terça-feira, 16 de julho de 2013

BRAZIL'S OVERVIEW CORNER: Hasn't violence issue counted in Brazil's latest protest on the streets?

[A translation  in Portuguese of this article  is given  after the  English  text]


                                                                      By Cunha e Silva Filho

               Here is  a  fact  that  has  practically  been unnoticed in the  demonstrations  on the streets against  Brazilian  social   situation. People have claimed against the increase of buses  fares and other  means of transportation, against  political  corruption,  against the  corroded levels of     primary and  secondary   public and in some  cases private  educational system, against   health  low patterns. However, violence   issue  has been  suppressed. Maybe because  all these   justified  and urgent claims, when  not  taken   in to due  account by   Brazilian authorities, become themselves  indirect    types of violence.
The   claim  against  violence  as an  important  issue  in the  protests on the street  has become one of the  most  pressing one  and,  as far as I know,  nothing has been effectively  made  on the part  of  Brazil’s  authorities  to  reduce it. He who  regards  as yellow press the  violence TV  programs  which daily   inform  people  of what is going  on   with the  individuals’ security in big cities and also  in the  countryside,  is losing the  opportunity  to be  aware of the  pains and  afflictions   of families who are daily bereft of their beloved ones as forlorn  victims  of  abominable  crimes, and this  includes children, youths and adults in an unprecedented scale  of  savagery nationwide..
Therefore,  not  caring  about this  state  of  things   is equivalent  to show  indifference and lack of sensitivity  towards the  pains  and sufferings of  Brazilian society. What is worse,  other  people’s  distress can  turn into your  own  suffering, since we are on the same boat which,  instantly  and anywhere,  can become a revolting  tragedy stage.
Violence problem permeates all of us and society ought to unite massively to   present   proposal to  the Brazilian  State, in all   instances  of  powers,  to demand  immediate and  effective solutions,  chiefly  taking  into account  the  fair outcry for  solving the shortcomings  in   our  public  security   sectors
To moralize our military  police, as well as civil police,  is a must, as well as   to   dismiss bad and corrupted   professionals of this institution, the evil-minded  elements who, according to   press  information sources,   are  accomplices with  wrongdoers, gun traffickers, drug traffickers,   unlawful paramilitary  groups and all derived  components who are sometimes   secretly installed  in our    official drug fighting  departments, as well as in the military  police, among  politicians (aldernen)  of  our  municipal  chamber, in short,   in all  channels,  public and  private,  which   possibly  could work out as underworld connections for  the practice of  varied  sorts of crimes against society,  individually  or collectively  taken.
This level of   violence   exhibited by   Brazil -   a shame  on us  before  some  civilized  countries with low rates of violence -,  is not  exclusively  a Brazilian  evil. There are other countries with high rates of violence, like Mexico,  some   African  countries and some  countries  in Latin America,  for  instance.
Only  effective and relentless  changes   in our  infrastructure of  security, together with   the Armed Forces watching our  frontiers to  prevent   guns from   entering  our country  will be able  to  reduce the  afflictions  of families    who,  at all times,  are  crying,  helpless, for  measures  to be taken  by   the authorities to get the country  rid of  this  chronic  gloomy   reality,  undoubtedly one of the  biggest  challenges   currently faced by Brazil.
As long as  deep  changes are not  undergone as quickly as possible, such as  the  reduction  of age bracket  penalty  for  hardened   criminals,  an   updated Brazilian Penal Code, and the   use of  life sentence  for the  abominable  crimes against  human beings, Brazilians  will live amidst despair,  insecure as to  their  physical  integrity and hopeless   for  actual  steps from  the federal  government.
That  is why during  nationwide  protests  on the streets last  month, I wondered   why the  high  violence issue has not been  claimed by   civil society.
I expect that in future   demonstrations   on behalf of the  well-being  of Brazilians, posters may  be carried by the crowd  exhibiting   slogans alluding to the  theme of violence  



A  questão da violência  não contou nas manifestações das ruas?


