quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Um poema de Alfred Tennyson (1809-1892)

Um poema de Alfred Tennyson ( 1809-1892)


The charge of the Light Brigade


Half a league, half a league,
Half a league onward,
All in the valley of Death,
Rode the six hundred.
“Forward, the Light Brigade!
Charge for the guns!” he said:
Into the valley of Death
Rode the six hundfred.

“Forward, the KLight Brigade!”
Was there a man dismayed?
Not though the soldier knew
Someone had blundered:
Theirs not to make reply,
Theirs not to reason why,
Theirs but to do and die:
Into the valley of Death
Rode the six hundred.

Cannon to right of them,
Cannon to left of them,
Cannon in front of them
Volleyed and thundered;
Stormed at with shot and shell,
Boldly they rode and well,
Into the jaws of Death,
Into the mouth of Hell,
Rode the six hundred.

Flashed all their sabres bare,
Flashed as they turned in air
Sabring the gunners there,
Charging an army, while
All the world wondered:
Plunged in the battery-smoke
Right through the line they broke;
Cossack and Russian
Reeled from the sabre they stroke
Shattered and sundered.
Then they rode back, but not -
Not the six hundred.

Cannon to right of them,
Cannon to left of them,
Cannon behind them
Volleyed and thundered;
Stormed at with shot and shell,
While horse and hero fell,
They that had fought so well
Came through the jaws of Death,
Back from the mouth of Hell,
All that was left of them,.
Left of six hundred.

When can their glory fade?
O the wild charge they made!
All the world wondered.
Honour the charge they made!
Honour the Light Brigade,
Noble six hundred!

O ataque da Brigada Ligeira

Meia légua, meia légua
Meia légua faltava ainda
Ao vale da Morte todos
Cavalgavam.os seiscentos soldados

“Avante, Brigada Ligeira!
Atacai com as armas!” disse ele:
Para o vale da Morte
Cavalgavam.seiscentos soldados

“Avante, Brigada Ligeira!”
Por acaso um homem amedrontado havia?
Não, embora soubessem os soldados
Que alguém a verdade não falava:
Eles responder não podiam,
Eles argumentar não podiam,
Eles obedecer e morrer podiam apenas:
Para o vale da Morte
Cavalgavam .seiscentos soldados

À direita, canhão,
À esquerda, canhão,
À frente, canhão
Atiravam e rimbobavam;
Com tiros e granadas fulminados,
Sem medo audazmente avançavam
Da Morte para as garras,
Do Inferno para a boca
Cavalgavam seiscentos soldados.

Num átimo, os sabres desembainhavam.
Os quais, no alto, cintilhantes,
Canhoneiros ali golpeavam,
Um exército atacando, diante
De um mundo atônito:
Da bateria pela fumaça sufocados;
Cossacos e russos,
Vacilantes ante os sabres dos golpes,
Destroçavam-se e partiam-se.
Recuaram em seguida, mas não –
Não os seiscentos soldados.

À direita, canhão,
À esquerda, canhão
Atrás, canhão
Atiravam e atroavam;
Por tiros e granadas fulminados,
Enquanto caem cavalos e heróis,
Logo eles, combatentes aguerridos,
Nas garras da Morte cair foram,
Da boca do Inferno de regresso,
Foi tudo o que restou
Desses seiscentos homens.

Pode, algum dia, sua glória se apagar
Oh, temerário esforço despendido!
O mundo inteiro se pergunta.
Honra à luta travada!
Honra à Brigada Ligeira,
Nobreza de seiscentos heróis!

(Tradução de Cunha e Silva Filho)








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quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A quem dar meu voto?

A quem dar meu voto?

