quarta-feira, 20 de março de 2019

OS AUTORES ESQUECIDOS E OUTRAS REFLEXÕES SOBRE LITERATURA BRASILEIRA


               

                                                       Cunha  e Silva Filho


        Existe alguém que, na sua área, não deseje ser valorizado? Julgo que não, salvo se tiver  vocação  para ser santo, cujo desprendimento extrapola os limites humanos: um São Francisco,  um  Santo Agostinho, a figura magnífica de Jesus  entre   outros da  hagiografia mundial.
      Consideremos, por exemplo, a área da literatura brasileira. Meu Deus,  se pegarmos  o volume antigo  Análise  literária e Noções de literatura, do autor   didático, o gramático, Brant Horta, membro da  Academia  Mineira de Letras que   lecionou  no Rio de Janeiro português e latim lá pelos  anos trinta do século  passado,  encontraremos   dezenas  de  escritores  brasileiros totalmente   relegados ao limbo. E o mais surpreendente é que  são, em geral,  autores  de  muito valor,  jogados às traças pelas gerações  pós-modernas,   olvidados,  esquecidos, mortos pela memória   literária da consciência  do leitor  brasileiro. Quem   por exemplo, já ouviu falar de Artur Lobo (  (1869-1901), Belmiro  Braga (1872-1937), Hermes  Fontes (1890-1930), Batista Cepelos (1868-1915) Pardal  Malet (1864-1894), Francisco  Mangabeira (1879-1904) Monteiro de Barros (1871-1915)  e tantos  outros que aparecem no citado  livro de Brant Horta? Há sempre, nos tempos  atuais,  uma ânsia  pela  valorização dos contemporâneos. Os autores do passado, nos diversos  gêneros literários, ainda que  levemos em conta  aqueles que, durante um tempo,  tiveram  alguma visibilidade,  estão soterrados, não diria a para sempre com referência a todos,  mas até que um pesquisador  de hoje  os descubram e os resgatem.
   E não estamos   aludindo  apenas  àqueles que chegaram  ao conhecimento dos historiadores atuais, com repercussão até nacional, como o do  piauiense  Da Costa e Silva (1888-1950), que procurei, na minha dissertação de mestrado,   analisar  e reavaliar cm  instrumental  teórico  moderno. Há pouco,  folheando  um volume, A literatura  brasileira através dos textos, de  Massaud Moisés, com várias edições,  pude  observar  que esse estudioso não arrola Da Costa e Silva,   nem entre os parnasianos, nem  entre os  simbolistas, talvez porque  se limitasse ao que, segundo ele, representasse   as figuras que não poderiam  deixar de ser citadas  no mencionado  volume. Por outro lado,  no  segundo  volume de uma obra em três volumes, a sua   sempre proveitosa  História da literatura brasileira (Realismo e Simbolismo), Cultrix, São Paulo. 4. ed., rev.e atualizada, 2004,  Moisés dedica uma página e meia  analisando  a obra do  poeta  de “Saudade.”
   Todas as histórias literárias  são  incompletas,  lacunosas e por vezes injustas e, ao  procederem  assim,  privam  o leitor  de  entrar  em contato com autores  dignos  de  reavaliação. Carecemos,  em nossa  historiografia literária,  de uma obra   que  se destine a  propiciar uma visão em síntese   mas de amplo  espectro da literatura  brasileira de autores   contemporâneos que abarcasse  pelo menos da última década  do século passado até os dias atuais. Poderia  ser um  trabalho  coletivo. Uma boa  fonte para a realização de um  estudo coletivo  desse calibre seria a Ficção brasileira contemporânea, de Karl Erik Schhollhammer (Civilização brasileira:  Rio de Janeiro, 2009. A parte  dessa  obra, “Bibliografia de ficção  apresenta um bom  roteiro para o  conhecimento dos nomes  de autores mais novos.
       Por outro lado, cumpre mencionar,   malgrado  todas elas apresentarem   aquela natureza lacunosa de que falei linhas acima,   tão característica na feitura das  histórias literárias, as mais amplas  pesquisas nessa área feitas por autores e estudiosos    como, por exemplo,  no passado bem recuado   Francisco Sotero dos Reis (Curso de literatura portuguesa e brasileira, em 5 volumes.), ou menos recuado, Sílvio Romero (História da literatura  brasileira,  em 5 vols.),   José Veríssimo (História da literatra brasileira),Afrânio Peixoto ( Noções de história da literatura brasileira), Bezerra Freitas (História da literatura brasileira) Ronald de Carvalho (Pequena história da literatura brasileira), Artur Mota, (História da literatura brasileira, em 2 volumes) Antonio Soares Amora ( História da literatura brasileira), Alceu Amoroso Lima [Tristão