                                                        Cunha e Silva Filho


             Eis aí um fato  que passou  praticamente invisível nas manifestações das ruas contra   a situação social  brasileira. Clamaram  contra o aumento   das tarifas de  ônibus e outros  meios de transporte, contra a corrupção  política,  contra a  o descalabro da educação  fundamental e média  pública e  privada, contra a saúde, mas  a violência  ficou de fora. Talvez, quem, sabe seja   porque  todas essas  reclamações  justas,  quando  não atendidas,   se tornam,  por si sós,   tipos  indiretos de violência.
A bandeira,  porém, da violência nas ruas  é das mais  urgentes, e, ao que  parece,  nada se tem feito  concretamente para  minimizá-la. Quem  considera  sensacionalistas  jornais  ou  programas de TV que  se dedicam  a  informar  ao público   o que está  acontecendo com  a segurança do  indivíduo nas metrópoles e mesmo  no interior, está perdendo a  oportunidade  de  tomar  ciência   das dores e aflições de famílias que  perdem seus entes queridos diariamente,   assim como  são vítimas   de todas as formas  de violência  crianças,  adolescentes e adultos  em escala sem precedente  pelo  país afora. Portanto,  não  se importar com  esse estado  de coisa  se afigura  indiferença  e  insensibilidade da parte da sociedade brasileira. O que  é pior,   a dor alheia  pode se transformar  na sua  própria dor, já que todos estamos  inseridos no mesmo  contexto   que,  a qualquer instante,  pode ser  palco de tragédia inominável. O problema da violência  é de todos nós e a sociedade  deve se  unir  maciçamente para  encaminhar    propostas de soluções ao Estado  brasileiro,  em todas as instâncias  de seus poderes,  sobretudo  levando em conta  as gritantes  deficiências de  nosso  órgãos de segurança pública.
É preciso   moralizar  a polícia  militar, a  polícia civil,  excluindo dessas instituições os maus profissionais,  os corruptos,   os elementos  perniciosos  que,  de acordo com  fontes  de informação da imprensa, estejam  conluiados  com  malfeitores,  com  o  tráfico de  armas e  de  drogas, com as chamadas milícias e todos  os  derivativos  que se  incrustam  em nosso   órgãos   de combate ao crime,  na  política   estadual, na política  municipal, enfim, em todos os canais,  públicos   ou privados,  que  podem  servir  de elos  subterrâneos  para a prática  de variados   tipos de  crimes  contra a sociedade,  individual  ou coletivamente  considerada.
Esse nível de violência  que o Brasil   ostenta,  para vergonha  de alguns países   civilizados com  baixa  taxa de violência, não é exclusividade  brasileira. Há outros  países   com altos índices  de violência, como o  México, alguns  países africanos, alguns países da América Latina, por exemplo.
Só mudanças  efetivas e contínuas  no seio da  própria infra-estrutura  da segurança  brasileira e com  o apoio das forças armadas  no caso  da vigilância das fronteiras a fim de   impedir   a entrada de armas  que vão  parar a nas mãos de  quadrilhas e facções  criminosas poderão  reduzir  a angústia das famílias  no país, sobretudo das mães   que, a toda  hora,  clamam, indefesas, por medidas  das autoridades que venham  livrar  o  país  dessa  realidade   que  já se tornou  crônica como um dos  maiores   desafios  que  os brasileiros  enfrentam.
 Enquanto  alterações   nas leis  não forem    feitas  de imediato, como  redução da maioridade  criminal, atualização do Código Penal  e implantação da prisão perpétua  para  os  mais  abomináveis  crimes contra  a pessoa  humana, os brasileiros   viverão  no meio do  desespero,  inseguros  quanto   à sua integridade física e sem esperança contra  reais  providências dos governos feral e  estaduais.
Por  esta razão é que,  durante as manifestações  nas ruas   no mês  passado, e em todo  o  Brasil,  me perguntei  por que  a questão da  alta violência   não foi  tão  reivindicada  pela sociedade civil.
Aguardo  que,  em outras   manifestações  pelo  bem  do  Brasil   a bandeira da violência    seja  um   dos temas anunciados em cartazes  pela multidão  nas ruas.    

     