Cunha e Silva Filho


Na conjuntura atual da política brasileira é possível votar com consciência plena do que estamos fazendo diante das urnas eletrônicas? Eis uma questão delicada, quase incontornável e, no meu entendimento insolúvel. Nada me sinaliza para um voto útil. Nada me dá certeza do que me estão apresentando como projetos de campanha. Se olho para trás, vejo uma triste história de corrupção,ladroagem e silêncio diante de fatos amplamente divulgados de desvios de conduta de grande parte de nossos homens que estão na política.
Se ligo o aparelho da TV, dou com a cara no horário obrigatório regulamentado pelo TRE. São cinquenta minutos de verborreia, de mentirada, de cinismo, de incompetência, em suma, de discursos vazios de verdade e de sentido.Tudo soa cômico, histriônico, patusco.
Um cenário de politicalha formado de um saco de gatos em que se metamorfosearam os partidos nacionais. O curioso é que a chamada esquerda (ainda existe isso?), com seus supostos membros, convive bem com as benesses do consumismo capitalista. No Brasil existe um partido: o do comunista burguês.
A vida partidária brasileira não passa de um faz-de-conta que se realimenta ad nauseam mantendo-se as aparentes diferenças que, no fundo, só visam ao poder de mandatos e das regalias que terão após serem investidos nos cargos.
Por que esquerdistas não abrem mão das mordomias auferidas no Senado e na Câmara dos Deputados? Duvido que para o Planalto iriam se a vida de políticos se modelasse, na prática, ao tipo de vida dos políticos da Suécia. É bem provável que o Congresso viraria um Saara e mesmo sumiria do mapa.
A chamada direita não merece nem comentários, de vez que todos sabemos a quem serve: aqueles que têm como meta de vida o enriquecimento, de preferência pelo consuetudinário método da exploração do trabalho através da mais-valia, ou seja, manter-se sempre no poder, a todo custo, preservando-se as diferenças na pirâmide social, concedendo por vezes alguma ascensão de uns poucos, mas tendo o maior cuidado para que essa subida não atinja a fronteira do poder absoluto do capital.
E o que dizer das chamadas centro-esquerda, centro-direita, ou extrema direita? As duas primeiras são gradações que escondem preferências sutilmente não assumidas, ou assumidas para não desagradarem os círculos sociais. Aparentar alguma simpatia pela esquerda é bem mais confortável. Já a extrema direita torna-se, por si própria, real objeto de desprezo dos opositores e até mesmo seus adeptos jamais se identificariam com essa ala política. Sua atuação pode ser visível na vida da sociedade, mas seus princípios teóricos são estrategicamente camuflados.
Diante desse quadro da realidade partidária a caminho das próximas eleições para Presidente da República, senadores governadores e deputados estaduais e federais, fica extremamente difícil a quem dar meu voto. Que Deus me inspire!

