Cunha e Silva Filho
Às vezes, me pergunto como justificar tantos volumes de páginas sobre religiões foram gastos, tantas descobertas científicas foram feitas, tantos compêndios de direito, da família, cível, do trabalho, processual, constitucional, de filosofia, do trabalho, organizações dos direitos humanos, de proteção aos idosos, de proteção à infância e à juventude, aos animais, ao meio ambiente, se, na prática, pouco coisa sobra de eficaz, de constante, de útil para todos nós.
Acima das línguas, das etnias, dos costumes, das práticas sociais, dos desejos de paz universal persistem as oposições, os inimigos dos semelhantes e da humanidade, dos seres que no Planeta só vieram provavelmente para o cometimento do mal e da sua difusão.
Fazer o bem, sempre digo, é um ato dificílimo requer muita grandeza da alma, muita renúncia, muito amor ao próximo e tabmém muita incompreensão. Por isso, os santos, os limpos de espírito, os defensores da paz, da humanidade, do Terra, das crianças, dos idosos, dos fracos são poucos. Razão tem/tinha/terá Drummond, o grande bardo de Itabira “Mundo, mundo, vasto mundo/, se eu me chamasse Raimundo/, seria uma rima, não uma solução.”
Os tempos atuais não são aqueles dos melhores mundos possíveis. Muito ao contrário. Para onde olhamos, nos cercam de apreensões, de projeções, em geral, mais sombrias do que radiantes. A Terra me lembra uma “Serra das confusões.” Ou seria uma Wasteland elliotiana?
Instituições antigas, com a família, a igreja, para ficarmos só nestes dois exemplos, atravessam uma fase terrível de desapreço e de desmoralização com fundamentos que saem do próprio seio de cada uma. Como pode um igreja exigir dignidade de comportamento sexual se, no seio dela, campeia práticas torpes de sexualidade, com notícias comprovadas abertamente pela mídia internacional? Como ser pai e ao mesmo tempo ser acusado de pedofilia praticada contra o seu próprio sangue? Em que mundo estamos? Como igrejas conseguem arrancar de ignorantes anestesiados por espertalhões que aos templos entregam o que não têm, confiantes na ilusão do paraíso aqui na Terra de verem seus modestos desejos transformados em realidades que dispensariam a mediação enganosa daqueles que oferecem “migalhas” de seus minguados salários ou economias que irão se transformar em corporações de negócios milionários nacionais e transnacionais. Algumas seitas religiosas se transformaram na galinha de ovo de malabaristas engravatados.
O que falta ao meu país é sobretudo o instrumento inadiável de uma educação pública ou privada de qualidade. Alunos conscientes politicamente dos seus direitos e deveres de cidadania, de estar sempre com o pé no chão, não se deixarão embair por vendilhões e embusteiros não só no país mas no mundo todo.
O respeito às religiões é preceito constitucional, mas não quando o limite da Lei passa a ser instrumento de alienação para incautos e para uma população ignorante. Respeita-se a religião desde que ela não venda ilusões de bem-estar e de felicidade na sociedade civil. Pedir ajuda financeira dentro de limites compatíveis é uma coisa, mas praticamente “obrigar” alguém a contribuir já é uma ato ilegal.
Um país afundado na ignorância escolar é presa fácil de um lobo vestido em pele de cordeiro, ou até mesmo sem pele de cordeiro.
O alimento espiritual, as orações sinceras, o sentimento da fé em qualquer denominação religiosa séria fazem parte da unidade do ser. De resto, independente da religiosidade, tudo o que o homem faz ou pensa em benefício do seu semelhante, sem segundas intenções, merece louvores. Há ateus de alma de santo, como há “crentes” só de aparência.
Sejam, pois, bem-vindas todas as denominações religiosas contanto que despidas de interesses escusos, de exploração de ingênuos, de usos e abusos de subterfúgios solapadores dos minguados recursos da cegueira dos despossuídos da sociedade brasileira. Não confundam Deus com o vil metal do capitalismo mundial, motivo talvez maior das grandes desgraças da globalização tecnocrata, sorvedouro do que resta dos sentimentos nobres da Humanidade contemporânea.
Os temas discutidos neste blog se concentram sobretudo na área de Literatura Brasileira, mas se estendem a outros temas e áreas culturais afins. Os gêneros literários da preferência da produção do autor são crítica literária, ensaios e crônicas. tradução de poesia estrangeira. Áreas de pesquisa e interesse do autor: teoria literária,história literária, vida literária.relação entre literatura, pobreza e violência, literatura universal e literatura de autores piauienses
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Um poema de A. E. Housman (1859-1936)
Look not in my eyes
Look not in my eyes, for fear
They mirror true the sight see,
And there you find your face too clear
And love it and be lost like me.
One the long nights through must lie
Spent in star-defeated sighs,.
But why should you as well as I
Perish? Gaze not in my eyes.
A Greecian lad, I hear tell,
One that many loved in vain,
Looked into the forest well
And never looked away again,
There, when the turf in springtime flowers,
With downward eye and gazes sad,
Stands amid the glancing showers
A jonquil, not a Greecian lad.
Não me olhe nos olhos
Não me olhe nos olhos, pois medo
Tenho que espelhem a tua real imagem diante de mim,
E com clareza plena aí a sua imagem veja
E se apaixone por ela e, tal como eu, se destrua.
Prolongadas noites inteiras nossas vidas seriam.
Malogrados destinos padecendo
No entanto, por que você, como eu, deveríamos
Morrer? Não, não me olhe fixamente nos olhos.
Segundo um relato, um jovem grego
Razões de tantas vãs paixões
Um dia, olhou para um poço silvestre
E, assim para sempre, imóvel se tornou.
