sábado, 25 de janeiro de 2020

Referências bibliográficas: algumas observações


                                                                                     Cunha e Silva Filho

          Procurando algumas obras a fim de completar a bibliografia de um prefácio que acabo de escrever co-adjuvando a autora, me senti impelido a lhes apresentar meus amigos, colegas e leitores em geral , uma questão de sociologia da literatura e até mais de vida literária.
          Para o festejado e amado escritor Monteiro Lobato (18812-1948), a vida literária, nos seus bastidores, à boca pequena, não passa do que afirmei em meu livro "As ideias no tempo" sobre o que pensava o autor de" Urupês" (1918)).
           Permitam-me uma autocitação: “ O maior pecado que cometemos é, sem dúvida, o desejo de pensar que, no domínio intelectual - aqui pensamos nas palavras de Monteiro Lobato – coexistam só bondades e honestidade, pureza e autenticidade.”
           Segue adiante, a organização da bibliografia do livro a ser lançado. Não lhes vou adiantar o tema nem o nome do autor para deixá-los com aquele gostinho de curiosidade em saber do que fala o livro em questão.
Provavelmente, alguns leitores possam até dar um palpite, tentar adivinhar ou mesmo estranhar o ocultamento do livro a ser ainda lançado. Tomara que o seja e não demore muito a data do lançamento.
          No entanto, o motivo deste artigo é comentar alguns pecado ou pecadilhos de quem prepara, por exemplo, obras de historiografia literária e tenha que decidir o número de autores que, no juízo do autor, nesse gênero, nelas constarão e serão objetos de análises ainda que sejam despiciendas. Seguem abaixo, os autores e respectivas obras constitutivas da bibliografia, assim como alguns reparos meus sobre os acima-citados “pecados ou pecadilho” da bibliografia do livro a ser lançado:

Acervos do Arquivo de Cunha e Silva e entrevistas com os políticos Manoel do Bar (falecido), João Almeida (falecido), Emília da Paixão ( carinhosamente apelidada de Bizinha (falecida), Chico Câmara, médico Agenor Lira. Depoimentos dos entrevistados pela professora de história Euzeni Dantas (Patrimônio Histórico ) e Ronaldo Moura, Museus e Carnavais de Amarante..
Boletim Informativo, Arquivos de Amarante. s/d.
BRASIL, Assis. A poesia piauiense no século XX. Antologia. Coleção Poesia Brasileira. Organização introdução e notas de Assis Brasil. Rio de Janeiro:: Imago Ed.;Teresina, PI.: Fundação cultural Monsenhor Chaves, 1995, 328 p. Obra de importância capital para o leitor ter uma visão ampla de autores piauienses, principalmente, pela exposição clara e criteriosa de comentários críticos.
CANDEIRA FILHO, Alcenor. Aspectos da literatura piauiense. Teresina: Editora e Gráfica da UFPI, 1993, 131 p.
CASTELO BRANCO, Homero. Ecos de Amarante. Rio de Janeiro: Litteris Editora, 2001, 423 p.Ver p.310-316.
CASTRO, Nasi. Amarante – um pouco da história e da vida da cidade. Teresina: Projeto Petrônio Portella, 1986, 64 p. Introdução, sob o título “Amarante e a memória piauiense,” de M. Paulo Nunes, p. 3-4.
.......... Amarante, folclore e memória. 3 ed. Teresina: COMEPI, 2001. Reproduz Introdução de Dagoberto Carvalho Jr. e prefácio de Virgílio Queiroz.
Encontro Cultural em Amarante. Boletim informativo, 1985.
-------. Amarante, folclore e memória. Teresina: Projeto Petrônio Portella, 1994, 226 p. Introdução de Dagoberto Carvalho Jr. Prefácio de Virgílio Queiroz.
MOREIRA LIMA, Lourenço. A Coluna Prestes, marchas e combates. 3. Ed. São Paulo, SP.: Editora Alfa-Ômega.
MORAES, Herculano. Visão histórica da literatura piauiense. Rio de Janeir: Companhia Editora Americana, 1976;179 p. É um edição ainda bem esquemática, abrangendo mais informações biobibliográficas.
...........Visão histórica da literatura piauiense. 4. ed. em três volumes. 4. Ed.Teresina: H. M. Editor, 1997.
Essa novas edições já dão um passo bem mais amplo na questão de metodologia, de historiografia literária e de apreciações críticas pertinentes e originais.
         Entretanto, nela são omissos escritores piauienses como Cunha e Silva Filho e outros. Silva Filho já havia publicado livro, talvez a primeira Dissertação de Mestrado escrita por um piauiense e que recebeu nota excelente da Banca Examinadora da Faculdade de Letras da UFRJ, em 1994, de título "Da Costa e Silva: uma leitura da saudade, uma análise pioneira na questão do eixo temático. Esse ensaio foi, posteriormente, publicado em livro, em 1966, pela Academia Piauiense de Letras em convênio com a Universidade Federal do Piauí(UFPI).
         Desde 1963, aproximadamente, vinha publicando, em jornais de Teresina, artigos sobre literatura e outros temas e gêneros literários elogiados por intelectuais do Piauí, entre outros, do porte de A. Tito Filho (1924-1992) Darci Fontenele de Araújo (1916-1974), Jeremias A, P.Silva (Drumond). Entretanto, não obtive informação se ainda esse autor é vivo)),