sábado, 13 de julho de 2013

O mordomo, o salário e o senador




                                                        Cunha e Silva Filho



                   Eu me pergunto: será que um país  assim  tem  conserto? Creio que não. Quantos anos,  ou mesmo  um século,  serão necessários para que  um político brasileiro  possa  ser  levado a sério?  A curto e médio  prazos, não há vislumbre de que  alguma coisa  boa  surja da vida  política  nacional.
                  Não há manifestação  nas praças, nas avenidas,  nos morros, no planalto, na planície,  no mar, no ar, na terra que consiga   reformar  a ética e a prepotência  de quem  foi   eleito pelo povo e praticamente  nada tenha  feito  à sociedade. Mesmo quando saem de cena,  os  políticos  brasileiros deixam  seus  rebentos incrustados nos feudos   palacianos, dando continuidade à  fanfarra das mordomias,   das manobras,   das tergiversações, das  falcatruas praticada  contra  o  Erário  Público.
                Ainda este ano  saiu uma notícia   no jornal O Globo informando  ao leitor  que  o atual  Presidente do Senado,  figura  da  política  nacional  por demais  respeitada  desde os tempos  do  governo  Collor e das  rocambolecas   histórias amorosas,  além de outras  implicações de conduta  no bolo  do escândalo do Mensalão,  prodigaliza  a um  mordomo um salário  faraônico de  dezoito  mil reais,  quando  um médico,  um professor com mestrado e doutorado nem sonham  em terem  tamanho  salário  e o salário mínimo do  povão e os proventos  dos aposentados do INSS  estão  sempre aquém  de um patamar  de uma  vida  digna.              
                  Ora,  para  dar  esse salário a um mordomo  seria preciso que este  entendesse   do riscado, fosse fluente  pelo menos  em duas línguas modernas,  tivesse domínio  dos protocolos  sociais, fosse discreto,  observador, fiel, amigo da família,    e familiarizado com  todas  as  etiquetas   daqueles  velhos   mordomos   da aristocracia  inglesa. Um completo  butler, em suma.
                Este  mesmo  senador  é aquele que há poucos dias  viajou  com amigos  num  avião da FAB para  comparecer a um  casamento ou coisa  parecida. O Brasil  é uma  República ou  pensa ainda que  esteja nos tempos dos  nobres do primeiro e segundo  impérios ?
         Este ex-ministro da justiça  semelha ter  saído das páginas da ficção  dos bruzundangas  limabarretianos. Não me parece  uma pessoa física, com  nome  em cartório de registro. Para  sustentar um mordomo  deste tipo,  é mister que  o senador   ganhe rios de  dinheiro, sendo que, no caso  dele,  o dinheiro escorre  com facilidade   dos cofres  públicos...
Por que estou  implicando com  o salário  de um simples  mordomo   de um  palaciano? Simplesmente  porque,  ao conceder  um salário  nesta  proporção, o senador  brasileiro dá um  exemplo  inconteste  de  quanto  está distante   do  interesse  que  revela ter pela coletividade,  sabendo  ele que o brasileiro,   em várias  profissões,  é mal  remunerado,  pouco  valorizado, a quem  faltam hospitais,   segurança,  educação  de qualidade e transporte  de massa  à altura    do  gigantesco  número de usuários principalmente  nas grandes cidades  brasileira.
O país se revela por metonímia. Para  entender  o todo,  cumpre atentar para a parte  e é por esta que chegamos  às entranhas do todo. O exemplo do mordomo é aquela parte do iceberg, cujo  tamanho  se  esconde  até o fundo do mar (de lama, bem entendido). Juntadas  as partes, atingiremos  o todo  que nos  oferece uma triste fisionomia.
 São as partes  que devemos  examinar  com  cuidado e com profundidade e, ao  alcançarmos  o fundo do mar,  perceberemos   quão  imoral, injusto,  defeituoso  se nos apresenta. É do fundo do mar que veremos,  transparente,  todos  os  “malfeitos” (do jargão da Presidenta Dilma)  da nação, o lodo,  a sujeira, os escolhos,   o lixo  chafurdando  no lamaçal   de ausência   de  ética,    falta   de vontade  política,  protelações para que  mudanças   substanciais  nunca  ocorram e  deixem  tudo  como  está   visto que  a memória do povo  é curta e poderá  ser  presa de   sucessivas  péssimas escolhas   de  novos candidatos  que, em eleições futuras, comporão  a  política  do país.
O que não pode é mudar para melhor  a vida do brasileiro. Por isso,  a reforma  política, tanto  quanto  possível,  será  adiada e, caso não  o fosse,  como  a realizaríamos com  o conjunto  de políticos  de  fancaria de   que, em geral,  dispomos na Câmara e no Senado? Se questões de grande urgência não  serão tão cedo  discutidas  para  aprovação,  como a  reforma e atualização  do  Código  Penal,  por exemplo, assim como  leis que  venham  beneficiar  os quatro setores da  vida  nacional  (saúde, segurança,  educação e transporte ) que  exigem  dos governos federal, estadual e municipal  soluções  urgentíssimas.

Um  país tal qual o  nosso,  que tem  uma sociedade  bastante dividida socialmente - classe  miserável, classe  média,  classe burguesa,  elite econômica – não terá  nunca  força  suficiente para  se unir  e  ser solidária entre si. Se os restaurantes de alto  luxo  estão  cheios,  e cheios estão os shopping centers,  e o consumismo  dos que  têm poder de compra   continua  rolando  solto,  quando é  que  encontraremos  um  ponto   certo  para  fazermos valer  nossas reivindicações? A divisão de classes  e de níveis  culturais  faz   a felicidade  da politicalha  e, por tabela, é um porto seguro  para  a continuidade   e inalterabilidade do status quo  vigente. Ó bendita  divisão de classes, deleite dos que implantaram  o cinismo e a falta de vergonha como a melhor forma  de  governança dos tempos contemporâneos!

