quinta-feira, 28 de março de 2013

BRAZIL'S OVERVIEW CORNER: How's Syria now?



                                                                                                       By Cunha e Silva Filho



For some time now I have not returned to deal with this subject, I mean, the hard tribulations experienced by the Syrians still under the control of the dictator Bashar Al-Assad. The only fact I know is that the opposition against him still goes through a strong resistance in trying to take the power from the bloody hands of the violent strong man of the country, who remains insensitive, sometimes only showing a mocking simile, indifferent to the fate of hundreds of people  whose deaths, by order of his army, have been brought about pitilessly.

A wasted land in its architectural topography, in its buildings, in its homes, in short, in its infrastructure of facilities which should be rendered to the local population and what is always and most grievous in the repeated and accumulated losses of innocent lives during all this period of civil war, The worst of all this are not the material losses of course, but the human tragedy itself, with the loss of the least conditions of survival. Why, a country the population of which cannot foresee what, instantly, can happen to it, is left haunted all the time for fear of bombing blasts of all types of modern weapons thrown against what the government calls the opposition enemy forces. This Nero of modernity is able to have bombs explode in places and, in a communiqué, declares the blasts were thrown by what he labels “the rebels”. The latest news from the dictation’s actions that have come to my knowledge refers that he was injured in an attack of the opposition side. I wonder if this was no more than speculation, as the news coming from the country have difficulties in being broadcast  due to information control mechanisms of the government.

The reader can realize that, so far, I have not mentioned anything about international organizations that should take drastic steps against the dictator. In my view, everything diplomatically has already tried by the organization of the United Nations (UN) and its Security Council. However, as far as I know, nothing that I might seem as concrete actions has been done in order to minimize the pain of the Syrian people who, I had better say, are divided between those who stand up for the government and are so conniving with the dictator’s atrocities and those who vehemently reject bloodshed in the old Syria.

Now and then, a piece of news is given by the north American government reporting that the country is going to harden with the tragedy of the civil war in Syria. Nevertheless, what a contradiction of a country which attacked, without fair reasons, Iraq, in a deed resulting from a gross mistake of its foreign policy and, in the case of Syria, nothing of utmost importance has been done to reduce the hardships of Syrian society unfortunately now split in its political wishes. The United States, still in its position of world leadership in terms of weapon power, has truly the duty, combined with other countries making up the United Nations organization to help the opponents to overthrow Bashar Al Assad’s authoritarian regime. It seems to me, however that the United States, with all the internal problems still unsolved, specially the economic ones, fear entering with firm strength in the Syrian conflict.

In the meantime, the civil war among countrymen goes on violently, inhumanly, forlorn to their own fate of limited possibilities and available attack power counter-attacked by Al Assad’s heavier weapons with the possibilities of using or having used chemical ones. Diplomatic representatives from the United Nations and from other international organizations of peace, from the International Red Cross Aid, oftentimes have been talking in Damasco with the authoritarian government and, as a result, have not got practically almost nothing as far as negotiations are concerned. I wonder: what has resulted positively of everything that has so far been tried to secure peace along diplomatic negotiations so as to put an end to the Syrian dictatorship.

The United Nations has only acted to get harmless negotiations. Will not the dictator draw back and  give up the benefits and privileges entailed by power? Is he an unbeatable tyrant? All this leads me to think this issue over, i.e., surely the dictator has the military support of some countries it has diplomatic relations with, obviously because of economic and political reasons, whether it be Russia, or China, thus giving the impression of being undefeated?

The dictator’s images that, from time to time, are shown on TV news show him smartly dressed and with a countenance apparently serene which does  not correspond to the atrocities and horrors that Syrian society has gone through.

These strange images of his captured by us prove  they are fake images of his countenance, a sham of a haunted reality of a kind of  genocide of a man who looks like being for ever kept in his position of a true death’s man of his own people.

To us is left to remain disappointed, expecting that international seriousness and justice and their most competent organizations may meditate deeply on the sad fate  of  a people who have been  for two years  the sacrificed victims of a single man whose insensitivity hovers on human pain. May they not simply meditate but join efforts in this globalized world with a view to dismantle the Syrian dictatorship and redeem its people from “captivity” and  from  the severest hardships and sufferings, at least for those who, not having got to migrate to Turkey, or other neighboring country, have left behind them some marks of the blood shed from dead bodies of children, youngsters, adults and aged people, and gone in pursuit of a long time  cherished dream of peace of body and soul.(A translaton of this  article is shown  below)



Como está a Síria?


                                      Cunha e Silva Filho


Há tempos não volto a esse assunto, as atribulações experimentadas pelos sírios ainda sob o controle do ditador Bashar Al-Assad. Só sei que a oposição ainda resiste a uma tomada do poder nas mãos ensanguentadas do atrabiliário homem forte do país, impassível, por vezes mesmo esboçando um sorriso esgar , indiferente á sorte das centenas de mortes que, por determinação de seu exército, têm sido ceifadas sem dó nem piedade.

Terra arrasada na sua topografia arquitetônica, nas suas edificações, nas sua moradias, enfim, na sua infraestrutura de serviços que deveriam ser prestados à população, e, o que é muito e sempre gravíssimo nas repetidas e acumuladas perdas de vidas inocentes durante todo esse período de guerra civil. Não são as perdas materiais as piores sem dúvida, mas sim a tragédia humana, com a perda das mínimias condições de vida e sobrevivência. Ora, um país cuja população não pode prever o que, de um minuto para outro, pode lhe acontecer de desgraça, vive sobressaltado a todo instante por explosões de todo tipo de armas modernas lançadas contra o que o governo chama de opositores. Esse Nero da atualidade é capaz de mandar explodir bombas em lugares e, em comunicado, afirmar que as explosões partiram do que ele denomina cinicamente de “rebeldes.” As últimas notícias de que vim a saber referem que o ditador, num ataque da oposição, ficou ferido.Não sei se isso não passa de especulação, pois as notícias que vêm de lá encontram dificuldades de transmissão seguramente pelos mecanismos de controle de informação do governo.