MOURA, Clóvis. Argila da memória. São Paulo: Ed. Fulgor, 1963. Nesta obra, o poeta centraliza seu tema nos motivos suscitados pela cidade de Amarante. ............ Flauta de argila.- memória revisitada.Teresina: Gráfica Editora Júnior Ltda., 1992. Nesta obra, o autor, mais uma vez revisita, pela memória, a velha Amarante, o Piauí como um todo. Apresentação de M. Paulo Nunes
MOURA, Eleazar. Amarante antigo: alguns nomes e fatos. Gráfica Santa Maria, s. d.177 p, Inclui fotos. s/d.Ver Terceira Parte: Fatos e ocorrências do Amarante antig
NETO, Adrião Neto. Escritores piauienses de todos os tempos: dicionário biográfico Teresina: Halley S.A, 1995. 510 p.. 5211 fotos
o. Subseção 11: Educação e Cultura, p.111-113.Ver também, na Quarta Parte, a reprodução da Entrevista concedida ao Professor Cunha e Silva, à Revista Educação Hoje p. 125- 135.
SANTOS. Luís Alberto dos. Amarante,PI.(Personalidades e fotos marcantes). Teresina: Gráfica Ipanema, 2011.
TEIXEIRA PACHECO, José Luís Bizinha, o legado vivo da cultura de Amarante. Teresina, PI.: Gráfica Editora Uruçuí., 2014.
MOURA, Francisco Miguel de. Literatura do Piauí.(1859-1999). Teresina: Edição da Academia Piauiense de Letras/convênio com o Banco do Nordeste, 2001. 295 p.
----------.Literatura do Piauí. 2, ed,, revista, ampl. e atualizada.

        Essa obra é bem superior à versão anterior (de Ovídio Saraiva aos nosso dias). A ótica metodológica é melhor do que as outras congêneres, excetuando, a meu ver, as análises e comentários do autor, quase sempre indo ao cerne do valor literário, maior ou menor, de escritores piauienses. É um bom instrumento de pesquisa para futuras gerações de estudiosos, historiadores de literatura e críticos literários.
       Gosto do escritor Chico Miguel de Moura como poeta de valor e como crítico arguto num julgamento sem favor algum. É pena que o autor, não obstante a citação passim no volume, não me dedique  uma só passagem comentando a minha obra de forma independente e particular como fazem os verbetes de dicionários de literatura, por exemplo, para citar o melhor no país, o de Afrânio Coutinho (1911-200)," Enciclopédia de literatura brasileira" (2001) em dois volumes.
       Creio que sou um "outsider" porque não sou um figurão da política nacional nem um soba piauiense dessa mesma política. No entanto, modéstia à parte, fui sempre um ensaísta ou articulista me ocupando com vários escritores piauienses. Na adolescência, em jornal de Teresina, o primeiro escritor de ficção sobre quem escrevi, foi, se me lembro bem, o saudoso escritor J. Miguel de Matos (1923- ?), comentando a novela "Brás da Santina" (1953), seu livro de estreia. Era militar, autodidata, porém foi principalmente escritor de temas literários diversos, com alguns trabalhos muito bons. Tinha uma vocação para a crítica literária e foi um bom analista de autores piauienses.

        Tendo eu já considerável produção (algumas inéditas) publicada em jornais e revistas piauienses e algumas obras editadas e, hoje, graças à Internet e ao meu Blog “As ideias no tempo,” ao site de jornalismo literário “Entretextos” dirigido pelo atuante escritor Dílson Lages e ao site internacional www.academia.edu.com. Atualmente,  venho escrevendo para a Revista romena Oriozon Literar Contemporan, 
       Seria uma omissão de ordem técnica e historiográfica  não merecer maior atenção em histórias literárias de autores piauienses. Quem quiser obter mais informações sobre o meu Curriculum Lattes ou o meu Curriculum vitae independente, terá que fazer por outros canais de comunicação virtual ou escrita.
         Uma situação de natureza historiográfica me faz sentir fora da órbita dos escritores que fazem parte do sistema literário ou canônico da literatura produzida no Piauí.
        Julgo que, da mesma maneira, se queixariam, por razões semelhantes, outros exemplos de autores piauienses de mérito. É lamentável essa omissão. É um deslize numa obra que se pretende  acadêmica. Tal fato aconteceu igualmente com o meu pai (a historia aqui se repetiu de pai a filho) que, sendo um jornalista político doutrinador muito fecundo e brilhante, independente e corajoso, só mereceu uma pequena nota de rodapé de um autor piauiense num livro sobre a história da imprensa piauiense.
      Meu pai, que tinha a veia de polemista e o modo sarcástico de fazer retratos hilariantes de personalidades políticas, ou não, com muito humor,  verve burlesca e caricatural, pulverizando o êmulo, não deixou passar essa omissão involuntária, ou não, em brancas nuvens. Deu-lhe o troco em artigo contundente num jornal de Teresina.


TITO FILHO, A. Governadores do Piauí. 2. ed, Rio de Janeiro: Editora Arte Nova, 1975.
SILVA, CUNHA E. A experiência de quem viveu parte da história do Piaui. Entrevista concedida ao acadêmico (APL), escritor, professor e jornalista Cunha e Silva pela Revista Educação Hoje Ano III - nº 06 – Revista trimestral – 15/10/86, p. 17-22. Inclui fotos do escritor e jornalista político da época da entrevista.
SANTOS, Luís Alberto dos.(Bebeto). Amarante - Personalidades e fotos importantes.Tersina.PI.,: Gráfica Ipanema, 2011.
PACHECO. José Teixeira. Bizinha.o legado vivo da cultura de Amarante, ,2014.
SILVA FILHO, Cunha e. Da Costa e Silva: uma leitura da saudade. Prefácio da Profa. Dra. Gilda Salem Szklo, ensaísta, crítica literária e professora de literatura brasileira da UFRJ., Rio de Janeiro, 17 de junho de 1996.Teresina,PI: Academia Piauiense de Letras (APL)/Universidade Federal do Piauí (UFPI). 1966, 108 p.
SILVA, Da Costa e. Zodíaco (1917), In: _ Da Costa e Silva - Poesias completas. 1885/1985. 3ª ed. Rio de Janeiro, RJ.: Editora Nova Fronteira, em convênio com o Instituto Nacional do Livro e Fundação Nacional Pró-Memória Edição do Centenário (1885/1985), revista e anotada por Alberto da Costa e Silva. Ver Seção "Minha Terra" (p.170.             Na sua generalidade, quase todo o conjunto da obra dacostiana metaforiza a cidade de Amarante.
SOUSA CASTRO, Olemar de. Minhas duas pátrias. Rio de Janeiro: Câmara Brasileira de Jovens Escritores, 2009 Ver o capítulo “Voltando a Amarante,” p. 53-64.
---------,Sob o sol poente.2.ed. ampliada. Rio de Janeiro: Câmara Brasileira de jovens Escritores, 2010.
...........Minhas duas pátrias. 2, ed, Rio de Janeiro, RJ.: Câmara Brasileira de Jovens Escritores, 2009.

