Querer minimizar o grupo de manifestantes do movimento de protesto chamado “Ocupem Wall Street” é tentar tapar o sol com a peneira.
Não consigo ir fundo nas minhas memórias e delas retirar alguma manifestação, exceções feitas à Guerra do Vietnã, aos movimentos de igualdade racial, ou mais remotamente, à Grande Depressão de 1929. A visão que, por muito tempo, se teve dos EUA é a de um país capitalista, com maioria protestante e como a terra dos multimilionários, celebridades do mundo dos negócios, do mundo artístico, dos donos das mansões paradisíacas, da sociedade do dinheiro, do consumo estratosféricos.Como dizia, manifestações de protestos de cunho social sobre a política econômica americana, falar de pobreza extrema de cidadão americanos soaria quase como uma fato inventado de mau gosto. É certo que os EUA passaram pelo desassossego trágico do 11 de Setembro, porém este é um acontecimento que foge ao ponto central deste artigo.
Discordo da posição do sociólogo americano Michael Burawoy (Folha de São Paulo,09/10/11), da Universidade de Berkeley (EUA) que não enxerga no grupo de protestos “Ocupem a Wall Street” maior significação com consequências danosas ao capitalismo americano. Prefiro me alinhar às argumentações mais realistas e sensíveis do colunista do New York Times, Paul Krugman(O Globo, 08/10/11), diante dessa gente que, para o citado sociólogo de Berkeley, não passa de protestos de “excluídos,’ não como ele entende, de “explorados”. Por “explorados” quer ele significar indivíduos que têm trabalho, “posição estável,” sem, todavia, se importarem com a inevitável condição de espoliados pelo capitalismo nacional ou transnacional. Convém notar nesta questão dos protestos que até o presidente do Fed de Dallas, Richard Fisher, numa palestra no Texas, afirmou serem procedentes os protestos dos manifestantes.
O título do artigo de Krugman é explicitamente ácido e impactante: “Contra os malfeitores.” O lúcido jornalista não poupa os banqueiros ambiciosos, Shylocks da pós-modernidade, do neoliberalismo tentacular. O articulista vai até à raiz da questão crucial entre exploradores, explorados e acrescentaria de minha parte, os “excludentes” de que falou o sociólogo Michael Buravoy.
Para auferirem somas multimilionárias de dinheiro se aproveitaram da chamada “abertura do mercado” – espaço econômico-financeiro no qual se comportam com a liberdade suprema e o direito de tocar investimentos meramente especulativos, que não visam a nenhuma melhoria das condições de vida das populações.Só o que lhes aguça o interesse são os dividendos, “ o quanto deu na Bolsa”, os lucros fáceis e tanto melhores quanto mais altos encontrem fontes de investimentos em países de altos juros que, assim, lhes renderão fábulas de dólares e , em seguida, transferências de lucros para os paraísos fiscais e para seus gastos nababescos com iates, carros milionários, mulheres bonitas e sibaritismo de vida.
Krugman cita todos os atos praticados por banqueiros agiotas sem escrúpulos que em ações seguidas reveladoras do desrespeito à pessoa humana, como foi o caso da famosas tramóias em foram de “bolhas” resultantes de empréstimos suspeitos, com o socorro obtido com o governo federal e igualmente com o aval conseguido com políticos a fim de estes lograssem, junto ao Estado financiador e salvador de bancos quebrados, juros mais baixos e, após passada a crise, novamente se beneficiarem das regulações estatais, ou seja, o estatismo é bom quando o neoliberalismo se dá mal. O Leviatã temido transmuda-se em Papai Noel, ou melhor, em Santa Claus do neoliberalismo global. Que contrassenso e ironia macabra! No final da refrega, esses banqueiros terminam por saírem ilesos e lépidos das negociatas por eles cometidas.
Numa reportagem de meia página, sob o título geral “Turbulência Global”, vê-se o quanto a toda poderosa Wall Street – centro financeiro do capitalismo planetário – não pode mais ocultar a verdade dos fatos sobre a delicada questão econômico-social de parte do povo americano.
Na foto reproduzida no jornal podemos perceber sem esforço o rumo que tomaram os protestos se espalhando por cidades como Washington, Los Angeles, Tampa, Nova Jersey, Filadélfia, Chicago, Houston, Nashville, Seattle, entre outras.
Basta analisar semiologicamente os pôsteres, os cartazes e as fisionomias dos participantes para entendermos que não é tão simples assim o movimento de protestos americanos.Vejam-se algumas frrases para ilustração: “Este nãoç ´pe o futuro que nos prometeram”; “Empregos, nãoç acortes”; “Paz, não guerra”; “Covbrem impostos dos ricos”; “O reinado dos bancos, corporações gan aanciosas”; “Políticos não são mercadoria” etc., etc.
Este é o país do “sonho americano”, “A Terra da Promissão”, o lugar encantado da imigração passada, da clandestinidade a peso de ouro e do fracasso da imigração à custa de vidas humanas.
O momento crítico requer paciência e prudência. Quando os americanos, em diversas cidades importantes, difundiram a onda de protestos é sinal de que imperativo se torna uma busca urgente para reduzir esse desgaste.
Qual seria a relação, pergunto, em ter as manifestações dos povos árabes pela liberdade e governos democráticos e esse sinal não desprezível de americanos descontentes com um longo tempo de silêncio voluntário ou de alienação conveniente a cada cidadão o americano?
