUE TANTA PRESSA?



                                                               Cunha e Silva Filho


           Estamos em pleno domínio do mundo  entrelaçado com  a rapidez  instantânea dos fatos e  notícias – uma inflação de notícias verdadeiras ou fake (para dar um tom de uso corrente do termo no mundo atual) a que  com muito custo  tentamos digerir  ou digerir mal porque a tônica da pós-modernidade  em que estamos  engolfados  é a pressa e seu complemento, a realização  hic et nunc. Os dias, os segundos, os minutos,  as horas, as semanas,  os   meses e os anos passam  numa vertiginosa  rapidez que  nos provocam perplexidade. Por que tanta pressa? “Festina lenta,”  diz uma máxima latina. Não vamos morrer amanhã literalmente.
         Então,  por que tanta afobação, “passageiro  da agonia”  dos tempos que correm? Que mal existe em, pelo telefone, ou,  o que é mais usado,  pelo celular, comunicar-nos uma informação a um receptor distante ou dele recebermos uma  instrução  apressada que mal  dá tempo de captar algumas  palavras? Repetindo, direi mais: o mundo não vai acabar  amanhã. Você não vai  receber  um prêmio milionário de um bilhete de loteria. Pra que a pressa? Devagar, que chegaremos lá.
      O jovem de hoje quer por força estabelecer-se mal saído da puberdade. É preciso  ter tudo: muito  dinheiro,  casa própria, um carrão,  uma mulher bonita uma vida de  luxo. Calma, companheiro  de viagem. A vida não é isso o que pensa a sua pressa. Há protocolos  a cumprir,  tempo  de preparação e tempo de  amadurecimento  e de  realizações  benéficas.
      Se pensar  profundamente no título daquele grande romance de Ernest Hemingway  (1899-1961)– The sun also rises (1926) - , você verá  que a coisa não é tão fácil assim. Dê tempo ao tempo, pois, se for  crente em Deus,  verá que ao céu não  chegaremos  com tanta pressa  e  avidez de tudo  conquistar  tão cedo assim não é o melhor conselho que se pode dar  mocidade.. Relaxe, relaxe, relaxe. Você tem a vida pela frente. Os franceses dizem: “Il y a temps pour  tout,  pour le travail,  pour le plaisir.” Nem só de pão  vive o homem.
     Tempos modernos, pós-modernos, terceiro milênio – tudo converge para a ideia e a fetichismo  da pressa,  do chegar logo, de ser o primeiro,  o mais  belo,  o mais inteligente,  o mais sábio. Ora,  pensando bem,  o último  adjetivo  demanda tempo,  maturidade,   estudos,  dedicação  e  um espírito  aberto,  livre  e sem as amarras  e os modismos  que cercam  a juventude apressadinha e afoita nos seus  projetos, nas suas conquistas  pessoais  e profissionais. Calma, que Inês é morta. Tudo tem  seu tempo e hora.  Só a eternidade não tem  pressa. O mundo não se fez num só dia mas em seis segundo  as Escrituras. Terá Deus cometido  um grande  engano  de cálculo? Quem sabe...
     Talvez Deus devesse tê-lo feito em mais tempo. A pressa é inimiga da perfeição e não há ser tão cheio de defeitos  como o homem. E essa má qualidade   é responsável  por tantos  desencontros e incompreensões entre as pessoas sem distinção  de  credos,  raça e línguas. Por isso,  foram providenciais para a melhoria do ser humano, desde o nascimento, a  criação e  desenvolvimento  da cultura,   do saber,   das instituições sociais  e  políticas  quando bem  conduzidas  por homens  probos.
    Por que tamanha pressa,   projetos  a serem  feitos   do dia para a noite, se os podemos   realizar  com mais calma, com mais   precisão e solidez? Não, seguramente, a pressa, sobretudo, nos moços, não é uma virtude mas  uma  defeito e esse defeito  pode leva-lo à decisões erradas  de que , mais tarde, se arrependerá de tê-las  tomado.
     Somos seres incompletos,   somos uma obra in progress. A certa altura da vida isso é bem perceptível de compreender, mas, então,   não há mais tempo  para um   regresso  às origens de nosso  aprendizado na vida. Reverter o percurso  existencial  é-nos  impossível. A vida anda para  a frente no tempo e no espaço.  Essa incompletude  é uma fato  inconteste. Daí que a plenitude da vida  não passa de uma  vã  ilusão, de um ledo engano,  de um  passo errado ou de uma escolha  que nos levará  àqueles dois caminhos  propostos  no poema de  Robert Frost (1874-1963), “The road not taken”(1916).
   Julgo que é nesta fase de opções de dois  caminhos que reside uma grande parcela   dos acontecimentos de nossa existência, assim como  a dura  realidade   que se põe diante de nós: o que  conseguimos conquistar, uns com mais facilidade e menos tempo,  outros com mais sacrifícios e mais tempo, ou, como diria o meu pai,  com “sangue, suor e lágrimas.” É neste ponto  que uma via  de possibilidade  se nos abre  pela frente: o mundo  além da vida,   a dimensão  transcendental, a espiritualidade,  a vida eterna  sob as bênção  de Deus ou sob as malhas   tenebrosas  do Inferno, este sem  nenhuma possibilidade de remissão  porquanto virou  vazio  e nada. Aos eleitos a promessa de uma nova  vida no caso de serem  cristãos ou espiritualistas. Aos espíritas, a reencarnação, abrindo também uma possibilidade de aperfeiçoamento pessoal  em outras dimensões  da vida.
    A mocidade não quer  pensar nessas coisas  invisíveis. Acredita  no presente, no viço, na força, na energia física e mental,  na alegria de ser jovem e parecer eterno  enquanto dura. No entanto,  o sentido  profundo da incompletude  persiste no homem amadurecido e  descrente das ilusões  passadas. Há uma obra  abissal  de Tristão de Athayde (Alceu Amoroso Lima,1893-1983) que  discute  todas as fases da existência humana: Idade, sexo e tempo – Três aspectos da psicologia humana. (Rio de Janeiro: Livraria José Olympio Editora, 1938).
    O livro do pensador católico  e grande crítico literário, a meu ver, tem ainda muitas  lições de vida a  oferecer o  leitor de hoje. Em alguns   aspectos, é claro,  envelheceu, uma vez que  foi escrita   para o  momento  em que  viveu, anos 1930, a sua contemporaneidade. Contudo,  como toda grande obra bem pensada, e com os recursos do conhecimento  e bibliografia     daquela  época,  o livro tem algo que se  projeta além do seu tempo e é justamente  na visão   avançada  do  autor,  ao refletir  sobre  as fases da vida  humana, que ele mantém  certa validade  de abordagem  dos  temas ali ventilados por um grande  escritor.
   Não é com tanta pressa  dos dias de hoje que  os jovens e a mocidade   resolverão seus  problemas  pessoais  e suas inquietações  de conquistar,  açodadamente  um lugar   ideal  que os  leve ao que se chama felicidade do mundo material. Para que tanta  pressa,  jovem,  se sabe que tem todo um caminho  a percorrer  a seu favor?