de Athayde], Introdução à literatura brasileira,  e Quadro sintético  da literatura brasileira), Massaud Moisés (História da literatura brasileira, em três volumes) e, na contemporaneidade,   Alfredo Bosi (História concisa da literatura brasileira), Nelson  Werneck  Sodré (História da literatura brasileira), Antonio Candido, com  a sua Formação da literatura  brasileira, chegando até o  Romantismo, Érico Veríssimo  (Brazilian literature), Afrânio  Coutinho (A literatura no Brasil, obra coletiva de inegáveis  méritos),  Wilson Martins (História da inteligência brasileira, em  7 volumes)  José Guilherme Merquior ( De Anchieta a Euclides da Cunha – Breve história da literatura brasileira estudando  autores até  Graça Aranha.
   Poder-se-iam ainda  mencionar, dentro  da contemporaneidade,  De Anchieta aos  concretistas,   de Mário  Faustino, A história da literatura brasileira, de Luciana Stegno-Picchio, historiadora  italiana estudiosa de  nossa  literatura, que avançou cronologicamente  na síntese interpretativa de autores  brasileiros  de 1964 ao início do século  XXI,  a A literatura  brasileira,  de José Aderaldo  Castelo  em 2 volumes, Assis Brasil, com   a sua A nova literatura  brasileira, Sílvio   Castro, com a sua obra  coletiva   em três volumes,  História da literatura brasileira, Luiz Roncari (Literatura brasileira, dos primeiros cronistas até os últimos  românticos), Carlos Nejar (História da literatura brasileira, em dois volumes).
     O pior,  retomando parte do tema central  destes comentários,   no que concerne  ao  esquecimento de autores, são os que  poderíamos rotular  de regionais,  em que o  Brasil  é fértil. Cada estado desse imenso   país possui seus  autores representativos, desde os de níveis  inferiores   literária até os  de  boa  ou  ótima qualidade. Desses  uns poucos  alçam  voos mais altos compondo  o  cânone  nacional  de  grandes    escritores. Essa  passagem  de regional a nacional é espinhosa,  muitas vezes injusta e, assim,  grandes   autores  regionais   tenderão  a permanecerem sempre  dentro dos seus   limites geográficos.
      Entre os  piauienses,   contam-se nos dedos os que   se notabilizaram  nacionalmente:  Da Costa e Silva,   Félix Pacheco (1879-1935),   Berilo Neves (1901-1974) em menor  grau de repercussão,  Mário Faustino (1930-1962), Assis Brasil, Esdras do Nascimento. Martins Napoleão (1903-1981)  ainda  seria um outro  poeta  que  poderia, no seu tempo,   vingar nacionalmente, porém não vingou. Um outro  escritor,  H. Dobal (1927-2008), poeta  de elevado  valor, poderia  ter tido maior  renome  nacional, mas não conseguiu  plenamente, provavelmente por  falta de maior   divulgação.   Os dois  últimos  moraram  fora do Piauí,   viveram  um tempo  no Rio de Janeiro, tendo    Dobal  vivido  também  em Brasília, contudo, por um ou  outro  motivo,  não  lograram, reitero,   maior  notoriedade nacional, o que é uma  pena tendo em vista,  reitero,  a alta  qualidade  do  estro  desses dois  últimos  citados. 
       A consagração  nacional  depende  de vários fatores,  inclusive  da  iniciativa maior  de cada autor,   de sua  penetração nos meios   mais  seletivos   da  inteligentzia, geralmente   girando  entre o  Rio de Janeiro e São Paulo.           
       Essa  passagem do regional  para o nacional poderia ser melhor  analisada  do  ponto de vista  da sociologia da literatura, de processo   complexos  de  publicidade, de maior dedicação  ao meio  literário   em que  atuou nos grandes centros  do país  esses  intelectuais.
     O autor de ontem e de hoje sempre se defronta   com  uma gama  de   determinantes de vária ordem, sobretudo  no meio  editorial   de nossos tempos. Superar todas   essas   dificuldades  de  ascensão  ao   universo  literário  brasileiro tornou-se ainda mais    complexo, verdadeira   teia de aranha contra a qual  o autor  contemporâneo  deve encetar um combate  árduo,  competitivo e  de natureza   mercantilista por razões que antes   se podem  rastrear  nos meandros   do marketing  e nos nichos   inabordáveis   do mundo editorial brasileiro.
      Diante   das perspectivas  nada animadoras   da atualidade   no campo da publicação  e do  crescimento  do nome de um autor, imagine-se  tentar  fazer o resgates de autores   antigos que esperam  por um verdadeiro  milagre do acaso a fim de serem  postos   em  evidência  quanto  às suas  qualidades   estéticas.