Existem pontos comuns entre as duas situações evidentemente. Há uma frase que se está tornando um slogan: “O tempo das ditaduras acabou”, frase que foi proferida pelo ex-presidente Bush pai no tempo da Guerra do Golfo. Para a conjuntura americana atual,, a frase corresponderia : “Basta de tanta protelação com respeito ao sistema financeiro americano.”
Os manifestantes da “Ocupe m a Wall Street” parecem ressoar semelhantes protestos próprios de países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, i.e., na América Latina, na América do Sul, no Caribe, em países africanos etc., etc.
Uma questão fulcral se impõe a um debate sério e profundo: o modelo neoliberal globalizado já deu farta demonstração de que é imperfeito e injusto, além de lesivo ao bem-estar dos povos. Há que se transformar em alguns pontos-chave, o primeiro dos quais seria a moralização da vida econõmico-financeira dos países que já passaram por amargas experiências (e ainda estão, como na Grécia). Sem mudar o comportamento ético daqueles que lidam com as finanças nacionais, será cada vez mais impossível de lidar com os sistemas de moedas, a riqueza natural, os bens da Natureza, o meio-ambiente global, o exagero da produção industrial-tecnológica em seu afã de mais e mais servir ao consumismo internacional, numa espécie de guerra entre mercados sem que haja um equilíbrio necessário entre compra e venda, moeda e câmbio, a questão dos juros. Sobretudo, atacando com virulência o mal do novo tempo: produzir riqueza proveniente do trabalho, da indústria e do comércio, do setor de serviços, e reduzir o tipo mais pernicioso de riqueza: a de ganhar dinheiro sem o suor do trabalho mas às expensas da agiotagem nacional e internacional.
Esta suposta riqueza sem finalidades de desenvolver os países pobres e miseráveis não é senão um câncer maligno que deve ser extirpado do mundo dos negócios no país e entre países. Esta falaciosa riqueza só traz vantagens aos investidores de papéis podres.
A continuarem em suas investidas de ganhos fabulosos conquistados nas especulações oportunistas e insensíveis do hiper-individualismo mercantilista, os senhores do big business globalizado só irão provocar novos protestos da humanidade que, com justiça se volta contra a opressão da pobreza, do desemprego, da falta de perspectivas de vidas dignas. Os regimes políticos,, as formas de governos, os sistemas políticos que se acautelem, aqui e alhures.
Os temas discutidos neste blog se concentram sobretudo na área de Literatura Brasileira, mas se estendem a outros temas e áreas culturais afins. Os gêneros literários da preferência da produção do autor são crítica literária, ensaios e crônicas. tradução de poesia estrangeira. Áreas de pesquisa e interesse do autor: teoria literária,história literária, vida literária.relação entre literatura, pobreza e violência, literatura universal e literatura de autores piauienses
terça-feira, 11 de outubro de 2011
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Um poema de Edna St. Vincent Millay (1892-1950)
On hearing a symphony of Beethoven
Sweet sounds, oh, beautiful music, do not cease!
Reject me not into the world again.
With you alone is excellence and peace,
Mankind made plausible, his purpose plain.
Enchanted in your air benign and shrewd,
With limbs a-sprawl and empty faces pale,
The spiteful an d the stingy and the rude
Sleep like the scullions in the fairy-tale.
This moment is the best the world can give:
The tranquil blossom on the tortured stem.
Reject me not, sweet sounds! Oh, let me live,
Till Doom espy my towers and scatter them,
A city spellbound under the aging sun.
Music my rampart, and my only one.
Quando ouço uma sinfonia de Beethoven
Oh, melodiosos son,s divina música, eterna sempre!
O mundo outra vez não me recuses.
Só contigo existem a paz e a beleza,
A humanidade plausível, seu intento explícito.
Fascinada com seu ar generoso e penetrante,
Com seus desajeitados membros e rostos pálidos e vazios,
Os rancorosos, os mesquinhos e os grosseiros
Dormem qual lavadores de prato dos contos de fadas.
O melhor que o mundo oferecer pode é este instante:
Do caule torturado o desabrochar tranquilo.
Melodiosos sons, não me rejeites, vida quero.
Até que a Parca minhas torres aviste e as espalhe,
Sob o sol envelhecendo uma cidade encantada,
Música, muralha minha, sem igual.
(Trad. de Cunha e Silva Filho)
Sweet sounds, oh, beautiful music, do not cease!
Reject me not into the world again.
With you alone is excellence and peace,
Mankind made plausible, his purpose plain.
Enchanted in your air benign and shrewd,
With limbs a-sprawl and empty faces pale,
The spiteful an d the stingy and the rude
Sleep like the scullions in the fairy-tale.
This moment is the best the world can give:
The tranquil blossom on the tortured stem.
Reject me not, sweet sounds! Oh, let me live,
Till Doom espy my towers and scatter them,
A city spellbound under the aging sun.
Music my rampart, and my only one.
Quando ouço uma sinfonia de Beethoven
Oh, melodiosos son,s divina música, eterna sempre!
O mundo outra vez não me recuses.
Só contigo existem a paz e a beleza,
A humanidade plausível, seu intento explícito.
Fascinada com seu ar generoso e penetrante,
Com seus desajeitados membros e rostos pálidos e vazios,
Os rancorosos, os mesquinhos e os grosseiros
Dormem qual lavadores de prato dos contos de fadas.
O melhor que o mundo oferecer pode é este instante:
Do caule torturado o desabrochar tranquilo.
Melodiosos sons, não me rejeites, vida quero.
Até que a Parca minhas torres aviste e as espalhe,
Sob o sol envelhecendo uma cidade encantada,
Música, muralha minha, sem igual.
