<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543</id><updated>2012-02-28T16:46:35.770-08:00</updated><category term='nota:'/><title type='text'>As ideias no tempo - Cunha e Silva Filho</title><subtitle type='html'>Os temas  discutidos neste  blog se concentram sobretudo na área de Literatura Brasileira, mas se estendem a outros  temas e áreas  culturais afins. Os gêneros literários da preferência da produção do autor são crítica literária,  ensaios e crônicas.  tradução de poesia estrangeira. Áreas de pesquisa e interesse do autor: teoria literária,história literária, vida literária.relação entre literatura, pobreza e violência, literatura universal e literatura de autores piauienses</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>358</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-1194575535897329913</id><published>2012-02-28T16:46:00.003-08:00</published><updated>2012-02-28T16:46:35.788-08:00</updated><title type='text'>Um anjo na praia</title><content type='html'>.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Seria a primeira vez que ela iria dar aquele passeio. A primeira vez a sentir a areia da praia, a sua umidade, a sua maciez. Com aquele potinho pronto a encher de areia. Seu minúsculo corpo, todo ele fragilidade, todo ele doçura.. A beleza com traços nórdicos. Loura a cabecinha. O rostinho simétrico, belíssimo, vendendo simpatia e meiguice, disseminando alegria e vivacidade na passarela de uma vida breve, literalmente.brevíssima Rostinho sem um defeito, sem uma traço de desarmonia. Era tudo ele a perfeição da beleza. Parecia ter mal saído de uma galera grega, com uma deusinha de cútis impecável, uma pequena deusa pós-moderna. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Deusinha da inocência e do espanto da vida, vida que não chegou a entender no seu estágio puro de anjo e de florzinha mal desabrochada em “campo de lírios”. E o sorriso, sempre o sorriso que parecia eterno enquanto durasse. A minha perspectiva é apenas a de um simples espectador maravilhado diante de tanta candura, de tanta inocência, de tanta suavidade de corpo e de espírito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quem há de falar agora de morte violenta diante de uma pequena princesa que subiu ao Céu? Quem há de agora senão vê-la naquele biquíni de quase bebê. Sua idade: somente três aninhos, . “Quantos anos você tem, princesinha do mar?” Me diria ela, quase em silêncio na sua super-timidez de anjo celeste: “Três anos, me apontando com as mãozinhas lindas e clarinhas com os três dedinhos de uma das mãozinhas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Como espectador, limitado só ao que a câmera da mídia me permite ver, lá vejo a pequenina Grazielly, ao lado da sua mamãe, ambas a mostrarem-se para um mundo que não era digno da beleza e da candidez daquele serzinho desprotegido das asperezas da vida. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Grazielly conheceu o mar, a areia úmida, a brisa marinha que vinha das ondas desalinhar um pouco alguns fios de seus cabelos. Gisele unicamente queria brincar como qualquer criancinha de sua idade e com seus sonhos de beleza diante daquela fase infantil em que a vida todo dia oferece uma novidade, um aspecto inédito ao pequeno universo de eternos sonhos infantis. Grazielly e seu baldinho. Sua mãezinha sempre bem pertinho dela, protegendo-a dos imprevistos da vida. Grazielly queria somente brincar, encher o baldinho de areia e, num canto da praia, construir seu fragílimo castelinho. Nem mesmo sei se desejava entrar na água fria , à beira do mar e sentir as ondas se desfazerem na praia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; De repente, não se sabe como, um objeto estranho e extremamente violento surge e se choca no frágil corpinho de Grazielly, que desfalece. Seu coraçãozinho, sendo apalpado pela mãe, ainda bate levemente querendo parar para sempre. Tumulto de gente em torno da pequena princesa da praia. Alguém pede socorro urgentíssimo. O resgate demora a chegar. Chega finalmente e levam o corpinho miúdo e belo para um hospital. A mãe de Grazielly reclama que o socorro veio tarde. Quem causou a morte de Grazielly fugiu sem lhe prestar socorro. Fugiu até de helicóptero. Fugiu covardemente, desumanamente, irreligiosamente. Os culpados: a negligência de uma família, gente endinheirada, importante socialmente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O objeto que provocou a morte da criança é um jet ski – esse esporte que, embora feito para o lazer de pessoas sérias, já algum tempo tem se transformado em arma mortífera para quem vai à praia ou praticar alguma natação. Nem mesmo a oportuna e necessária campanha publicitária na tevê, sob o patrocínio da Marinha do Brasil, na voz profética do super-campeão velejador Lars Grael, ele próprio vítima de acidente, mutilado que ficou de umas das pernas, numa colisão com um iate dirigido irresponsavelmente, tem servido de exemplo. A campanha, mostrando acidentes de mau uso de barcos velozes e perigosos circulando em áreas de água próximas a aglomerados de banhistas, parece não ter sido considerada pela família de um adolescente que causou a morte de Grazielly. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Esta campanha merece ser ainda mais valorizada sobretudo porque chama a atenção para um ponto fundamental: os usos de jet skis ou outros tipos de barcos de alta velocidade não podem ser permitidos em áreas de banhistas e praticantes de natação no mar Há que se encontrar – e a Marinha do Brasil tem autoridade para isso - limites de separação segura para a prática desses esportes, além de regulamentar todas as condições de segurança para que tais esportes possam ser praticados e não venham pôr em risco a vida das pessoas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Urge com veemência repetir: quem são os culpados? A família do garoto. Os pais devem ser responsabilizados duramente pela tragédia de Grazielly que deixa um jovem casal sem o maior bem que tinham, a pequenina Grazielly. As leis brasileiras - tenho repetido amiúde em minha coluna -, têm que endurecer no país. A morte da pequenina não pode ficar assim impune. Nem as mortes de outros delitos que andam rondando os brasileiros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Há que se procurar punir de alguma forma legal e indenizatória, a família enlutada. Digo a família toda do anjinho da praia: os pais, os avós, os parentes, os amigos, as amiguinhas dela, a sociedade civil que se vê ferida afetivamente e na dor comum da tragédia. Não se fale aqui de fatalidade, porque o acidente não foi fatalidade, mas mau uso do aparelho de navegação em alta velocidade, que, de resto, acaba agora de fazer outra vítima provocada, em razão de negligência, pelas próprias mãos do pai de um menino também vítima de uma tragédia. Sem documentos exigidos para navegação, sem fiscalização rigorosa e continuada dos poderes públicos, sem a responsabilidade dos pais, essas tragédias podem se multiplicar se nenhuma ação pronta e enérgica não for tomada pelo comando da Marinha do Brasil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Os brasileiros somente irão mudar seu comportamento desrespeitoso e violento se leis duras foram aprovadas, atualizando o nosso cediço Código Penal aos tempos atuais e mandando para a cadeia criminosos e corruptos sem distinção de níveis sociais. Ricos ou pobres, se cometerem crimes, devem responder por eles na forma de leis justas e rígidas de tal molde a inibir futuros criminosos em todos os tipos de delitos e de atos de hediondez. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Se o Brasil não sair do círculo vicioso da brechas da atual justiça, das progressões por bom comportamento ( é fácil “fingir” bom comportamento na prisão) das prisões privilegiadas, de liberdades condicionais, e das absurdas prisões domiciliares, não passaremos nunca de um país de expressão secundária no concerto nas nações adiantadas do mundo. Criminoso é criminoso e o seu lugar justo e irremissível é o cárcere.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-1194575535897329913?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/1194575535897329913/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/02/um-anjo-na-praia_2570.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/1194575535897329913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/1194575535897329913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/02/um-anjo-na-praia_2570.html' title='Um anjo na praia'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-6217256266848828837</id><published>2012-02-26T07:49:00.001-08:00</published><updated>2012-02-26T07:54:12.826-08:00</updated><title type='text'>Um poema de Alfred, Lord Tennyson (1809-1892)</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um poema de Alfred, Lord Tennyson (1809-1892)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Home they brought her warrior dead&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Home they brought her warrior dead:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; She nor swoon’d, nor utter’d cry:&lt;br /&gt;All her maidens, watching, said,&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;“She must weep or she’ will die.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Then they praised him, soft and low,&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Call’d him worthy to be loved,&lt;br /&gt;Truest friend and noblest foe;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Yet she neither spoke nor moved.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Stole a maiden from her place,&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Lightly to the warrior stept,&lt;br /&gt;Took the face-cloth from the face;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Yet she neither moved nor swept.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rose a nurse of ninety years,&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Set his child upon her knee-&lt;br /&gt;Like summer tempest came her tears –&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;“Sweet my child, live for thee.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; (by Alfred , Lord Tennyson)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O guerreiro morto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta ao lar o guerreiro morto:&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Dela, nem desmaio nem pranto&lt;br /&gt;Vigilantes – todas – exclamaram :suas donzelas: &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Caso ela não chore, a dor não suportará.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, tributos lhe renderam, delicadamente, em silêncio quase.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Digno de ser amado o consideraram -&lt;br /&gt;O amigo mais autêntico, o inimigo mais nobre.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; De seus lábios, no entanto, palavra alguma ou simples gesto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despercebida, suavemente, uma donzela saiu.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em direção ao guerreiro.&lt;br /&gt;Da face lhe retirou delicado tecido.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Da mãe, nenhuma reação ou sequer pranto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Erguendo-se, uma aia nonagenária&lt;br /&gt;&amp;nbsp; Sobre os joelhos o filho dele pôs.&lt;br /&gt;Tempestuosas lágrimas de verão dos olhos lhe brotaram:&lt;br /&gt;&amp;nbsp; "Doce alminha querida, de ti cuidarei.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; (Trad. de Cunha e Silva Filho)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-6217256266848828837?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/6217256266848828837/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/02/blog-post_26.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/6217256266848828837'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/6217256266848828837'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/02/blog-post_26.html' title='Um poema de Alfred, Lord Tennyson (1809-1892)'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-2996811739052653475</id><published>2012-02-25T19:02:00.002-08:00</published><updated>2012-02-25T19:02:48.745-08:00</updated><title type='text'>No sebo da livraria São José</title><content type='html'>NO SEBO DA LIVRARIA SÃO JOSÉ &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cunha e Silva Filho*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estive ontem, como venho fazendo há tantos anos, visitando o sebo da São José, dirigido pelo Gernano a quem minha mulher chama de Seu José, levada seguramente por associação de idéias, e pela proximidade com o nome da antiga Livraria São José. Germano começou a trabalhar na São José ainda bem moço. Depois tornou-se antigo funcionário do famoso livreiro Carlos Ribeiro, proprietário da conhecida Livraria São José, que também foi editora, reduto de intelectuais do passado, não só os da capital carioca como os que vinham sobretudo do norte e nordeste. O sebo do Germano deriva dessa velha e respeitada Livraria do Carlos Ribeiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aliás, toda a minha família conhece o Germano, meus filhos, um dos quais quase foi afilhado dele. A amizade com ele partiu da minha mulher que, nos anos sessenta, visitando a Livraria São José, em companhia de algumas amigas da FNFI (Faculdade Nacional Filosofia da Universidade do Brasil, hoje, UFRJ, foi apresentada ao Germano. Elza gostou tanto do atendimento do jovem Germano dispensado a ela e a suas colegas de universidade, frequentadoras da livraria, que logo aderiu ao vício também de frequentar essa casa de livros. Foi pelas mãos de Elza que eu também fui apresentado ao Germano, ou melhor, ao Seu José, como respeitosamente minha mulher o trata.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A antiga Livraria São José ficava na própria Rua São José e desconfio de que a razão social do ramo de livros se deve também por contiguidade e aproximação física com a bela Igreja de São José, na qual meu filho mais velho se casou.. Aquele entorno no passado se chamava Morro do Castelo, o qual foi demolido, sofrendo , com o tempo, completa transformação paisagístico-arquitetônica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O velho sebo remanescente da São José localiza-se hoje na Rua 1º de Março, Centro do Rio. Não é preciso dizer que visito esse sebo por várias razões, inclusive a daamizade que fiz com seu proprietário, que hoje, além de seus funcionários, conta com a operosidade da sua filha, formando com o experiente pai ,uma espécie de sociedade de negócios regida por laços de amor paterno-filial.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todos que moramos no Rio de Janeiro sabemos o quanto de sebos existem espalhados pela cidade, zona sul, subúrbio, zona norte, zona oeste, sebos ao ar livre, nas calçadas, nas esquinas de ruas movimentadas. Até livros-guia existem para orientar os amantes de livros, como O bem organizado Guia dos sebos das cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, de Antonio Carlos Secchim, que, na realidade, inclui mais quinze cidades brasileiras.O guia traz uma boa introdução sobre a origem dos sebos como locais de venda de livros usados e de obras raras. Nem sempre o sebo é rigorosamente uma livraria de livros velhos, pois é possível encontrar alguma publicação nova e não usada. Antes do guia de sebos de Secchim, foi editado pela UFRJ um guia desse gênero, mas bem limitado em seu escopo, já que só abrangia a cidade do Rio de Janeiro. A edição for organizada por Wellington de Almeida Santos que, como Secchim, é professor da UFRJ.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Sebo da São José, antes de ir para o atual endereço, por algum tempo, se instalara na Rua do Carmo, também Centro do Rio.O costume de ir aos sebos é antigo. Escritores, estudantes, pessoas interessadas em culturahabituam-se às visitas aos sebos. Acredito, porém, que hoje, com a venda de livros usados via intern et, os sebos ao vivo estão tendo alguma decaída em suas vendas. As vendas virtuais, segundo me informaram, estão dando mais lucros. Mudanças de tempos e de hábitos. Sinto nostalgia? Sim. Sobretudo do tempo de estudante de Letras e, depois, mesmo do tempo em que iniciara, muito jovem, o magistério. Comprei muitos livros; achava-os ,naqueles anos, mais baratos. Hoje, penso que os livros usados se valorizaram e, por isso, são mais caros. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é só o prazer de comprar esses livros usados que nos faz ir aos sebos.Há o prazer de encontrar uma obra que há tempos procurávamos. Eureka! Além disso, é agradável quando podemos travar um bom relacionamento com o livreiro, principalmente quando ele tem bom humor, é solícito, dá bons abatimentos que nos contentam e, sem nenhuma dúvida, nos fazem voltar. Nos apegamos às vezes a certos sebos que tudo fazemos para, primeiro, lá passarmos a fim de verificar se o estoque possui o que procuramos O ideal seria se todos pudéssemos ter o mesmo sebo e desfrutar do convívio com o livreiro amigo e camarada, além da alegria de encontrar o livro desejado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nota: A crônica acima já tinha sido&amp;nbsp; pulicada na&amp;nbsp; minha coluna "Letra Viva", do site piauiense de Entretextos, de Dílson&amp;nbsp; Lages&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-2996811739052653475?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/2996811739052653475/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/02/no-sebo-da-livraria-sao-jose.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/2996811739052653475'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/2996811739052653475'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/02/no-sebo-da-livraria-sao-jose.html' title='No sebo da livraria São José'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-1958010359518652741</id><published>2012-02-25T08:53:00.001-08:00</published><updated>2012-02-25T08:53:04.350-08:00</updated><title type='text'>O Brasil e o mundo em duas diferentes guerras</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O que, leitor, se tem mais visto na mídia hoje no país em que vivemos a duras penas, apesar da alienação do carnaval, do futebol e das mulheres exuberantes que constituem enorme atração para o turismo internacional? A violência – esse o mais sangrento dos conflitos internos em nosso solo ensanguentada de covardia contra as crianças, os velhos os pobres, os aposentados, os que nunca serão voz enquanto não se alterar o sistema político, jurídico e parlamentar entre nós. São fatores decisivos para a reversão desse quadro de hostilidades um combate sem trégua contra a impunidade nos vários escalões em que ela se infiltra. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Os crimes de nossa pátria logo são esquecidos na media em que novos crimes se vão acumulado de tal sorte que, de tão numerosos e de tão por vezes similares, ao final, as autoridades mesmas se confundem, deixam para trás, e vão focar suas atenções num determinado novo crime que toma conta da atenção geral do povo. Desta maneira, os crimes passados são soterrados como as vítimas de desmoronamentos no país. Pouco afetarão a sensibilidade dos governantes que logo logo já aparecem nos camarotes regados a luxo e a bebidas importadas, com fartura de comida e de alegria de foliões nos sambódromos de sibaritas alegres e fagueiros como se costuma dizer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Um país em que as leis dos costumes públicos não são respeitadas pela consciência esclarecida do povo, não pode se tornar uma grande nação e sim um simples projeto de nação irrealizável. Deixemos de ser macunaímicos, deixemos de ser bruzundangas, e vamos construir um país em bases sérias nos mais variados setores da sociedade e das nossas instituições tão derruídas moralmente. O que nos falece como nação é um sentimento entranhado de dose cavalar de utopia, entendendo esta como possibilidade de dinamizar situações sociais e melhorar o bem-estar da população. Não me pejo de ser chamado de ingênuo, idealista, sonhador. Se não fosse o sonho de Luther King, por exemplo, a condição racista norte-americana ainda estaria sob a ameaça dos inimigos dos negros nos EUA.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;“I have a drream...” é ainda uma grande possibilidade para as mudanças não só no campo das igualdades raciais,nos diversos campos da vida e da civilização contemporânea .Do outro lado do mundo, no Oriente, sobretudo nos países árabes, a selvageria continua solta e impérvia. Sabemos que Gaddafi, Saddam Russein, Mubarak et caterva foram, como outros em tantas regiões do globo, foram inimigos da humanidade e, por isso, receberam o castigo merecido, obviamente se ressaltando que houve excessos e mesmo rupturas legais em relação ao tipo de punição que lhes foi infligida. Entretanto, um inimigo perigoso está à solta, na Síria, país dividido entre os que apoiam o ditador e os que se revoltam contra ele. Entretanto, não me parece tão complicado assim separar o joio do trigo, quando as notícias que nos chegam de lá apontam para a evidência de mortes de civis, de crianças, de velhos e para a destruição do patrimônio material do país. Hitler, o assassino de judeus, o aniquilador de tantos milhões de seres humanos, tinha também seus adeptos, seus simpatizantes, seus acólitos e os têm - para a tristeza do mundo contemporâneo! – até hoje. Vejam como o ser humano é tão difícil de entender nos recônditos de suas almas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;A morte agora de uma jornalista americano, Marie Colvin, e de um fotógrafo francês, Remi Ochlik, na região de Homs, centro maior da oposição síria, que estavam cumprindo seus dever de ofício, é mais uma prova de desrespeito do ditador Bashar Al Assad sobre o que ele pensa do valor da vida . Seus crimes até agora praticados já são suficientes para que as nações responsáveis e democráticas, através das instâncias legais de que dispõem, a ONU, o seu Conselho de Segurança, e outros organismos que trabalham em defesa da paz mundial não mais se limitem apenas a retiradas de seus diplomatas da Síria nem apenas a expulsões de representantes desse país em suas nações.. Cumpre urgentemente agir com mais rigor, pelo lado econômico, pelo lado diplomático representado pela ONU. É urgente sobretudo porque diariamente estão massacrando os civis e inocentes em território sírio. As mortes são agora desmotivadas, são impelidas mais pelo ato selvagem e covarde em si mesmo, pelo uso indiscriminado da brutalidade pela brutalidade, nível de degenerescência humana sem limites nem freios.Não se chamaria a essas forças opressoras de Exército, instituição que, em países democráticas , são regidas pela Constituição.Este Exército de marionetes não passa de um bando de facínoras, desalmados e vendilhões de imposturas e de covardias monstruosas contra seus irmãos da mesma pátria dilacerada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Os EUA estão dando exemplo de certa leniência injusta para com a situação dos sírios. Ora, em período de ganhar votos ele não quer é se intrometer em mais um a intervenção militar que decerto lhe trará negativos dividendos políticos e eleitorais, fora as despesas bélicas de armamentos. Mas, numa situação de emergência como é a que está vivendo a sofrida Síria, que já se está tornando um caso de necessidade de ação humanitária contra populações indefesas sendo destruídas literalmente por um ditador insano, aos EUA cumpriria um papel digno dos seus bons tempos de heroísmo ( tempos que, em seu percurso, também não foram tão heróicos assim, diga-se a bem da verdade) durante a Segunda Guerra Mundial. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não estamos exigindo que os americanos cortem a cabeça do ditador, ou que Corte Penal Internacional de Haia o faça assim sumariamente. O que advogamos seria uma forma enérgica de forçar o ditador a deixar imediatamente o poder discricionário e, só depois, ser julgado exemplarmente por aquela Corte. Como criminoso e genocida.Que o mundo civilizado, apesar de todos os percalços da economia do Ocidente ajam de imediato em socorro de uma nação que está se esfacelando e sem defesas diante do déspota insensível como os gelos da Sibéria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;﻿&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-1958010359518652741?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/1958010359518652741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/02/o-brasil-e-o-mundo-em-duas-diferentes_25.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/1958010359518652741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/1958010359518652741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/02/o-brasil-e-o-mundo-em-duas-diferentes_25.html' title='O Brasil e o mundo em duas diferentes guerras'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-5179935800115325166</id><published>2012-02-19T15:11:00.002-08:00</published><updated>2012-02-21T07:17:35.938-08:00</updated><title type='text'>O relógio e o último carnaval do adolescente</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                      Fevereiro de 1964 – esta data já virou um  marco  histórico  pessoal. De tanto  repetida como  divisor de águas entre duas fases  da vida ou como  referência  a qualquer lembrança   num confronto entre o passado  teresinense e o  presente  carioca, nunca mais  me vou  livrar dela – ainda bem , pois  sua significação,   pelo menos para o colunista,  é imensurável  cultural e afetivamente.&lt;br /&gt;                     Desde que comecei  a  entender  um pouco  os sinais da vida,  respeitando  o nível  de entendimento   da faixa etária e das lições  de Jean  Piaget (1896-1980), a festa do  Rei Momo  das minhas primeiras impressões me levam algumas   figuras e  a alguns aspectos   do tempo carnavalesco na ainda acanhada  Teresina dos anos  cinquenta até os inícios da década de sessenta.&lt;br /&gt;                       Um  daqueles aspectos é o cenário  inesquecível e contraditório  dos corsos. Nem bem sabia o que  queria dizer o termo “corso’ que, de resto,  está vinculado a várias acepções que falam  de guerra nos mares, de ataques inesperados  a navios  de inimigos,  de beligerância,  “de desfile de carros, de carruagem” (Aurélio,  1 ed., p. 391). O verbete ainda se refere a atos de pirataria (não é por acaso que, no carnaval,  muitos gostam de  se fantasiar de piratas), como  fala do sentido  do termo  relativo  a vagabundagem  de antigos bárbaros, larápios de  objetos de que se  apossavam  por onde  desenhavam seu percurso  de  perambulação.&lt;br /&gt; Não  sei  por que, na  época, não  perguntei a meu pai  pelo sentido daquele termo, mas o problema é que, eu, pequeno,  anda não me interessava  por questões  etimológicas, e o pior é  que eu  meu pai sabia  italiano,  aprendido no Colégio Salesiano  “São Manuel,” em  Lavrinhas, estado de São Paulo, onde os seus colegas  de quarto eram quase todos  da Cidade Eterna. A tradução para o termo  italiano “corso”, que quer dizer “curso, corrida,   avenida principal,  rua  principal, desfile” está muito  ligada ao que ocorria  na folia  carnavalesca em Teresina.&lt;br /&gt;Naqueles carnavais de minha terra, em se tratando  de cenas de ruas, a grande   expectativa do  povão era  permanecer nos dois lados da “Avenida  Frei Serafim, ou de outras ruas  para  esse fim  escolhidas, aguardando, como fazia, em tom solene,  nos dias  de desfiles de  Sete de Setembro. A alegria dos espectadores, debaixo de sol  intenso,  era ver os carros  dos  opulentos da época,  lotados  de gente fantasiada ou simplesmente  vestida  com elegância a fim de  demonstrar  poder econômico  e alto nível social. Possuir carro naquela  época em Teresina  não era para muita gente. Ali  se viam nos carros  elegantes ou menos elegantes,  gente  bonita da sociedade  teresinense, toda sorridente  mais parecendo  a cortejo  da família  imperial  inglesa diante  da multidão  monarquista... Pobre ali  não  comparecia  em carros. Eram apenas, em sua  grande maioria,  os espectadores simples  figurantes da folia  dos despossuídos e de   vagabundos que encontramos   em contos de João Antônio (1937-1996).&lt;br /&gt;Outro cenário  contrastante no carnaval  teresinense  era o desfile em carrocerias  engalanadas  das  mulheres damas da  Paissandu. Como a festa do Momo  é abertura  para  a instauração  do reino provisório  da desordem (DaMatta)   permitida  pela “ordem oficial,” já que  a festa é um momento  de,  sorrateiramente,   os poderes  constituídos  abrirem   as portas dos interditos e das hipocrisias,  lá se exibiam, com os exageros  das fantasias  e da sensualidade  jovem  ou   envelhecida,  as grandes damas   da festa da carne.  Diante dos meus olhos  passavam  aquelas figuras  humanas tão   decantadas  na ficção  de Jorge Amado (1912-2001)  Já naqueles anos,  percebia os risinhos escarninhos  de mal-amadas e de  figuras  falsamente  puritanas  que nem se davam   ao trabalho de  olhar  para as mulheres  da  beira-rio beira-vida. Não sabiam as aristocratas  de “brasões enfatuados  da sociedade”  o quanto  de bem  faziam   para os forasteiros  que na Paissandu aportavam sedentos de sexo, ou para os maridos rejeitados  na cama conjugal,  ou  para os  rapazinhos   que desejavam  se livrar  das práticas  de onanismo,  ou para  os  homens  que, com o tempo de vida conjugal,  iam  perdendo   os arroubos e desembaraços  da mocidade   e só lá nos lupanares  se completavam.&lt;br /&gt;Contudo,  não há como negar, o ponto alto do carnaval teresinense. Eram os bailes noturnos do Clube dos Diários, lá na Álvaro Mendes, coração  da cidade.. Aquela espécie de toque de corneta alusivo sonoramente  ao entrudo naquele clube era o prato  cheio  da juventude,  da mocidade e até da velhice    daquele tempo.&lt;br /&gt; O Clube dos Diários  reunia a nata  da high society  teresinense. Lugar perfeito para um grande espetáculo  carnavalesco, pra os  amores à primeira vista,  para  um clima de ivresse   que nos transportava  para as paixões  momentâneas, os olhares  cúpidos,  o entrelaçar das mãos,  os beijos fortuitos  e incandescentes no meio do  ambiente perfumado do lança-perfume  esguichado nos lencinhos dos adolescentes que, depois, se moderadamente  inalados,  conduziam os corações   enamorados  ao paraíso das Ilhas dos Amores.&lt;br /&gt;Época narcisista, na qual  os jovens  tínhamos sempre  diante de nós o espelho que nos atestava a beleza  apolínea supostamente auto-proclamada.  Com bigodes    postiços  feitos artesanalmente  a carvão muito lembravam a personagem  de Zorro  com  a sua   famosa  máscara. Éramos belos porque  éramos  jovens. Era isso que mais  importava ao nosso  lado  narcisista.. Não há efemeridade tão eterna  quanto  a juventude, cujo  instante é seu primado.&lt;br /&gt;Foi no último  baile do Clube dos Diários que ostentei um  lindo relógio  presente de mamãe. Ficara fascinado  quando,  saindo  com mamãe da  elegante   relojoaria,  exibia no  pulso  direito o meu  presente especial. Era,  na época, um objeto-fetiche,  usado  pela classe média e pela burguesia local. Quem não tinha  um relógio estava  incompletamente  vestido. Símbolo de requinte,  de status social,  de poder econômico, de beleza, de bom  gosto, de ostentação. Era  bem visto  pela namorada, pelos pais  da namorada,  pelos  parentes,  pelos amigos. Um relógio naquele tempo era um  relógio. E se de marca, tanto  melhor, tanto mas admirado.&lt;br /&gt;Pois foi  com esse relógio que me aventurei  pular carnaval  no  Clube dos Diário. Era o último dia de carnaval. Junto de uma namoradinha  que encontrei entre  as belas mocinhas ricamente  fantasiadas, com seus  corpos   esculturais  e   exibindo   mais  livremente   a beleza dos corpos e a graça  da juventude, a pele morena ou clara, ou os cabelos  lisos  ou   ondulados, os olhos castanhos,  azuis ou verdes,  a estatura  em geral  média  ou  baixa, mas nem por isso menos  encantadora  e sensual,  de repente,  olhando para o meu  pulso,  não mais  via aquele  relógio novinho  em folha que  ganhara  de mamãe.  Perdi o rebolado. A festa  para mim quase se acabou. Chorei  para mim e para minha namoradinha. Meu carnaval  praticamente  se evaporara naquele noite  alegre-triste. Nem as marchinhas  de carnaval, nem  o “Corta o cabelo dele”, nem as velhas  músicas  de carnaval, nem o cheiro de lança-perfume no salão   belamente  decorado conseguiram  amenizar a dor da perda  objeto querido.    &lt;br /&gt;Alguém, bem sei,  ficou com ele. Não havia  mais  meio de recuperá-lo. No outro dia,   relatei, envergonhado e arrasado,  o fato  para mamãe. Nem avaliem o semblante  que tomou  conta  dela. Ainda hoje sofro pelo prejuízo que dera à minha mãe, afora o desgosto. Alguns dias depois,  partia  para o Rio de Janeiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-5179935800115325166?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/5179935800115325166/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/02/o-relogio-e-o-ultimo-carnaval-do_4299.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/5179935800115325166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/5179935800115325166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/02/o-relogio-e-o-ultimo-carnaval-do_4299.html' title='O relógio e o último carnaval do adolescente'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-602230321611234483</id><published>2012-02-18T05:07:00.001-08:00</published><updated>2012-02-18T05:11:32.349-08:00</updated><title type='text'>Não conhecemos o Brasil literáio</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;              Num longo e amadurecido  artigo no Prosa &amp; Verso do jornal O Globo (11/02/2012) sobre a  realidade da crítica  literária brasileira contemporânea, de título   “Desdramatizando a crise da crítica”, o professor  da UERJ, João Cezar de Castro  Rocha, entre outras  ponderações  acerca  da importante  questão  entre  críticos  e  autores, crise da critica e crise da literatura, nos chama a atenção  para  a necessidade de mudanças  de  estratégias  e de  procedimentos no terreno da critica literária   a fim de darmos conta  da diversidade e da  quantidade  também   da produção  literária contemporânea. Já no seu tempo, o crítico Álvaro Lins (1912-1970) até via com bons olhos quando  se falava em crise da literatura,  visto que para ele a crise  é um sintoma de algo   que está  vivo.&lt;br /&gt;             Segundo Castro Rocha,  muito mais do que  a produção literária  do passado,  a da contemporaneidade  está a  exigir toda  a atenção dos críticos, sobretudo  porque  esses  numerosos  autores, entre ótimos,  bons , médios e  ruins,  precisam  de ser conhecidos, divulgados e  analisados  com  um aparato  teórico-crítico  que  esteja  sintonizado com  a nova realidade das novas mídias  eletrônicas advindas  dos avanços  da internet e do surgimento  de obras  de leitura eletrônica, os chamados e-books, da influência de blogs   literários, da pesquisa  eletronicamente  globalizada e dos novos  recursos   tecnológicos   da mídia jornalística, dos  confusos  e  indeterminados  tempos pós-modernos, ou para  outros estudiosos de  literatura, produção ficcional e poética   “pós-pós- moderna,”  rótulo  resultante de um  trabalho  de pesquisa do Departamento  de Letras  da UFRJ... &lt;br /&gt;Sabemos que as histórias literária  de que dispomos   se encontram  limitadas a  fases  já conhecidas  da produção  literária  brasileira. Seus autores,  seja individualmente , seja  em trabalhos coletivos,  ainda   assim  não abarcam  de forma mais  imediata  o que se vem  produzindo nos grandes centros  culturais do pais e no interior do país, onde a produção  intelectual  se mostra  pujante, com autores  de talento e dignos de também serem conhecidos  por outros  leitores  do  Brasil.     &lt;br /&gt;Dadas as nossas  dimensões  continentais,  o Brasil  literário, considerando-se  a produção   cultural dos estados  separadamente,   é um desconhecido e – o que é de se lamentar  -, ainda  cheio de preconceitos   entre  os autores  de outras  estados da Federação. Há opiniões  tão  grosseiras e carentes   de conhecimento e de atualização com  respeito a outras  regiões do país que  nos deixam  perplexos   vindo elas de parte  do próprio meio acadêmico universitário.Revelar  noções preconcebidas sobre  escritores de outras  regiões brasileiras  me parece revelar da parte de quem enuncia  um contrassenso desses um tremendo  desserviço à cultura  brasileira. É postura  inadequada, ignorante  e provinciana  de quem  as enuncia.Até os desconhecidos, ainda que sem talento, merecem o nosso respeito  étco-profissional.&lt;br /&gt;O professor da UFRJ,  crítico e historiador Afrânio Coutinho (1911-2000) quando projetou   organizar  a sua monumental obra coletiva  A  literatura  no Brasil (São Paulo: Global, 2003. 7 v.) , mostrara, no seu  tempo,   largueza de visão  do que  fosse uma história literária   mais  abrangente   de um país. Hoje, mais do que nunca,  vivemos  esse  impasse, o de  termos  que escrever,   utilizado-se de recurso eletrônicos de ponta, ou, nas palavras  de Castro Rocha,  “... as possibilidades criadas pela tecnologia  digital”,    uma história da literatura  brasileira contemporânea o mais completa   possível,  recorrendo à mesma  ideia  de visão  progressista    de Afrânio Coutinho, ele próprio um inovador  dos estudos literários entre nós nos meios universitários. Seria, no caso,  uma história  literária  que,  por ser realizada  eletronicamente,   poderia   ser,  periodicamente, atualizada como  já aconteceu com  a  Enciclopédia Britânica, que enviava, não sei se ainda o faz, de tempo em tempo, conforme as necessidades e os progressos e inovações do conhecimento,  matéria atualizadora  daquela notável obra para seus  usuários.      &lt;br /&gt;Naturalmente, no caso de nossa história literária contemporânea,  seria um  trabalho de altíssima envergadura  intelectual, com um corpo de organizadores  reunindo   gente de reconhecido  saber na área  e com colaboradores  escolhido com  o principal  critério: conhecimento  do assunto e  competência  teórica e prática.   &lt;br /&gt;Um obra  dessa magnitude  seria  um ponto de partida  para   mobilizarmos  competentes  scholars da literatura brasileira nos diversos estados e selecionados sem  qualquer   coloração  ideológica ou  de natureza culturalmente tendenciosa, sem ranços, pois, de  patrulhamentos, muito ainda comum  em  vários estados  brasileiros, sobretudo  oriundos  dos meios  universitários. &lt;br /&gt;No campo da crítica  literária,  da teoria,  e da produção não pode haver  mais  estrelismos,  comportamentos  antidemocráticos  de  sobreposição de  postura  acadêmica   sobre  críticos   teóricos  e autores   dos diversos  gêneros   da literatura e de outras formas  de criação artística, tanto dos grandes centros   quanto das capitais e do interior do país..&lt;br /&gt;Uma passagem do mencionado  professor da UERJ sintetiza bem a condição  da crítica e da produção   literária  brasileira, além de  abrir um caminho  de  mudanças  objetivas  e desejáveis para  o clima  de “obituário” e de “coveiros”  que, de tempos em tempos,   discutem  a  atividade crítica  no país e , muitas vezes,  de forma  não-construtiva e desalentadora: “A  reinvenção da crítica  exige uma nova  perspectiva, capaz de descobrir a potência da circunstância que nos cabe transformar,  em lugar de insistir numa melancolia feita sob medida para o papel anacrônico do intelectual  palmatória  do mundo.No reduzido parágrafo  seguinte, conclui Castro  Rocha: “É hora de abandonar  essa máscara”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-602230321611234483?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/602230321611234483/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/02/nao-conhecemos-o-brasil-literaio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/602230321611234483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/602230321611234483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/02/nao-conhecemos-o-brasil-literaio.html' title='Não conhecemos o Brasil literáio'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-1450379883601624338</id><published>2012-02-10T17:26:00.000-08:00</published><updated>2012-02-10T17:33:48.712-08:00</updated><title type='text'>Tentando entender o Brasil e o mundo</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um componente desfavorável desponta  novamente no  quotidiano  do brasileiro: a carestia. Relendo alguns artigos de meu pai da época ainda da ditadura,  bem como relendo  uma carta dele dentre as dezenas  que me escreveu  por cerca de vinte anos, uma delas toca na questão do aumento  do custo de vida  envolvendo  vários  itens  fundamentais: aluguel, salário do funcionalismo  estadual,   alimentação,  remédios, vestuário, entre outros. Ora, leitor,  do passado para os dias de hoje as lamúrias  de meu pai  parecem que não mudaram tanto assim, o que significa que, no que concerne  à carestia,  o país  encontra    uma  posição  de estabilidade  -  não econômica -, mas de alteração de preços  para cima,  sky high, segundo diriam  os falantes   da língua de Shakespeare.&lt;br /&gt;Governo entra, governo sai,  ditadura  entra, ditadura  sai,  mudam-se  os modos de vida do brasileiro, antes  meio  provinciana,  hoje cada vez mais  tecnológica e  a vida de nossos  patrícios,   para falar como  os lusitanos, pouco sai do  mesmo lugar  com algumas concessões  de benefícios  para a “nova” classe média?!). Os economistas, agora mais do que nunca verdadeiros gurus  dos destinos  financeiros  das nações,  sempre têm um jeito de   explicar  situações   heterodoxas  da realidade  econômico-financeira  que, ao cabo das contas (valha o trocadilho), deixam o cidadão médio  mais confuso do que já se encontrava, porém se esquecem de informar  o real  sentido  dessa “nova” classe social, escondendo  que ela nasceu  graças  ao  arrocho  salarial da classe média  verdadeira que agora não pode ter mais  uma empregada doméstica,  uma  passadeira,  uma lavadeira, dado que  os encargos com  a legislação  trabalhista são  altos e praticamente duplicam  os custos com  as domesticas. &lt;br /&gt;A classe média, no sentido estrito do termo,  tem muitos encargos que quase  engolem  os salários  de seus  membros. Vive de forma apertada. Não tem como se aguentar até o fim do mês, ao passo que  os assalariados mais humildes  ganham  as bolsas-família, as bolsas-estudo, as bolsas  não sei do quê..  Isso só tem sido  possível porque a transferência de renda   via impostos do consumo  geral dos brasileiros e via imposto  de renda de assalariados  vem, no seu  conjunto maior  de  arrecadação,  justamente  de todos  os brasileiros. Quem está  elevando o nível  do cidadão nosso  humilde não é parte do empresariado, mas a gigantesca  carga tributária  de toda a nação. &lt;br /&gt;A estrutura do  Estado brasileiro  é inexorável  no que tange  a injustiças e desigualdade salariais. Chega a ser até cruel com   a grande parcela dos brasileiros. Basta  dar um exemplo  significativo: em São Paulo,  por exemplo, e  o mesmo argumento serve, guardando as devidas proporções,  para outros estados brasileiros,  um desembargador, não todos,   chega a perceber subsídios mensais de quase setecentos   mil reais e o  magistrado ainda  conta  com  a aprovação  de seus pares! Isso é uma afronta  à dignidade do povo brasileiro. Por mais competente que seja  um magistrado,  esses salários  de magnatas  são injustificáveis e  podem  provocar,  entre os brasileiros,   revolta,  rebelião  e caos. Vejam-se as greves em setores que  não podem  usar legalmente  deste instrumento, como as Forças Armadas,  a Polícia Militar,  a Polícia Civil, o Corpo de Bombeiros, só para citar alguns setores vitais  da máquina  do Estado.&lt;br /&gt;Um magistrado com  o salário  de super-marajá que  citei acima não faz bem   aos brios  de um povo ainda pobre como o nosso. Por outro lado,  um desembargador  não é um capitalista,  um  super-empresário que pode ter o salário  que bem quer  em consonância com  a produtividade de seus  negócios. Ser um agente  público   não é o mesmo que  ser  um alto executivo  de uma grande  empresa.. A função do judiciário  exige que  seus  altos cargos  sejam  bem remunerados, mas não  tanto  assim como está, visto que humilha  os menos favorecidos,  desestimula  outras carreiras, causa  insatisfação na  população sofrida  de um país.&lt;br /&gt;Se a Constituição  proíbe o recurso  da greve para  algumas  categorias,  por que o  Estado  Brasileiro não se antecipa a possíveis   futuras  reivindicações  dessas categorias  e cuida de lhe dar  salários  dignos? Um governador  atento  e escrupuloso  tem a obrigação   de ser sensível  para   essas  situações  de baixos salários  para  tais categorias.  Não estou advogando   salários  impossíveis de serem concedidos, mas sim salários que  permitam a essas categorias  terem  uma vida  a salvo  de  aperturas  financeiras. Não é com    6 % e pouco de aumento de acordo com a inflação que os estados  brasileiros  vão  amenizar a vida  dos soldados, dos militares. Não estão  pedindo migalhas, porque  para quem  percebe baixos vencimentos,  cem reais, duzentos reais  são migalhas em comparação aos altos e altíssimos  salários  de outros  funcionários  públicos  municipais, estaduais ou federais.Não é escalonando,  em  frações  minúsculas  de aumento  que  os militares  sairão do fundo do poço . &lt;br /&gt;Por que o Governo  Federal  está  permitindo que  o custo de vida  esteja  aumentando sem majorar  o funcionalismo   a fim de  recompor as perdas salariais em todos  os gastos  que estão  fazendo agora com aumento de impostos  públicos na área  municipal,  estadual e federal?  Os governos municipais, estaduais e federal estão atendendo  à preparação do país para  uma Copa Mundial,  para as Olimpíadas,  com gastos faraônicos em todas as direções  a fim de atender  à comunidade internacional  com  a infra-estrutura exigida, a peso de ouro,  pelos organizadores  desses megaeventos. Para isso, têm dinheiro e  verbas e tudo. Contudo,  para  melhorar  a segurança nacional,  o  transporte público  rodoviário e ferroviário, para combater a violência  desenfreada nas grandes capitais do pais,  para  tirar do sucateamento  as escolas  públicas  municipais e estaduais, para a construção, ou reformas e  aparelhamento  dos hospitais o dinheiro  não aparece. Esta é uma grande  contradição de nosso  dirigentes mal-preparados  para  os cargos  que ocupam ou deles apenas se servindo  para  locupletar-se. Veja-se a lista longa de  ministros  que saíram das suas  Pastas  em geral  por  acusações  de corrupção. O mais gritante é que a substituição  de um  ministro  por outro se faz dentro do mesmo partido  do   ministro  demitido! &lt;br /&gt;Extremas desigualdades salariais é um risco  para a democracia. Um sociedade  profundamente   estratificada como a nossa  é uma  espada de Dâmocles sobre a cabeça  dos governantes. Veja-se o caso da revoltas  árabes, da recessão  da União Europeia, do sibartismo  pantagruélico-milionário  do capitalismo  americano, desencadeando  agora  movimento  de reivindicações  sociais  dos pobres e ofendidos consubstanciado no lema  “Ocupem  a Wall Street”.  O espírito civilista-democrático  americano está à flor da pele. Não  exagerem os governantes com  a paciência  de um  povo  sofrido  e  desrespeitado na sua honra  e nos seus direitos   sociais.