SEM RUMO

SEM RUMO

Cunha e Silva Filho

Para Cunha e Silva Neto



Em qualquer parte estaremos. A vida, algumas vezes, nos dá o seu sem-sentido. Vago sortilégio nos empurra para algum lugar, conhecido ou não. Quem é o responsável pelos nossos rumos e andanças baudelairianos ou, em outros sentidos e latitudes, cesarioverdianos? “Pensamento de um Ocidental”. Que lindo, estranho e comovente poema!
Vejo largas ruas de Curitiba, Ruas que, na sua maioria, não conheço pelos nomes, nem pela exatidão topográfica. Dá trabalho para se conhecer uma cidade maior. No Rio de Janeiro foi a mesma coisa. Penei por mais de um mês pra poder me posicionar no tocante às ruas do Centro e este, a meu ver, não é tão grande assim. Apanhei, contudo, aprendi, não obstante os nomes de algumas delas ainda me confundam.
O mesmo diria de Teresina, onde vivi quinze anos consecutivos, pois, em Amarante, minha terra natal, só morei na infância de três anos. Hoje, a bela Cidade Verde”, tão sabiamente cantada em verso pelo poeta Hardi Filho, desconheço nos seus desdobramentos progressistas. Só a velha parte do Centro me é agora familiar. A nova Teresina, a sua nova periferia, os seus novos bairros e construções verticalizadas, isso tudo me é estranho e nesse mapa atualizado me perco. Invejo os que puderam acompanhar-lhe o crescimento sem perder por isso o bonde, não o da História, mas o da urbe.
Ruas curitibanas. São ruas pelas quais já passei muitas vezes, entretanto, na confusão automobilística, por elas cruzo e recruzo tentando em vão ( o grande Eça diria “debalde”) situar-me. Nunca fui bom de mapas e muito menos de assunto relacionado a espacialidade, ao contrário de minha mulher, que, uma vez visto um local, logo o guarda com a sua invejável memória, assim como o faz com respeito a números de telefones e celulares. Quanta memória que não tenho! Em compensação, minha capacidade retentiva se distingue potencialmente para armazenar palavras. Oh, como as guardo tão bem e, amiúde, até sei quando as vi pela primeira vez e mesmo nos contextos lingüísticos nos quais as aprendi!
Gosto de palavras, em especial das que desconheço. Elas me dão a medida correta de quanto somos, vocabularmente, pobres e desamparados.Uma vez uma professora de língua inglesa me contou que um colega dela, também professor dessa disciplina, sabia praticamente todas as palavras de um dicionário inglês-português. Suponho que de tamanho médio, porquanto reter os milhares de verbetes de um dicionário desk-type me parece descomunal e impossível, tendo em vista que esses gigantes lexicográfico contêm milhares de cross-refrences, ou seja, armazenamento só possível a um computador.
Na realidade, esta crônica, como se vê, não tem rumo. Será que tem sentido? A se ver pelo titulo, portanto, pela sua função catafórica, não tem com certeza. “Pouco me importa”, nesta situação aquela frase fina do diálogo entre o sedutor capitão Rett Butler, galã de “E o vento levou.”, no papel desempenhado pelo ator Clark Gable e Scarlet O’Hara, aquela linda e estouvada personagem vivida pela atriz Vivien Leigh. Não havia mais volta para uma possível reconciliação de um grande amor na tumultuada vida do belo par romântico.
Quem dita o rumo de uma crônica é o momento epifânico do ato da escrita. Só ele detém a autonomia deste mistério das palavras no papel ou na tela do computador. Só ele sabe por que me abalanço a alinhar à mão e, depois, a digitar no teclado, nesta meio cálida tarde de Curitiba, por sobre esta escrivaninha do quarto de minhas netinhas, estas divagações passageiras sem destino , forçando a mão e o pensamento a moldarem, na folha branca, alguma forma de comunicação íntima e unilateral, de vez que não estou cogitando aqui da figura do leitor ideal ou de qualquer classificação teórico-narratológica. Quem me dera pelo menos alcançasse o reduzido número de leitores de um certo romance de Machado de Assis!
O pensamento sem rumo ainda me empurra para o lado cultural curitibano e chego a uma conclusão que talvez, por sua natureza, se estenda a outras capitais brasileiras: a de que as histórias literárias, regionalmente falando, são tão fascinantes e enriquecedoras quanto as do conhecido eixo hegemônico Rio-São Paulo. Todas têm suas histórias específicas, suas “questões coimbrãs”, suas defasagens cronológicas em comparação com os centros culturais dominantes, todas têm seus nomes ilustres, suas figuras mais em evidência no passado e no presente,seus lances de virtudes e de vícios e, por último, suas costumeiras injustiças contra alguns escritores

. A vida literária dessas antigas províncias, seus episódios mais conspícuos que merecem os registros dos historiadores locais, mantêm entre si enormes semelhanças com os outros estados do país.
No Paraná, recortando o tempo de rupturas poéticas do fazer literário canônico, não se pode esquecer o nome de Paulo Leminski, da mesma maneira que, no Piauí, não se pode esquecer de H. Dobal, Mário Faustino ou, nas suas pretensões iconoclastas, de Torquato Neto.Em Curitiba, fiquei sabendo que Leminski (1944-1989) é autor de um romance experimental chamado Catatau, que, no meu juízo, precisa de ser mais divulgado.Me pus, desse modo, a par daquilo que não conhecia da história literária contemporânea paranaense, para mim só mais evidente através dos poetas Tarso da Silveira, Emiliano Perneta e Rocha Pombo, este último como poeta, não como autor de uma Historia do Brasil, um volume da qual havia na biblioteca de meu pai. De curitibanos já conhecia, os críticos Andrade Muricy, Temístocles Linhares, Wilson Martins e, na ficção contemporânea, o mais conhecido deles nacionalmente, o contista Dalton Trevisan.
Da mesma forma, esse recorte regionalista me faz pensar naquela antiga idéia de “ilhas culturais” ou regiões geográficas, em número de sete (Amazônia, Nordeste, Bahia, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro concebidas pelo ensaísta e ficcionista gaúcho Viana Moog, formulação esta hoje algo ultrapassada, dados os seus vínculos tainianos ( clima, região e meios de produção) de unidades literárias separadas do conjunto geral da literatura brasileira, diante dos avanços das mídias atuais, tornando cada vez mais estreito o contato entre estados brasileiros, e mesmo assim longe ainda está do desejável ideal de reciprocidade.
Na minha deambulação mais recente levei comigo duas antologias, uma de autores franceses e outra, de ingleses e norte-americanos, uma obra de filosofia pra não filósofos e um livro de poemas, Onde humano (Teresina, PI, editora Nova Aliança, 2009, 114 p.) do jovem piauiense Luiz Filho de Oliveira, obra cuja leitura concluí em Curitiba e que me causou forte impressão.
No geral, pouco li do que levei, mas , em terras estranhas, os planos tornam-se sem rumo, tal como o título do cronista.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Um poema de Henry W. Longfellow(1807-1882)