(Trad. de Cunha e Silva Filho)
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Muitas saídas e poucas soluções
Cunha e Silva Filho
Às vezes, me pergunto como justificar tantos volumes de páginas sobre religiões foram gastos, tantas descobertas científicas foram feitas, tantos compêndios de direito, da família, cível, do trabalho, processual, constitucional, de filosofia, do trabalho, organizações dos direitos humanos, de proteção aos idosos, de proteção à infância e à juventude, aos animais, ao meio ambiente, se, na prática, pouco coisa sobra de eficaz, de constante, de útil para todos nós.
Acima das línguas, das etnias, dos costumes, das práticas sociais, dos desejos de paz universal persistem as oposições, os inimigos dos semelhantes e da humanidade, dos seres que no Planeta só vieram provavelmente para o cometimento do mal e da sua difusão.
Fazer o bem, sempre digo, é um ato dificílimo requer muita grandeza da alma, muita renúncia, muito amor ao próximo e tabmém muita incompreensão. Por isso, os santos, os limpos de espírito, os defensores da paz, da humanidade, do Terra, das crianças, dos idosos, dos fracos são poucos. Razão tem/tinha/terá Drummond, o grande bardo de Itabira “Mundo, mundo, vasto mundo/, se eu me chamasse Raimundo/, seria uma rima, não uma solução.”
Os tempos atuais não são aqueles dos melhores mundos possíveis. Muito ao contrário. Para onde olhamos, nos cercam de apreensões, de projeções, em geral, mais sombrias do que radiantes. A Terra me lembra uma “Serra das confusões.” Ou seria uma Wasteland elliotiana?
Instituições antigas, com a família, a igreja, para ficarmos só nestes dois exemplos, atravessam uma fase terrível de desapreço e de desmoralização com fundamentos que saem do próprio seio de cada uma. Como pode um igreja exigir dignidade de comportamento sexual se, no seio dela, campeia práticas torpes de sexualidade, com notícias comprovadas abertamente pela mídia internacional? Como ser pai e ao mesmo tempo ser acusado de pedofilia praticada contra o seu próprio sangue? Em que mundo estamos? Como igrejas conseguem arrancar de ignorantes anestesiados por espertalhões que aos templos entregam o que não têm, confiantes na ilusão do paraíso aqui na Terra de verem seus modestos desejos transformados em realidades que dispensariam a mediação enganosa daqueles que oferecem “migalhas” de seus minguados salários ou economias que irão se transformar em corporações de negócios milionários nacionais e transnacionais. Algumas seitas religiosas se transformaram na galinha de ovo de malabaristas engravatados.
O que falta ao meu país é sobretudo o instrumento inadiável de uma educação pública ou privada de qualidade. Alunos conscientes politicamente dos seus direitos e deveres de cidadania, de estar sempre com o pé no chão, não se deixarão embair por vendilhões e embusteiros não só no país mas no mundo todo.
O respeito às religiões é preceito constitucional, mas não quando o limite da Lei passa a ser instrumento de alienação para incautos e para uma população ignorante. Respeita-se a religião desde que ela não venda ilusões de bem-estar e de felicidade na sociedade civil. Pedir ajuda financeira dentro de limites compatíveis é uma coisa, mas praticamente “obrigar” alguém a contribuir já é uma ato ilegal.
Um país afundado na ignorância escolar é presa fácil de um lobo vestido em pele de cordeiro, ou até mesmo sem pele de cordeiro.
O alimento espiritual, as orações sinceras, o sentimento da fé em qualquer denominação religiosa séria fazem parte da unidade do ser. De resto, independente da religiosidade, tudo o que o homem faz ou pensa em benefício do seu semelhante, sem segundas intenções, merece louvores. Há ateus de alma de santo, como há “crentes” só de aparência.
Sejam, pois, bem-vindas todas as denominações religiosas contanto que despidas de interesses escusos, de exploração de ingênuos, de usos e abusos de subterfúgios solapadores dos minguados recursos da cegueira dos despossuídos da sociedade brasileira. Não confundam Deus com o vil metal do capitalismo mundial, motivo talvez maior das grandes desgraças da globalização tecnocrata, sorvedouro do que resta dos sentimentos nobres da Humanidade contemporânea.
Às vezes, me pergunto como justificar tantos volumes de páginas sobre religiões foram gastos, tantas descobertas científicas foram feitas, tantos compêndios de direito, da família, cível, do trabalho, processual, constitucional, de filosofia, do trabalho, organizações dos direitos humanos, de proteção aos idosos, de proteção à infância e à juventude, aos animais, ao meio ambiente, se, na prática, pouco coisa sobra de eficaz, de constante, de útil para todos nós.
Acima das línguas, das etnias, dos costumes, das práticas sociais, dos desejos de paz universal persistem as oposições, os inimigos dos semelhantes e da humanidade, dos seres que no Planeta só vieram provavelmente para o cometimento do mal e da sua difusão.
Fazer o bem, sempre digo, é um ato dificílimo requer muita grandeza da alma, muita renúncia, muito amor ao próximo e tabmém muita incompreensão. Por isso, os santos, os limpos de espírito, os defensores da paz, da humanidade, do Terra, das crianças, dos idosos, dos fracos são poucos. Razão tem/tinha/terá Drummond, o grande bardo de Itabira “Mundo, mundo, vasto mundo/, se eu me chamasse Raimundo/, seria uma rima, não uma solução.”