O leitor pode perceber que, até aqui, não mencionei nada sobre organismos internacionais que deveriam ter tomado as providências drásticas contra o ditador. Tudo, no meu juízo, já foi tentado pela ONU e seu Conselho de Segurança. Mas, pelo que se vê, nada de mais concreto se tem feito para diminuir a dor dos sírios, aliás, divididos entre os que fazem coro com as atrocidades do ditador e outros que se lhe opõem veementemente pelo derramamento de sangue na velha Síria.

De vez em quando, uma notícia parte do governo norte-americano declarando que o país irá endurecer com a tragédia da guerra civil na Síria. Entretanto, que contradição de um país que atacou , sem razões imperiosas, o Iraque, num cometimento de um erro crasso de sua política externa e, para o caso da Síria, nada de grande importância tem feito para minimizar as agruras da sociedade síria infelizmente dividida nas suas aspirações políticas. Os EUA, ainda na sua condição de líder mundial, tem , sim , o dever, somado a outros países que fazem parte da ONU, de conseguir ajudar os opositores ao regime discricionário de Bashar Al Assad e apeá-lo do poder. Ma, me parece que os EUA , com todos os problemas internos a resolver, sobretudo os financeiros, receiam entrar com mais firmeza no conflito dos sírios.

Enquanto isso, a guerra civil entre irmãos da mesma pátria prossegue violenta, desumana, entregue à própria sorte das possibilidades e poder de ataque dos opositores contrapostos com as armas mais pesadas do ditador com possibilidade de usar, ou ter usado, armas químicas. Representantes diplomáticos da ONU, de outros organismos internacionais pacíficos, da Cruz Vermelha Internacional, já por várias vezes estiveram em Damasco, conversaram com o governo autoritário e de concreto praticamente nada sobrou.. Será que nada que se tem feito, no plano diplomático de negociações, serviu , até agora, para por um ponto final à ditadura síria? A ONU, o seu Conselho de Segurança, só têm servido para tentativas de negociações inócuas. Será que nada faz o ditador recuar e desistir do fascínio e das benesses do poder usurpado? Será Bashar Al Assad um déspota invencível? Dá o que pensar, seguramente o ditador conta com o apoio de países e de ajuda militar e política, seja a Rússia, seja a China, e com isso dá a impressão de inexpugnável? As imagens do ditador que, de vez em quando, surgem nos noticiários da televisão mostram-no bem vestido, com olhar de aparente tranquilidade que não correspondem às atrocidades e aos horrores vividos pela sociedade síria.

Estranhas essas imagens que dele captamos, o que prova ser a imagem uma contrafação, um simulacro da realidade assombrosa,  uma espécie de genocídio de um homem que semelha sustentar-se eternamente na sua posição de senhor verdugo do seu próprio povo.

Resta-nos, despontados, aguardar que a seriedade, a justiça internacional, os seus organismos mais competentes reflitam maduramente sobre a triste sina de que há dois anos vem sendo vítima da imolação de um único homem cuja insensibilidade paira acima das dores humanas. Que não só reflitam, porém congreguem esforços, neste mundo globalizado, no sentido de desbaratar a ditadura síria e redimir do “cativeiro” e da extrema aflição e sofrimento, pelo menos os que, não tendo conseguido migrar para a Turquia ou outro país vizinho, deixaram para trás o rastro de sangue das mortes de crianças, jovens, adultos e idosos à procura da tão sonhada paz da alma e do corpo.







segunda-feira, 25 de março de 2013

Uma ida ao Centro do Rio de Janeiro



Cunha e Silva Filho



Agora que tenho um pouquinho de tempo mais, de quando em quando, vou ao velho Centro da Cidade Maravilhosa. Uma vez, meu pai, em carta pra mim, desabafou com essa afirmação: “.. Maravilhosa não para aqueles que vêm para ela lutar, sofrer e, quem sabe, vencer, ou não, na  vida..” Era um desabafo com alguma indignação como resposta a uma carta anterior que lhe fizera contando-lhe os aperreios de um jovem nordestino sem mesada tentando sobreviver na grande urbe carioca. E já grande urbe, se comparada às capitais menos desenvolvidas do país no meu tempo de recém-chegado ao Rio.

Hoje, no final da manhã, fui ao Centro com a minha mulher e o meu filho mais novo, o Alexandre. Tomamos o ônibus na Tijuca e saltamos na Presidente Vargas, essa avenida cansada de guerra, de mudanças na direção do trânsito, nas faixas de pedestres e nos pontos de ônibus. Na cidade grande tudo é efêmero relativamente. Nada dura muito ou sempre.

As cidades são como as pessoas, com o tempo mudam de fisionomias, só que, na mudança, vão subsistir dois planos de sua arquitetura: um, representando o passado com as suas velhas edificações algumas tombadas, outras sujeitas aos capricho dos prefeitos;outro, representado pelas mudanças radicais apontando para a modernidade, com os seus arranha-céus surgindo em quase todo canto do miolo do Centro. Aprendemos a conviver com essas mudanças, acompanhamos as modificações, sofremos com as interdições nos períodos de grandes transformações arquitetônicas.