Um poema de Henry W. Longfellow (1807-1882)




THE DAY IS DONE


The day is done, and the darkness
Which falls from the wings of Night,
As a feather is wafted downward
From an eagle in his flight.

I see the lights of the village
Gleam through the rain and the mist,
And a feeling of sadness comes over me,
That my soul cannot resist.

Come, read to me some poem,
Some simple and hearfelt lay,
That shall soothe this restless feeling,
And banish the thoughts of day.

Not from the grand old masters,
Not from the bards sublime,
Whose distant footsteps echo
Through the corridors of Time.

For, like strains of martial music,
Their mighty thoughts suggest
Life's endless toil and endeavor;
And toçnight long for rest.

Read from some humbler poet,
Whose songs gushed from his heart,
As showers from the clouds of summer,
Or tears from the eyelids star;

Who, through long days of labor,
And nights devoid of ease,
Still heard in his soul the music
Of wonderful melodies.

Such songs have power to quiet
The restless pulse of care,
And come like the bnediction
That folows after prayer.

Then read froçm the tresured volume
The poem of thy choice,
And lend to the rhyme of the poet
The beauty of thy voice.

And the night shll be filled with music,
And the cares, that infest the day,
Shall fold their tents, like the Arabs,
And as silently steal away.


FIM DO DIA

Foi-se o dia. A escuridão
Da Noite sobre as asas desce,
Qual penas suavemente soltas
Em pleno voo de uma águia.

Do vilarejo as luzes avisto
Na chuva e nevoeiro rebrilhando,
Com sentimento de tristeza me envolvendo
À minh'alma irresistível.

Venha um poema me ler,
Um velho, singelo e sentido poema
Que mitigar me venha inquieto sentimento,
E do dia o pensamento afastar.

Não versos d'antanho célebres mestres,
Nem de sublimes bardos,
Cujos rastros, longínquos, ressoam
Pelos corredores do tempo.

Pois, semelhantes às inquietações da música marcial,
Sugerem poderosos pensamentos seus
Da vida o trabalho e o esforço derradeiros
Para esta noite só descanso almejo.

Verso de um poeta mais simples apenas quero ler,
Cuja música do coração jorra,
Qual chuva de nuvens de verão,
Ou dos olhos lágrimas brotadas.

Para quem, por longos dias de labuta,
E de noite e canseiras,
Ainda sim mesmo ouvir consegue n'alma a música
De sublimes melodias.

O condão de livrar têm essas canções
Da tristeza a inquieta pulsação,
E como bênçãos surgem
Logo após concluídas orações.

E, depois, leia do volume precioso
O poema de sua preferência,
Emprestando às rimas do poeta
De tua voz a beleza.

A noite, assim, há de música saciar-se,
E as dores que o dia aborrecem,
Hão de as tendas desfazer, à feição dos árabes,
Em completo silêncio esvoaçando-se.


(Tradução de Cunha e Silva Filho)