quinta-feira, 11 de julho de 2013

             Literatura e política



                                                        Cunha e Silva Filho


            Em razões de pesquisa que ando fazendo,  me deparo com um comentário  de Afrânio Coutinho (1911-2000),  importante crítico literário, historiador e teórico da literatura brasileira, na obra Correntes Cruzadas – questões de literatura (Rio de Janeiro; A Noite, 1953)) que, a certa altura  desse livro faz um  comentário que, por analogia,  me leva a refletir sobre a questão, de resto, sempre controvertida das relações entre  o escritor e  a  política.
         Coutinho  faz afirmações favoráveis ao tipo de  políticos  que, na década de  40 e 50, se distinguiam em geral  por  posturas e comportamentos, segundo ele,  em geral   exemplares, ou  seja,  bons  políticos  que aliavam  integridade moral e preparo  intelectual. Aproveitava  o crítico   para  fazer um cotejo entre  a integridade  moral  daqueles  políticos   e certos  grupos   de homens de letras  que faziam da  vida literária  um  terreno   infestado  de  oportunistas,  medíocres  e inimigos   da seriedade,  do estudo  em profundidade, transformando  o   cenário da vida intelectual, sobretudo  no âmbito da crítica literária,  num estéril   espaço de compadrio, de elogios  mútuos e de ausência  absoluta de  critérios  objetivos  em lidar com  a produção literária  brasileira.
          Quem não estivesse  dentro  do  grupo ou grupos dominantes  sofreria   pressões  e indiferença, restando   duas alternativas  ao  escritor que aspirasse  a ingressar   na vida  intelectual,   desistir ou lutar com   os grupos  que dominavam  a vida  intelectual  brasileira,  principalmente  nos dois maiores  grandes centros,   Rio e Janeiro e São Paulo.Era uma  época atravessada  por  inúmeras polêmicas  entre  escritores, cada  qual   cuidando de seus interesses  individuais visando a uma posição de destaque  no domínio  da literatura, tendo à frente  a crítica literária.
            Ora,  se  pensarmos   maduramente  no que ocorria naqueles tempos   e  fizermos  um paralelo com a situação   vivida agora  pelo país,  vemos  logo   um dado   que  não podemos   deixar de lado:  há uma  nítida  inversão  de valores  se compararmos  os políticos de hoje com  os dos períodos   acima-mencionados  Diria  que  a política  atual  sofre  da ausência de  grandes figuras  de homens públicos para dirigir   os destinos  do país. Quer dizer, a representatividade   de nossos  deputados e senadores  não está  à altura  do que  o país  exige  diante da crise   de   imoralidade, corrupção  e  indiferença  sem precedente   demonstradas  pelos políticos  em geral.
Assistimos  a uma deplorável  estado  de  cinismo  de nossa  elite  política ante as pressões  justas  nas ruas  do Brasil,  clamando, em curto  prazo,  por  mudanças  de  comportamentos éticos  de  quem  tem mandato  na Câmara e no  Senado. Vejo  como fato  deplorável    os  homens  que ali  estão  eleitos  pelo  povo.   Teimam em   não se dar conta da gravidade  que  pesa sobre os seus ombros de forma  inexorável, convocando-os todos a  terem  vergonha  na cara  e a perceberem que o povo  brasileiro não se deixará  mais  enganar  com qualquer   arrivista  em pele de  salvador da pátria  que  surja  no cenário  da  vida política nacional.
Por outro lado,  vejo  que  da parte da intelectualidade brasileira, há um fosso  que se estabeleceu  entre   os  escritores e  a política, i.e.,  há uma  indigência de vozes    da elite intelectual   que venha  a campo  se juntar aos reclamos do povo  por  novos  padrões de comportamento    moral   de que  a nossa   prática  política  tanto   necessita e de que está tão  pobre e tão órfã. Onde estão os  escritores, os intelectuais  de visão  aberta  e  com coragem   de  agregar  força e  ânimo  para compor a unidade   de vozes   contra  a corrompida    política brasileira? Onde estão os   intelectuais  como  o foram   um Barbosa Lima Sobrinho,  um  Mocyr  Werneck de Castro,  um Nelson Werneck  Sodré,  um Tristão de Athayde,   um Fausto Wolff, entre tantos outros  em diferentes    épocas  da vida  social  brasileira?  
Os intelectuais jovens,  os de meia idade  e até os mais velhos estão muito calados,  muito  acomodados,  muito aburguesados   diante  das incertezas do presente. Será que só  pensam  em suas  carreiras   de escritores, presos apenas  ao mundo da ficção, da poesia, do ensaio  e do teatro  edulcorado, cuidando  somente  de  sua produção e do seu  sucesso  editorial? Não sabem  que  a vida literária não se  concretiza  apenas  no isolamento  das questões   sociais, que a literatura  não  é apenas   imaginação,  criação   de uma realidade   possível? Se é isso que lhes basta,  que  até podem alegar  ser  a criação artística uma forma  de   conscientização  dos problemas  sociais  e das injustiças  do mundo, e que por isso   já estão implicitamente  fazendo sua parte  no combate contra  a prepotência do poder  e  a ignomínia   dos governantes  quando    publicam    suas obras, não  o é para mim. No meu  modesto   juízo,   penso que  os intelectuais   devem, sim,   juntar-se  aos apelos  da população,  ainda que seja  através  de uma coluna de jornal,  de um blog   na internet,  de um programa   no rádio, numa  entrevista  na  TV.
 Permanecerem,  porém, em silêncio,  de alguma forma  me  parece    inaceitável, dando  azo  a que  os rotulemos    de  indiferentes ao que  nos cerca, ao que  está   acontecendo  no país. Seria o mesmo que cruzar os braços,  lavar  as mãos,  afundar-se na indiferença, numa  posição  cômoda   e cinzenta Nisto  incluiria  todo e qualquer   intelectual, jovem, moço  ou velho, nos muros da universidade  ou fora deles.        


terça-feira, 9 de julho de 2013

Tradução do poema "When we two parted", de Lord Byron (1788-1824)





          
 When we  two parted
 

When we two parted
   In silence and tears;
Half broken-hearted
    To sever for years
Pale grew thy cheek and cold,
     Colder thy kiss;
Truly that hour foretold
     Sorrow to this.

The dew of the  morning
    Sunk chill on my brow –
It felt like the warning
    Of  what I feel now,
Thy vows are all broken,
    And light is thy fame;
I hear thy name spoken,
    And share in  its shame.