Naquele lugar, ao desbotar a flor em tempo de primavera
Com os olhos fixos e tristes no fundo do líquido se quedou
Entre águas obliquas surgiu
Um junquilho, não um jovem grego
(Trad. de Cunha e Silva Filho)
Look not in my eyes, for fear
They mirror true the sight see,
And there you find your face too clear
And love it and be lost like me.
One the long nights through must lie
Spent in star-defeated sighs,.
But why should you as well as I
Perish? Gaze not in my eyes.
A Greecian lad, I hear tell,
One that many loved in vain,
Looked into the forest well
And never looked away again,
There, when the turf in springtime flowers,
With downward eye and gazes sad,
Stands amid the glancing showers
A jonquil, not a Greecian lad.
Não me olhe nos olhos
Não me olhe nos olhos, pois medo
Tenho que espelhem a tua real imagem diante de mim,
E com clareza plena aí a sua imagem veja
E se apaixone por ela e, tal como eu, se destrua.
Prolongadas noites inteiras nossas vidas seriam.
Malogrados destinos padecendo
No entanto, por que você, como eu, deveríamos
Morrer? Não, não me olhe fixamente nos olhos.
Segundo um relato, um jovem grego
Razões de tantas vãs paixões
Um dia, olhou para um poço silvestre
E, assim para sempre, imóvel se tornou.
Naquele lugar, ao desbotar a flor em tempo de primavera
Com os olhos fixos e tristes no fundo do líquido se quedou
Entre águas obliquas surgiu
Um junquilho, não um jovem grego
(Trad. de Cunha e Silva Filho)
domingo, 25 de setembro de 2011
Um estranho caso de suicídio
Cunha e Silva Filho
O local, uma escola municipal na área do ABC paulista. Os personagens diretamente envolvidos: uma professora e um menino de apenas dez anos.A motivação: aparentemente nenhuma. Resta, agora, a especulação ou mesmo o mistério de uma dois atos de insanidade.
O pequeno Davdi, aluno calado, de rendimento regular, tímido, mais na sua. A professora, uma jovem de 28 anos. Aparentemente, uma professora com tantas outras que enfrentam os atropelos da atividade docente nos dias de hoje.
A criança trouxe de casa uma arma de fogo, um revólver calibre 38, pertencente ao pai, um guarda municipal paulista. A arma do crime estava registrada, conforme apurou a polícia.
David, essa criança, assistia como de costume, à aula da professora. De repente, saca da arma e atira na professora Rosileide de Oliveira que estava de costas escrevendo no quadro.
Sai David da sala, não sei se às pressas, e, lá fora, no corredor - imagino -, pega da arma e dispara um tiro na cabeça. Não sei dos detalhes técnicos sobre o lugar em que a bala atingiu o menino, se foi no ouvido, ou na boca, ou na testa. Não importa, foi um projétil fatal, de vez que, no hospital para onde fora levado, não resistiu aos ferimentos e logo veio a falecer. A professora, atordoado, baleada pelas costas, foi atingida no quadril. Levada ao hospital, foi operada e, graças a Deus, se encontra fora de perigo.
Agora, como se há de explicar esta tragédia, talvez, na espécie, a primeira ocorrida no país. Uma dúvida tremenda paira no ar e deixa qualquer um incapaz de atinar para uma razão que pudesse levar o pequeno David a cometer duas atrocidades, contra sua mestra e contra ele próprio.
A quem cabe a culpa? Não saberia dizer se ao pai, se à mãe, ou à sociedade no seu todo. Alguém poderia afirmar: cabe ao pai por ter arma em casa e não a guardar em lugar de difícil acesso à criança. Ou seria por negligência da família do pequeno que não o alertou para perigos deste tipo? Ninguém sabe que argumento consistente se poderia ter para tentar elucidar este caso fatídico.E por que aquela criança teria feito isso contra a sua própria professora? Ódio latente, alguma mágoa desmedida, alguma palavra mais áspera que calasse fundo no espírito do menino? Seu pai confessara em reportagem ao Globo (24/09/2011) que o filho “sempre foi tranquilo.” Era um menino que tinha religião e era membro de uma igreja presbiteriana, fazia parte da leitura de oração durante o culto e ainda tomava parte da bateria de banda encarregada dos cânticos religiosos.
Há um pormenor que, de alguma maneira, pode sinalizar para alguma explicação da tragédia. Falando com repórteres e lhes pedindo que não fosse revelado, a delegada do 3º Distrito Policial, afirmara, na mencionada reportagem, que havia encontrado na mochila de David uns desenhos, um dos quais ostentava a figura de um menino com uma arma tendo um “inscrição”: “ Eu com 16 anos”. No desenho, o revólver “é apontado para uma pessoa que ele descreve como ‘o professor’. O pai de David nega este fato.
Sabe-se que já há muito tempo a relação entre aluno e professor mudou muito para pior. Os efeitos da violência do mundo contemporâneo se infiltrou em todos os recantos, em todos os aspectos da vida social. O professor brasileiro não é mais aquela figura que se respeitava no passado.
A sociedade hoje, por sua vez, não tem ajudado muito a fim de que o convívio entre aluno e professor possa melhorar em harmonia, paz, companheirismo, respeito e acato à autoridade docente. Ao contrário, há pais que só dão pessoa às razões dos filhos, achando que o professor não tem mais as habilidade necessária sem lidar co seus alunos.