&lt;br /&gt;Gastos  excessivos,  altíssimos salários e  mordomias  dos governantes e da alta burocracia  dos governos,  quer  comunistas,  quer socialistas,  quer  capitalistas  saltam à vista  dos  despossuídos, que têm lá seus limites.O extremo da contradição e da desfaçatez dos governantes se resume no fato de que se a cúpula  dirigente da União Europeia pede socorro a um país  falimentar, a Grécia,  por exemplo,   ela não  vai   se privar  do seu fausto, seus carros de luxo,  jatinhos,  helicópteros, iates,  seus  criados,   seus ternos de griffe, seus casacos de pele, seus  brilhantes, seus  passeios, seus banquetes, seus  altos salários e suas benesses  palacianas.Onde vai  buscar  parte considerável do rombo  público: diminuindo o salários da patuleia ( tirando casquinha aqui  da semântica do contista  João Antonio, 1937-1996) do povão, dos funcionários  públicos e, absurdamente,  vai ainda  cobrar  mais  impostos  dessa mesma  patuleia.É assim  que os poderosos, os líderes mundiais  agem e se comportam com  o destino de suas nações. &lt;br /&gt;Não brinquem  com o povo, hoje com  olhos globalizados na instantaneidade das comunicações virtuais ou não,  mas cansados  de desesperanças  e ultrajes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-1450379883601624338?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/1450379883601624338/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/02/tentando-entender-o-brasil-e-o-mundo_288.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/1450379883601624338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/1450379883601624338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/02/tentando-entender-o-brasil-e-o-mundo_288.html' title='Tentando entender o Brasil e o mundo'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-1939133865690487250</id><published>2012-02-07T17:20:00.000-08:00</published><updated>2012-02-07T17:22:48.059-08:00</updated><title type='text'>Um poema de Gérard de Nerval (1808-1855)</title><content type='html'>El desdichado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Je suis le ténebreux, - le veuf, - l’inconsolé,&lt;br /&gt;Le Prince d’Aquitaine à tour abolie:&lt;br /&gt;Ma sele étoile est morte, - e mon luth constellé&lt;br /&gt;Porte le soleil noir de la Mélancolie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dans la nuit du tombeau, toi qui m’as consolé,&lt;br /&gt;Rends-moi le Pausilippe et la mer d’Italie,&lt;br /&gt;La fleur que plaisait tant à mon coeur desole,&lt;br /&gt;Et la treille où le pampre à la rose s’allie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suis-je Amour ou Phoebus?... Lusignan ou Biron?&lt;br /&gt;Mon front est rouge encor du baiser de la reine;&lt;br /&gt;J’ai rêvé  dans la grotte ou nage la sirène...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Et j’ai deux fois vainquer traversé l’Achéron;&lt;br /&gt;Modulant tour à tour sur la lyre d’Orphée&lt;br /&gt;Les soupirs de la sainte et les cris de la fée.&lt;br /&gt;                    &lt;br /&gt;                                                 Gérarad de Nerval,  Les chimères.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;El desdichado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou o tenebroso – o viúvo -, o inconsolado,&lt;br /&gt;O príncipe da Aquitânia da torre desterrado.&lt;br /&gt;Minha única estrela é a morte, e meu alaúde constelado&lt;br /&gt; Da Melancolia traz o sol negro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na noite do túmulo, por ti  consolado,&lt;br /&gt;Devolve-me o Pausilippe e o mar d’Itália,&lt;br /&gt;A flor que meu coração  desolado tanto encantava,&lt;br /&gt;E a parreira na qual  o pâmpano  à rosa se une.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou Amor ou Febo?... Luignon ou Biron?&lt;br /&gt;Rubro ainda do beijo da rainha minha fronte está.&lt;br /&gt;Na gruta sonhei    com uma sereia nadando...&lt;br /&gt;E, por duas vezes vitorioso,  atravessei  o Aquerão&lt;br /&gt;A lira de Orfeu alternadamente  modulando&lt;br /&gt;Da santa os suspiros e da fada os  gritos &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      (Trad. de Cunha e Silva Filho)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-1939133865690487250?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/1939133865690487250/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/02/um-poema-de-gerard-de-nerval-1808-1855_2661.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/1939133865690487250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/1939133865690487250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/02/um-poema-de-gerard-de-nerval-1808-1855_2661.html' title='Um poema de Gérard de Nerval (1808-1855)'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-6766948778307238239</id><published>2012-02-05T08:39:00.000-08:00</published><updated>2012-02-05T08:45:05.874-08:00</updated><title type='text'>Um  mundo em perene crise: meditações sobre a primeira década do séclo 21</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho pretensão de ser alarmista, espalhando   cassandras  por aí irresponsavelmente, nem tampouco  de  narrar,   como fez Orson Welles (1915-1985) para o rádio a  notícia de que a Terra estava sendo invadida  por extraterrestres. Da mesma forma,  não quero  ser o personagem Cândido  de Voltaire a ponto de  o otimismo  exagerado  ofuscar-lhe a dureza dos acontecimentos e a realidade  circundante, vendo tudo  pelo lado  positivo tal qual aquele   personagem–pai maravilhoso e ao mesmo tempo  prejudicial  desse filme grandioso, que é   “A vida é bela.”   &lt;br /&gt;Nem hoje é possível mais  esconder  “o manto diáfano da fantasia” do que se passa no mundo. Costuma-se dizer que  o século 20 foi o mais  assombroso  em desgraças  para a humanidade, bastando  citar  as duas hecatombes das  apocalípticas  conflagrações,  a Primeira Guerra Mundial(1914-1918)  e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).&lt;br /&gt;Numa  visada da realidade  mundial,  pouco sobra de  paz e de  bondade  entre os humanos. Teimamos em nos  localizar no campo das discórdias, dos confrontos,  das matanças que alcançam o nível  de extremo primitivismo, que são as ações genocidas  hoje visivelmente  realizadas  na Síria, onde até crianças são presas e mortas  pela insânia e maldade animalesca  partindo de decisões do governo. Até que ponto vai  a insensatez e a selvageria  de autoridades,  cujo  responsável-mor é o   matador   Bashar AL-Assad – figura ominosa hoje  odiada  por inúmeros  povos árabes, à frente a Tunísia,  que lhe pede a imediata  saída do poder  usurpado  através de eleições de fachada. Que,  na práxis, não passam  de “referendos” para o manterem  no autoritarismo   criminoso e covarde.&lt;br /&gt;Se os povos no mundo inteiro fossem unidos – o que  é apenas uma utopia – um ditador  desse naipe não estaria  mais no poder e sim  na prisão, lugar  merecido  para ele e tantos  que o apóiam.&lt;br /&gt;Lamentável que a China e a Rússia barraram  com vetos  à resolução da ONU  a fim  de que  uma intervenção  imediata  seja  feita  na Síria. Já se deu  tempo  de sobra  para  o ditador   cínico e pusilânime, inimigo  da humanidade,  que está a merecer  um julgamento  na Corte Penal Internacional, em Haia,   para  celerados  genocidas. As  forças da OTAN  devem  envidar  esforços para  que  os trâmites  da  interferência armada  sejam  logo  concluídos  e as estratégias  bélicas sejam  acionadas. A “Primavera Árabe” há de sair vitoriosa na Síria e  seu  oprimido  povo há de encontrar   um  tempo  de paz duradoura e um governo   digno  que tenha  amor ao  seu  povo.&lt;br /&gt;Basta  de   tantas cenas de  terror e de  mortes banalizadas  de inocentes  pelo   mundo todo. No Afeganistão, no Paquistão,   no  Iraque, no Egito,   em partes da África, nos eternos conflitos entre  palestinos  e  judeus. O mundo está cansado de mortes sem fim. De destruições  de cidades,  de prisões  injustas,  de falta  de liberdade de imprensa e de  liberdade de um cidadão  ou cidadã  para  sair e entrar   no  seu próprio   país, como é o caso da blogueira cubana Yoani Sánchez, impedida por dezenove vezes  de sair do pai.Embora tenha  conseguido  visto do Itamaraty para vir ao Brasil e idêntica concessão já tivesse sido  autorizada  pelo governo cubano, houve, não sei por que motivos,  uma  recuada dos governantes cubanos. Por conseguinte,  não  pôde visitar  o Brasil.   Que direitos têm  um ditador  de  dispor   dessa liberdade  de locomoção? Fundamentado em que  lei se pratica tal  barbaridade e garroteamento dos direitos  civis  de alguém que nasce num  país  e, ipso facto, deve ter total  liberdade  de criticar  os desmandos  autoritários de seu país?  &lt;br /&gt;Se um país comunista  não teme ser alvo  de crítica  aos seus erros  e  injustiças contra seu povo,  por que  resiste a não  dar  permissão a um  escritor,  jornalista,  um intelectual de se ausentar de sua terra natal? Se os comunistas  cubanos  temem é porque  escondem  os subterrâneos  e os desvãos  da burocracia  autoritária. Então,  pelo visto,  todos os cubanos  são reféns  do governo ditatorial.&lt;br /&gt;Quem se  preocupa com os destinos da humanidade,   não pode se calar  diante  do clima  de  opressão,   do estado  de barbárie,  de mortes   de milhares de pessoas mostradas  globalmente nas telas de tevês  para uma  assistência que,de tanto ver cenas semelhantes  e repetidas,  já se anestesiou e se tornou indiferente neste  conturbado contexto pós-moderno.  Que esta humanidade engolfada no hedonismo  e no narcisismo  não perca  o sentimento de  solidariedade  aos que sofrem,  aos que perdem  a liberdade de  expressão,  de locomoção, de viver  uma vida  com autonomia  e responsabilidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-6766948778307238239?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/6766948778307238239/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/02/um-mundo-em-perene-crise-meditacoes_05.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/6766948778307238239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/6766948778307238239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/02/um-mundo-em-perene-crise-meditacoes_05.html' title='Um  mundo em perene crise: meditações sobre a primeira década do séclo 21'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-6637568986902425477</id><published>2012-02-02T18:32:00.000-08:00</published><updated>2012-02-02T18:34:14.115-08:00</updated><title type='text'>Enfim, a consagração</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;              As três cidades que amou por igual:  Amarante,  Teresina e Rio de Janeiro. Está sepultado na  primeira desde 1990. Não tem lápide,  não tem sepultura de luxo nem tem epitáfio. Apenas ali, em meio à grama que cresce,  se encontram  seus  restos mortais. Ele é de 1905, conforme ele mesmo  me confessou em vida -, embora  algumas  notas  biográficas de dicionários e histórias literárias   piauienses  registrem a data de  nascimento em 03 de  agosto de 1904. No Arquivo de  ex-alunos  do  Colégio Salesiano Santa Rosa, em Niterói, estado do Rio de Janeiro,  no qual ingressou  como aluno em 1920,  consta, porém, que o nascimento  dele, segundo os documentos apresentados ao  famoso  educandário, traz a data de 1904. Ficam, pois,  a minha há dúvida  e a alegação  do testemunho  que me deu  quando completara  80 anos. &lt;br /&gt;            Resolverei em  parte esta dúvida quando  consultar  os registros de nascimento  em Amarante.  Só vim a ter essa dúvida porque,  pensando  que tivera  completado  80 anos, lhe fizera,  sem o avisar, um longo artigo  homenageando-lhe os oitenta anos, i.e., em 1984. O artigo, publicado no extinto  jornal  “Estado  do Piauí’, de Teresina,   do editor  Josípio Lustosa,   tinha por  título  o seguinte: “Cunha e Silva :80 anos.” Dias depois,  recebo carta de papai, na qual  me apontava  o erro de data de nascimento: “Meu filho, eu sou de 1905.” Contudo, não me dera maiores explicações  para  essa questão. Homenageado fora por  antecipação de um ano. Vá lá. O importante era a minha  intenção.&lt;br /&gt;A meu pai  estive muito  ligado dentro e fora de casa, já que fora meu  professor de francês durante três anos no Domício, nome pelo qual era conhecido um antigo  colégio particular de Teresina, o Ginásio “ Des. Antonio Costa”, dos irmãos Magalhães,  Francisco Melo Magalhães  e Domício  Melo Magalhães, grandes  educadores que fizeram  história. &lt;br /&gt;Quando pequeno,  papai sempre me encarregava de  buscar as provas de artigo, na época em que  escrevia para o  jornal O Dia, de Mundico Santilho (?). As “provas de artigos” eram para  meu pai  fazer a revisão, pois sempre escapava um erro do linotipista e meu pai era exigente em questões de revisão. Lia cuidadosamente o artigo  já  impresso. Fazia um sinal em v  inter-palavras e acrescentava  as correções a tinta. Não me lembro agora se, no mesmo   dia da correção, eu voltava para a redação. Papai, em casa,  me falava  do Mundico, que tinha um defeito  num dos braços. Era um senhor  gordo, baixo,  calvo,  claro. Dele me contava  papai que, na mocidade, fora bem apessoado. Só depois de uma doença perdera   a antiga  boa aparência. Tinha  passado um tempo na Alemanha. Não sei com  que propósito.   Parecia ser um homem inteligente e sério. Sempre me tratara bem. Muitas vezes, pequeno,  fui à redação de O Dia  apanhar  as saudosas  “provas de artigos’, como  costumava  chamar  papai.&lt;br /&gt;Grande  jornalista  político, Cunha e Silva, nome literário  com  o qual  assinava seus numerosos artigos, talvez tenha  sido no Piauí, no seu tempo,  o jornalista que maior quantidade de artigos  escreveu em jornais.     &lt;br /&gt;Na época em que eu já era  adolescente, ele se indispôs com o  professor,  jornalista e cronista A. Tito Filho e com  este travou uma  polêmica acirrada de parte a parte, mas meu pai, no terceiro artigo contra o adversário,   encerrou  a polêmica, porquanto A. Tito Filho não aguentou  o  talento de exímio esgrimista e a veia satírica  e demolidora  de papai. Se não me engano, a polêmica  foi publicada, de parte a parte, no mesmo jornal, acho que nO Dia.  Os leitores,  ex-alunos de um e de outro,  acompanhavam com  ansiedade o que um dizia em detrimento do outro. Na minha rua, a Arlindo Nogueira,  havia  umas jovens que tinham sido alunas  do A.  Tito Filho  - que  os alunos chamavam  de Arimathéa ou professor  Arimathéa. -, as quais eram  fãs dele.  Eu, de minha parte,  torcia pelo nocaute de meu pai e  saía exaltado  em defesa  de papai.  &lt;br /&gt;Ora,  para  defender  papai não havia ninguém melhor do que eu, que mesmo cheguei a me intrigar com  um vizinho de outra  rua próxima, a São Pedro,   outro admirador do professor. Arimathéa. Para mim,  papai era o melhor,  o mais  duro  nas verrinas,  um pulverizador implacável  do   seu êmulo.Papai tinha mais preparo geral, memória portentosa, conhecia latim,   francês,  italiano,  uma boa  base de inglês, filosofia,  história universal,  geografia,  imensa leitura do que havia de melhor  em autores  literários. Alem isso,  tinha  uma sólida  leitura em temas sociais e políticos, o  que muito  o ajudava  a se  tornar  um jornalista bem  equipado em vários eixos do conhecimento  humano. Até em matemática  fora bom. Apreciava todas as ciências, tinha o progresso em altíssima conta,  leitor  incansável ,  a ponto de um sobrinho dele  uma vez me  dizer: “Meu tio Chiquinho (nome carinhoso entre os familiares), sempre que o ia visitar em casa,  adivinhe como eu o encontrava: lendo!” Essa era a imagem que tinha de meu pai.&lt;br /&gt;Todos esses registros  e anotações  sobre meu pai me vêm à baila  em decorrência de três estudantes do Piauí, dois estão fazendo o mestrado na UFPI, uma na área de História, outro na de educação e uma outra também  em história, em trabalhos de monografia. Todos me procuraram  a  fim de obterem  informações e material  sobre Cunha e Silva. A todos tenho  atendido  com alegria  e gratidão dentro de minhas  possibilidades de  recursos materiais que guardo de meu pai.. Não mais  posso  oferecer a esses pesquisadores   porque não tenho  toda a sua  produção jornalística  , só uma pequena parte, que venho guardando ao longo de  vários anos e que compreendem  sobretudo recortes de artigos de jornais  das décadas de sessenta ao final da década de oitenta. Além disso,  disponho de um bom número de poemas, a maioria deles  na forma  de soneto. De sua  obra  publicada tenho a tese dele – defendida -  para professor catedrático de história do Brasil da Escola normal Antonino Freire, A odisséia do cativeiro no Brasil (Teresina, Imprensa Oficial, 1952, 60 p.),  uma  outra tese, O papel de Floriano  Peixoto na obra da proclamação e consolidação da República(1957), apresentada à cátedra de História do Brasil do Liceu Piauiense (Colégio  Estadual  “Zacarias  Góis”), que acredito não foi defendida,  A república dos mendigos (novela), publicada no Rio de Janeiro, em 1984,135 p. pela Folha Carioca Editora  Ltda,  com orelhas e  brevíssima apresentação  deste  colunista, Copa e cozinha ( Academia Piauiense de Letras/Projeto Petrônio Portella,  Teresina, 127 p.), sátira  política local, memorialismo,  e ensaios  políticos. Dele ainda há um livro, até hoje,  inédito,  de título Gatos  de palácio, igualmente uma  sátira da política local.&lt;br /&gt;O espólio do  grosso da  produção de meu pai em jornais e revistas  por ele  reunido em décadas  de  atividade na imprensa, constava de pelo menos  dois ou três caixotes de papelão.  Por  descuido  e  falta  de empenho  de meus  irmãos,  parece que  foi perdido, o  que é de se lamentar profundamente agora que  alguns jovens  pesquisadores piauienses, certamente  orientados  por seus professores,   recomendaram  estudos   sobre  meu  pai e com isso  aquele  arquivo pessoal  seguramente teria muitíssimo  a abreviar  o trabalho  exaustivo que é o de  se debruçar sobre  velhos  e poeirentos  jornais  da Biblioteca Pública do Piauí e do Arquivo Público.   Confesso, leitor,  eu era o  fiel  e  rigoroso  “warder”dos livros de  meu pai. Conhecia  todos os que  compunham duas  estantes   antigas, com  obras valiosas  de literatura  universal,  livros de gramática,  excelentes  dicionários  em três línguas,  história,  filosofia,  literatura, política, sociologia, livros didáticos de grandes autores do passado etc. &lt;br /&gt;O professor  Cunha de Silva,  o acadêmico  imortal da APL, o jornalista  político,  o poeta,  o  contista (ele fez alguns  contos),  o bom  resenhista  de livros, o orador, o polemista,  o educador  e o homem de coragem  que sempre foi,  o bom pai,  bom avô, o  bom amigo,  o amigo dos seus incontáveis alunos, tanto em Amarante, quanto em Teresina,  conquistou  um nome  consagrado  na vida intelectual do Piauí. Ele morreu sem saber que a sua  obra e o seu exemplo de  escritor, vinte  anos depois, seriam  recuperados  e reconhecidos  dentro dos muros  da universidade que, através de alguns  estudiosos,  estão  situando-o no destacado lugar  que o valor  de sua obra  sempre mereceu. A posteridade, finalmente,  lhe esta fazendo justiça. Que seu valor e sua lembrança perdurem  para sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-6637568986902425477?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/6637568986902425477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/02/enfim-consagracao_4135.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/6637568986902425477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/6637568986902425477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/02/enfim-consagracao_4135.html' title='Enfim, a consagração'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-6749789886671094274</id><published>2012-02-01T15:01:00.000-08:00</published><updated>2012-02-01T15:02:31.902-08:00</updated><title type='text'>Desastres didatoriais</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom sonhar, ser utópico, sensível às verdades cristalinas? Sim, é bom e é conveniente em  algumas situações de grande risco, de estados sociais  absurdos e de  desagregação da normalidade  necessária à vida dos indivíduos. Quando forças do governo da Síria se debandam e se aliam aos descontentes, os chamados  rebeldes comuns contra  os atos de crueldade do ditador Basha al-Assad, no governo desde 2000,  sucedendo ao pai, Hafez Assad é  porque a  situação de colapso  institucional  chegou ao ápice da ingovernabilidade. Definindo-se como República Parlamentar,    a Síria, a meu ver,   de República só tem o nome. &lt;br /&gt;Diariamente,  o noticiário  internacional  tem mostrado  o quanto  é preocupante  o que está  ocorrendo  nesse país. Até mesmo  os agentes de  monitoramento  da Liga  Árabe já desistiram   de  permanecer  neste barril de pólvora. Não se concebe  por que  a ONU, através do seu Conselho de Segurança,  não   foi   enérgica  o suficiente para  dar início  à derrubada  do  ditador genocida. São  dezenas de mortes de inocentes vítimas do massacre  do ditador. &lt;br /&gt;O país – é certo – está dividido, visto que  parte da  população, provavelmente   os  apaniguados  do ditador,  está  ainda dando  integral apoio a ele,  o que é lastimável . Como um  povo  pode se dividir em favor  da  matança de inocentes, incluindo  crianças, jovens e adultos civis, e virar as constas para a oposição que  não   sucumbiu  à selvageria instalada no governo de um criminoso,  digno de ir para os  tribunais  internacional a fim de ser julgado e condenado  pelo   genocídio que está  dizimando o povo sírio.  Não só a ONU  tem que intervir, mas todos os povos  do mundo  que  respeitam  as liberdades democráticas e o destino  livre das nações.&lt;br /&gt;Não  é possível  que a História se repita nos países  que ainda  se dividem  em guerra civil quando a consciência  da  sua voz  interior  e profunda dos espíritos  lhes acena para  a única   ação  de justiça, que é a união entre  irmãos  da mesma pátria. Um a das guerras mais cruéis   é   a  civil,  na qual  a própria   nação, sua identidade, sua  unidade territorial,  rompem-se ao meio, num conflito inconcebível de derramamento de sangue entre  cidadãos do mesmo berço,da mesma língua,  dos mesmos  costumes, da mesma cultura. Assim foi nos Estados Unidos com  a Guerra da Secessão,  na China comunista,  na Rússia  czarista, na Guerra Civil   espanhola de Franco. &lt;br /&gt;O Brasil  não tem dado nenhum sinal  de apoio aos  oposicionistas  que estão sendo  assassinados  em Damasco e nas outras regiões do país. Aqui se faz, aqui se paga.. Não há mal que sempre dure. O ditador  tem seus dias contados. Não há impunidade  perene para os malvados e os criminosos. &lt;br /&gt;Os organismos internacionais  não podem cruzar os braços   e demonstrar  indiferença  pelos destino da Síria. Sua  população que aspira à paz e à liberdade pede socorro ao mundo  democrático. Se os países poderosos  econômica e belicamente  não se  unirem  em defesa  dos sírios  diariamente  assassinados  por tropas do governo   autoritário,  não sei o que será desse país. A “Primavera Árabe”  não foi um  insurreição autoritária  e com  intenções golpistas. Ela  nasceu  de uma  profunda  necessidade  de rebelião de fracos contra a prepotência,  de fracos contra a ausência da liberdade,  os direitos  humanos  e civis,  a vontade de  um povo de  tomar   o seu caminho em direção  à paz e à dignidade individual. &lt;br /&gt;Todos os autocratas  têm  seu  tempo  de isolamento,   ostracismo e muitas vezes   execração  pública,  punição  legal em tribunais internacionais  ou   senão  vítimas  de assasínios numa espécie de punição com as próprias  mãos. &lt;br /&gt;Os ditadores se tornam  cegos diante das   justas indignações  do povo e por isso  dão as costas  para  os graves  problemas  da nação,  para os sofrimentos  do seu  povo. Cegos ficam  por ambição desmedida de eternizar-se no  poder, nas regalias,  nas riquezas, na fruição  que sente  pelos  afagos dos áulicos palacianos que aceitam todas as sua vontades e caprichos, mesmo  os de natureza mais  abominável.&lt;br /&gt; Por esta razão deixam de auscultar  os  gritos dos oprimidos e humilhados.Os ditadores têm sempre uma  desculpa esfarrapada para despistar  as reais reivindicações  das massas. Se sentem acima  do bem e do mal, consideram-se reis,  monarcas por  escolha divina. Perdem,  assim,  sua noção de justiça,  de amor,  de fraternidade. Viram déspotas,  terroristas públicos,  covardes   e insensíveis à dor  alheia. Seu único  alvo: a manutenção do poder que não quer dividir com ninguém.  É mais do que hora de desapear o carrasco do fausto e do poder  ilegítimo. Que prevaleça a vontade soberana do povo sírio. É o que espero de todos os homens  de bem no mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-6749789886671094274?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/6749789886671094274/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/02/desastres-didatoriais.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/6749789886671094274'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/6749789886671094274'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/02/desastres-didatoriais.html' title='Desastres didatoriais'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-4803069293726606439</id><published>2012-01-29T06:26:00.000-08:00</published><updated>2012-01-29T06:30:28.623-08:00</updated><title type='text'>Governos  improvisados:  o caso de desabamentos no Rio de Janeiro</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Não é de hoje que o estado do Rio de Janeiro carece de governos competentes, de administradores sérios eleitos para disseminar o bem social, corrigir as falhas de governos  passados e mostrar o descortino de  uma  figura  de político respeitado e querido  pela população fluminense. Desde, pelo menos,  Brizola,  o estado do Rio tem tido os piores  governadores de sua história. O mesmo  se poderia  afirmar dos prefeitos. Ora, leitor, governador e prefeito que  deveriam  passar  grande parte do seu tempo  dedicando-se ao trato da coisa pública, ao contrário têm uma sede enorme para as viagens ao exterior. Com isso,  não podem estar atentos a imprevisíveis  acidentes na cidade do Rio de Janeiro e, por extensão, no estado todo.&lt;br /&gt; Apesar de tantos  governantes medíocres  que só mal fizeram ao governo do Rio de Janeiro durante décadas, houve uma exceção, a do governador Carlos Lacerda, o qual,  conquanto  falhas podemos nele apontar como  político,  realizou  obras  importantes para o estado que  dirigiu com competência e sabedoria. Homem  preparado  intelectualmente,  revelou-se bom  administrador  da coisa pública. Não fez  papel feio no governo, soube  se conduzir  como homem público durante  seu mandato. Foi operoso e deixou  marcas  de um grande político.&lt;br /&gt;O prefeito, o governador têm que estar  presentes,  junto da  população, nos momentos mais difíceis, como são  as tragédias. Um delas  atingiu há três dias o coração do Rio de Janeiro, o centro da cidade. Os desabamentos, na  Rua Treze de Maio, na Cinelândia,  ao lado do Teatro Municipal, foram   ocorrências  pungentes e desoladoras principalmente  pelas perdas de vidas que provocaram.  A par disso,  os desabamentos  desfalcaram  profundamente o conjunto arquitetônico-histórico   do Centro da cidade. Três prédios antigos,  em construções  feitas ainda nas décadas de  trinta e  quarenta, viraram  apenas  escombros, fumaças,  água enlameada e um vazio imenso no coração  dos habitantes  do Rio. &lt;br /&gt;Os desabamentos não foram  obra de terroristas. Nem mesmo  sabemos se houve explosão de gás. As conclusões  não são até agora  concordes. Os especialistas   falam   que os  prédios ruíram  em decorrência  de uma  obra irregular que estava sendo feita   em alguns  andares do prédio mais alto, de dezoito ou vinte andares. Este prédio, por sua vez, desencadeou o desabamento dos outros dois  prédios mais baixos. Os desabamentos  aconteceram à noite,  cerca das 8: 00h, ou seja,  quando  um número  relativamente  pequeno de pessoas ainda  neles.se encontravam trabalhando, ou  fazendo  alguma coisa diferente. O certo é que  as vítimas fatais ainda tentaram  correr para fora das salas,  ganhar   os corredores, possivelmente tentando sair pelas escadas. Foi quase inútil esse esforço, porquanto  o prédio mais alto, em questão  de poucos  instantes,  começou a perder  o equilíbrio, desintegrando-se  todo e levando de roldão os dois  prédios vizinhos.&lt;br /&gt;Não podemos deixar  de  associar,  em alguns aspectos,  este acidente  trágico com  as Torres  Gêmeas americanas  em  Nova Iorque,   o qual ficou  conhecido  mundialmente como  o fatídico  11 de Setembro. No caso  brasileiro, na Cidade Maravilhosa, um jovem  casado, antes do desabamento,  havia  usado o celular para  se comunicar com a esposa que se encontrava num dos prédios. Conseguiu por um instante falar algumas coisa  para ela, mas de imediato  o celular  ficou  incomunicável. Era justamente  o início da tragédia. Depois de dois dias de  escavações feitas por estes gloriosos  bombeiros,  soube-se que a esposa daquele jovem  se encontrava entre os  mortos.   Este é só um caso entre outros que  vimos na tevê  - relatos de tristezas  e infinita dor  dos que  perderam  seus entes queridos,  amigos,   colegas de trabalho, chefes  de seções etc.  A cidade está enlutada, cheia de  lágrimas,  angustiada,  desesperançada,  órfã. &lt;br /&gt;Um transeunte, diante da tragédia,  desabafou: “- É uma vergonha, falta de respeito e previdência das autoridades no que diz respeito  à fiscalização  dos prédios do Rio de Janeiro. O transeunte,  indignado,  culpou   o poder  público  pelo  que  aconteceu e pelo que pode a vir acontecer caso não sejam  mudadas as regras  de fiscalização, de vistoria da prefeitura do Rio de Janeiro e  de órgãos do  estado  fluminense.&lt;br /&gt;O  que  presenciamos  agora  com  esta  tragédia serve de  sinal para que  o povo do Rio  se una e exija dos governos municipal e estadual  uma resposta  concreta e tecnicamente fundamentada sobre  as razões   dos desabamentos e sobre quem pode recair a responsabilidade da tragédia. Os culpados têm que ser punidos. Não é possível que terminem as investigações e laudos  dos acidentes sem que apareçam  os responsáveis. O dolo  cabe a alguém ou a alguns e o poder  público, por seu turno,  tem  uma parcela de  responsabilidade uma vez que  o fato acontecido   está  relacionado aos órgãos competentes  de fiscalização.&lt;br /&gt;Nos Estados Unidos,  em Nova Iorque,  por exemplo,  a fiscalização é rigorosa, a multa por infrações de irregularidades em reformas e obras  de prédios é também altíssima.  A prefeitura  dispõe de um serviço notável de  armazenamento  de informações  sobre  as condições  físicas externas e internas  dos prédios  nova-iorquinos. Por que o  Rio de Janeiro, o país,  não copiam  toda esta infra-estrutura  e know-how já  testados   e que têm dado  certo. Não custa  nada ao prefeito do Rio,  aproveitando as suas constantes    peregrinações pela terra do Tio Sam, ao invés de visitar a Disney,  ter uma conversa com  o prefeito de Nova Iorque. O governador  fluminense  também  deveria dar exemplo neste sentido quando  das suas repetidas   permanências  no exterior.&lt;br /&gt;O Rio de Janeiro - cidade e estado -  está  cansado  de tanta inércia   dos setores públicos diante de alguns  sérios problemas que estão  exigindo  equacionamentos  de  soluções  impostergáveis: a saúde,  os hospitais, a segurança e o respeito  ao patrimônio    arquitetônico do Rio de Janeiro, da cidade, do estado,  os  quais, nas duas instâncias de poder,  estão sem leme.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-4803069293726606439?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/4803069293726606439/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/01/governos-improvisados-o-caso-de_29.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/4803069293726606439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/4803069293726606439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/01/governos-improvisados-o-caso-de_29.html' title='Governos  improvisados:  o caso de desabamentos no Rio de Janeiro'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-8260015102896150679</id><published>2012-01-27T05:43:00.000-08:00</published><updated>2012-01-27T05:45:52.861-08:00</updated><title type='text'>Um poema de Edna St Vincent Millay (1892-1950)*</title><content type='html'>On  hearing a symphony of Beethoven&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sweet sounds, oh, beautiful music, do not cease!&lt;br /&gt;Reject me not into the world again.&lt;br /&gt;With   you alone is excellence and peace,&lt;br /&gt;Mankind made plausible, his purpose plain.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enchanted in your air benign and shrewd,&lt;br /&gt;With limbs a-sprawl and empty faces pale,&lt;br /&gt;The spiteful and the stingy and the rude&lt;br /&gt;Sleep like the scullions in the fairy-tale.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;This moment is the best the world can give:&lt;br /&gt;The tranquil  blossom on the tortured stem.&lt;br /&gt;Reject me not, sweet sounds! Oh, let me  live,&lt;br /&gt;Till Doom espy my towers and scatter them&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A city spell-bound under the aging sun.&lt;br /&gt;Music my rampart, an d my only one.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ouço uma sinfonia de Beethoven&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maviosos sons, não parem -  deslumbre de música,&lt;br /&gt;Não me abandonem outra vez no mundo&lt;br /&gt;Nestes  sons só existem paz e magnitude,&lt;br /&gt;A humanidade, plausível, claro, o  seu objetivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o seu  ar benigno e fino encantado,&lt;br /&gt;Com membros espraiados e rostos pálidos e vazios,&lt;br /&gt;O rancoroso, e o avaro e o grosseiro&lt;br /&gt;Dormem qual lavadores de pratos em contos  de fadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a melhor hora em que doar-se  pode o mundo.&lt;br /&gt;No caule atormentado o tranquilo desabrochar.&lt;br /&gt;Maviosos ritmos,  não me  abandonem! Deixem-me viver.&lt;br /&gt;Até que minhas torres a Morte vislumbre e as espalhe,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sob o sol  envelhecendo, uma cidade fascinada.&lt;br /&gt;A música, minha salvação, e nada mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      (Trad. de Cunha e Silva Filho)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leitor: Dedico  esta tradução aos que morreram no desabamento dos três prédios da Rua  Treze de  maio, Centro do Rio de Janeiro,  neste final de janeiro de 2012.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-8260015102896150679?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/8260015102896150679/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/01/um-poema-de-edna-st-vincent-millay-1892_27.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/8260015102896150679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/8260015102896150679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/01/um-poema-de-edna-st-vincent-millay-1892_27.html' title='Um poema de Edna St Vincent Millay (1892-1950)*'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-3031767648666202597</id><published>2012-01-24T17:47:00.000-08:00</published><updated>2012-01-24T18:02:12.461-08:00</updated><title type='text'>O triste destino das livrarias e do próprio livro</title><content type='html'>Cunha a e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A era digital veio para ficar, com todos os seus  traços benéficos e maléficos.  Agora, os seus  primeiros golpes se voltam para o papel escrito. Não respeitou os antigos, nem a chegada da imprensa  graças a Gutemberg. Pergaminhos, nem se fala. Tudo virou História e museu. &lt;br /&gt;Agora, o que impera é o monitor, as telinhas dos mil gadgets da tecnologia de  ponta Aos poucos, nos vamos acostumando com  os novíssimos tempos de uma modernidade que  se eterniza e dá as costas para o tempo e as divisões múltiplas culturais, os períodos,  os anos,  os séculos,  as eras,  o calendário, o relógio. Pra que agora se preocupar com a ampulheta, se temos, diante de nós,  o tempo intemporal, as galáxias num  universo que, segundo  os cientistas,  cresce a passos largos (ou a passos lentos?).&lt;br /&gt; Não me importo com  a objetividade de afirmações  pouco objetivas. Sei dos meus  limitados conhecimentos racionais. Quero, antes,  a sensibilidade, moeda  forte que anda  esquecida nos corações  humanos. É feio,  é insensato,  coisa de mulher alguém, em  tempos correntes, mostrar-se sensível,  sentimental,  amoroso,  delicado. Iriam  tachar esse  “alguém “de  pouco viril ou de outros  epítetos preconceituosos. &lt;br /&gt;Esta notícia  que nos vem pela imprensa – que ironia  das coisas! – de que o e-book vai tomando o lugar privilegiado do livro  impresso vem como uma bomba na cabeça dos   bibliófilos  e bibliômanos, dos bookwoms. Coitados de nós, que amamos tanto  o pegar num livro,  folheá-lo, fazer anotações a lápis nas margens,  sublinhar  o que nos chama a atenção, sentir o cheiro do papel, velho ou novo, ver a capa, tocá-la, ver as suas cores, as ilustrações, a contracapa, as orelhas, senti-las materialmente,  ver o tamanho dos tipos impressos,  examinar o livro em todos os seus aspectos físicos, ângulos,  levá-lo para  a cama, para o sofá, para um canto  recolhido da casa, buscá-lo na prateleira, ver-lhe a lombada. Ah, nada mais agradável  do que o livro impresso! Nada mais  precioso do que ter uma biblioteca. Que solene! Amei sempre as bibliotecas,  as particulares, as públicas. Não sei como seria o mundo  futuro sem a condição  secular  do livro impresso.     &lt;br /&gt;Na minha visão profética ( quanta audácia minha!), vejo  seres mecanizados, apressados, sobraçando  e-books, insípidos,  sem requinte, sem nobreza,  sem   linhagem, sem nada. Lá estão no  futuro aqueles homenzinhos  abrindo seus aparelhinhos digitais, lendo as obras dos grandes  escritores de todos os tempos ou de  nenhum tempo, os bons,  os médios,  os ruins,   os best-sellers, satisfeitos  de   seus livros  virtuais, somente preocupados  com  o sinal  eletrônico  avisando-os de que,  a qualquer hora,    a bateria  acabará.  Mas, há a eletricidade, a energia, para  recarregá-lo em algum  lugar onde exista um  tomada. Já o livro impresso prescinde de tudo isso. Se com ele tivermos cuidados, dura muito tempo, até séculos, ainda que, como os seres humanos,  envelheçam e se estraguem.&lt;br /&gt;       Ontem, vi na tevê e, depois, no jornal, que  em Nova  Iorque,  as livrarias  estão fechando as portas, ou seja,  como  dizia  o aviso nas portas  das livrarias: “... out of business”. Oh, triste destino das livrarias. Aqui no Rio de Janeiro,  uma  conhecida livraria  portuguesa, a Camões, está fechando, ou já fechou as portas. Lamentável! Um  proprietário  de sebos no Centro do Rio me havia dito  pouco tempo atrás que os sebos e as livrarias estavam diminuindo. Boas livrarias, como a Martins,  também fecharam suas portas na filial do Centro  carioca. Novos tempos, novos  problemas.&lt;br /&gt;É bem provável que o livro  impresso,  se  resistir no futuro,  será adquirido só por milionários dado o altíssimo  preço que terão. Entraremos na Idade Média das publicações, só acessíveis  à nobreza.&lt;br /&gt;Assim anda a roda do tempo. A força da maioria prevalecerá. Para os leitores do futuro serão os e-books tão  normais quanto para mim e outros agora  são  as obras impressas. Nos tornaremos pré-históricos para  tais leitores. “O quê, livro de papel,  que é isso, quando houve esse tempo?,” refletirão  atônitos os  leitores  dos futuro.&lt;br /&gt;As grandes   bibliotecas de agora virarão novas   alexandrias, só que digitalizadas. No entanto, os velhuscos livros do passado, ainda atualmente existentes, durante algum tempo indeterminado do futuro, deixarão de existir. Não resistirão ao tempo devorador da matéria.&lt;br /&gt;Não estaremos   vivos para conferir tudo isso, nem os que nasceram  agora. Seremos  passado como  o são os gregos  antigos,  os latinos,   os povos do Oriente. A História, esta “mestra da vida” segundo Heródoto,  será armazenada em “ bibliotecas” gigantescas digitais,  que, por sua vez, tomarão outros  espaços, tal como  as bibliotecas  do nosso conhecimento, porque tudo tem limites, até para caber a História da Humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nota: Texto melhorado após cuidadosa  revisão do autor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-3031767648666202597?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/3031767648666202597/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/01/o-triste-destino-das-livrarias-e-do_5462.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/3031767648666202597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/3031767648666202597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/01/o-triste-destino-das-livrarias-e-do_5462.html' title='O triste destino das livrarias e do próprio livro'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-9100190004848624068</id><published>2012-01-21T11:37:00.001-08:00</published><updated>2012-01-21T11:38:48.443-08:00</updated><title type='text'>Uma estreia na literatura piauiense</title><content type='html'>Cunha  e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leio a última  página do romance Reflexões de uma cadela vira-lata de Rivanildo Feitosa (Rio de Janeiro: Editora Mirabolante, ilustração de Fernanda Barreto e orelha do   escritor   piauiense José Ribamar  Garcia,. 2011,  287 p.). Segundo  informações que colho da segunda orelha, com foto do autor,  vejo que o estreante atua no meio jornalístico de Teresina, tem  39 anos e nasceu em Pio XI, Piauí. Nada mais sei sobre o autor.&lt;br /&gt;Costumo  afirmar  que o Piauí possui um número  reduzido de ficcionistas, mesmo  contando com os   autores  do passado. Portanto,  esta é mais uma razão para que  o crítico se sinta  estimulado  com a presença de mais um autor no gênero.&lt;br /&gt;O último  autor piauiense  sobre quem escrevi  foi  o  Dílson Lages com seu  romance  O morro da casa-grande, uma outra estreia que mereceu   os elogios  da crítica especializada.&lt;br /&gt;Reflexões de uma  cadela vira-lata  narra a história de uma cadela com  traços  de personagem  picaresca. Seu nome, Sabiá. Sua ambição maior: tornar-se uma mulher com  todos  as qualidades e os defeitos de uma bela mulher, cuja obsessão que  a acompanha  está  profundamente   enraizada  no coito, num   ímpeto insaciável que  não tem tamanho . Este é  o mais  dominante leitmotif   da narrativa. &lt;br /&gt;De origem  desconhecida, desde os primeiros  meses de vida, Sabiá vive como andarilha, transpõe  limites de municípios e vai dar numa cidadezinha de estranho nome, chamada  Sem Nome, que acredito, não existir  senão no  universo do imaginário,   fica perto de outra cidade piauiense  - Mármoré, que, confesso,  não sei se existe no mapa  do Piauí ou se o nome é mais uma invenção do autor. &lt;br /&gt;Ficção, antes de tudo,  plena de  personagens  circunstanciais,  a ponto de o leitor se ver às vezes confuso em  nomeá-los e localizá-los no evoluir da fabulação, a história desta cadela vira-lata que  se queria  mulher diante  dos homens sobretudo,  dessa bem urdida  criatura ficcional, concentra em si todo uma quadro  múltiplo da realidade  humana, sendo, por isso, de natureza proteica, ser ambivalente  que, numa comparação  aproximativa,   semelha sair da tela de um filme em quadrinhos onde falam e agem animais de mistura com  humanos, de tal sorte  que, no conjunto,  Sabiá  torna  a narrativa permeada não apenas  da ficção tradicional, mas sobretudo  de um universo imaginário que mistura harmoniosamente a prosa e a poesia. &lt;br /&gt;Reflexões de uma cadela vira-lata, excetuando   naturalmente  seu aspecto pós-moderno ficcional,  não é novidade em  termos do aproveitamento  do animal  irracional que, no domínio das literatura de língua  portuguesa,  remonta  a autores  medievais, à fase dos Cancioneiros,  a fabulistas da antiguidade grega e  latina, a autores franceses como La Fontaine   (1621-1695) &lt;br /&gt;A melhor demonstração desse elo não  perdido se encontra na alusão à cadela  Baleia,  personagem  animal magistralmente criado  por Graciliano  Ramos (1892-1953), o qual  a ela dedicou  todo um capítulo  de Vidas secas (1938). Atente-se, a propósito,  para a seguinte  citação da personagem Sabiá colada à voz do narrador:  “  - Vida  sofrida inspira livros e novelas  - lembra ainda sem fama nenhuma,  somente a de cadela-ladra e saliente.” (p.86).&lt;br /&gt;Fabula? Alegoria? Literatura fantástica? O que seria  a narrativa em questão?  Apontaria uma sugestão: é um  romance, talvez, em alguns  traços,  na linha do que já se está chamando  “romance pós-pós”, como  referência aos romances  brasileiros publicados a  partir dos anos de 1990 (Veja-se o interessante artigo “O pós-pós: literatura  brasileira no século 21”, estudo conjunto de Carina Lessa, Cristina Amorim, Godofredo de Oliveira  Neto e Jorge Marques (JB  Ideias, Rio de Janeiro,  03/03/2010).&lt;br /&gt;O romance de Rivanildo Feitosa é uma estreia que, pelos valores  estéticos  injetados, mais me impele  a considerá-lo principalmente   pelo que de  virtudes   ostenta: domínio imaginativo,  linguagem  moderna  e  correta (são poucos os senões nele observados com respeito ao uso da língua enquanto mero veículo de comunicação, fora alguns  erros de impressão, uso da crase, uso de locução  prepositiva, inadequação entre um determinante e um determinado), manejo  técnico  da narrativa que, no caso, só para considerar o dado  do emprego do tempo e do espaço,  não sendo linear,  se  constrói de blocos  narrativos, ora para frente (prolepse) ora para trás (analepse) ou mesmo   visto no seu todo, num presente de enunciação de complexa feitura. &lt;br /&gt;O tempo, por sua vez, segundo disse,   ocorre através de anacronias em  narrativa  que  abrange  52 capítulos (todos  com títulos  alusivos à peripécia contada, além de ilustrações geralmente  referentes   ao falo), seguidos de um  epílogo (também  com que dá a medida  da ruptura temporal e espacial  da obra) que,  em resumo,  reforça  os limites do enredo,  do  leit motiv  da narrativa e do seu  objetivo  metaficcional, cujo exemplo é a deslocação do narrador,  em toda a extensão da história, da terceira  pessoa para um breve relato em primeira  pessoa.(Cf. p. 240, capítulo  44), ocupando os dois últimos parágrafos desse capítulo, estratégia  narrativa que funciona assim como quebra do ilusionismo narrativo até então empregado.&lt;br /&gt; Não devo deixar de mencionar o fato de que o título do  último  capítulo não vem numerado,  mas apenas com um título que sinaliza para as preocupações do autor com  a composição narrativa do romance: “Escrevendo seu início sem fim”, além de finalizar o verso da última página com uma ilustração de uma mulher nua em  posição de um caminhar primitivo próprio dos irracionais. De resto,  outras ilustrações que constam  do livro, repito,  aludem a cenas de coito ou à imagens  fálicas, numa obsessão constante e, de certa forma,    desmesurada nos relatos   do texto, sobretudo porque  abusa da  caprologia, o que de alguma  forma  pode causar no leitor algum efeito negativo em  relação ao conjunto  do romance.     Esse lado  erótico da narrativa de Reflexões de uma cadela vira-lata  seguramente  agradará a  alguns leitores  que cultivam  o gosto  das cenas  de sexo em romances e a assuntos  correlacionados com   práticas  sexuais desviantes como pederastia, onanismo,  sexo grupal.&lt;br /&gt;O que,  contudo, salva  o romance   desse exagero de sexo já mencionado são os  recursos de narrativa de que se valeu  o autor,  realizando  um  romance que, antes de tudo,  tem compromisso  com a sua forma estética, enfim, com a linguagem   escrita  em bom   e,  por vezes,  ótimo nível  literário, tal a força de seu  poder  narrativo,  tal a capacidade de infundir suas páginas de um  lirismo poucas vezes encontrado  em romances de escritores brasileiros. Se Reflexões de uma cadela vira-lata  ganha consideravelmente  em dimensões   estéticas,  ela  igualmente tem o seu lado  de narrativa  que  desnuda  o universo  social do  interior brasileiro nordestino,  fazendo, assim,  denúncia às condições  secularmente  deploráveis  de populações  abandonada  pelos  poderes  públicos. E isso sem  laivos de  engajamentos  inócuos.