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ACADEMIA.EDU.COM

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

QUANDO FIZ SESSENTA ANOS AGORA QUE JÁ COMPLETEI SETENTA E QUARO ANOS

FRAGMENTOS DE MEMÓRIAS



Cunha e Silva filho


                                                                  A meus filhos Francisco Neto e Alexandre

Queridos amigos e amigas!

          Certas datas de aniversário são importantes, como o primeiro aniversário de uma criancinha, a data dos quinze anos(sobretudo para as debutantes ), dos cinquenta, dos sessenta. Paro aqui porque ainda espero outras etapas. Completo sessenta, na realidade, já os completei no dia 7 deste mês de dezembro. No entanto, o que vale é a ação, a intenção, o valor simbólico demarcado.
         Vou seguir um conselho de minha esposa. Se cheguei a esta idade deve ter sido por vontade divina. Descobri, nesta nova fase de vida, que a Arte, sem o viver é incompleta. Vou, pois, completar-me com a Arte (especialmente com a arte literária, com a Literatura). Tenho amigos e conhecidos que não gostam de dizer a sua idade verdadeira. Eu não me importo com isso . A Arte, em todas as suas manifestações, equivale a viver com júbilo, emoção, plenitude, dignidade.
         Meu pai, Cunha e Silva (1905-1990) em carta, me confessou que aos sessenta se viu chamado pela musa Calíope. Segundo ele, poesia nele brotou diante da “amarguras da vida. Eu, ainda que com amarguras, não vou me tornar poeta, não obstante tenha, de forma bissexta, incursionado pelo terreno poético com alguns poucos poemas de menor “voltagem, ” poemas circunstanciais, diria melhor, presunção de jovens que pensam fazer tudo no campo literário. Vou, porém, continuar meus estudos literários aliando o prazer da análise ao julgamento estético.
        No mundo a criação artística, o ponto final só se dá com a nossa passagem do domínio terreno para o da dimensão do espírito. Claro que sentimos o fluir dos dias, meses, anos, décadas e séculos;Por outro lado, a temporalidade é pejada de subjetividade. Eis por que, no nosso particular mundo interior, não nos percebemos velhos e descartáveis.
        A nossa velhice está nos outros através dos rótulos e das discriminações .Uma vez minha mãe Ivone, uma bela mulher, me falou que, à altura dos setenta anos, não se sentia idosa. Sentia-se sempre plenamente remoçada. Meu pai, por sinal também, nunca deixou escapar qualquer resquício de sentimento negativo com a vida de idos, mesmo ao chegar aos oitenta anos. Por que essa atitude? Porque ele e mamãe amavam a vida e tinham ainda sonhos e esperança em dias melhores.
       Gilberto Freyre (1900-1987), notável sociólogo brasileiro, certa vez formulou a ideia de um tempo tríbio - um tempo que para ele somaria o passado, o presente e o futuro numa espécie de fusão de temporalidades, nas quais a sensação resultaria num eterno presente, como forma de não nos apegarmos tão-somente, ao meu juízo, com a preocupação das apreensões do futuro. Tal sensação, ou melhor, percepção desse eterno presente, seria uma maneira de nos sentirmos dentro da contemporaneidade. Não vejo, assim, coisa mais saudável ao espírito para regressarmos ao passado com saudades e aproveitar o presente da melhor forma possível.
       Um texto límpido e fascinante do psiquiatria Augusto Cury, numa abertura a um capítulo do livro Pais brilhantes, Professores fascinantes 7 ed.( Rio de Janeiro: Sextante, 2003,p. 103) há o seguinte pensamento: “Se o tempo envelheceu o seu corpo mas não envelheceu a sua emoção, você será sempre feliz.”
       Essa emoção não a quero perder visto, porquanto não entendo a vida sem a emoção, como não a entendo sem o choro, a sensibilidade, a solidariedade e a dor do outro. Isso não é pieguismo inócuo, porém demonstração inequívoca de que alguém se toca diante de fatos e acontecimentos que nos fazem vibrar de alegria, chorar de emoção ou chorar pela tristeza alheia. Por isso, a arte da comédia, a arte do drama e da tragédia têm seus fundamentos derivados do riso, do ridículo e da catarse.
       Reunindo vocês aqui, amigos queridos e diletos de longa data, amigos mais novos, de coração lhes agradeço pelo carinho de suas presenças no playground do meu prédio. Aqui tenho amigos, cujos laços cada vez mais se estreitaram ao longo do tempo, como da mesma forma tenho nesse recinto outros amigos mais recentes que tive o grato prazer de com eles travar amizade sincera.