O que os pais devem fazer sempre é valorizar o trabalho do professor e incentivar os filhos a respeitá-los como se fossem quase substitutos dos pais durante o tempo na escola. Os pais devem dialogar com os filhos sobre o papel primacial do professor na formação dos alunos, não só intelectual mas também, moral, ética instilando nos filhos princípios sãos de cidadania, de amor aos estudos, à escola, aos professores. Só por essas vias se consegue melhorar a harmonia entre o discípulo e o mestre.
Outros fatores há que pesar na explicação para este tipo de tragédia. Um deles me parece estar associado a jogos eletrônicos nos quais as crianças passam horas manipulando botões através dos quais o objetivo é “matar” personagens das imagens exibidas. Ora, banalizar esse tipo de ludismo implicando matanças eletrônicas nada de saudável pode oferecer a crianças que estão em desenvolvimento físico e psicológico, com a agravante de que, no cotidiano da vida brasileira, a mídia está aí diariamente mostrando doses maciças de violência em suas variadas formas.
Nos lares de famílias mal estruturadas, ou plenamente desestruturadas, a liberdade em excesso da exposição a imagens vivas de ações violentas ainda mais serve como forma realimentadora provocando mais efeitos deletérios e deformadores de uma vida mental e social sadia e de exemplos de comportamento ético tão necessários à formação de cidadãos comprometidos com o bem-estar seja na esfera individual, seja na esfera da sociabilidade, no respeito ao próximo e sobretudo na valorização da vida.
Ainda vejo que só na mudança estrutural da escola dirigida ao preparo dos valores voltados para a prática do bem e da boa convivência entre os alunos, e entre estes e os mestres, diretores e funcionários da escola se há de colher bons resultados visando à formação integral do individuo internalizando lições de bondade, de solidariedade, de respeito aos mais velhos e às regras disciplinares da instituição escolar.
A melhor pedagogia não pode dispensar o cumprimento dessas práticas de despertar no espírito do aluno a consciência do viver pautada na auto-estima e no reconhecimento de que só agindo em favor da construção do bem ter-se-á uma sociedade mais equilibrada.
O local, uma escola municipal na área do ABC paulista. Os personagens diretamente envolvidos: uma professora e um menino de apenas dez anos.A motivação: aparentemente nenhuma. Resta, agora, a especulação ou mesmo o mistério de uma dois atos de insanidade.
O pequeno Davdi, aluno calado, de rendimento regular, tímido, mais na sua. A professora, uma jovem de 28 anos. Aparentemente, uma professora com tantas outras que enfrentam os atropelos da atividade docente nos dias de hoje.
A criança trouxe de casa uma arma de fogo, um revólver calibre 38, pertencente ao pai, um guarda municipal paulista. A arma do crime estava registrada, conforme apurou a polícia.
David, essa criança, assistia como de costume, à aula da professora. De repente, saca da arma e atira na professora Rosileide de Oliveira que estava de costas escrevendo no quadro.
Sai David da sala, não sei se às pressas, e, lá fora, no corredor - imagino -, pega da arma e dispara um tiro na cabeça. Não sei dos detalhes técnicos sobre o lugar em que a bala atingiu o menino, se foi no ouvido, ou na boca, ou na testa. Não importa, foi um projétil fatal, de vez que, no hospital para onde fora levado, não resistiu aos ferimentos e logo veio a falecer. A professora, atordoado, baleada pelas costas, foi atingida no quadril. Levada ao hospital, foi operada e, graças a Deus, se encontra fora de perigo.
Agora, como se há de explicar esta tragédia, talvez, na espécie, a primeira ocorrida no país. Uma dúvida tremenda paira no ar e deixa qualquer um incapaz de atinar para uma razão que pudesse levar o pequeno David a cometer duas atrocidades, contra sua mestra e contra ele próprio.
A quem cabe a culpa? Não saberia dizer se ao pai, se à mãe, ou à sociedade no seu todo. Alguém poderia afirmar: cabe ao pai por ter arma em casa e não a guardar em lugar de difícil acesso à criança. Ou seria por negligência da família do pequeno que não o alertou para perigos deste tipo? Ninguém sabe que argumento consistente se poderia ter para tentar elucidar este caso fatídico.E por que aquela criança teria feito isso contra a sua própria professora? Ódio latente, alguma mágoa desmedida, alguma palavra mais áspera que calasse fundo no espírito do menino? Seu pai confessara em reportagem ao Globo (24/09/2011) que o filho “sempre foi tranquilo.” Era um menino que tinha religião e era membro de uma igreja presbiteriana, fazia parte da leitura de oração durante o culto e ainda tomava parte da bateria de banda encarregada dos cânticos religiosos.
Há um pormenor que, de alguma maneira, pode sinalizar para alguma explicação da tragédia. Falando com repórteres e lhes pedindo que não fosse revelado, a delegada do 3º Distrito Policial, afirmara, na mencionada reportagem, que havia encontrado na mochila de David uns desenhos, um dos quais ostentava a figura de um menino com uma arma tendo um “inscrição”: “ Eu com 16 anos”. No desenho, o revólver “é apontado para uma pessoa que ele descreve como ‘o professor’. O pai de David nega este fato.
Sabe-se que já há muito tempo a relação entre aluno e professor mudou muito para pior. Os efeitos da violência do mundo contemporâneo se infiltrou em todos os recantos, em todos os aspectos da vida social. O professor brasileiro não é mais aquela figura que se respeitava no passado.
A sociedade hoje, por sua vez, não tem ajudado muito a fim de que o convívio entre aluno e professor possa melhorar em harmonia, paz, companheirismo, respeito e acato à autoridade docente. Ao contrário, há pais que só dão pessoa às razões dos filhos, achando que o professor não tem mais as habilidade necessária sem lidar co seus alunos.