Os tempos atuais não são aqueles dos melhores mundos possíveis. Muito ao contrário. Para onde olhamos, nos cercam de apreensões, de projeções, em geral, mais sombrias do que radiantes. A Terra me lembra uma “Serra das confusões.” Ou seria uma Wasteland elliotiana?
Instituições antigas, com a família, a igreja, para ficarmos só nestes dois exemplos, atravessam uma fase terrível de desapreço e de desmoralização com fundamentos que saem do próprio seio de cada uma. Como pode um igreja exigir dignidade de comportamento sexual se, no seio dela, campeia práticas torpes de sexualidade, com notícias comprovadas abertamente pela mídia internacional? Como ser pai e ao mesmo tempo ser acusado de pedofilia praticada contra o seu próprio sangue? Em que mundo estamos? Como igrejas conseguem arrancar de ignorantes anestesiados por espertalhões que aos templos entregam o que não têm, confiantes na ilusão do paraíso aqui na Terra de verem seus modestos desejos transformados em realidades que dispensariam a mediação enganosa daqueles que oferecem “migalhas” de seus minguados salários ou economias que irão se transformar em corporações de negócios milionários nacionais e transnacionais. Algumas seitas religiosas se transformaram na galinha de ovo de malabaristas engravatados.
O que falta ao meu país é sobretudo o instrumento inadiável de uma educação pública ou privada de qualidade. Alunos conscientes politicamente dos seus direitos e deveres de cidadania, de estar sempre com o pé no chão, não se deixarão embair por vendilhões e embusteiros não só no país mas no mundo todo.
O respeito às religiões é preceito constitucional, mas não quando o limite da Lei passa a ser instrumento de alienação para incautos e para uma população ignorante. Respeita-se a religião desde que ela não venda ilusões de bem-estar e de felicidade na sociedade civil. Pedir ajuda financeira dentro de limites compatíveis é uma coisa, mas praticamente “obrigar” alguém a contribuir já é uma ato ilegal.
Um país afundado na ignorância escolar é presa fácil de um lobo vestido em pele de cordeiro, ou até mesmo sem pele de cordeiro.
O alimento espiritual, as orações sinceras, o sentimento da fé em qualquer denominação religiosa séria fazem parte da unidade do ser. De resto, independente da religiosidade, tudo o que o homem faz ou pensa em benefício do seu semelhante, sem segundas intenções, merece louvores. Há ateus de alma de santo, como há “crentes” só de aparência.
Sejam, pois, bem-vindas todas as denominações religiosas contanto que despidas de interesses escusos, de exploração de ingênuos, de usos e abusos de subterfúgios solapadores dos minguados recursos da cegueira dos despossuídos da sociedade brasileira. Não confundam Deus com o vil metal do capitalismo mundial, motivo talvez maior das grandes desgraças da globalização tecnocrata, sorvedouro do que resta dos sentimentos nobres da Humanidade contemporânea.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Um poema de A. E. Housman (1859-1936)
Look not in my eyes
Look not in my eyes, for fear
They mirror true the sight see,
And there you find your face too clear
And love it and be lost like me.
One the long nights through must lie
Spent in star-defeated sighs,.
But why should you as well as I
Perish? Gaze not in my eyes.
A Greecian lad, I hear tell,
One that many loved in vain,
Looked into the forest well
And never looked away again,
There, when the turf in springtime flowers,
With downward eye and gazes sad,
Stands amid the glancing showers
A jonquil, not a Greecian lad.
Não me olhe nos olhos
Não me olhe nos olhos, pois medo
Tenho que espelhem a tua real imagem diante de mim,
E com clareza plena aí a sua imagem veja
E se apaixone por ela e, tal como eu, se destrua.
Prolongadas noites inteiras nossas vidas seriam.
Malogrados destinos padecendo
No entanto, por que você, como eu, deveríamos
Morrer? Não, não me olhe fixamente nos olhos.
Segundo um relato, um jovem grego
Razões de tantas vãs paixões
Um dia, olhou para um poço silvestre
E, assim para sempre, imóvel se tornou.
Naquele lugar, ao desbotar a flor em tempo de primavera
Com os olhos fixos e tristes no fundo do líquido se quedou
Entre águas obliquas surgiu
Um junquilho, não um jovem grego
(Trad. de Cunha e Silva Filho)
Look not in my eyes, for fear
They mirror true the sight see,
And there you find your face too clear
And love it and be lost like me.
One the long nights through must lie
Spent in star-defeated sighs,.
But why should you as well as I
Perish? Gaze not in my eyes.
A Greecian lad, I hear tell,
One that many loved in vain,
Looked into the forest well
And never looked away again,
There, when the turf in springtime flowers,
With downward eye and gazes sad,
Stands amid the glancing showers
A jonquil, not a Greecian lad.
Não me olhe nos olhos
Não me olhe nos olhos, pois medo
Tenho que espelhem a tua real imagem diante de mim,
E com clareza plena aí a sua imagem veja
E se apaixone por ela e, tal como eu, se destrua.
Prolongadas noites inteiras nossas vidas seriam.
Malogrados destinos padecendo
No entanto, por que você, como eu, deveríamos
Morrer? Não, não me olhe fixamente nos olhos.
Segundo um relato, um jovem grego
Razões de tantas vãs paixões
Um dia, olhou para um poço silvestre
E, assim para sempre, imóvel se tornou.
