Prezados leitores:
Estarei afastado deste blog de hoje ao final de dezembro de 2012.Feliz Natal! Feliz Ano Novo!
Obrigado!
Dear readers:
I'll be away from this blog from now until the end of December of 2012. Merry Xmas and a happy New Year.
Thank you!
Os temas discutidos neste blog se concentram sobretudo na área de Literatura Brasileira, mas se estendem a outros temas e áreas culturais afins. Os gêneros literários da preferência da produção do autor são crítica literária, ensaios e crônicas. tradução de poesia estrangeira. Áreas de pesquisa e interesse do autor: teoria literária,história literária, vida literária.relação entre literatura, pobreza e violência, literatura universal e literatura de autores piauienses
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
São Paulo: na linha de fogo
Cunha e Silva Filho
São Paulo, a mais importante cidade brasileira, na sua capital e em partes do seu interior, está atravessando um dos piores momentos de sua história. Em artigo aqui postado, já a comparei a uma pequena Síria de Bashar Assad. Não é que teime em tornar o assunto violência algo sensacionalista. Longe disso. Não sou paulista mas sou brasileiro e a grande capital tão amada por Mário de Andrade (1893-1945) e por tantas ilustres personalidades dos vários setores culturais está encalacracada num redemoinho assustador que, diariamente, vai ceifando vidas, seja de policiais da ativa,ou policiais aposentados, seja de jovens pobres, em alguns caso, sem antecedentes criminais, que vão sendo assassinados à luz do dia, à noite ou nas madrugadas.
O Comando Geral da Polícia Militar de São Paulo já está em outras mãos, assim como o Secretário de Segurança. Estudam-se novos planos de combate à violência galopante. O cenário tem muitos pontos comuns com uma espécie de guerra civil ou de terrorismo à brasileira. Todo mundo está apreensivo. .Fala-se que a Polícia paulista está preparada. Na prática, porém, isso não corresponde à verdade dos fatos. A mídia está aí dando alarmes e, neste ponto, prestando inestimável serviço aos órgãos de segurança. Sem a imprensa, falada, escrita, televisiva, sem alguns programas especializados no tema da violência, sem os competentes comentaristas da área de segurança, sem a ajuda de sociólogos e antropólogos, o trabalho da Polícia seria menos eficiente.
Não é possível que a luta sem trégua contra o crime organizado não consiga reverter os gargalos nos quais se situam os alvos certos a fim de que os policiais ganhem essa guerra urbana, porque afeta mais a capital. Já é tempo de que o governador, em vez de retórica inócua, passe a tomar medidas, sendo uma delas a ajuda do governo federal, da Força Nacional, da Polícia Federal, combatendo ferozmente aqueles lugares- -chaves de onde partem ordens de traficantes e criminosos de alta periculosidade que, dos presídios estaduais ou federais, ainda enfrentam as forças públicas.
A Polícia Federal é um dos órgãos de segurança e investigação dos mais competentes que temos. Se o governo paulista pedir o auxílio da PF, que dispõe de potencial de inteligência e de investigação de alto nível, não descartando também a presença das Forças Armadas com a logística e a infraestrutura prontas a agirem em defesa da ordem pública em São Paulo, acredito que, numa força-tarefa conjunta e solidária, muito poderia lucrar a vida do cidadão em São Paulo. Seria um combate visando ao desmantelamento das facções criminosas, atacando realidades cruciais como o tráfico de drogas, o contrabando de armas e vigilância nos presídios. Ao abortar esses nós do crime, seria possível reduzir, se não a zero, a níveis suportáveis de criminalidade.
Por outro lado, seria conveniente atacar outros flancos da problemática da violência: a venda de drogas para as camadas mais altas da sociedade, punindo o vendedor e localizando os usuários, encaminhando estes a tratamentos contra o vício. Uma outra recomendação seria, a médio e longo prazos, investir na educação pública de jovens de famílias de baixa renda, presas fáceis dos aliciadores do tráfico.