They name thee before me,
   A knell to mine ear;
A shudder comes o’er me –
     Why  wert thou so dear?
They know not I know thee
Who knows thee too well –
Long, long shall I rue thee,
     Too deeply to tell.

In secret we met –
    In silence I grieve,
That thy heart could forget,
     Thy spirit deceive,
If I should meet  thee
     After long years,
How should I greet thee? –
     With silence and tears.

       Separação

Quando nos separamos
     No  silêncio e nas lágrimas,
Corações ao meio estraçalhados
    Para uma longa ausência.
Tua face pálida e fria se fez,
    Mais gélido  teu beijo;
Prenunciava aquele momento 
   Tristeza  igual a esta.

Minha fronte fria
    Invadida foi pelo orvalho da manhã.
Parecia um sinal
   Do que agora sentindo estou.
Fracassaram todas as tuas  promessas
   Apequenou-se teu bom nome 
Por toda a parte teu nome  ouço
   De tudo isso vergonha  tenho.

Diante de mim, de ti falaram.
   Pesar  pros meus  ouvidos;
Preso sou  dum estremecimento –
   Por que tão  amada  foste?
Não  sabem eles que a ti conheço
   E como!
Por muito, muito tempo hei de lamentar-te
   Difícil me parece confessá-lo.

Às ocultas, nos encontramos
   Em silêncio, me aflijo
Por ter teu coração me   esquecido
   E teu espírito me  enganado.
Fosse eu ao teu encontro
  Após  tardos anos,
Como  falar-te deveria? –
  Com silêncio e lágrimas.

                                                    (Trad. de Cunha e Silva Filho)

 








    





domingo, 7 de julho de 2013

Os escândalos do governo federal continuam




Cunha e Silva Filho



Não bastassem as imoralidades do governo federal apontadas pelo clamor das manifestações das ruas, os homens do poder atual ainda teimam e insistem em atos ilegais e danosos ao Erário Público, como foram os dois recentíssimos incidentes implicando os presidentes da Câmara e do Senado viajando de graça em aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) para fins particulares e, portanto, alheios às atribuições de seus cargos. Um e outro ainda tentaram justificar-se diante da imprensa sobre possíveis direitos que tinham por força do exercício de suas funções, porém logo se deram conta de que estavam errados e procuraram ressarcir os cofres públicos no valor dos gastos feitos..

Os homens do poder, não satisfeitos com o que de errado vêm praticando ao arrepio da lei, em outro setor do governo, o Tribunal de Contas da União(TCU), órgão que deveria dar o exemplo de lisura na fiscalização dos gastos públicos, surge como atores também envolvidos em abusos de gastança de marajás e mordomias em benefício próprio, concedendo-se recebimentos de quantias destinadas - pasme, leitor! – "a auxílio-alimentação" (sic!), além de diferenças salariais retroativas, totalizando milhões de reais para atenderem a todos os membros e servidores do órgão,ativos e inativos.

Ora, os membros do TCU já ganham altos salários para trabalharem pela fiscalização do dinheiros gasto pelo governo federal. Não são barnabés que ganham migalhas e, aí sim, necessitariam de auxílio-alimentação. Não eles, membros do TCU, ativos e aposentados. O pior é que foi com verba destinada à fiscalização que deslocaram para se darem aumentos e benefícios pecuniários de marajás. Agora, pergunto: como, então, se pode confiar em homens que ali estão para serem os guardiões das contas públicas se eles mesmos procedem desta maneira?

Outros servidores da União, em diversos setores, quando solicitam retificação de erros de níveis salariais a que têm direito, com muito custo conseguem – quando o conseguem - terem retificados seus vencimentos de direito e de fato. Os processos demoram em serem solucionados e bem assim os atrasados correspondentes, ao passo que os privilegiados membros do TCU resolvem tudo de seus interesses intramuros e com rapidez de solução. .Desta forma, como não gritar nas ruas por justiça social, por melhorias de vida e por um país que não tem interesse político de eliminar ou minimizar a corrupção em vários segmentos da máquina do Estado?

A não eliminação de regalias é um forma de crime sem punição. Ipso facto, cá embaixo, o mundo dos mortais da criminalidade e da violência, que grassam soltas pelo país todo, não deixa de ser reflexo do cinismo de nossa política e de nossas instituições públicas e privadas. Quando nos falecem modelos de ética e de moralidade da parte da superestrutura, quando o poder público está contaminado pelo vírus da indecência, da imoralidade, da arrogância e do cinismo deslavado, não podemos esperar, fora dos governos, um povo que se orgulhe de sua pátria, de sua identidade e de suas potencialidades nos diversos campos da atividade humana.

O cinismo, a indiferença e o desprezo pelos anseios justos da população são fatores geradores de autoritarismo e de prepotência - um caminho fácil para a instalação das ditaduras e dos regimes discricionários que voltam as costas para a sociedade e para os direitos de cidadania.