Naquele lugar, ao desbotar a flor em tempo de primavera
Com os olhos fixos e tristes no fundo do líquido se quedou
Entre águas obliquas surgiu
Um junquilho, não um jovem grego
(Trad. de Cunha e Silva Filho)
domingo, 25 de setembro de 2011
Um estranho caso de suicídio
Cunha e Silva Filho
O local, uma escola municipal na área do ABC paulista. Os personagens diretamente envolvidos: uma professora e um menino de apenas dez anos.A motivação: aparentemente nenhuma. Resta, agora, a especulação ou mesmo o mistério de uma dois atos de insanidade.
O pequeno Davdi, aluno calado, de rendimento regular, tímido, mais na sua. A professora, uma jovem de 28 anos. Aparentemente, uma professora com tantas outras que enfrentam os atropelos da atividade docente nos dias de hoje.
A criança trouxe de casa uma arma de fogo, um revólver calibre 38, pertencente ao pai, um guarda municipal paulista. A arma do crime estava registrada, conforme apurou a polícia.
David, essa criança, assistia como de costume, à aula da professora. De repente, saca da arma e atira na professora Rosileide de Oliveira que estava de costas escrevendo no quadro.
Sai David da sala, não sei se às pressas, e, lá fora, no corredor - imagino -, pega da arma e dispara um tiro na cabeça. Não sei dos detalhes técnicos sobre o lugar em que a bala atingiu o menino, se foi no ouvido, ou na boca, ou na testa. Não importa, foi um projétil fatal, de vez que, no hospital para onde fora levado, não resistiu aos ferimentos e logo veio a falecer. A professora, atordoado, baleada pelas costas, foi atingida no quadril. Levada ao hospital, foi operada e, graças a Deus, se encontra fora de perigo.
Agora, como se há de explicar esta tragédia, talvez, na espécie, a primeira ocorrida no país. Uma dúvida tremenda paira no ar e deixa qualquer um incapaz de atinar para uma razão que pudesse levar o pequeno David a cometer duas atrocidades, contra sua mestra e contra ele próprio.
A quem cabe a culpa? Não saberia dizer se ao pai, se à mãe, ou à sociedade no seu todo. Alguém poderia afirmar: cabe ao pai por ter arma em casa e não a guardar em lugar de difícil acesso à criança. Ou seria por negligência da família do pequeno que não o alertou para perigos deste tipo? Ninguém sabe que argumento consistente se poderia ter para tentar elucidar este caso fatídico.E por que aquela criança teria feito isso contra a sua própria professora? Ódio latente, alguma mágoa desmedida, alguma palavra mais áspera que calasse fundo no espírito do menino? Seu pai confessara em reportagem ao Globo (24/09/2011) que o filho “sempre foi tranquilo.” Era um menino que tinha religião e era membro de uma igreja presbiteriana, fazia parte da leitura de oração durante o culto e ainda tomava parte da bateria de banda encarregada dos cânticos religiosos.
Há um pormenor que, de alguma maneira, pode sinalizar para alguma explicação da tragédia. Falando com repórteres e lhes pedindo que não fosse revelado, a delegada do 3º Distrito Policial, afirmara, na mencionada reportagem, que havia encontrado na mochila de David uns desenhos, um dos quais ostentava a figura de um menino com uma arma tendo um “inscrição”: “ Eu com 16 anos”. No desenho, o revólver “é apontado para uma pessoa que ele descreve como ‘o professor’. O pai de David nega este fato.
Sabe-se que já há muito tempo a relação entre aluno e professor mudou muito para pior. Os efeitos da violência do mundo contemporâneo se infiltrou em todos os recantos, em todos os aspectos da vida social. O professor brasileiro não é mais aquela figura que se respeitava no passado.
A sociedade hoje, por sua vez, não tem ajudado muito a fim de que o convívio entre aluno e professor possa melhorar em harmonia, paz, companheirismo, respeito e acato à autoridade docente. Ao contrário, há pais que só dão pessoa às razões dos filhos, achando que o professor não tem mais as habilidade necessária sem lidar co seus alunos.
O que os pais devem fazer sempre é valorizar o trabalho do professor e incentivar os filhos a respeitá-los como se fossem quase substitutos dos pais durante o tempo na escola. Os pais devem dialogar com os filhos sobre o papel primacial do professor na formação dos alunos, não só intelectual mas também, moral, ética instilando nos filhos princípios sãos de cidadania, de amor aos estudos, à escola, aos professores. Só por essas vias se consegue melhorar a harmonia entre o discípulo e o mestre.
Outros fatores há que pesar na explicação para este tipo de tragédia. Um deles me parece estar associado a jogos eletrônicos nos quais as crianças passam horas manipulando botões através dos quais o objetivo é “matar” personagens das imagens exibidas. Ora, banalizar esse tipo de ludismo implicando matanças eletrônicas nada de saudável pode oferecer a crianças que estão em desenvolvimento físico e psicológico, com a agravante de que, no cotidiano da vida brasileira, a mídia está aí diariamente mostrando doses maciças de violência em suas variadas formas.
Nos lares de famílias mal estruturadas, ou plenamente desestruturadas, a liberdade em excesso da exposição a imagens vivas de ações violentas ainda mais serve como forma realimentadora provocando mais efeitos deletérios e deformadores de uma vida mental e social sadia e de exemplos de comportamento ético tão necessários à formação de cidadãos comprometidos com o bem-estar seja na esfera individual, seja na esfera da sociabilidade, no respeito ao próximo e sobretudo na valorização da vida.
Ainda vejo que só na mudança estrutural da escola dirigida ao preparo dos valores voltados para a prática do bem e da boa convivência entre os alunos, e entre estes e os mestres, diretores e funcionários da escola se há de colher bons resultados visando à formação integral do individuo internalizando lições de bondade, de solidariedade, de respeito aos mais velhos e às regras disciplinares da instituição escolar.