A educação é o meio mais adequado a mudanças de comportamentos sociais. Sabendo dar a devida orientação e competência às nossas crianças e adolescentes, através de um ensino-aprendizagem atualizado e voltado para uma formação humanística sem desprezar o contexto técnico-científico da formação educativa do discente, dificilmente teríamos, num futuro próximo, jovens e adultos desvirtuados psicologicamente
Compete ao Estado brasileiro mudar drasticamente esse quadro deplorável de desordem social nesta fase de desenvolvimento, mesmo com a agravante dos escabrosos casos de corrupção na estrutura da máquina administrativa e burocrática em que o país se vê enredado para vergonha dos países civilizados que não mais enfrentam, no mundo contemporâneo, tão altos graus de violência como o nosso.O binômio violência-corrupção é o que mais fere a dignidade da nossa sociedade.
A violência de outros países no Oriente, na África e na Ásia são de natureza diferente. Não se prestam a parâmetros para a situação típica da sociedade brasileira.
Urge que o Brasil no seu todo menos açoitado pela violência, de diversos modos, contribua solidarizando-se com os paulistas, e sobretudo com os paulistanos nesta fase de elevada criminalidade que, se não for controlada, poderá trazer sérios problemas para a indústria , o comércio o turismo e, portanto, para a posição econômica de que o grande estado brasileiro – carro-chefe de nosso desenvolvimento em todos os nívei - desfruta soberanamente em comparação com todos os estados do país..
sábado, 1 de dezembro de 2012
O Brasil e o Intocável
Cunha e Silva Filho
Vasculham-se as vidas de profissionais e mesmo a vida pessoal de indivíduos. Só um não pode ser vasculhado. Segredo de Estado. O melhor será o silêncio sobre ele e seus feitos ou malfeitos. Nosso homens são objeto de julgamentos, de CPIs, de investigações da Polícia Federal. Se há boatos sobre o Intocável, as medidas legais não são tomadas. Já alguém que conhece da ciência jurídica uma vez me falou que, se a Justiça não for provocada, nenhuma providência se toma contra certas pessoas do Estado Brasileiro, principalmente do Intocável.
Somos tão bisbilhoteiros, gostamos de fofocas, de conversas ao pé do ouvido, de conversas em off, mas intuímos algumas hipóteses que poderiam ser verdades e, com medo de represálias ou ameaças, até semelhando os tempos da deduragem do país sob o controle militar, preferimos aquele silêncio tão comum em algumas favelas ainda sob o domínio do tráfico ou das milícias. Ninguém sabe, ninguém viu, ninguém ouviu.
O silêncio é regra de ouro dos indivíduos que formam a sociedade. Há coisas que só podemos afirmar em público em certos lugares, numa conversa rápida com um desconhecido que nos conta e jura de pés juntos que o objeto da conversa é a verdade verdadeira. Fica, aquela “verdade” apenas no nosso confessionário interior, ou seja, aquele que fazemos com nós mesmos, com a nossa consciência. Ainda bem que não inventaram até hoje a máquina adivinhar ( só talvez paarecendo nos filmes de ficção científica) o que nos vai no mais profundo de nossa alma. Só DeusOnipotente sabe o que vai no interior ou nos subterrâneos da alma do homem.
Por um lado, se a máquina pudesse registrar todas os nossos pensamentos, estaríamos perdidos e mal pagos. Só escapariam os santos, mas hoje em dia santo é avis rara. No entanto, todos sabemos e não podemos fazer nada, nós pequenos mortais que não habitamos as delícias do poder público.
Há áulicos por toda a parte, prontos a defender, com unhas e dentes, o Intocável. É engraçado, todos dizem às ocultas , mas ninguém quer a revelação da verdade lídima, do fato concreto, da revelação final e vexatória, se não espúria.
Será que o Intocável sabe o que alguns sabem sobre a sua vida na cristalinidade da verdade dura e crua? Não se peja, então, de que a voz de alguns está a par do que sejam os fatos que ninguém quer afirmar cm todas as letras sem medo de ser feliz? O rei está nu, mas, diferente da história, sabe que está, porém todos (ou grande parte) saabem que está nu. Quer dizer, os dois lados se omitem por cumplicidade ou medo.