O que era rotina dos pedestres em termos de terminais de coletivos, se altera e por isso causa um certo transtorno, aborrecimentos diante da nossa impotência de resistir às diretrizes da prefeitura com as suas ideias cíclicas de redimensionamento do plano geográfico da cidade. Que por vezes dá certo e outras vezes, não.

O habitante da grande cidade não passa de um homem tentando conviver com a sua anomia no meio da multidão indiferente e individualista, cuja manifestação mais evidente é a pressa, o dinamismo, o vai-e-vem dos pedestres e o fluxo incessante dos carros. Um escritor francês, no seu tempo, dizia que os habitantes de Paris são de “...uma curiosidade tanta que chega à extravagância.” Não sei mais se no Rio de Janeiro somos ou fomos o que eram os franceses. Já houve um tempo  em que pensei que os cariocas eram também muito curiosos a ponto de alguém fingir que está olhando para um ponto no alto dos edifícios e, de repente, muita gente formar uma espécie de circulo em torno dele e começar a olhar também idiotamente para o alto procurando algo que, na verdade, não existe , pois não passou de uma brincadeira.

Saltamos do ônibus, tomamos a direção da Rua Miguel Couto. Nosso destino era o Largo do São Francisco. Lá entraríamos num prédio para tratar de assunto pessoal. Antes, porém, de chegarmos no Largo do São Francisco, passamos pela vetusta Rua do Ouvidor. Como sempre, cheia de pedestres nas duas direções, como também ladeada dos dois lados por lojas, butiques, lanchonetes, prédios de escritório, comércio generalizado.  Pensei comigo: como está distante da famosa Rua do Ouvidor do tempo do escritor da Moreninha (1844), o romântico Joaquim Manuel de Macedo, que, por sinal, tem um livro fascinante sobre essa rua, Memórias da rua do Ouvidor (1878),

No tempo do II Império, era uma rua aristocrática, na qual passeavam escritores, homens de negócios, senhoras distintas da alta sociedade, com seus vestidos vaporosos, suas jóias brilhantes, às vezes acompanhadas de cavalheiros elegantemente vestidos, conversando sobre variados assuntos da vida pessoal ou fazendo comentários sobre os folhetins da época com as suas histórias de aventuras amorosas ou de amores desencontrados, ou mesmo como no caso de dois guapos cavalheiros, comentando algum assunto do cenário político do momento. No meio daquela rua outrora elegante charmosa, esplendorosa, afrancesada, feérica, eu me encontrava, em pleno século 21, numa insossa e decaída rua carioca, imaginando cenas de tramas saídas da pena de um José de Alencar, do próprio Macedo ou de um Machado de Assis.

Olhei pra frente, no Largo de São Francisco de Paula, ou simplesmente, Largo de São Francisco, e logo avistei a antiga Escola de Engenharia, onde, hoje ainda funciona o famoso IFICS (Instituto de Filosofia e Ciências Sociais) da UFRJ, desdobramento da antiga Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil (1939). O mesmo prédio histórico já abrigou a Escola Politécnica e nessa construção já funcionou a Real Academia Militar. Olhando também para o lado esquerdo de quem sai da Ouvidor, revejo a Igreja de São Francisco, na qual, meia hora depois, dobravam os sinos que ouvi do 12º andar de um velho prédio do Largo, local do meu destino no Centro da cidade.

Almoçamos na Travessa do Passo, bem pertinho da Praça XV. Percorremos, a pé, várias ruas há muito conhecidas de minha permanência longa no Rio e, para falar a verdade, cada rua, de alguma forma, me leva ao passado em tempos e pensamentos superpostos, ou seja, cada lembrança tem o condão de se associar a outras lembranças, boas ou más, mas sempre lembranças. As lembranças, a posterori, ressignificam parte das nossas memórias, que nunca vêm à tona cronologicamente e com precisão cirúrgica, mas misturadas ou simultâneas, numa ida e volta, sem planos estratégicos, mas retomadas por um fluxo contínuo de imagens, gestos, ações, palavras, situações, sons e cheiros.

O passado, já observei, quando muito recuado, mistura muitas vezes a ordem dos acontecimentos e nos deixa na encruzilhada do que antecedeu e sucedeu. Algo da retentiva embaralha alguns incidentes, sobretudo na tentativa de procuramos harmonizá-los dentro de uma cronologia rígida. A memória é falha e talvez por isso é que somos impelidos a preencher os vazios e, ao fazê-lo, somos traídos pela imaginação ou fantasia, quer dizer, penetramos, por vezes inconscientemente, no mundo da recriação rememorativa. As memórias, assim, se transmudam em realidade e ficção.

Volta pra casa. O ônibus que íamos tomar não tem mais seu terminal, virou ônibus circular com as obras que comporão os projetos de urbanização da área portuária do atual prefeito sob o nome geral de “Porto Maravilha,” aí incluindo parte da Praça XV, onde fica o Mergulhão (interditado agora para a realização de obras que fazem parte daqueles projetos), passagem subterrânea por onde fluem pesadamente os coletivos e outros veículos que vão para os bairros da Zona Sul. No Mergulhão ficava o ponto final do ônibus que costumávamos tomar. Tivemos que pega um ônibus no Largo da Carioca que, aliás, nos surpreendeu pela percurso rápido e objetivo em direção à Tijuca, lugar de nosso regresso pra casa.



sábado, 23 de março de 2013

Maracanâ Stadium: turmoil between the police and Brazilian indians


Dear  reader: This column, under the title Brazil's Overview Corner, whenever  possible,  will be  written directly  in English so that people who do not read Portuguese  will be able to  have access to it. Needless to say that constructive  criticisms will be   welcome. A Portuguese translation  is given below the English text.
                                                         


                                                                                      By Cunha e Silva Filho


The day before yesterday, Rio de Janeiro has seen an unsual and regrettable incident involving Brazilian indians and the local state police force. The indians have for a long time peacefully lived in an old building named “Aldeia Maracanã ” This name alludes to its location very close to the worldwide famous Maracanã Stadiium..