       Para concluir, espero que se sintam como se estivessem em suas casas. Tenho dito.


sábado, 28 de dezembro de 2019

O FICCIONISTA JOSÉ RIBAMAR GARCIA: NOVO LIVRO


                                                                                                       Cunha e Silva Filho


         Talvez por ser um escritor que se divide em duas atividades, a de advogado trabalhista bem-sucedido e a de ficcionista, se explique a sua produção relativamente pequena. Do pouco que lhe sobra da intensa vida de advogado, penso que fez muito com tão pouco tempo para escrever. Contudo, Garcia é daqueles escritores que sacrificam, muitas vezes, seu lazer em proveito de intenso interesse pela sua produção literária e contínuo e criterioso aperfeiçoamento de sua técnica narrativa.

       Leitor voraz de obras literárias nos vários gêneros, estudioso dos temas brasileiros, homem calejado nos vários desafios enfrentados com destemor e paciência, Garcia tem, diante de si, essa gama de vivências e de conhecimento dos homens e da sociedade nos seus mais complexos meandros, mistérios e sortilégios.

      Sua literatura representa uma maneira de radiografar as ações, conflitos, alegrias, carências, ilusões e desilusões dos sentimentos do brasileiro, sobretudo das camadas menos favorecidas, traço forte de uma visão de autor que se pode encontrar em outros autores brasileiros do passado e do presente.
       O ficcionista nunca perdeu o contato com a sua terra natal nem o amor entranhado pela sua gleba. Não perdia a oportunidade para, com alguma frequência, viajar a Teresina e lá passar alguns dias ocupado com a sua vida literária, sua convivência com intelectuais da terra e com a divulgação de sua obra. Ora, como resultado de suas atividades literárias, com o conceito crescente que ia se consolidando junto à comunidade literária do Piauí, foi eleito para uma cadeira da Academia Piauiense de e Letras. Hoje, sua obra se espalhou por grande parte do país.


(Republicada com ligeiras modificações)


NOTA IMPORTANTE:

        Ao texto acima, escrito faz alguns anos, desejaria informar aos leitores que Jose Ribamar Garcia não mais pode ser chamado de um autor de obra pequena, pois, sempre ativo na produção literária, conseguiu mais renome e hoje conta com 13 obras ficcionais, a ultima das quais ainda será lançada brevemente que tem por título O relógio do Comandante - crônicas.( Rio de Janeiro: Litteris Editora, 2019, 127 p.).
       Além dessas obras no campo ficcional, escreveu um livro de sua especialidade advocatícia: Crise da Justiça e do Direito do Trabalho – ensaios.(Rio e Janeiro: LTR, 2001).
Em 2017, organizei, com uma Introdução aos contos reunidos dando uma panorâmica das obras do autor  até então publicadas, o livro Contos selecionados de José Ribamar Garcia.(Rio de Janeiro: Litteris Editora, 2017, 213 p.)

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

MENSAGEM PARA ISABELLA BASTOS DA CUNHA E SILVA: MINHA NETA


         HOJE É UM DIA FESTIVO, DE COMEMORAÇÃO, UM DIA EM QUE MINHA NETINHA ISABELLA CONCLUI COM BRILHO DE ALUNA EXEMPLAR, O SEU ENSINO MÉDIO NO RESPEITADO COLÉGIO MILITAR DE CURITIBA. ISABELA NASCEU NA CIDADE MARAVILHOSA. PORTANTO, É CARIOCA, COMO OS SEUS PAIS, MARISA BASTOS E FRANCISCO NETO, RESIDENTES NESTA CIDADE, A BELA CURITIBA DAS ARAUCÁRIAS. ISABELA TEM UMA IRMÃZINHA, AMANDA, QUE É CURITIBANA E É TAMBÉM ALUNA DO MENCIONADO COLÉGIO. TODO MUNDO SABE QUE, PARA INGRESSAR NO COLÉGIO MILITAR, INSTITUIÇÃO DO EXÉRCITO BRASILEIRO, NÃO É UMA CONQUISTA FÁCIL. O EXAME DE SELEÇÃO É RIGOROSO E O CANDIDATO TEM QUE MOSTRAR PREPARO E COMPETÊNCIA COMPLETA MAIS UMA ETAPA DE GRANDE RELEVÂNCIA DOS SEUS ESTUDOS, QUE É O ENSINO MÉDIO ORA REALIZANDO A SUA FORMATURA.

      ISABELLA QUERIA PORQUE QUERIA ESTUDAR NESSA ESCOLA DE ALTA QUALIDADE ENTRE AS ESCOLAS FEDERAIS BRASILEIRAS. QUERER É PODER E, POR CONSEGUINTE, A MINHA BELA NETINHA TORNOU REALIDADE AQUELE “QUERER! ALMEJADO, AQUELE DESEJO COLIMADO DE SUA VONTADE DE SER ALUNA DESSE CONSAGRADO EDUCANDÁRIO, CUJA SEDE, PODERIA DIZER MELHOR, ESTÁ NO RIO DE JANEIRO HÁ MAIS DE UM SÉCULO. COLÉGIO PRESTIGIADO JUNTO À SOCIEDADE POR TER UM QUADRO DE PROFESSORES SELECIONADOS ATRAVÉS DE CONCURSO PÚBLICO TAMBÉM RIGOROSO DE PROVAS E TÍTULOS. SEU CORPO DOCENTE É CONSTITUÍDO DE MESTRES COM LARGO TIROCÍNIO PARA OS EMBATES DA EDUCAÇÃO DE ALTA QUALIDADE. EU, SEU AVÔ, SEI DO QUE AFIRMO PORQUE FUI PROFESSOR TITULAR DE LÍNGUA INGLESA NO COLÉGIO MILITAR DO RIO DE JANEIRO, HOJE, APOSENTADO.
MAS VOLTEMOS À PERSONAGEM CENTRAL AQUI NESTE MOMENTO, QUE A FORMANDA ISABELLA. ESTA VITÓRIA É SUA, ISABELA, CONQUISTADA COM ESMERO, DEDICAÇÃO E TALENTO. A SUA ETAPA ORA CONCLUÍDA, É TAMBÉM A VITÓRIA DE SEUS PAIS, OS QUAIS TUDO FIZERAM AO SEU ALCANCE A FIM DE QUE VOCÊ ESTIVESSE HOJE NESTA FORMATURA. O ENSINO MÉDIO BEM FEITO, COMO É NO COLÉGIO MILITAR DE CURITIBA, É A PORTA DE ACESSO À UNIVERSIDADE.