&lt;br /&gt;Seus personagens são convincentes,  têm  alma,  têm vida e alguns deles hão de permanecer, seja pelas  suas  virtudes,  seja  pelos defeitos,  na memória do leitores, como  o primeiro deles, a cadela Sabiá, um dos personagens  mais bem  compostos  que tenho  visto na ficção  brasileira. Sabiá  permanecerá,  sim,  como   Baleia de Graciliano Ramos, como alguns  bichos-personagens de Guimarães Rosa, como  o cachorro  Quincas  Borba do romance homônimo de Machado de Assis.&lt;br /&gt;  As ações  de índole  picaresca de Sabiá, movimentando-se sempre,  se portando como  gente, como  mulher   sensual e   messalina,  como uma aventureira  que  sai de uma cidadezinha do Nordeste e vai, escondida, de ônibus para a Cidade Grande (São Paulo),  intromete-se com  o baixo meretrício,  conhece  a  prostituta Margarida,   penetra  em ambientes mais sofisticados,  faz amizade com um  morador  de rua, um catador   de lixo chamado  Josué, imigrante em São Paulo  vindo do Piauí. Sabiá,  dessa maneira,  como  sói acontecer com  os personagens  pícaros, topa todas as paradas. Seu objetivo  é sobreviver, nem que seja das sobras, do lixo urbano. Seus sonhos constituem parte  considerável e um dos pontos altos da narrativa. É da passagem da realidade para o sonho  que a  linguagem  se torna mais artística,  mais   poética,  beirando a fronteira  do mágico, do fantástico.   &lt;br /&gt;Epicentro de toda a fabulação, Sabiá vivencialmente, constrói e desconstrói, abuso dos seus descaminhos,  dos seus sentimentos díspares,  de suas perplexidade e de suas contradições. Ama e  é amada por Zeca Macho, seu parceiro na normalidade e na metamorfose de lobisomem. Daí tantos  trechos  de cenas eróticas,  de pantagruélicos   excessos de  orgasmos. Sabiá é o mais perfeito  protótipo da  cadela-mulher, numa simbiose  de erotismo  canino e mítico. Seria, pois,  a representação  mais alta do poder de despertar  o seu descomunal  lado  sensual-erótico, assim como se observa  na cena histriônico-irônco-erótica do pai do menino Erasmo  em que  o defunto põe avista  o seu volumoso  falo ereto, lembrando  certa fase erótica  de Jorge Amado (1912-2001) &lt;br /&gt;Sua dimensão humana,  no plano legendário, também se faz em vigorosas manifestações de carinho para com  alguns seres humanos queridos, como  o menino Erasmo, a proteção que um tempo deu  à cidade Sem Nome,  a seus habitantes, a seus  cães, é admirável. Brincalhona,  dançarina,  desavergonhada,  puta,  amante e amada, vivendo   amiúde dos sonhos de ser mulher, de ser  atraente para os homens e os cachorros, faz dessa personagem  uma exceção  qualitativa  na galeria dos animais que  povoam  a literatura brasileira, pelo menos. Isso é muito  e a coloca numa narrativa  que  realça  as técnicas e maestria de um simples estreante no quadro da literatura  de autores  piauiense e, por extensão, da literatura brasileira. Só espero que o  autor  não fique apenas  nesta obra e   dê continuidade à  aliciante  e desalienante  arte de narrar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-9100190004848624068?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/9100190004848624068/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/01/uma-estreia-na-literatura-piauiense.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/9100190004848624068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/9100190004848624068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/01/uma-estreia-na-literatura-piauiense.html' title='Uma estreia na literatura piauiense'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-6571132214665514477</id><published>2012-01-16T18:38:00.000-08:00</published><updated>2012-01-16T18:41:15.411-08:00</updated><title type='text'>Um quase Nero na Síria</title><content type='html'>Um  quase Nero na Síria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                A “Primavera Árabe” na Síria de Bashar al-Assad parece  não ter  solução para os   problemas  gravíssimos  de um  povo que vem sofrendo todas as atrocidades de um ditador impiedoso e cruel, capaz de confundir a todos com suas ações maquiavélicas e genocidas. Ditador  pronto a pôr a culpa da matança dos sírios que se lhe  opõem ao regime autoritário nos  próprios cidadãos civis, ou mesmo  capaz de matar soldados  seus para  jogar a culpa nos  insurgentes. Nem a sua formação em país  de regime democrático  conseguiu mudar a sua mentalidade sanguinária. Há quase um ano  a matança de civis revoltosos  já atingiu pelo menos cinco mil  vitimas  da sua truculência. &lt;br /&gt;Podemos  prever que seu fim  não será nada  glorioso ainda que conte a seu favor com  parte considerável  da população – é possível esta  avalizar todos os seus crimes de morte? É difícil  acreditar que parte da  população ainda concorde  com  ele, mas  comportamento como esse é de se esperar   do ser humano e a História o tem  mostrado  sobejamente  tendo em vista  o que aconteceu com a Alemanha nazista.&lt;br /&gt;Os Estados Unidos,  embora  tenham  manifestado sua reprovação com o que está ocorrendo  na Síria, não tem  dado  nenhum sinal  de que  se alinhará  a outros  países da Europa e do Oriente Médio a fim  de propor ações firmes contra  um ditador que está dizimando populações indefesas,  implantando o terror,  a tortura,  a repressão  desenfreada contra a sociedade civil.&lt;br /&gt;Já é hora  de a ONU, tomar  medidas  drásticas e mesmo  militares contra  o ditador sírio que, ao que parece,  não tem  dado nenhum  sinal  de que está amedrontado com a repercussão negativa que  seu regime tem tido junto à comunidade  mundial que luta  pela paz e pela segurança dos  povos,  cujos maior sonho  seria alcançar  um estado  onde a liberdade dos indivíduos  seja   conquistada de forma perene.&lt;br /&gt; O ditador  sírio, depois das tentativas  de pedidos  por parte da Liga Árabe para que esta  pudesse enviar  observadores  e verificar o comportamento do governo  em relação ao opositores do regime, não se deixou  intimidar e continuou  reprimindo  os civis, com  ações bélicas contra a população que não deseja mais  se submeter  aos sacrifícios   impostos  duramente  pelo ditador e sim  alcançar aspirações   que levem o país  a um estado  de liberdade  de expressão e de  escolher pelo voto  seus governantes, quer dizer,  o  povo,  compondo  seguramente a maioria  da sociedade  civil, não aceita mais  um regime discricionário como o que se instalou na Síria desde,  pelo menos, o tempo da ditadura  do pai de Assad, o presidente Hafez al-Assad, a quem   sucedeu em 2000,  na condição  de ditador através de um “referendo”.Vale lembrar que o pai  de Bashar al-Assad, governou o país  por cinco mandatos consecutivos, ou seja,  era “eleito” através de uma lista única pelo partido Ba’ath, do que se tornou seu  secretario geral. Desta  maneira,  tanto o pai quanto  o filho  não passaram  de  governantes em cujas mãos  enfeixavam  poderes   ilimitados. A sua propalada    situação  política de República  Parlamentar  não passa, pois, de uma  fachada para esconder práticas de eleição manipulada  e de autoritarismo  e  ausência de alternância  no poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mundo árabe que não compactue com   as truculências  que se vêm arrastando  por  quase um ano, deve fazer pressão contra o  regime desse ditador de tal sorte que,  encurralado e isolado,  ele se veja  forçado a deixar   a Síria à qual só tem feito mal  e se desgastado  diante  dos olhos dos povos livres. Em caso contrário,  estará o ditador  instigando  o povo a uma divisão  ideológica e política que levará a nação à uma carnificina ainda mais sangrenta  através da guerra civil, cujas consequências  trarão apenas a destruição da integridade  física do país e da desagregação do que já foi construído pelo  povo  com o seu trabalho ainda que  vivendo por largo tempo  sob  um regime  de opressão  às liberdades do indivíduo.&lt;br /&gt;Até agora,  não tenho  visto  nenhuma providência  do Conselho  de Segurança  da ONU  a fim de que   formule estratégias que venham salvar o povo da Síria das infâmias e da  estupidez de um quase Nero da pós-modernidade. O mundo democrático aguarda,  portanto,  urgentes medidas  partindo do Conselho de Segurança em direção à paz na Síria.Não podemos  cruzar os braços e assistir à violência diária de tropas do governo contra inocentes e indefesos  civis rebelados contra a prepotência e a barbárie.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-6571132214665514477?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/6571132214665514477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/01/um-quase-nero-na-siria.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/6571132214665514477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/6571132214665514477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/01/um-quase-nero-na-siria.html' title='Um quase Nero na Síria'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-4798483248877085307</id><published>2012-01-11T09:12:00.000-08:00</published><updated>2012-01-11T09:13:27.490-08:00</updated><title type='text'>As águas contra as terras</title><content type='html'>As águas contra as terras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                          Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                A mesma cantilena de sempre, sobretudo  da parte das autoridades municipais,  estaduais e federais. Chega o período das chuvas torrenciais, morrem as pessoas e só depois surgem  algumas providências.Porem, isso não basta. É obvio que toda ajuda é bem-vinda, quer dos governos, quer da iniciativa voluntária, das pessoas  generosas que muito dão de si em prol do bem comum. &lt;br /&gt;A tragédia brasileira das chuvas fortes do verão implica  outras causas, outros motivos, os quais não são vislumbrados com antecedência. Esta é a maior  parcela de culpa que atribuo  ao governo  federal, ao Ministério competente. Nenhuma ação eficaz e séria se toma. As verbas existem mas só vêm em cima da hora, quando a tragédia já aconteceu.O Brasil é um país que tem o péssimo  vício do improviso.&lt;br /&gt; No ano passado e em outros anos, a tragédia sempre tem sido  um acidente anunciado. Não  há pois,  planejamentos de alta envergadura para essas chuvas, essas inundações que  transformam  as pequenas, médias e grandes cidades em autênticas Venezas brasileiras, só que inundadas e com correntezas que  alargam os rios e invadem  as cidades sem clemência, derrubando o que encontra pela frente, causando mortes e transtornos  às populações, que perdem seus bens móveis e imóveis e, o que é mais  grave,  passam  a engrossar a fileira enorme de sem-teto. A televisão, nas reportagens in loco, dia a dia,  mostram os estragos incalculáveis  da fúria das águas. Só há desespero, choros,  tristezas.. “O que fazer?”, dizem as  as pessoas   afetadas, sem esperança alguma, sem saber o que fazer. &lt;br /&gt;Sua desesperança tem o sofrimento  atroz da fatalidade  que a natureza, indiferente,  imprime,  principalmente aos deserdados  da sorte.A população perde tudo o que acumulou em anos de trabalho árduo, de dinheiro  pingado, de sacrifícios  mil que,  de repente, mais do que de repente,  se esvai como uma bolha  de sabão.Sofrem o Rio de Janeiro, principalmente no  interior e na região serrana,  Belo horizonte,  o interior de Minas Gerais, sofrem outras cidades brasileiras no Centro-Oeste, no Nordeste. Deslizamentos de terras vindo dos  morros.Casas  construídas quase nas ribanceiras são as primeiras  a viraram  pó e lama. O  luto se agiganta. Bombeiros,  a Defesa  Civil, os sobreviventes, todos juntos,  arregaçam aas mangas e  vão à luta para  salvar vidas  e bens na medida  das possibilidades. As águas não param,  os  rios sobem,  saem das margens, invadem as cidades. Pessoas,  em geral  mais humildes,   sãos as vítimas que mais padecem. Ficam soterradas. O único recurso agora  é encontrar os corpos . Um trabalho hercúleo  dos bombeiros e de voluntários amigos.&lt;br /&gt;Não  é só  a visita de governadores ao lugar das tragédias que  irá  melhorar  esta  angústia coletiva. Lamentar tudo o que ocorreu é muito  pouco  e  inócuo. O que vale mesmo é procurar  estratégias que  resolvam  grande  parte desses males, a começar do  planejamento  urbano, da fiscalização rígida dos  espaços que não  podem ser construídos. No entanto,  as prefeituras não fiscalizam devidamente as ocupações do solo urbano ou  interiorano. E as construções,  em geral perto do perigo, lá se vão a todo o vapor. Uma atrás da outra, em cima,  embaixo,  na encosta, no morro,  perto da ribanceira,  em solo instável e inadequado. Campeia a improvisação, das famílias ávidas de ter uma moradia  própria ainda que  sob a mira do perigo, das intempéries. E o resultado ano a ano: as tragédias. A ponto de um ministro, que  mora  certamente   em casa confortável e luxuosa, ou apartamento, não sei,  afirmar : “Todos os anos vão morrer  pessoas em inundações.”  “Meu Deus, quanta fatalidade no pensamento do ministro!  Sabemos que a engenharia moderna  pode  reverter grande parte  dos males  das inundações e das chuvas  torrenciais. &lt;br /&gt;Os governos podem fazer muito neste sentido desde que tenham  o sentimento de solidariedade para com  as populações mais  pobres, embora saibamos  que a raiz dos problemas vem de dois lados. Primeiro,  da falta  de planejamento, como já acentuei, da fiscalização das construções,  proibindo essas  realizações em  lugares  de risco. Segundo,  o problema vem mais de longe, visto que está  intimamente  ligado às condições  alteradas do clima na Terra.Com o aquecimento  do planeta, com a evaporação mais e mais  intensa e constante, com o aumento  de poluidores em escala  global,  emissão gigantesca e criminosa   de CO2 , notadamente pelos países  ricos, alguns dos quais não aceitam  a diminuição dos agentes  poluidores,   piorando gradativamente   o efeito estufa, não é de se espantar que o nosso  planeta desequilibre suas condições  climáticas. Antigamente, se falava muito do período das secas no  Nordeste, causadora também de outro mal, a indústria da seca,  ação predatória de políticos que lucravam eleitoralmente com a manutenção  desse estado de coisas, agente   realimentador  da   miséria oficializada do flagelo das secas, tão bem  retratado  por alguns escritores, à frente Graciliano Ramos (1892-1953),  com a obra-prima Vidas Secas (1938).  Hoje,  já se tornou comum  no Sul do país  surgir as altas  temperaturas,   dias de seca e perda  consequente da lavoura. As periódicas  reuniões de cúpula de países  ricos, com suas discussões sobre a questões climáticas, ao que me consta,  não têm  feito  muita  coisa  para  resolver os gravíssimos  problemas   da poluição  mundial. Inclusive,  países como  os  Estados Unidos nunca  se dispõem a aprovarem as recomendações  dos signatários nestas reuniões. As advertências, contudo,  dos especialistas não têm sensibilizado algumas nações poluidoras.&lt;br /&gt;O planeta Terra,  através das reações da  natureza, estará cada vez mais  arriscando as  possibilidades  de sobrevivências das gerações futuras. Mexer com  as geleiras é brincar  com fogo. A conclusão que se tem é que as   condições meteorológicas perderam seu rumo e o resultado  está aí: inundações pelo  planeta  todo, destruição  de populações,  perda de bens materiais, desolação e choro em toda a parte,   prejuízos enormes para a economia.  Tenhamos  pena de nosso planeta antes que seja tarde demais e aprendamos a ouvir  a linguagem da Natureza  e os sinais  do tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-4798483248877085307?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/4798483248877085307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/01/as-aguas-contra-as-terras.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/4798483248877085307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/4798483248877085307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/01/as-aguas-contra-as-terras.html' title='As águas contra as terras'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-7563336212032881276</id><published>2012-01-10T15:23:00.000-08:00</published><updated>2012-01-10T15:28:14.010-08:00</updated><title type='text'>Um poema de Ben Jonson (1572-1637)</title><content type='html'>Um poema de  Ben Jonson (1637-1774)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Advice to a reckless youth&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;What  would I have you do? I’ll tell you, kinsman:&lt;br /&gt;Learn to be wise, and practise how to thrive&lt;br /&gt;That  would I have you do: and not to spend&lt;br /&gt;Your coin on every bubble that you fancy,&lt;br /&gt;Or every foolish brain that  humours you.&lt;br /&gt;I would not have you to invade each  place,&lt;br /&gt;Nor thrust yourself on all societies,&lt;br /&gt;Till men’s affections, or your  own desert,&lt;br /&gt;Should worthily invite you to your rank&lt;br /&gt;He that is so  respectless in his curses,&lt;br /&gt;Oft sells his reputation at cheap market.&lt;br /&gt;Nor would I you should melt away to yourself&lt;br /&gt;In flashing bravery, lest, while you affect&lt;br /&gt;To make a blaze of gen try to the world,&lt;br /&gt;A little puff of scorn extinguish it,&lt;br /&gt;And you be left like an unsavoury snuff,&lt;br /&gt;Whose property is only to offend.&lt;br /&gt;I’d ha’ you sober, and contain   yourself;&lt;br /&gt;Not that your sail be bigger than your boat;&lt;br /&gt;But moderate your expenses now (at first)&lt;br /&gt;As you may keep the  same proportion still.&lt;br /&gt;Nor stand so much on your gentility,&lt;br /&gt;Which is an airy, an d mere borrow’d thing&lt;br /&gt;From  dead man’s dust and bones; and none of yours;&lt;br /&gt;Except you make, or hold it.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           Conselhos a um  jovem   imprudente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que em orientação me pedes? Dir-te-ei:&lt;br /&gt;Aprende a seres prudente pelo  esforço feito&lt;br /&gt;Isso te peço com  segurança: O teu dinheiro &lt;br /&gt;Não gastes com qualquer coisa o  que à imaginação te venha&lt;br /&gt;Ou ouvidos dês a qualquer idiota que te importunar apareça&lt;br /&gt;A todos os lugares não  te aconselharia  entrar&lt;br /&gt;Nem a  ingressares em todas as sociedades &lt;br /&gt;A não que  dos homens as afeições ou a tua própria solidão&lt;br /&gt;Digno de teu nível social  te façam.&lt;br /&gt;Quem por seus atos  não merece o respeito&lt;br /&gt;A reputação por bem pouco amiúde vende.&lt;br /&gt;Igualmente a dissipares não te aconselharia&lt;br /&gt;Em efêmeras bravuras, a fim de que, enquanto aparentas&lt;br /&gt;De fidalguia menor ao mundo  alarde  fazer,&lt;br /&gt;Um leve sopro  de escárnio não a dissipe&lt;br /&gt;E a um rapé insosso te reduzas,&lt;br /&gt;Cuja propriedade apenas para a ofensa seja.&lt;br /&gt;Antes  sóbrio e contido te quero&lt;br /&gt;Não indo além  do que suportas.&lt;br /&gt;Porém,  primeiro,  em teus gastos não te excedas&lt;br /&gt;Porquanto  manter intacta  a mesma proporção bem podes.&lt;br /&gt;Demorar-te tanto em  gentilezas tampouco deves,&lt;br /&gt;As quais  são  algo  superficiais e meros empréstimos oriundos&lt;br /&gt;Do pó e dos ossos  mortais, e não do  real ser,&lt;br /&gt;Salvo se as construíres ou de berço vierem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     (Trad. de Cunha e Silva Filho)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-7563336212032881276?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/7563336212032881276/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/01/um-poema-de-ben-jonson-1572-1637.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/7563336212032881276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/7563336212032881276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/01/um-poema-de-ben-jonson-1572-1637.html' title='Um poema de Ben Jonson (1572-1637)'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-9198027951993692732</id><published>2012-01-07T15:54:00.000-08:00</published><updated>2012-01-07T15:55:39.584-08:00</updated><title type='text'>De  benefícios, malfeitos a malefícios se constrói um país</title><content type='html'>Nota introdutória:&lt;br /&gt;Prezados leitores;  Tendo felizmente encontrado um tempinho para escrever meus textos sem prejuízo  de pesquisas que estou fazendo,  volto com  satisfação a esta coluna com mais uma matéria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De benefícios, malfeitos e malefícios se constrói o país&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  O Brasil – país do futuro -  é mesmo surpreendente em tudo, até no que não  presta, no que está errado, no que é injusto, no que confunde,   no que não dá certo. O país se faz de amálgamas do bem,  do mal e  do bem e do mal ao mesmo tempo, porquanto o bem para alguns é o mal para outros, e o mal para outros mais  é o bem para outros mais. Nessa cadeia de oposições o país se vai  desenvolvendo a ponto de ser agora a sétima economia do mundo e o 84º  em bem-estar  social. &lt;br /&gt;Em todos os aspectos por onde o consideramos,  o país  se mostra  camaleônico, maleável, relativizado. Na política é  que mais  nitidamente   assumimos os contrastes e os confrontos. &lt;br /&gt;O Poder Legislativo, Câmara e Senado, por exemplo,  se concedem  aumentos salariais sem que haja o aval do Presidente, enquanto o Judiciário, para ganhar salários mais altos,  depende da aprovação do Executivo. No extremo, sem voz e nem vez,   o funcionalismo  público federal fica à mercê do que o Presidente da República, com base na Constituição,   determine  reajustes, ou seja,  fica  sujeito à vontade  soberana do Chefe da Nação. Este cumpre ou, infringindo a Carta Magna,  descumpre qualquer  possibilidade  neste sentido. Como no  país costuma-se  copiar o que alguém faz,  é bem provável que os empresários não deem reajuste   aos seus funcionários, ou, quando o fazem,  dão migalhas  ao  empregado-povão, assim como  o prefeito e o governador,  acompanhado os passos e as decisões do governo federal,  tampouco  concedem  reajustes  aos  barnabés.Enquanto isso,  o legislativo estadual e os vereadores, tal como os congressistas,  usando  da força da lei, também são favorecidos com  o aumento de seus  salários.&lt;br /&gt;Ora,  país como  este melhor não há. Um povo generoso,  pacífico, cordato, bem-instruído e com  as melhores condições  de bem-estar social deste mundo,  nada faz, a não ser falar mal  de políticos pelas costas, o que significa  gastar  o latinório à toa. Esta estrutura do Estado  brasileiro funciona  maravilhosamente, já que o Presidente da República passa por cima da lei e tudo fica  por isso mesmo.&lt;br /&gt;Em São Paulo,  numa determinada  rua  da capital,  numa espécie de  letreiro,  o impostômetro não cessa  de  crescer em  velocidade da luz,  acumulando reais para o Tesouro   brasílico. A Casa da Moeda nem deve ficar tão apreensiva com  o sinistro de que foi vítima  há pouco,  pois  a dinheirama gigantesca vai certinha para  Brasília. &lt;br /&gt;Com a aprovação da DRU, nem se fala, tudo fica por conta  dos humores  da Chefe da Nação. Vinte  por cento  do Orçamento  para ser destinado a   qualquer eventualidade e sem ter que dar explicações ao povo não é – para o governo federal -,  algo sem cabimento nem racionalidade. Entretanto,  tal ação do governo  federal deixa qualquer cidadão brasileiro de orelha em  pé. Estas idiossincrasias da administração  pública são, por si mesmas,  absurdas e carregam em si  resquícios de prepotência política e de mandonismo, i.e.,  ferem a constitucionalidade e integridade moral  do governo federal. &lt;br /&gt;Falta ao  povo brasileiro amadurecimento  político,   consciência clara de seus direitos e das obrigações  do Estado para com  ele. Basta dizer,  por exemplo,  que,  quando  ocorre um incidente mais grave, ou mesmo uma tragédia, causados, na maioria das vezes,  por má gestão em concessões de serviço público, como   linhas férreas,  embarcações,  rodovias, entre outras,  as pessoas comuns,  geralmente  ignorantes dos seus  direitos,  nem mesmo sabem  a que órgão, a que setor, dirigir  suas reclamações ou  suas críticas, não sabendo elas tampouco  que aquelas concessões foram  dadas, por tempo determinado,  pelos governos  municipal,  estadual ou federal. Assim sendo, os reais  responsáveis são  poupados por mero desconhecimento do povão com respeito ao funcionamento da máquina do Estado.  Por isso,  choram,  praguejam, se desesperam e nenhuma  revolta ou  indignidade  manifestam contra as autoridades. E, desse modo, se vão reelegendo maus prefeitos,  governadores,  presidentes etc.  É disso que vive e se alimenta  o  Estado brasileiro, conhecedor  esperto  da ideologia   dominante de que se fazem  porta-voz  invisível.&lt;br /&gt;No jogo político, no qual quase nunca  existe  fair play, muito ao contrário,  as práticas  continuam se aprofundando  no sentido de que  a chamada a corrupção que se alastra pela  pátria brasileira não tem  recebido o tratamento  correto da parte  da Presidente Dilma. Desde o tempo  de “malfeitos”, termo que, se  não me engano,  foi  pela primeira vez empregado  pela  Presidente e, agora,  virou moeda corrente no discurso  político petista e até não petista, da era  Lula,  culminando com  o famigerado  “Escândalo do Mensalão” e continuado de certa forma pelas denúncias  de corrupção  no alto escalão do atual  governo, o que se viu de Lula e tem se visto de  Dilma é uma espécie de refutação  dos constantes  “malfeitos”  fecundados  por alguns membros  no corpo  político  do governo federal. Inclusive, como agravante,  é o fato de  afirmações  da Presidente em defesa  de seus ministros e de  seus ex-ministros expurgados de suas funções   não pela vontade dela e sim, conforme dizem os jornais,  pela pressão  da imprensa.&lt;br /&gt;O que não se concebe como   iniciativa do governo federal é permitir que preços  de diversos itens,  incluindo  produtos  alimentícios e  farmacêuticos, sejam majorados e não cessem de crescer sem que  os salários  do funcionalismo  público  se recomponham por aumentos salariais  anuais, quer dizer,  os aumentos sucessivos  vão  minando os  salários, arrochando-os como se vivêssemos  com  sérios  problemas de caixa. Os cofres  do Tesouro estão abarrotados de dinheiro e não será um pequeno reajuste salarial  anual, para compensar as perdas da inflação,  que nos levará à bancarrota de países europeus,  cujas crises  foram  provocadas  pelos  desmandos dos   próprios  países, seja nos  EUA, seja na Europa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-9198027951993692732?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/9198027951993692732/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/01/de-beneficios-malfeitos-maleficios-se_9491.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/9198027951993692732'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/9198027951993692732'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2012/01/de-beneficios-malfeitos-maleficios-se_9491.html' title='De  benefícios, malfeitos a malefícios se constrói um país'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-6014996327395693072</id><published>2011-12-09T08:26:00.000-08:00</published><updated>2011-12-09T08:28:56.104-08:00</updated><title type='text'>Comunicado</title><content type='html'>Comunico ao meus leitores que,  durante três meses, estarei afastado deste  Blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cunha  e Silva Filho&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-6014996327395693072?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/6014996327395693072/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/12/comunicado.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/6014996327395693072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/6014996327395693072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/12/comunicado.html' title='Comunicado'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-146896565696412326</id><published>2011-12-07T11:53:00.000-08:00</published><updated>2011-12-07T11:54:56.851-08:00</updated><title type='text'>Ter  livros em casa ou não tê-los: eis o dilema</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Não são boas as notícias sobre o destino dos livros que possuímos. Algumas delas falam em brigas  de casal por causa de excesso de livros num dos cômodos, ou nas dependências de empregada, já que  estas estão sumidas do poder econômico da classe média ou  média baixa ou sei lá em que se transformou a designação  da  pirâmide social, hoje preferindo  rotulações  que me soam  um tanto  cabalísticas ou  mesmo  esotéricas: classes  a, b, c, d, e ...  Nunca vi país mais chegado  à virtual  divisão de estratos  sociais  quanto o nosso. Mas, leitor,  esse não é bem o  ponto central desta crônica. O que  quero  pôr em discussão, ou senão em forma  de monólogo, ou no mínimo num incerto diálogo, é o destino,  triste sina, dos livros de que dispomos em nosso  “Home, home, sweet home”, ou  no “My home is my castle,”  como preferem os ingleses  muito inclinados aos jardins  tão bem cuidados e de  fazer inveja.&lt;br /&gt;Sei de um amigo que já em parte se separou  dos seus  amados  volumes   adquiridos em tantos anos  de leitor compulsivo; sei de outro  que está destinando parte de sua biblioteca a uma  biblioteca  pública; sei de outro que, aos poucos,  está  doando livros que já foram lidos  e, muitas vezes,  relidos. Sei de outros  que andam também  com a mesma ideia de  ter que se separar de seus bem-queridos  livros adquiridos  em longos anos  em volumes que chegaram a compor uma modesta  biblioteca  privada. &lt;br /&gt;Uma vez,  estava numa velha  livraria de sebo quando  um senhor magrinho, baixinho, chegou-se até ao livreiro e lhe perguntou se queria  comprar algumas  coleções  inteiras de grandes autores  da literatura  universal. Este mesmo senhor,  dirigindo-se também  a mim, perguntou se eu também queria  comprar-lhe alguns volumes e foi  direto me  passando, numa espécie de cartão de visita,  o endereço  e  o telefone. Guardei o cartão  por algum tempo, contudo,   não sei como,  terminei  perdendo o cartão e a possibilidade de ir procurar aquele senhor  magrinho com cara  de leitor voraz.&lt;br /&gt;Dessa  experiência com  notícias sobre   descarte de  livros,  aprendi uma lição:  a pessoa que  consegue ter uma  média ou grande  biblioteca,  em determinada  época do balanço da vida,  resolve  livrar-se  dos próprios livros. As razões são  múltiplas e, muitas vezes,  inconfessáveis: tédio  da vida,  sentimento de quem  acha que morte está  se aproximando com  o peso dos anos,  tirar algum  ganho por necessidade num tempo em que a aposentadoria  ficou corroída com os anos, certeza de que não terá mais  tempo e  paciência para reler aquela montanha de livros,  motivo de mudança de uma casa  para um apartamento  ou para uma casa menor, onde não haverá  espaço  suficiente  para  caber  tantos livros.&lt;br /&gt;No meu caso,  me situo numa  experiência diferente e talvez única. Muitos  livros que tinha, assim como  coleções de jornais, de revistas de material,  de anotações, ou melhor arquivos  com  centenas  de folhas, livros didáticos que gostaria de ter comigo  para sempre, com   tantas mudanças que fiz, foram se perdendo para  enorme  tristeza  minha. Se existe algo que me entristece  é perder  um livro de que gosto. Uma vez – se é que não estou me repetindo -, fiz uma crônica, dolorosa  crônica lamentando a perda de um livro. O mesmo vale para coleções  de  suplementos  literários,  como  os do JB, do Globo, da Folha de São Paulo,  da coleção de revistas do Piauí, da coleção do Jornal  de Letras dos irmãos Condé,  da revista Forum,  excelente  publicação  americana  para  professores de inglês,  da coleção da revista  Contato, da Cesgranrio, da coleção Plain Truth,  nos áureos tempos do Pastor americano  Armstrong, que lia a fim de  melhorar meu  inglês, de obras de autores  piauienses,  da coleção de artigos de meu pai publicados durante  décadas  em  alguns  jornais do Piauí, de coleção de artigos meus antigos remontando a 1963, muitos exemplares dos quais perdi pela vida afora.&lt;br /&gt;O fato é  que fui perdendo muitos livros,  mas, aos poucos, sentindo as dores em doses menores, porque o mais lamentável é perder todos os livros de um só vez, assim como  é profunda a dor de perder os originais de um livro que nos deu tanto trabalho, canseira  - e por que não! – alegria de escrever. Uma vez,  o contista  João Antônio (1937-1996), tendo  escrito Malagueta, Perus e Bacanaço (Civilização Brasileira, 1963),  considerada  sua obra-prima, teve a desdita de perder os originais que foram queimados em um incêndio. O pobre e talentoso contista teve que reescrevê-lo  todinho, aproveitando o espaço de um biblioteca em São Paulo.  Foi um milagre o havê-lo reescrito.  Como,  pergunto eu,  teria sido mesmo  a primeira versão? Não é possível que a recomposição tenha sido cem por cento a mesma. Já me aconteceu de haver escrito um  texto longo no computador  e, de repente, or deslize meu de não o ter  salvo,  perdê-lo, sendo forçado a  refazê-lo de forma diferente e, a meu  ver,  inferior,  à versão  primeira.&lt;br /&gt;Para quem ama na verdade os livros,  separar-se deles é uma tormento,  uma realidade que passa a ser angustiante, sentimento de  desvalia,  de carência,  de desgosto,  de abandono. A vida é mesmo cheia de perdas constantes.  Os livros são como pessoas  queridas,  animais   domésticos que estimamos e tratamos como se fossem um  ser humano. Ao perdermos  livros,  perdemos parte de nosso  universo  afetivo, o que nos deixa num  vazio  inconsolável, sobretudo quando   decididamente  sabemos que não mais  voltarão para nós.&lt;br /&gt;Assim, venho me desfazendo, por mera falta  de espaço, de alguns velhos   livros, companheiros que me têm  acompanhado por longos anos. Invejo,  pois,  aqueles que têm à disposição um lugar separado em que possam  ser guardados  a salvo do descarte. Sei que sou mesquinho   quando  não  pretendo  me desfazer  de algumas obras que foram  compradas com sacrifício, que foram  encontradas  por sorte em sebos. Triste e sombria  cena presenciarmos  o desmonte de uma   vetusta biblioteca, cujos  volumes vão parar numa lixeira,   enxotados que foram  por herdeiros que não amam  os livros e nem se interessam  por determinada área do conhecimento  artístico,  literário,  científico. &lt;br /&gt;Sabemos  igualmente que não lemos todos os  livros que temos  conosco.  Todavia,  eles estão lá nas prateleiras, ao nosso alcance,  para qualquer dia  ser objeto de nossa  leitura. Muita gente pensa que quem tem  uma grande biblioteca   leu  todos os  volumes ali contidos. Já ouvi alguém afirmar  que o prazer do bibliófilo é possuir  seus livros,  pouco  lhe importa se não ler  todos eles. Cada livro tem o seu momento de leitura. Poderá ser hoje, amanhã, daqui a anos. O deleite  é tê-los lá nas inúmeras  estantes, prontos para serem  buscados,  escolhidos,  lidos  e admirados.&lt;br /&gt;Os livros, na biblioteca, explicam  gostos e  preferências de seus  donos. São pistas indicativas da formação  de um indivíduo. Em silêncio,  dizem muito  de quem os coleciona. Da mesma forma,  os livros   iluminam aspectos da  biografia  de seus donos. Por isso,  é tão traumático para alguém  ter que  se separar de seus livros. Ninguém, em sã consciência,   estimaria  perder um  único livro  de  seu acervo particular. Se isso acontece é porque alguma coisa  anda errada entre os moradores de uma casa, ou apartamento, onde existe uma  biblioteca. A angústia  do possuidor de uma biblioteca é a incerteza que nele paira sobre o destino  que  terão seus livros quando  não mais  estiver  entre  os mortais.&lt;br /&gt;Enquanto  puder, leitor,  preserve os seus  livros, lendo-os, amando-os, cuidando bem deles, e, quando não mais  o puder,  doe-os ou venda-os  a quem  deles precisa, seja  uma pessoa física,  seja um  instituição privada ou  publica. Se possível, faça um testamento  expressando  claramente  a quem  destinará  seus livros, com quem  ficará ou o que será feito deles na forma  legal. Que, enfim,  seus livros, sua biblioteca tenham um tratamento à altura de sua importância para a cultura  do saber democraticamente  divulgado e compartilhado. Só assim a angústia dos bibliófilos  talvez fique mais  aplacada ante  a dor da separação..&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-146896565696412326?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/146896565696412326/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/12/ter-livros-em-casa-ou-nao-te-los-eis-o_07.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/146896565696412326'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/146896565696412326'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/12/ter-livros-em-casa-ou-nao-te-los-eis-o_07.html' title='Ter  livros em casa ou não tê-los: eis o dilema'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-5334709679802389412</id><published>2011-12-03T01:52:00.000-08:00</published><updated>2011-12-03T01:55:39.091-08:00</updated><title type='text'>Um Natal quase na solidão</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Naquela velhíssima  Casa de Estudante da Rua Senador Pompeu,  chamada  CESB (sigla para Casa do Estudante Secundário do Brasil), Centro do Rio de Janeiro, ano de 1965,  para onde fui  graças à bondade de um amigo de Amarante que nunca mais vi, e sobre o qual nem mesmo sei se ainda  vive no Rio ou se  voltou ao Piauí.  Infelizmente, nunca mais soube dessa criatura  séria  e  solidária. Só espero que tenha sido  muito feliz na vida.&lt;br /&gt;Eu me preparava  para o vestibular da Faculdade Nacional de Filosofia,  curso de Letras. Como não tinha dinheiro  para pagar o chamado  curso pré-vestibular, a única saída que encontrei era estudar sozinho confiante  também no meu  preparo trazido  das escolas  de Teresina.&lt;br /&gt; O exame do vestibular era realizado pela própria  faculdade   escolhida e constava  de três  provas: língua  portuguesa,  língua  latina e língua inglesa, esta última  compreenderia uma prova oral, um ditado,  e uma prova escrita. As provas escritas, todas discursivas. As questões eram difíceis. A de latim  abrangia tradução para o português seguida de questões  gramaticais. Não foi  fácil.  Os examinadores apertavam  na rigidez da correção. Preparei-me durante quase um ano e como local  de estudos, usava a Biblioteca  Demonstrativa “Castro Alves,” na Rua Treze de Maio, também no Centro. Parece-me que a biblioteca pertencia  ao Instituto Nacional do Livro. Era excelente, tinha um bom acervo no campo das letras,  bons dicionários,  boa bibliografia  em filologia, gramática portuguesa, literatura portuguesa,  brasileira,  universal, alguns bons  livros didáticos  de  língua inglesa, de latim. Essa biblioteca não mais existe  no antigo  endereço. Disseram-me que o seu acervo  havia sido transferido  para uma anexo da biblioteca do  Colégio Pedro II. Não sei se em São Cristóvão ou em outra unidade deste Colégio. Foi uma pena  terem acabado com ela.&lt;br /&gt;Certo é que, na Casa de Estudante,  aos sábados e domingos,  ficava   estudando numa  mesa grande  da  sala  principal  desse precário prédio.&lt;br /&gt;Comigo  também,  no mesmo  horário, compartilhavam da mesa dois colegas  que se preparavam  para  o vestibular. Um, o Marinho,   iria  fazer exames  para engenharia; um outro - o nome dele não me ocorre agora -,   para  medicina. Ambos eram, como eu,   jovens  pobres vindos do  interior para a grande cidade  carioca. Eram bons em matemática, estudiosos e de bom caráter. A Casa naqueles dois anos quase  que lá passei,  abrigava  uns  vinte  jovens,  a maioria de idade  próxima. Mas, havia deles que eram bem mais velhos  do que eu,  aproximadamente de vinte e quatro a  não mais de trinta anos. No geral,  todos se davam  bem e mantinham  bom convívio.&lt;br /&gt; Um  outro colega já era  estudante  do segundo ano de engenharia  da UFF (Universidade Federal Fluminense),  de cujo  nome não me lembro mais,  sabendo  que todos os outros  moradores  iam  passar o Natal  em algum  lugar, e vendo que eu não tinha  para onde  ir passar  o Natal,  chegou-se até a mim e me disse: “Francisco, estou  te  convidando para no sábado, que é Natal, almoçarmos    juntos. Você não vai  pagar nada, tudo  por minha conta, sim?” O convite inesperado  encheu-me de  alegria incomum. Aceitei de imediato. Meu  colega e amigo se defendia dando  umas aulas particulares  em cursinho de  pré-vestibular, aulas particulares. Assim,  ia se defendendo.&lt;br /&gt;O nosso almoço  natalino  foi num restaurante da  antiga Mesbla,  na Cinelândia,  coração do Rio de Janeiro. Tudo transcorreu  muito bem. Conversamos  muito e  eu particularmente   estava muito  contente com   a companhia  daquela  amigo. Era um jovem  moreno,  magro,  de estatura média, cabelos   meio crespos,  de olhar compenetrado, educado, sério,  estudioso. Naturalmente,  percebendo  a minha solidão,  a minha  falta de dinheiro e sabendo, por observação,  que eu era estudioso  e com bom relacionamento  com  os moradores, logo pensou  em  conseguir uma forma  de  me tirar  da solidão e do isolamento  do sagrado feriado  natalino. Foi o que fez   o meu  amigo  estudante de engenharia que, hoje,  se for  vivo,  deve estar  também aposentado após ter seguramente  exercido com dignidade  a sua  nobre  e  profissão.  &lt;br /&gt;Se não fosse ele,  o meu Natal de  65 seria  um desastre. Não tinha aonde  ir, nem me atrevia a   passar – sem ser convidado -  na casa de algum parente que morava  no subúrbio. Naquele  período,  deixei de frequentar  casa de parente. Amargar um Natal sozinho no velho prédio da CESB era a última coisa que queria.  Por isso foi tão providencial  o convite do meu  colega  de moradia. Principalmente,  porque esse feriado  sempre me fora especial no tempo  em que estava  com meus pais lá em Teresina,  com um Natal  e a galinha assada esplendidamente  preparada  por mamãe. &lt;br /&gt;Com hoje está tudo tão distante!  Não,    porém,   sem as imagens daqueles anos  de infância e adolescência, nem  sem  o badalar dos sinos da Igreja de São Benedito à meia-noite para a Missa do Galo. Não,  porém, sem  a alegria da  ceia natalina,   ouvindo as vozes  queridas de papai e de mamãe e o burburinho álacre   das vozes  dos meus   irmãos. Tudo se foi com o tempo. Tudo se foi com o silêncio e a eternidade querida daqueles que me deixaram  na orfandade física e na orfandade da  memória. Foram-se  contra a minha vontade,  mera vontade de um simples  vivente também marcado  com a natureza  do efêmero.&lt;br /&gt;Aquele almoço no restaurante  da Mesbla com  o jovem  estudante de engenharia foi mesmo  um presente  de Natal que, de certa maneira,  vinha suprir  o vazio  de minha imensa  solidão na grande cidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-5334709679802389412?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/5334709679802389412/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/12/um-natal-quase-na-solidao_03.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/5334709679802389412'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/5334709679802389412'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/12/um-natal-quase-na-solidao_03.html' title='Um Natal quase na solidão'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-4138673354057896094</id><published>2011-12-01T05:40:00.000-08:00</published><updated>2011-12-01T05:41:46.960-08:00</updated><title type='text'>Um poema de Stéphane Mallarmé (1842-1898)</title><content type='html'>Cantique de Saint Jean&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Le soleil que sa halte&lt;br /&gt;Surnaturelle exalte&lt;br /&gt;Aussitôt redescend&lt;br /&gt;    Incandescent&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Je sens comme aux vertèbres&lt;br /&gt;S’éployer  des ténèbres&lt;br /&gt;Toutes dans un frisson&lt;br /&gt;   A l’unisson&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Et ma tête surgie&lt;br /&gt;Solitaire vigie&lt;br /&gt;Par les vols triomphaux&lt;br /&gt;   De cette faux&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comme rupture  franche&lt;br /&gt;Plutôt refoule ou tranche&lt;br /&gt;Les anciens désacords&lt;br /&gt;   Avec le corps&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qu’elle de jeûnes ivre&lt;br /&gt;S’opiniâtrre à suivre&lt;br /&gt;Em quelque bond hagard&lt;br /&gt;  Son pur regard&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Là-haut où la froidure&lt;br /&gt;Solitaire n’endure&lt;br /&gt;Que vous la surpassiez&lt;br /&gt;  Tous ô  glaciers&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais selon um bvaptême&lt;br /&gt;Illuinée au même&lt;br /&gt;Pricipe que m’élut&lt;br /&gt;  Penche um  salut.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cântico de São João&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol que a altura&lt;br /&gt;Sobrenatural  exalta&lt;br /&gt;Logo desce e volta&lt;br /&gt;   Incandescente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto-me como se as vértebras&lt;br /&gt;Se abrissem em trevas&lt;br /&gt;Num calafrio&lt;br /&gt;   Único&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desponta a minha cabeça&lt;br /&gt;Vigia solitária&lt;br /&gt;   Desta  foice&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como ruptura transpõe&lt;br /&gt;Antes reprime ou corta&lt;br /&gt;Os antigos  desacertos&lt;br /&gt;  Com o corpo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que ela ébria de jejuns&lt;br /&gt;Não ceda seguindo&lt;br /&gt;Com algum salto  insensato&lt;br /&gt;   Seu puro  olhar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá nas alturas onde a friagem&lt;br /&gt;Solitária não suporta&lt;br /&gt;Que vós a ultrapasseis&lt;br /&gt;Ó geleiras inteiras&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo, porém, um batismo&lt;br /&gt;Iluminada pelo mesmo&lt;br /&gt;Princípio  que me escolheu&lt;br /&gt;Se  inclina numa saudação&lt;br /&gt;                                        &lt;br /&gt;                       (Poésies)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                  (Trad. de Cunha e Silva Filho)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-4138673354057896094?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/4138673354057896094/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/12/um-poema-de-stephane-mallarme-1842-1898_01.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/4138673354057896094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/4138673354057896094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/12/um-poema-de-stephane-mallarme-1842-1898_01.html' title='Um poema de Stéphane Mallarmé (1842-1898)'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-429469214826096705</id><published>2011-11-29T06:39:00.000-08:00</published><updated>2011-11-29T06:48:23.404-08:00</updated><title type='text'>O país é violento</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                    A esta altura da vida  –  e eu já vivi um bom pedaço dela ¬¬ -  não temo expressar uma opinião, a de que o Brasil  é violento em muitos aspectos da sua vida social: no trânsito, nos transportes, na rua, na política, na vida comunitária,  no trabalho, na  escola, na universidade,  nas repartições, nos relacionamentos interpessoais, na família,   entre famílias, entre religiões, nas prisões, no campo, na cidade.  A lista é,  pois,  imensa.  