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Ponto Recluso

Cunha e Silva Filho

Chamarei de ponto recluso a situação injustamente inferiorizada de alguns intelectuais brasileiros, diante do vasto e multifacetado espaço literário do país, no que concerne a participações deles em encontros literários, sobretudo a concorrida Flip (Festa Literária Internacional de Paraty, Rio de Janeiro) que, este ano, completou o seu 8º Encontro. O assunto, quero frisar, acompanho de longe, ou seja, pelo jornal
Este ponto recluso implica uma forma de proposital e pouco justo isolamento de alguns escritores por parte dos organizadores quanto às indicações de escolhas de participantes brasileiros e estrangeiros. Se visto pelo ângulo da grande imprensa, os organizadores e coordenadores são identificados, porém o que não se sabe claramente são as verdadeiras justificativas das escolhas, i.e., não se sabe ao certo como são escalados os participantes, os motivos das opções, assim como por que alguns já participaram mais de uma vez em detrimento de outros que nunca para esta Festa foram convidados.
Com respeito ao evento de Paraty, o jornal “O Globo”, no Caderno Prosa & Verso (31/de julho de 2010), estampou dez fotos de escritores brasileiros selecionados para participarem da já famosa e aguardada Festa literária anual. Alguns sorridentes, outros, menos. Enfim, os agraciados. Ocorre, entretanto, que a reportagem mostrou também as fotos dos que nunca foram até hoje convidados, os quais, mostrados na reportagem, somam dezesseis. E repare que não se incluem aqui os famosos etc de Rachel de Queiroz, como costumo repetir para situação semelhante
Entre o grupo de convidados e de não-convidados, no que respeita a prestígio e qualidade literária, em linhas gerais, não há superioridade de um em relação ao outro. Simplesmente, no grupo dos não-convidados, havia ainda alguns que, se fossem chamados, não iriam porque não desejavam esse tipo de Encontro de escritores, conforme as afirmações deles mesmos que aparecem nas legendas sotopostas às fotos. Outros desses excluídos declaram que aceitariam participar desde que fossem convidados.
Além dos dois grupos, há que levar em consideração um terceiro e implícito: o daqueles escritores que são os excluídos absolutos, aqueles que formam esse considerável número de bons e mesmo importantes escritores de todos os Estados brasileiros que ainda não passaram pelo crivo da visibilidade, palavra agora muito em voga para designar nomes, em toda as áreas, que alcançaram repercussão nacional.
A inclusão ou exclusão, em nível nacional, é um fenômeno que se assemelha aos consagrados em outros campos da atividade humana:: futebol, artes, medicina, jornalismo, publicidade etc.
Todo artista, profissional, escritor aspiram ao reconhecimento como uma consequência natural de seu esforço, de sua determinação, de seu trabalho e de seu talento.
Alguns que se isolam, os avessos aos apelos midiáticos, muitas vezes assim se comportam como um modo indireto de querer chamar para si mesmos as atenções da mídia. O curioso é que, contra a vontade deles, ou não, terminam se popularizando devido à própria atitude arredia, à excentricidade ou ao comportamento antissocial. Seriam exemplos, entre outros, os ficcionistas Dalton Trevisan e Rubem Fonseca.
Os organizadores desse tipo de evento cultural dão lá seus motivos para convidarem esse ou aquele nome. Entretanto, não custa perceber que, nos bastidores da vida literária nacional, sobretudo no eixo Rio-São Paulo, existe uma cerrada cortina de fumaça através da qual sabe Deus como transcorrem as conversas, as escolhas, as discussões em torno de quem merece ser ou não chamado a tomar parte em tais festivais que, por sua natureza, envolvem muitos fatores, interferências, mediações, acertos, em suma, uma cadeia de conexões pessoais aqui e além-fronteiras, sem falarmos em outros componentes nada desprezíveis: o comercial e o do complexo e vantajoso mundo editorial globalizado.. Se fôssemos definir todo esse conjunto de situações e interesses diversos na simbiose entre literatura, autores e consumo de leitura, bem se poderia denominá-lo de política literária.
Regionalmente, alguns Estados brasileiros bem podem já estar acompanhando esta forma de evento cultural, naturalmente em proporções muito mais modestas. O Piauí, ao que parece, já consolidou a chamada SALIIPI, obviamente com os mesmos traços particulares de inclusões e exclusões. São os discípulos de Paraty.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Um oema de John Greenleaf Whittier (1807-1892)

Um poema de John Greenleaf Whittier (1807-1892)



THE WORSHIP OF NATURE


The harp Nature’s advent strung
Has never ceased to play;
The song the stars of morning sung
Has never died away.


And prayer is made, and praise is given,
By all things near and far;
The ocean looks up to heaven,
And mirrors every star.

Its waves are kneeling on the strand,
As kneels the human knee,
Their white locks bowing to the sand,
The priesthood of the sea!

They pour their glittering treasures forth,
Their gifts of pearl they bring,
And all the listening hills of earth
Take up the song they sing.


O CULTO À NATUREZA


Com a criação da Natureza da harpa os sons
Jamais cessarão
Das estrelas da manhã a canção
Não esmaecerá jamais.