      VOCÊ JÁ SE ENCONTRA NESSA FASE DE DECIDIR QUE CARREIRA LHE SERÁ MELHOR E DE ACORDO COM AS INCLINAÇÕES. SEI QUE É UMA TAREFA ÁRDUA ESSA ESCOLHA DE UMA CARREIRA QUE LHE SERÁ DECISIVA NA SUA FUTURA VIDA E PROFISSIONAL. O INGRESSO NO ENSINO UNIVERSITÁRIO SE CARACTERIZA POR UMA ELEVADA COMPETITIVIDADE QUE CHEGA A ASSUSTAR OS CANDIDATOS. NO ENTANTO, VOCÊ TEM TUDO PARA CONSEGUIR SEU OBJETIVO VISADO E FAÇO VOTOS QUE LOGO O ATINGIRÁ E COM SUCESSO. O TERCEIRO GRAU, O ENSINO SUPERIOR, É A ETAPA MAIS PESADA AO EDUCANDO. OS ESTUDOS SÃO MAIS INTENSOS E COMPLEXOS. EXIGEM GRANDE DEDICAÇÃO, RESPONSABILIDADE, DISCIPLINA NO ESTUDAR, MÉTODO DE ESTUDAR E DESEJO DE CHEGAR AO FINAL DA GRADUAÇÃO. A UNIVERSIDADE, EU DISSE ALHURES, É VIDA. O ENSINO MÉDIO É PREPARAÇÃO TANTO AOS ESTUDOS UNIVERSITÁRIOS QUANTO É O ENSINO MÉDIO PARA QUEM NÃO ASPIRA AO ENSINO SUPERIOR. NEM TODOS TÊM OS REQUISITOS MÍNIMOS AO ENSINO NA UNIVERSIDADE. NEM TODOS ALMEJAM UM CURSO SUPERIOR. NÃO SÃO FELIZES APENAS OS QUE TÊM DIPLOMA DE GRADUAÇÃO. OS PROFISSIONAIS ORIUNDOS DO ENSINO MÉDIO PODEM IGUALMENTE SER VENCEDORES E FELIZES.

  QUERIDA E AMADA ISABELLA, OU ISA, COMO OS MAIS ÍNTIMOS CARINHOSAMENTE A CHAMAM, V, ESTA´, POIS, DE PARABÉNS. JÁ CONQUISTOU O ENSINO FUNDAMENTAL E, AGORA, O ENSINO MÉDIO. É HORA DE CONGRATULAÇÕES E DE MUITO CONGRAÇAMENTO, ALEGRIA, FELICIDADE, SUCESSO, ENFIM, HOJE É SEU ADEUS AO QUERIDO COLÉGIO MILITAR, SUA DESPEDIDA EM RELAÇÃO AOS COLEGAS, FUNCIONÁRIOS, INSPETORES DE TURMA, SEUS ESTIMADOS PROFESSORES. HOJE É UM DIA SOLENE, DE PAIS E MÃES EMOCIONADOS COM O SUCESSO DE SEUS FILHOS.COMO LEMBRANÇAS LEVARÁ V. , ISABELLA, OS ALAMARES CONSEGUIDOS EM RAZÃO DOS SEUS ESTUDOS COM AFINCO, CONTÍNUOS E PROVEITOSOS PARA O RESTO DA VIDA.

    HOJE VOCÊ E SEUS COLEGAS SE TORNARAM EX-ALUNOS. COMO GRATAS REMINISCÊNCIAS FICAM O PÁTIO DO COLÉGIO, AS FORMATURAS, AS SALAS DE AULA, OS ALAMARES CONQUISTADOS, AS PATENTES CONSEGUIDAS POR SUA INTELIGÊNCIA. DEVOTAMENTO AOS ESTUDOS E DISCIPLINA, AS FESTAS DO CALENDÁRIO ESCOLAR, AS SOLENIDADES, AS ÁLACRES CONVERSAS JUVENIS ENTRE VOCÊ E SEUS COLEGUINHAS QUE A ACOMPANHARAM ATÉ ESTE FINAL GLORIOSO. QUE SEU DIPLOMA SEJA ABENÇOADO. ELE TEM PESO LÁ FORA. SER EX-ALUNO OU ALUNA DO COLÉGIO MILITAR DE CURITIBA OU DOS DEMEAIS ESPALHADOS PELO PAÍS, É UMA HONRARIA, UM PRÊMIO. UM GALARDÃO, UMA REFERÊNCIA. MERECE ELOGIOS. GRAÇAS AO ALTO CONCEITO QUE TEM ESTE COLÉGIO DIANTE DA SOCIEDADE BRASILEIRA.