Violência que explica ser  o  país um dos que mais  detêm  prisioneiros no mundo. Nossas  cadeias estão entupidas, nossos presídios, idem. &lt;br /&gt;Imagine o leitor que   o número de  presos  aqui  ainda seria muito maior se não houvesse a impunidade nos seus vários segmentos  sociais e em suas diversas instâncias do governo. A impunidade – terrível  contradição -  está às avessas  até prestando um  “auxílio” ao sistema  carcerário, já que não existem  vagas suficientes  para  milhares de  criminosos soltos espalhados  por aí.&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo em que esta contradição  na qual a impunidade atualmente  “evita”  o crescimento de presos nas delegacias  e  presídios, a violência  tende a crescer assustadoramente. Ante  esta realidade  complexa, a  sociedade brasileira  se vê encurralada e refém dos delinquentes de todos os tipos, de tal sorte que  o Estado   brasileiro se encontra encalacrado, quase  impotente   na tentativa de  buscar  formulações  inovadoras  para atacar  a questão de frente. O que os meios de segurança  fazem são apenas remendos que não servem  para  solucionar  os graves dilemas de um país  atravessado  pelo seu mal maior: a violência.&lt;br /&gt;Quem acompanha  os programas de televisão  que se dedicam  a  fazer  reportagens sobre a violência  brasileira  sabe a quantas anda este  flagelo nacional.&lt;br /&gt;Afirmar   que nosso  povo  é pacífico, cordeiro,  cordato, ordeiro seria   encobrir a realidade dos fatos  de nossa  história  social. Diariamente,  somos  bombardeados  por  notícias nos jornais,  televisões, rádios e outros  meios  de comunicação relatando  atos  cruéis,  covardes  e hediondos  praticados  por brasileiros de tal maneira que hoje em dia,  por qualquer motivo fútil,  um individuo  assassina  friamente  um outro, foge  e transforma frequentemente o seu ato homicida em impunidade. Outras vezes,  um criminoso  em potencial, dirigindo  irresponsavelmente seu carro,  atropela  inocentes e, na delegacia,  paga  fiança e é  liberado.Outra vezes ainda  o  criminoso nunca   é  descoberto mesmo  após  investigações  policiais.&lt;br /&gt;Um psiquiatra ou sociólogo, não me lembro  bem,  na televisão,   admitia  que o recrudescimento da  violência brasileira  atingiu  níveis tão elevados  e com  altíssima frequência  que já se poderia  falar  que estamos  vivendo uma fase intolerável de   “patologia  social.”&lt;br /&gt;Esta realidade social deformada que se criou por  diversas razões – negligência do poder  público, impunidade, conivência  entre deliquentes e  instituições de segurança, polícia  corrupta e homicida de braços  dados com  a criminalidade,  trafico de drogas,  armamento  contrabandeado através de nossas  frágeis   fronteiras com os países  vizinhos, entre   outros -  é que  tem  que ser  objeto   prioritário  da segurança  nacional através de seus principais órgãos públicos, desde os Ministério da Justiça, Polícia Federal, delegacias  estaduais, polícia civil até  organizações  privadas que se interessam  pelo bem-estar  da sociedade civil. Nessa luta  pela   diminuição da violência no país  todos os brasileiros  devemos estar  profundamente envolvidos.&lt;br /&gt; O Estado  brasileiro  não  resolverá sozinho  esta questão crucial porquanto  na violência  estão  embutidas  outras  questões decisivas e complementares   no processo de encaminhamento  de  sugestões,  recomendações e  estratégias que bem poderão  ser buscadas na  melhoria  de nosso sistema de educação, na melhor qualidade de nossas escolas  públicas e privadas e sobretudo no seio da família. Desta  célula social muito depende a  melhoria  de  padrões  e comportamentos  morais e éticos, com  dobrada atenção na  criação dos filhos, na orientação destes e nos exemplos do bom  relacionamento  entre  os pais de família, sem cujo alicerce sólido, no seu conjunto geral,  a  “família amplificada,” na metáfora criada por Rui Barbosa (1849-1923) para definir  a pátria (Oração aos moços),   não terá  uma referência  digna de ser seguida pelos seus  rebentos. Tal comportamento que se exige dos pais nada tem  de  retrógrado nem   está dissociado da contemporaneidade. Sei que vivemos uma realidade bem diferente  de décadas  atrás. Não é o nível social  da família  que  responderá  pelos fracassos dos filhos, pois encontramos   felicidade  e honradez ainda nas famílias  mais   desfavorecidas.&lt;br /&gt;“In medio consistit virtu” (“A virtude está no meio”) costumava   dizer  meu  pai, repetindo    a máxima latina  A família  pode viver os tempos atuais  cibernéticos em paz se exageros  e permissividades não forem  consentidos  pelos pais. Para  que a cadeia  entre  pais, filhos e netos tenha sucesso do ponto de  vista  moral,  cumpre que  os pais  cuidem de suas  responsabilidades para com os filhos, ensinem  a eles o caminho do Bem,  das boas virtudes,  da solidariedade,  do respeito  aos semelhantes, aos amigos,   aos colegas, aos mais idosos em que qualquer  parte ou local  em que  os filhos   puderem  ser úteis, cordiais, civilizados. Por isso,  considero  a família   e a escola os dois  principais  pilares  na formação  do cidadão  de bem, do homem íntegro, do indivíduo  pronto a  exercer, segundo  sua  competência e qualificação,  uma função, um cargo,  uma responsabilidade  na sociedade.  No binômio família-escola,  vislumbro  um mundo  menos  violento para a humanidade&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-429469214826096705?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/429469214826096705/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/11/o-pais-e-violento_9660.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/429469214826096705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/429469214826096705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/11/o-pais-e-violento_9660.html' title='O país é violento'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-3953158219873888120</id><published>2011-11-25T16:30:00.000-08:00</published><updated>2011-11-25T16:32:04.675-08:00</updated><title type='text'>A casa no tempo</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No   bairro*,  sempre   que  por  ali passo,  vejo a velha  casa (aliás, antigo hábito meu,  gosto de ver  casas antigas, sua  data de construção nas portadas  e de associá-las à história de seus  moradores e, por sua vez, à história  da cidade), ou melhor, o  velho sobrado fechado a cadeado. Olho para o seu  frontispício e não encontro a data que marcou  o término de sua  edificação. Contudo,  pelo seu aspecto exterior,  pela cor encardida de suas paredes, pelo batente de seu pequeno  pórtico,  tudo respira o ar  dos anos iniciais do século  XX, cuja realidade não vivi, mas que me vem pelo que possa  deduzir de fotos, de filmes e de livros  de época.. Talvez date da primeira metade da  década de  dez, se tanto.&lt;br /&gt;      Sem ninguém  que me possa atender pela entrada por aquele  portão  de ferro carcomido  pela  ferrugem, já sem  cor,  penso nos primeiros  dias  em que  foi habitado. Sinto   ímpeto de  bater à porta, logo do lado direito  interno do  pórtico. Será que alguém   me vai  receber? Será que, ao me receber, serei um persona non grata que ali  estivesse apenas  para  importunar os invisíveis moradores, ou ainda existe alguém que lá more e, com mais de cem anos,  não pode caminhar e sair à rua? Talvez, quem sabe,  seja um antigo comendador do  Rio antigo, descendente de  espanhois que desembarcaram no  porto do Rio  no final do século XIX? Nunca se sabe.&lt;br /&gt;Toda vez que passo pelo decadente  sobrado, me vem esta  mesma ideia, esta  mesma vontade de entrar  lá e conversar com  seus  moradores, ou apenas com um  único   morador  sobrevivente ao tempo. O aspecto fantasmagórico do  prédio  me assusta se por ele  passo à noite. Paro um pouco à sua frente,  procuro  distinguir algum som, alguma voz,  ou mesmo um grito  ou  som  abafado, quem sabe, uma conversa com dois enamorados no aconchego da alcova, na intimidade de sua  vida  amorosa.&lt;br /&gt;Já me disseram que lá viveu um  casal  Um belo  e feliz casal. Ele,  um capitão  do Exército; ela, um  professora formada  no Instituto de Educação, da Mariz e Barros. Isso era nos anos  50 do século  passado. O destino do  casal  não foi  feliz: o capitão, ao  passar um dia por uma rua do seu bairro, tarde da noite,   a poucos metros de seu lar,  fora surpreendido  por um facínora que lhe apontou  uma arma , um trinta e dois, e lhe pediu que entregasse tudo que tinha  na carteira. O capitão,  ainda moço e forte,   se atracou  com o  ladrão e,  na luta para desarmar este,  a arma  disparou na confusão e foi atingir  em cheio o peito do militar. Morte  instantânea. Desde a perda  do marido  querido,  a professora começou a dar sinais  de  enlouquecimento. Não quis mais sair de casa, não recebia ninguém. Praticamente,  se  transformou  numa alma penada que era ouvida soltando  gritos desesperados  clamando, desvairada, pelo nome do  seu grande amor.&lt;br /&gt;Outras  estórias  trágicas contam-se de moradores  do sobrado  em tempos  diferentes. Cheguei, depois de investigações pessoais junto  a vizinhos  do sobrado e do bairro,  que no sobrado  não morou um  único  vivente  que tivesse  sido  feliz. O prédio  era a  personificação da tragédia. Dizem que será demolido para, no seu lugar,   construir-se uma   prédio   de  dez andares.&lt;br /&gt;Ontem mesmo  passei  pelo  velho  prédio. Era uma  noite um tanto  fria de julho. A rua em que  está  situada é longa, arborizada  e meio escura. Como o prédio fica entre uma bela casa em estilo  mais  moderno e um  prédio enorme de apartamentos, onde o primeiro andar  é reservado a lojas de comércio,  no momento em que  passava, aquela  casa  bela estava com seu jardim  iluminado, fazendo com que  a luz  forte  se refletisse no sobrado e desse um aspecto soturno  de prédio assombrado. Os raios  de luz vindos   da casa ainda  concorriam para  dar  um fisionomia de paisagem  brumosa que, por sua vez,  me amedrontara. Ainda assim,  parei  um pouco diante do centenário  prédio. Por um instante,  tive  a sensação auditiva de que  ouvia gritos de alguém  chamando por um  nome: “Venha,  querido  Fábio,  venha  pra meus braços, A cama está     quente e macia.. Fábio,  Fábio, Fábio!” – os gritos   aos  poucos  sumiam nos ares  do tempo  incerto.&lt;br /&gt;Uma velha  moradora, quase vizinha  do sobrado,  um dia, conversando comigo  sobre  o  velho prédio abandonado, me dissera que o casal a que me  refiro neste  relato, respondia  pelo nome de Fábio.&lt;br /&gt;Até hoje, fico meio  confuso para afirmar se tudo o que ouvi naquela noite  nebulosa foi realmente  verdade ou se  não passara de um  sonho  meu, desses sonhos que qualquer  ser humano   pode  ter e que  tanto  parecem  ser reais. No meu caso particular,   quase todos os sonhos que tenho, ainda que  muito  parecidos com  a realidade,  logo ao acordar na manhã seguinte, em geral  se me apagam  da memória, o que me deixa  por vezes frustrado. Talvez, tudo  mesmo não passe de influência   de contos  de assombração lidos ao longo da vida, seja  em forma de livros do gênero de Poe, seja por  influência de  filmes  a que  costumava  assistir, ou de estórias  que  ouvi na infância, adolescência e até na fase adulta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-3953158219873888120?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/3953158219873888120/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/11/casa-no-tempo_2999.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/3953158219873888120'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/3953158219873888120'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/11/casa-no-tempo_2999.html' title='A casa no tempo'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-1532131130390537449</id><published>2011-11-18T11:20:00.000-08:00</published><updated>2011-11-18T11:26:37.160-08:00</updated><title type='text'>J.L. Campos Jr.: um mestre notável</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Da sua biografia pessoal, familiar, de sua formação primária, secundária, superior nada sei, infelizmente. Somente sei, por informações contidas  nas edições do autor, que  estudou  inglês em Nova Iorque, provavelmente   no final da segunda década do século  passado, pelo “American  Progressive  Method”,  método cuja abordagem desconheço  nem  tampouco  por qual  escola ou curso  ou universidade  era ministrado, bem como detalhes sobre  seus  professores, duração do curso, assim como  período em que  o jovem  estudante  permaneceu  na América do Norte. Só posso deduzir que, em virtude da  época em que atuou José  Luís  Campos Jr,  o que aprendeu com os americanos  equiparava-se ao chamado método de tradução, versão, gramática, exercícios  gramaticais, conversação, ou seja,  a abordagem já aproveitava o que anos  depois, com o direct  method, do início  década de trinta,  iria  utilizar. De resto, foi precisamente em 1932, que  o Externato Pedro II introduziu esse novo  método por iniciativa, conforme  dá notícia  num prefácio a um dos seus livro da série From facts to Grammar(Editora Globo) outro grande autor didático de língua inglesa, J. de Mattos Ibiapina, do Colégio Militar,  do Dr.  Henrique Dodworth, diretor do Externato Pedro II,  e por  sugestão do  filólogo  e professor Dr. Delgado de Carvalho.Segundo  o citado J. de Matos  Ibiapina, o novo método atualizaria   nas escolas brasileiras o que se  estava fazendo no ensino de idiomas modernos nos países  cultos.&lt;br /&gt;                           O novo approach consistia em elaborar o livro didático  todo em inglês, e exigir que, por sua vez,  o  professor, o chamado  lente de então,  ministrasse  as aulas  em inglês. Aboliu-se a tradução. Na prática  docente,  porém,  alguns  professores não seguiam à risca o direct method, na maioria das vezes  porque eles mesmos  não dominavam  o inglês falado nem  perspectiva, por parte  das autoridades do ensino  público, tinham, com  poucas  exceções,  de aperfeiçoar-se  no exterior. &lt;br /&gt;                           No direct method  valorizava-se a conversação, o que, de alguma maneira,  o aproximava da abordagem mais recente no ensino de línguas, a communicative approach, que  possivelmente  ainda se vem  firmando cada vez mais entre os professores   de inglês. O professor J.L. Campos Jr.,  que vem de mais  longe,  aderiu ao direct method mas adaptando-o à sua visão  pedagógica, porquanto nos seus livros escritos só em inglês, como  é exemplo a serie em três  volumes, The máster key, ainda  se utiliza de exercícios  de tradução e versão, mas não como aspectos  dominantes de apredizagem. &lt;br /&gt;                      Os livros   de J. L. Campos Jr. eram  sugestivos,  bem dosados,  interessantes,  ilustrados, em suma,  eram  obras  escritas com competência didático-pedagógica que muito devem ter  ensinado a gerações de estudantes pelo país afora.  &lt;br /&gt;                   Nem mesmo sei se é de São Paulo, nem quando  nasceu  e faleceu. Nunca  vi uma foto sua ou da família. Provavelmente seja de São Paulo, se levar em conta que deve ter passado  a maior parte da vida lecionando, em  diversos colégios  da capital  paulista e tendo seus livros,   se não incorro em erro,  sido   publicados  por editoras   de São Paulo, com  exceção do primeiro, que  foi editado em Nova  Iorque, em 1916, cujo título é The entertainer . O professor Campos Jr.  também teve seu  próprio curso, o Curso de inglês  Washington  Irving , na Rua Bento Freitas, São Paulo. Não sei por quanto   tempo  funcionou  esse curso. Suponho que por muito tempo e que  tenha tido  muito sucesso.&lt;br /&gt;                          Só sei que o primeiro contato que tive  com  o nome do autor foi através da biblioteca de meu  pai, em Teresina. Estava mais ou menos nos meus  quatorze anos, ou menos, não sei bem,  quando,   examinando livros de papai  - eu tinha  este  costume -,  naquele quarto que uma vez chamei  de “quarto-biblioteca”, lá encontro  um dos livros de  J. L. Campos Jr. Era uma edição velha com  páginas faltando do How  to learn English, publicado pela Editora  Globo, de Porto Alegre. A edição datava possivelmente  dos anos quarenta. Estava com  muitas páginas iniciais  faltando. &lt;br /&gt;                        Em 1964,  a trouxe para o Rio  comigo. Depois, a perdi não sei  onde,  mas encontrei um exemplar dela mais novo, a edição de 1956, da mesma  Editora  Globo, que,  nos anos  setenta, mandei  encadernar.&lt;br /&gt;            Aqui,  no Rio de Janeiro, passando por um sebo do Centro,  vi um outro titulo do autor, Let’s speak English, edição  antiga, publicação da Livraria Editora Pauliceia, São Paulo, sem indicação da  data da edição.&lt;br /&gt;            Em casa,  vendo, página por  página,  verifiquei que estava  faltando uma página e havia,  em outra parte  do livro,  uma  página com  a extremidade inferior esquerda contendo um  rasgão, impedindo de ler na sua inteireza  a página   e o verso. Fiquei chateado, mas não fui reclamar  com o vendedor.   &lt;br /&gt;              Uma vez,    indo à Biblioteca  Nacional,  de repente me bateu a ideia de saber se ali havia um exemplar  do Let’s speak English. Com alegria o encontrei. No entanto, me lembrei que teria que ir   outra vez à Biblioteca a fim de copiar à mão as duas  páginas que  estavam faltando.  Assim o fiz: voltei à Biblioteca Nacional  e copiei, em  duas folhas  de papel, os textos que faltavam. Ótimo! &lt;br /&gt;            Ainda hoje, no meu velho  exemplar encadernado ( aliás encadernação feita com esmero por um antigo aluno meu de um curso  preparatório na Penha,  bairro carioca), estão inseridas as duas folhas de papel contendo   os textos  que faltavam. Estas duas folhas, hoje, já estão amarelecidas e mesmo  em alguns  pontos,  rasgando-se. Como o tempo é implacável!&lt;br /&gt;                Estão, agora mesmo por sobre a minha   escrivaninha  onde digito  esta crônica.. Releio-as e observo que a minha  antiga letra está firme e legível. Apesar do computador,  ainda faço muitos textos à mão, em seguida,  o digito.Não  posso perder o contato com  a escrita  manual. Seria um desastre!&lt;br /&gt;Além dos livros citados,  J. L. Campos  escreveu outras obras  importantes didáticas  sobre  a  língua inglesa. Tenho quase todas elas, pelo menos as mais  importantes. Entre as editoras  que  deu a lume suas obras , contam-se a Companhia  Editora Nacional, que publicava, sob a direção  de Fernando de Azevedo,  um grande número de bons livros didáticos da sua  chamada Biblioteca Pedagógica Brasileira, as Edições  LEP LTDA., que, inclusive,  publicou o monumental  Dicionário Inglês-Português, ilustrado pelo  próprio autor, o que significa que  era também um artista,  um desenhistas de mão cheia. A preparação desse dicionário custou ao autor  oito anos  de pesquisa lexicográfica num  trabalho   hercúleo  feito individualmente. A aquisição dessa  obra  juntamente com outra,  Correspodência  comercial  inglesa,  estão ligadas, por laços de afeto e de amor,  às minhas memórias biográfico-bibliográficas e sobre elas já escrevi  uma crônica publicada nesta  Coluna.&lt;br /&gt;Se algum  ex-leitor,  ou familiar   descendente  de J. L. Campos Jr.  por acaso  me lerem  este texto,  e queiram me subsidiar com algumas  outras informações, muito   antecipadamente agradeço a deferência.  &lt;br /&gt;    Que o leitor me  desculpe pela mania de querer  prestar  homenagem a livros e autores do  passado que  me deram  e ainda estão me dando    como o fez J. L. Campos Jr. e outros  mais, uma grande  contribuição  no que se refere à minha  formação  intelectual  no estudo de línguas da minha  preferência, sobretudo  em época que era tão difícil  procurar  aprimorar-se  em idiomas, pois não contavam  os jovens  com  as facilidades  que hoje têm, com a  Internet e as possibilidades  de aprender  línguas estrangeiras, com cursos de todos os tipos, espalhados pelo planeta e com tantos  recursos pedagógicos oriundos  dos avanços dos  estudos  de linguística  aplicada, professores mais  atualizados tecnicamente, com livros didáticos  já contemplando   as vantagens  eletrônicas tão distantes  dos  queridos livros  didáticos de antigamente.&lt;br /&gt; Já disse alhures que os meus grandes   autores didáticos  de ontem  fizeram  milagres com  os parcos  recursos de que dispunham, contando só com o talento e a sabedoria  que, graças a Deus,  neles sobejavam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-1532131130390537449?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/1532131130390537449/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/11/jl-campos-jr-um-mestre-notavel.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/1532131130390537449'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/1532131130390537449'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/11/jl-campos-jr-um-mestre-notavel.html' title='J.L. Campos Jr.: um mestre notável'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-8661030947428708236</id><published>2011-11-15T12:22:00.000-08:00</published><updated>2011-11-15T12:33:53.630-08:00</updated><title type='text'>Favelas: algumas  reflexões</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  O belo  estado do Rio de Janeiro, por  irresponsabilidade de vários  governos  estaduais, nunca atacou de frente e de início o surgimento  das favelas ou, para parecer  politicamente correto, as comunidades. A Rocinha que agora  está  no centro  das notícias dos  últimos dias,  teve sua origem já na década de 20 do  século passado. Levas e levas de nordestinos, de mistura com  as camadas  de cor negra e de mulatos, iam,  naquela espaço  de morro  com  uma vista  panorâmica  para os bairros  chics das Zona Sul e suas praias exuberantes, se arranchando e lá  construindo a princípio  frágeis  moradias que, com o tempo,  melhoravam  a qualidade de material de construção e se transformavam,  em alguns casos,  em moradias  decentes e até com certo  conforto, embora  dispostas num espaço  composto de vielas e labirintos  que, mais tarde,  seriam obstáculos  para a  polícia  localizar  o paradeiro  de  um criminoso.&lt;br /&gt;Olhando-se de longe, a Rocinha  é um formigueiro de casinhas superpostas em vários sentidos, separadas  apenas  pelas mencionadas  vielas e becos a perder de vista.Hoje,  tem até valor  turístico, ou melhor,  passou a  fazer  parte de atração turística para gringos.&lt;br /&gt;Em tempos passados,  as favelas  tiveram um período  de um certo  romantismo aproveitado  por compositores que  nelas se inspiravam  para temas de suas  letras cujo  exemplo  mais conhecido  é a Mangueira onde  viveu  o  talentoso  Cartola. Essa  fase   de glamourização encontrou  terreno  fértil  para  de certa forma romantizar a figura do malandro,  diria melhor, do bom  malandro, outro   personagem  também  associado  a favelas, aos morros cariocas. Entretanto,  aqueles eram tempos  diferentes que, na realidade,  se prestavam  bem  à inspiração  musical,   cinematográfica  e  ficcional.&lt;br /&gt;Só uma vez,  subi a uma favela, localizada   no bairro de Copacabana. É que um amigo tinha  lá sua moradia, um baiano  inteligente, estudioso da  música clássica, da história e da filosofia. Infelizmente,  o Antônio,  este era seu nome,  morreu cedo demais. Era no tempo da ditadura brasileira, nos seus primeiros anos   de  dureza e intolerância.&lt;br /&gt;Pois bem, leitor,  a Rocinha  está na ribalta. Está sendo pacificada com uma UPP. As reportagens televisivas mostram ao telespectador o que ela  tem  por dentro e, ao que vejo,  a paisagem  é urbana, com seus moradores  transitando normalmente e, de vez em quando,  passando por entre  grupos de policiais armados.&lt;br /&gt;O maior  problema da favela  em geral é a praga  da criminalidade – fenômeno social desviante que tomou conta  desses agrupamentos  humanos  normalmente de baixa renda. Sob o império  do crime, através das   práticas  do  tráfico de  drogas, a  população que nela  habita sofre todas as contingências de um viver que deve ser  aprendido a duras  penas: ali ninguém vê,  ouve ou sabe a respeito  dos bandidos  que controlam o morro ou o espaço  horizontal  de uma favela. As leis de convivência são estabelecidas  pelas liderança  de plantão. O crime da delação é de todos conhecido: a morte, implacável e certa e líquida. Impera a lei do silêncio sobre  quem    praticou  tal crime capital.  A entrada e a saída deste espaço  de sociedade  civil  paralela é vigiada. A favela tem seus códigos  de convivência e de comportamento para sua  população.&lt;br /&gt;Mas, a favela  ao mesmo tempo  é espaço de  coexistência  passageira de níveis sociais. Lá está o que  o endinheirado  amante da droga tem. Lá deixa  a dinheirama computada em milhões  por ano. Não é tampouco  segredo que o crime do  tráfico  se dá em simbiose com  a lei oficial  desvirtuada. Lugar  por excelência  desta troca   de  interesse entre  a ordem e a desordem,  o tráfico campeia solto e fagueiro. &lt;br /&gt;O Brasil,  país de contrastes,  monta  sua  estrutura  de repressão  aos tóxicos  na base  das brechas  legais. Exibe a força e oculta   o resíduo do males sociais. Em vez  de problematizar os grandes  malefícios  sociais, prefere  discutir as exterioridades,  o sensacionalismo, a superfície. Não vai ao fundo, ao cerne da questão talvez porque haja mudanças de aparência, mas não da  essência  do problema.&lt;br /&gt;As demonstrações  de força,  com a exibição de blindados, de homens da Marinha  Brasileira, de tropas militares, da polícia civil, militar,  federal, rodoviária,    mais parecem  que  o  país parte para uma conflagração mundial. &lt;br /&gt;Ora, leitor,  o busílis da  história não é só  prender  o bandido-mor, esperando com isso  debelar  os focos do tráfico na Rocinha ou em outras  favelas muito perigosas que  enxameiam a cidade do Rio de Janeiro. O vírus do tráfico está espraiado  pelos quatro cantos  da cidade encafuado nos morros e  favelas  horizontais. Não quero  negar que há ganhos para a população  das  favelas com a  ocupação militar. Isso,  porém,  longe está de resolver  cortar a raiz  do mal porque este  se instala no  próprio seio da sociedade,  seja da classe   média, seja sobretudo da  alta burguesia, de  parcelas consideráveis desses níveis sociais    cujos usuários  compram, a peso de  ouro,  as malditas  drogas. Nos níveis sociais  baixos, a saída para a  aquisição  será, como recurso  extremo,  por  outros  tipos  de  criminalidade: assaltos,   homicídios, sequestros  etc.   Ou seja,  o mal está na nossa formação  moral, de indivíduos  engolfados nas drogas. Enquanto houver comprador,  haverá vendedor nos morros  e em outros  pontos. &lt;br /&gt;A par dos traficantes, aos quais não se deve dar trégua,  tem-se que combater  cumplicidade dos maus  policiais, seja em que  patente for. Outra forma de  lutar contra essa  cumplicidade, seria, selecionar bem  os policiais, incorporando  só aqueles que demonstrem vocação para a profissão e preparo  intelectual e técnico. Seria  valioso  que tivessem , entre as disciplinas do curso, para todos  as patentes,  noções básicas de filosofia – ramo de estudos  que muito  os ajudariam  a assimilar  valores  morais e éticos que deles farão  pessoas  com visões  mais conscientes  do  seu papel  e da sua atuação  como  cidadão do bem a serviço  da coletividade. Um bom  policial  não se prepara  só para   usar da violência  contra civis desarmados em manifestações muitas vezes  pacíficas. A sociedade precisa ser defendida, não maltratada.  Bons policiais só terão a lucrar quando a sociedade  neles  virem   indivíduos  íntegros e prontos  a defender o cidadão brasileiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-8661030947428708236?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/8661030947428708236/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/11/favelas-algumas-reflexoes_15.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/8661030947428708236'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/8661030947428708236'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/11/favelas-algumas-reflexoes_15.html' title='Favelas: algumas  reflexões'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-9005789485692137553</id><published>2011-11-13T06:57:00.000-08:00</published><updated>2011-11-13T06:59:23.574-08:00</updated><title type='text'>Um  poema de William  Wordsworth ( 1770-1850)</title><content type='html'>Birds&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I heard a thousand blended notes,&lt;br /&gt;While in a grove I sat recline,&lt;br /&gt;In that sweet mood when pleasant thoughts&lt;br /&gt;Bring sad thoughts to the mind.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;To her fair works did nature link&lt;br /&gt;The human soul  that through me ran;&lt;br /&gt;And much it grieved my heart to think&lt;br /&gt;What man has made of man.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Through primrose tufts, in that sweet bower,&lt;br /&gt;The periwinkle trailed its  wreathe;&lt;br /&gt;And it is my faith that every flower&lt;br /&gt;Enjoys the air it breathes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The birds around me  hopped and played;&lt;br /&gt;Their thoughts I cannot measure;&lt;br /&gt;But the least motion which they made,&lt;br /&gt;It seemed a thrill of  pleasure.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The budding twigs spread out their fan&lt;br /&gt;To catch the breezy air;&lt;br /&gt;And I must  think, do all I can,&lt;br /&gt;That there was pleasure there.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;From heaven if this belief be sent,&lt;br /&gt;If such be nature’s plan,&lt;br /&gt;Have I not reason  to lament&lt;br /&gt;What man has made of man?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                   Pássaros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto, sentado,  num bosque,  repousava,&lt;br /&gt;Mil  combinações sonoras  ouvi.&lt;br /&gt;Quando, naquele  doce estado de ânimo, agradáveis pensamentos&lt;br /&gt;Ao meu espírito  trazem pensamentos  tristes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uniu a natureza às suas belas obras&lt;br /&gt;A alma humana que em mim penetrou.&lt;br /&gt;O coração  por demais   afligiu-me ao pensar&lt;br /&gt;Em que se transformou o gênero humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelos bosques floridos, naquele doce caramanchão,&lt;br /&gt;Trilhava a murta  de flores as coroas.&lt;br /&gt;É a convicção minha  que cada flor&lt;br /&gt;O ar partilhe por ela sorvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao meu redor, saltavam e brincavam pássaros.&lt;br /&gt;Atinar no que pensavam impossível me é.&lt;br /&gt;Deles, contudo,  o mínimo  movimento se me afigurava&lt;br /&gt;De encantos uma  excitação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desfraldam sua ventoinha as flores em botão&lt;br /&gt;Do ar fresco se aproveitando.&lt;br /&gt;Pensar só me resta, não importa tudo que  faça,&lt;br /&gt;Que ali prazer  existia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se esta convicção divina mensagem  me for,&lt;br /&gt;Se tal  possa ser da  natureza um  sagrado  plano,&lt;br /&gt;Não tenho eu motivos para lamentar&lt;br /&gt;O que de si mesmo  fez o homem?&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;                                   (Trad. de Cunha e Silva Filho)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-9005789485692137553?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/9005789485692137553/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/11/um-poema-de-william-wordsworth-1770_13.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/9005789485692137553'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/9005789485692137553'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/11/um-poema-de-william-wordsworth-1770_13.html' title='Um  poema de William  Wordsworth ( 1770-1850)'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-5641806305747363478</id><published>2011-11-09T13:52:00.000-08:00</published><updated>2011-11-09T13:53:26.893-08:00</updated><title type='text'>Cansado de bater palmas</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Notliada Praxim nascera no  Norte brasileiro no final dos anos  trinta do século   passado. Sua  terra  natal  era no interior do estado do Pará. As memórias  da pequena fazenda em  que moravam os  pais nunca lhe saíram  da cabeça. De uma família  numerosa, crescera entre  os matos  da fazenda e a casa principal. Casa com  varanda  larga, espaçosa,  com soalho de tijolo e teto de telha. Dividida em  quatro cômodos também    grandes,  ainda contava com  uma cozinha comprida e um pouco escura, já que o sol , posto que  forte,  não dava para   penetrar  com  toda a sua força  e brilho  neste espaço. O banheiro  e  a sentina ficavam do lado de fora,numa casinha de dois  quartos dividida   internamente por uma  parede. Depois dessa casinha,  havia um muro  de cerca de um  metro e  setenta, com uma entrada por um  velho portão de madeira sem trinco  nem chave,  que apenas   ficava encostado.&lt;br /&gt;Notliada, menino  franzino,  pele   clara  e fina,  cabelos  muito  lisos, rosto  oval,  de olhar  vivo, penetrante,  era o mais velho. Até então só havia  nascido ele e sua irmã, mais nova  três anos.Com o tempo,   a mãe, a dona  Esmeraldo havia de  ter mais  seis  filhos, duas  mulheres  e quatro  homens.&lt;br /&gt;O menino Notliada já frequentava  a escola  primária e  já dava sinais de que  era dotado de grande inteligência tanto  pra  matemática como  pra  língua  portuguesa. Sua  professora, dona  Eremita,  maravilhava-se com   a facilidade da criança que,  com apenas,  oito anos,  fazia  boas   redações e era forte nos cálculos e na tabuada. Aos doze anos,  já estando no  segundo ano   ginasial,  ganhara, graças ao s eu talento e às notas  altas,  através  de um  convênio entre o seu colégio e o Colégio  Pedro II do Rio de Janeiro, conseguira do  diretor uma  vaga para  estudar  interno neste  famoso  e respeitado  colégio carioca.&lt;br /&gt;Já interno  no Pedro II, no lugar  que funciona  hoje a sua  sede  principal, centro do Rio, Notliada cursou  o terceiro ano ginasial até o início do segundo  semestre, pois tivera que  voltar  pra sua terra  dado que havia  ficado  doente, atacado  de bronquite. O diretor   do Pedro  II achava melhor que a  criança  voltasse  ros  pais. Era uma  pena,  de vez que o menino dera  provas  de ser bom   aluno  e  responsável. No Pedro  II tivera  colegas que, mais tarde,  já adultos, se tornaram  pessoas  influentes no  meio  cultural carioca, sobretudo na  área  dos estudos  literários.&lt;br /&gt;De volta à terra natal,  Notliada retomou, no ano seguinte, a terceira série ginasial, sempre  dando mostras de ser aluo  inteligente e aplicado. Nessa época,  sua irmã  lhe notara  pendores pra  poesia. Uma vez,  examinando uma folha que ele deixava em cima de uma  escrivaninha,  reparou  que havia  um texto escrito com uma  grafia  bela  e  cuidadosa: era um  poema  dedicado a Gonçalves Dias,  poeta que admirava  muito. O poema de título  “Os índios “ tinha  muito  a ver com  a poesia  de Gonçalves Dias no que dizia   respeito  a palavras e tamanho  das estrofes.. “Meu Deus ! Notliada é  poeta e escreve bem! Vou  ficar  calada. Não quero  que  pense que estive  bisbilhotando  o que anda  fazendo.” &lt;br /&gt;Matilde, sua irmã,  era aluna  aplicada  também. Magrinha,  de olhar  sensual, morena,  cabelos   escuros, tudo indicava que iria ficar  baixinha, mas nem tanto.&lt;br /&gt;Dona Esmeraldo tinha  personagem  forte, dominadora,  a ponto de  fazer sombra  ao marido. Mulher  bonita, morena clara,  forte,  de altura mediana, era dona de casa  que se impunha  e  estava  a par de tudo que  acontecia  no lar. O marido,  Seu  Henrique,  homem alto, magro,  pele  clara, de olhos verdes,  era  uma pessoa  pacata,  suave,  muito  apegado aos filhos. Cuidava dos seus negócios  da pequena  fazenda  chamada  Mocho, onde  tinha algumas  cabeças de gado,  porcos,  galinhas, e plantação de frutas variadas. &lt;br /&gt;Seu mundo era a fazenda. Ali se sentia  pleno de vida. Seu Henrique gostava de conversar com  os três empregados  da  fazenda, agregados que lhe eram  muito  amigos , pessoas simples com quem podia contar  nos momentos de maior  adversidade. João,  Enoch e José,  os agregados, moravam na fazenda em cassinhas  simples e asseadas. Casinhas de tijolo, com dois quartos, sala, cozinha e banheiro, este do lado de fora, assim como a latrina.&lt;br /&gt;Matilde e Notliada, terminado  o ginásio ( pois com  ano perdido no Pedro II havia  ficado na mesma série que a irmã), foram  para o  curso de contabilidade. Na cidade,  não havia  os curso  científico   e clássico. &lt;br /&gt;Notliada   Praxim deu  um virada  na sua vida. Queria  voltar ao Rio de Janeiro, fazer curso superior e trabalhar ao mesmo tempo.  Eram os anos cinquenta. Getúlio já tinha se suicidado. Ao chegar ao Rio não podia nem mesmo  alugar um apartamento, nem uma quarto. Contentou-se com  alugar uma vaga no Flamengo.Viera da sua terra de ônibus, num percurso que durou quatro dias. Longa viagem, cansativa. O que compensava era a juventude que tinha  e disposição de  enfrentar o batente na grande cidade.&lt;br /&gt;Como era  exímio datilógrafo,  bom de cálculos e tinha uma excelente  redação, logo arranjou um trabalho num escritório de produtos  farmacêuticos  na Avenida Beira-Mar. Decidiu-se a tentar  o vestibular na Faculdade Nacional de Filosofia, optando  pelo curso de  filosofia  pura, como se dizia  naquela tempo. O Brasil estava em  plena ditadura, tmepos difíceis. Em quatro anos, terminara o bacharelado. Não quis fazer  licenciatura,  porquanto  não tinha  ideia alguma de dar  aulas. Preferiu  continuar  trabalhando no setor de contabilidade. Tinha  mudado para uma grande  escritório de contabilidade também no centro,  na Av. Rio Branco, à altura da Cinelândia.. Tornara-se chefe de seção. Percebia bom  salário que lhe  permitiu  alugar um kitchenette no Catete.&lt;br /&gt;A antiga  paixão pela literatura, sobretudo da poesia ,se mantinha acesa. Frequentava a Biblioteca Nacional, o Real Gabinete de Leitura e outras  bibliotecas  importantes que havia no centro. Ao mesmo tempo,  acercava-se  de jovens  escritores, fazia co eles amizade, mostrava-lhes  seus  poemas  recentes. No tempo do curso de filosofia,  já  tinha  conseguido enturmar-se com  os professores,  entre os quais distinguia-se   Carneiro Leão. Notliada conseguia, pois,  conciliar  o trabalho    de contabilidade sem descurar  os estudos  de poesia, as leituras  de ensaios, de história. Era leitor  assíduo do JB, que ficava na Av. Rio Branco.&lt;br /&gt;Com os contatos do  tempo de faculdade,  os amigos  intelectuais que ia  adquirindo, aos poucos   foi  penetrando no mundo  dos círculos  literários carioca. Participava de      encontros com  jovens escritores  da geração do Concretismo. Foi nesse tempo que  conhecera  Ferreira Gullar,  o crítico  Fausto Cunha, o crítico e  ficcionista Assis Brasil, Mário  Faustino, Vamireh Chacon (este de São Paulo). O que lhe interessava mesmo era a possibilidade de fazer-se conhecido e estimado  como  poeta e, nesta condição,  seus  poemas há muito  tinham  deixado  para trás as conquistas do Modernismo e muito menos  dos movimentos anteriores da poesia.&lt;br /&gt;Vivia  o  clima contemporâneo das vanguardas  brasileiras nos anos  cinquenta,  sessenta.  Entretanto,  não deixava de ler muito  Drummond, para ele o grande  poeta brasileiro, como seriam  também  Manuel Bandeira,  João Cabral de Melo Neto, entre outros. &lt;br /&gt;Não se  juntou aos concretistas. Preferiu  o projeto poético  que lançava  a Poesia Práxis .A despeito de  não deixar de sofrer algumas influências  concretistas,  sobretudo em relação  ao espaço gráfico, Notliada começou a  escrever  os seus  poemas  práxis, envolvendo-se de corpo e alma  aos seus  princípios  estéticos e à sua  plataforma  revolucionária. &lt;br /&gt;Sua vida  persistia no ritmo  frenético de  continuar suas pesquisas poéticas e seus contatos  crescentes com  o mundo  literário  carioca. Só uns quinze anos depois,  sai publicado seu  primeiro  livro de  poesia, uma reunião de mais de dez anos de poesia revolucionária: Geografia  poética  paraense (1970). Como o volume  reunia  poemas  desde os anos cinqüenta,  havia variabilidade  de  formas  de poesia,  inclusive  havia sonetos modernos, alguns  repassados de certa nostalgia  da terra, dos seus tempos de infância na fazenda. Não demorou  muito saiu outro  livro de poesia com um  titulo  estranho: Galáxias dantescas (1970). &lt;br /&gt;Os dois livros lhe asseguram  algum renome  no meio da  crítica especializada. Notliada contudo,  era tímido. Não  gostava de pedir  favor a ninguém. Vestia-se sempre  impecável. Frequentava  seminários, congressos, lançamentos de livros  de amigos  escritores, noites de  premiações de  livros na Academia  Brasileira de Letras, no Pen Club e em outros espaços  literários. É bem verdade que petencia a algumas entidades  literárias.&lt;br /&gt;Conhecedor  profundo  do que havia  de informações sobre escritores cariocas ou mesmo  do país  inteiro. Cronista  da vida literária por excelência.&lt;br /&gt;Essa informações sobre  Notliada foram  conseguidas  porque, a partir dos anos setenta,  fiz amizade com ele, a princípio  formalmente,  no tempo em que ele  fazia o Mestrado  em Teoria literária na  Faculdade de Letras da  UFRJ.  Sempre que o via -  eu era estudante da graduação -, estava cercado de  jovens  senhoras (algumas bonitas) que cursavam  o mestrado,  quando a  pós-graduação  fora  implantada  na administração  do diretor Afrânio  Coutinho, primeiro diretor  daquela faculdade cujo  curso de letras fora  desdobrado,  por iniciativa dele e de outros  professores,  da antiga  Faculdade Nacional de Filosofia. Afrânio foi o   crítico  literário  inovador dos estudos  superiores de literatura  no Rio de Janeiro. Foi inclusive o orientador  de Mestrado  de Notliada &lt;br /&gt;Concluído  o mestrado, Notliada teve  oportunidade de lecionar  literatura  na  Faculdade  de Letras mas, por razões ligadas à sua  própria   personalidade  tímida,  ele somente ali  permaneceu durante  um ano e pouco.  Voltou a um  trabalho   vinculado ao antigo emprego: setor de contabilidade de uma grande empresa  internacional,  onde se fez respeitado  e admirado  pelos colegas graças à sua competência e seriedade na  função de diretor  de um  departamento  de  exportação.&lt;br /&gt;Em deixar a  poesia, deu à publicidade um  romance , A revolta  dos agregados (1974). A obra  teve certa  repercussão. Três anos depois,  publica, por conta  própria, outro livro  de poesia:  Ponta de lança (1977). Em 1980, lança outro volume, Retratos  de mulheres. Em 1988 edita  outro livro de poemas: A imagem  e o espelho. Em 1992,  sai a lume Visões do mundo. Em 2002, edita Flâmula azul. &lt;br /&gt; Notliada seguramente  foi  bem recebido  pela crítica, mas não como o merecia. Apesar de certo  isolamento dos  tempos,  ainda  lia muito, sobretudo  poesia. Não esqueceu Drummond. Admirava Grande Sertão: vereda, desde  o seu lançamento como  obra  inaugurando uma fase  inédita de originalidade  da linguagem  e  de poesia  na ficção,  além da  visão  mítica  do  universo. Me lembro que Notliada   deu uma exemplar a seu pai que,  tendo lido o romance de Rosa,  confessou  simplesmente como  um  homem  do interior: “Mas isso é mesmo  o mundo do serão,  os personagens, a linguagem,  tudo.”&lt;br /&gt;Respeitado  como  escritor no seu  estado natal, Notliada teve suas obras  citadas em duas histórias da literatura brasileira, uma até estrangeira.&lt;br /&gt;Meu amigo paraense,  entretanto,  se sentia  meio  esquecido. Teve até  vontade de se tornar  padre já maduro. A ideia porém  não vingou.   Logo esqueceu...&lt;br /&gt;Os anos   passam, a vida literária  ainda o fazia  vibrar quando conversávamos,  geralmente ao telefone por longo tempo. Notliada nunca teve  boa saúde. Passou  mal. Foi   hospitalizado mas sua  doença lhe era fatal. Não agüentou. Entregou os pontos pra vida. Na minha memória,  ficará a figura inesquecível daquele  poeta, que me lembrava  Gonçalves Dias, embora este fosse mulato. &lt;br /&gt;Aquele amigo era, na verdade,  um cronista  enciclopédico  em potencial da vida  literária e  cultural de nosso  país. Bateu  palmas pra muita gente. Se cansara,  contudo,  de bater  palmas. Era melhor manter alguns poucos  e fiéis amigos e  esquecer  as injustiças  e  a vaidade  dos homens (e mulheres)...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-5641806305747363478?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/5641806305747363478/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/11/cansado-de-bater-palmas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/5641806305747363478'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/5641806305747363478'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/11/cansado-de-bater-palmas.html' title='Cansado de bater palmas'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-3282689210952041091</id><published>2011-11-06T13:49:00.000-08:00</published><updated>2011-11-06T13:50:56.202-08:00</updated><title type='text'>A literatura brasileira: novas pesquisas</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Não há como  negar a importância   capital que  a pesquisa  acadêmica  assumiu  em  todas as épocas, ou seja, desde que se implantaram os curso  superiores  no país e sobretudo  quando  foram  criados os cursos de pós-graduação. É na universidade, no contato  diuturno do ambiente do campus,  da interação  dos  cursos  e disciplinas, na troca  de  experiências  em salas de aula com alunos,  ou fora das salas de aulas, com  ouros  professores  e com o conjunto  das disciplinas de uma  faculdade que novas  ideias  vão surgindo e com elas novas  formas  de construção  do saber. O campus  universitário torna-se indispensável  ambiente intelectual   no qual  temas e aspectos de uma área do conhecimento  humano vão  aflorando e se transformando  em   inovadoras  vias  de pesquisas   e se estabelecendo  como   terreno  fértil  de produção  cujo sentido  maior  é o de avançar  o conhecimento  de um dado domínio do conhecimento.&lt;br /&gt;Fora dos muros acadêmicos,  podem  igualmente vicejar novos saberes,  novas  linhas  de pesquisas mas sempre  tendo em vista  a desvantagem  de  que  são mais lentas  e com maior  dificuldade  de  elaboração já que  neste  caso  o pesquisador  está mais na sua condição  de   investigador  autônomo, e muitas vezes, com dificuldades  de arcar com  despesas  de custos  no  processo   e desenvolvimento  de suas   pesquisas. Nesta segunda   situação, só  os grandes abnegados  conseguem levar adiante  todas   as etapas  do  processo de  desenvolvimento e  conclusão  de suas pesquisas  ou descobertas.&lt;br /&gt;No campo da pesquisa  universitária vale  registrar  mais uma  vertente de estudos  de literatura brasileira, a que  foi  concluída  pelo  pesquisador Eduardo de Assis Duarte, professor da Faculdade de Letras de Minas Gerais. A pesquisa -  um amplo  trabalho de equipe envolvendo  até  colaboradores   estrangeiros -, se ocupou em aprofundar   a produção  literária brasileira de autores  com ascendência africana. O resultado disso foi a coleção recém-editada pela Editora da UFMG, Literatura e afrodescendência no Brasil: antologia crítica.  A coleção foi assim dividida: : 1º volume “Precursores”; 2º volume, “Consolidação”; 3º volume, Contemporaneidade” e 4º volume “História, teoria,  polêmica”. &lt;br /&gt;A novidade  da coleção se assenta  não só  no levantamento de   escritores  brasileiros  negros ou mulatos completamente   desconhecidos até nos  círculos acadêmicos, como são os exemplos de Nascimento Morais, Lino Guedes (autor de 13 obras  vindas a lume entre 1930 e 1940, e Maria  Firmina dos Reis, sendo esta a  autora  do primeiro  romance abolicionista brasileiro, sob o título  Úrsula, de 1859, mas também   na  maneira original de abordar  a contribuição de afro-descendentes aos quais a literatura  brasileira tanto deve do  ponto de vista  estético. &lt;br /&gt;É fato que uns poucos  autores  negros ou mulatos  se distinguem  no panorama  da nossa literatura, como  Machado de Assis,  Gonçalves Dias,  Tobias  Barreto, Lima Barreto, Cruz e Sousa, José do Patrocínio, para ficarmos nos mais conhecidos e  citados em nossas  histórias  literárias. &lt;br /&gt;Outro  dado  positivo  da coleção   foi, a meu ver,   didaticamente  estudar os autores  selecionados  de forma  cronológica, i.e.,  primeiramente  escolhendo  31 autores com nascimento até 1931,  30 autores  nascidos  a partir da  de 1930 indo até 1940 e, finalmente,   incluindo  39 autores co nascimento nos meados do século  20.  