(Texto republicado,  melhorado e revisado)


sexta-feira, 8 de março de 2019

PARABÉNS! [CONGRATULATIONS!]

PARABÉNS!
Que todas as mulheres do mundo possam atingir seus mais ansiados objetivos em todos os sentidos de sua difícil caminhada por uma vida mais independente, mais respeitada e mais feliz. Que não sofram da violência doméstica ou de qualquer outra natureza por parte de homens covardes, que saibam buscar seus direitos de mulher livre e que, nessa luta indômita, todas as suas reivindicações sejam atendidas pelas leis de cada país.Viva a mulher livre! Abraços.
CUNHA E SILVA FILHO
[ CONGRATULATIONS!
May all women the world over reach their most yearned aims in every aspect of their hard search for an independent,  more respected and happier way of life.May they never more suffer home violence of whatsoever nature on the part of coward men. May women learn how to better conquer their rights as free women and may they, amidst their relentless struggle, see all their claims accepted by laws in each coutrry. Love.]
CUNHA E SILVA FILHO

quarta-feira, 6 de março de 2019

TRADUÇÃO DE UM CONTO DE OSCAR WILDE (1854-1900)




O GIGANTE EGOÍSTA(1)

       Toda tarde, enquanto  vinham da escola,  as crianças costumavam ir brincar no jardim do Gigante  egoísta.
       Era um  belo e amplo jardim, com macio e verde relvado. Aqui e ali, havia, sobre  a relva, lindas  flores  semelhantes a estrelas, e havia doces pessegueiros que,   na primavera,  brotavam delicadas   folhas de cores  rosa e pérola,  as  quais, no outono,  davam  ricos frutos. Os pássaros pousavam  nas árvores e cantavam tão docemente  que as crianças paravam de jogar  a fim de poder acompanhar-lhes  o canto.
     Certa vez, o Gigante regressou. Havia ido visitar um amigo,  o Ogre Cornualês. Ao chegar,  viu as crianças brincando  no jardim.
   “O que estão fazendo aqui?” – gritou com uma  voz  ríspida. As crianças  dali sumiram.
    “O meu  jardim só  a mim pertence, disse o  Gigante, “qualquer um sabe disso. E não permitirei que ninguém aqui  brinque  exceto eu próprio. ”Dito isto,  construiu  um muro alto e colocou uma tabuleta – “INVASORES  SERÃO PROCESSADOS.
   Era um Gigante muito egoísta; As pobres crianças agora não tinham  aonde ir  brincar. Tentaram divertir-se na estrada, porém esta  era muito  poeirenta e cheia de pedras duras. Não gostaram dessa experiência. Habituaram-se,  no entanto,   a vaguear em torno  do muro alto  após as lições da escola e a conversar sobre o  lindo  jardim lá dentro.   “Quão felizes éramos!” –  exclamavam   umas para as outras.
  Veio, depois, a primavera  e, por toda  parte,  não se viam quase flores nem  pássaros. Somente no  jardim  do Gigante egoísta o inverno  ainda persistia. Os pássaros não mais desejavam  ali trinar, porquanto  não havia  mais crianças e as árvores  deixaram de  brotar. “Não posso entender por que razão ela  está demorando tanto a  chegar,”   acrescentou o Gigante,    enquanto  sentava-se  diante da janela e olhava para fora  vendo seu jardim  frio e branco. “Espero  que o tempo  mude.”