   PARA VOCÊ, MINHA NETA QUERIDA, OS LOUVORES E O ORGULHO DE SEU AVÔ E DE SUA AVÓ PATERNOS, OS QUAIS GOSTARIAM DE TER, SE ASSIM PUDESSEM, A IMENSA ALEGRIA DE, PESSOALMENTE, CUMPRIMENTÁ-LA EM OCASIÃO TÃO SIGNIFICATIVA E MEMORÁVEL DE SUA VIDA DE EDUCANDA. EMOCIONADOS COM LÁGRIMAS DE FELICIDADE E CONTENTES COM A SUA COLAÇÃO DE GRAU ESTÃO SEUS AMADOS PAIS, FRANCISCO NETO E MARISA, SUA AVÓ MATERNA, SEUS FAMILIARES TODOS.

  AO CONCLUIR ESTA BREVE ALOCUÇÃO, MAIS UMA VEZ, LHE DESEJO, DO FUNDO DO CORAÇÃO, MAIS VITÓRIAS NA SUA VIDA, NA UNIVERSIDADE, NA VIDA PROFISSIONAL FUTURA, NA SUA VIDA PESSOAL E FAMILIAR. PARABÉNS, MINHA LINDA NETA ISABELLA. RECEBA O MEU ABRAÇO CARINHOSO E O DE SUA AVÓ ELZA, DO SEU TIO ALEXANDRE. VIVA A MINHA NETA ISABELLA!

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Mensagem ao 2º Salão do Livro de Amarante (SALIAMAR) a ser realizado de 28 a 30 de novembro de 2019 e a minha homenagem a Cunha e Silva, meu pai (1905-1990) Em 29 de November de 2019






Meus estimados amigos e conterrâneos de Amarante:
   