O 4º volume  cuida   da apresentação  de  reflexões teóricas  acerca  do conceito  de   literatura afro-brasileira e de  depoimentos  de  escritores, ensaístas,  críticos  e intelectuais    sobre  as questões  ligadas  à etnia  dos autores que sofreram, uns mais , outros menos,  o estigma  de serem pretos  ou mulatos.Este volume ficou sob a responsabilidade também  de Maria  Nazareth Soares Fonseca.&lt;br /&gt;Aqui não faço  a resenha  da coleção, porque mesmo  não a li ainda, mas apenas  me  fundamento  nas  informações  da entrevista concedida  a Guilherme Freitas, jornalista  do Caderno  Prosa e&amp; Verso do Globo (05/11/2011)   pelo organizador  da coleção,  o citado  professor Eduardo de Assis  Duarte.  &lt;br /&gt;Na longa  e judiciosa  entrevista do  organizador,  percebe-se  o quanto  os recentes  estudos   críticos   agora   voltados   sem  mais  os tabus  que por muito tempo, sobretudo  nos séculos  19 e primeiras décadas do século  20,    caracterizaram   os estudos  críticos entre nós relegando a segundo   plano   muitos autores   por mero  eurocentrismo  míope  - e por que não dizer  - racista, elitista, hegemônico. &lt;br /&gt; Todo  estudioso  de autores  como  Cruz e Sousa e Lima Barreto  sabem o quanto  eles  padeceram  preconceitos  de cor  tanto no meio   social quanto  profissional e  intelectual manifestados pelos  chamados   autores   brancos  ou que se  diziam   brancos.  &lt;br /&gt;Os estudos do “discurso das minorias” de certa  forma,  também  auxiliaram na mudança de mentalidade  do pensamento brasileiro  e mesmo  estrangeiro a fim de  retificar    abordagens   preconceituosas  de autores  afro-descendentes através de     uma  revisão   que  resultasse  positiva  na erradicação  de  pruridos   racistas.&lt;br /&gt;O quadro atual  da situação   de escritores  afro-brasileiros  tem  dado  provas   admiráveis  de surgimento de  escritores  desse segmento  étnico que só têm  elevado  o nível  de nossa  produção  literária  e  teórica, conforme  se pode constatar  na relação   de autores    selecionados  pela  antologia. No entanto,  a questão  do preconceito  velado  ainda  subsiste no meio social e cultural  brasileiro, desmistificando o conceito de “democracia racial” entre nós. &lt;br /&gt;Outro  traço  importante  desta  antologia  é abrir  perspectivas  promissoras   para  se levar  adiante  o debate  do conceito  de literatura afro-brasileira, a partir mesmo  do  fato  de   ter tirado do  limbo   um bom número de autores  negros  ou miscigenados  do passado  que, em sua   produção,  não deixaram  de  tratar  do problema  da sua   própria  etnia, além de  problemas  de relevância social  da  época,  a escravidão, o abolicionismo, os  problemas inerentes à República  Velha, os interditos  ou constrições à condição  de ser negro ou mulato,   como  Cruz e Sousa, Lima Barreto, Firmina dos Reis e o próprio  Machado de Assis.  Segundo acentua   o professor  Eduardo de Assis  Duarte,   Machado de Assis, no  romance  Helena (1876) e em alguns  contos,  já detecta   na narrativa “...crítica ao discurso senhorial e à branquitude que busca  naturalizar  esse discurso  como verdadeiro”. &lt;br /&gt; Penso que   esta  antologia  virá  novamente   pôr em  discussão os temas  polêmicos enfocados  nas narrativas  desses autores   e, ao fazer  isso,  terá  mais possibilidade de  reforçar a necessidade de  ler  alguns autores  esquecidos e de se pensar  neles como  autores que merecem  ser  reavaliados e até  valorizados  dentro de   novos  enfoques críticos  que sejam isentos  de  ranços  preconceituosos, cujo  única consequência  mais grave  é novamente cometer-se  o erro da  omissão ou da falta  de coragem  intelectual  para  mostrá-los às novas  gerações  de estudantes e professores.&lt;br /&gt; Sequestrá-los   das  histórias literárias  seria um desserviço em matéria  de   pesquisas nos campos   literário e cultural. Os estudos acadêmicos não podem  deixar de lado  esta  oportunidade  de  conhecer  esses  autores e enriquecer  o debate  nacional  das questões  étnicas  e de  valorização  de autores  ainda não contemplados  pela pesquisa   em nossas  universidades.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-3282689210952041091?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/3282689210952041091/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/11/literatura-brasileira-novas-pesquisas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/3282689210952041091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/3282689210952041091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/11/literatura-brasileira-novas-pesquisas.html' title='A literatura brasileira: novas pesquisas'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-3473619251271148963</id><published>2011-11-05T07:48:00.000-07:00</published><updated>2011-11-05T07:49:52.957-07:00</updated><title type='text'>Somos eternos</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, foi mais um Dia de Finados. Na  TV são exibidas as costumeiras  reportagens anuais referentes ao feriado. Sempre associo  esse dia  santo àquelas  antiquíssimas  e quase  apagadas  fitas  que  passavam  em Teresina  nos anos  cinquenta  contando o nascimento,  a vida,  morte e ressurreição de Cristo.&lt;br /&gt;Crianças,  adolescentes e adultos, todo mundo  não perdia   aquela fita, sempre    por muito  tempo  repetida,  até que,  em outra fase  da vida  teresinense,  com a vinda do Cinemascope, na grande tela surgiram  os  filmes  coloridos  que, se não tratavam   como  tema   central  a figura de Cristo,    como o Manto  Sagrado, de 1953,   com Richard  Burton e  a bela Jeans Simmons   sendo  os atores  principais,   eram   filmes  que diziam  respeito à existência  de Cristo e mesmo  serviam de argumento para recordá-Lo aproveitando  algum  motivo, no caso   específico,  o filme  tinha  como símbolo-objeto  mais   significativo  o manto  de Jesus que  era o seu   tema capital,  a par  de apresentar  uma bela  história de amor  e conversão  ao cristianismo  vivida por Richard Burton (Marcellus Gallo), no papel de um    tribuno romano    responsável pela missão de, em Jerusalém,  levar  Cristo à crucificação por ordem  do  imperador Tibério. e Jean     Simmons (Diana), no papel  uma jovem da aristocracia romana. &lt;br /&gt;No dia da crucificação  de Cristo, o manto deixado  pelo  Messias,  fora disputado  numa partida de jogo entre Marcellus e os soldados. Marcellus  ganha a disputa.. Ao tocar,  porém, no manto, objeto sagrado,  Marcellus sofre uma mudança  interna  para ele  inexplicável  que o fará ser visto pelos  romanos  como  um doente mental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  O manto selará seu destino  como  pessoa humana,  mudará   seu   pensamento  religioso e, finalmente,  o levará à conversão  espiritual,  abraçando  o cristianismo após  sofrer  pressões do imperador Calígula.&lt;br /&gt; Outros  dois personagens com os quais  Marcellus cruzará no filme é seu  escravo Demétrio,    interpretado  por  Victor Mature,  comprado em leilão e disputado com Calígula, o sucessor do imperador   Tibério. Essa disputa pele forte  escravo Demetrio valeu a Marcellus  a inimizade de Calígula.&lt;br /&gt;Demétrio, que havia  se convertido a  Cristo,  se torna hostil a Marcellus, afirmando-lhe que não mais o obedeceria  nem seria  mais seu escravo. Demétrio  fica  com o manto e some. &lt;br /&gt;Marcellus, chamado à corte  imperial em Roma, novamente  recebe a missão de  destruir o manto de Jesus, tido por um adivinho  palaciano como um objeto  enfeitiçado. É  nesse retorno a Jerusalém que Marcellus reencontra o antigo  escravo Demétrio, tornando-se-lhe amigo. Demétrio o leva a conhecer  Pedro,  apóstolo de  Cristo. Marcellus, logo reconhece  o valor moral, a bondade e  fé do  o apóstolo Pedro,  interpretado   por Michael Rennie. &lt;br /&gt; Convidado a  assistir a uma pregação  em local  desconhecido  dos soldados  romano, Marcellus  percebe o quão diferente  é ser cristão. Passa a ter uma nova  concepção  dos ensinamentos  e dos  propósitos  de Cristo crucificado. A cena em que Demétrio lhe diz  que não deve temer  tocar  o manto traduz uma beleza  indescritível. Marcellus  toca no  manto e o envolve em seu  peito. Sente  uma  sensação  de  paz e  tranquilidade. São os  primeiros sinais  de sua  conversão.&lt;br /&gt;Essa  mudança  de visão de vida e dos valores   da  existência Marcellus   passará  à sua amada Diana,  que também  se converterá.  A trama do filme é assim  o ato da conversão definitiva  acompanhado de todos os sacrifícios e sofrimentos  que  esse gesto  extremo  de mudança  espiritual  desencadeia  no  jovem casal  romano. &lt;br /&gt;É um belo filme cuja história  mostra ao  espectador,  no seu final,  uma das mais  comovidas e dramáticas cenas a que já assisti na tela, na qual  Marcellus  e sua amada,  abdicando de todo  o peso  da  paganismo, dos deuses    de pedra,  e dos antigos   valores  da cultura   romana  dos césares,  de uma vida  palaciana  de conforto propiciado  pela  alta condição   social do casal,  saem  do  ambiente em que  foram   criados e desfilam , por entre   os  potentados ,  em direção  ao sacrifício das suas vidas. Seu destino é a vida eterna, junto  aos cristãos, subindo aos céus. A imagem final  do casal apaixonado e convertido muito  me  lembra aquele outro   final  maravilhoso,  pela sua  densidade  dramática  e por toda uma  simbologia,   do filme Quo Vadis? baseado  no romance do escritor  polaco Henrik Sienkiewcz (1846-1916) com Robert Taylor e  a  beleza delicada de  Débora Kerr,  interpretando dois  personagens, ela, Lygia,  cristã, ele,  o general romano Marcus Vinicius. Os dois se apaixonam.  Ele se converte e ambos, seguirão  as lições  de Cristo.A cena se passa  na Roma  sob o império do sanguinário Nero. Naquela cena fina,  o casal  apaixonado, sendo  o foco   da câmera,  vai   caminhando  até  certamente  encontrar  as   alturas celestiais, no  decisiva  caminho da morte e da salvação.&lt;br /&gt;Os dois exemplos  de filmes se misturam  à reportagem na TV   sobre  finados e, de alguma forma,   despertam  as lembranças  de nossos  entes queridos, de nosso amigos e conhecidos  que,   durante um tempo,   conviveram   conosco. Imagens de rostos  queridos,  de vozes quase apagadas,  de gestos,  de ações se entrelaçam diante de nosso  olhos conscientes, cada dia que  passa,  da efêmera  temporalidade  na Terra. &lt;br /&gt;Bonita e comovente  foi aquela  declaração de um  anônimo que,  diante da câmera da TV,  comentando  sobre o Dia de Finados,    afirmou  com  muito  elevada  espontaneidade e sentido  perfeito  da data  e do lugar  que  estava visitando:   -  “Este lugar  merece só  respeito, muito respeito.”&lt;br /&gt;Não há como  desviar  nossa atenção  e   impregnar   o pensamento das  “asas de dor” dos que perdemos  no sorvedouro da vida. Lá estão  eles – essa gente querida  que se foi contra  nossa vontade. As imagens estão  lá longe, na capital  teresinense, em Amarante,  em Salvador, no Rio de Janeiro e quem sabe, em outros lugares   que não  chegaram ao nosso conhecimento. São  parentes, amigos,  conhecidos. São  pessoas  ilustres, comuns,  são  ídolos. O lamento    de finados  se estende a  um conjunto  de seres que já se  foram em  épocas diversas, em lugares  diferentes, em nossa  pátria ou na   pátria alheia. Ele assume  o tamanho da humanidade,  que amamos de formas  variadas.   Todos esses seres estão “dormindo  profundamente”  como no  poema  de Bandeira tantas  vezes  citado em razão do tema do  “ubi sunt?”&lt;br /&gt;Eis o Dia de Finados, motivo  de veneração,  de respeito,  de saudade e de  lembranças que aprendemos  a assimilar, sem aquela dor  aguda  da perda  recente. Se as perdas  são   terrenas, os ganhos   são  os das grandes  recordações,  dos fios da  memória,  das imagens  sublimes que nos  acompanharão  para sempre  pela vida  afora. Não há  desaparecimento absoluto. Os entes  queridos  que guardamos fortemente   na memória  fazem  parte  viva  de nosso ser e da nossa  temporalidade.  Não há como  perdê-los de vista. Estão presentes,  conosco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-3473619251271148963?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/3473619251271148963/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/11/somos-eternos_05.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/3473619251271148963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/3473619251271148963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/11/somos-eternos_05.html' title='Somos eternos'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-1737899431244243565</id><published>2011-11-01T09:47:00.000-07:00</published><updated>2011-11-01T09:50:12.194-07:00</updated><title type='text'>O Brasil  por enquanto ainda um  oásis no caos mundial</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No contexto das principais  nações do mundo, o nosso país ainda pode ser visto com   certo  otimismo. Nações ricas europeias e na América do Norte, os Estados Unidos,  na Ásia, o Japão abalado  pela Natureza  que lhe foi inclemente com   as terríveis  consequências  de perdas  humanas,  materiais  e econômicas   provocadas pelo último   tsunami que o atingiu,   os países  árabes ainda por serem  organizados  em seus sistemas  de governos, países africanos ainda assolados  pela fome e  por  instabilidades  políticas, econômicas, tudo isso  reverteu   em sérias   preocupações para dirigentes e  principalmente para os povos  daquelas  regiões.&lt;br /&gt;Devo reconhecer que esse caos planetário tem sua agressividade  mais  evidente nos setores  econômico e financeiro e  um dos seus  principais malefícios  à sociedade  veio na forma  de desemprego em massa. São milhões de desempregados espalhados tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, país que, como o nosso,  vale  por um continente. De alguma forma,  faz  relembrar os  sacrificados  tempos da  Grande Depressão  quando houve a  quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque em 1929. Os desdobramentos  da Grande Depressão todos  sabemos no que deram  para os destinos do  Planeta.  &lt;br /&gt; Com esta situação  mundial  anunciando  nuvens  pesadas e ameaçadoras, não vejo  como  não  fazer um  brevíssimo  paralelo entre o nosso país, a situação  dos países europeus e principalmente os Estados Unidos. &lt;br /&gt; Enquanto os países europeus endividados foram  socorridos  pela  Comunidade Econômica  Europeia, caso da Grécia, o mais gritante,  assim como  poderia mencionar  a Espanha, Portugal e Itália, o Brasil, conquanto de dimensões continentais,  tem conseguido  driblar  possíveis  riscos  de  insolvência  e turbulência  relacionadas a dívida   pública e de seu  sistema bancário  privado. Ou seja,  a economia  brasileira, apesar  de ainda apresentar  alguns  problemas de vária natureza, tem  conseguido  manter-se dentro de uma normalidade  na qual  o  maior  trunfo  seja   um relativo  controle  inflacionário. &lt;br /&gt;Na Europa  na qual  se encontram  os principais   países de economia   estável alguns  dos quais fazem  parte do grupo dos países  ricos, e apesar da  larga  experiência  e do expertise de suas estruturas financeiras,  a crise   econômica   se tornou logo   aguda e se alastrou com  praga para  outros países do mesmo  continente. &lt;br /&gt;Ora,  tal desacerto econômico-financeiro só pode ser atribuído à  irresponsabilidade de seus governos  cuja  origem se pode traçar nos gastos   excessivos dos governos e no  uso  indiscriminado  dos chamadas  aplicações  financeiras  de riscos, sobretudo na  esfera  privada,  &lt;br /&gt;Em outras palavras, a quebradeira  das finanças está intimamente  relacionada  às  especulações de investidores  gananciosos que, ao invés de  utilizarem seu  capital para  investimentos  orientados  ao   desenvolvimento  sustentado  de  seus  países, em setores  fundamentais, não movimentam positivamente  suas exportações  e  suas  importações   em níveis  de compatibilidade  de  gastos  e de  compromissos públicos visando ao  bem-estar  da sociedade. &lt;br /&gt; Esses gananciosos apenas estão  interessados  no jogo inescrupuloso  da  aventura   especulativa, em que o dinheiro aplicado somente   atende a  realimentar a ciranda  financeira e não a transformá-lo em  riqueza  nacional a ser  repartida  com  maior  justiça  social. A especulação  financeira  é da ordem  do individualismo  puro e simples, não da ordem social comum.&lt;br /&gt;Alguém já imaginou os EUA, país da riqueza, do poder armamentista e do alto  consumismo chegar, contraditoriamente,  i.e.,  mantendo  os multimilionários, à situação social  em que está? Desemprego,  pobreza,   sentimento  geral do  povo de um  país  que mostra declínio e perda  de hegemonia  em  setores    básicos  da sua vida  social, isso definiria  o país do Tio Sam  em nosso dias.&lt;br /&gt;É claro que  o  Brasil possui  inúmeros flagelos  ainda para serem  debelados  ou   pelo menos  reduzidos: a  alta criminalidade,  os problemas  graves  da saúde  pública,  a  educação  dos níveis fundamental e médio em  estado  precário e um dos seus  males  mais  negativamente   atuantes,   a corrupção  pública e privada de mãos dadas com a  impunidade. &lt;br /&gt;Pouco distante  estaria  o  Brasil  do sentido que  imprimi ao título  deste artigo  se  já  estivessem  solucionados   ou reduzidos grande parte   dos  males dos quais padece a  nossa sociedade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-1737899431244243565?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/1737899431244243565/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/11/o-brasil-por-enquanto-ainda-um-oasis-no_01.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/1737899431244243565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/1737899431244243565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/11/o-brasil-por-enquanto-ainda-um-oasis-no_01.html' title='O Brasil  por enquanto ainda um  oásis no caos mundial'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-3663552232361719171</id><published>2011-10-31T17:44:00.000-07:00</published><updated>2011-10-31T17:49:22.301-07:00</updated><title type='text'>Um poema de Percy Bysshe Shelley (1792-1822)</title><content type='html'>Ode to the West Wind&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                     1&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O wild West Wind, thou  breath of Autumn’s being,&lt;br /&gt;           Thou from whose unseen presence the  leaves dead&lt;br /&gt;Are driven like ghosts from an enchanter fleeing,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Yellow and black, and pale, and hectic red.&lt;br /&gt;Pestilence-stricken multitudes! O thou&lt;br /&gt;            Who chariotest to their dark wintry bed&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The winged seeds, where they lie cold and low,&lt;br /&gt;           Each like a corpse  within its grave, until&lt;br /&gt;Thine azure sister of the  Spring  shall blow &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Her clarion  o’er  the dreaming earth, and fill&lt;br /&gt;Driving sweet buds like flocks to feed in air &lt;br /&gt;          With living hues and odours plain and hill;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wild spirit which art moving everywhere;&lt;br /&gt;         Destroyer and preserver; hear, oh hear!   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                    2&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thou on whose stream, ‘mid the steep sky’s commotion,&lt;br /&gt;           Loose clouds like earth’s decaying leaves are shed,&lt;br /&gt;Shook from the tangled boughs of heaven and ocean, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Angels of rain and lightning! There are spread&lt;br /&gt;On the  blue surface of thine airy surge,&lt;br /&gt;            Like the bright hair uplifted from the head&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Of some fierce Maenad, even from  the dim  verge&lt;br /&gt;            Of  the horizon to the zenith’s height,&lt;br /&gt;The locks of the approaching storm. Thou dirge&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Of the  dying year, to which this closing night&lt;br /&gt;Will be the dome of a vast sepulcher,&lt;br /&gt;            Vaulted with all thy congregated might&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Of the  vapours, from whose solid atmosphere&lt;br /&gt;             Black rain, an d fire, and hail will burst: O hear!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                    &lt;br /&gt;                                    3&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thou who didst waken from his summer dreams,&lt;br /&gt;             The blue Mediterranean, where he lay,&lt;br /&gt;Lulled by the coil of his crystalline streams,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             Beside a pumice  isle in Baiae’s bay,&lt;br /&gt;And saw in sleep old palaces and towers&lt;br /&gt;             Quivering within the wave’s intensive day,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;All overgrown with azure moss, an d flowers&lt;br /&gt;               So sweet the  sense faints picturing them! Thou&lt;br /&gt;For whose path the Atlantic’s level   powers,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Cleave themselves into chasms, while far below&lt;br /&gt;The sea-blooms and oozy woods which wear&lt;br /&gt;            The sapless foliage of the ocean know&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thy voice, and suddenly grow grey with fear,&lt;br /&gt;            And tremble and despoil themselves: Oh hear!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                               4&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;If I were a dead leaf thou mightest bear;&lt;br /&gt;         If  I were a swift cloud to fly with thee:&lt;br /&gt;A wave to pant beneath thy power, and shave&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        The impulse of thy strength, only less free&lt;br /&gt;Than thou, O uncontrolable!  If  even&lt;br /&gt;        I were as in my boyhood, and could be&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The comrade of thy wanderings over heaven,&lt;br /&gt;       As then, when to outstrip thy skyey speed&lt;br /&gt;Scarce seemed a vision, - I would ne’er have striven&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        As thus with thee in prayer in my sore  need.&lt;br /&gt;Oh1 lift me as a wave, a leaf, a cloud!&lt;br /&gt;       I faint upon the thorns of life! I bleed!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A heavy weight of hours has chained and bowed&lt;br /&gt;      One too like thee – tameless, and swift, and  proud.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                          5&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Make me thy lyre, even as the forest is:&lt;br /&gt;       What if my leaves are  falling like its own?&lt;br /&gt;The tumult of thy mighty harmonies&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Will take from both a deep autumnal tone,&lt;br /&gt;Sweet though in sadness, Be thou, Spirit fierce,&lt;br /&gt;       My spirit! Be thou me,  impetuous  one!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Drive   me dead thoughts over the universe,&lt;br /&gt;       Like withered leaves,  to quicken a new birth;&lt;br /&gt;And, by the incantation of this verse,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Scatter as from an unextinguished hearth&lt;br /&gt;Ashes and sparks, my words among mankind;&lt;br /&gt;       Be through my lips  to unawakened earth&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The trumpet of a prophecy! O Wind,&lt;br /&gt;        If Winter comes, can  Spring be far  behind?  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                     Ode  ao Vento Ocidenal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                            1&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh, Vento Ocidental   selvagem,  exalas dos seres do outono o cheiro,&lt;br /&gt;       De tua presença invisível, as folhas mortas&lt;br /&gt;       Lançadas são tal como  fantasmas fugindo de um mágico.&lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;        Multidões delas de peste acometidas  ! &lt;br /&gt;                        Amarelas,  pretas,  pálidas e sanguíneas!  Ó tu&lt;br /&gt;        Que, em carruagens, te transportas ao seu sombrio canteiro de inverno&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         As sementes aladas, nas quais jazem frias e miúdas&lt;br /&gt;                 Cada qual como um cadáver na sua cova, até que&lt;br /&gt;         Tua azul-celeste irmã da Primavera toque&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        O seu clarim sobre a terra em sonhos, e encha de &lt;br /&gt;                 Pressurosos  suaves rebentos iguais a flores povoando o ar, &lt;br /&gt;        Nas planícies  e colinas, com cores e odores vivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Espírito selvagem que por toda a parte se move; &lt;br /&gt;               Destruidor e  preservador: escuta, oh, escuta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                       2&lt;br /&gt;        Tu, em cuja corrente, em meio à íngreme convulsão do firmamento,&lt;br /&gt;              Onde,  como folhas murchas da  terra, nuvens dispersas se  derramam        &lt;br /&gt;        Galhos emaranhados do céu e oceano sacudiste,&lt;br /&gt;       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Anjos da chuva e dos raios! Aí espraiados&lt;br /&gt;              Sobre a superfície  azul de teu vagalhão etéreo&lt;br /&gt;       Qual  brilhantes cabelos  levantados&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       De alguma terrível  Bacante, que vão  da fina borda do&lt;br /&gt;                Horizonte às alturas do zênite, &lt;br /&gt;       As madeixas da tempestade   que se avizinha.  Nênias entoas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                Ao ano que se despede, para o qual  esta  noite se acaba&lt;br /&gt;      Será a cúpula de um vasto sepulcro&lt;br /&gt;                Construído com todo o teu  poder  concentrado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      De vapores, de cuja  sólida atmosfera&lt;br /&gt;                Chuva negra, e fogo e granizo arrebentar-se-ão:  Escuta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                           &lt;br /&gt;                                                       3&lt;br /&gt;      &lt;br /&gt;      Tu que  de fato acordaste de seus sonhos de verão,&lt;br /&gt;                 O azul Mediterrâneo, onde jazia,&lt;br /&gt;       Acalentado pelo  azul espiralado de suas correntes  cristalinas,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                Junto a uma ilha de pedra-pome na baía  Baiae,&lt;br /&gt;       Viste adormecidos  vetustos  palácios e torres&lt;br /&gt;               Agitando-se num dia mais  intenso de ondas,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Invasão  completa  de musgos e flores azuis&lt;br /&gt;              Tão suaves que os sentidos não conseguem pintá-las! Tu&lt;br /&gt;    Por cujo caminho as forças do nível do Atlântico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;               Abrem-se em abismos, enquanto, bem no fundo, &lt;br /&gt;   As florações  marinhas e as florestas lodosas, que destroem&lt;br /&gt;                A folhagem seca dos oceanos,&lt;br /&gt;   Se agitam e se anulam, conheces&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Tua voz e súbito te tornas medroso: Escuta!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                 4&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Ah, fosse eu uma folha morta que pudesses segurar,&lt;br /&gt;             Ah, fosse eu uma nuvem veloz para  contigo:voar &lt;br /&gt;  Uma onda suspirando  por sob teu  poder e extirpar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           O impulso da tua força, só que menos  livre&lt;br /&gt;   Do que tu,  ó   incontrolável! Se pelo menos &lt;br /&gt;           Ainda estivesse na minha  infância e pudesse ser&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   O companheiro de tuas andanças nos céus &lt;br /&gt;           Pois então, quando  fosse para superar tua velocidade celeste&lt;br /&gt;   Mal pareceria uma visão, - Nunca teria eu feito tanto esforço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Quanto assim  contigo em prece nas horas de dolorida necessidade.&lt;br /&gt;   Oh! ergue-me como se uma  onda fosse, uma  folha, uma nuvem!&lt;br /&gt;          Caio sobre os espinhos da vida!  Sangro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Um fardo enorme de horas acorrentou-me e  me oprimiu&lt;br /&gt;          Alguém também como tu – rebelde,  dinâmico e orgulhoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                    &lt;br /&gt;                                                         5&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     De mim fazes a tua lira, igual  assim à floresta:&lt;br /&gt;         O que ocorreria se minhas folhas com as dela  caíssem!&lt;br /&gt;     A desordem das tuas  poderosas  harmonias&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Um profundo  tom outonal retirarão de ambos,&lt;br /&gt;   Suave  embora  triste. Sê tu, Espírito selvagem,&lt;br /&gt;         Meu espírito! Fazes de ti o meu  ser, impetuoso  espírito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Conduze meus pensamentos mortos através do  universo, &lt;br /&gt;         À semelhança da folhas murchas, a  fim de um novo   nascimento apressar;&lt;br /&gt;   E, pela  magia destes versos,  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Difundir, como se viessem de uma lareira sempre ardente, &lt;br /&gt;   Cinzas e centelhas, minhas palavras à humanidade&lt;br /&gt;        Através de minha boca para uma terra adormecida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Sê tu,  ó vento, a trombeta de uma profecia!&lt;br /&gt;       Com o retorno do  inverno,  não poderia a primavera logo sucedê-lo?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;        &lt;br /&gt;       (Trad. de Cunha e Silva Filho)&lt;br /&gt;         &lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        &lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;             ,&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-3663552232361719171?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/3663552232361719171/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/10/um-poema-de-percy-bysshe-shelley-1792_31.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/3663552232361719171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/3663552232361719171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/10/um-poema-de-percy-bysshe-shelley-1792_31.html' title='Um poema de Percy Bysshe Shelley (1792-1822)'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-3261816240427883345</id><published>2011-10-26T18:05:00.000-07:00</published><updated>2011-10-26T18:14:14.869-07:00</updated><title type='text'>Gaddafi: depois de morto</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mais uma  etapa vitoriosa se cumpriu no tocante aos movimentos   rebeldes conhecidos   como “A Primavera  Árabe”. Muammar  Gaddafi está morto. Foi trucidado,  levou  tiros, pancadas, foi surrado como um bandido qualquer  desses tão conhecidos  na América do Sul e num país chamado  Brasil. &lt;br /&gt;       O ditador sanguinário, que  manteve  relações  com  alguns países  ocidentais  e do  próprio  Oriente, procurou seu destino, cavou  sua própria cova. Eis o destino  reservado  a quem  tiraniza  um povo. Não há quem contenha um povo  indignado ao extremo.&lt;br /&gt;De alguma forma,  as imagens horripilantes, meio  manchadas  pela tela  das TVs.,  inconscientemente me fazem  recordar  a matança do Czar  russo  Nicolau II e da  família imperial na Revolução Russa  de 1917,  com a  implantação do regime  bolchevique e, em seguida, com a formação  da Rússia Soviética.&lt;br /&gt;Não se pense que esteja  defendendo a ditadura  líbia ou reprovando a queda de Gaddafi. O que  me interessa  aqui comentar  é   a forma da atrocidade, em situações de guerra civil,  a falta  de uma linha   correta de  tratar  governantes, ainda que  estes sejam   mentores de matanças   de compatriotas. O que não pode haver  são excessos de   barbárie que,  ipso facto,  se tornam  tão   hediondos quanto   o que cometeram  os tiranos. Destituir   tiranos  através de procedimentos legais,  posto  que mediados por órgãos internacionais  de defesa  da paz  mundial,  é uma coisa; cometer matança  pura  e simples,   sob  forte  sentimento do ódio e da  indignação,  justo que seja,  não faz sentido  se visto  pela  ilegalidade  e ausência  de julgamento  em  Tribunal  Internacional  competente.  &lt;br /&gt;Os EUA fizeram o que bem entenderam na invasão do Iraque, aniquilando  militares e  populações até  de civis, num bombardeio que mais  fazia pensar  na  chegada do  Armaggedon,  usando  todo o seu  poderoso   arsenal  militar  de  extermínio e, naquela  época,  o Iraque  não   foi   socorrido  pelos  instituições mais   importantes  para deliberar   sobre   a segurança  e  resguardo da soberania   dos  países, como   a ONU, a OTAN. Bush filho  não foi  julgado por nenhum fórum  internacional. Ao arrepio da  Lei , sem consultar  ninguém, alvitrou  o que lhe fosse  conveniente para liquidar  com  Saddam Hussein sem  necessidade   imperiosa alguma. Mesmo  sob  a alegação de  estar  invadindo  o Iraque  porque  este país  continha   armamento  nuclear – o que  se provou  que não tinha -  ainda assim  cometeu    atrocidades   ilimitadas  contra   não só  a  população indefesa,  como   contra o  patrimônio  histórico   do país. E mais:  deslocou  um gigantesco  contingente  de soldados    para   “manter e consolidar  “  a fase de transição  para uma novo  governo tutelado  pelo governo   americano. Os EUA causaram  perdas  incalculáveis de  soldados  americanos na invasão  do Iraque.  Economicamente,  levou  o país a  fazer gastos   astronômicos   nas ações  bélicas e na  manutenção das tropas  militares,   provocando    prejuízos   financeiros  ao povo americano    cujas consequências   ajudaram a  conduzir  o país à gravíssima  situação  de endividamento  atual. Milhões e milhões de dólares foram inutilmente  perdidos  numa guerra  desnecessária, injusta  e  tresloucada. Bush  filho  passou ileso e entregou  a batata quente  para  Barack  Obama. &lt;br /&gt;Só esperamos que,  com a queda  de Gaddafi, as potências que, através da OTAN,   combateram   as forças  militares  do ditador,   com bombardeios e com  ajuda  em material   bélico, não se transformem  em  outros exemplos  de   países  paternalistas   que, no fundo,  estejam  vislumbrando  alguma   gorda recompensa  econômica  via  petróleo. Esta hístória  já aconteceu em  outras   épocas e, portanto,   cumpre  que as nações democráticas  e soberanas estejam atentas  aos  desdobramentos  no país de Gaddafi. A era do colonialismo ou do neo-colonialismo   deve ser  encarada como uma  página  virada e não como  um  ato em  potência.&lt;br /&gt;A “Primavera Árabe” não pode nos decepcionar, como sugeriu  um prognóstico sombrio de um  jornalista  e escritor brasileiro. Ou seja,  organizado em suas primeiros  passos um governo  de transição,  é de se esperar  que seus líderes mais em evidência  não permitam que o país  sofra um  retrocesso caindo nas mãos  de um  novo  déspota tanto ou mais  sanguinário do que  Gaddafi.  Desse risco, não estamos   livres se levarmos em conta  o prognóstico  do jornalista.&lt;br /&gt; Neste aspecto, cumpriria  à ONU principalmente  precaver-se   contra os inimigos  da liberdade  e  da democracia. No entanto,  na organização de um  Estado democrático, há que haver  retidão  e senso  de alta  responsabilidade dos organismos  internacionais. Ensinar os princípios  fundamentais da democracia para  povos  que  viveram longos anos  sob  regimes  autoritários demanda  paciência,  equilíbrio e grande  renúncia  por   parte dos órgãos  internacionais.&lt;br /&gt; O objetivo  supremo  será  dar suporte  às nações  mais  fracas e de culturas  bem  diferentes  das do Ocidente. No conjunto de problemas a serem enfrentados   não se  poderão deixar  de lado  as questões   religiosas,  étnicas,  de tribos,  de grupos   que  representam  alteridades, costumes e  hábitos de vida social  diversos dos  países  ocidentais.   A globalização que aí está   talvez seja um meio  de  se poder   equacionar  estratégias  que   sirvam de  orientação,  de aprendizagem e de buscas   de caminhos  ou vias   de adaptação aos estilos de vida  ocidental. A palavra-chave, neste caso, seria adaptar sem  perder  as raízes,   a identidade  nacional, entendida,  porém,  esta  sem   xenofobias nem discriminações  nem recorrer a  recursos de  ultrapassadas teorias deterministas.    &lt;br /&gt;O mal  das  civilizações  reside nos  extremismos  e  no espírito  do fanatismo   míope e  perigoso. O homem não nasceu sabendo, mas surgiu  na Terra para  dotar-se de conhecimento,  de saber  reconhecer  diferenças  sem  cair  no sentimento  de  hostilidade  em relação ao  diferente. Podemos  ser diferentes  em muitos   aspectos sem com isso   perdermos  a racionalidade,   a capacidade  de discernimento e de consciência  plural  da  vida  e dos homens. Até os  animais  irracionais aprendem desde que sejam ensinados  e treinados adequadamente. &lt;br /&gt;Com estas e outras  sugestões  visando ao bem-estar do indivíduo  considerado   na sua universalidade de ações  e de  comportamentos, acredito que aos poucos  os ditadores   desapareçam   em definitivo   do convívio humano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-3261816240427883345?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/3261816240427883345/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/10/gaddafi-depois-de-morto_8657.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/3261816240427883345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/3261816240427883345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/10/gaddafi-depois-de-morto_8657.html' title='Gaddafi: depois de morto'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-7270389290880144885</id><published>2011-10-26T12:27:00.000-07:00</published><updated>2011-10-26T12:29:42.122-07:00</updated><title type='text'>Gaddafi: depois de morto</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mais uma  etapa vitoriosa se cumpriu no tocante aos movimentos   rebeldes conhecidos   como “A Primavera  Árabe”. Muammar  Gaddafi está morto. Foi trucidado,  levou  tiros, pancadas, foi surrado como um bandido qualquer  desses tão conhecidos  na América do Sul e num país chamado  Brasil. &lt;br /&gt;       O ditador sanguinário, que  manteve  relações  com  alguns países  ocidentais  e do  próprio  Oriente, procurou seu destino, cavou  sua própria cova. Eis o destino  reservado  a quem  tiraniza  um povo. Não há quem contenha um povo  indignado ao extremo.&lt;br /&gt;De alguma forma,  as imagens horripilantes, meio  manchadas  pela tela  das TVs.,  inconscientemente me fazem  recordar  a matança do Czar  russo  Nicolau II e da  família imperial na Revolução Russa  de 1917,  com a  implantação do regime  bolchevique e, em seguida, com a formação  da Rússia Soviética.&lt;br /&gt;Não se pense que esteja  defendendo a ditadura  líbia ou reprovando a queda de Gaddafi. O que  me interessa  aqui comentar  é   a forma da atrocidade, em situações de guerra civil,  a falta  de uma linha   correta de  tratar  governantes, ainda que  estes sejam   mentores de matanças   de compatriotas. O que não pode haver  são excessos de   barbárie que,  ipso facto,  se tornam  tão   hediondos quanto   o que cometeram  os tiranos. Destituir   tiranos  através de procedimentos legais,  posto  que mediados por órgãos internacionais  de defesa  da paz  mundial,  é uma coisa; cometer matança  pura  e simples,   sob  forte  sentimento do ódio e da  indignação,  justo que seja,  não faz sentido  se visto  pela  ilegalidade  e ausência  de julgamento  em  Tribunal  Internacional  competente.  &lt;br /&gt;Os EUA fizeram o que bem entenderam na invasão do Iraque, aniquilando  populações até civis, num bombardeio que mais  fazia pensar  na  chegada do  Armagedon,  usando  todo o seu  poderoso   arsenal  militar  de  extermínio e, naquela  época,  o Iraque  não   foi   socorrido  pelos  instituições mais   importantes  para deliberar   sobre   a segurança  e  resguardo da soberania   dos  países, como   a ONU, a OTAN. Bush filho  não foi  julgado por nenhum fórum  internacional.. Ao arrepio da  Lei , sem consultar  ninguém, alvitrou  o que lhe fosse  conveniente para liquidar  com  Saddam Hussein sem  necessidade   imperiosa alguma. Mesmo  sob  a alegação de  estar  invadindo  o Iraque  porque  este país  continha   armamento  nuclear – o que  se provou  que não tinha -  ainda assim  cometeu    atrocidades   ilimitadas  contra   não só  a  população indefesa,  como   contra o  patrimônio  histórico   do país. E mais:  deslocou  um gigantesco  contingente  de soldados    para   “manter e consolidar  “  a fase de transição  para uma novo  governo tutelado  pelo governo   americano. Os EUA causaram  perdas  incalculáveis de  soldados  americanos na invasão  do Iraque.  Economicamente,  levou  o país a  fazer gastos   astronômicos   nas ações  bélicas e na  manutenção das tropas  militares,   provocando    prejuízos   financeiros  ao povo americano    cujas consequências   ajudaram a  conduzir  o país à gravíssima  situação  de endividamento  atual. Milhões e milhões de dólares foram inutilmente  perdidos  numa guerra  desnecessária, injusta  e  tresloucada. Bush  filho  passou ileso e entregou  a batata quente  para  Barack  Obama. &lt;br /&gt;Só esperamos que,  com a queda  de Gaddafi, as potências que, através da OTAN,   combateram   as forças  militares  do ditador,   com bombardeios e com  ajuda  em material   bélico, não se transformem  em  outros exemplos  de   países  paternalistas   que, no fundo,  estejam  vislumbrando  alguma   gorda recompensa  econômica  via  petróleo. Esta hístória  já aconteceu em  outras   épocas e, portanto,   cumpre  que as nações democráticas  e soberanas estejam atentas  aos  desdobramentos  no país de Gaddafi. A era do colonialismo ou do neo-colonialismo   deve ser  encarada como uma  página  virada e não como  um  ato em  potência.&lt;br /&gt;A “Primavera Árabe” não pode nos decepcionar, como sugeriu  um prognóstico sombrio de um  jornalista  e escritor brasileiro. Ou seja,  organizado em suas primeiros  passos um governo  de transição,  é de se esperar  que seus líderes mais em evidência  não permitam que o país  sofra um  retrocesso caindo nas mãos  de um  novo  déspota tanto ou mais  sanguinário do que  Gaddafi.  Desse risco, não estamos   livres se levarmos em conta  o prognóstico  do jornalista.&lt;br /&gt; Neste aspecto, cumpriria  à ONU principalmente  precaver-se   contra os inimigos  da liberdade  e  da democracia. No entanto,  na organização de um  Estado democrático, há que haver  retidão  e senso  de alta  responsabilidade dos organismos  internacionais. Ensinar os princípios  fundamentais da democracia para  povos  que  viveram longos anos  sob  regimes  autoritários demanda  paciência,  equilíbrio e grande  renúncia  por   parte dos órgãos  internacionais.&lt;br /&gt; O objetivo  supremo  será  dar suporte  às nações  mais  fracas e de culturas  bem  diferentes  das do Ocidente. No conjunto de problemas a serem enfrentados   não se  poderão deixar  de lado  as questões   religiosas,  étnicas,  de tribos,  de grupos   que  representam  alteridades, costumes e  hábitos de vida social  diversos dos  países  ocidentais.   A globalização que aí está   talvez seja um meio  de  se poder   equacionar  estratégias  que   sirvam de  orientação,  de aprendizagem e de buscas   de caminhos  ou vias   de adaptação aos estilos de vida  ocidental. A palavra-chave, neste caso, seria adaptar sem  perder  as raízes,   a identidade  nacional, entendida,  porém,  esta  sem   xenofobias nem discriminações  nem recorrer a  recursos de  ultrapassadas teorias deterministas.    &lt;br /&gt;O mal  das  civilizações  reside nos  extremismos  e  no espírito  do fanatismo   míope e  perigoso. O homem não nasceu sabendo, mas surgiu  na Terra para  dotar-se de conhecimento,  de saber  reconhecer  diferenças  sem  cair  no sentimento  de  hostilidade  em relação ao  diferente. Podemos  ser diferentes  em muitos   aspectos sem com isso   perdermos  a racionalidade,   a capacidade  de discernimento e de consciência  plural  da  vida  e dos homens. Até os  animais  irracionais aprendem desde que sejam ensinados  e treinados adequadamente. &lt;br /&gt;Com estas e outras  sugestões  visando ao bem-estar do indivíduo  considerado   na sua universalidade de ações  e de  comportamentos, acredito que aos poucos  os ditadores   desapareçam   em definitivo   do convívio humano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-7270389290880144885?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/7270389290880144885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/10/gaddafi-depois-de-morto_9498.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/7270389290880144885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/7270389290880144885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/10/gaddafi-depois-de-morto_9498.html' title='Gaddafi: depois de morto'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-3805812079918781107</id><published>2011-10-24T07:08:00.000-07:00</published><updated>2011-10-24T07:25:20.565-07:00</updated><title type='text'>Destino dos ditadores versus  vozes prudentes</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Muamar Kadaffi  foi mais um exemplo dos indivíduos   que,  governando  pelo regime de  força, se  entronizam  no pode através de golpes. E principalmente de golpe baixos sacrificando numerosas vítimas, derramando  sangue por toda parte,  não  respeitando ninguém nem nada. Para eles a Lei são eles próprios, a nação é deles, de sua família e partidários  mais  próximos.  Formam seu  próprio  exército com soldados   que viram  verdadeiros capachos do poder  ilegítimo.  Tais soldados não pensam, não raciocinam, obedecem  cegamente às  selvagerias  determinadas  pelos ditadores. Ai de quem  ousar  contrariar  as ordens desses   senhores  donos  do direito de viver e de morrer  de  seus compatriotas.  O povo é uma abstração. Só serve para  atender às suas determinações  e aos seus caprichos tresloucados. Estão sempre acima da  Lei das nações  organizadas e com certo  grau  de  estabilidade institucional, já que  atualmente não há governos   e sistemas  políticos  rigorosamente   democráticos. &lt;br /&gt;       A História  dá Humanidade  está cheia desses  exemplos,  com variadas cores,  com  diferentes níveis  de autoritarismo, com  formas novas  de  dominar  povos com  a  mão de ferro.  