The police had judicial orders to invade the building and expel the indians. However, the way the police use to do it was beyond normal civilized manners to treat Brazilian indians. According to one of the indian leaders, the police used brute force, that is, they made use of tear gas, rubber gun shots, pepper spray, besides other aggressive physical actions in full disrespect towards the natives. This fact is doubly irrational as even high public officers such as a Republic attorney, a  public attorney and a lawyer were also victims of excessive use of  authority on the part of  the  police. I should say the Brazilian Supreme Court ought to take due  steps in order to investigate in full details why the police in Rio de Janeiro have acted so brutally against important public officials. In no other time in the history of Rio de Janeiro’s governors have we had any equal news of the chief state authority behaving so arrogantly as the present Rio de Janeiro’s governor.

It is is known that the governor of a state is the highest authority to determine the police to quell disorders, but what people have seen were acts of cowardice towards the victims who were there to negotiate in a civilized way and not be treated violently by the police.

During the invasion there were also demonstrators, generally students who were there to give support to the indians’ claims and right to remain in the old building. The students were also repressed by the military state troops.

The incident reminded me of the dark years of Brazil’s repression during military dictatorship  period.
The reason why the state of Rio de Janeiro wanted to expel the indians from the old building, which is also known as the Indian Museum,  is simply economical inasmuch as it implies to turn private the Maracanã Stadium now still controlled by the state government. They want to transform the place into a big parking lot, and also to make use of the rest of the space to build, let us say, a shopping center. These are perhaps the main reasons the governor had in mind when he appealed to Justice in order to take over of the old building. As you can see, merely for financial reasons.

On the other hand, it is a pity that the judicial power has taken a position to benefit the financial side of the issue and not, as we would expect, give protection to the weakest side, I mean, the indians’ right to remain in a place they already regard as their “home” and their habitat. As far as I know, the indians have never given reason to complaints on the part of the Maracanã Stadium neighborhood.

It is necessary to emphasize the circumstance that the Maracanã Stadium is going through an ample reformation and modernization in its architectural structure with a view to the important ongoing world events that will take place in the city of Rio de Janeiro: The Olympic Games, the World Soccer Cup , just to mention the most important  megaevents.






O Estádio do Maracanã: tumulto entre policiais e índios brasileiros



Cunha e Silva Filho



Anteontem, o Rio de Janeiro presenciou um lamentável e raro incidente envolvendo indígenas e a força policial.Por muito tempo, os índios vivem em paz num velho prédio chamado “Aldeia Maracanã”. Deve este nome à sua localização vizinha ao mundialmente famoso Maracanã.

A Polícia recebeu determinações judiciais para invadir o prédio e expulsar os índios. Entretanto, a forma de abordagem policial não respeitou os modos educados de dar tratamento aos índios brasileiros, Segundo um dos líderes indígenas, a Polícia empregou o uso da força, isto é, utilizou-se de gás lacrimogêneo, tiros de balas de borracha, spray de pimenta, além de uso da força física com total desrespeito aos indígenas. Este fato é duplamente irracional, pois até altos funcionários públicos tais como um Procurador da República, um Defensor Público e um advogado foram da mesma forma vítimas de abuso de autoridade por parte da Polícia.Diria que a Suprema Corte de Justiça deveria tomar inciativa a fim de mandar investigar com rigor os motivos que levaram a Polícia do Rio de Janeiro a agir assim brutalmente contra membros importantes do governo federal. Em nenhum outro momento da história dos governadores do Rio de Janeiro tivemos notícias de que a máxima autoridade estadual se comportasse com tanta arrogância como o atual governador carioca.

É do conhecimento geral que o governador de um estado é a mais alta autoridade com prerrogativa de determinar à Polícia para reprimir desordens, porém o que se viu foram atos de covardia para com as vítimas que ali estavam para negociar de forma civilizada e não serem tratadas com violência.

Durante a invasão houve igualmente protestos na maioria de estudantes que ali estavam para se solidarizarem com as reivindicações dos indígenas e seus direitos de permanecerem no velho casarão. Os estudantes, da mesma forma, foram reprimidos pelas tropas estaduais.

O incidente me fez lembrar dos anos sombrios da repressão durante a ditadura militar.

A razão pela qual o estado do Rio de Janeiro decidiu a expulsar os índios do velho casarão, o qual é também conhecido como o Museu do Índio, foi meramente econômica, visto que tem-se em vista privatizar o Maracanã ainda atualmente sob o controle do estado. O objetivo do governo é transformar o Maracanã num grande estacionamento e também utilizar o espaço restante para construir um shopping comercial. Talvez estes sejam os motivos principais que levaram o governo a recorrer à Justiça a fim de retomar o velho prédio. Como se vê, estão em joga razões financeiras.

Por outro lado, é lamentável que o poder judiciário tenha tomado uma posição que só vem trazer benefícios para o lado financeiro da questão e não, como seria de esperar, dar suporte ao lado mais desprotegido, isto e, o direito de os indígenas de permanecerem num lugar que pelo tempo já consideram seu “lar” e seu hábitat. Que eu saiba, os índios até hoje nunca deram motivos de reclamações da parte de moradores da vizinhança do Maracanã.