      Antes de tudo, gostaria de agradecer, “ab imo pectore, ” ao grupo de organizadores do Salão do Livro de Amarante pelo honrosa escolha de, nesta edição, escolher, como um dos homenageados ilustres, a figura de meu saudoso pai, o professor, jornalista, ficcionista (no gênero da novela e do conto), memorialista, crítico bissexto e, finalmente, poeta dedicando-se, a partir dos 60 anos, a esta forma de poema fixo chamada soneto, modalidade de poema praticada até hoje pelos maiores poetas ocidentais. Os demais escritores homenageados nesse Evento foram Da Costa e Silva, Clóvis Moura e, Nasi Castro Para o Evento foram convidados os ilustres escritores piauienses , membros da Academia Piauiense de Letras (APL), Elmar Carvalho, poeta, ficcionista, memorialista e ensaísta, e Reginaldo Miranda, historiador e pesquisador piauiense.
     Cunha e Silva, de quem herdei, com muito orgulho, o mesmo nome e a quem prestei tributo dando igualmente a meu filho mais velho o mesmo nome, nasceu em Amarante, Piauí a 03 de agosto de 1905. Nessa cidade de poetas que também se orna com a antonomásia de “Atenas Piauiense” em razão de, neste torrão natal, ter aqui nascido um bom número de figuras proeminentes nos campos da literatura, sobretudo de poetas celebrados, alguns até nacionalmente, como o nosso poeta maior piauiense, Da Costa e Silva e de outras áreas da vida pública, como governadores, deputados, juristas, prefeitos, vereadores, professores, historiadores, senadores, cientistas, escultores, pintores, entre outras atividades que exigem talento e vocação.
     Maior honraria não poderia acontecer a meu pai como esta da qual me muitíssimo me orgulho como filho deste berço e como filho do ilustre amarantino. Meu amado pai, Cunha e Silva, certamente do céu de Amarante “...se há um céu sobre a terra...”, aqui me utilizando do famoso soneto “Amarante, incluído numa das obras poéticas dacostianas, o criativo e festejado livro Zodíaco (1917).
Para mim, a grande contribuição de meu pai, no tocante à vida educacional de Amarante, foi ele haver fundado, em 1932, o famosíssimo Ateneu Rui Barbosa, nesta terra querida e sempre louvada em prosa e verso, no qual, sozinho, lecionou até 1947, quando se estabelece em Teresina como professor no Liceu Piauiense e, mais tarde, no também famoso Ginásio “Des. Antônio Costa,” dirigido pelos irmãos Magalhães, Professor Melo Magalhães e Professor Domício Melo Magalhães.
A permanência de meu pai como proprietário do Atenu Rui Barbosa foi um epoch making. Era um “ professor nato,” como se autodefiniu numa grande e longa entrevista, concedida à Revista Educação, Hoje. (Teresina:Secretaria de Educação do Estado do Piau, Ano III– Nº 6 –revista trimestral, 15/10/198, p.17-22), Essa entrevista é fonte indispensável para entender o seu papel de eminente educador tanto em Amarante quanto em Teresina.
    Orgulhava-se de seu Ateneu e afirmava que tinha tido sorte, pois dessa escola foi professor de futuras ilustres figuras da vida nacional, como Francelino Pereira, Eduardo Neiva, Dirceu Arcoverde, entre outros ex-alunos e nas diversas áreas do conhecimento humano. Na sua atividade docente em Teresina, prestou um memorável concurso público para professor catedrático de Historia do Brasil da Escola Normal Antonino Freire. Estava eu ali presente na década de 50 do século passado e assisti, bem menino e embevecido, à sua defesa oral. Foi aprovado com brilho. Meu pai, não sei por que razão, sempre me levava a ocasiões importantes de sua vida pública, como foi a sua posse como diretor do renomado Liceu Piauiense, realizada no Palácio de Karnak.
   O seu discurso de posse do cargo de diretor do Liceu foi, como sempre, eloquente, porquanto era um orador de peso e de improviso desde os tempos de Amarante, onde o consideravam o orador de eventos sociais e culturais.
   Cunha e Silva teve um educação esmerada, primeiro em escola de Teresina, depois, no Rio de Janeiro, cidade que tanto admirava, no Colégio Salesiano “Santa Rosa,” em Niterói. Finalmente, do Salesiano de Niterói foi para o Seminário de Lavrinhas, em São Paulo, da mesma ordem religiosa, onde foi concluir o noviciado para, em seguida, estudar em Turim, Itália. Desistiu da carreira eclesiástica. Voltou ao Rio e, finalmente, para Amarante – ponto de partida para a docência, primeiro como professor do Ginásio Amarantino, cujo diretor era o ilustre futuro renomado historiador Odilon Nunes e, mais tarde, como fundador e professor do Ateneu Rui Barbosa. Nesse tempo, já dava os primeiros passos vitoriosos no campo do jornalismo, onde, em Teresina, iria dar continuidade à carreira de professor e jornalista. Jornalista intrépido, independente, combativo em artigos assinados e em artigos de fundo.
    Não quero cansar esta seleta assistência com uma Mensagem mais prolongada. Entretanto, desejo apenas assinalar um campo de sua atividade intelectual, no qual Cunha e Silva alcançou o merecido sucesso: o jornalista político doutrinário, segundo o definiu o ilustre jurista piauiense Cláudio Pacheco, Professor-assistente do historiador Pedro Calmon na Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil, depois, denominada Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
     Era um vocacionado para a escrita em jornais revistas piauienses e bem assim para um jornal de São Luís, O imparcial e uns poucos artigos para o jornal Diário de Notícias, do Rio de Janeiro Seus primeiros artigos datam de 1928, escrevendo para o jornal O Floriano, da cidade do mesmo nome. No jornalismo, Cunha e Silva também se destaca na sua veia crítico-satírica. Era um polemista indiscutível, um demolidor como foi exemplo a sua breve e famosa polêmica com um dos mais eminentes intelectuais piauienses de todos os tempos, A. Tito Filho.
      Estimados conterrâneos, esta homenagem dirigida ao meu pai muito regozija o meu mundo interior povoado fartamente de memórias felizes ou tristes, cuja origem vem da minha forte inclinação ao sentimento da saudade, razão pela qual escrevi o meu mais recente livro, Apenas memórias (2016), um livro de reminiscências que vão de Amarante a Teresina e desta ao Rio de Janeiro, onde resido há longos anos. Pois bem, meu pai, é figura bem presente naquele livro e aparece em vários passos da obra.
      Para concluir essa Mensagem, diria que meu pai atingiu mais notoriedade dos piauienses quando passou a produzir no campo literário e ensaístico. Daí resultaram as seguintes obras legadas à inteligência piauiense: A república dos mendigos (Rio de Janeiro: Gráfica Editora Ltda, 1984), com apresentação e orelhas da minha autoria.; Copa e cozinha, sátira política, misto de ensaio político e memorialismo ( Teresina: Academia Piauiense de Letras/ Projeto Petrônio Portella,1988, que teria o prefácio de Tristão de Athayde (Alceu Amoroso Lima), porém, por uma razão ou outra, não se concretizou, embora o grande crítico e pensador católico carioca me tivesse prometido; Gatos de Palácio (s.d), cujos originais se perderam na voragem do tempo. Trata-se de uma corrosiva sátira sobre a vida política piauiense; A odisseia do cativeiro do Brasil ( Tese, 1952); O papel de Floriano Peixoto na obra da proclamação e consolidação da República (Tese, 1957).
      Cunha e Silva, por sua incomensurável contribuição à imprensa do Piauí (Talvez tenha sido o jornalista brasileiro que mais produziu artigos publicados numa trajetória ininterrupta de seis décadas) por sua atividade docente e pelo seu mérito de intelectual do tipo humanista, versado em vários campos do saber, foi acolhido, em 1975, para imortal da Academia Piauiense de Letras, cadeira nº 8, tendo sido recebido por A. Tito Filho, em cujo memorável discurso de recepção exaltou as qualidades de meu pai na oratória, no jornalismo e no magistério público e particular. Neste último lecionou francês (inclusive, para minha alegria e vaidade justa, foi o meu professor dessa disciplina no curso ginasial) por muitos anos no citado Ginásio “Des. Antônio Costa.” Meu pai, por seu turno, no seu discurso de posse na APL, mais uma vez, produziu uma notável peça literária, na qual se podem reconhecer o seu vasto conhecimento, sobretudo nas áreas da história, sociologia, geografia, filosofia, línguas(latim, francês e italiano) ciências políticas e de grande leitor da literatura, quer nacional,  quer universal.
      Espero que meus conterrâneos presentes ao Evento aproveitem a lição e o exemplo de Cunha e Silva e se orgulhem de o terem como ilustre amarantino, cujos restos mortais jazem no Cemitério desta cidade. Que todos os participantes desta festa da cultura de Amarante sejam bem-vindos ao Salão do Livro de Amarante e que os trabalhos apresentados pelos participantes tenham um excelente resultado. Viva Amarante! Viva Cunha e Silva! Um abraço fraterno do Cunha e Silva Filho