O que os pais devem fazer sempre é valorizar o trabalho do professor e incentivar os filhos a respeitá-los como se fossem quase substitutos dos pais durante o tempo na escola. Os pais devem dialogar com os filhos sobre o papel primacial do professor na formação dos alunos, não só intelectual mas também, moral, ética instilando nos filhos princípios sãos de cidadania, de amor aos estudos, à escola, aos professores. Só por essas vias se consegue melhorar a harmonia entre o discípulo e o mestre.
Outros fatores há que pesar na explicação para este tipo de tragédia. Um deles me parece estar associado a jogos eletrônicos nos quais as crianças passam horas manipulando botões através dos quais o objetivo é “matar” personagens das imagens exibidas. Ora, banalizar esse tipo de ludismo implicando matanças eletrônicas nada de saudável pode oferecer a crianças que estão em desenvolvimento físico e psicológico, com a agravante de que, no cotidiano da vida brasileira, a mídia está aí diariamente mostrando doses maciças de violência em suas variadas formas.
Nos lares de famílias mal estruturadas, ou plenamente desestruturadas, a liberdade em excesso da exposição a imagens vivas de ações violentas ainda mais serve como forma realimentadora provocando mais efeitos deletérios e deformadores de uma vida mental e social sadia e de exemplos de comportamento ético tão necessários à formação de cidadãos comprometidos com o bem-estar seja na esfera individual, seja na esfera da sociabilidade, no respeito ao próximo e sobretudo na valorização da vida.
Ainda vejo que só na mudança estrutural da escola dirigida ao preparo dos valores voltados para a prática do bem e da boa convivência entre os alunos, e entre estes e os mestres, diretores e funcionários da escola se há de colher bons resultados visando à formação integral do individuo internalizando lições de bondade, de solidariedade, de respeito aos mais velhos e às regras disciplinares da instituição escolar.
A melhor pedagogia não pode dispensar o cumprimento dessas práticas de despertar no espírito do aluno a consciência do viver pautada na auto-estima e no reconhecimento de que só agindo em favor da construção do bem ter-se-á uma sociedade mais equilibrada.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
É possível haver o Estado da Palestina
Cunha e Silva Filho
Se é verdade que, fora da região palestina e de Israel, os dois povos se entendem , sem conflitos nem sangue derrama, como são palestinos e judeus que moram em Nova Iorque ou em São Paulo, por que não seriam exeqüível a busca pela paz entre eles nas sua regiões precariamente demarcadas?
O pronunciamento do presidente Mahmous Abbas na ONU foi uma passo seguro e inteligente de um homem que, mesmo arrostando a oposição do grupo Hamas, procura uma abertura que deveria ter sido concretizada desde quando, em 1947, se criou o Estado de Israel após a Segunda Guerra Mundial. Não se pode duvidar das sérias intenções de Abbas em desejar que uma nova fase de paz para seu sofrido povo.
Se Yasser Arafat (1929-2004) a despeito de todos os esforços não o conseguiu, mesmo sendo uma figura carismática e desejosa de um país independente para os palestinos, cujos esforços de paz lhe valeram, em 1994, um Nobel de Paz, compartilhado com Shimon Peres e Yitzak Rabin(1922-1995), tenho esperança de que o discurso de Abbas reivindicando a condição de uma Estado livre e com fronteiras asseguradas pelos organismos mundiais, à frente a ONU, terá boa repercussão e haverá de conseguir seu objetivo. Os aplauso que obteve da 66ª Assembléia da ONU são fortes sinais de que é possível haver o Estado da Palestina.
Lamentavelmente, os EUA mais uma vez decepcionam as nações que partilham do mais do que justo pedido de Abbas. Sempre se alinhando, por motivos inconfessáveis e até diplomaticamente injustos, o veto norte-americano à pretensão de um Estado Palestino coloca a nação americana na contramão das práticas democráticas e mais acirra a animosidade das facções palestinas que votam desprezo aos governos americanos, e agora ao presidente Barack Obama com manifestações e slogans contra a pessoa de Obama, chamando-o também de criminoso. Obama, ainda neste aspecto, não se distingue dos seus antecessores cooptado que fica aos desígnios da política israelense.
Se de todo Mahmoud Abbas não lograr um assento na ONU, que pelo menos aos palestinos seja destinada a condição de “Estado Observador”. Não é o ideal, mas já um espaço de conquista
O que não pode continuar é a existência de um permanente estado beligerante entre palestinos e judeus que, aís sim, não levará a caminho algum da tão necessária paz. Hoje mesmo, 24 de setembro, houve a morte de um palestino por parte de militares judeus nas constantes desavenças pela reconquista dos territórios palestinos que foram tomados ilegalmente pelos judeus. A Faixa de Gaza, o geopolítica e economicamente controvertido território Cisjordânia, envolvendo ajuda financeira internacional, a parte de Jerusalém Oriental que caberia aos palestinos, as invasões de judeus em acampamentos de palestinos, os check-points que Israel estrategicamente coloca a fim de dificultar a entrada de palestinos no seu próprio território são alguns entre tantos outros constrangimentos impostos por Israel ao povo árabe
Se o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyhu, como em tantas vezes no passado sob outras lideranças, sinaliza para que primeiro os palestinos entrem em negociações com Israel, essa atitude me parece já gasta e esfarrapada, porquanto não levará a solução alguma que resulte no reconhecimento de um Estado palestino.
A meu ver, tal como se criou o Estado judeu em 1947, por decisão de governos sob a autoridade e o poder da ONU, só também pelo voto de aprovação dos membros efetivos deste organismo internacional será criado o esperado Estado palestino. Negociações de paz entre os dois povos serão inócuas, declaração de tréguas igualmente hão de concretizar a formação de um povo árabe independente e soberano.