A lista é enorme: Stálin,  Hitler,  Mussolini, Franco, Salazar, Idi Amin, Mubarak, Saddam Hussein e, agora,  Kadaffi. É fácil prever quem é , na linha de sucessão  da queda, o seguinte. &lt;br /&gt;        Meditando sobre  o passado,  a gente constata as contradições do  curso  dos acontecimentos   que  fazem  a História e aí vemos  ditadores  cumprimentando,  em ocasiões solenes,    líderes importantes  considerados  democráticos ou homens da paz. Todos  sorridentes. Nem imaginavam  eles que estavam  diante de  feras e de indivíduos sanguinolentos prontos a cometer  desatinos  e genocídios,  prontos a matar indiscriminadamente  dezenas e milhares de civis  compatriotas, prontos a fazer  acordos com  países em detrimento  de outros países. Não dá mesmo  para  entender  o gênero  humano.  Tudo, no  concerto das nações, tanto as do Ocidente quanto as do Oriente, não passa de conjunturais  interesses econômicos,  geopolíticos. Não existe  pax universalis.  Tudo não é mais do que uma  “comédia  de erros” seguida, contraditoriamente,  de um tragédia.  Comédias que ainda se repetem e tragédias que não parecem ter  fim. &lt;br /&gt;È bem verdade que um fato novo não pode ser  negligenciado por quem  observa  o triste palco  mundial:  A   Primavera dos Árabes   não significa apenas  um fato  real  mas  - quem diria -  se converte  em lições   na vida dos povos. Do mundo  bárbaro ou  civilizado. Há uma  grande ideia  ainda germinativa e de natureza convergente, independente de culturas e etnias, de  idades ou nacionalidades. Esta grande ideia tende  a uma unidade  de  pensamento  de que há  muito tempo, senão séculos,  o ser humano  necessita: a  de  dar voz ao que  de essencial   ele possui de consciência,  de  bom-senso,  de solidariedade  e de consenso  no que  respeita  a  uma convivência  sadia – não diria ideal para que não  me imputem  com  a pecha de utópico -   que começa a dar  seus  primeiros  sinais. Tal é o  exemplo do  movimento denominado “Ocupem Wall Street”,  em Nova Iorque. &lt;br /&gt;Pode quem   quiser  dizer que  o comportamento  desses jovens  é pueril,   passageiro e não redundará em nada. Não creio  nesta versão   própria  dos espíritos  globalizados  que  têm sua  inteligência e  sua formação  cultural  voltadas  para  o pragmatismo   das visões  norteadas  pelo  capitalismo,   pela vida financeira , pela confiança  na globalização  neoliberal. O fetichismo   capitalista,   a “religião” do poder  econômico pertence a traços  do ser humano  muito  semelhantes  a quase  patologias sociais   dos indivíduos fanáticos, de indivíduos que foram treinados   intelectualmente para   pensar a partir  e seus interesses  financeiros,  seja como teóricos   da economia  pró-neoliberalismo  seja como  atores  empenhados  no jogos das Bolsas de Valores, nas projeções de  ganhos  de dividendos, dos títulos, de lucros cada vez  maiores, sem limites,  sem  preocupações com   valores  morais nem humanitários  e, o que é  pior,  em  escala  global..  O que os  impele são  a avidez a todo  preço e a todo custo.Massacram as massas, os pobres pelas aperturas  financeiras, pelos juros extorsivos,  pela  fraude,  pela manipulação  de   taxas, de emolumentos etc. etc. Essa é uma “ditadura silenciosa, mas tão  letal ao indivíduos quanto  os massacres das baionetas  e dos tanques.&lt;br /&gt;Aquilo que  os rebelados  civis  fizeram  e têm feito  no mundo árabe , no fundo,   equivale às vozes  dos que  não estão mais  aguentando   o massacre, a ditadura  econômica,  a fraude financeira nacional e transnacional. Por outras palavras,  o que a humanidade  de bem  deseja a todo  custo  é poder viver com dignidade, não ser  espoliada  pelas forças do mercado   hostil. Os jovens indignados e íntegros que se espalham   pelas cidades   do mundo  divulgando  suas ideias de liberdade, de emprego,  de melhoria de vida,  de direito a ter um emprego e uma família,   e de se rebelarem  contra instituições bancárias e com  a prepotência  dos multimilionários dos  países mais ricos do  Planeta não se diferenciam   das  vozes  indignadas dos rebeldes árabes.&lt;br /&gt; O mundo, a esta altura,  está  cansado  do engodo e falcatruas   globais, de políticos de mãos sujas, de egoístas  que se encontram em todas  os setores da vida social. O que os árabes e os jovens ocidentais  mais querem  é poderem  exercer, através  de suas    reivindicações  pacíficas,    lideranças sem  necessariamente  vínculos  políticos, mas  que  redundem  na transformação  dos comportamentos da  nações  que, ricas,   perdulárias,  só se  preocupam  com os seus   próprios mundos  dos negócios  e com o  estímulo  ao consumismo  por eles, ricos,   prestigiados. A massa da população ficou  ilhada nos seus limites   de  liberdade  relativa,  de  pensamento   silenciado,  de direitos  postergados. &lt;br /&gt;A verdadeira  revolução  mundial depende  das mudanças  da política, do combate à corrupção de toda  espécie   e de uma  distribuição   de riqueza feita  sob  a égide dos   valores  humanos e não  financeiros. Se Estados  totalitários não deram  certo  e se agora com  a   exacerbação  do capitalismo   o mundo    não  tem melhorado  em  valores absolutos,  ou melhor,  o capitalismo tem dado sinais  de  grandes  descontentamentos  e mesmo  indignação entre  o povos que por ele  optaram, resta  procurar um realinhamento de convivência  política, com liberdade  e bem-estar.&lt;br /&gt;Enquanto  houver   milionários  egoístas no mundo inteiro  insensíveis à sorte  dos outros, i.e., dos pobres, dos explorados,  seja por governos,  seja  pela  engrenagem  realimentadora do funcionamento do   capitalismo, como  consumismo,   individualismo,  ausência de solidariedade, avidez  dos  que vivem  de investimentos  improdutivos  que só visam aos  lucros  tentaculares,  as vozes dos grupos heroicos  de Wall Street e dos  rebeldes  da “Primavera  Árabe  hão de    gritar até  que  os donos do poder  econômico  mundial  mudem  sua  ética  e sua falta  de sensibilidade e, o que é mais grave,  não enfrentem a fúria  dos  indignados, que têm seus limites  ainda que tardios.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-3805812079918781107?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/3805812079918781107/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/10/destino-dos-ditadores-versus-vozes_24.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/3805812079918781107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/3805812079918781107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/10/destino-dos-ditadores-versus-vozes_24.html' title='Destino dos ditadores versus  vozes prudentes'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-217509832359689807</id><published>2011-10-11T13:54:00.000-07:00</published><updated>2011-10-11T13:55:51.868-07:00</updated><title type='text'>Até que enfim!</title><content type='html'>Querer minimizar o grupo de manifestantes do movimento  de protesto chamado “Ocupem  Wall Street” é tentar tapar o sol com a  peneira.&lt;br /&gt;                  Não consigo ir fundo nas minhas memórias e delas retirar  alguma manifestação, exceções feitas à Guerra do Vietnã, aos movimentos de igualdade  racial, ou mais  remotamente, à  Grande Depressão de 1929. A visão que, por muito tempo,  se teve dos EUA é a de um  país capitalista,  com maioria protestante e como  a terra dos  multimilionários, celebridades  do mundo dos negócios,  do mundo artístico,  dos donos das mansões  paradisíacas, da sociedade  do dinheiro, do consumo   estratosféricos.Como dizia,  manifestações de protestos de cunho social sobre a   política econômica americana, falar    de  pobreza extrema de cidadão americanos soaria  quase como  uma  fato  inventado de mau  gosto. É certo que os EUA  passaram  pelo desassossego trágico  do  11 de Setembro, porém  este  é um acontecimento  que foge  ao ponto central deste artigo.&lt;br /&gt;Discordo da posição do sociólogo americano Michael Burawoy (Folha de São Paulo,09/10/11),   da Universidade de Berkeley (EUA) que não enxerga no grupo  de protestos “Ocupem a Wall Street” maior significação com consequências danosas  ao capitalismo   americano. Prefiro   me alinhar às argumentações mais realistas e sensíveis  do colunista do New  York Times, Paul Krugman(O Globo, 08/10/11), diante  dessa gente que,  para o citado sociólogo de Berkeley,  não passa de protestos de “excluídos,’   não como ele entende, de “explorados”. Por “explorados” quer  ele significar indivíduos que têm trabalho, “posição  estável,” sem, todavia,  se importarem com a inevitável condição de espoliados pelo capitalismo  nacional ou transnacional. Convém notar nesta questão dos protestos que até o presidente do Fed de Dallas, Richard Fisher, numa palestra no Texas,  afirmou  serem procedentes os protestos  dos manifestantes.&lt;br /&gt;O título do artigo de Krugman é explicitamente ácido e impactante: “Contra os malfeitores.” O lúcido  jornalista não poupa os banqueiros  ambiciosos,  Shylocks da pós-modernidade,  do neoliberalismo  tentacular. O articulista vai até à raiz da questão crucial entre  exploradores, explorados e acrescentaria de minha parte,   os “excludentes”  de que  falou o sociólogo Michael Buravoy.&lt;br /&gt;Para auferirem somas  multimilionárias de dinheiro se aproveitaram da chamada “abertura  do mercado” – espaço  econômico-financeiro no qual se comportam com a liberdade suprema e o direito de tocar investimentos  meramente especulativos,  que não visam a nenhuma melhoria  das condições  de vida  das  populações.Só o que lhes aguça o  interesse são os dividendos, “ o  quanto deu na Bolsa”, os lucros  fáceis e  tanto melhores quanto mais altos  encontrem  fontes de investimentos  em países  de altos  juros que, assim,  lhes  renderão  fábulas  de  dólares  e , em seguida,  transferências  de lucros para  os   paraísos fiscais e para seus gastos  nababescos com iates,  carros  milionários,  mulheres bonitas  e sibaritismo   de vida.&lt;br /&gt; Krugman  cita  todos os atos  praticados  por banqueiros  agiotas sem escrúpulos que em ações seguidas  reveladoras  do desrespeito à pessoa humana,  como  foi o caso da  famosas  tramóias em  foram de  “bolhas” resultantes de  empréstimos suspeitos, com o  socorro obtido com o governo  federal e igualmente com o aval conseguido com  políticos a fim  de  estes lograssem, junto ao Estado financiador  e salvador  de bancos quebrados, juros mais baixos e, após passada a crise,  novamente  se  beneficiarem das regulações estatais,  ou seja,  o  estatismo é bom quando  o neoliberalismo  se dá mal. O Leviatã temido transmuda-se em  Papai Noel, ou melhor,  em Santa Claus   do neoliberalismo global. Que contrassenso e ironia macabra! No final  da refrega,  esses  banqueiros terminam  por  saírem  ilesos  e lépidos das negociatas por eles   cometidas.&lt;br /&gt;Numa reportagem  de meia página, sob o título  geral “Turbulência Global”, vê-se o quanto a toda poderosa  Wall Street – centro financeiro do capitalismo  planetário – não pode  mais  ocultar a verdade dos fatos sobre  a  delicada questão  econômico-social de parte do  povo  americano. &lt;br /&gt;Na foto reproduzida no jornal podemos perceber sem esforço o  rumo que tomaram os protestos se espalhando  por cidades  como Washington,  Los Angeles, Tampa, Nova Jersey, Filadélfia, Chicago, Houston, Nashville, Seattle, entre outras.&lt;br /&gt;Basta analisar semiologicamente os pôsteres,  os cartazes e as fisionomias dos participantes para entendermos  que não é tão  simples  assim  o movimento  de protestos americanos.Vejam-se algumas  frrases para ilustração: “Este nãoç ´pe o futuro que nos prometeram”;  “Empregos, nãoç acortes”;  “Paz, não  guerra”; “Covbrem impostos dos ricos”; “O reinado dos bancos, corporações gan aanciosas”; “Políticos não são  mercadoria” etc., etc.&lt;br /&gt;Este é o país do “sonho americano”, “A Terra da Promissão”, o lugar encantado  da imigração  passada, da clandestinidade a peso de ouro e do fracasso da imigração à custa  de vidas  humanas.&lt;br /&gt;O momento crítico requer paciência e prudência. Quando os americanos, em diversas cidades importantes,   difundiram a onda de  protestos é sinal  de que  imperativo se torna uma busca urgente para  reduzir esse desgaste.&lt;br /&gt;Qual seria a relação, pergunto, em ter as manifestações dos povos árabes pela liberdade e governos democráticos e esse sinal  não desprezível de americanos  descontentes com um longo  tempo de silêncio  voluntário  ou de alienação conveniente a  cada cidadão o americano?&lt;br /&gt;Existem pontos comuns entre as duas situações evidentemente. Há uma frase que  se está  tornando  um slogan: “O tempo das ditaduras  acabou”, frase que foi proferida  pelo ex-presidente Bush  pai no tempo da Guerra do  Golfo. Para  a conjuntura americana atual,,  a frase  corresponderia : “Basta de tanta  protelação com  respeito ao sistema financeiro americano.”&lt;br /&gt;Os manifestantes da “Ocupe m a Wall Street”  parecem  ressoar semelhantes protestos próprios  de países  subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, i.e.,  na América Latina,  na América do Sul, no Caribe,  em  países africanos etc.,  etc.&lt;br /&gt;Uma questão  fulcral se impõe  a um debate sério e profundo: o modelo neoliberal globalizado já deu  farta demonstração de que é imperfeito e injusto, além  de lesivo ao bem-estar dos povos. Há que se transformar em alguns  pontos-chave, o primeiro dos quais seria a moralização da vida econõmico-financeira dos países  que já passaram  por amargas experiências (e ainda estão, como  na Grécia). Sem  mudar  o comportamento ético  daqueles  que lidam com  as finanças  nacionais, será cada vez mais  impossível de lidar com  os sistemas  de moedas, a riqueza natural, os bens da Natureza, o meio-ambiente global, o exagero da produção industrial-tecnológica em seu afã de  mais e mais  servir ao consumismo internacional, numa espécie de guerra entre mercados sem que  haja um equilíbrio  necessário entre compra e venda, moeda e  câmbio, a questão dos juros. Sobretudo,  atacando com virulência o mal do novo tempo: produzir riqueza proveniente do trabalho, da indústria e do comércio,   do setor de serviços, e reduzir o tipo mais  pernicioso de riqueza: a de ganhar   dinheiro sem  o  suor do trabalho mas  às expensas da  agiotagem   nacional  e internacional.&lt;br /&gt;Esta suposta riqueza sem finalidades  de  desenvolver  os países  pobres e miseráveis não é senão um câncer maligno que deve ser extirpado do mundo   dos negócios no país e entre  países. Esta falaciosa  riqueza só traz vantagens aos   investidores de papéis podres.&lt;br /&gt;                  A continuarem em suas investidas de ganhos fabulosos   conquistados nas especulações  oportunistas  e insensíveis do hiper-individualismo  mercantilista, os senhores  do  big business globalizado  só irão provocar novos  protestos da humanidade   que,  com  justiça se  volta contra a opressão da pobreza, do desemprego,  da falta de perspectivas de vidas dignas. Os regimes  políticos,, as formas de governos, os sistemas  políticos que se acautelem, aqui e alhures.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-217509832359689807?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/217509832359689807/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/10/ate-que-enfim_3781.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/217509832359689807'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/217509832359689807'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/10/ate-que-enfim_3781.html' title='Até que enfim!'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-5696975390596977630</id><published>2011-10-06T17:14:00.000-07:00</published><updated>2011-10-06T17:15:50.333-07:00</updated><title type='text'>Um poema de Edna St. Vincent Millay (1892-1950)</title><content type='html'>On hearing a symphony of Beethoven&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sweet sounds, oh, beautiful music, do not cease!&lt;br /&gt;Reject me not into the world again.&lt;br /&gt;With you alone is excellence and peace,&lt;br /&gt;Mankind made  plausible, his  purpose  plain.&lt;br /&gt;Enchanted in your air benign and shrewd,&lt;br /&gt;With limbs a-sprawl and empty faces pale,&lt;br /&gt;The  spiteful an d the stingy and the rude&lt;br /&gt;Sleep like the scullions in the fairy-tale.&lt;br /&gt;This moment is the best the world can give:&lt;br /&gt;The tranquil blossom on the tortured stem.&lt;br /&gt;Reject me not, sweet sounds! Oh, let me live,&lt;br /&gt;Till Doom espy my towers  and scatter them,&lt;br /&gt;A city spellbound under the aging sun.&lt;br /&gt;Music my rampart, and my only one.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             Quando ouço uma sinfonia de Beethoven&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Oh,  melodiosos son,s  divina música,  eterna sempre!&lt;br /&gt;O mundo  outra vez não me  recuses.&lt;br /&gt;Só contigo existem a  paz e a beleza,&lt;br /&gt;A humanidade plausível,  seu intento explícito.&lt;br /&gt;Fascinada com seu ar generoso e penetrante,&lt;br /&gt;Com seus desajeitados  membros e rostos  pálidos e vazios,&lt;br /&gt;Os rancorosos, os mesquinhos e os  grosseiros&lt;br /&gt;Dormem qual  lavadores de prato dos contos de fadas.&lt;br /&gt;O melhor que o mundo oferecer  pode é este instante:&lt;br /&gt;Do caule   torturado o desabrochar  tranquilo.&lt;br /&gt;Melodiosos   sons,  não me rejeites, vida quero.&lt;br /&gt;Até que a Parca minhas torres aviste e as espalhe,&lt;br /&gt;Sob o sol envelhecendo uma cidade  encantada,&lt;br /&gt;Música, muralha minha, sem igual.&lt;br /&gt;                                    &lt;br /&gt;                                            (Trad. de Cunha e Silva Filho)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-5696975390596977630?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/5696975390596977630/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/10/um-poema-de-edna-st-vincent-millay-1892_5551.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/5696975390596977630'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/5696975390596977630'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/10/um-poema-de-edna-st-vincent-millay-1892_5551.html' title='Um poema de Edna St. Vincent Millay (1892-1950)'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-6100940205066400446</id><published>2011-09-30T09:52:00.000-07:00</published><updated>2011-09-30T09:53:07.442-07:00</updated><title type='text'>Muitas saídas e poucas soluções</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes,  me pergunto  como justificar tantos volumes de páginas sobre  religiões   foram  gastos, tantas descobertas  científicas  foram  feitas, tantos  compêndios de direito, da família,  cível,  do trabalho, processual, constitucional, de filosofia,  do trabalho, organizações  dos  direitos  humanos,  de proteção aos idosos, de proteção à infância e à  juventude, aos  animais,  ao meio ambiente,  se, na prática, pouco  coisa  sobra  de  eficaz, de constante,  de útil para  todos nós.&lt;br /&gt; Acima das línguas, das etnias, dos costumes,  das práticas  sociais, dos desejos de  paz universal persistem   as oposições,  os inimigos dos semelhantes e da humanidade,  dos seres que no  Planeta só vieram provavelmente   para  o cometimento  do mal e da sua  difusão.&lt;br /&gt;Fazer o bem, sempre digo,  é um ato   dificílimo   requer muita grandeza  da alma, muita  renúncia, muito amor ao  próximo e tabmém muita incompreensão. Por isso,  os santos,  os limpos de espírito,  os defensores  da paz,  da humanidade,  do  Terra, das crianças,  dos idosos,  dos fracos são  poucos.  Razão tem/tinha/terá   Drummond, o grande   bardo de Itabira   “Mundo, mundo, vasto mundo/, se  eu me chamasse Raimundo/, seria uma rima, não uma solução.”&lt;br /&gt;Os tempos  atuais não são   aqueles dos melhores  mundos  possíveis. Muito ao contrário. Para onde  olhamos, nos cercam  de apreensões, de  projeções, em geral, mais  sombrias do que  radiantes. A Terra me lembra uma “Serra das confusões.”  Ou seria uma  Wasteland  elliotiana? &lt;br /&gt;Instituições antigas, com a família, a igreja, para ficarmos só nestes  dois  exemplos, atravessam  uma fase  terrível  de  desapreço e de desmoralização  com  fundamentos  que  saem do próprio seio de cada uma. Como pode um  igreja  exigir  dignidade  de comportamento   sexual se, no seio dela,  campeia   práticas  torpes  de   sexualidade,  com  notícias   comprovadas abertamente  pela mídia internacional?  Como  ser pai e ao mesmo tempo  ser acusado de pedofilia praticada contra o seu  próprio sangue? Em que mundo estamos? Como igrejas conseguem  arrancar  de  ignorantes anestesiados  por  espertalhões que aos templos  entregam  o que  não têm, confiantes  na  ilusão  do paraíso aqui na Terra  de verem seus modestos   desejos transformados em realidades  que dispensariam a  mediação  enganosa daqueles que oferecem  “migalhas”  de seus minguados  salários ou economias que irão se transformar em   corporações  de negócios milionários nacionais  e transnacionais.  Algumas seitas religiosas se transformaram na galinha de ovo  de  malabaristas  engravatados.&lt;br /&gt;O que falta ao meu país  é sobretudo  o instrumento  inadiável de uma  educação pública ou  privada de qualidade. Alunos  conscientes  politicamente  dos seus  direitos e deveres  de cidadania,  de estar sempre  com  o  pé no chão, não se deixarão  embair por  vendilhões e embusteiros   não só no país mas no  mundo todo. &lt;br /&gt;O respeito às religiões é preceito  constitucional, mas não  quando  o limite  da Lei   passa a ser  instrumento  de alienação  para incautos e para uma  população  ignorante. Respeita-se a religião desde que ela  não  venda  ilusões  de bem-estar e de felicidade  na sociedade  civil.  Pedir ajuda  financeira dentro de limites  compatíveis é uma coisa,  mas  praticamente  “obrigar”  alguém a  contribuir   já é uma ato  ilegal.&lt;br /&gt;Um país afundado na ignorância  escolar é presa fácil de um  lobo  vestido em  pele de cordeiro, ou até mesmo  sem  pele de cordeiro. &lt;br /&gt;O alimento   espiritual, as orações   sinceras,   o sentimento   da  fé  em qualquer denominação religiosa   séria fazem  parte  da unidade do ser.  De resto,  independente  da religiosidade,  tudo o que o homem faz  ou pensa  em benefício do seu semelhante, sem segundas  intenções, merece  louvores. Há  ateus de  alma  de santo, como há  “crentes”  só de aparência.&lt;br /&gt;Sejam,  pois,  bem-vindas todas  as denominações  religiosas  contanto que despidas de interesses  escusos,  de exploração  de ingênuos,  de usos  e abusos de  subterfúgios  solapadores  dos  minguados  recursos   da cegueira dos  despossuídos  da sociedade  brasileira. Não confundam  Deus com  o vil metal  do capitalismo mundial,  motivo  talvez  maior  das grandes  desgraças  da globalização tecnocrata, sorvedouro do que  resta  dos sentimentos nobres da Humanidade contemporânea.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-6100940205066400446?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/6100940205066400446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/09/muitas-saidas-e-poucas-solucoes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/6100940205066400446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/6100940205066400446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/09/muitas-saidas-e-poucas-solucoes.html' title='Muitas saídas e poucas soluções'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-323338097332236583</id><published>2011-09-29T08:30:00.000-07:00</published><updated>2011-09-29T08:33:22.037-07:00</updated><title type='text'>Um poema de A. E. Housman (1859-1936)</title><content type='html'>Look not in my eyes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Look not in my eyes, for fear&lt;br /&gt;They mirror true the sight see,&lt;br /&gt;And there you find your face too   clear&lt;br /&gt;And love it and be lost like me.&lt;br /&gt;One the long nights through must lie&lt;br /&gt;Spent in star-defeated sighs,.&lt;br /&gt;But  why should you as well as I&lt;br /&gt;Perish? Gaze not in my eyes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Greecian lad, I hear tell,&lt;br /&gt;One  that many loved in vain,&lt;br /&gt;Looked into the forest   well&lt;br /&gt;And never looked away again,&lt;br /&gt;There, when the turf in springtime flowers,&lt;br /&gt;With downward eye and gazes sad,&lt;br /&gt;Stands amid the  glancing showers&lt;br /&gt;A jonquil, not  a Greecian  lad.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Não me olhe nos olhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não  me olhe nos olhos, pois medo&lt;br /&gt;Tenho que espelhem a  tua real imagem diante  de mim,&lt;br /&gt;E com clareza  plena  aí a sua imagem veja&lt;br /&gt;E se apaixone  por ela  e,  tal como eu,  se destrua. &lt;br /&gt;Prolongadas  noites  inteiras  nossas vidas  seriam.&lt;br /&gt;Malogrados  destinos  padecendo&lt;br /&gt;No entanto,  por que  você, como eu, deveríamos&lt;br /&gt;Morrer? Não, não  me olhe fixamente nos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo um relato,  um jovem grego&lt;br /&gt;Razões  de tantas vãs paixões&lt;br /&gt;Um dia, olhou    para um poço silvestre&lt;br /&gt;E, assim  para sempre, imóvel  se tornou.&lt;br /&gt;Naquele lugar, ao desbotar a flor em tempo   de primavera&lt;br /&gt;Com os  olhos fixos e tristes no fundo  do  líquido se quedou&lt;br /&gt;Entre  águas obliquas surgiu&lt;br /&gt;Um junquilho,  não um  jovem  grego&lt;br /&gt;                                                        &lt;br /&gt;                                               (Trad. de Cunha e Silva Filho)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-323338097332236583?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/323338097332236583/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/09/um-poema-de-e-housman-1859-1936_29.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/323338097332236583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/323338097332236583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/09/um-poema-de-e-housman-1859-1936_29.html' title='Um poema de A. E. Housman (1859-1936)'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-7605822001045752708</id><published>2011-09-25T18:08:00.000-07:00</published><updated>2011-09-25T18:10:13.748-07:00</updated><title type='text'>Um estranho caso de suicídio</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O local, uma escola municipal na área do ABC paulista. Os personagens diretamente  envolvidos: uma professora e um  menino de apenas dez anos.A motivação: aparentemente nenhuma. Resta, agora,  a especulação ou  mesmo  o mistério de uma  dois atos de insanidade.&lt;br /&gt; O pequeno Davdi, aluo calado,  de rendimento  regular,  tímido,  mais na sua. A professora, uma jovem  de 28 anos. Aparentemente, uma  professora com tantas outras que  enfrentam  os  atropelos  da atividade docente nos dias de hoje.&lt;br /&gt;A criança trouxe de casa uma arma de fogo,  um revólver calibre 38, pertencente ao  pai,  um  guarda municipal  paulista. A arma do crime estava  registrada, conforme apurou a  polícia. &lt;br /&gt;David,  essa criança,  assistia , como de costume,  à aula da  professora. De repente,  saca da arma e atira na professora Rosileide de Oliveira que estava de costas escrevendo no quadro. &lt;br /&gt;Sai David da sala,  não se às pressas, e,  lá fora , no corredor, não sei ao certo,  pega da arma e dispara um tiro  na cabeça. Não sei dos detalhes técnicos  sobre o lugar em que a bala  atingiu  o menino, se foi no  ouvido, ou  na boca,  ou na testa. Não importa,  foi um projétil  fatal,  de vez que, no  hospital para onde fora levado,  não resistiu aos ferimentos e logo veio a falecer. A professor,  atordoado,  baleada  pelas costas,  foi atingida  no quadril. Levada ao hospital,  foi  operada e, graças a Deus,  se encontra fora de perigo.&lt;br /&gt;Agora,  como  se há  de explicar  esta tragédia, talvez,  na espécie,  a primeira  ocorrida  no país. Uma dúvida tremenda paira no ar e deixa qualquer um  incapaz  de atinar para uma razão que pudesse  levar  o pequeno  David a cometer duas atrocidades,  contra sua  mestra e contra ele próprio. &lt;br /&gt;A quem cabe a culpa? Não  saberia  dizer  se ao pai,  se à mãe,  ou à sociedade no seu todo. Alguém poderia  afirmar: cabe ao  pai por ter arma em casa e não a guardar em lugar  de difícil acesso à criança. Ou seria  por negligência  da família a do pequeno  que não  o alertou  para  perigos  deste tipo? Ninguém sabe  que argumento  consistente se   poderia ter para  tentar  elucidar  este caso fatídico.E por que  aquela criança   teria  feito  isso contra a sua própria  professora? Ódio latente,  alguma  mágoa  desmedida,  alguma  palavra mais  áspera que  calasse fundo  no espírito  do menino?  Seu pai confessara em reportagem ao Globo (24/09/2011) que o filho “sempre foi tranquilo.” Era  um menino  que  tinha  religião e era membro de uma igreja  presbiteriana, fazia parte da leitura de oração durante  o culto e ainda  tomava  parte da bateria de  banda encarregada  dos cânticos  religiosos. &lt;br /&gt;Há um pormenor  que, de alguma maneira,  pode sinalizar para alguma  explicação da tragédia.  Falando com  repórteres  e lhes pedindo   que não fosse revelado,  a delegada do 3º  Distrito Policial,  afirmara, na  mencionada  reportagem,  que havia encontrado na mochila de David  uns desenhos,  um dos quais  ostentava a figura de  um menino com uma arma tendo  um “inscrição”: “ Eu com 16 anos”. No desenho,   o revólver  “é apontado para uma pessoa que ele descreve como ‘o professor’. O pai de David  nega  este fato. &lt;br /&gt;Sabe-se que  já há muito tempo  a relação entre aluno  e professor  mudou  muito para  pior. Os efeitos da violência do mundo contemporâneo se infiltrou  em todos  os recantos, em todos os aspectos da vida social.  O professor  brasileiro  não é mais  aquela figura  que se respeitava no  passado. &lt;br /&gt;A sociedade  hoje,  por sua vez,  não tem  ajudado muito  a fim de que  o convívio entre  aluno e professor  possa melhorar  em harmonia, paz, companheirismo,  respeito e acato à autoridade  docente. Ao contrário,  há pais  que  só dão pessoa  às razões dos filhos,  achando que o professor não tem mais  as habilidade  necessária sem lidar  co  seus alunos.  &lt;br /&gt; O que os pais devem  fazer sempre  é  valorizar  o  trabalho do  professor e incentivar  os filhos a respeitá-los  como se fossem  quase  substitutos  dos pais  durante  o tempo   na escola. Os pais devem  dialogar com  os filhos  sobre  o papel   primacial  do  professor na formação  dos alunos, não só  intelectual mas também, moral, ética  instilando nos filhos  princípios sãos  de cidadania ,  de  amor aos estudos, à escola, aos  professores. Só por essas vias  se consegue melhorar  a harmonia entre  o discípulo e o mestre.&lt;br /&gt;Outros fatores há que pesar  na explicação para  este   tipo de tragédia. Um deles me parece  estar  associado  a jogos eletrônicos  nos quais as crianças passam  horas  manipulando  botões    através dos quais  o objetivo  é “matar”  personagens  das imagens exibidas. Ora,  banalizar esse tipo de ludismo  implicando  matanças  eletrônicas  nada de  saudável  pode oferecer a crianças que  estão  em desenvolvimento físico e psicológica, com a agravante  de que,  no cotidiano da  vida brasileira,  a mídia está aí    diariamente  mostrando  doses  maciças de violência  em suas variadas  formas.&lt;br /&gt; Nos lares de famílias  mal  estruturadas,  ou  plenamente  desestruturadas, a liberdade  em excesso  da exposição  a imagens  vivas  de ações violentas   ainda mais  serve como   forma  realimentadora  provocando  mais     efeitos deletérios  e deformadores   de uma  vida mental e social  sadia e de exemplos  de  comportamento  ético  tão  necessários  à formação de cidadãos  comprometidos  com  o  bem-estar  seja na esfera  individual, seja na esfera  da sociabilidade, no respeito  ao próximo  e sobretudo na  valorização  da vida.&lt;br /&gt;Ainda  vejo que só na mudança  estrutural da escola  dirigida  ao preparo  dos valores  voltados  para  a prática  do bem  e  da boa  convivência  entre  os  alunos, e entre estes e os mestres, diretores e funcionários  da escola se há de colher  bons resultados   visando à formação  integral  do individuo internalizando lições  de bondade,  de  solidariedade,  de respeito aos mais velhos e às regras disciplinares da instituição  escolar.&lt;br /&gt; A melhor  pedagogia  não pode  dispensar  o cumpri mento   dessas   práticas   de despertar no espírito  do aluno  à consciência  do viver  pautada na auto-estima e no reconhecimento de que só  agindo em  favor    da construção  do bem  ter-se-á uma sociedade mais equilibrada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-7605822001045752708?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/7605822001045752708/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/09/um-estranho-caso-de-suicidio.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/7605822001045752708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/7605822001045752708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/09/um-estranho-caso-de-suicidio.html' title='Um estranho caso de suicídio'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-8393216105742221853</id><published>2011-09-23T21:46:00.000-07:00</published><updated>2011-09-23T21:47:32.378-07:00</updated><title type='text'>É possível haver o Estado da Palestina</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Se é verdade  que, fora da região palestina e de Israel, os dois  povos se entendem , sem conflitos nem  sangue derrama, como são palestinos e judeus que moram em Nova Iorque ou em São Paulo, por que não seriam exeqüível  a busca pela paz entre  eles nas sua  regiões  precariamente demarcadas?&lt;br /&gt;        O pronunciamento do presidente  Mahmous Abbas na ONU foi uma passo  seguro  e inteligente de um  homem  que, mesmo  arrostando a oposição  do  grupo Hamas,  procura uma abertura que deveria ter sido  concretizada desde quando, em 1947,  se criou o Estado de Israel após a Segunda Guerra Mundial. Não se pode  duvidar das sérias intenções  de Abbas em desejar que  uma  nova  fase de paz para seu  sofrido  povo. &lt;br /&gt;        Se Yasser  Arafat (1929-2004) a despeito de todos os esforços não o conseguiu,  mesmo  sendo  uma  figura carismática  e desejosa  de  um  país  independente  para  os  palestinos, cujos  esforços  de paz  lhe valeram, em 1994, um  Nobel de Paz,   compartilhado com Shimon Peres  e Yitzak Rabin(1922-1995),   tenho esperança  de  que  o discurso  de Abbas  reivindicando  a condição  de uma  Estado livre e com  fronteiras  asseguradas  pelos organismos  mundiais, à frente a ONU, terá  boa repercussão  e haverá de  conseguir  seu  objetivo. Os aplauso que  obteve da 66ª  Assembléia da ONU são  fortes  sinais  de que é possível haver o Estado  da Palestina.&lt;br /&gt;Lamentavelmente,  os EUA  mais uma vez decepcionam  as nações  que partilham  do mais do que justo pedido de Abbas.  Sempre se alinhando, por motivos inconfessáveis e até  diplomaticamente  injustos,  o veto norte-americano à pretensão  de um Estado  Palestino coloca a nação americana na contramão  das práticas  democráticas e mais  acirra  a animosidade  das facções palestinas que votam  desprezo  aos  governos americanos, e agora ao presidente  Barack Obama com manifestações  e slogans  contra a pessoa de  Obama, chamando-o também de criminoso. Obama, ainda neste aspecto, não se distingue dos seus antecessores cooptado que fica aos desígnios da política israelense.&lt;br /&gt;Se de todo  Mahmoud Abbas não lograr um  assento na ONU, que pelo menos  aos palestinos seja  destinada a condição  de “Estado  Observador”. Não é o ideal, mas já um  espaço  de conquista &lt;br /&gt;O que não  pode continuar  é a existência  de um  permanente estado  beligerante entre  palestinos e judeus que, aís sim,  não  levará a caminho  algum da tão  necessária  paz. Hoje mesmo,  24 de setembro,  houve a  morte de um  palestino  por parte de  militares  judeus nas constantes   desavenças  pela reconquista dos territórios  palestinos  que foram  tomados  ilegalmente  pelos  judeus. A Faixa de Gaza, o geopolítica e economicamente controvertido  território Cisjordânia, envolvendo ajuda financeira  internacional, a parte de Jerusalém Oriental  que caberia  aos palestinos,   as invasões  de judeus em acampamentos  de palestinos,  os check-points   que  Israel  estrategicamente  coloca  a fim  de dificultar a entrada de palestinos  no seu  próprio  território são alguns  entre  tantos outros  constrangimentos  impostos  por Israel ao  povo árabe &lt;br /&gt;Se o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyhu, como  em tantas vezes no passado sob outras  lideranças,   sinaliza para  que primeiro  os palestinos  entrem  em negociações com Israel,  essa atitude me parece já  gasta e esfarrapada,  porquanto não levará a solução alguma  que  resulte no  reconhecimento de um  Estado palestino. &lt;br /&gt;A meu ver,  tal como se criou o Estado  judeu em 1947,  por decisão  de governos sob a autoridade e o poder  da ONU, só também   pelo  voto de aprovação  dos membros efetivos  deste organismo  internacional  será  criado o esperado  Estado palestino. Negociações  de paz entre os dois povos serão inócuas, declaração de tréguas igualmente  hão de  concretizar  a formação   de um povo árabe independente  e soberano.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-8393216105742221853?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/8393216105742221853/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/09/e-possivel-haver-o-estado-da-palestina.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/8393216105742221853'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/8393216105742221853'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/09/e-possivel-haver-o-estado-da-palestina.html' title='É possível haver o Estado da Palestina'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-7054481585984309794</id><published>2011-09-22T19:50:00.000-07:00</published><updated>2011-09-22T19:53:38.209-07:00</updated><title type='text'>Um poema de Emily Dickinson ( 1830-1886)</title><content type='html'>)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bird came down  the Walk&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bird came down the Walk-&lt;br /&gt;He did not know I saw-&lt;br /&gt;He bit an Angloworm  in  halves&lt;br /&gt;And ate the fellow, raw,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And then  he drank a Dew&lt;br /&gt;From a convenient Grass --&lt;br /&gt;And then  hopped sidewise to the Wall&lt;br /&gt;To let a Beetle passs --&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;He glanced with rapid eyes&lt;br /&gt;That  hurried all  around-&lt;br /&gt;They looked like frightened Beads, I thought  -&lt;br /&gt;He stirred his Velvet Head&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Like one in danger, Cautious,&lt;br /&gt;I offered him a Crumb&lt;br /&gt;And he unrolled his feathers&lt;br /&gt;And rowed him softer home ¬-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Than Oars divide the Ocean,&lt;br /&gt;Too silver for a seam-&lt;br /&gt;Or Butterflies, off Bank of  Noon&lt;br /&gt;Leap, plashless   as they swim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo Caminho um  pássaro desceu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo Caminho um pássaro desceu  &lt;br /&gt;Nem suspeitou de que o vi   -&lt;br /&gt;Um Verme-Isca, em duas partes,  mordendo&lt;br /&gt;E devorando-o vivo &lt;br /&gt;Uma gota de orvalho, depois,  sorveu&lt;br /&gt;De uma folha de relva útil –&lt;br /&gt;Pulou, em seguida,  para o Muro&lt;br /&gt;A fim de a um Escaravelho  passagem dar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rápidos  olhares lançou&lt;br /&gt;Os quais,  no ambiente,  se propagaram&lt;br /&gt;Olhares que nem  Contas assustadoras, pensei –&lt;br /&gt;A Cabeça de Veludo movimentando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como alguém em perigo, Cauteloso,&lt;br /&gt;Um miolho de pão lhe oferecendo.&lt;br /&gt;Então, as penas se soltaram&lt;br /&gt;E para  casa remou mais suave&lt;br /&gt;Do que os Remos o Oceano separando,&lt;br /&gt;Prata em demasia para um sulco –&lt;br /&gt;Ou Borboletas, distantes das Margens do Meio Dia&lt;br /&gt;No espelho, silenciosas,  deslizando pulam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      (Trad. de Cunha e Silva Filho)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-7054481585984309794?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/7054481585984309794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/09/um-poema-de-emily-dickinson-1830-1886_908.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/7054481585984309794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/7054481585984309794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/09/um-poema-de-emily-dickinson-1830-1886_908.html' title='Um poema de Emily Dickinson ( 1830-1886)'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-4259172596501138588</id><published>2011-09-16T11:41:00.000-07:00</published><updated>2011-09-16T11:53:50.415-07:00</updated><title type='text'>Violência  no trânsito</title><content type='html'>Cunha e Silva filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;             As notícias vêm de toda a parte. São as vítimas fatais de um trânsito tresloucado que desrespeita continuamente todas as  leis e portarias oficiais. Diante destas não se intimidam os infratores recalcitrantes. Ao  contrário,  até avançam mais nas suas ações delituosas  de todos  os tipos:  dirigem bêbados, drogados,  enfim,   fazem as mais  escabrosas  atrocidades ao arrepio da lei, dando, assim, demonstrações de que o limite  da lei é sua  transgressão e absoluta indiferença pelos  regulamentos do código de trânsito e por seu aprendizado nas auto-escolas. Seriam  melhor definidos como  vândalos do  trânsito,  criminosos soltos e prontos,  a qualquer instante,a   matar  inocentes.&lt;br /&gt;Os transgressores do  trânsito continuam  matando nas estradas,  nas ruas, nas cidades e nos campos. Posto  que conscientes de seus atos bárbaros  na direção dos volantes, prosseguem na contramão da lei e da certeza da impunidade – talvez a maior responsável pelos altos índices de óbitos no trânsito desse imenso  país.&lt;br /&gt;Enquanto não aumentarem as penalidades de infrações, os motoristas, de todos os níveis sociais e culturais,  não modificarão os seus hábitos violentos e desumanos. Não me surpreenderia que, entre esses desalmados, se encontram psicopatas e outros indivíduos psicologicamente despreparados  para dirigirem veículos. Só exames  rotineiros  psicotécnicos não são suficientes para detectarem  anomalias mentais  nesses candidatos  a motoristas.&lt;br /&gt;O exemplo da cidade do Rio de Janeiro ilustraria  bem  esse  estado anômalo  e perigoso do trânsito do qual tudo  se pode esperar  em  termos  de  desvios de conduta  no volante. Vive-se um estado  permanente de tensão por parte dos pedestres. Desrespeito  pela faixas de parada  dos veículos,   avanços de sinais,  altíssima velocidade, estacionamento em áreas proibidas,  estacionamentos indevidos em calçadas impedindo  os transeuntes de  se locomoverem  livremente e outras  distorções  ilegais são  a imagem  comum  nesta cidade. O desrespeito se estende a outros veículos e formas   de  transportes:  caminhões,  motos   e até bicicletas. É preciso haver regulamentação também para as bicicletas que fazem  misérias  no seu  absoluto  desrespeito aos transeuntes quando  atravessam  ruas ou mesmo nas calçadas. Causam, da mesma forma,  acidentes,   sobretudo às pessoas  idosas. Creio que, na Índia,  apesar daquela confusão de carros,  animais  e outras  coisas,  respeita-se  mais  as pessoas do que em nosso   país.&lt;br /&gt;Basta que o transeunte  permaneça  observando com cuidado o fluxo dos carros, numa avenida ou em ruas compridas, para constatar a extrema velocidade imprimida  por  motoristas insanos.&lt;br /&gt;Há dois dias,  uma jovem senhora estava empurrando o carrinho do filho  de um ano, da escola  para casa,  numa  das ruas  do Méier, movimentado e adiantado   bairro do subúrbio carioca, quando um automóvel, desgovernado, subiu a calçada e atropelou  o bebê e a mãe. O bebê teve morte  instantânea e a mãe está internada em hospital  em estado  grave. Sabe-se que o carro desgovernado  era dirigido por uma mulher, uma policial  civil. Ela alegou  que dirigia  em baixa  velocidade, porém foi de repente atingida  por outro carro em alta velocidade, que, chocando-se com o dela,  fez este perder  o controle  e subir a  calçada.  Mais uma tragédia.&lt;br /&gt;Este é apenas um   exemplo entre  milhares que ocorrem no país, o que indica ser gravíssima a realidade  do trânsito no país.&lt;br /&gt;Se as autoridades de trânsito não  tomarem  as medidas  cabíveis  e urgentes em relação  ao  problema, se as  leis de trânsito não endurecerem para o lado  dos motoristas,  a sociedade brasileira estará sempre à mercê da marginalidade  no trânsito.&lt;br /&gt;Há pouco saiu uma lamentável notícia de que jovens adultos, bem postos na vida,  inventaram uma moda de  sentirem  o nível máximo de adrenalina: simplesmente  dirigirem, em  altíssima  velocidade, ou melhor, em velocidades só vistas  nas grandes  corridas  de carros, diga-se 300 km /hora - imaginem! – em rodovias  brasileiras. Isso é uma insensatez  impensável, que deve ser  de imediato inibida  pelas autoridades competentes e  esses motoristas devem ser  enquadrados  rigorosamente nos crimes de  trânsito com perda de carteira e tudo.  São potenciais   criminosos e indivíduos estúpidos  e   perniciosos  à sociedade. &lt;br /&gt;Entretanto,  tenho  notícias de que o  Poder Judiciário, em sua  instância mais  alta,  está pretendendo  modificar a penalidade do infrator de trânsito, passando os crimes de natureza  dolosa para culposa. Ora,  se tal  acontecer,  se  me afigura  um desrespeito absurdo  contra o cidadão  brasileiro vítima fatal  da  extrema violência no trânsito.&lt;br /&gt;Só pode ser uma piada de péssimo  gosto se uma decisão  dessa espécie prevalecer e se efetivar.&lt;br /&gt;O país está aumentando  alarmantemente  o número de veículos motorizados. Há carros em  excesso nas ruas das grandes cidades  e nas  estradas e, por  outro lado,  as  montadoras não acessam  de colocar à venda  milhares  de novos  carros que, pelo menos, duas consequências gerais   nefastas terão: a) o crescimento desproporcional do número de carros; b) a elevação da  poluição do gás carbônico (CO2), fonte criminosa da deterioração crescente do meio ambiente, da saúde  da população e do aumento  crescente e  perigosos do efeito estufa.&lt;br /&gt;O de que o país  sempre  precisou foi de  estradas  de ferro cortando  este Brasil  continental, melhorando  o movimento de transportes de carga  pesada  transportando nossas riquezas  e nossas importações,  diminuindo,  desta forma,  os altos custos  dos fretes hoje largamente  dependentes do  transporte  rodoviário.&lt;br /&gt;Imitemos os países que deram relevo ao desenvolvimento  do transporte  ferroviário, como  os EUA e  alguns países  europeus,  por exemplo.&lt;br /&gt;O ex-presidente Juscelino Kubitscheck (1902-1976) e outros que o sucederam erraram  neste aspecto,   privilegiando   abertura  de  rodovias e o  incremento  da indústria automobilística.. Com o  passar do tempo,  as rodovias brasileiras  não  acompanharam, em infraestrutura,   o crescente aumento  de veículos,  nem se  manteve    adequadamente     a conservação  de nossas  rodovias. É tempo  de alterar em parte essa visão das quatro ou mais rodas que só faz enriquecer  os  ativos dos empresários  das concessões  - via privatização -  encarregadas  de cuidar  de nossas   rodovias, com seus altos  pedágios e, muitas vezes,  o  fracasso de suas administrações  neste setor.