Da pobreza ao conforto houve lutas , sim, desesperos, gritaria, muitos barulhos, não os de Ferreira Gullar , mas os barulhos que se transformam em galinhas de ovos de ouro. O povão, a arraia miúda, no seu conjunto maior, pouco se importa com as verdades ou as mentiras palacianas. O povo quer é viver, quer é o lado dionisíaco da existência, não os resmungos dos conscientes e dos homens de bem, tão carentes em nosso país.
E, dessa maneira, o Intocável vai tocando os frutos e os ócios conseguidos e consolidados na vida presente e até mesmo estendo-os a descendentes.
Há uma certa analogia às avessas entre a prisão do personagem central Joseph K.de O Processo (1925), de Kafka (1883-1924) e a verdade oculta que os indivíduos de nossa pátria sabem. Dela têm conhecimento, mas nada podem fazer contra. Ficamos todos amarrados em nossos medos e em nossas rebeldias que não passam de indignações pessoais, grupais, ou coletivas que não vicejam nem se materializam no nosso cotidiano.
Vivemos uma meia realidade e, depois, não me venham, afirmar que só no comunismo não se pode dizer as verdades e o nosso descontentamento sobre algumas figuras da vida nacional.
Nossas comportamento é mesmo burguês, individualista, sem um fio que uma todos os brasileiros verdadeiramente patriotas. O nosso forte é falar da vida alheia pelas costas. Não passa disso. Somos abúlicos, preferimos manifestações encenadas e orquestradas de natureza carnavalesca. No entanto, quando o bem comum exigiria a participação de todos os nacionais, aí nos desintegramos como seres sem cumplicidade para as grandes causas do país. Só em poucas ocasiões da história brasileira, o país se viu mais unido. Somos um povo que aguenta tudo, menos a falta do carnaval, alta inflação, futebol mulheres bonitas e supermercados vazios de produtos alimentícios. Lembram-se do tempo do cruzado da era Sarney? Suportamos impunidades, injustiças, falta de hospital, violência enquanto tudo isso não nos atinge como um todo e de forma anárquica.
No plano político, votamos mal, escolhemos maus representantes do povo, votamos novamente em governantes velhacos e vamos levando a vida como se tudo estivesse no melhor mundo possível. Se o país teve ganhos na melhoria de grande parte de brasileiros, não queremos saber de como a engrenagem funcionou para chegar até esta posição mais confortável. O que importa para o homem comum brasileiro é o seu individualismo, seu egoísmo, ainda que um malabarista permaneça imune a algum julgamento público.
No país do futuro, ou no país do ontem sempre e continuado, vale a força da realeza em clave “democrática”, onde tudo é possível fazer, menos mudar as delícias pantagruélicas de um rei Intocável de fato e de direito.
Nota: Nova versão devido a incorreções sanadas a tempo.
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Um primeiro passo, mas já é um começo
Cunha e Silva Filho
Com a vitória da votação dos membros permanentes da ONU para o pleito do Estado da Palestina ter direito ao status de “Estado Observador”, à semelhança do Estado do Vaticano, os palestinos conseguiram, com muito esforço, a aprovação de considerável parte dos membros da ONU. Os palestinos, a partir de agora, já podem ter acesso a uma instância de extrema relevância, o Tribunal Penal Internacional (TPI) através do qual poderá reivindicar queixas contra violações de atentados, massacres, crimes de guerra e e crimes contra a humanidade e outros delitos cometidas pelos governantes israelenses. Ressalve-se que a minha crítica não se destina ao povo judeu na sua maioria, mas ao seus sistema de governança no âmbito das relações internacionais e de geopolítica num conflito entre os dois países que se arrasta desde a divisão do território que caberia a Israel e à região territorial destinada aos palestinos. O conflito mais acirrado atualmente diz respeito ao avanço dos judeus por parte do território que pertence aos árabes, por exemplo a Faixa de Gaza controlada pela facção Hamas.
O nó górdio entre judeus e palestinos tem implicações maiores no campo da divisão territorial de partes de regiões que deveriam ficar sob o controle palestino, e não apenas servindo de munição para que os judeus continuem isolando as fronteiras do dois países e ainda por cima unilateralmente praticando ilícitos quando avança pelo território palestino a fim de aumentar seu próprio espaço geográfico.