  A primavera nada de chegar., nem o verão. O outono trouxe  áureos frutos  a todos os jardins,. Somente no jardim  do Gigante o tempo permanecia  imutável.
  Certa manhã,  o Gigante,  encontrando-se  na cama  acordado, ouviu  uma música  maravilhosa. Parecia-lhe  tão  suave aos ouvidos que julgara estarem passando lá fora os músicos do Rei. Mas,  aquela música não era senão o canto de um pintarroxo  do lado de fora da janela. Contudo, fazia tanto tempo que não ouvia mais uma  pássaro cantando  no jardim que lhe pareceu ser a mais bela música do mundo.  Em seguida,  da janela aberta recendia  um  delicioso  perfume. “Creio que a primavera chegou  finamente,”  afirmou   o Gigante que,  então,  saltou  da cama e olhou pra fora.
   Visão mais  encantadora jamais   descortinara. Por um buraquinho do muro, as crianças  haviam passado furtivamente para dentro  do jardim e já se encontravam  sentadas nos ramos das árvores. Em cada árvore ele pôde ver  uma criancinha. E as árvores ficaram   tão alegres com a   chegada novamente  das crianças que desabrocharam e ainda agitavam suavemente  os ramos   por cima das suas  cabecinhas. Os pássaros adejavam e gorjeavam deliciosamente.  As flores, com risos, olhavam por sobre o verde  relvado. Que cena  encantadora! Apenas num canto  do jardim ainda  era inverno e nele havia um garotinho  em pé. Era tão pequeno  que não podia  alcançar  os ramos das  árvore. Gritava em desespero.
   Foi então que o coração Gigante começou a amolecer à medida que olhava para fora; “Como fui  egoísta!” –concluiu; “Agora sei por que a primavera não queria voltar aqui. No  topo da árvore, vou pôr aquele garotinho. Em seguida,   derrubarei o muro, e meu jardim  há de ser o pátio de recreio   para todo o sempre!”
    Seu lamento  por tudo que fizera  de mal era verdadeiro .Desta forma,  descera de onde estava e abriu a porta de frente  com muita  delicadeza e ,  dirigiu-se ao jardim. Entretanto, ao vê-lo, as crianças ficaram  tão amedrontadas  que  saíram todas  correndo. O jardim, outra vez,  voltou  ao tempo de inverno. Somente o garotinho  não correu, pois os olhos estavam tão cheios  de lágrimas  que não  viram  a aproximação do Gigante. O Gigante  subiu furtivamente até ele por detrás,  colocou-o  gentilmente na mão e  o levou até à árvore. Rapidamente em flores  desabrochou a árvore e os pássaros nela  cantar vieram. Logo depois, o garotinho  estendeu os dois  bracinhos enlaçando o pescoço do gigante e o cobriu de beijos. As outras crianças, vendo que o Gigante não lhes parecia  mais  um bicho papão,  vieram correndo  de volta ao jardim e com elas  chegava a primavera.
“ Este jardim  é vosso,  minhas crianças", arrematou  o Gigante e, segurando  um grande machado,  botou abaixo  o muro.  Quando  pessoas estavam indo  ao mercado às doze horas,  encontraram  o Gigante junto das criancinhas no mais belo jardim   que jamais   haviam  visto.