&lt;br /&gt; Portanto,  não se  aplicaria mais  o lema de campanha  presidencial de Washington  Luís (1869-1957) de 1920,  quando afirmava: “Governar  é abrir   estradas”. O excesso  de veículos   concentrado nas estradas e nas grandes  cidades brasileiras em parte  responderia  por  mais um componente  de nosso  doentio  e criminoso  trânsito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-4259172596501138588?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/4259172596501138588/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/09/violencia-no-transito.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/4259172596501138588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/4259172596501138588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/09/violencia-no-transito.html' title='Violência  no trânsito'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-9178596922347897086</id><published>2011-09-12T15:47:00.000-07:00</published><updated>2011-09-12T15:49:34.221-07:00</updated><title type='text'>Um poema de Francis Jammes (1868-1938)</title><content type='html'>La présence de Dieu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voilà     ce    qu’il faut redire&lt;br /&gt;Malgré l’insulte ou ler ire.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vous    ne   serez pas hereux&lt;br /&gt;Si vous vivez loin de Dieu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trop longtemps ou a eu peur&lt;br /&gt;De nommer notre Seigneur.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Je  le sortirai de l’ombre,&lt;br /&gt;Même seul, devant le nombre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Car Il est toujours vivant&lt;br /&gt;Et il vous parle à present.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Plus jeune que la jeunesse&lt;br /&gt;Il noous noourrit à la messe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Et voici à l’horizont&lt;br /&gt;Une generation.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Elle sati où est la force,&lt;br /&gt;Et elle fend son écorce.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Et elle éclate de fleurs&lt;br /&gt;Et revient à vous,  Seigneur!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           A presence de Deus&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eis o que se deve reafirmar&lt;br /&gt;A despeito do insulto e do riso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizes não sereis&lt;br /&gt;Se de Deus longe viveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por longo tempo  receio se teve&lt;br /&gt;De o nome do Senhor  declinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das sombras tirá-Lo-ei,&lt;br /&gt; Ainda que eu  seja um só  ante a multidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Visto que vivo sempre esteve&lt;br /&gt;E agora vos fala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do que a juventude mais jovem&lt;br /&gt;Ele, na missa,  nosso alimento se torna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No horizonte eis&lt;br /&gt;Uma geração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A energia bem sabe  Ele onde está&lt;br /&gt;Do  fruto a casca rachando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arrebentando em flores,&lt;br /&gt;A Vós retorna, Senhor!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     (Trad.  de  Cunha e Silva Filho)&lt;br /&gt;.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-9178596922347897086?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/9178596922347897086/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/09/um-poema-de-francis-jammes-1868-1938_4763.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/9178596922347897086'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/9178596922347897086'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/09/um-poema-de-francis-jammes-1868-1938_4763.html' title='Um poema de Francis Jammes (1868-1938)'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-7915438851244039964</id><published>2011-09-11T13:45:00.000-07:00</published><updated>2011-09-11T13:51:23.279-07:00</updated><title type='text'>WTC: dez anos depois</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Eu estava vindo das minhas  aulas.. Entrei em casa. A tevê estava ligada. De repente,  surge na tela uma imagem que me  deixou sem palavras. Fiquei calado, sem ação. O que via era algo que, à primeira vista,  parecia ser um  filme de aventuras, com ações  violentas e  chocantes tão comuns em  filmes  americanos.&lt;br /&gt;      Mas, qual nada.  Logo  ouço a voz do apresentador narrando  o acontecimento  pavoroso, inimaginável. Era um avião  dirigindo-se a um  arranha-céu e, o que  é pior,  indo chocar-se contra uma parte elevada do edifício. De  imediato, bolas de fogo tomam conta daquela parte atingida   e se espraiam abalando toda uma estrutura  de ferro e de cimento. Logo depois,  vem  outro  avião atingindo em cheio o outro  arranha-céu. . Tudo, ali, no alto,  parecia  se esboroar em meio ao fogo,  à fumaça preta.  Quase  ao mesmo  tempo, em Washington, um outro avião atinge o Pentágono. Com isso,  se completam   três ataques aéreos terroristas  contra  os EUA. &lt;br /&gt;     O quadro final da imagem tétrica, além de todas as suas sequelas hediondas – vidas  estraçalhadas, corpos queimados, corpos vivos  e desesperados,  saltando dos andares altos  das chamadas  Torres Gêmeas para  o vazio  do espaço em direção  à morte, bombeiros, em seguida, enfrentando  a morte para   salvar vidas entre tantos  outros  detalhes, pessoas,  ainda vivas,  sãs, telefonando, por  celulares,  pela últimas vez,  para seus entes querido.  Era essa a imagem que     se tinha   praticamente ao vivo de Nova Iorque. Enfim, o clímax  do crime: os dois  edifícios desabam deixando  no entorno  que uma  fumaça  grossa  de poeira invadisse  lentamente  as  ruas  próximas  da capital do mundo. &lt;br /&gt;No mesmo  dia  do ataque fatal    contra  as Torres Gêmeas, não sei se pelo  rádio ou mesmo  em notícias  posteriores da  tevê,  comentava-se  que  um grupo de alunos  de uma conhecida   universidade  particular, logo ao saberem  das notícias  do ataque terrorista, davam vivas  aos   responsáveis  por  esse crime inominável. Nenhuma vida de  inocentes merece o aplauso  de opositores de  regimes em qualquer  parte do mundo.&lt;br /&gt;Hoje,  os americanos  homenageiam  os mortos do WTC (World  Trade Center). Tributo  justo de uma nação. Por isso,  mesmo, com  toda a  pompa  que a data merece, os americanos  recordam  a memória  dos que  estavam  nos  dois  prédios e  perderam a vida  e dos que,  lutando para salvar  vidas,  perderam também as  suas próprias  vidas: os bombeiros,  principalmente.&lt;br /&gt;As feridas,  com os tempo, cicatrizam em parte, porém fica o substrato  de toda  aquela  tragédia,  combinando ressentimentos e saudades.&lt;br /&gt;A década  passada me convida  também  à meditações  sobre  causas e consequências. Distanciados  no tempo,  posso agora  falar com mais  objetividade  dos  fatos  acontecidos, tentar  procurar  as raízes   dos atentados, separar  o joio do trigo e  adiantar  algumas  conclusões.&lt;br /&gt;Os americanos deram  enorme contribuição  em defesa  das causas da  paz  universal. Haja a vista,  a sua participação decisiva na  Segunda  Guerra Mundial, se excetuarmos  os crimes  de Hirochima e Nagazaki. Entretanto,  os governos  americanos da últimas  décadas têm  uma  parte  considerável  de culpa  pelo que  o  povo  americano  está  passando no que concerne  ao terrorismo  internacional contemporâneo.  &lt;br /&gt;As repetidas  intervenções  armadas   dos EUA  em países que não se alinharam  aos ditames da sua  hegemonia ( Cuba,  Vietnam do Norte,  países do Oriente Médio),  culminando com  as invasões do  Iraque,  do  Afeganistão, para citar  dois  casos paradigmáticos, invasões o mais das vezes  sem sentido e  decididas manu militari   sem consultas e aprovação do Conselho de Segurança da  ONU e todos  os acordos e tratados  internacionais de organismos  e instituições que  lutam  pela  paz  no mundo,   pouco a pouco  foram transformando a imagem  dos EUA, i.e.,  de uma  nação que se proclama  democrática e, na práxis, se  comporta  com a força  do seu  poderio  bélico e econômico, portanto,  incompatível  com a convivência harmoniosa  entre as  nações menos desenvolvidas e vulneráveis  a invasões.&lt;br /&gt;Por tudo isso,  a nação americana  perdeu  prestígio e, o que é mais grave,  passou a ser  motivo de ódio xenófobo  por parte  dos  humilhados e ofendidos. Não foram  poucas as vezes que  o mundo  viu  a bandeira  americana sendo  pisada, rasgada  ou  queimada em praça  pública por  países   que colocaram  o EUA entre os  seus piores   inimigos. Talvez uma das razões  mais fundas do terrorismo seja proveniente  dessa  realidade permeada de  ódios,  de ressentimentos  e de indignação contra os americanos.  E seguramente essa aversão  ao militarismo americano  não se limita  a países  do  Oriente, mas  se estende a outras regiões do  mundo, como a América do Sul,   a América Central e outras partes da Planeta. A aversão aos governos americanos  se nutre  de  antagonismos geopolíticos e econômicos. Os EUA,  ao longo da História,  são,  em última  análise,  os principais  responsáveis pela  imagem ruim e demonizada   que o grande   pátria de Lincoln  construiu  contra si  mesma.&lt;br /&gt;Em meio aos  agudos  problemas  econômicos e sociais enfrentados  hoje  pelos  Estados Unidos,  essa  homenagem aos mortos da tragédia de 11 de Setembro de 2001 deve ser um momento  oportuno para que os governos  norte-americanos  despertem  para  os seus  desatinos  belicosos e deem  solução  urgente  através da  retirada de forças de combate no Afeganistão. &lt;br /&gt;Que as promessas  de campanha do presidente  Barack  Obama sejam de fato   cumpridas,  retirando de imediato   suas  tropas   daquela região, não repetindo os erros do seu antecessor, que tanto mal fez aos EUA  com guerras  desnecessárias  causando  perdas humanas  tanto  do contingente militar americano quanto  de inocentes civis mortos no Iraque,  no Afeganistão, na Guerra do  Golfo. &lt;br /&gt;Vejo, hoje na tevê, na abertura  da cerimônia  em   honra  aos mortos do WTC o paradoxal  encontro de Obama e Bush  filho.A figura de Bush  filho, diante das câmeras, não combina  bem com  o perfil de Obama. &lt;br /&gt;Não se  constrói a paz, nem  se combate o terrorismo  trazendo à tona  um dos  piores exemplos  de comportamento político diante dos princípios  democráticos. A presença de Bush filho não faz sentido face à realidade  da História. Os Estados Unidos  ainda têm  tempo de reavaliar seus erros e se redimir diante dos massacres de suas invasões em terras alheias. A guerra ao  terrorismo   se faz com os instrumentos    da paz e de mudanças  de política  externa.  A paz e  reabilitação  norte-americana  só serão  alcançadas  se diálogo franco e aberto  houver entre os Estados Unidos e os seus declarados  inimigos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-7915438851244039964?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/7915438851244039964/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/09/wtc-dez-anos-depois_11.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/7915438851244039964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/7915438851244039964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/09/wtc-dez-anos-depois_11.html' title='WTC: dez anos depois'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-9077098001376097997</id><published>2011-09-09T15:53:00.000-07:00</published><updated>2011-09-09T15:54:52.085-07:00</updated><title type='text'>O Brasil  literário</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Não estranhe, leitor,  o título desta crônica. É mesmo  assim abrangente. Verá  por que  o escolhi. &lt;br /&gt;Foi pensando  no quanto nós   brasileiros somos inclinados às veleidades literárias. Este aspecto da nossa  vida cultural merece, sim,  um   discussão não apenas com  o  intuito  de aplaudir  nossos   compatriotas  por  esta sede  de  mergulhar no universo   das letras, da  produção  literária,  de mostrar  nosso lado  exuberantemente beletrista, o de   desejar  ser  autor,  ter  obra publicada, divulgada,  conhecida  e, se  possível,  reconhecida  pelo grand monde  literário-brasílico. Há poetas  e    prosadores (me desculpe pelo anacronismo do termo, ó beletrista   “revolucionário” e sofomaníaco que conheci em tempos  passados!) pipocando  por toda a  parte. &lt;br /&gt;Não  quero que  o leitor  pense mal  de mim, entendendo  toda esta argumentação pelo  lado  meramente  destrutivo, de  ferir  suscetibilidades  lânguidas, modorrentas, plangentes. Longe de mim,   o simples  pensar  por este  prisma. &lt;br /&gt;O país é vasto. As diferenças  entre  estados  são grandes, assim também como  os valores  de cada  terra. Cidades, capitais, rincões, regiões distantes, afundadas no desconhecimento dos mesmos  irmãos  brasileiros, esquecidas dos outros. &lt;br /&gt;Somos  ainda talvez o  “arquipélago  cultural” conforme a visão interpretativa  formulada  por Viana Moog (1906-1988), dividindo  geograficamente a nossa literatura em sete núcleos: Amazônia, Nordeste, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e  Rio Grande do Sul (Ver Interpretação da literatura brasileira. Editora Antares Universitária, 1983 ). Existiria para aquele autor  uma unidade literária  nos núcleos regionais, ainda que não uma uniformidade.A unidade  estaria  presa a tipos de produção, clima   e geografia  semelhantes. Para ele,  em todas esses núcleos  poder-se-ia  divisar  uma marca de  que a literatura ali  produzida  seja    inequivocamente brasileira.&lt;br /&gt;O Brasil  literário se confunde, o mais das vezes,  com  o beletrismo, ou seja,  a  pior forma  de se  fazer  literatura, que é a das igrejinhas,  de compadrios,  a mais  perfeita  imagem  da  subliteratura. Espalham-se as “academias de letras” por toda  a parte como praga vicejando em campo  fértil. Nada mais  arcaico, nada mais  longe  do  que se entende  como  o estudo das letras com  objetivos sérios de  desenvolver  a literatura  em nosso  tempo pela pesquisa,  alta cultura,  desejo  de mudanças, livres  de ritualismos   de sodalícios que se apeguem a práticas  acadêmicas    e a formalidades  estéreis, discursos vazios, retórica de  efeitos e malabarismos  oratórios que não mais  têm  sentido algum  para  os novos  tempos. Não há  progresso  nos  estudos  literários  onde  a mediação  da  produção  ficcional,  poética, dramatúrgica, crítica e ensaística   seja feita   pelo anacronismo  de surradas   práticas de beletrismo,  de  literatice e falta  de  talentos e vocações à atividade literária. &lt;br /&gt;As Academias de Letras  dignas  desta  denominação devem, se quiserem sobreviver   culturalmente,   livrar-se  dos  velhos  modos  solenes e pomposos de  atuação. Devem, pois,  modernizar-se,  atualizar-se, sair dos nichos  e enfrentar a vida  trepidante lá fora,  nas ruas,  nas praças. A questão mais  polêmica e  fundamental que terão  que  enfrentar  diz  respeito à escolha de seus membros.Nenhum escrutínio vitorioso  deve ser o  resultado   de submissão a  subterrâneas ligações  políticas,  econômicas e de compadrio. &lt;br /&gt;Seus  requisitos  básicos  têm  que  passar  pelo crivo  da  produção cultural do  postulante, o nível  de seu  trabalho e  o seu compromisso com   a literatura, ou  as ciência, ou  as artes. Nada de fisiologismos, mal  que acomete  o seio da  política  nacional. Ser membro de uma Academia  de Letras  de respeito pressupõe    que  o ocupante de uma  vaga  seja alguém de reconhecido mereci mento, de notável saber,  de grande amor  aos estudos  e à cultura  no sentido mais  lato  da  palavra. &lt;br /&gt;Penso que as Academias de Letras  devem existir na medida em que  se tornem instituições culturais  que  tenham  um  missão  a cumprir na sociedade  civil, a de  serem  representativas  do legado  do passado, cultivando-o  porém,  com  as forças  criadoras  da inteligência do presente,  prestando um  serviço inestimável  ao país, no caso da Academia  Brasileira de Letras,  aos estados, no caso das Academias  estaduais e em alguns municípios que se  distinguiram  historicamente como   locais onde a  alta  cultura, o saber  e a produção intelectual  encontraram   largo  espaço entre a tradição  e a modernidade.&lt;br /&gt;No entanto,  sou contra as academias fundadas sem nenhum lastro  da tradição e sem  nenhum  compromisso com  a real  produção  acadêmica. São  instituições   sem  funcionalidade, sem objetivos claramente    estabelecidos  no  âmbito da cultura, das  ciências e das artes. Essas academias só servem  aos  anseios  de  veleidades intelectuais provincianas e, por sofrerem  dos  defeitos  provincianos,  tendem a  ser elefantes brancos   sem  nenhuma  razão de ser e,  portanto,   suscetíveis a cedo  se anularem  como  instituições. O nosso país  está inundado desse tipo  de academia constituindo  o  exemplo menos  indicado  para  a  atividade  fecunda no  campo  intelectual e um desserviço à autenticidade  da literatura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-9077098001376097997?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/9077098001376097997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/09/o-brasil-literario_09.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/9077098001376097997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/9077098001376097997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/09/o-brasil-literario_09.html' title='O Brasil  literário'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-5235235118663477362</id><published>2011-09-04T08:36:00.000-07:00</published><updated>2011-09-04T08:37:01.640-07:00</updated><title type='text'>Um país e seus mortos</title><content type='html'>&lt;br /&gt;				Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O mundo está cercado  de  objetos artísticos de  alta ou altíssima qualidade. Digamos,  por exemplo,  a Arte que, se  manifestando    no   teatro ou  na ficção,  dramaturgia, cinema,  telenovelas e em outras  formas de expressão, nos leva à catarse,  ao choro, às lágrimas, a um sentimento   verdadeiro da dor alheia,  na práxis do  nosso cotidiano  insosso,  a dor  alheia, o sofrimento  da  perda inexorável de  entes queridos,  pouca    ou quase  nenhuma reação de perplexidade  provoca nas pessoas estranhas. A dor alheia  já  não nos  leva  às lágrimas. É apenas  uma constatação  de uma   realidade  miserável  e  abandonada na  anomia  e  indiferença  das grandes cidades.  Os mortos na Arte nos comovem, assim, muito mais do que  na  dura  realidade dessa vida  severina.&lt;br /&gt;Há pouco,  um jovem arquiteto, na Zona Sul do Rio de Janeiro,  em  bairro  elegante, dirigindo seu carro em direção  à  residência,   quase ao chegar  a esta,  se vê abordado  por dois facínoras usando  motos. O  jovem arquiteto não  quis  entregar o que lhe  pediam, se o carro, se dinheiro, se o relógio,  se o que não sei mais... O arquiteto reagiu aos assaltantes  malditos mas levou a pior. Armados,  um deles lhe deu  um ou dois tiros e os dois  patifes  partiram  para as profundezas do inferno terreno. O arquiteto, gravemente  ferido,  foi levado  para um  hospital. Antes teve duas paradas cardíacas.  Ao chegar  ao hospital, não suportou e veio a falecer.&lt;br /&gt;É isso,  leitor,  o que está ocorrendo aqui no Rio de Janeiro e em outros  lugares  do país, sendo que,  no Rio,  a situação  é gravíssima. A morte   do arquiteto  não passa de um quadro deplorável  e metonímico de uma  realidade  que se alastra e se instaura num todo do  tecido  social  do país. Morre-se à toa  no Brasil. &lt;br /&gt;Quem são os culpados? Eis uma  questão intrincada e até hoje insolúvel. As autoridades  policiais, ao que tudo indica,   já se  acostumaram  a mortes  por assassínios de inocentes. A família  reclama, dá entrevista aos canais de televisão.  O morto  é sepultado e fica  por isso mesmo. São crimes  que atingem  todas as classes sociais.&lt;br /&gt;Já é tempo de   que  os órgãos  de segurança  pública  despertem .para  essa situação   desastrosa    da qual  também  as  próprias   autoridades  policiais  não estão  imunes. O mal  circunda  por toda a  parte. É preciso  aumentar as blitz sobretudo   abordando  indivíduos  -, não importa se jovens  ou   mais maduros -,  e revistá-los  com rigor.  A imagem de motociclistas  há bom tempo   já  se confunde com a  de bandidos. As pessoas comuns, quando percebem  que  motos estão  se aproximando delas,  já sentem  um certo mal-estar,  supondo  que ali vem mais um   assaltante, mais um criminoso,  mais um   meliante. Nas periferias, da  mesma sorte,  a polícia  deveria fazer  abordagens  criteriosas   revistando  pessoas, sobretudo  jovens,  que estejam   dirigindo   esses  veículos. Nos morros, principalmente,  a entrada e descida  de motos deve ser  constantemente  vigiada  pelo  policiamento.&lt;br /&gt;Além de  estarem  se associando   à  imagem de  marginais,  as motos  são meios   de transporte que  em geral  não  respeitam sinais, andam  a toda  velocidade, pondo  em risco  a vida dos  transeuntes. Deve haver  urgentes  providências  no sentido  de   até diminuir a  produção  desse tipo  de  transporte, sobretudo nas grandes cidades. Deve haver  todo rigor  na concessão   de carteiras  de habilitação  para  motociclistas.&lt;br /&gt;Se algumas  dessas providências  que  acima sugeri não forem   tomadas, além de outras    advindas  da experiência  dos órgãos  de transporte   municipais,  estaduais  e federais,  mais  mortes   aumentarão   as estatísticas oficiais de  crimes hediondos que   se alastram pelas    ruas e estradas das   grandes cidades  brasileiras, sobretudo  no  Rio de Janeiro e São Paulo.&lt;br /&gt;Não  é possível que  o país esteja   continuamente sofrendo  perdas  irreparáveis de jovens    que são  covardemente  assassinados   hoje em dia. Não  é  possível que a sociedade  civil   fique de braços cruzados  e não  exija  de nossos governantes  medidas  austeras de modo a   reduzir  ao máximo  esses crimes  covardes. &lt;br /&gt;Grandes  investimentos  são  necessários   a serem  injetados  na formação   integral, via educação,  de nossas  crianças a  fim de que não se tornem  jovens e adultos  promíscuos,   homicidas   e  indivíduos  destituídos de qualquer  dignidade  e   amor  ao próximo. São monstros  que aí estão soltos esfolando  incautos  e indefesos . Eles têm armas, nós, não.  A raiz do mal  está precisamente  nesta  desigualdade.            &lt;br /&gt;Por conseguinte,   o combate  ferrenho e  aguerrido ao contrabando   de armas nas fronteiras  não pode sofrer solução de continuidade.   O  Brasil  é um  país a caminho   de maior  prosperidade. Possui suas Forças Armadas,  competentemente  treinadas  para servir em várias  causas e em vários   frentes em  benefício da  paz de seu  povo.Essa  contribuição   das  Forças Armadas no setor  social  é um  dos  mais  importantes  trunfos de que   dispomos no combate   contra  a criminalidade em   larga escala,  no combate ao  tráfico de drogas e principalmente na defesa  das vidas  de nossos cidadãos, de nossas famílias. Se a  polícia estadual  não está dando conta da seguranças  dos brasileiros,  as Forças  Armadas, sobretudo o  Exército,  deve  dar a sua  contribuição  indispensável  na luta  contra  o crime.&lt;br /&gt;Que a  data  festiva   da  nossa  Independência, que completa  mais  um ano no próximo dia  7,   seja a ocasião mais do que    oportuna  para  que  toda a estrutura  do Estado  Brasileiro seja  alertada e desenvolva  ações  efetivas  e  drásticas contra    criminosos  que  continuamente   têm  ceifado  as vidas  de tantos   jovens  e adultos  saudáveis   e promissores. Em luto, a família  brasileira.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-5235235118663477362?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/5235235118663477362/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/09/um-pais-e-seus-mortos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/5235235118663477362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/5235235118663477362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/09/um-pais-e-seus-mortos.html' title='Um país e seus mortos'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-8509264397288678448</id><published>2011-09-03T11:18:00.000-07:00</published><updated>2011-09-03T11:21:46.407-07:00</updated><title type='text'>Um poema de John Masefield (1878-1967)</title><content type='html'>      Um poema de John Masefield (1878-1967) )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                  Beauty&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I have seen dawn and sunset on   moors and windy hills&lt;br /&gt;Coming is solemn beauty like slow old tunes of Spain:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I have seen the lady April bringing the daffodils,&lt;br /&gt;Bringing the springing grass and the soft  warm April rain.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I have heard the song of the blossoms and the old chant of the sea,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And seen strange lands  from  under the arched white sails of ships;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;But the loveliest  things of  beauty God ever has showed to me,&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt; Are  her voice, and her  hair, and eyes, and the  dear red curve of her lips.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	&lt;br /&gt;				 A beleza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi o amanhecer e o  pôr-do-sol nos  charcos e nas colinas  tempestuosas&lt;br /&gt;           &lt;br /&gt; Manifestando-se em solene beleza semelhante às velhas e lentas canções espanholas: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi a dama de abril surgindo com os narcisos em  flor,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o germinar da relva e o suave calor das chuvas de abril.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouvi a canção das flores do velho canto do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vi ,ainda, estranhas  terras sob as arqueadas e brancas velas das embarcações;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo,  as coisas mais  fascinantes da beleza que, até hoje, Deus ver  me permitiu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São a voz dela,  o cabelo, os olhos e,  da sua boca,  a delicada curva vermelha.&lt;br /&gt;                                                                &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                 (Trad. de Cunha e Silva  Filho)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-8509264397288678448?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/8509264397288678448/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/09/um-poema-de-john-masefield-1878-1967_03.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/8509264397288678448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/8509264397288678448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/09/um-poema-de-john-masefield-1878-1967_03.html' title='Um poema de John Masefield (1878-1967)'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-5744319443208596365</id><published>2011-09-01T08:25:00.000-07:00</published><updated>2011-09-01T08:32:20.157-07:00</updated><title type='text'>Garimpando no sebo e outras  ponderações</title><content type='html'>                  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;					Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Não  sou leitor compulsivo, mas, dentro do meu ritmo,  procuro, ainda que tardiamente, dar  conta de  algumas leituras  fundamentais. O importante é o preparo, com critério seletivo. A leitura,  uma  atividade  intelectual  in process, ou aproveitando  a  quase sutileza de  quem  disse que nunca se sabe ao certo  quando  acabamos  a leitura e um  Guimarães  Rosa (1908-1967) ou de um  Clarice Lispector (1920-1977)  São escritores  múltiplos, formuladores de enigmas.&lt;br /&gt;Porém,  não  é minha intenção aqui nessa conversa  analisar aqueles  dois   ficcionistas. Deixarei para  o espaço do  ensaio. Quero-lhe falar,  leitor – longe de mim  pluralizar  este termo – teria que brigar com  os leitores de Machado de Assis.O que é pior,  por cima de tudo, não sou  ficcionista – hélas! – mas o que hei de  fazer se os deuses da prosa  não  me  bafejaram  com  o talento dos que  têm criado,  bem ou mal,  mundos   de criaturas “de  papel”?&lt;br /&gt;Estive, hoje,  no Centro do Rio, e para não  quebrar  a regra,  deu um pulinho na velha  São José, um dos mais  antigos sebos  cariocas. Só o  proprietário, o Germano,  tem  sessenta anos  de atividade nesse  ramo   de venda de livros.&lt;br /&gt;Desta vez, comprei muito  pouco, pouquíssimo.A safra não  estava boa no terreno das letras. No velho sebo da São José já houve dias gloriosos, com  um oferta de fazer inveja a qualquer  bibliófilo ou  bookworm. “Garimpei” aqui, “garimpei” ali, e dei de cara com  dois autores, antigos  tanto quanto a São José e o seu  acervo: um velho  livro que há anos  queria  comprar, do filólogo   Silveira  Bueno, Manual  de califasia, califonia,  calirritmia  e  arte de dizer ( 4.ed. São Paulo: Edição Saraiva,  1952)  O outro, As fontes da criação  literária,  de Carmelo  M. Bonet. 1  ed. Tradução de Antonio G. Gonçalves, (São Paulo: Ed. Mestre  Jou, 1970). Óbvio, que a São José também  vende  livros  novos, mas a sua especialidade   é o sebo que,  por sua vez,  torna-se   o ganha-pão do livreiro.&lt;br /&gt;Por falar  em livro  usado,   o Germano  lamentou que  as vendas  estão em baixa.  A coisa  está preta.  Já fecharam  sebos conhecidos no Centro do Rio. Não, só sebo,   uma livraria  i importante como  a Martins Fontes, que  também  é editora  de  grande  porte,  fechou  seu endereço  na principal avenida  do Rio,  a famosa  Avenida  Rio Branco. Mau sinal para o comércio  dos livros. Essa livraria  mudou-se para  a Zona Sul  carioca. Antigamente,  entrar  na seção de livros estrangeiros da Martins Fontes era um  grande prazer: o tratamento dado ao cliente   era nota  dez. O nível de atendimento  foi  caindo,  caindo...   até chegar  àquele desfecho   amargo. Não sei não,  contudo  prevejo que há o dedo aí  de  outros modos   de  vender  livros, cujo principal  responsável  seja  talvez a  Internet.&lt;br /&gt;Não  culpemos só a  Internet. Pode  estar havendo  uma decadência  de  poder aquisitivo da população. O livro é produto caro, mesmo  o do sebo.  Há também a concorrência forte  de  livrarias  online, brasileiras e estrangeiras.  Com vendas remetidas  pelos Correios,  o cliente, um pouco acomodado,  prefere  fazer a encomenda  via Internet. &lt;br /&gt;Um outro agravante,  a meu ver, seria um certo  desinteresse   geral  por  obras antigas (dirá melhor estudos  antigos)  em determinadas  áreas  do conhecimento humano. Vejamos  no  terreno dos estudos  lingüísticos,  filológicos.  Basta dizer que, numa  recente conferência, a que assisti  na Academia Niteroiense de Letras o  filólogo  Maximiano  de Carvalho  e Silva, professor emérito  de língua portuguesa da Universidade  Federal  Fluminense, a certa altura  de sua  exposição acerca de aspectos culturais  de Niterói, sobretudo a constituição  dos cursos de letras e seus fundadores, mencionou  o triste fato de que  alunos (e bem provavelmente  alguns  professores  universitários, diria eu)   não dão   tanta  importância a  alguns   teóricos de um  passado  não tão remoto  assim,   tais como  os já falecidos  Said Ali,  o português Herculano  de  Carvalho, Serafim  da Silva Netto,  Sílvio Elia, (vai  ver até  que  venham   a   incluir  o  grande  linguísta Mattoso  Câmara Jr. e outros autores tidos  por eles como desatualizados para  os   estudos   linguísticos  de hoje). Ora,  isso  não passa de um  absurdo e de falta de  alta visão  diacrônica da linguística e da filologia   numa   época,  a dos dias  que correm, em que  o que mais  importa  é o imediatismo, a sincronia de um saber  afundado, algumas   vezes,   na superficialidade do  “primado  do   instante”,  para usar, mais uma vez,   o título de um    artigo  meu  escrito há um bom tempo. &lt;br /&gt;Se o aluno de letras  hoje  persistir  em   votar    sentimento de  indiferença  pela filologia e pela  história  das teorias  linguísticas  estará   construindo  castelos de areia  O conhecimento  filológico e o estudo das humanidades  clássicas nunca serão   matéria  morta, mas sim  matéria arqueológica  viva  que deve ser dominada  e conhecida  pelas gerações   atuais. Sem os estudos helênicos e latinos estará em perigo  toda uma vasta  cultura  erudita que deverá ser cultivada  por jovens  estudiosos  do presente. Imitemos  o que seja  bom  neste aspecto os países  adiantados  da Europa e mesmo dos Estados Unidos  e  de certos   países  das outras  Américas.&lt;br /&gt;Enquanto isso,  Germano  se queixa e com  razão. O custo  do aluguel  de espaço para um a livraria  no Centro  do Rio é muito caro e a tendência  é  encarecer  mais cm as modificações que   essa  parte da cidade vai  sofrer. Falam  da construção de shopping centers.  Os olhos  dos  senhorios vão crescendo. Business  is business, friends apart! Não há amizades ou  concessões  de  descontos  quando  o negócio  é aluguel. &lt;br /&gt;Saí da livraria  um pouco  triste com o  que ouvi sobre a situação dos sebos e da vida do livro em geral, aí incluindo alunos,  professores,   pobreza de ideias,  escolas  públicas de baixa qualidade, desamor  às grandes obras  e autores  e um  certo enfado de  estar vivendo no meio de tudo  isso. Ainda bem que a 15ª Bienal do Livro no  Rio de Janeiro está  chegando.  Aproveitemos  para refletir sobre tudo isso e....  a comprar  e ler  os livros com o respeito  que merecem. Que me perdoem a casmurrice!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-5744319443208596365?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/5744319443208596365/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/09/garimpando-no-sebo-e-outras-ponderacoes.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/5744319443208596365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/5744319443208596365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/09/garimpando-no-sebo-e-outras-ponderacoes.html' title='Garimpando no sebo e outras  ponderações'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-3671571994902830269</id><published>2011-08-25T15:00:00.000-07:00</published><updated>2011-08-25T15:01:21.985-07:00</updated><title type='text'>Kaddaffi nos estertores</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;				Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	Nunca concordei com  as posições  políticas de Bush pai, mas me recordo de uma afirmação  que  dele ouvi pela TV que tem lá um dose de  visão  política  positiva  pelo menos  no seu  conceito  de reprovação  a países  que  ainda mantêm   governos  ditatoriais: “A era das ditaduras  já passou!.”  Fora uma afirmação do presidente Bush  pai.  Bush  referia-se, naquela  época, à queda da ditadura de Stroessner, no Paraguai.  &lt;br /&gt;O tema da ditadura tinha sido então me rendido uma  breve crônica “Meditações sobre a ditadura,” que se encontra no meu  livro  As ideias no tempo (Gráfica do Senado/Academia  Piauiense de Letras, 2010, p. 238-239) em que deblatero  as ignomínias causadas  por qualquer  regime de força que se  implante  no mundo. E observe-se que o nosso  planeta ainda vivia e tinha  inúmeros  “modelos”  de  ditaduras  em vigor, muitas das quais  intocáveis pelas  nações  civilizadas  que lideravam  a  política  no  Ocidente e no Oriente e, portanto, tinham  muito  forte influência ou  interesses  econômico e geopolítico  pelos   regimes  de força que elas  mesmas  contraditoriamente   reprovavam, como seriam um   exemplo típico os EUA.&lt;br /&gt;O que,  em verdade,  se pode ressaltar  como ganho  político   a esta altura   do início da segunda década do  terceiro milênio  é  o quadro da realidade da  chamada “Revolução Árabe”, ou também  “Primavera Árabe” compreendendo o período entre 2010 e 2010,  seguramente  um  ciclo de  transformações  que  já está  sinalizando  para  significativas  mudanças  de rumos  nos destinos  da sociedade civil ou em gestação  de ser assim denominada. Por isso,  agora  de forma mais distanciada,  já é  possível  ter-se a perspectiva  de novos governos que, através de   grupos  rebeldes de oposição  a regimes   autoritários  há décadas  implantadas  em terras  árabes, os casos  do Egito,  da Síria,  da Tunísia,  e do da Líbia, entre  outros.&lt;br /&gt;Analistas  políticos  já    acentuaram  ter sido esse  fenômeno de  explosão de rebeldia  uma reação mais do que   natural    do que  já  se  podia  esperar,   diante   da ultrapassagem  da indignação  humana na consciência    lúcida  desses povos.   Os protestos  aguerridos, seguidos da luta armada  de guerrilheiros,   de grupos  de oposição ao  regime   dos tiranos,  se manifestaram num crescendo  de  fúria e indignação onde os céus  árabe ou africano não seriam  o   obstáculo  único e solitário, porquanto eles estariam  transpondo   outros paradigmas  de  vida  e  de respeito   à vontade  própria de cada pessoa. &lt;br /&gt;O insulamento     do  mundo árabe não  ficaria  mais para as calendas  das  gregas. O mundo  globalizou-se  para  o bem ou  para o mal e, se ao bem tocasse a parte  mais  libertadora,   as ideias  de  nações  democráticas  forçosamente  entrariam  em circuito pelo mundo afora, sobretudo  com  a maciça    propagação  das redes  sociais. Ideais de justiça  social,  de   conquistas  de direitos e de capacidade  de poder  contestar  livremente, sem as peias   das tiranias, começaram a vicejar  em países  muçulmanos.  Os direitos à vida,  ao trabalho,   à vontade  própria,  à escolha de seus representantes  nos governos,   ao voto  democrático seriam   verdadeiros  ímãs  atraindo   povos  de formações  diversas, de costumes   díspares  e de  consciência  política    distante  do conceito de democracia  haurido nas   fontes   gregas da Atenas Clássica.  &lt;br /&gt;Kaddaffi está sendo  procurado. Seu fim  chegou. “Não há mal  que dure sempre.” O fim dos déspotas parece significar  a  moira das tragédias gregas, ou o fatum (destino) dos  romanos. .Todos os  ditadores, por se parecerem tanto,  ainda têm  a condição  do rebaixamento,  que é  o riso da  comédia, ou melhor, da farsa. Farsantes, como todos,  terminam  seus dias no esquecimento,  ou punidos exemplarmente  pelos homens  com a perda  da vida pontuada que foi  pelo  desrespeito à dignidade  do ser  humano. A tragédia, infelizmente,   nestas histórias de facínoras do poder discricionário,  não  está ainda encerrada. Faltam alguns personagens. Adivinhem quem será o próximo?&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-3671571994902830269?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/3671571994902830269/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/08/kaddaffi-nos-estertores.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/3671571994902830269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/3671571994902830269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/08/kaddaffi-nos-estertores.html' title='Kaddaffi nos estertores'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-2257090398926042383</id><published>2011-08-23T08:08:00.000-07:00</published><updated>2011-08-23T08:10:52.014-07:00</updated><title type='text'>Um poema de Louis Mercier (1870-1951)</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;		Chez nous&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Septembre. La journée est transparente et pure.&lt;br /&gt;L’automne semble um beau souvenir de l’été,&lt;br /&gt;Et     ne  menace pas encor les feuilles mûres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Le ciel est une coupe immense de claret.&lt;br /&gt;Le visage sacré de la terre respire&lt;br /&gt;La paix, la plenitude et la fécundité.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lês  vignobles,  hereux dans le fleuve, se mirent,&lt;br /&gt;Sous l’eau calme, chargés du don des pampers lourds,&lt;br /&gt;Les coteaux inclinés se regardent sourire.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autour de son  clocher, lá haut, sommeille un bourg:&lt;br /&gt;La chaleur, sur les toits, vibre et se reverbère,&lt;br /&gt;Et l’on entend chanter les poules dans les cours. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pas une âme dehors. C’est la saison  prospère&lt;br /&gt;Où sans qu’il soit aidé par le travail humain&lt;br /&gt;Seul dans les champs deserts, le grand soleil opère&lt;br /&gt;Le miracle éternel que nos donne  le vin.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                    Em casa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Setembro.  Translúcido e puro é o dia.&lt;br /&gt;Parece o outono  do verão uma bela lembrança&lt;br /&gt;Que não ameaça ainda maduras  folhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O céu, imensa e límpida taça&lt;br /&gt;Respira da terra  o sagrado  rosto&lt;br /&gt;A paz, a plenitude e a fecundidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizes,  os vinhedos no rio  se refletem,&lt;br /&gt;Sob a água calma, carregados da dádiva dos pesados pâmpanos,&lt;br /&gt;Inclinadas em sorrisos  se abrem as encostas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá no alto, em volta do campanário,  dormita  uma vila:&lt;br /&gt;O calor,  por  sobre os telhados,  vibra e reverbera,&lt;br /&gt;E, aí, se ouve nos pátios,  das galinhas  o canto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fora,  nenhuma  vivalma.  Estação  por excelência&lt;br /&gt;Na qual, sem mesmo   do humano trabalho o cuidado,&lt;br /&gt;Sozinho,  nos ermos campos,   realiza o grande sol&lt;br /&gt;O eterno milagre  que nos dá  o vinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;						(Trad. de Cunha e Silva Filho)&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-2257090398926042383?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/2257090398926042383/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/08/um-poema-de-louis-mercier-1870-1951_23.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/2257090398926042383'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/2257090398926042383'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/08/um-poema-de-louis-mercier-1870-1951_23.html' title='Um poema de Louis Mercier (1870-1951)'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-44847669559329490</id><published>2011-08-21T13:07:00.000-07:00</published><updated>2011-08-21T13:16:47.876-07:00</updated><title type='text'>Pedro,  um brasileiro</title><content type='html'>&lt;br /&gt;			Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caldeirão geral e estonteante  que são as imagens e assuntos  da TV, há uns dois ou três dias  me surpreendi com uma reportagem que me levou  até as lágrimas:  o calvário de Pedro. Mecânico de profissão, da Baixada Fluminense,  mulato, não velho nem moço, ganhando uns  seiscentos reais mensais.  Surgia na tela, durante a matéria da reportagem, com um livro que deve/devia ser lido por todo brasileiro alfabetizado, ou não o sendo, para vergonha de uma nação, que possa ouvir  de alguém ler  algumas partes  cruciais em  que a Constituição  Federal do Brasil   em vigor   proclama  como obrigações    impostergáveis do Estado brasileiro   nos trechos em que fala  de proteção  a todos  que nascem nesta  pátria . É no  ponto em   que o mecânico lê,  de vive voz, o que o país oficial  deveria  fazer em benefício de seus cidadão que o tom dramático atinge um  clímax, ou seja,  quando  tudo que lê teoricamente, na prática,  não  se  obedece da parte do  próprio governo federal. É letra morta,  lei que não  pega,  que não deu certo na sua inteireza e na universalidade. Ou nas palavras incisivas e indignadas  do mecânico,: “ Tudo isso que leio na Constituição  não passa de  hipocrisia  da Carta Magna!”&lt;br /&gt;Pedro se queixa de um problema muito grave. Ele está sofrendo  de má circulação numa das pernas  que já dá sinais de  chagas  com a possibilidade de entrar em estado de gangrena. Não foi  por  descaso que chegou a esse lamentável   estado de saúde. Foi por desídia do sistema de saúde publica do Rio de Janeiro, diria, tanto  do  estado quanto do município. Foi mais ainda, foi  por zelo estúpido  da burocracia,    da falta  de empenho até de funcionários  subalternos, quando, em cada hospital,  sua pretensão  lhe era sempre  vedada, alegando-se que ali não se podia  realizar tal tratamento, que fosse para um posto na Pavuna, bairro carioca,  e lá obtivesse  o  pedido oficial, carimbado, timbrado, assinado e o escambau! &lt;br /&gt;Pedro obedecia. Pacientemente, trazia de novo ao hospital,  o documento de encaminhamento  para internação ou tratamento  ambulatorial. Hospital, em Ipanema,  por sinal, de referência que, da mesma forma que  tantos  outros, por ele  percorridos em vários  bairros, da Zona  da Baixada,  passando pelos subúrbios, Zona Norte até a Zona Sul,  não  lhe deu   atenção, alegando uma funcionária que o seu caso  não configurava  tratamento de  alta complexidade, especialidade  central dessa instituição de saúde. Pedro foi, assim  humilhado - numa das vezes,  bateram-lhe com a porta na cara! -  na sua a dignidade de  homem, de ser humano, de brasileiro, de eleitor, de cidadão. &lt;br /&gt; Este último hospital ainda lhe dissera que o seu encaminhamento  não  valia nada, pois era um  simples  papel sem timbre, quer dizer,  colocou, ademais,   sob suspeita  o doente,   pois, para  qualquer   leigo  na área,  Pedro, o mecânico,  um brasileiro  pobre  e sacrificado,  relata  que  peregrinou desde o posto de saúde do seu bairro, procurando  um encaminhamento  médico para  fazer  o tratamento  da má circulação  em algum  hospital público do Rio de Janeiro e tudo que  conseguira até o momento da reportagem  fora  debalde. Marcava-se num  hospital  uma data  para   o início do tratamento e, no dia  combinado,  nada  de concreto acontecia. &lt;br /&gt;Em resumo, o caso  aflitivo de um  brasileiro que não  goza da  proteção do governo num dos seus deveres vitais: o direito a ter saúde e, portanto,  o direito à  vida.&lt;br /&gt;O calvário de Pedro  não é mais do que o símbolo malfezejo de um  país que, até hoje,  tem transformado suas obrigações para com o cidadão  em casos de polícia. Isso, sim  pode se definir como discriminação, exclusão, desrespeito  e descaso  com  o povo brasileiro.&lt;br /&gt;Quando o Presidente, o Vice-Presidente, ministros,  congressistas,  ou  outras  autoridades do Planalto  adoecem, a história é outra: baixam logo  aos hospitais de  primeiro mundo, quando não,  são  imediatamente  transferidos para  grandes hospitais  de países  adiantados, em geral os EUA.&lt;br /&gt;Por isso, tenho lá minhas dúvidas  quanto a Encontros de  ex- isso, ex- aquilo para fins de  debelar  a pobreza no país, quando para isso são necessárias mudanças  estruturais  complexas  que envolvem  divisão de riquezas de ricos  para  miseráveis.  Mudanças que  não  se sustentam  com  discursos  ou promessas  de cúpulas formadas das elites  dos setores  econômico-financeiros e da política  nacional, sobretudo agora, no terceiro período em que o PT  tem as rédeas do governo e não está nada confortável com  os numerosas  escândalos surgidos no seio do seu   próprio espaço partidário  ou em coligações  com as famigeradas bases  aliadas  desde   quando  assumiram  o poder    &lt;br /&gt;Diante de uma nação que está afundada  em  graves   crises setoriais,  educação,  saúde, extrema  violência,  segurança,  agravadas  pelo fantasma  da  impunidade, que  parece não querer   chegar a um fim,  seria ingenuidade pensar-se  que tais  belos  objetivos propalados  por  diferenças  político-ideológicas,   serão  de fato   colimados. Seria  possível que, da noite para o dia,  um país  amanhecesse com  suas elites   acostumadas  às  imperiais regalias se transformando   em salvadores   dos seus  próprios  erros e desmandos? Seria muito  ingênuo se nisso  acreditasse.