Se é verdade que, fora da região palestina e de Israel, os dois povos se entendem , sem conflitos nem sangue derrama, como são palestinos e judeus que moram em Nova Iorque ou em São Paulo, por que não seriam exeqüível a busca pela paz entre eles nas sua regiões precariamente demarcadas?
O pronunciamento do presidente Mahmous Abbas na ONU foi uma passo seguro e inteligente de um homem que, mesmo arrostando a oposição do grupo Hamas, procura uma abertura que deveria ter sido concretizada desde quando, em 1947, se criou o Estado de Israel após a Segunda Guerra Mundial. Não se pode duvidar das sérias intenções de Abbas em desejar que uma nova fase de paz para seu sofrido povo.
Se Yasser Arafat (1929-2004) a despeito de todos os esforços não o conseguiu, mesmo sendo uma figura carismática e desejosa de um país independente para os palestinos, cujos esforços de paz lhe valeram, em 1994, um Nobel de Paz, compartilhado com Shimon Peres e Yitzak Rabin(1922-1995), tenho esperança de que o discurso de Abbas reivindicando a condição de uma Estado livre e com fronteiras asseguradas pelos organismos mundiais, à frente a ONU, terá boa repercussão e haverá de conseguir seu objetivo. Os aplauso que obteve da 66ª Assembléia da ONU são fortes sinais de que é possível haver o Estado da Palestina.
Lamentavelmente, os EUA mais uma vez decepcionam as nações que partilham do mais do que justo pedido de Abbas. Sempre se alinhando, por motivos inconfessáveis e até diplomaticamente injustos, o veto norte-americano à pretensão de um Estado Palestino coloca a nação americana na contramão das práticas democráticas e mais acirra a animosidade das facções palestinas que votam desprezo aos governos americanos, e agora ao presidente Barack Obama com manifestações e slogans contra a pessoa de Obama, chamando-o também de criminoso. Obama, ainda neste aspecto, não se distingue dos seus antecessores cooptado que fica aos desígnios da política israelense.
Se de todo Mahmoud Abbas não lograr um assento na ONU, que pelo menos aos palestinos seja destinada a condição de “Estado Observador”. Não é o ideal, mas já um espaço de conquista
O que não pode continuar é a existência de um permanente estado beligerante entre palestinos e judeus que, aís sim, não levará a caminho algum da tão necessária paz. Hoje mesmo, 24 de setembro, houve a morte de um palestino por parte de militares judeus nas constantes desavenças pela reconquista dos territórios palestinos que foram tomados ilegalmente pelos judeus. A Faixa de Gaza, o geopolítica e economicamente controvertido território Cisjordânia, envolvendo ajuda financeira internacional, a parte de Jerusalém Oriental que caberia aos palestinos, as invasões de judeus em acampamentos de palestinos, os check-points que Israel estrategicamente coloca a fim de dificultar a entrada de palestinos no seu próprio território são alguns entre tantos outros constrangimentos impostos por Israel ao povo árabe
Se o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyhu, como em tantas vezes no passado sob outras lideranças, sinaliza para que primeiro os palestinos entrem em negociações com Israel, essa atitude me parece já gasta e esfarrapada, porquanto não levará a solução alguma que resulte no reconhecimento de um Estado palestino.
A meu ver, tal como se criou o Estado judeu em 1947, por decisão de governos sob a autoridade e o poder da ONU, só também pelo voto de aprovação dos membros efetivos deste organismo internacional será criado o esperado Estado palestino. Negociações de paz entre os dois povos serão inócuas, declaração de tréguas igualmente hão de concretizar a formação de um povo árabe independente e soberano.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Um poema de Emily Dickinson ( 1830-1886)
)
A bird came down the Walk
A bird came down the Walk-
He did not know I saw-
He bit an Angloworm in halves
And ate the fellow, raw,
And then he drank a Dew
From a convenient Grass --
And then hopped sidewise to the Wall
To let a Beetle passs --
He glanced with rapid eyes
That hurried all around-
They looked like frightened Beads, I thought -
He stirred his Velvet Head
Like one in danger, Cautious,
I offered him a Crumb
And he unrolled his feathers
And rowed him softer home ¬-
Than Oars divide the Ocean,
Too silver for a seam-
Or Butterflies, off Bank of Noon
Leap, plashless as they swim.
Pelo Caminho um pássaro desceu
Pelo Caminho um pássaro desceu
Nem suspeitou de que o vi -
Um Verme-Isca, em duas partes, mordendo
E devorando-o vivo
Uma gota de orvalho, depois, sorveu
De uma folha de relva útil –
Pulou, em seguida, para o Muro
A fim de a um Escaravelho passagem dar.
Rápidos olhares lançou
Os quais, no ambiente, se propagaram
Olhares que nem Contas assustadoras, pensei –
A Cabeça de Veludo movimentando.
Como alguém em perigo, Cauteloso,
Um miolho de pão lhe oferecendo.
Então, as penas se soltaram
E para casa remou mais suave
Do que os Remos o Oceano separando,
Prata em demasia para um sulco –
Ou Borboletas, distantes das Margens do Meio Dia
No espelho, silenciosas, deslizando pulam.