                                               (TRAD.. DE CUNHA E SILVA  FILHO)

NOTA: (1) Apud CAMPOS, JR.J. L. Springtime. 2nd. revised  edition. São Paulo: Companhia Editora Nacional,  1940, p. 158-161.


segunda-feira, 4 de março de 2019

UM COMENTÁRIO A UM AMIGO SOBRE O GOVERNO LULA



                                                                                      CUNHA E SILVA FILHO


         Em Lula votei no primeiro mandato e parei aí. Todavia, no segundo mandato, se não incorro em erro, houve a notícia-bomba do maior escândalo de corrupção político-institucional nunca antes ocorrido na história brasileira: o Escândalo do Mensalão - a revelação de um esquema ardiloso e maquiavélico urdido no seio e no centro nervoso do partido dos trabalhadores, o emblemático PT.
      Corrupção sistêmica, através da prática de propinas, que infestava o ambiente do Palácio da Alvorada e tinha como destinatários, em mão dupla, as grandes empresas conluiadas com o governo federal e realimentadora de um estado nababesco de assaltos ao Erário Público por meio de descaminhos propiciados pelas mil maneiras de desvios de dinheiro público.
       Aí foram apontados, nas investigações da Polícia Federal, membros-chave da política petista, como o paradigmático Jose Dirceu, Genoíno et caterva. Foi, em síntese, essa realidade da politicalha petista que me fez, daí em diante, um recorrente crítico das falcatruas do petismo posto que eu reconheça que, no primeiro mandato, Lula tenha empreendido substanciais e importantes mudanças na vida e destino de muitos brasileiros que se encontravam em estado de extrema indigência.

       Por outro lado, o meu repúdio às desídias praticadas por PT se deve essencialmente a desse desvio abissal da moralidade e da ética na condução do Estado Brasileiro. Quero, entretanto, deixar bem claro que não me agrada saber o que venho observando no atual governo Bolsonaro, sobretudo no campo das mudanças da economia, da política externa e de uma tendência à militarização de altos cargos da administração federal.Esterei atento a esse governo em princípio de mandato.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