Seria preciso que ambos os lados desarmassem os espíritos e pensassem em encontrar uma via que os levaria a uma estado de convivência pacífica sem ódios nem retaliações de parte a parte. Se o Estado judeu cessar a sua ambição de querer tomar à força marcos fronteiriços já assentados pelos órgão internacionais competentes, como a ONU, isso já seria outro passo notável na relação com os palestinos. O que não pode persistir é este estado de beligerância constante entre as duas nações que não resultaram, até hoje, em nenhum bem para a paz entre os dois povos.
Por que não permitir que a velha Jerusalém se torne uma espaço comum compartilhado harmoniosamente entre palestinos e israelenses, uma espécie de lugar santo aberto aos dois povos, uma área geográfica livre de confrontos religiosos e políticos, na qual só haveria espaço para a convivência e a pacificação.
Porém, não é assim que pensa o Premiê Netaniahu que, ao lado dos Estados Unidos, não vê com bons olhos essa pequena vitória do povo palestino. Netaniahu me parece sempre estar com um pé atrás em relação às palavras do Presidente Mahmud Abbas, segundo ele discurso que esconde falsa propaganda e outras intenções que não as que conduzem à paz. Ao contrário, vejo o Premiê judeu sempre iracundo e com fisionomia hostil no que diz respeito a discussões entre os dois países, ao contrário de Abbas que me dá a impressão de desejar uma saída para a paz. Mesmo quando os dois países estão se guerreando, o saldo de mortes é muito mais elevado para o lado palestino. É só ver as estatísticas, que falam mais do que as palavras.
Qualquer pretensão maior da parte dos palestinos na tomada de decisões conducentes a uma trégua com os judeus será barrada pelos EUA e Israel – os dois grandes aliados prontos a vetarem no Conselho de Segurança da ONU reivindicações dos palestinos. Esta união destes dois países em nada contribuirá para melhorar de vez o conflito e os crimes praticados entre Israel e os palestinos. Obama , tanto quanto os seus predecessores, mantêm a mesma fidelidade incondicional em propiciar aos judeus afagos e apoio em todos os sentidos, o que é lamentável para o EUA e para a suas relações internacionais
O governo brasileiro está de parabéns porque se solidarizou com a vitória dos palestinos na conquista de ser um novo “Estado Observador" e, de certa forma, ter mais visibilidade junto aos membros permanentes da ONU. Os 138 votos favoráveis aos palestinos foram um grande indício de que nações importantes não veem o povo palestino como uma nação aventureira e sim como um povo que almeja conquistar a paz duradoura.
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Da importância atual da língua inglesa na universidade
Cunha e Silva Filho
Leandro Tessler, professor do Instituto de Física Gleb Wattagin da Unicamp assinou oportuna matéria acerca da atual importância do domínio da língua inglesa como veículo de comunicação para cursos ministrados na universidade brasileira. O artigo tem por título “Nossas universidades precisam falar inglês” (Folha de São Paulo, 25/11/2012).
O tema abordado tem sua pertinência, sem duvida. Mostra que, no âmbito internacional do ensino superior, universidades portuguesas já oferecem cursos superiores lecionados em inglês. Os portugueses, que são bem zelosos com a sua/nossa própria língua, não estão dando nenhuma demonstração de falta de nacionalismo por incluírem essa novidade nos seus cursos. Este é,, conforme se infere do artigo em exame também o ponto de vista do articulista.
Acredito que, no Japão, na China, na Alemanha em Israel, por exemplo, já existam universidades que oferecem seus cursos ministrados em inglês.
Concordo com o autor do artigo quanto a não vislumbrar essa incorporação de inglês como lingua franca em universidade pelo mundo como formas de dominação, elitização ou neo-colonialismo cultural ou como perda de “soberania nacional”, mas sim como afirmação positiva de elevar o nível de intercâmbio dos saberes entre estudantes e professores em escala global.
Tessler relembra o fato histórico, no período da Idade Média, no século 12, de alta relevância para a intercomunicação cultural de nações europeias, cujo canal linguístico usava o latim, com o qual os estudiosos de Oxford ou de Bologna podiam trocar conhecimentos, informações ou ideias com outros estudiosos de universidades do porte de Salamanca ou Sorbonne.