A melhor pedagogia não pode dispensar o cumprimento dessas práticas de despertar no espírito do aluno a consciência do viver pautada na auto-estima e no reconhecimento de que só agindo em favor da construção do bem ter-se-á uma sociedade mais equilibrada.
O local, uma escola municipal na área do ABC paulista. Os personagens diretamente envolvidos: uma professora e um menino de apenas dez anos.A motivação: aparentemente nenhuma. Resta, agora, a especulação ou mesmo o mistério de uma dois atos de insanidade.
O pequeno Davdi, aluno calado, de rendimento regular, tímido, mais na sua. A professora, uma jovem de 28 anos. Aparentemente, uma professora com tantas outras que enfrentam os atropelos da atividade docente nos dias de hoje.
A criança trouxe de casa uma arma de fogo, um revólver calibre 38, pertencente ao pai, um guarda municipal paulista. A arma do crime estava registrada, conforme apurou a polícia.
David, essa criança, assistia como de costume, à aula da professora. De repente, saca da arma e atira na professora Rosileide de Oliveira que estava de costas escrevendo no quadro.
Sai David da sala, não sei se às pressas, e, lá fora, no corredor - imagino -, pega da arma e dispara um tiro na cabeça. Não sei dos detalhes técnicos sobre o lugar em que a bala atingiu o menino, se foi no ouvido, ou na boca, ou na testa. Não importa, foi um projétil fatal, de vez que, no hospital para onde fora levado, não resistiu aos ferimentos e logo veio a falecer. A professora, atordoado, baleada pelas costas, foi atingida no quadril. Levada ao hospital, foi operada e, graças a Deus, se encontra fora de perigo.
Agora, como se há de explicar esta tragédia, talvez, na espécie, a primeira ocorrida no país. Uma dúvida tremenda paira no ar e deixa qualquer um incapaz de atinar para uma razão que pudesse levar o pequeno David a cometer duas atrocidades, contra sua mestra e contra ele próprio.
A quem cabe a culpa? Não saberia dizer se ao pai, se à mãe, ou à sociedade no seu todo. Alguém poderia afirmar: cabe ao pai por ter arma em casa e não a guardar em lugar de difícil acesso à criança. Ou seria por negligência da família do pequeno que não o alertou para perigos deste tipo? Ninguém sabe que argumento consistente se poderia ter para tentar elucidar este caso fatídico.E por que aquela criança teria feito isso contra a sua própria professora? Ódio latente, alguma mágoa desmedida, alguma palavra mais áspera que calasse fundo no espírito do menino? Seu pai confessara em reportagem ao Globo (24/09/2011) que o filho “sempre foi tranquilo.” Era um menino que tinha religião e era membro de uma igreja presbiteriana, fazia parte da leitura de oração durante o culto e ainda tomava parte da bateria de banda encarregada dos cânticos religiosos.
Há um pormenor que, de alguma maneira, pode sinalizar para alguma explicação da tragédia. Falando com repórteres e lhes pedindo que não fosse revelado, a delegada do 3º Distrito Policial, afirmara, na mencionada reportagem, que havia encontrado na mochila de David uns desenhos, um dos quais ostentava a figura de um menino com uma arma tendo um “inscrição”: “ Eu com 16 anos”. No desenho, o revólver “é apontado para uma pessoa que ele descreve como ‘o professor’. O pai de David nega este fato.
Sabe-se que já há muito tempo a relação entre aluno e professor mudou muito para pior. Os efeitos da violência do mundo contemporâneo se infiltrou em todos os recantos, em todos os aspectos da vida social. O professor brasileiro não é mais aquela figura que se respeitava no passado.
A sociedade hoje, por sua vez, não tem ajudado muito a fim de que o convívio entre aluno e professor possa melhorar em harmonia, paz, companheirismo, respeito e acato à autoridade docente. Ao contrário, há pais que só dão pessoa às razões dos filhos, achando que o professor não tem mais as habilidade necessária sem lidar co seus alunos.
O que os pais devem fazer sempre é valorizar o trabalho do professor e incentivar os filhos a respeitá-los como se fossem quase substitutos dos pais durante o tempo na escola. Os pais devem dialogar com os filhos sobre o papel primacial do professor na formação dos alunos, não só intelectual mas também, moral, ética instilando nos filhos princípios sãos de cidadania, de amor aos estudos, à escola, aos professores. Só por essas vias se consegue melhorar a harmonia entre o discípulo e o mestre.
Outros fatores há que pesar na explicação para este tipo de tragédia. Um deles me parece estar associado a jogos eletrônicos nos quais as crianças passam horas manipulando botões através dos quais o objetivo é “matar” personagens das imagens exibidas. Ora, banalizar esse tipo de ludismo implicando matanças eletrônicas nada de saudável pode oferecer a crianças que estão em desenvolvimento físico e psicológico, com a agravante de que, no cotidiano da vida brasileira, a mídia está aí diariamente mostrando doses maciças de violência em suas variadas formas.
Nos lares de famílias mal estruturadas, ou plenamente desestruturadas, a liberdade em excesso da exposição a imagens vivas de ações violentas ainda mais serve como forma realimentadora provocando mais efeitos deletérios e deformadores de uma vida mental e social sadia e de exemplos de comportamento ético tão necessários à formação de cidadãos comprometidos com o bem-estar seja na esfera individual, seja na esfera da sociabilidade, no respeito ao próximo e sobretudo na valorização da vida.