(Trad. de Cunha e Silva Filho)
A bird came down the Walk
A bird came down the Walk-
He did not know I saw-
He bit an Angloworm in halves
And ate the fellow, raw,
And then he drank a Dew
From a convenient Grass --
And then hopped sidewise to the Wall
To let a Beetle passs --
He glanced with rapid eyes
That hurried all around-
They looked like frightened Beads, I thought -
He stirred his Velvet Head
Like one in danger, Cautious,
I offered him a Crumb
And he unrolled his feathers
And rowed him softer home ¬-
Than Oars divide the Ocean,
Too silver for a seam-
Or Butterflies, off Bank of Noon
Leap, plashless as they swim.
Pelo Caminho um pássaro desceu
Pelo Caminho um pássaro desceu
Nem suspeitou de que o vi -
Um Verme-Isca, em duas partes, mordendo
E devorando-o vivo
Uma gota de orvalho, depois, sorveu
De uma folha de relva útil –
Pulou, em seguida, para o Muro
A fim de a um Escaravelho passagem dar.
Rápidos olhares lançou
Os quais, no ambiente, se propagaram
Olhares que nem Contas assustadoras, pensei –
A Cabeça de Veludo movimentando.
Como alguém em perigo, Cauteloso,
Um miolho de pão lhe oferecendo.
Então, as penas se soltaram
E para casa remou mais suave
Do que os Remos o Oceano separando,
Prata em demasia para um sulco –
Ou Borboletas, distantes das Margens do Meio Dia
No espelho, silenciosas, deslizando pulam.
(Trad. de Cunha e Silva Filho)
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Violência no trânsito
Cunha e Silva filho
As notícias vêm de toda a parte. São as vítimas fatais de um trânsito tresloucado que desrespeita continuamente todas as leis e portarias oficiais. Diante destas não se intimidam os infratores recalcitrantes. Ao contrário, até avançam mais nas suas ações delituosas de todos os tipos: dirigem bêbados, drogados, enfim, fazem as mais escabrosas atrocidades ao arrepio da lei, dando, assim, demonstrações de que o limite da lei é sua transgressão e absoluta indiferença pelos regulamentos do código de trânsito e por seu aprendizado nas auto-escolas. Seriam melhor definidos como vândalos do trânsito, criminosos soltos e prontos, a qualquer instante,a matar inocentes.
Os transgressores do trânsito continuam matando nas estradas, nas ruas, nas cidades e nos campos. Posto que conscientes de seus atos bárbaros na direção dos volantes, prosseguem na contramão da lei e da certeza da impunidade – talvez a maior responsável pelos altos índices de óbitos no trânsito desse imenso país.
Enquanto não aumentarem as penalidades de infrações, os motoristas, de todos os níveis sociais e culturais, não modificarão os seus hábitos violentos e desumanos. Não me surpreenderia que, entre esses desalmados, se encontram psicopatas e outros indivíduos psicologicamente despreparados para dirigirem veículos. Só exames rotineiros psicotécnicos não são suficientes para detectarem anomalias mentais nesses candidatos a motoristas.
O exemplo da cidade do Rio de Janeiro ilustraria bem esse estado anômalo e perigoso do trânsito do qual tudo se pode esperar em termos de desvios de conduta no volante. Vive-se um estado permanente de tensão por parte dos pedestres. Desrespeito pela faixas de parada dos veículos, avanços de sinais, altíssima velocidade, estacionamento em áreas proibidas, estacionamentos indevidos em calçadas impedindo os transeuntes de se locomoverem livremente e outras distorções ilegais são a imagem comum nesta cidade. O desrespeito se estende a outros veículos e formas de transportes: caminhões, motos e até bicicletas. É preciso haver regulamentação também para as bicicletas que fazem misérias no seu absoluto desrespeito aos transeuntes quando atravessam ruas ou mesmo nas calçadas. Causam, da mesma forma, acidentes, sobretudo às pessoas idosas. Creio que, na Índia, apesar daquela confusão de carros, animais e outras coisas, respeita-se mais as pessoas do que em nosso país.
Basta que o transeunte permaneça observando com cuidado o fluxo dos carros, numa avenida ou em ruas compridas, para constatar a extrema velocidade imprimida por motoristas insanos.
Há dois dias, uma jovem senhora estava empurrando o carrinho do filho de um ano, da escola para casa, numa das ruas do Méier, movimentado e adiantado bairro do subúrbio carioca, quando um automóvel, desgovernado, subiu a calçada e atropelou o bebê e a mãe. O bebê teve morte instantânea e a mãe está internada em hospital em estado grave. Sabe-se que o carro desgovernado era dirigido por uma mulher, uma policial civil. Ela alegou que dirigia em baixa velocidade, porém foi de repente atingida por outro carro em alta velocidade, que, chocando-se com o dela, fez este perder o controle e subir a calçada. Mais uma tragédia.
Este é apenas um exemplo entre milhares que ocorrem no país, o que indica ser gravíssima a realidade do trânsito no país.
Se as autoridades de trânsito não tomarem as medidas cabíveis e urgentes em relação ao problema, se as leis de trânsito não endurecerem para o lado dos motoristas, a sociedade brasileira estará sempre à mercê da marginalidade no trânsito.
Há pouco saiu uma lamentável notícia de que jovens adultos, bem postos na vida, inventaram uma moda de sentirem o nível máximo de adrenalina: simplesmente dirigirem, em altíssima velocidade, ou melhor, em velocidades só vistas nas grandes corridas de carros, diga-se 300 km /hora - imaginem! – em rodovias brasileiras. Isso é uma insensatez impensável, que deve ser de imediato inibida pelas autoridades competentes e esses motoristas devem ser enquadrados rigorosamente nos crimes de trânsito com perda de carteira e tudo. São potenciais criminosos e indivíduos estúpidos e perniciosos à sociedade.