O articulista ainda assinala que o nosso pais dispõe de um número reduzido de universidades incluído nas 500 melhores do mundo.
Segundo o professor da Unicamp, se nosso país não alavancar recursos materiais e humanos para podermos inserir em nossas universidades cursos dados no idioma inglês, como já existe na Argentina, estaremos perdendo uma grande oportunidade de elevarmos o nível da universidade brasileira e fazê-la ingressar num circuito internacional com evidentes benefícios recíprocos para as universidades estrangeiras e as nacionais.
Todavia, teoricamente esta necessidade esbarra em alguns pontos dignos de maior explicitação. Dispomos há anos no país (desde o final dos anos de 1930) dos cursos de Letras responsáveis máximos pelo desenvolvimento, aperfeiçoamento e atualização de nossos cursos de língua portuguesa, literatura brasileira e literatura portuguesa, bem com de outras graduações em diversos idiomas neolatinos e anglo-germânicos (inglês e alemão), além de idiomas clássicos de línguas mortas, o latim e o grego. Bem mais tarde, foram incluídas na grade curricular de algumas universidade federais, cursos de literaturas africanas de expressão portuguesa e curso de graduação em árabe, russo, japonês, o que foi um notável ganho para os nossos estudos literários. Hoje, pode-se dizer, sem qualquer ufanismo, que nosso ensino público, estadual e federal, de Letras, atingiu, em diversas universidades, inclusive em algumas particulares, um bom e por vezes excelente nível de qualidade de ensino não só na graduação como na pós-graduação (mestrado, doutorado e pós-doutorado).
Por que, numa primeira etapa, em nosso ensino de Letras, não intensificamos os cursos de português para estrangeiros com aulas ministradas em inglês? Isso já e bastante difundido em cursos particulares ou nos chamados cursos in-company. Esta seria uma saudável forma de valorizarmos a nossa língua como requisito básico a incluirmos na grade curricular geral dos diversos cursos de graduação (antigo bacharelado e licenciatura) a serem ministrados em inglês. Tal inovação bem poderia ser simultânea à introdução da língua inglesa como instrumento de comunicação na mencionada graduação e, depois, pós-graduação. Não haveria nenhum inconveniente nisso. O importante seria, agora, a preocupação com o preenchimento de quadros docentes à altura dessa inovação pedagógica.
No país há tempos existem escolas para estrangeiros nas quais os cursos fundamental e médio são ventilados no idioma inglês, como é exemplo no Rio de Janeiro a Escola Americana.
Sabemos que as propostas do professor Tessler têm fundamento e são exequíveis. Entretanto, elas precisam, pelo menos na experiência brasileira, de serem bem equacionadas, porquanto redundam em custos e melhor qualificação de professores com domínio perfeito da língua inglesa tanto brasileiros, quanto nativos ou de outra nacionalidade mas com igual proficiência oral e escrita no idioma de Shakespeare. Obviamente, a nova modalidade de graduação em língua inglesa abriria novo campo de trabalho de profissionais atendendo a estas exigências.
Penso, ademais, que a mão de obra qualificada não seria tão facilmente adquirida, uma vez que, mesmo no ensino superior de nossas universidades há carências de docentes com estas competências linguísticas e mesmo há aqueles que nem mesmo desejam aperfeiçoar seu inglês por não gostar da língua ou por se interessar por outra língua moderna. A questão da mão de obra não é tão simples assim.
Por outro lado, vejo que o nosso país está muito longe de alcançar um nível de excelência do inglês ou espanhol em nossas escolas públicas ou privadas, sendo raras as exceções. Ao contrário do que ocorre com países adiantados ou mesmo menos adiantados, os quais investem seriamente no ensino público fundamental e médio. Alunos egressos destes níveis mostram uma proficiência oral e escrita bem mais avançada do que a média do estudante brasileiro.
É claro que, notadamente nas áreas técnico-científicas muito tem a aproveitar a implantação de cursos de graduação falados em inglês, como nos cursos de matemática, física, biologia, química, medicina, engenharia, arquitetura, veterinária, odontologia, fisioterapia, entre outros.