Ainda vejo que só na mudança estrutural da escola dirigida ao preparo dos valores voltados para a prática do bem e da boa convivência entre os alunos, e entre estes e os mestres, diretores e funcionários da escola se há de colher bons resultados visando à formação integral do individuo internalizando lições de bondade, de solidariedade, de respeito aos mais velhos e às regras disciplinares da instituição escolar.
A melhor pedagogia não pode dispensar o cumprimento dessas práticas de despertar no espírito do aluno a consciência do viver pautada na auto-estima e no reconhecimento de que só agindo em favor da construção do bem ter-se-á uma sociedade mais equilibrada.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
É possível haver o Estado da Palestina
Cunha e Silva Filho
Se é verdade que, fora da região palestina e de Israel, os dois povos se entendem , sem conflitos nem sangue derrama, como são palestinos e judeus que moram em Nova Iorque ou em São Paulo, por que não seriam exeqüível a busca pela paz entre eles nas sua regiões precariamente demarcadas?
O pronunciamento do presidente Mahmous Abbas na ONU foi uma passo seguro e inteligente de um homem que, mesmo arrostando a oposição do grupo Hamas, procura uma abertura que deveria ter sido concretizada desde quando, em 1947, se criou o Estado de Israel após a Segunda Guerra Mundial. Não se pode duvidar das sérias intenções de Abbas em desejar que uma nova fase de paz para seu sofrido povo.
Se Yasser Arafat (1929-2004) a despeito de todos os esforços não o conseguiu, mesmo sendo uma figura carismática e desejosa de um país independente para os palestinos, cujos esforços de paz lhe valeram, em 1994, um Nobel de Paz, compartilhado com Shimon Peres e Yitzak Rabin(1922-1995), tenho esperança de que o discurso de Abbas reivindicando a condição de uma Estado livre e com fronteiras asseguradas pelos organismos mundiais, à frente a ONU, terá boa repercussão e haverá de conseguir seu objetivo. Os aplauso que obteve da 66ª Assembléia da ONU são fortes sinais de que é possível haver o Estado da Palestina.
Lamentavelmente, os EUA mais uma vez decepcionam as nações que partilham do mais do que justo pedido de Abbas. Sempre se alinhando, por motivos inconfessáveis e até diplomaticamente injustos, o veto norte-americano à pretensão de um Estado Palestino coloca a nação americana na contramão das práticas democráticas e mais acirra a animosidade das facções palestinas que votam desprezo aos governos americanos, e agora ao presidente Barack Obama com manifestações e slogans contra a pessoa de Obama, chamando-o também de criminoso. Obama, ainda neste aspecto, não se distingue dos seus antecessores cooptado que fica aos desígnios da política israelense.
Se de todo Mahmoud Abbas não lograr um assento na ONU, que pelo menos aos palestinos seja destinada a condição de “Estado Observador”. Não é o ideal, mas já um espaço de conquista
O que não pode continuar é a existência de um permanente estado beligerante entre palestinos e judeus que, aís sim, não levará a caminho algum da tão necessária paz. Hoje mesmo, 24 de setembro, houve a morte de um palestino por parte de militares judeus nas constantes desavenças pela reconquista dos territórios palestinos que foram tomados ilegalmente pelos judeus. A Faixa de Gaza, o geopolítica e economicamente controvertido território Cisjordânia, envolvendo ajuda financeira internacional, a parte de Jerusalém Oriental que caberia aos palestinos, as invasões de judeus em acampamentos de palestinos, os check-points que Israel estrategicamente coloca a fim de dificultar a entrada de palestinos no seu próprio território são alguns entre tantos outros constrangimentos impostos por Israel ao povo árabe
Se o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyhu, como em tantas vezes no passado sob outras lideranças, sinaliza para que primeiro os palestinos entrem em negociações com Israel, essa atitude me parece já gasta e esfarrapada, porquanto não levará a solução alguma que resulte no reconhecimento de um Estado palestino.
A meu ver, tal como se criou o Estado judeu em 1947, por decisão de governos sob a autoridade e o poder da ONU, só também pelo voto de aprovação dos membros efetivos deste organismo internacional será criado o esperado Estado palestino. Negociações de paz entre os dois povos serão inócuas, declaração de tréguas igualmente hão de concretizar a formação de um povo árabe independente e soberano.
Se é verdade que, fora da região palestina e de Israel, os dois povos se entendem , sem conflitos nem sangue derrama, como são palestinos e judeus que moram em Nova Iorque ou em São Paulo, por que não seriam exeqüível a busca pela paz entre eles nas sua regiões precariamente demarcadas?
O pronunciamento do presidente Mahmous Abbas na ONU foi uma passo seguro e inteligente de um homem que, mesmo arrostando a oposição do grupo Hamas, procura uma abertura que deveria ter sido concretizada desde quando, em 1947, se criou o Estado de Israel após a Segunda Guerra Mundial. Não se pode duvidar das sérias intenções de Abbas em desejar que uma nova fase de paz para seu sofrido povo.
Se Yasser Arafat (1929-2004) a despeito de todos os esforços não o conseguiu, mesmo sendo uma figura carismática e desejosa de um país independente para os palestinos, cujos esforços de paz lhe valeram, em 1994, um Nobel de Paz, compartilhado com Shimon Peres e Yitzak Rabin(1922-1995), tenho esperança de que o discurso de Abbas reivindicando a condição de uma Estado livre e com fronteiras asseguradas pelos organismos mundiais, à frente a ONU, terá boa repercussão e haverá de conseguir seu objetivo. Os aplauso que obteve da 66ª Assembléia da ONU são fortes sinais de que é possível haver o Estado da Palestina.