Entretanto, tenho notícias de que o Poder Judiciário, em sua instância mais alta, está pretendendo modificar a penalidade do infrator de trânsito, passando os crimes de natureza dolosa para culposa. Ora, se tal acontecer, se me afigura um desrespeito absurdo contra o cidadão brasileiro vítima fatal da extrema violência no trânsito.
Só pode ser uma piada de péssimo gosto se uma decisão dessa espécie prevalecer e se efetivar.
O país está aumentando alarmantemente o número de veículos motorizados. Há carros em excesso nas ruas das grandes cidades e nas estradas e, por outro lado, as montadoras não acessam de colocar à venda milhares de novos carros que, pelo menos, duas consequências gerais nefastas terão: a) o crescimento desproporcional do número de carros; b) a elevação da poluição do gás carbônico (CO2), fonte criminosa da deterioração crescente do meio ambiente, da saúde da população e do aumento crescente e perigosos do efeito estufa.
O de que o país sempre precisou foi de estradas de ferro cortando este Brasil continental, melhorando o movimento de transportes de carga pesada transportando nossas riquezas e nossas importações, diminuindo, desta forma, os altos custos dos fretes hoje largamente dependentes do transporte rodoviário.
Imitemos os países que deram relevo ao desenvolvimento do transporte ferroviário, como os EUA e alguns países europeus, por exemplo.
O ex-presidente Juscelino Kubitscheck (1902-1976) e outros que o sucederam erraram neste aspecto, privilegiando abertura de rodovias e o incremento da indústria automobilística.. Com o passar do tempo, as rodovias brasileiras não acompanharam, em infraestrutura, o crescente aumento de veículos, nem se manteve adequadamente a conservação de nossas rodovias. É tempo de alterar em parte essa visão das quatro ou mais rodas que só faz enriquecer os ativos dos empresários das concessões - via privatização - encarregadas de cuidar de nossas rodovias, com seus altos pedágios e, muitas vezes, o fracasso de suas administrações neste setor.
Portanto, não se aplicaria mais o lema de campanha presidencial de Washington Luís (1869-1957) de 1920, quando afirmava: “Governar é abrir estradas”. O excesso de veículos concentrado nas estradas e nas grandes cidades brasileiras em parte responderia por mais um componente de nosso doentio e criminoso trânsito.
As notícias vêm de toda a parte. São as vítimas fatais de um trânsito tresloucado que desrespeita continuamente todas as leis e portarias oficiais. Diante destas não se intimidam os infratores recalcitrantes. Ao contrário, até avançam mais nas suas ações delituosas de todos os tipos: dirigem bêbados, drogados, enfim, fazem as mais escabrosas atrocidades ao arrepio da lei, dando, assim, demonstrações de que o limite da lei é sua transgressão e absoluta indiferença pelos regulamentos do código de trânsito e por seu aprendizado nas auto-escolas. Seriam melhor definidos como vândalos do trânsito, criminosos soltos e prontos, a qualquer instante,a matar inocentes.
Os transgressores do trânsito continuam matando nas estradas, nas ruas, nas cidades e nos campos. Posto que conscientes de seus atos bárbaros na direção dos volantes, prosseguem na contramão da lei e da certeza da impunidade – talvez a maior responsável pelos altos índices de óbitos no trânsito desse imenso país.
Enquanto não aumentarem as penalidades de infrações, os motoristas, de todos os níveis sociais e culturais, não modificarão os seus hábitos violentos e desumanos. Não me surpreenderia que, entre esses desalmados, se encontram psicopatas e outros indivíduos psicologicamente despreparados para dirigirem veículos. Só exames rotineiros psicotécnicos não são suficientes para detectarem anomalias mentais nesses candidatos a motoristas.
O exemplo da cidade do Rio de Janeiro ilustraria bem esse estado anômalo e perigoso do trânsito do qual tudo se pode esperar em termos de desvios de conduta no volante. Vive-se um estado permanente de tensão por parte dos pedestres. Desrespeito pela faixas de parada dos veículos, avanços de sinais, altíssima velocidade, estacionamento em áreas proibidas, estacionamentos indevidos em calçadas impedindo os transeuntes de se locomoverem livremente e outras distorções ilegais são a imagem comum nesta cidade. O desrespeito se estende a outros veículos e formas de transportes: caminhões, motos e até bicicletas. É preciso haver regulamentação também para as bicicletas que fazem misérias no seu absoluto desrespeito aos transeuntes quando atravessam ruas ou mesmo nas calçadas. Causam, da mesma forma, acidentes, sobretudo às pessoas idosas. Creio que, na Índia, apesar daquela confusão de carros, animais e outras coisas, respeita-se mais as pessoas do que em nosso país.
Basta que o transeunte permaneça observando com cuidado o fluxo dos carros, numa avenida ou em ruas compridas, para constatar a extrema velocidade imprimida por motoristas insanos.
Há dois dias, uma jovem senhora estava empurrando o carrinho do filho de um ano, da escola para casa, numa das ruas do Méier, movimentado e adiantado bairro do subúrbio carioca, quando um automóvel, desgovernado, subiu a calçada e atropelou o bebê e a mãe. O bebê teve morte instantânea e a mãe está internada em hospital em estado grave. Sabe-se que o carro desgovernado era dirigido por uma mulher, uma policial civil. Ela alegou que dirigia em baixa velocidade, porém foi de repente atingida por outro carro em alta velocidade, que, chocando-se com o dela, fez este perder o controle e subir a calçada. Mais uma tragédia.
Este é apenas um exemplo entre milhares que ocorrem no país, o que indica ser gravíssima a realidade do trânsito no país.