SUBJETIVISMO E INTROSPECÇÃO: O BRASIL DE HOJE



                           CUNHA E SILVA FILHO

         Se me posicionar  de forma  não acadêmica,  não  distanciada  e até apolítica,  ou seja,  descambando para a subjetividade,  talvez me seja por enquanto  mais  cômodo, mas nunca menos   próximo do que pretendo  neste artigo. Às vezes,  um desabafo  vale  por  cem páginas de um ensaio, assim como se diz que, na ficção,  existam mais  verdades  sobre  um pais do que  as notícias  frias de um jornal.
        Se, por exemplo,  em diálogos  abertos  entre duas pessoas que se estimam, ainda  que com  ideias  bem divergentes,  pode-se  encontrar  a expressão  de hipóteses  muito   boas e caminhos  para soluções de  agudíssimos  problemas nacionais, é bem provável  que   pudéssemos   viver  melhor  aqui no país.
       Um governo  novo pressupõe trazer  novas e melhores  soluções desde que essas  não se afastem  um palmo  da dignidade  pública  e  do enfrentamento  dos  problemas   espinhosos. E o Brasil  figura nesta situação em que um Presidente já tomou  posse, e situações  reprováveis  já se mostrem   contrárias  aos pressupostos   de mudanças para   melhor e num sentido de resgate de valores  autênticos  nos setores  mais  vitais para que um país seja sério  nas suas propostas  de campanha eleitoral.
       No entanto,  medidas  de mudanças  substanciais que implicam  profundamente  na sorte  de gerações mais próximas já se estão desenhando, ou melhor, já estão  desenhadas para o bem ou para  o mal, visto que  nenhum  economista  tem a bola de cristal  para  vaticinar  como poderiam  fazer alguns  profetas  do Antigo  Testamento ou  certos  poetas,  inclusive nacionais,  o que  objetivamente  vai    ocorrer daqui a uma década ou mais tendo em vista que  a conjuntura mundial, no campo  da paz,   não é das melhores e  problemas vários   podem ser  vislumbrados. A Economia não é uma ciência exata, semelha muitas vezes,  a um   previsão  meteorológica  que nos pode   surpreender  em seus resultados.
    Ao  elaborar-se um  plano, diga-se,  da Previdência  Social,   a equipe de técnicos  e especialistas  na área encarregada  dessa tarefa  árdua  e complexa,  me parece  que está  corretíssima  e  laborando  em terreno  por demais  afeto  aos seus conhecimentos  e epistemologias, entretanto,  carece  assinalar  como   fundamental  nessa tarefa  não somente  permanecer  no seu território de ação mas  não esquecer   as razões   profundas que atrás  das precárias e alegadas insuficiências crescentes de recursos  pecuniários  desencadearam  a “tragédia”  da Previdência brasileira.
       Os brasileiros somos   um povo  com memória  curta  e  mais chegado a   pândegas. Esquecem,  complacentes,  que,  nos últimos governos federais,    tem havido um dado inquestionável que mexe com as finanças  gerais da República:  os faraônicos e sucessivos  gastos  públicos   com  mordomais, regabofes, viagens presidenciais suntuosas  ao exterior, acompanhadas de  régias  comitivas  presidenciais, congressistas,     ao exterior,  em que os   famigerados  cartões  corporativos   corriam soltos  e ledos nas mãos dos altos escalões palacianos.
    E, last but not least,  há um dado adicional   - um grande vilão – acoplado  àquela gastança pantagruélica   sem medidas  nem freios – que é a ruptura da maior  barragem  nacional: os  pustulentos  e criminosos rejetos tsunâmicos da corrupção tanto aberta quanto  sub-reptícia,  cancro  nacional   surrupiador contumaz    dos cofres públicos   de braços dados com  a  geral e irrestrita  avidez    de capitalistas  de macroempresas  a serviço  do  governo federal e até, todos sabemos, com escritórios  mantidos  a fim de  alimentarem a  politicalha   com  a prática  insidiosa  da propina  para dentro do Planalto e para as matrizes das macropempresas tão  conhecidas após as exitosas  investigações  da Polícia Federal.
     Ora, senhores, com esse desperdício vultoso e recorrente de  dilapidadores dos Erário Público  não existe país que aguente e resista  como se fora um  navio  posto a pique   em decorrência de um comandante    inescrupuloso e falaz. O desperdício de verbas governamentais em   setores  vitais ao  bom funcionamento da máquina administrativa  dos governos federal,  estaduais e municipais, quer por peculatos, quer  por  má gerência, é outro  fator  poderoso  da sangria  financeira que tomou conta  da   res publica.
     Governadores  inescrupulosos,  como o Sérgio  Cabral e ou outros destruíram a estrutura  de seus governos, mormente o  primeiro,   com  consequências perversas aos seus habitantes e aos servidores   estaduais e até municipais.  É como se, de repente,  o país acordasse  com  a falência  geral  dos seus governos    apontando para o suposto  mastodonte,  que é a Previdência  Social – o maior  bode expiatório  -      escolhido  pelo  governo federal  para  redimir  todas as gastanças faraônicas, os “malfeitos”  dos  políticos e governantes   dessas plagas brasílicas.
      Para concluir, não é a Previdência Social o maior  problema  enfrentado  pelo país. Os maiores  são a desastrada   política de segurança  pública e seus efeitos   no incremento da   violência  sem  limites,  a educação  pública  em decadência, os transporte  de massa que maltratam diariamente milhões de usuários pelo  país,  sobretudo no eixo Rio–São Paulo,  e a saúde desbaratada    pela incompetência  e  desídia  das autoridades   nos três setores  públicos. É nessas  razões abissais que vejo    que os responsáveis pelas  mudanças na Previdência  primeiro  deviam cuidadosamente  meditar e  levar em conta, não o caminho  inverso  da frieza  e objetividade  dos técnicos e economistas  de plantão, mas  a frágil  realidade   de um sociedade  em agonia.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