Numa segunda etapa mais desenvolvida, teríamos cursos de Letras, jornalismo, direito, filosofia, história, geografia, dramaturgia, belas artes, enfim, em outros cursos de humanidades.
Um último aspecto da maior importância levantado pelo artigo de Tessler é aquele em que salienta a relevância de termos um produção científica escrita no idioma inglês ou como ele próprio afirmou: “Publicações acadêmicas em inglês atingem a um público maior e têm mais impacto sobre o desenvolvimento científico e cultural da humanidade”
Estão aí sugestões sobre este assunto registradas pelo professor Leandro Tessler, assim como outros pontos de vista que expendi suscitados pelo articulista da Unicamp. Resta, pois, às autoridades do MEC, dos Conselhos (estaduais e federal) da Educação e de outros órgãos correlatos refletirem maduramente sobre estas mudanças de rumo no ensino universitário brasileiro. O debate está, portanto, aberto à comunidade acadêmica.
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Um poema de Thomas Hardy ( 1840-1928)
The Oxen
Christmas Eve, and twelve of the clock,
“Now they are all on their knees,”
An elder said as we sat in a flock
By the embers in hearthside ease.
We picture the meek mild creatures where
They dwelt in their strawy pen,
Nor did it occur to one of us there
To doubt they were kneeling then.
So fair a fancy would weave
In these years! Yet, I feel,
If someone said on Christmas Eve,
“Come; see the oxen kneel
“in the lonely barton by yonder coomb
Our childhood used to know,”
Hoping it might be so.
Os Bois
Meia noite. Véspera de Natal.
“Ajoelhados estão todos,”
Dissera um ancião enquanto sentados estávamos
Ao pé das cinzas na paz de uma lareira.
Meigas e maviosas criaturas vislumbrávamos
Tendo por morada um redil de palha.
Tampouco a nenhum de nós sucedeu
Duvidar de que ali ajoelhados estavam.
Poucos um tão belo quadro imaginariam fantasiar
Naqueles tempos! Não eu, todavia.
Se por acaso uma pessoa falasse à Véspera de Natal
“Venham ver os bois ajoelhados
Ali, no vale, naquele solitário pátio da fazenda
Tão familiar aos dias de nossa infância,”
Certo que com ela iria pela escuridão
Na esperança de um milagre acontecer.
(Trad. de Cunha e Silva Filho)
sexta-feira, 23 de novembro de 2012
Fragmentos: o país e o mundo
Cunha e Silva Filho
O Mundo:
Dias passam e a questão da guerra civil na Síria ainda constitui um enigma quanto ao seu desfecho. Será que a oposição, os injustamente chamados revoltosos, “terroristas’, conseguirão mesmo apear do poder o tirano Bashar Al-Assad ? Ou haverá, por parte dos EUA e alguns países europeus, em decisão no Conselho de Segurança da ONU, um endurecimento em relação a essa guerra com uma intervenção militar para, pelo menos, destituir o déspota sanguinário do poder? A população, que ainda anda como fantasmas pelas ruas e bairros destroçados de Beirute e de outras cidades , pouco resistência tem para agüentar tanta desgraça. Os que podem atravessam a fronteira com a Turquia à procura de algum esperança. Tudo ainda é indeterminação O sofrimento é a palavra de ordem dos sírios massacrados por um ditador-louco, porque só mesmo alguém que como ele gerou tanta miséria e destruição para a sua própria pátria foi capaz de , até agora, se comportar sem clemência.
O País
A posse do novo Presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, foi um happening cheio de aduladores, com um numero grande de convidados para a solenidade. Ali estavam os homens e mulheres do poder. Foi hilária a frase do poliglota Presidente segundo a qual a “Justiça brasileira é desigual”. Ora, na terra dos bruzundangas, desde tempos imemoriais do Brasil Colônia, a justiça foi desigual, o que equivaleria a afirmar que “ladrão que vai para a cadeia é ladrão de galinha". Aliás, a frase do Presidente – um prato cheio para os analistas do discurso - não passa de um lugar-comum, de um truísmo, sem imaginação, visto que qualquer brasileiro comum sabe há séculos que rico não fica atrás das grades com as vestes em estilo listrado para uso no xadrez. O melhor exemplo disso foi a “soltura” do bicheiro Cachoeira por ordem da própria Justiça.