Cumpre ressaltar a circunstância de que o Estádio do Maracanã se encontra agora em fase de ampla reforma e modernização tem do como meta os futuros eventos mundiais a serem realizados na cidade do Rio de Janeiro. Só para citar alguns destes megaeventos, temos os Jogos Olimípicos, a Copa Mundial de Futebol.






sexta-feira, 22 de março de 2013

Barack Obama: um Presidente prudente








Cunha e Silva Filho





Ainda me lembro do dia da posse do primeiro mandato do jovem Presidente Barack Obama, o primeiro negro a assumir o mais elevado cargo dos Estados Unidos, um evento e feito notável de exemplo dado pelos americanos numa demonstração do quanto o velho estigma do racismo contra os negros está já distante dos conturbados anos de Martin Luther King Jr., da segregação infame entre brancos e negros, inclusive no ambiente escolar americano.

A vitória de Obama foi alvissareira, rendeu frutos à pátria grandiosa de Lincoln, de Jefferson, de Benjamin Franklin, de George Washington, de Franklin Delano Roosevelt, para citarmos figuras eminentes dos EUA. Obama foi uma divisor de águas, veio para realizar mudanças profundas na consciência do branco e do próprio negro americano e, no segundo mandato, na consciência de todos os imigrantes que procuram os Estados Unidos para viverem na condição de uma segunda terra natal.

Defeitos, vacilações, erros em Obama podemos reconhecer em sua administração. Porém, os acertos, sobrepõem-se aos erros e hesitações. Veja-se o seu comportamento agora na questão delicada entre palestinos e judeus. O que me primeiro me chamou atenção foi verificar que o Presidente americano não deu mostras de ser maniqueísta. Não se portou como estadista só em favor dos judeus com quem os EUA mantêm há muito tempo laços estreitos de bons relacionamentos diplomáticos. Conversou com as autoridades principais de Israel, Netaniahu, seu Primeiro-Ministro, homem um tanto intransigente e meio arrogante, Shimon Peres, personalidade política mais aberta ao diálogo, detentor do Prêmio Nobel de Paz, ganho conjuntamente, em 1994, com Ytahak Rabim e Yasser Arafat, e hoje Presidente de Israel. Por outro lado, Obama teve conversações amistosas com o Presidente da Palestina, Mahmoud Abbas, que me parece um líder sério e comprometido com a paz entre Israel e a Palestina.

Apesar das manifestações contrárias à sua visita em solo palestino, Barak Obama sem arrogância mas com palavras em tom tranquilo declarou que se coloca a favor de que os palestinos tenham seu próprio Estado independente e não sejam injustiçados com as pretensões dos judeus de construírem cada vez mais moradias em terras palestinas. Esse é o ponto-chave da posição norte-americana em relação ao conflito interminável entre palestinos e judeus. Creio que caminhos mais abertos e pacíficos começam a se descortinar no horizonte geopolítico dos dois povos.

O ódio que parte do Oriente Médio e de outras regiões do mundo  ainda devota aos EUA se deve a desastrosas políticas de natureza imperialista que os americanos por tanto tempo praticaram contra muitos países daquela região. Ou seja, os orientais e mesmo asiáticos sempre viram os norte-americanos como inimigos exploradores de povos mais atrasados e menos  protegidos das organizações internacionais, como a ONU, a OTAN, por exemplo. Invasões americanas a pretexto de estabelecer a segurança de povos em conflitos internos serviram ainda mais para aumentar o sentimento de ódio contra o que já se denominou o Império do Mal, sobretudo partindo dos iranianos e de outras nações que sempre consideraram os EUA como intervencionistas para obterem lucros políticos, econômicos ( traduza-se petróleo) e de hegemonia geopolítico-militar mundial. Todas as guerras na Ásia, sendo exemplo máximo de luta sangrenta a Guerra do Vietnam (1950-1975), na qual se envolveram os EUA, todos os conflitos no Oriente Médio, só em longo prazo poderão dissipar esta aversão crônica contra os norte-americanos, o mesmo se dando em países da América Central e América Latina.

Entretanto, creio que o governo de Bush Filho, foi o principal caldo entornado no recrudescimento do ódio de aparte do  Oriente Médio e de outras regiões do mundo contra os norte-americanos. Infelizmente, devemos reconhecer que Bush Filho foi uma espécie de louco, ao mandar, sem motivo justo, invadir o Iraque, numa invasão por todos os lados e usando o que de mais poderoso em armas poderia empregar o Exército norte-americano foi um verdadeiro gesto genocida de Bush Filho, que só o futuro irás mostrar até que grau de insanidade política  podem alcançar determinações de um Presidente incompetente e despreparado para a sua função.

Com a invasão do Iraque, por exemplo, o nível do ódio aos americanos chegou ao ponto mais alto. A Bandeira americana rasgada, pisoteada e queimada era o sinal mais inequívoco do sentimento de revolta de muitos povos contra os Estados Unidos. Agora, é tempo de os Estados Unidos, sob a presidência de Obama neste segundo mandato, reabilitar-se diante dos estigmas malditos do passado da política e da diplomacia norte-americana. Muita coisa ainda resta a Obama realizar a fim de que o ódio aos americanos, tão nocivo a eles mesmos e que só serve como estopim a atos terroristas no território americano, seja varrido da imagem de  uma pátria  outrora admirada pelas ilustres figuras mencionadas atrás neste artigo
Lembra-se, leitor, como me alertou  um filho meu estudioso do Direito e da História, do papel primacial e determinante das Forças Armadas norte-americanas durante fases cruciais na luta contra o nazi-fascismo durante a Segunda Guerra Mundial? Não se pode, portanto, só enxergar o lado mau do passado da Historia Americana.O povo norte-americano, no  presente e no passado também realizaram  grandes feitos na História Mundial .Repito, não devemos ser maniqueístas e parciais. Os Estados Unidos não são apenas um país de guerreiros, mas de muitos homens ilustres que muito fizeram,  nos vários campos do saber humano, pelo progresso mundial.





quarta-feira, 20 de março de 2013

A farra das viagens ao exterior




Cunha e Silva Filho



É bom, é ótimo que um Presidente de um país chegue ao Vaticano para prestar homenagens diplomáticas à cerimônia da Missa Inaugural do novo Pontificado, até manter com o novo Papa um encontro particular. Nada a me opor a isso. Faz parte dos laços diplomáticos entre nações amigas e é proveitosos para ambos os países, o Brasil, a Itália e, por extensão, o Vaticano.