Sei que não foram vãos os gritos  nas ruas da população brasileira, sobretudo dos jovens que se sentem espezinhados nos seus direitos e nos seus desejos de bem-estar e de verem um país cujo governo trabalhe efetivamente para propiciar ao povo as reivindicações básicas e inadiáveis :nos setores da educação, do transporte, da saúde, da segurança e de outros domínios da vida pública e privada. Um governo que atenda a esses objetivos terá sucesso e apoio irrestrito da sociedade. Há muito tempo - nem mesmo sei se já o tivemos alguma vez - não temos no país um governo, no âmbito federal, estadual e municipal, que se enquadre na concretização dessas exigências e direitos fundamentais do povo brasileiro.









sexta-feira, 5 de julho de 2013

O sentido das manifestações populares no país





Cunha e Silva Filho


Somos um pais dividido no qual as classes sociais, consciente ou inconscientemente, têm seus padrões de comportamento e de visões múltiplas para o bem ou para o mal. Aí talvez resida algum perigo sempre que os brasileiros são convocados para as manifestações contra o establisment vigente.Quer dizer, não há nunca uma unidade sólida congregando a todos indistintamente.

Quem está no alto da pirâmide, não participa das manifestações que ocorrem, desejosas de mudanças. Quem está no nível de classe média pode reprovar o que vê de errado nas instituições governamentais, mas não deseja se expor.

Talvez, seus filhos, por influência da educação que recebem na escola, não acompanhem os pais já acomodados em sua vidinha sem grandes sonhos, a não ser aqueles que provêm do atrativo consumismo, de seus almoços de fins de semana, de seus carros comprados a prestação, de suas viagens à Disnneylândia, dos seus churrascos em casa, de suas conversas recheadas de futilidades, de suas conquistas amorosas, suas traições, seu bovarismo, suas mesquinharias, seu individualismo bastardo, seu fanatismo futebolístico, sua escola de samba, seu jogo de bicho, suas fofocas sobre marcas de produtos (tênis, roupas, modas, perfumes, salões de beleza, revistas de celebridades etc, etc) que compram com sacrifícios e de suas pretensões miméticas de aparentarem pertencer à burguesia endinheirada e vazia de ideais de transformações sociais.” Classe mérdea,” diria com sarcasmo o grande contista João Antônio (1937-1996).

Os milionários estão pouco se lixando para qualquer coisa ou para as questões sociais ou de mudanças de melhoria do povo em geral. Seus bens estão sólidos, seu dinheiro está bem guardado nos paraísos fiscais. Em qualquer grande reviravolta que suceder no país, eles estarão prontos  para fazer as malas e embarcar para o exterior deixando para trás as agruras e os sofrimentos do povão que não está nos seus planos, destituídos eles em geral de solidariedade e de cumplicidade. A elite está acima do bem e do mal. O que lhe interessa é manter-se onde está com o poder e a força advindos dos lucros do capitalismo globalizado. Seu ambiente social é outro, pois se faz de festas, de jóias, de viagens e de luxo.

O povão, a massa ignara, a turba, a patuleia continua a lutar apenas pela sobvrevivência,  vivendo no imediatismo das sobras das  outras  classes mais  aquinhoadas, sem leitura, sem estudos, sem nada.

Enquanto isso, o país se afunda na corrupção que parece uma “causa pétrea.” O clamor das manifestações nas ruas, por menor que tenha sido, pelo menos serviu para mostrar que o povo  -, a massa, a multidão -  não está mais disposto  a sofrer diante de tantos descalabros da superestrutura. Há um limite de desespero e de insatisfação além do qual tudo pode acontecer. O cinismo deslavado dos políticos, que ainda teimam em exibir uma postura impassível e pretensiosa diante do gritos das ruas, já começa a dar sinais de que alguma mudança considerável terá que se efetuada. Do contrário, os ânimos populares se acirrarão ainda mais, podendo resultar numa situação de desordem e de anarquia e, dessa forma, produzir outros efeitos inimagináveis no centro do poder.

Nossa democracia está em perigo. Se o sistema político brasileiro persistir na sua  prepotência e na certeza de impunidade de seus erros contabilizados ao longo de tantos anos de desprezo aos reclamos da sociedade civil, nas próximas eleições o povo alijará do poder parte significativa de nosso representantes na Câmara dos Deputados e no Senado.

A Presidente Dilma, diante dos últimos acontecimentos, tendo já sofrido uma queda vertiginosa de aceitação do povo, dificilmente conseguirá se reeleger. Se nos meses que lhe restam de mandato não lograr dar uma guinada de substanciais alterações no seu governo que se traduzam em melhoria concreta e a curto prazo em muitos setores do governo, sua candidatura terá insucesso. E o pior é que não se vislumbram outras alternativas de políticos que possam preencher tantos anseios de melhoria há longo tempo acalentados no tocante a setores vitais para um país que aspira a ter aprimoradas sua segurança, saúde, educação pública, sobretudo do ensino fundamental e médio, sua habitação para as classes menos favorecidas e outros setores da vida social.