Preces se elevam, louvores se entoam
Para as coisas todas, próximas ou distantes,
Do oceano os olhos aos céus se erguem
Cada estrela refletindo.

Na praia se ajoelham suas ondas
Imitando esta humana ação
Beijar vêm a areia suas madeixas,
Santidade marinha!

Dos seus tesouros o brilho esparzem,
Suas dádivas de pérolas trazendo
E as colinas todas terrestres, escutando,
A aprendida canção recolhendo.

(Tradução de Cunha e Silva Filho)


Nota do colunista: Encontrei uma brechinha, no meu apertado tempo de estudos e pesquisas, para retomar este espaço de prazer junto ao leitor.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Por amor ao pai

Cunha e Silva Filho


Há pouco a TV mostrou uma das mais pungentes e dolorosas cenas que já vi: um menininho palestino de cinco anos, lutando bravamente para impedir que o pai fosse preso por soldados judeus indiferentes. Razão da prisão: o pai, porque necessitava muito de água para a sobrevivência da família, foi obrigado a desviar uma pequena parte do curso de um riacho para sua casa. O apresentador do noticiário fez um comentário espirituoso em cima do visto nas imagens dramáticas: “Ora, a água é de todos.”
O movimento do cinegrafista focando, em primeiro plano, o desespero da criança que, inconsolada, não aceitava a ação violenta contra o pai, me parece um final de tragédia grega. O pequeno palestino, gritando, chamando pelo pai que cercado estava de militares levando-o a um lugar onde seria preso, sem julgamento, mas apenas num ato autoritário, era o exemplo mais corajoso de um filho inocente que se vê impotente para livrar o pai de uma situação aterradora.
Não precisava alguém falar árabe para entender a linguagem universal dos gestos, do olhar e dos movimentos convulsos que tomavam conta do mundo interior daquela criancinha procurando, de todas as formas, se desvencilhar das mãos dos soldados que tentavam contê-la inutilmente. Não havia forças que a dominassem tão decisivos eram seus movimentos para se livrar dos braços e das mãos de soldados impassíveis e sem compaixão. Soldados que ali estavam para cumprir ordens nascidas da repressão da equívoca política israelense, dos acordos de paz que não se materializam nunca e, ao contrário, são unilateralmente rompidos.De acordos que, por não serem respeitados, tornam-se geradores de barbáries e truculências cometidas - veja-se o ato incongruente e discricionário – no próprio território pertencente aos palestinos, como é a Faixa de Gaza.
O pequeno palestino, de certa forma, alça-se a símbolo da luta contra a injustiça e a prepotência de quem detém o poder das armas sobre indefesos a serviço de ordens superiores, ordens do Estado de Israel. Onde ficam os princípios humanitários e religiosos (ou serão mais econômicos, com forte apoio norte-americano congraçado ao lobby financeiro dos poderosos judeus nos EUA?) de um povo tão massacrado pelas forças do nazifascismo que, na Segunda Guerra Mundial, culminou com o fatídico genocídio, mais conhecido como Holocausto? Será que, hoje, os judeus estão se vingando daquele genocídio concentrando seu ódio contra um bode expiatório, no caso, os sofridos palestinos? Quero crer que não seja esse o motivo principal.
Onde está agora aquele pequeno palestino que defendia o pai com unhas e dentes, enfiando-se por entre as pernas dos soldados inimigos, chamando-o insistentemente, não se deixando vencer pelas forças de braços e mãos opressores que não lhe queriam permitir alcançá-lo lá adiante, cercado de soldados de rostos carrancudos e pouco se importando com o choro, os gritos e os gestos valentes e decididos de uma criancinha para quem a liberdade do pai era o único bem que, na sua inocência e fragilidade, tão corajosamente desejava preservar? “Pai, eu quero meu pai. Pai! Pai! Pai...! Quero meu pai! Não levem meu pai!
Aquela criança cada vez mais se distanciava do pai e, finalmente, se perdia de nós diante do corte súbito da imagem televisiva.
Quem poderia, leitor, jamais esquecer a voz do pequeno palestino, no meio dos soldados, clamando, desolado, abandonado, contra os inimigos da paz e da liberdade?

NOTA: O colunista ficará algum tempo afastado para realizar estudos e pesquisas que lhe tomarão tempo integral.