Se as autoridades de trânsito não tomarem as medidas cabíveis e urgentes em relação ao problema, se as leis de trânsito não endurecerem para o lado dos motoristas, a sociedade brasileira estará sempre à mercê da marginalidade no trânsito.
Há pouco saiu uma lamentável notícia de que jovens adultos, bem postos na vida, inventaram uma moda de sentirem o nível máximo de adrenalina: simplesmente dirigirem, em altíssima velocidade, ou melhor, em velocidades só vistas nas grandes corridas de carros, diga-se 300 km /hora - imaginem! – em rodovias brasileiras. Isso é uma insensatez impensável, que deve ser de imediato inibida pelas autoridades competentes e esses motoristas devem ser enquadrados rigorosamente nos crimes de trânsito com perda de carteira e tudo. São potenciais criminosos e indivíduos estúpidos e perniciosos à sociedade.
Entretanto, tenho notícias de que o Poder Judiciário, em sua instância mais alta, está pretendendo modificar a penalidade do infrator de trânsito, passando os crimes de natureza dolosa para culposa. Ora, se tal acontecer, se me afigura um desrespeito absurdo contra o cidadão brasileiro vítima fatal da extrema violência no trânsito.
Só pode ser uma piada de péssimo gosto se uma decisão dessa espécie prevalecer e se efetivar.
O país está aumentando alarmantemente o número de veículos motorizados. Há carros em excesso nas ruas das grandes cidades e nas estradas e, por outro lado, as montadoras não acessam de colocar à venda milhares de novos carros que, pelo menos, duas consequências gerais nefastas terão: a) o crescimento desproporcional do número de carros; b) a elevação da poluição do gás carbônico (CO2), fonte criminosa da deterioração crescente do meio ambiente, da saúde da população e do aumento crescente e perigosos do efeito estufa.
O de que o país sempre precisou foi de estradas de ferro cortando este Brasil continental, melhorando o movimento de transportes de carga pesada transportando nossas riquezas e nossas importações, diminuindo, desta forma, os altos custos dos fretes hoje largamente dependentes do transporte rodoviário.
Imitemos os países que deram relevo ao desenvolvimento do transporte ferroviário, como os EUA e alguns países europeus, por exemplo.
O ex-presidente Juscelino Kubitscheck (1902-1976) e outros que o sucederam erraram neste aspecto, privilegiando abertura de rodovias e o incremento da indústria automobilística.. Com o passar do tempo, as rodovias brasileiras não acompanharam, em infraestrutura, o crescente aumento de veículos, nem se manteve adequadamente a conservação de nossas rodovias. É tempo de alterar em parte essa visão das quatro ou mais rodas que só faz enriquecer os ativos dos empresários das concessões - via privatização - encarregadas de cuidar de nossas rodovias, com seus altos pedágios e, muitas vezes, o fracasso de suas administrações neste setor.
Portanto, não se aplicaria mais o lema de campanha presidencial de Washington Luís (1869-1957) de 1920, quando afirmava: “Governar é abrir estradas”. O excesso de veículos concentrado nas estradas e nas grandes cidades brasileiras em parte responderia por mais um componente de nosso doentio e criminoso trânsito.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Um poema de Francis Jammes (1868-1938)
La présence de Dieu
Voilà ce qu’il faut redire
Malgré l’insulte ou ler ire.
Vous ne serez pas hereux
Si vous vivez loin de Dieu.
Trop longtemps ou a eu peur
De nommer notre Seigneur.
Je le sortirai de l’ombre,
Même seul, devant le nombre.
Car Il est toujours vivant
Et il vous parle à present.
Plus jeune que la jeunesse
Il noous noourrit à la messe.
Et voici à l’horizont
Une generation.
Elle sati où est la force,
Et elle fend son écorce.
Et elle éclate de fleurs
Et revient à vous, Seigneur!
A presence de Deus
Eis o que se deve reafirmar
A despeito do insulto e do riso.
Felizes não sereis
Se de Deus longe viveis.
Por longo tempo receio se teve
De o nome do Senhor declinar.
Das sombras tirá-Lo-ei,
Ainda que eu seja um só ante a multidão.
Visto que vivo sempre esteve
E agora vos fala.
Do que a juventude mais jovem
Ele, na missa, nosso alimento se torna.
No horizonte eis
Uma geração.
A energia bem sabe Ele onde está
Do fruto a casca rachando.
Arrebentando em flores,
A Vós retorna, Senhor!
(Trad. de Cunha e Silva Filho)
.
Voilà ce qu’il faut redire
Malgré l’insulte ou ler ire.
Vous ne serez pas hereux
Si vous vivez loin de Dieu.
Trop longtemps ou a eu peur
De nommer notre Seigneur.
Je le sortirai de l’ombre,
Même seul, devant le nombre.
Car Il est toujours vivant
Et il vous parle à present.
Plus jeune que la jeunesse
Il noous noourrit à la messe.
Et voici à l’horizont
Une generation.
Elle sati où est la force,
Et elle fend son écorce.
Et elle éclate de fleurs
Et revient à vous, Seigneur!
A presence de Deus
Eis o que se deve reafirmar
A despeito do insulto e do riso.
Felizes não sereis
Se de Deus longe viveis.
Por longo tempo receio se teve
De o nome do Senhor declinar.
Das sombras tirá-Lo-ei,
Ainda que eu seja um só ante a multidão.
Visto que vivo sempre esteve
E agora vos fala.
Do que a juventude mais jovem
Ele, na missa, nosso alimento se torna.
No horizonte eis
Uma geração.
A energia bem sabe Ele onde está
Do fruto a casca rachando.
Arrebentando em flores,
A Vós retorna, Senhor!
(Trad. de Cunha e Silva Filho)
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