Entretanto, os motivos relevantes acima mencionados perdem grande parte de seu sentido quando uma Presidente, dirigindo-se à imprensa no exterior, afirma que compartilha dos propósitos do Papa Francisco no que diz respeito ao combate à pobreza, alegando que, em nosso país, esta meta vem sendo perseguida como uma das principais preocupações do governo petista. Ora, se pensarmos bem, não é difícil entender que o Brasil é um país de contradições e de empulhações. Ao mesmo tempo em que a Presidente Dilma Rousselff está em Roma, lá se hospeda em hotel suntuoso, com uma comitiva pantagruélica, custando ao Erário Público brasileiro a mincharia de sete mil reais a diária  por membro da comitiva que a acompanhou à cerimônia inaugural do novo papado.

O que vemos é o avião presidencial com todo conforto apinhado de áulicos do poder, se refestelando em hotéis de luxo, bem vestidos, bem nutridos à custa do contribuinte brasileiro que luta contra os conhecidos velhos problemas da nação: violência, transporte, segurança educação, para ficarmos apenas nos quatro Cavaleiros do Apocalipse.

Uma vez, uma pessoa conhecida da mídia brasileira perguntou à Sra. Dilma se ela gostava de ser presidente. Não pensou duas vezes: “Gosto.” Mas quem não gostaria de viver diferente do resto do povão que sofre todos os percalços de um país como o nosso? Não resta dúvida de que essa é uma das razões de um país querer reeleição, porque isso significa mais poder, mais mordomias, viagens internacionais, bons hotéis, boas comidas, bons passeios, enfim, a dolce vita sonhada por quem nasce, vive e morre em dificuldades como se dá com a maioria do povo brasileiro.

Um mandatário de uma nação que se propõe a dar o bom exemplo de austeridade jamais permitira que, em viagens ao exterior, mesmo quando estas tenham importância para o desenvolvimento do país em variados setores da vida pública, fosse acompanhada de bajuladores e arrivistas que estão sempre cercando a cúpula do poder,  palacianos de um espaço de Palácio (pode ser o do Alvorada ou outro qualquer de cada estado) que uma vez, em livro meu pai, Cunha e Silva (1905-1990), jornalista piauiense, chamou de “Copa e Cozinha.”

Se a Presidente Dilma quer dar exemplo de austeridade com o dinheiro do povo e dele obter altos níveis de aceitação pessoal no alto cargo que ocupa, ela deveria refletir melhor sobre esse assunto. Os acompanhantes da Presidente – e há um deles (adivinhem quem?) que sempre se encontra por detrás dela com olhar sisudo - , não foram delegados pelo povo a fim de usufruir das benesses da função presidencial. Bastaria que alguns poucos ministros e assessores da Presidente, assim como do Ministro das Relações Exteriores, para formar a comitiva representando os brasileiros na terra dos Papas.

Enquanto o a Presidente está em Roma, aqui em Petrópolis os pobres estão sofrendo mais uma tragédia que atingiu pelo menos umas trinta vítimas que foram encontradas nas escavações, acrescidas de dezenas de desabrigados e de outras tantas que ainda estão soterradas. A tragédia da região serrana, como de outras regiões do Rio de Janeiro e de outros estados se repete anualmente co a chegada das inundações que arrasam tudo que encontram pela frente.

Chama-se a isso de tragédias anunciadas. As verbas que são liberadas, em 2011, pelo governo federal, segundo informou a imprensa, até hoje não foram usadas em benefício das regiões atingidas.Ora, se uma verba vultosa demora a ser aplicada, significa que nada foi feito pelos governo estadual e prefeituras.

Resta indagar onde se encontram tais verbas? Por que não forma utilizadas em contenções de encostas, em construções de moradias dos sem-teto em lugares seguros ainda que afastados dos locais onde viviam. O trabalho da Defesa Civil é fundamental, dos bombeiros, dos voluntários, mas isso não é ainda suficiente porque o que deve ser feito com urgência e espírito público está ligado a obras de engenharia de estradas, a ações efetivas da Secretaria de Habitação, à assistência social, e estratégias do governo estadual com a ajuda federal para evitar que moradias sejam construídas em terrenos de risco.

Um dos maiores entraves da verbas federais são os trâmites burocráticos com o agravante de que dessas verbas muitas são desviadas criminosamente por prefeitos sem fiscalização do governo do estado. Assim como há ainda em nosso país a “indústria da seca”, há também o que podemos denominar de “indústria das inundações”.

Governos estaduais e prefeituras têm que ser responsabilizados por todos as desídias e mau gerenciamento do dinheiro público destinado a minimizar esta sequência de tragédias que assolam o Rio de Janeiro e outras cidades em todo o país. Ao se omitirem diante das suas obrigações de governantes, os políticos brasileiros estão agindo como irresponsáveis e bem poderiam responder por suas negligências, as quais equivalem a verdadeiros crimes contra a sociedade. O povo brasileiro não pode continuar assim indiferente a tragédias que poderiam ser, em muitos casos, evitadas ou, pelo menos, minimizadas, se o povo deixasse de ser tão acomodado e insensível aos irmãos brasileiros vítimas das enchentes de cada ano.



segunda-feira, 18 de março de 2013

Prisão perpétua já!