Quero ver com olhos que esta terra há de comer o que acontecerá com o grupo político do Mensalão julgado pelos pares do Supremo. Irão mesmo para o xilindró ou as famosas e imemoriais brechas e recursos da justiça encontrarão uma via para que os sentenciados fiquem em “prisão domiciliar” ou mesmo com total liberdade de ir e vir e de cuidar de suas vidas profissionais?
O Mundo
O que foi feito da “Primavera Árabe? Os ânimos descoroçoaram ou apenas foi fogo de palha diante da realidade da “pedra de resistência “ da autocracia que ainda manda e desmanda em alguns países do Oriente?
Alguns movimentos, como o “Ocupem ao Wall Street” se me afiguraram inoperantes. Vejam como a força do capitalismo é tão avassaladora e - por que não dizer ? - atraente como um canto de uma sereia. Quem pode, i.e. quem tem o vil mental, é quem dá as cartas nas mentes globalizadas neoliberais. Nova Iorque só não aguenta as forças de um furacão ou de um tsunami. Com a chegada do Furacão Sandy, o império dos investimentos da New York Stock Exchange teve que parar e a cidade – a síntese do mundo - virou uma wasteland.
O País
São Paulo enfrenta a maior crise de violência de toda a sua história. Se contarmos os mortos na guerra suja de bandidos com a polícia ou de bandidos com o lado podre da polícia, poderemos falar quase em guerra civil. A violência contra inocentes na forma de execução sumária sangra a imagem da maior cidade do país e principal cidade da América Latina. Perde o turismo, perda a economia e os políticos que a governam cairão na desgraça do esquecimento pela falta de resolver a escalada de violência, seja na capital, seja em cidades do interior paulista.
O Mundo
Temos novo governo na China. Esta caminha com passos firmes para se tornar a primeira potência mundial. A única coisa a objetar no país é a manutenção do sistema comunista, que exclui as liberdades fundamentais do indivíduo. Por isso, creio que este é um país interiormente triste. O Estadoda foice e do martelo, com o controle de tudo e de todos, progride economicamente, mas perde na dimensão espiritual no tocante à liberdade da pessoa humana. Paradoxalmente, o país comercializa com nações livres, faz suas exportações e importações. Do mundo a China só quer a dimensão econômica, vender seus produtos e daí sua contradição radical.
O País
Enquanto o mundo roda, o Brasil tem um longo caminho a percorrer a fim de merecer ser chamado uma nação moderna, civilizada, sem as crônicas dissimetrias entre ainda o arcaico e a modernidade.Mesmo nos grandes centros urbanos, como o Rio de Janeiro e São Paulo, vemos um Brasil de miséria, de ausência de vida digna, de respeito ao cidadão. A cidadania brasileira é ainda uma falácia. Haja vista os focos de miséria pelo país afora. O muito que ostenta em melhoria de transferência de renda é uma fatia irrisória se leva em consideração os quesitos de segurança , saúde, justiça, nível de educação pública, transporte de massa precários e até desumano. O país é um grande exemplo de uma sociedade dividida, individualizada, insolidária, com mínima possibilidade de mobilização social.
Favelas convivem com a suntuosidade dos bairros da alta burguesia. O país é um melting-pot social de desigualdades gritantes. Na prática político-institucional grassam a desonestidade, propinas, tráfico de influência, clientelismo, conluio espúrio entre o público e o privado ( de quando em quando a Polícia Federal está descobrindo servidores do Estado em funções relevantes praticando falcatruas contra o Erário Público) para realizar trocas de influências, partidos políticos sem identidade que não passam de formações partidárias instrumentalizadas pelos grandes partidos nacionais.
Em resumo, o nível de corrupção do país em nada melhorou, uma vez que parece uma doença crônica difícil de deter. A antropólogos e sociólogos cabe analisar o caráter do povo brasileiro tendo em vista a recorrência, a continuidade de casos de corrupção afetando praticamente todo a máquina do Estado Brasileiro.
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