RESPOSTA A UM TEXTO DO ESCRITOR JOÃO PINTO: O CASO DA REFORMA DA PREVIDÊNCIA SOCIAL BRASILEIRA

                                                                                CUNHA E SILVA FILHO
       Triste país este, João Pinto, que propõe uma nova Previdência Social aumentando os anos de trabalho e,como V.bem assinala, aumentando alíquotas de descontos nos salário já baixos.
         O que esses técnicos estão fazendo, com ares de autoridade e de donos da verdade,não vai dar equidade alguma entre classes de funcionários públicos nem trabalhadores privados. É apenas um bem arquitetado sistema de engabelar a sociedade a promessa incerta de que vai melhorar a vida de quem quem trabalha hoje e no futuro.
          Ora,ninguém pode projetar algo dessa natureza num país instável financeiramente como o Brasil.Aqui só são estáveis os privilégios e regalias, os quais,vão continuar na mesma farra de antanho.Ora, essa urgência de Reforma nesse setor se deve à monumental dilapidação do Erário Público com as rapinagens sucessivas praticadas em governos anteriores,sobretudo durante o lulismo, o dilmismo e o temerismo
          E agora esses malandros e malazartes vêm pôr a culpa da derrocada deficitária da Previdência nos gastos que esta última alegam ter sem comprovação fundamentada.Os governos citados foram tão criminosamente perdulários que tudo ruiu financeiramente como se fora uma dessas barragens que já romperam em Minas Gerais enlameando de ilicitudes os estados, algumas prefeituras e sobretudo a gastança à tripa forra do Estado Brasileiro, mormente nos três poderes, ou seja, gastos gigantescos com salários dos seus altos escalões e a dinheirama de uma corrupção sistemática devastando os cofres públicos sem dó nem piedade.
        Ora, todas essas desídias recorrentes desembocaram num bode expiatório: a Previdência Social. O governo federal (inclusive o que mal começou) sem confessar a sua culpa e a sua irresponsabilidade, engendrou esse mastodonte - a propalada dívida crescente no setor previdenciário.
      O pior é que a sociedade seja quase unânime em concordar que tudo o que o grande Leviatã afirma seja a verdade dos fatos ainda que escamoteando os verdadeiros vilões da suposta quebradeira nesse setor.Só Deus sabe como vai ser esse futuro de nosso país.Já não estarei aqui para confirmar o que agora declaro e exponho. 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

ACHAQUES À BRASILEIRA




                         