Diante da extrema violência que se abateu pelo país inteiro, sobretudo nas capitais mais importantes, resta às autoridades brasileiras dos três poderes envidarem esforços adicionais e mediatos a fim de minimizar a criminalidade no país. Trata-se de uma situação anômala que requer medidas urgentes e eficazes a fim de por cobro a estes desmandos num país do nível de desenvolvimento em vários setores da sua economia, indústria e comércio. O país, a esta altura de seu progresso, deve dar satisfação às nações adiantadas quanto à questão da violência extrema. Se  por aqui não há guerra civil entre irmãos, se não temos terrorismo do tipo que encontramos em outras nações, não é possível que não possamos reduzir o gigantismo dessa criminalidade.

Manifestadas em múltiplas formas , a violência brasileira chega a ser um caso à parte se confrontada com outros países de alta violência. Não estou me reportando agora aos crimes apenas oriundos do narcotráfico, mas sobretudo àqueles que ocorrem no cotidiano da sociedade brasileira: mortes por atropelamento, violência doméstica contra as mulheres, uso de armas por jovens sem registros e de propriedade do pai, assaltos inesperados a residências resultando na morte covarde e hedionda, quer dizer, um bandido entra na sua casa, obriga-o a entregar seu carro e, sem que haja nenhuma reação do dono da casa, atira neste sem dó nem piedade, como aconteceu recentemente em Curitiba com a morte de um senhor de oitenta e um anos. Estas atrocidades acontecem a qualquer momento, fazendo de todos nós reféns da bandidagem que se alastrou pelo Brasil sem que nenhuma mudança substancial tenha havido no Código Penal Brasileiro.

Todas as desgraças trazidas pela violência galopante devem-se a dois fatores principais: a) a permanência da impunidade em todas as escalas do poder político: o anacronismo de nosso Código Penal. Não se pense que esteja eu querendo me passar por alarmista leviano. Longe de mim . O que trago à reflexão dos homens de bem, dos responsáveis pelo país  são  apenas sugestões de um brasileiro  que almeja sempre  a felicidadeda Nação. Basta acompanhar o noticiário de atos criminosos diariamente ocorridos para que o leitor concorde comigo nesta série de artigos que tenho publicado neste blog  discutindo a questão momentosa da criminalidade, da impunidade e do descaso dos governos federal, estadual e municipais para avançarem com firmeza contra os inimigos da sociedade nos seus vários tipos de delitos, desde os mais simples até os chamados crimes hediondos.

Quando a máquina do Estado se torna inoperante, incompetente para atacar a questão da criminalidade, ela não deixa de ser um dos motores realimentadores da impunidade e, por sua vez, do recrudescimento da violência.Criminosos não são loucos, são indivíduos cruéis, sem princípios de moral nem de respeito ao ser humano. Por esta razão, ao saberem que no país quem comete atrocidades tem direitos garantidos pela Constituição e pela legislação jurídica, além de serem protegidos por certos direitos humanos que se espalharam por aí, ele não hesitará em colimar seus desejos selvagens de matar, estuprar, atropelar, furtar, roubar, falsificar, sequestrar, enfim, executar todos os tipos de crimes mais escabrosos possíveis, sabendo que ficarão pouco tempo na cadeia graças a uma série de benefícios criados para protegê-los .

Chamo a atenção para os estudiosos do Direito, juízes, procuradores,desembargadores, Ministro da Justiça,do  Supremo Tribunal Federal e outras instâncias relevantes do Poder Judiciário, defensores, advogados criminais, promotores, a fim de que não permaneçam como estão, quer dizer, aceitando um arcabouço de leis que está servindo apenas para manter uma espécie de status quo da criminalidade. Alguém que pratique um crime hediondo, por exemplo, não deve ser contemplado com recurso a instâncias superiores da Justiça. O procedimento da punição penal deve ser simplificado, sem as conhecidas “brechas da lei”, como as famigeradas “progressões de pena”, “bom comportamento, “regime semi-aberto, “liberdade condicional” etc., etc. Direi sempre não a qualquer tentativa de continuísmo de um círculo vicioso em forma de impotência, tolerância, indiferença e acomodação no tocante a um endurecimento contra criminosos. Costuma o homem da rua, o homem comum, afirmar que não mais acredita em punição para criminosos no Brasil.

Se o criminoso é sentenciado a, digamos, quinze, vinte ou trinta anos de prisão, que esta penalidade seja cumprida à risca. Para os crimes mais abomináveis, a força da Lei deverá ser mais severa, ou seja, deve se orientada para a implantação, mesmo que provisória, da prisão perpétua. Obviamente, não seriam utilizadas estas penalidades mais duras somente para os negros, mulatos e pobres. Serviria para todo e qualquer cidadão brasileiro, rico ou pobre, que infringisse o Código Penal. Não vejo outra solução para o que está atravessando a sociedade brasileira cada vez mais aterrorizada com a onda de violência recorrente e insidiosa como um câncer se alastrando pelo corpo da sociedade.

Ou alteramos (atualizamos) o Código Penal e as múltiplas formas de recorrências apoiadas na legislação criminal, no tipo de punição a crimes de vária natureza, fazendo valer as sentenças dos juízes e limitando as possibilidades que advogados têm para driblar a gravidade dos crimes a fim de proteger e defender seus clientes, sobretudo aqueles endinheirados que poderão pagar altos honorários aos advogados, ou a trágica realidade da extrema violência continuará vitimando inocentes e indefesos em índices cada vez mais gritantes e vergonhosos para a boa imagem do país.