O sentido das manifestações nas ruas do Brasil está claramente direcionado para todas essas carências e distorções perfeitamente identificadas pela povo. O governo federal, no conjunto de todos os seus três poderes, já tem o recado . Só lhe cabe, agora, apressar-se em dar pronta e imediata solução às grandes causas de nossas misérias e injustiças gritantes. Enfim, só há duas saídas para os que estão no poder atual: a  possiblilidade de contribuir para a  conquista da cidadania ou o caos social.

domingo, 30 de junho de 2013

BRAZIL'S OVERVIEW CORNER: authoritarianism of Sergio Cabral, Rio de Janeiro governor

( This article  is followed  by the  Portuguese tranlation  below)



By Cunha e Silva Filho





This is not the first time that Mr. Sergio Cabral has proven his rudeness against the carioca people. In previous years of his mandate (this is his second mandate) he has given sufficient evidences of having offended professionals of medicine who have claimed against poor working conditions and very low salaries. He is also known for having quelled firemen who were at strike claiming for better working conditions and compatible salaries. He is still well known for his arrogance visibly shown before situations in which the people had to make claims against several other administrative failures of his government. Therefore, this is not the first time he has shown himself to be a two-faced politician, as well as being a servile supporter of the federal government.

At the moment I am writing this column, the inhabitants who live in Maracanâ Stadium neighborhood, a Stadium famous worldwide for being a symbol of Brazilian soccer, have been victims of the despotism of  the governor. Police forces of the   government, strategically deployed in front of that Stadium and in the neighboring streets, have formed a true battalion strongly armed which more seemed to be ready for a civil war.

There were 6,000  soldiers from the Military  Police and 600 soldiers  from  the Federal National Force placed at several streets near the Stadium which were blocked in all accesses  to the Stadium unless those ones    destined to soccer rooters who had tickets to attend the match.  Actually,the policemen were there to defend the security of  Brazilians and Spaniards  who went to attend the Confederations  Cup final match between Spain and Brazil  teams. Outside the Stadium, there were demonstrators who protested against a range of Brazil’s social evils. However, they were positioned a long distance from Maracanã Stadium, respecting the limits imposed upon them by state forces of security.

People all over the world know Brazil is going through a delicate moment of his political history with the bulk of the people going out on the streets in demonstrations against a range of fair claims for an improvement of the country life in several sectors of society: transportation, security, health, education among other important priorities.

Moreover, federal and state governments are being held responsible for not solving the afflicting problems of political corruption , notably for not having yet taken to prison politicians and entrepreneurs who have taken part in the so-called scheme of “Mensalão” – a scheme that was cunningly planned between top members of the federal administration during Lula’s presidential mandates, politicians and private concerns and banks with the purpose to steal public funds through bribery and other dishonest means. In addition, other wrongdoings occurred in the present federal government also have put some more fuel envolving political class at least over the last ten years of Workers’ Party in power. All these negative facts have paved the way to a state of Brazilians’ indignation and discontentment towards the brazen cynicism of Brazilian congressmen.

In Tijuca a North Zone district, state police repression disrespected the dwellers of apartments and residences who have suffered with tear gas and deafening  bombs indiscriminately thrown by policemen to drive away  supposed troublemakers formed by young people who were corned by soldiers and tried to run to neighboring streets. We might add  that from  late afternoon until  late at night several  helicopters were overflying  areas surrounding  Maracanã  Stadium watching  what was going  on the streets or perhaps  trying to  chase groups of  troublemakers who faced the police forces. It was actually  a terrible  night the dwellers  lived  while the game was being  played by the two teams.

The fact remains that tear gas, spreading over all sides among residential buildings of Tijuca, brought about health problems affecting the breath and eyes of people of all age brackets, chiefly sick elderly ones who, inside their apartments or houses, had burning in their eyes and inhaled tear gas. This regrettable fact has left people in panic. At the same time, those who live in higher floors were also harmed in the same way. Besides, a big smell of power also got things worse for  the dwellers in the neighborhood of Maracanã Stadium.

The governor of Rio de Janeiro is surely the major responsible for this indirect invasion in the homes of the inhabitants’ privacy, as much as the lack of competence of the policemen is a sign of disrespect towards the inalienable rights of the dwellers’ citizenship which were infringed in their peace, rest and security .

So, the rights of Brazilian citizens were deeply hurt by the police actions, not only in what regards damages to their health and rest but also in what concerns a kind of invasion of private property, victims of pollution of gases expelled by the police , as well as sound pollution from deafening bombs exploded on residential streets.

Governor Sergio Cabral, once again, gives proofs that his mandate is ruled by brute force and by unconcern for the rights of security and physical integrity of those who elected him for a second mandate. In this connection, the rights of dwellers of Tijuca and of all neighboring streets of Maracanã Stadium were profoundly broken during the game of the Confederacies Cup.

I want to express in this column my deep protest against this form of “vandalism” commited by the police itself against the inhabitants of Tijuca.

The governor gives more security to the a soccer match and to those that went to watch the game than to the people who do not have 6,600 soldiers to defend them against the wave of violence in Rio de Janeiro, It is a shame for the state government. We understand that a politician give all attention to an attractive people loved sport which, in turn, has a negative side, a strong yeast towards alienation of the individuals.

NOTE:  I  have made a correction now  of the  right number of soldiers who were at the Maracanã Stadium  to defend it and the soccer rooters  who attended  the match.    