terça-feira, 26 de novembro de 2019

SEM ELA, SEM GRAÇA



                                                 Cunha e Silva Filho

        Ela me deixou sem avisar. Maldade dela! Sempre a encontrava, lá no fundo do longo corredor. Atiçando-me como um canto de sereia para Ulisses. Antes mesmo de morar no bairro, já se encontrava lá. Todos gostavam dela, acredito Era mesmo a personagem central. Por ela ia sempre lá vê-la, falar com ela e com ela me deleitando. Por que me deixou sem ao menos me comunicar, sem uma palavra, um bilhete, um e-mail, um msg ou mesmo um brevíssimo aviso no Zapp?
       Mas não, deixou-me órfão, me magoou muito, me fez sofrer o desespero de uma perda querida. Nunca vou entender nada disso que estou falando ou pensando ou escrevendo. E nem adianta berrar, gritar, reclamar. Não me ouvirão nem me darão justificativa da sua ausência súbita, em forma de ruptura definitiva, sem adeus nem nada. Apenas me deixou desconsolado, tamanho era o sentimento de amor que me ligava a ela.
Tenho, desde então, sentido muito a sua falta. Dor de cotovelo me assalta o peito, o coração, tudo. Olho pra aquele fundo do longo corredor e não a vejo mais. Sumiu como um disco voador. Não se faz isso com alguém que nos ama, que nos procura sempre naquele mesmo lugar disposto a dialogar e trocar carinhos. Quanta saudade já tenho dessa ausência amada!
       Há tempos que tinha contato com ela, uns dezoito anos, no barato. Mas, ela, sozinha, me abandonou sem aviso prévio, segundo já comentei atrás. Não me lembro dia do primeiro encontro, mas me lembro que era assíduo com o meu encontro. Nem mesmo sei definir o meu amor a ela. Ela conversava comigo, mas sempre sem deixar nenhuma deixa de que também gostava de mim ou pelo menos tinha alguma atenção a mim e à minha frequência de encontros, sobretudo aos sábados.
      Não nego que perdi outras com o coração entrecortado de dor. Oh, com tenho sofrido cm essa perdas em lugares de que gosto tanto, como o Centro do Rio! E nessa parte fundamental do Rio, foram muitas, algumas mais velhas, outras velhíssimas, algumas bem estruturadas, belas mesmo.
Mas as perdi pra sempre e só me resta o lamento, sem poder fazer nada contra quem foi culpado de as afastar de mim sem dó nem piedade. As perdas foram tão duras que me abalaram o meu interior pra sempre. Sem volta nem ressurreição. Página virada com fim infeliz. Me pergunto: por que me deixaram assim tão melancólico e sem ânimo?
       Foi maldade pura contra mim e os meus sentimentos volúveis. Certo que as amei quase por igual, dependendo da duração dos laços amoroso, das afinidade, da intensidade recíproca. Mas como dói a ausência, a solidão, o abandono, o adeus sem aviso !
      Só Deus sabe a dor da perda. Pensei que ela sempre estaria ali me esperando para um novo encontro e pronta a me mostras bons livros, novidade de publicações, se bem que eu mesmo gosto de ir ás estantes, sobretudo as de línguas, de literatura, de ensaios. Com ela comprei muitos livros de alta qualidade. Certo que alguns pesavam no meu bolso de professor.
      Só em vê-la sorrido pra mim, me deixava pra cima. . Conversando com ela, as tristezas diminuíam e meu coração batia forte, talvez mesmo muito mais do que o dela, pois amor é, às vezes, uma ambiguidade por toda a vida.Ninguém sabe com certeza se é amado ou se é uma ilusão de ótica. O sentimento navega por mares nunca navegados.
     Contudo, com essa perda e as anteriores, me vejo mais abatido, casmurro, sem ânimo, nem mesmo com aquela antiga vontade álacre de ir ao encontro dela. Passo por lá e não a vejo mais. Só saudades, solidão. Sem ela, sem graça. A vida prossegue. Parece- me que foi tudo sonhos da minha frágil imaginação. Li há muitos anos num livro de francês uma frase que tem relação com o que venho relatando: “On ne badine pas avec l’amour.” Não me lembro quem foi o autor da frase. A frase todavia, tem suas razões: “Não se brinca com o amor”. Caso alguém o faça, vai se dar mal com o sentimento e a dor, sobretudo da perda ou solidão de um dos dois lados.
     Voltemos a ela. Sim, nesse caso que se deu comigo fui eu quem deu provas de amor maior e dedicação e assiduidade e carinho e sinceridade. Brinquei com o amor e ele me deixou vazio e na solidão sem fim. Por outro lado há que explicar ao leitor as razões dessa tristeza e solidão: aquele pronome “ela!, que empreguei nessa história não é o que pensou meu coautor. Eu vinha me referindo, em todo o texto, ao fechamento da Livraria Saraiva no Shopping da Tijuca. O resto V. já sabe. Bom dia, leitor, nesta ensolarada manhã de novembro e com uma leve brisa refrescante soprando no meu rosto, na varanda da minha moradia.

sábado, 16 de novembro de 2019

TRADUÇÃO DO POEMA "MOTHER TO SON", DE LANGSTON HUGHES ( 1902-1967)"




Mother to  son
Well, son. I’ll tell you:
Life for me ain’t been no crystal  stair.
It’s had tacks in it.
And splinters,
And boards torn up,
And places with carpet on the floor –
Bar
But all the time
I’se been a-climbin’ on,
And reachin’ landin’s,
And turnin’ corners,
And sometimes goin’ in the dark
Where there ain’t  been no light.
So boy, don’t turn back.
Don’t you set down on the steps
”Cause  you finds its kinder hard.
Don’t you fall now –
For I’se still going’, honey,
I’se still climbin’,
And life for me ain’t been no crystal stair.

De mãe pra filho
Bem, meu filho, presta atenção:
Pra mim a vida não tem sido uma  escada de cristal.
Nela só
Montes de coisas,
Farpas,
Tábuas arrancadas
E lugares sem tapetes no barzinho
Da sala.
Mas  no batente tou  o  tempo todo,
Com tentativas de superação,
De alcançar metas.
De sair de aperturas,
De por vezes caminhar nas trevas
Onde não  há luz.
Assim, menino,  nada de andar pra trás.
Não fica inerte nos degraus
Por achar isso tudo  duro demais.
Não desiste  na primeira tentativa –
Pois ainda tou no batente, meu anjo,
E a vida  não tem   sido uma escada de cristal.
                                        
                                                        (Trad. de Cunha e Silva Filho)