Lamentavelmente, os EUA mais uma vez decepcionam as nações que partilham do mais do que justo pedido de Abbas. Sempre se alinhando, por motivos inconfessáveis e até diplomaticamente injustos, o veto norte-americano à pretensão de um Estado Palestino coloca a nação americana na contramão das práticas democráticas e mais acirra a animosidade das facções palestinas que votam desprezo aos governos americanos, e agora ao presidente Barack Obama com manifestações e slogans contra a pessoa de Obama, chamando-o também de criminoso. Obama, ainda neste aspecto, não se distingue dos seus antecessores cooptado que fica aos desígnios da política israelense.
Se de todo Mahmoud Abbas não lograr um assento na ONU, que pelo menos aos palestinos seja destinada a condição de “Estado Observador”. Não é o ideal, mas já um espaço de conquista
O que não pode continuar é a existência de um permanente estado beligerante entre palestinos e judeus que, aís sim, não levará a caminho algum da tão necessária paz. Hoje mesmo, 24 de setembro, houve a morte de um palestino por parte de militares judeus nas constantes desavenças pela reconquista dos territórios palestinos que foram tomados ilegalmente pelos judeus. A Faixa de Gaza, o geopolítica e economicamente controvertido território Cisjordânia, envolvendo ajuda financeira internacional, a parte de Jerusalém Oriental que caberia aos palestinos, as invasões de judeus em acampamentos de palestinos, os check-points que Israel estrategicamente coloca a fim de dificultar a entrada de palestinos no seu próprio território são alguns entre tantos outros constrangimentos impostos por Israel ao povo árabe
Se o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyhu, como em tantas vezes no passado sob outras lideranças, sinaliza para que primeiro os palestinos entrem em negociações com Israel, essa atitude me parece já gasta e esfarrapada, porquanto não levará a solução alguma que resulte no reconhecimento de um Estado palestino.
A meu ver, tal como se criou o Estado judeu em 1947, por decisão de governos sob a autoridade e o poder da ONU, só também pelo voto de aprovação dos membros efetivos deste organismo internacional será criado o esperado Estado palestino. Negociações de paz entre os dois povos serão inócuas, declaração de tréguas igualmente hão de concretizar a formação de um povo árabe independente e soberano.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Um poema de Emily Dickinson ( 1830-1886)
)
A bird came down the Walk
A bird came down the Walk-
He did not know I saw-
He bit an Angloworm in halves
And ate the fellow, raw,
And then he drank a Dew
From a convenient Grass --
And then hopped sidewise to the Wall
To let a Beetle passs --
He glanced with rapid eyes
That hurried all around-
They looked like frightened Beads, I thought -
He stirred his Velvet Head
Like one in danger, Cautious,
I offered him a Crumb
And he unrolled his feathers
And rowed him softer home ¬-
Than Oars divide the Ocean,
Too silver for a seam-
Or Butterflies, off Bank of Noon
Leap, plashless as they swim.
Pelo Caminho um pássaro desceu
Pelo Caminho um pássaro desceu
Nem suspeitou de que o vi -
Um Verme-Isca, em duas partes, mordendo
E devorando-o vivo
Uma gota de orvalho, depois, sorveu
De uma folha de relva útil –
Pulou, em seguida, para o Muro
A fim de a um Escaravelho passagem dar.
Rápidos olhares lançou
Os quais, no ambiente, se propagaram
Olhares que nem Contas assustadoras, pensei –
A Cabeça de Veludo movimentando.
Como alguém em perigo, Cauteloso,
Um miolho de pão lhe oferecendo.
Então, as penas se soltaram
E para casa remou mais suave
Do que os Remos o Oceano separando,
Prata em demasia para um sulco –
Ou Borboletas, distantes das Margens do Meio Dia
No espelho, silenciosas, deslizando pulam.
(Trad. de Cunha e Silva Filho)
A bird came down the Walk
A bird came down the Walk-
He did not know I saw-
He bit an Angloworm in halves
And ate the fellow, raw,
And then he drank a Dew
From a convenient Grass --
And then hopped sidewise to the Wall
To let a Beetle passs --
He glanced with rapid eyes
That hurried all around-
They looked like frightened Beads, I thought -
He stirred his Velvet Head
Like one in danger, Cautious,
I offered him a Crumb
And he unrolled his feathers
And rowed him softer home ¬-
Than Oars divide the Ocean,
Too silver for a seam-
Or Butterflies, off Bank of Noon
Leap, plashless as they swim.
Pelo Caminho um pássaro desceu
Pelo Caminho um pássaro desceu
Nem suspeitou de que o vi -
Um Verme-Isca, em duas partes, mordendo
E devorando-o vivo
Uma gota de orvalho, depois, sorveu
De uma folha de relva útil –
Pulou, em seguida, para o Muro
A fim de a um Escaravelho passagem dar.
Rápidos olhares lançou
Os quais, no ambiente, se propagaram
Olhares que nem Contas assustadoras, pensei –
A Cabeça de Veludo movimentando.
Como alguém em perigo, Cauteloso,
Um miolho de pão lhe oferecendo.
Então, as penas se soltaram
E para casa remou mais suave
Do que os Remos o Oceano separando,
Prata em demasia para um sulco –
Ou Borboletas, distantes das Margens do Meio Dia
No espelho, silenciosas, deslizando pulam.
(Trad. de Cunha e Silva Filho)
Assinar:
Postagens (Atom)