 Autoritarismo de Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro



                                                                                                 Cunha e Silva Filho


Não é esta a primeira vez que o Sr Sérgio Cabral, demonstra a sua grosseria contra povo carioca.Tempos atrás, em seu mandato (está agora no segundo mandato) , deu cabais demonstrações de ofensas a profissionais de medicina que reclamavam contra condições precárias de trabalho baixíssimos salários. Ficou também conhecido por sua repressão contra bombeiros que, em greve, reivindicavam por melhores condições de trabalho e por salários condignos.. Ainda ficou conhecido pela sua arrogância visivelmente demonstrada diante de situações nas quais o povo do Rio de Janeiro se queixa por vários motivos de sua administração em geral. Não é de agora que ele mostra o seu bifrontismo político assim como sua subserviência ao governo federal.

Neste momento em que escrevo esta coluna, os moradores do entorno do Estádio do Maracanã, símbolo do futebol brasileiro, foram vítimas indefesas da truculência do seu governo. Forças policiais do  governo, mobilizadas estrategicamente em vários ruas perto do Estádio, foram bloqueadas em todos os acesso que davam para o Maracanã, a fim de defender este, formando um batalhão que mais parecia estar preparado para uma guerra civil.

Havia 6.000 soldados da Polícia militar e 600 militares da Guarda Nacional que se postaram em várias ruas perto do estádio, as quais foram bloqueadas em todos os acessos ao Estádio, com exceção daqueles que eram destnados a  torcedores com bilhetes para assistirem  ao jogo. Os policiais ali estavam para dar segurança àqueles torcedores brasileiros e espanhóis que iriam assistir ao jogo da Copa das Confederações, na partida final para decidir o campeonato entre as seleções da Espanha e do Brasil. Do lado de foram, do Estádio havia manifestantes que protestavam contra uma série de males sociais do país. Entretanto, estavam situados a uma boa distância do Maracanã, respeitando os limites impostos pelas forças de segurança estaduais.

Ora, bem sabe o mundo que o Brasil está vivendo um delicado momento de sua história política com o povo em massa nas ruas fazendo passeatas e manifestações contra um série de reivindicações justas por melhorias de vida em diversos setores da sociedade: transporte, segurança, saúde, educação, entre outras. Prioridades fundamentais. A par disso, o governo está sendo responsabilizado por não resolver os problemas gritantes da corrupção política, notadamente por não ter ainda levado à prisão políticos que participaram do chamado esquema do “Mensalão” - um esquema que foi ardilosamente arquitetado entre membros do alto escalão do governo federal durante os mandatos de Lula, políticos e im presas privadas e bancos cm o a finalidade de roubar dinheiro publico através de suborno e outros meios desonestos. Além disso, há outras falcatruas cometidas no atual governo puseram mais combustível envolvendo a classe política pelo menos durante os dez últimos anos em que o Partido dos Trabalhadores (PT) está no poder. Todos estes fatos negativos prepararam o terreno para este estado de indignação e de descontentamento pelo cinismo deslavado de representantes do povo.

No bairro da Tijuca, a repressão da Polícia Militar do Rio de Janeiro não respeitou os moradores de apartamentos que sofreram com os jatos de gás lacrimogêneo e bombas ensurdecedoras lançados por policiais, de forma indiscriminada, contra supostos arruaceiros formados de jovens manifestantes que, acuados pelos soldados, correram pelas ruas circunvizinhas.

Ocorre que o gás lacrimogêneo, espalhando-se por toda a parte entre prédios residenciais da Tijuca, causaram mal-estar na saúde de moradores de todas as faixas etárias, sobretudos de pessoas idosas doentes.

Este lastimável fato deixou em pânico todos esses moradores, até mesmo os que vivem nos andares mais altos, todos afetados em seus olhos e nas suas fossas nasais pela inalação daqueles gases. Além disso, um grande cheiro de pólvora também agravou a situação de moradores nas vizinhanças do Maracanã.

O governador é, sim, responsável por esta invasão indireta no recinto de muitos lares afetados pela selvageria da polícia militar que n ao respeitou o direito de paz e tranquilidade e segurança dos moradores circunvizinhos ao estádio do Maracanã.

Os direitos do cidadão brasileiro foram profundamente lesados pela ação policial, tanto no que diz respeito aos danos à saúde e sossego dos moradores quanto por uma espécie de invasão da propriedade privada, vítima da poluição dos gases expelidos pela polícia.

O governo do Sr. Sérgio Cabral, mais uma vez, dá provas de que é regido pela força bruta e pelo desrespeito aos direitos inalienáveis da segurança e integridade física das pessoas, profundamente violados durante o jogo no Maracanã.

Quero expressar nesta coluna meu profundo protesto contra esta forma de “vandalismo” perpetrado pela própria polícia contra os moradores da Tijuca, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro.

O governador dá mais segurança ao futebol e aos que foram assistir ao Campeonato das Confederações do que ao povo que não tem 6.600 policiais  para defendê-lo contra a escalada de violência no Rio de Janeiro. É uma vexame para os cariocas! É compreensível que um político dê toda a sua atenção a um esporte atraente e querido do povo mas que tem seu lado negativo, um fermento forte para a alienação dos indivíduos.

Nota do Colunista: Retificamos, com mais precisão,  o contingente de militares  que  defendiam  o Estádio  do Maracanã.