         Muita coisa que logo no início deste ano  no meu país está  sucedendo  não me deixa  tranquilo. Uma delas poderia citar em primeiro lugar:  o rompimento  da Barragem de Brumadinho, em Minas Gerais. Mais  uma  grande tragédia de muitos mortos e poucos culpados.
        Desastre dos piores que  já aconteceram  entre nós,  país sem vulcões  nem terremotos, mas  agora,    se revelando   como  uma terra  capaz de   ser castigada por furacões com ventos de  mais de 100 km de velocidade  trazendo  mortes à Cidade de São Sebastião,  Padroeiro do Rio de Janeiro.
       Agora mesmo,  veio,  de lambujem, a esses maus momentos  brasileiros, essa tempestade  raivosa   deixando vítimas fatais  pela cidade que viveu  também  maus bocados de  perigos  e deslizamentos  nos locais  tanto  onde vivem  pobres quanto   nos lugares em  que  moram  os abastados   dessa país  de violência  extrema,   insegurança   em tudo  e carência  geral  em vários setores  da vida nacional ou seria nacionalista?
         O  país precisa urgentemente de ser  benzido pelo Papa Francisco. Está fazendo falta agora  um poema de Manuel  Bandeira (1886-1968) ou uma crônica de Drummond (1902-1987); do primeiro,  pedindo  uma poema-prece a Deus e a São Sebastião que livre o Rio de Janeiro  dos riscos inúmeros a que  tem andado sujeito; do segundo, pedindo uma crônica atualizada (daquelas boas que costumava estampar  no velho Jornal do Brasil, o famoso JB,  para que o  Presidente enfermo   logo se restabeleça  e consiga  dar  um kick-off de verdade  no que concerne às promessas de campanha  de limpar o  país da sujeira  e lamaçal  morais   em que ainda está afundado e dar uma mãozinha firme   em mudanças  que não deviam ter o dedo sujo   de muita gente   de Brasília  ainda aferrada  aos males  de nossa   crônica  miséria   republicana.
     Outra coisa,  o Presidente deve  chamar   a atenção  dos seus ministros  ligados à área econômico-financeira  para o fato de que  as mudanças  na vida dos trabalhadores  brasileiros   não sejam feitas  a toque de caixa  achando  que toda  a nossa   situação   financeira    seja  culpa  dos gastos com  os milhares   de aposentados  que  ganham salários irrisórios, ao passo que o Poder Central, digo,  os  altos funcionários da República  (políticos, ministros, ex-presidentes da República, presidentes de autarquias ou órgãos públicos,   diretores etc.) quando aposentados, viverão com  vencimentos    principescos e ainda contando com assessores, carros  renovados,    seguranças particulares    e outras mordomais  palacianas. Isto só para citar no caso de ex-Presidentes da República).
     Cumpre lembrar aqui  que a maioria desses potentados e igualmente alguns menos  potentados  saídos  dos  poderes têm  várias aposentadorias acumuladas e nem é  necessário  nomeá-los porque o  povo brasileiro consciente  sabe quem são todos eles.
    Com que autoridade  vem a  público um  banqueiro  agora  virado  superministro  das finanças  federais  dizer que  é tempo de  acabar com as desigualdades? Então,  esses potentados  ou menos potentados  também  se igualarão  aos barnabés? Todos ganharão,  no máximo,  o teto  de, em ganhos atuais de aposentados da Previdência Social,   uns R$ 5.000,00 reais? Que é isso, companheiro? Um general vai, na reserva, ganhar  esse teto  da Nueva  Previdência Social,  senhor superministro?
    As mudanças no campo da   aposentadoria,  pública ou privada,   não podem ser  iguais porque há funções diferentes e em níveis diferentes.  E o  empregado, reserva de mercado,  em tempos eufóricos de  neoliberalismo,  vai ter condições de  poupar em alguma banco  privado  ou mesmo público se ele mesmo  com o que  ganha  com o suor  de seu rosto mal terá  condições  para se sustentar mensalmente? 
   Senhor superfinancista, o que   me garante,  em futuro médio ou  distante, que  o país  atingirá certas metas de melhoria   anunciadas   hipoteticamente agora   como se os economistas   dispusessem de um  bola de cristal, quando se sabe que, em economia,  nada é  tão  instável  em termos de  prospecções, sobretudo num mundo  econômica e financeiramente globalizado?
   O que  na realidade o pais precisa  é de uma mudança radical, profunda, incomensurável,   na ética  de seus  políticos  e de todos  os seus governantes, em escala de alto a baixo. O que o país  com urgência urgentíssima  necessita  é de  seriedade com a  res publica,  com  o dinheiro arrecadado  pelo Tesouro Nacional  e com  o  seu uso  digno  para  todos os setores   que estão  em colapso: hospitais,  segurança pública,   educação pública de qualidade nos três níveis, com professores valorizados,   transporte  coletivo moderno  e  confortável.
   Faça, senhor superministro, uma mudança real com  um corte mortal às  pantagruélicas   mordomais  do Executivo,   Judiciário  e  sobretudo Legislativo.  Se querem  moralizar as finanças do pais,  que  se realize  essa  mudança apontada  acima  e  reduzam  as aposentadorias acumuladas   no setor  público. Com esse  corte  gigantesco,  senhor  superministro,   o país  há de   ter um alívio   e dinheiro  vai sobrar  para, assim, realizar uma  séria  e justa mudança  na Previdência  Social.
       Uma Previdência Social  sem  desvios  de dinheiro, sem    peculatos, sem desídias,    sem funcionários  fantasmas aposentados,  sem  corrupção  dos seus funcionários   em todos os níveis. Só um  Lei  poderia ser  uma nova emenda  na Constituição  Brasileira e seria nesse  teor: “Acabem-se de vez com  as regalias astronômica  palacianas  dos governos federal,  estaduais  e municipais. Não fiquem  jogando a culpa toda da famigerada   quebradeira     na Previdência Social   que não é  boa   -  reconheço -,  mas não é a vilã protagonista de nossos males  brasílicos.