Todos os brasileiros, inclusive as autoridades em todos os níveis de governança do Estado Brasileiro, podem ser vítimas da alta criminalidade, de vez que,além do mais, todos têm filhos, parentes, entes queridos que, num canto de uma esquina, ou na curva de uma estrada, em casa ou na rua, poderão ser a próxima vítima da selvageria da violência tentacular e impiedosa.



sábado, 16 de março de 2013

Nuvens brancas no Vaticano



Cunha e Silva Filho





O Vaticano está em festa. Milhares de fiéis de várias partes do mundo permaneceram pacientemente até que da chaminé saíssem as tão aguardadas nuvens brancas, anunciadoras de um novo papado. O catolicismo realmente reúne milhões de pessoas, ainda que nem todas identificadas como católicas sejam mesmo praticantes deste credo cristão. Católicos há que o são sem irem constantemente assistir às missas dominicais pessoalmente. Preferem ficar em suas casas, fazer suas orações costumeiras, o Pai-Nosso, a Ave-Maria, entre outras orações , aliás, muito belas e abrangentes quanto aos ideais católicos.

Saiu Bento XVI, que se recolheu à sua condição de Papa de pijama. Isso, dizem alguns informes da mídia, voluntariamente, sem constrangimentos nem pressões. No entanto, a saída de um Papa, ainda em pleno gozo de suas faculdades mentais, com muita lucidez pela frente, nunca é um mero acontecimento na história da Igreja Católica. Já houve precedente. Fica, porém, alguma dúvida por pare dos que refletem mais maduramente sobre as questões mundiais nos seus diversos aspectos e complexidades de temas e de soluções.

Não desejo me meter em discussões mais fundas acerca da saída de um Pontífice e da entrada triunfal de outro. Antes aceitemos a realidade circundante, que, por si mesma, já é tão vasta e tão cheia de surpresas.

Ao novo Papa, o primeiro da América do Sul, de nossa vizinha Argentina, que não estava no rol dos mais cotados para a eleição do recente conclave, só auguro um período de pontificado de paz e conciliação, de paciência e humildade para enfrentar os grandes e graves desafios que o Catolicismo está atravessando em nossa época, com um saldo pouco positivo para a imagem que  dele se tem,  e sobretudo da estrutura da Igreja.

Papa Francisco, assim chamado simplesmente sem nenhum algarismo romano agregado ao prenome, não deixa de ser um indicativo promissor de uma missão a ser por ele cumprida tendo como fundamento as associações com os santos que  tiveram por nome Francisco, como São Francisco de Assis, São Francisco de Pádua, São Francisco Xavier. Essas figuras queridas e estimadas pelos cristãos católicos, e até não católicos, são pontos de referência a um pontificado que promete ser palmilhado por mudanças e renovações sem peso de retórica, mas com ênfase na concretização de alterações que façam mudar a boa imagem e o respeito que o catolicismo precisa recuperar junto à sociedade religiosa e laica.

Essa mudança deve se estribar sobretudo no combate sem trégua  a fim de  debelar os estigmas que têm origem no próprio seio do conjunto de membros da Igreja Católica. A começar da cobrança  irrestrita de mau comportamento moral de sacerdotes e de membros do alto escalão da Igreja que, em diversos lugares do planeta, mancharam em parte a reputação do catolicismo. Esta é uma das difíceis tarefas a que o Papa Francisco deve dar toda a atenção. Reconhecer os erros de alguns de seus membros é dever da Igreja Católica. Eliminar sacerdotes que pecaram contra as normas morais do corpo religioso se me afigura uma questão de honra para o novo Sucessor de Pedro.

Uma outra tarefa importante das lideranças católicas é o enfrentamento dos problemas relacionados à preocupante diminuição, em grande escala, de fiéis católicos que, nos últimos anos, têm migrado para outras denominações religiosas, algumas delas também eivadas de ações profanas e desvios de comportamento ético-religioso. Recuperar esses fiéis deve ser outra prioridade de Sua Santidade.
Uma terceira tarefa seria a moralização administrativa da burocracia católica sediada no Vaticano, tendo como nicho mais crucial a vida financeira representada pelo Banco do Vaticano, alvo de acerbas críticas da imprensa internacional. Afastar e mesmo eliminar religiosos que tenham cometido ações ilegais e indecorosas, no que tange às finanças do Banco do Vaticano, com ramificações até, segundo informa a mídia, de natureza criminosa e com ligações mafiosas ,torna-se uma das prioridades do novo papado.

Sei que todos esses problemas a serem enfrentados pelo Papa Francisco exigirá dele muito tino político e larga visão de conjunto. Torço para que esses desvios diversos de conduta moral-religiosa serão contornados de tal sorte que a Igreja possa conquistar o apoio e a solidariedade dos fiéis e de todos que, mesmo sem religião, desejam que o novo pontificado readquira os melhores anos de uma Igreja sólida e respeitada por toda a sociedade mundial.

A declaração de que o Papa Francisco tenha como um dos seus objetivos dirigir todo o prestígio do Vaticano para um apostolado voltado aos mais humildes é um bom prenúncio de sua missão material e espiritual. Que este objetivo seja alcançado é  o que todo cidadão de bem espera do Papa Francisco. Será um grande passo para a efetivação da melhoria das condições de vida no planeta. Mudanças nessa direção feitas com a humildade de ações de caridade pura e com os pés no chão já indicam um percurso a ser atingido  no  rumo da paz entre os povos.