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-44847669559329490?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/44847669559329490/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/08/pedro-um-brasileiro_21.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/44847669559329490'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/44847669559329490'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/08/pedro-um-brasileiro_21.html' title='Pedro,  um brasileiro'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-7278236883758611787</id><published>2011-08-17T20:58:00.000-07:00</published><updated>2011-08-17T20:59:07.679-07:00</updated><title type='text'>Ações tímidas contra as ditaduras</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;			&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;				Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            Causa espécie que grupos  rebeldes e  civis de países árabes,  Líbia e Síria,  por exemplo,  estejam  ainda lutando contra   sangrentas ditaduras dizimando, indiferentemente, populações civis indefesas sem que  potências democráticas como os  EUA e países  europeus, através  de seus organismos internacionais  (ONU, OTAN)  usem  meios   mais drásticos   para  livrarem   aqueles  países   de regimes despóticos que estão cometendo  toda sorte de  violências sem  termo. &lt;br /&gt;É impensável que essa situação se  prolongue por mais tempo, uma vez que, quanto mais     ações efetivas   forem postergadas, mais  crescerá  o número de mortos, o que caracterizará  um  quadro real  de genocídio, ou seja,  de  crimes contra a humanidade, cujos responsáveis  terão que enfrentar  julgamentos nos tribunais  internacionais.&lt;br /&gt;Não entendo  por  que, até agora,  têm sido  tímidas as represálias de  nações civilizadas contra os citados ditadores. Será porque não desejam  perder  benefícios  diretos   de ordem econômica que impeçam  medidas militares estrangeiras    em   consonância com as forças rebeldes ? Países-membros da ONU já não  reconheceram  as forças  rebeldes  como  legítimos  interlocutores  e, portanto,   facções que bem  poderiam  substituir  interinamente  os ditadores até que um governo  livre e democrático  possa organizar e realizar  eleições  livres? &lt;br /&gt;O que não pode permanecer  é esse estado  de derramamento de sangue, estado de desordem e esfacelamento das estruturas básicas da sociedade. &lt;br /&gt;Os ditadores  Kadafi e  Bassar AL-Assad  não têm mais  legitimidade  junto  à sociedade civil e à comunidade internacional. Ambos já deram suficientes exemplos  de serem  inimigos   de seu  povo. São criminosos e não podem  dirigir os destinos político-administrativos  de suas nações. Neste sentido, é que se faz urgente a intervenção bélica  de contingentes armados sob a responsabilidades  dos  organismos  internacionais de que dispomos. &lt;br /&gt;Com explicar que forças internacionais estejam  combatendo   no Afeganistão  contra os  guerrilheiros talibãs, ou facções terroristas como a Al Qaeda? Os Estados Unidos  não estão ainda baseados  no Afeganistão com outros forças   internacionais?&lt;br /&gt;A humanidade  está cansada e indignada de  ver na TV,  de ler nos jornais, nas revistas  e na Internet  matanças  de inocentes, explosões  de construções, prédios, patrimônios e residências  nas cidades líbias  e sírias.&lt;br /&gt; Tais cenas  de matanças  e de horror, de tanto serem repetidas  pelos  diversos meios  de comunicação, em diferentes  lugares  e situações desse  países árabes, parecem  estar se naturalizando, banalizando-se, entorpecendo os sentimentos de solidariedade entre as pessoas, sobretudo  neste mundo globalizado bombardeado de notícias das quais  o homem moderno não consegue  infelizmente  se libertar a fim de,   por um momento,  poder  meditar sobre o sofrimento alheio de homens  em guerra lutando  para defender e preservar o seu  mais precioso valor: a vida.  Todos os países devem se ajudar, apoiando os indefesos  contra governos   tirânicos,  no combate à fome, nos problemas  financeiros. &lt;br /&gt;São essas ações que dignificam os homens e deles fazem  criaturas realmente  grandiosas. Como diria o genial  Chaplin (1889-1977): “Não sois máquinas! Sois homens”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-7278236883758611787?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/7278236883758611787/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/08/acoes-timidas-contra-as-ditaduras.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/7278236883758611787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/7278236883758611787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/08/acoes-timidas-contra-as-ditaduras.html' title='Ações tímidas contra as ditaduras'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-3720623960819235610</id><published>2011-08-16T06:39:00.000-07:00</published><updated>2011-08-16T06:41:01.566-07:00</updated><title type='text'>O presente</title><content type='html'>&lt;br /&gt;                                               Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;			&lt;br /&gt;           Para   Cunha e Silva,  centésimo sexto  ano de seu  nascimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O leitor nem imagina o quanto comove  a alguém que do próprio pai  recebe um presente diferente. Diferente  porque nada tem a ver com um objeto concreto de valor, um  presente que não  é uma camisa  nova, um par de sapatos, um terno, um relógio  nem outros tantos itens que deixam alguém bem contente por  algum tempo. O presente  que ganhei há quarenta e sete anos ninguém esquece nunca, pois já se tornou parte espiritual  da minha vida.  Ele não veio de uma fábrica,  de uma  indústria nem do balcão de uma loja  elegante  e sofisticada, dessas que deliciam  os  empedernidos consumistas  de hoje.&lt;br /&gt;O meu presente é atemporal, situa-se na esfera das estrelas  e nos planos mais elevados  da espiritualidade. Não é feito de  matéria-prima, não tem  etiqueta,  nem foi posto em anúncio de alguma revista  vistosa e de impressão impecável, como são estas belas  publicações  cheias  de  publicidades e apelos  em formas de  lindas mulheres com olhares  sensuais, e que trazem entrevistas  de  pessoas  famosas do momento.&lt;br /&gt;Meu presente é de outra ordem. Feitos de palavras  bem escolhidas e brotadas do fundo do coração. Fez-se de ritmos,  de melodias , de musicalidade. Sua intenção, antes de ser estética,  é a de exprimir  sentimentos ternos, carinhosos,  que combinam saudades,  lágrimas e esperanças de mistura com  uma alguma incerteza  do futuro.  Também a ele não faltam  rimas que em parte  ajudam a dar maior cadência ao todo harmonioso. &lt;br /&gt;Presente  feito em gênero antigo, de limitados versos. Seu tema gira em torno da  partida de alguém que vai para longes  terras  e para trás deixa os entes que mais  preza, bem como  outras lembranças:  seus pais, irmãos, irmãs, amigos, amores  acabados, interrompidos, desejados,   sonhados    e falhados. Deixa mais: a terra natal, os amigos de sua época,  a fisionomia  da sua cidade, seu calor,  seu sotaque,  seus costumes,  sua  história, sua cultura, seu canto  no lar, suas leituras, alguns escritos  juvenis publicados em jornais,  seus ex-professores, seus parentes, suas ruas  queridas,  o Parnaíba,  o Poti, suas diversões,  seus passeios a pé  com um primo, suas noites de amor,  suas igrejas, sobretudo a  de São Benedito,  suas construções,  o Palácio de Karnak,  suas praças, a Rio Branco e a Pedro II,  o Liceu Piauiense, o Rex e o Theatro,   seus logradouros   que aprendeu a  amar, seu então  único prédio  mais alto que dá para a Praça  João Luís Ferreira.&lt;br /&gt;Este presente  o recebi  pouco dias depois que saí de Teresina. É um soneto de meu pai de título  “Talismã”. Pode não ser  um poema de um grande  poeta, mas  afetivamente  é como se o fosse  e  por isso tem a perfeição das coisas simples e  belas de  que gostamos. Os poetas  têm lá  seu tanto  de  vaticínio, de profético. Foi publicado no jornal “Estado do Piauí”, jornal para o qual meu pai colaborou durante  longos anos com  artigos assinados e artigos de fundo. Eu próprio  escrevi  vários  artigos para o velho e extinto  jornal de  Josípio Lustosa.  Do poema tenho ainda  um envelhecido recorte que guardo  comigo  há quase  cinquenta anos.Eis o presente de meu  pai escrito  com as lágrimas  da dor da partida de um filho  que,  com apenas dezoito anos, iria  enfrentar  a vida no Rio de Janeiro:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Talismã.&lt;br /&gt;                         &lt;br /&gt;                 Ao meu bom filho Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                              Cunha e Silva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com lágrimas nos  olhos te vi partir,&lt;br /&gt;Com lenço branco pra mim acenavas&lt;br /&gt;Da janela do avião a sorrir&lt;br /&gt;Pra mim que, com tristeza, me deixavas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo  que o avião voo tomava,&lt;br /&gt;Prolongado adeus me concedeste,&lt;br /&gt;Emotivo, lágrimas  enxugava&lt;br /&gt;No lencinho que me ofereceste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este lencinho tenho-o guardado&lt;br /&gt;E só quero revê-lo quando chegares,&lt;br /&gt;Um  dia, com teu sonho  realizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O talismã da tua felicidade&lt;br /&gt;É ele, meu filho,  e, ao regressares,&lt;br /&gt;Devolver-to-ei   com ansiedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-3720623960819235610?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/3720623960819235610/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/08/o-presente_6273.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/3720623960819235610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/3720623960819235610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/08/o-presente_6273.html' title='O presente'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-5147365055043870476</id><published>2011-08-13T07:24:00.000-07:00</published><updated>2011-08-13T07:26:48.983-07:00</updated><title type='text'>Por um Rio de Janeiro digno de ser   maravilhoso</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;				Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estamos vivendo fases tormentosas em  nosso pais. Nesta crônica, me limitarei a apenas uma: a violência, com ações hediondas  cometidas em todas as escalas sociais. Violência que parte de todos os cantos da sociedade. Não estarei exagerando  ao  afirmar que o povo carioca está  com medo de sair de casa,  seja  de carro,  de trem, de  metrô e principalmente de ônibus,  este último  meio de  transporte muito  maltratado  pelos órgãos fiscalizadores. Aliás,  o medo é duplo: quer pela imperícia de motoristas  que  mais parecem  psicopatas  ao volante, colocando em risco  a vida dos  passageiros ao imprimirem  alta  velocidade aos veículos  sob sua responsabilidade, quer pelo  pavor  de os passageiros poderem ser mais outras vítimas de assaltos.&lt;br /&gt;Com uma polícia militar despreparada para enfrentar situações de emergência, tais como  assaltos ou sequestro de ônibus,  conforme  ocorreu na semana passada em pleno centro  nervoso do Rio de Janeiro, com passageiros desesperados  com a violência  de facínoras  ameaçando-lhes  a vidas,  os cidadãos de bem  do Rio de Janeiro se encontram  completamente reféns  nas duas situações  mencionadas.&lt;br /&gt;Por outro lado,  lemos  artigos ou  reportagens  de jornais em que especialistas de várias áreas discutem teoricamente  modos  de vida melhor e  mais saudável para   o futuro da cidade  do Rio de Janeiro tendo em mira   os cronogramas a serem respeitados com vista às realizações  da Copa Mundial e  dos Jogos Olímpicos.  Arquitetos,  planejadores  urbanos, antropólogos, sociólogos, em debates amplos,  com raras exceções,   transmitem  uma  exagerada  impressão de otimismo que me deixa preocupado. &lt;br /&gt;Não é possível  termos sucessos naquelas realizações esportivas  e a  necessária  paz social se não atacarmos  de  imediato  os flagelos  que insistem  em permanecer  afrontando  a população, sobretudo  os mais  carentes e desprotegidos. Há uma série de ações efetivas que devem partir de iniciativas   tanto  do prefeito quanto  do governo estadual que, se não forem equacionadas  e  resolvidas em curto e médio prazo, colocarão  por terra  os projetos de modificações ambiciosas da paisagem urbana e dos modos  de vida social  do povo  carioca.&lt;br /&gt;Por isso,  medidas  urgentes se fazem  necessárias nos  setores da segurança, da saúde, dos transportes que não podem ficar só no papel. Investimentos  maciços, com a ajuda do governo federal  nesses setores, não podem ser desviados ou transformados  em  outros  escândalos financeiros.&lt;br /&gt;Antes de tudo,  as obras  indispensáveis à concretização   dos dois grandes  eventos  mundiais  esportivos  mobilizarão   ações  principalmente  dirigidas à segurança  do indivíduo, seja do habitante do Rio, seja  do turista  brasileiro  ou estrangeiro. Julgo ser estes anos  que antecipam  os dois megaeventos  a ocasião mais adequada  hoje para reduzir  a  patamares mínimos   o alto grau de violência em que vive a população carioca.  Quando bandidos atacam pessoas  indefesas, executam  uma juíza  de direito e praticam  outros atos de selvageria contra a sociedade do Rio de Janeiro, torna-se quase impossível pensar-se  no sucesso da Copa Mundial e dos Jogos Olímpicos . &lt;br /&gt;Setores como o turismo, a hotelaria e o comércio em geral devem fazer  pressão junto aos governos municipal e estadual  no sentido de que soluções  para as mazelas do Rio de Janeiro  sejam  urgentemente encontradas.. Portanto,  não é hora  de produzir otimismo em excesso  com promessas de  que  o flagelo da violência   será eliminado em decorrência das transformações  arquitetônicas que  estão planejadas para a cidade do Rio de Janeiro. É preciso que o turista e o habitante  do Rio  realmente  possam constatar que modificações  de fato  ocorrerão  no espaço físico  da Cidade Maravilhosa. Contudo,  elas  não podem   deixar de acompanhar-se de um esforço prioritário em setores vitais:  segurança, saúde e educação  pública. É mister que ao povo do Rio de Janeiro se devolva uma cidade em clima acolhedor, de paz, de alegria e bem-estar, sem o que o envio de reforço militar  vindo de Brasília mais uma vez seja apenas  para dar um  ilusório e provisório  período  de  segurança e vida melhor .Só desta forma poderemos ter  orgulho de  sediar os dois megaeventos com êxito e  demonstração  de que o Rio de Janeiro – Cidade Maravilhosa -,   mundialmente  famoso, faz jus a esta  antonomásia. &lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-5147365055043870476?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/5147365055043870476/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/08/por-um-rio-de-janeiro-digno-de-ser.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/5147365055043870476'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/5147365055043870476'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/08/por-um-rio-de-janeiro-digno-de-ser.html' title='Por um Rio de Janeiro digno de ser   maravilhoso'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-2878620031959695388</id><published>2011-08-10T15:12:00.000-07:00</published><updated>2011-08-10T15:14:47.007-07:00</updated><title type='text'>Um poema de Edna St. Vincent Millay (1892-1950)</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um  poema de Edna St. Vincent Millay (1892-1950)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;		I know I am but summer to your  heart&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;I know I am  but summer to your heart,&lt;br /&gt;And not the full four seasons of the year;&lt;br /&gt;And you must welcome from another part&lt;br /&gt;Such noble moods as are not mine, my dear.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No gracious weight of golden fruits to sell&lt;br /&gt;Have I , nor any wise and wintry thing;&lt;br /&gt;And I have loved you all too long and well&lt;br /&gt;To carry still the high sweet breast of Spring.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Wherfore I say: O Love, as summer goes,&lt;br /&gt;I must be gone, steal forth with silent drums,&lt;br /&gt;That  you may hail anew the  bird and  rose &lt;br /&gt;When I come back to  you, as summer comes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Else will you seek, at some not   distant time,&lt;br /&gt;Even your  summer in another clime.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No teu coração, sei, sou apenas verão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No teu coração, sei, sou apenas verão,&lt;br /&gt;Jamais plenamente as  quatro estações  serei para ti;&lt;br /&gt;Essas novas  variações  do tempo,  querido,  não me  pertencem. &lt;br /&gt;Em outras  paragens  com alegrias deves  encontrá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum gracioso peso de áureos frutos vender   consigo&lt;br /&gt; Nem tampouco  qualquer coisa sábia de inverno&lt;br /&gt;Mas, ainda assim, te tenho  amado sempre e muito&lt;br /&gt;Para poder o alto e doce sentimento da Primavera ter comigo,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afirmo, pois: Oh, amado, à medida  que o verão se afasta,&lt;br /&gt;Sumir devo, em segredo,  com minha música em silêncio,&lt;br /&gt;A fim de que possas, outra vez,  o pássaro e a rosa acolher&lt;br /&gt;Ao voltar  para ti, tão logo venha o verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do contrário,  não tardarás  a procurar&lt;br /&gt;Até mesmo em lugar diferente o teu verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                             (Trad. de Cunha e Silva Filho)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-2878620031959695388?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/2878620031959695388/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/08/um-poema-de-edna-st-vincent-millay-1892.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/2878620031959695388'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/2878620031959695388'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/08/um-poema-de-edna-st-vincent-millay-1892.html' title='Um poema de Edna St. Vincent Millay (1892-1950)'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-6088014496905503656</id><published>2011-08-08T18:05:00.000-07:00</published><updated>2011-08-08T18:07:58.913-07:00</updated><title type='text'>Os intelectuais não se entendem</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                &lt;br /&gt;							Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;	No passado e no presente a história  literária brasileira está mergulhada em intrigas, invejas, ressentimentos, vias de fato, injustiças, indiferenças e, em nível mais elevado de debate, em polêmicas. A começar das incompreensões no  próprio  seio dos movimentos literários ou periodizações,  as dissensões se instalam com grupos novos  defendendo suas propostas ou manifestos de independência  no que respeita  ao estilos ou estilos anteriores, o que,  de alguma  maneira,  explica  ou justifica a  dinâmica  interna  e  específica do fazer  literário. Não deixa de ser um jogo ancestral  entre a velha e a nova  geração num período histórico  considerado. &lt;br /&gt;      Quem chega, deseja a desestabilização do estilo anterior, como se  o novo fosse sempre  “superior” ou “melhor” do que o antigo. Nada mais  longe da verdade. O caráter de dinamismo  da escrita literária fala mais alto do que  as relatividades  das vanguardas. O que  convém ter em mira é o sentido de modificações que instrumentalizadas pelas    realidades sociais e culturais diferentes acompanhando o ritmo  da  História, sem vezos de  alcances de perfeição e formas ideais. &lt;br /&gt;       Portugal e o  Brasil são dois países em que a polêmica alcançou, mais naquele do que neste,   considerável fortuna crítica. Em Portugal,  cujas primeiras notícias datam da época  dos trovadores e jograis, serve de ponto alto a polêmica conhecida como “Questão Coimbrã”, embate ácido  entre o Romantismo e o Realismo, dividindo, no plano intelectual,  figuras   consagradas da velha  geração liderada  por Antônio Feliciano de Castilho(1800-1875) apoiado pelo  destemido e mordacíssimo romancista Camilo Castelo Branco (1825-1890). Do outro oposto,  representando as novas  idéias os escritores Antero de Quental (1842-1891) e Teófilo Braga (1843-1924) procurando  desqualificar o Romantismo chamado “decadente,” encarnado  na produção  ficcional de Camilo Castelo Branco.&lt;br /&gt;No Brasil, segundo Naief Sáfadi,  a polêmica não é tema tão freqüente assim, podendo-se asseverar que um dos seus capítulos mais conhecidos é aquele alusivo ao poema “A Confederação  dos Tamoios” (1857), de Gonçalves de Magalhães (1811-1882) polêmica que  resultou na publicação de oito cartas  de José de Alencar  reunidas em Cartas  sobre a Confederação dos Tamoios (1860)  escritas sob o pseudônimo de “Ig.” Nelas Alencar assinala  como defeito na elaboração daquele  poema a ausência de vigor poético e, além disso, refere à precariedade de sua maneira de conceber a figura do índio, segundo ele,  artificialmente composto. Ora,  o próprio  Alencar foi também, por sua vez,   vítima de crítica  semelhante, que lhe apontavam idealizações  exageradas   na caracterização  física e psicológica do  indígena brasileiro. Em defesa de Magalhães, saíram Araújo Porto Alegre (1806-1879) e o imperador  D. Pedro II (1825-1891). Defendendo Alencar  esteve Pinheiro Guimarães (1832-1877)&lt;br /&gt;Outras  polêmicas,  na década de 1880,  poder-se-iam mencionar aqui. As de Carlos de Laet (1847-1927) com  os portugueses Camilo Castelo Branco e  Castilho  e outra com  Valentim Magalhães(1859-1903) sobre  uma questão  até sem muita  relevância,  a de saber (!) quem seria o melhor poeta brasileiro  Gonçalves Dias (1823-1864),  Castro Alves (1847-1871) ou Luís Delfino (1834-1910).&lt;br /&gt;Ainda naquela mesma década, houve uma destacada polêmica entre  Júlio Ribeiro (1845-1890),   romancista,  gramático e filólogo, famoso por sua verve cáustica em  assuntos de política (Cartas sertanejas, 1885) e o Pe. Sena Freitas, a propósito do romance naturalista, A carne,  zombeteiramente  chamado  “A carniça” pelo crítico Agripino Grieco ( 1888-1973).&lt;br /&gt;Algumas outras polêmicas se tornaram suficientemente  divulgadas: a de Tobias Barreto (1839-1889), em 1883,  com os padres maranhenses  Joaquim Albuquerque (1867-1934) e Casemiro  da Cunha,   sobre questões  de clericalismo no meio cultural brasileiro. As polêmicas de Sílvio Romero (1851-1914) com Teófilo  Braga, com José Veríssimo (1857-1916) e com o gramático Laudelino Freire (1873-1937)&lt;br /&gt;Famosa ficou  também a polêmica de Rui Barbosa (1849-1923)  que manteve com o seu ex-professor Ernesto Carneiro Ribeiro() versando sobre a redação do Código Civil Brasileiro (1903). Em resposta às  críticas de Carneiro Ribeiro, Rui escreveu a célebre Réplica à defesa da redação do Código Civil Brasileiro, 1904) que lhe valeu, da parte do opositor, uma Tréplica.&lt;br /&gt;Anos depois, outras polêmicas surgiram, como  aquela travada entre Cassiano Ricardo (1895-191974) e Fernando  de Magalhães tendo por  eixo da discussão  Cecília  Meireles (1901-1964) e a Academia Brasileira de Letras. Osório Borba e Menotti del Picchia (1892-1988) polemizaram sobre o tema da crítica literária brasileira, Osório desanca o regionalismo e o caráter personalista daquela crítica.&lt;br /&gt;Não podemos esquecer entre outras, as polêmicas entre o Pe.. Leonel Franca (1893-1948) e José  Oiticica(1882-1957). Em outra ocasião, Oiticica, que era  anarquista e gramático,  terçou armas com o linguista e  filólogo Sílvio Elias (1913-1998). &lt;br /&gt;Finalmente, para não alongar o objetivo deste artigo, que não é o de  desenvolver em profundidade  o tema da polêmica literária  no país, lembraria a polêmica acérrima entre  dois críticos  de grande valor, mas de diferente tendência teórica e visão cultural : Álvaro Lins (1912-1970) e Afrânio Coutinho(1911-2000). A raiz da polêmica situa-se  a partir da publicação da obra de Coutinho, A filosofa de Machado de Assis (1940). A natureza dessa polêmica tem fundamentação argumentativa nos campos da estilística e da visão crítica de autores que influenciaram a ficção machadiana. A meu ver, a    diatribe, até extrapolando para o plano pessoal, foi,  primeiro,  provocada por um ensaio de Lins sobre aquela  obra de Coutinho. A reação de Coutinho  foi  imediata e   duríssima.&lt;br /&gt;Todos esses comentários me vieram à baila após  recentes leituras de   duas crônicas de Ferreira Gullar publicadas na  sua coluna do Caderno Ilustrada da Folha de São Paulo, nas quais  menciona o nome de Augusto de Campos a respeito de uma afirmação deste sobre o que pensava do  escritor e poeta modernista Oswald de Andrade (1890-1954). O fato se resume no seguinte: num encontro de Gullar com Augusto de Campos, no Rio de Janeiro, em  1955, na Spaghettilândia, na Cinelândia, Centro do Rio. Gullar relatou numa das crônicas  acima referidas que Augusto chamara Oswald de  Andrade  de “irresponsável.”, julgamento  que Gullar  imediatamente  rechaçara.&lt;br /&gt;Augusto de Campos, em artigo recente publicado naquele mesmo  jornal,  desmentiu o que Gullar escrevera a respeito do encontro, afirmando que não  houve tal encontro,  mas não  negou que chamara Oswald de Andrade de “irresponsável”.&lt;br /&gt;Pelo que conheço de Gullar, o que a questão levanta é não só  evidência de vaidade da parte  que pretende ter sido quem julgou com acerto – o que não foi o caso de Augusto de Campos - e de forma antecipadora um escritor de inegável  qualidade  como Oswald. Ao contrário, fora Gullar quem  acertara em cheio no julgamento justo e  antecipado  sobre a poesia de Oswald de Andrade.&lt;br /&gt;Quanto a  saber se Augusto de Campos, numa  releitura mais  cuidadosa da obra de Oswald, conseguiu  que o autor de Serafim Ponte Grande (1933) fosse reconhecido como  figura de relevo na poesia brasileira, isso torna as justificativas de Gullar bastante louváveis.&lt;br /&gt;Agora,  ao trazer à discussão a questão do encontro e da opinião negativa de Augusto para um  deslocamento de assunto relacionado à dúvida sobre  o valor e  importância de poemas de Gullar, a história se complica e, então, não há  como não tomar o partido de um  poeta de alta expressão  como Ferreira Gullar. Daí para diante,  de um lado e de outro, os entrerveros só a custo conseguem  se manter em  bases educadas, uma vez que a verrina da polêmica já se instalou nos campos intelectual e  pessoal, o que, no último caso,  empobrece qualquer  polêmica  em alto nível conduzida.  É uma pena que  assim  hajam chegado a  tais divergências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NOTAS:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  1.SÁFADI,  Naief.  Verbete sobre “Polêmica” na literatura brasileira. In: Dicionário de literatura (direção de Jaccinto do  Prado Coelho). 3 ed., 2º vol. L/S. Porto: Figueirinha, p. 838-839. Ver também  o verbete “Polêmica”  na literatura  portuguesa. PRADO COELHO, Jacinto do. Idem, ibidem, p. 837-838.&lt;br /&gt; 2. Nomes de escritores  cuja indicação de data de nascimento e morte não aparecem neste artigo  serão incluídos posteriormente   no corpo do texto logo que devidamente localizados. A ressalva vale também para os nomes de obras e datas de publicação.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-6088014496905503656?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/6088014496905503656/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/08/os-intelectuais-nao-se-entendem_9695.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/6088014496905503656'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/6088014496905503656'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/08/os-intelectuais-nao-se-entendem_9695.html' title='Os intelectuais não se entendem'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-3884775484377560649</id><published>2011-08-07T14:05:00.000-07:00</published><updated>2011-08-07T14:06:06.298-07:00</updated><title type='text'>Sobre lançamentos de livros</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Os lançamentos de livros, muitas vezes,  em vez dos eventos  que misturam  marketing, mídia e autoria, consagrada ou não,  se transformam em histórias  constrangedoras, tristes e até como  provas de que as pessoas não dão, em alguns casos,  lições de educação,  solidariedade e civilidade.&lt;br /&gt;O caminho é este:  a editora manda confeccionar e distribuir os convites do lançamento às pessoas indicadas para o evento e, no dia,  aprazado da gloriosa “noite de autógrafos”, digamos, de cem convidados, só aparecem 10, gatos  pingados.Um senhor comparecimento... &lt;br /&gt;O evento se mostra ainda mais decepcionante quando, no convite, consta a informação de que aos presentes se oferecerá um coquetel.  Com isso, o editor e o autor, com frequência, se previnem dos contratempos, ou seja, ao proporcionarem um coquetel, com garçons e tudo, isso  constitui um chamariz ou atração para as supostas presenças dos convidados. &lt;br /&gt;Porém, pode-se  contar com mais um agravante:   ainda que  o lançamento  venha  acompanhado do  mencionado coquetel,  mesmo assim  pode haver fracassos de ausências  e, portanto,  de baixa ou quase nula vendagem. Neste caso, não há  Deus que venha acudir os desapontamentos e reparar os  estragos com os custos do evento: bufê, garçons  e aluguel do espaço.&lt;br /&gt;Soube de um caso de uma  colunista famosa que, ao lançar um livro, somente compareceram ao local do evento oito pessoas. E olhe que a colunista mantém há longo tempo   uma   coluna em jornal de grande circulação e  de âmbito nacional. Por conseguinte, é difícil prever se um lançamento vai dar certo  ou errado. Nunca se sabe. A história de lançamentos de livros guarda muitos segredos que só os deuses saberiam revelar...                  &lt;br /&gt;Chegou-me ao conhecimento que  de uma outra feita um conhecido professor  universitário da área de direito lançou uma obra  e, no dia  do evento, não apareceu   ninguém, nem mesmo a esposa  deu  o ar de sua graça. Que vexame para  o ser humano, quanta falta  de humanidade  e de respeito às pessoas!&lt;br /&gt;Por outro lado, quantas mediocridades, por estarem  associadas à mídia e aos círculos diversos  das pessoas ditas “famosas”,  as hoje em dia  chamadas  de  “celebridades,” publicam livros aos montões (muitas  vezes até  escritos por ghost-writers) e os vendem como  água. Pelo menos,  na “noite de autógrafos” elas fazem  a festa dos editores e autores sorridentes  ao verem as filas quilométricas à espera dos  autógrafos. &lt;br /&gt; Oh, mundo burguês feito  de  pó de arroz, de anéis de brilhantes e colares de ouro, não sabeis o quanto  me provocais  risos rabelaisianos ante  vossas superficialidades,   hipocrisias, convenções  e  conversas  regadas a futilidades sobre  assuntos de que não entendeis patavina, ou sobre  temas  que me deixam  enjoado de tanta  sensaboria e idiotice, sobretudo  envolvendo   insípidos   diálogos sobre  consumo  ditado pelas modas e que fazem as delícias  do mercado e a riqueza dos empresários.Como me cansam  vossas “adiposidades cerebrais” (Mário de Andrade (1893-1945), “Ode ao burguês) de pensamentos vazios e comportamentos  padronizados, de vossos sentimentos  afetivos  azeitonados de interesses  econômicos nos relacionamentos entre o homem e a mulher, ou entre adolescentes frívolos  e robotizados que, passando   por nós,  com olhos  distantes parecem  não serem  mais do que  corpos sem alma.&lt;br /&gt;Como são apropriados alguns contos de João Antônio (1937-1996) que, pelo  voz do narrador, ilustram tão bem a  vida  besta  e   rasa de certa classe média (para aquele  o escritor, classe mérdea) em que a obtusidade de situações do cotidiano nos é  mostrada  sempre com  ironia  e sarcasmo e que já aparecem neste  primor de narrativa que é o conto “Tatiana pequena”(do livro Abraçado ao meu rancor).  Mesmo na obra--prima  Malagueta, Perus e Bacanaço (1963) já dava sinais de que esse estrato social mais elevado  estava na mira  de sua crítica como mais uma  temática central  de sua ficção ao  aludir  a bairros e gente  da alta classe  social brasileira da cidade de São Paulo.&lt;br /&gt;Retomo o fio quebrado  pela digressão,  e volto a falar de lançamentos de livros como evento em si, nos quais se vende muito no dia marcado, mas, quando  o livro passa à distribuição nacional e vai para  as livrarias e shoppings,  não acontece o esperado sucesso de venda. Dá-se o que se chama de encalhe O escritor Armando Nogueira (1927-2010) em suas vendas de livros de crônicas,  numa entrevista na TV,  se definira como   um campeão do encalhe.&lt;br /&gt;Diante de tantas circunstâncias cercando o sucesso ou o fracasso de vendagem, escritores há que agem idiossincraticamente: 1) Publicam suas obras, mas sem os alardes e holofotes das “noites de autógrafos”. Acredito  que neste  grupo estão  Dalton Trevisan e Rubem Fonseca, entre outros, que fogem às badalações midiáticas. Ao publicarem um livro novo,  este vai logo para as prateleiras das livrarias; &lt;br /&gt;2) Outros  editam  seus livros e realizam lançamentos  limitados a, por exemplo,  academias, sindicatos, associações culturais, momentos em que, como  é hábito nesses meios,  seus livros são  apresentados a públicos  convidados com   solenidades e ainda uma apresentação do autor discorrendo sobre aspectos  relevantes  da obra lançada;&lt;br /&gt;3)  Ainda há outro  caso, aquele no qual o autor  publica uma reduzida  edição  de livros e os distribuem a amigos, bibliotecas ou outras instituições  culturais. Até podem aproveitar e convidar  amigos mais chegados e realizar um lançamento em  espaços de livrarias  com a despesa  toda por conta  do autor. O que sobra de livros, coloca, quando  lhe é permitido, alguns volumes em consignação   em livrarias.&lt;br /&gt;Assim como existem decepções por falta do comparecimento de convidados a lançamentos, há também desapontamentos com respeito a convidados a palestras previamente  programadas em academias ou outras  agremiações culturais. O comparecimento pingado de convidados cria sérios constrangimentos aos organizadores ou coordenadores de palestras  e arrasa com  o “ego” do palestrante.  É maldade pura, só perdoada  se  um convidado   faltar  por  um motivo  inadiável. Compromissos são compromissos. A única saída  é rezar  para que convidados de boa vontade estejam presentes aos eventos. Todavia,  não há como  lutar contra algumas  práticas e usos deseducados e deselegantes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-3884775484377560649?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/3884775484377560649/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/08/sobre-lancamentos-de-livros_07.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/3884775484377560649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/3884775484377560649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/08/sobre-lancamentos-de-livros_07.html' title='Sobre lançamentos de livros'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-4085315180336324968</id><published>2011-08-02T10:26:00.000-07:00</published><updated>2011-08-02T10:28:02.439-07:00</updated><title type='text'>Um poema de Sully Prudhomme (1839-1907)</title><content type='html'>Un  songe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Le laboureur m’a dit en songe: “Fais ton  pain”;&lt;br /&gt;Je ne te nourris plus: gratte la terra, et sème”.&lt;br /&gt;Le tisserand m’a dit: Fais tes habits toi-même”&lt;br /&gt;Et le maçon m’a dit: “Prends la truelle en  main.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Et seul, abandoné de tout le genre humain,&lt;br /&gt;Don’t je traînais partout l’impacable anathème&lt;br /&gt;Quand j’implorais du ciel une pitié suprême,&lt;br /&gt;Je  trouvais dês lions debout dans monchemi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J’ouvris les yeux , doutant si l’aube était réele:&lt;br /&gt;De hardis companagnons sifflaient sur leur échelle,&lt;br /&gt;Les métiers  bourdonnaient, les champs étaient semés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Je connus mon bonheur, e qu’au monde où nous sommes&lt;br /&gt;Nul   ne peut se vaner de se passer des hommes;&lt;br /&gt;Et depuis  ce  jour-là, je les ai tous aimés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Um sonho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em sonho me disse o lavrador; “Faze teu pão.&lt;br /&gt;Não contes mais comigo.: cava a terra e semeia”.&lt;br /&gt;Disse-me o tecelão: “Tua roupa, faze tu mesmo”.&lt;br /&gt;E me  disse o pedreiro: “Pega a colher de mão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sozinho, abandonado  por todo o gênero humano,&lt;br /&gt;Cujo  implacável anátema por toda  a parte arrastava,&lt;br /&gt;Ao suplicar aos céus pela piedade humana,&lt;br /&gt;Diante do meu caminho leões, atentos,  encontrei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhos abri, não crendo que fosse  real a aurora.&lt;br /&gt;Valentes   operários de construção, em suas escadas,  assobiavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A  felicidade conheci, e mais, no  mundo onde vivemos&lt;br /&gt;Ninguém se gabar pode de ser melhor do que outrem..&lt;br /&gt;Daquele dia em diante,  a todos  passei a amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     (Trad. de Cunha e Silva Filho)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-4085315180336324968?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/4085315180336324968/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/08/um-poema-de-sully-prudhomme-1839-1907_02.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/4085315180336324968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/4085315180336324968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/08/um-poema-de-sully-prudhomme-1839-1907_02.html' title='Um poema de Sully Prudhomme (1839-1907)'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-2612534355031393779</id><published>2011-07-31T08:37:00.000-07:00</published><updated>2011-07-31T08:39:07.558-07:00</updated><title type='text'>O milagre da vida</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Uma vez a saudosa professora  da UFRJ Gilda Salem  que, num semestre nos anos noventa, durante o período do meu mestrado,  deu um curso sobre a crônica de Carlos Drummond de Andrade (1902-1987),  no meio de  uma de suas  aulas,  deixou escapar esta confissão, que tento  reproduzir com minhas palavras e talvez misturando   palavras  delas em tom epifânico com imaginação  rememorativa:  “Que bom  que estejamos vivos, é uma bênção. Sentir que temos algo a fazer,  ver que a vida  que  pulsa  dentro e fora de nós não deixa de ser um milagre”.&lt;br /&gt;Suas palavras ressoam  na minha retina e me estimulam a  dar realmente peso às palavras da brilhante  professora,  ensaísta e crítica literária. Gilda era de origem  judia. Tinha a tez clara e os cabelos  castanhos claros  também. Era séria,  mas também acessível quando sentia que  o aluno  era responsável e  aplicado. Fizera, se não me engano Letras, português-francês, na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil. Estudara  ainda na Universidade de Brasília nos tempos   sombrios da ditadura. Militar. Tinha um visão aberta e profunda  da existência e de um  pensamento filosófico bem afinado com a obra de Walter Benjamin (1892-1940) que,  de resto,  constava, na bibliografia do curso sobre Drummond, um dos poetas  de sua  estimação,  como  um dos  autores-chaves do curso  ministrado. Com ela, fizera  mais um curso, desta vez sobre a poesia drummondiana. &lt;br /&gt;Por falar na bibliografia que nos  recomendou    para o primeiro      dos cursos, a maioria dos autores era de  procedência judia, o que fez com que um dos  meus colegas do curso, o Francisco Igreja,  já falecido,  chegasse até  a ser-lhe um tanto  irônico,  ao comentar   que a bibliografia  oferecida pela   professora  tinha excessos de autores  judeus. Gilda não lhe respondeu à ironia. Mas, Igreja era do tipo que  dizia  o que pensava e ainda, em outra aula,  saiu com esta tirada mordaz: “Drummond não passa de um resmungão.”   Nenhum colega do grupo  que compunha o curso lhe deu  atenção. Soube, mais tarde, através da revista Lavra, de Brasília, que o Igreja era poeta, professor, ensaísta e dicionarista. Com ele, na universidade, troquei poucas palavras. Nascera em Portugal e, antes de falecer precocemente, aos 43 anos, lecionava na Universidade Estácio de Sá. &lt;br /&gt;Em Brasília, Gilda,  a par de  certo envolvimento  político  contra o regime militar,  que lhe custou,  se não me engano,  a perda  de uma gravidez, foi aluna  de literatura brasileira ou  portuguesa (não sei ao certo) dileta do grande  ensaísta e poeta Cassiano Nunes (1921-2007). Foi ela que me pôs em contato com o Cassiano na época em que já estava  iniciando o meu doutorado a respeito da obra de João Antônio ( 1937-1996). Gilda era, neste aspecto, muito  obsequiosa e me forneceu o endereço  do Cassiano,  que,  por sinal, tinha sido  muito  amigo de João Antônio, e lhe dedicara  pelo menos  três excelentes  estudos que muito   me auxiliaram na preparação  de parte da minha tese. Cassiano, a quem escrevi e enviei um exemplar do meu estudo  da saudade em Da Costa e Silva (1885-1950), respondeu-me  gentilmente,  falou sobre a Gilda e a satisfação de ter sido seu mestre.&lt;br /&gt; Além  disso,  Cassiano  me enviou livros autografados  de sua produção poética e de um texto chamado Carta da Prisão (2000). Nele o ensaísta comenta  magistralmente um original de um texto que lhe chegou às mãos e que o  impressionou pelo inusitado  do seu conteúdo e até mesmo pela  sua expressão literária. O autor do texto, Manuel de Maria,  é um presidiário, sem preparo formal no campo das  Letras, mas  com talento  suficiente para  narrar  circunstâncias  relacionadas à vida prisional e a  formas de como  resolver  alguns  problemas  afetos a esse tipo de isolamento.  A carta é dirigida a um amigo. &lt;br /&gt; No Rio de Janeiro, Gilda foi aluna de literatura francesa do ensaísta  e dicionarista  Roberto Alvim Correia (1901-1983), autor do  excelente Dicionário francês-português e português-francês, publicado pela antiga FENAME, MEC, do qual tenho um exemplar comprado no Rio, em 1964. Ela se deliciava com  uma maneira de Alvim Correia desenvolver suas aulas. Segundo ela,  Alvim Correia  gostava de ler longos textos  de autores franceses e de comentar sobre eles.&lt;br /&gt;O leitor vê como a vida  se faz de liames que se conectam  uns nos outros e nos fazem descobrir que o mundo  está todo interligado, pois não é que muitos anos atrás, antes mesmo de iniciar a universidade,  eu já tinha lido um livrinho de viagens. Sabem de quem? De Cassiano Nunes. O título: A sedução da Europa, da Editora Saraiva. Perdi o exemplar não sei onde, mas dele me ficou  uma frase que lança alguma   luz de mistura com ironia quando  declara dirigindo-se ao  leitor: “O abracadraba, a palavra  mágica,  é personalidade”. Isso  porque se costuma  dizer que as viagens  são  metas que  se devem  cumprir durante a vida. Elas alargam nossos conhecimentos  de outros povos e culturas. Porém, para o ensaísta  santista Cassiano Nunes, que teve  tantas experiências, sobretudo docentes em universidades  de projeção na Europa  e nos Estados Unidos,  o que talvez a citação   queira  significar, em relação às viagens e ao conhecimento do mundo, nada tem a ver de relevo ou de mais  vantajoso a quem não conheceu  plagas  estrangeiras . O que importa é a personalidade do homem, suas virtudes,  sua integridade,  sua determinação de aprofundar – mesmo sem viagens –  um conhecimento mais visceral  dos homens e da existência. &lt;br /&gt;Ao Piauí Cassiano Nunes esteve ligado graças ao conhecimento e amizade que  teve com o crítico  e ensaísta Manoel  Paulo  Nunes que,  por  coincidência  priva de minha amizade.&lt;br /&gt;Gilda tinha mesmo  motivos de  se espantar com o milagre da vida, com  essa concessão temporária  de existência material propiciada   aos homens da  Terra que  só pode mesmo ter sido obra de um Ser superior.&lt;br /&gt;É mesmo um milagre  estarmos vivos, falando, andando,  executando uma tarefa, simples ou menos simples. É um   milagre  podermos  ver  o que nos cerca,  a paisagem  próxima ou mais distante, a linha do horizonte encontrando-se com  o mar.  É um milagre da vida sentirmos  a força  da vida entrando pelos   movimentos  duplo da  inspiração e respiração. Milagre  por temos ainda  o coração batendo, o sangue  correndo nas veias, por sermos úteis e partilharmos, de uma forma ou outra,  da existência com todos os seus grandes percalços, com todas as suas ciladas e, ao final,  sairmos ilesos  e podermos  afirmar que “amanhã será outro dia”,  que “o sol novamente  se levantará” e que  o ciclo da vida, embora tão pequeno, tão frágil, por vezes tão atordoado pelo atropelo sobretudo dos dias atuais,  valerá a pena ser percorrido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-2612534355031393779?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/2612534355031393779/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/07/o-milagre-da-vida_4601.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/2612534355031393779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/2612534355031393779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/07/o-milagre-da-vida_4601.html' title='O milagre da vida'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-5316680188790933463</id><published>2011-07-28T16:48:00.000-07:00</published><updated>2011-07-28T17:00:46.110-07:00</updated><title type='text'>O mundo pode ter solução</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Se olho para o panorama internacional, mais realidades vejo que desafiam a nossa  perplexidade muito além dos limites dos absurdos: &lt;br /&gt;1) Revoltas justas no mundo  árabe,   onde povos, que vêm sofrendo há décadas opressões de todos  os tipos  - falta de liberdade de pensamento, de dirigir suas vidas, matanças de civis rebelados contra déspotas sanguinários e genocidas, se arvoram em donos eternos do poder, do destino de seus povos e das regalias faraônicas  de suas funções de mando; &lt;br /&gt;2) Povos africanos, alguns vivendo como animais  ferozes, se trucidando em revoluções fratricidas; &lt;br /&gt;3) Na Somália – piedade para a Somália! – outra região africana, vejo criancinhas, só pele e osso,  morrendo de fome e praticamente  entregues à  própria sorte; &lt;br /&gt;4) Em outros países, no continente europeu,  os ditos mais civilizados, os mais  ricos, se defrontam com  graves  problemas econômicos provocados  por más administrações, gastos galopantes dos governos com a máquina do Estado e ganâncias de minorias  milionárias  sedentas de mais lucros em investimentos  nas Bolsas  de Valores. Mesmo vendo  tantos erros  de natureza  econômica cometidos no passado,  sobretudo  a partir da do período   angustiante da  Grande  Depressão americana do final dos  anos de 1920, com a queda da Bolsa de Valores  de Nova Iorque, não aprenderam os governos e os homens de negócios quase nada no tocante a prevenções de crises financeiras agudas. Com tantas teorias econômicas  e algumas sendo  contempladas com o Prêmio Nobel concedido a seus  teóricos, o mundo parece ter perdido o juízo, o senso  do equilíbrio, e dado as costas para um enfrentamento árduo e  apropriado às mudanças  dos tempos  modernos e pós-modernos com o surgimento da globalização e formação  do Mercado  Comum Europeu e sua  implantação de uma moeda igual, o euro.&lt;br /&gt;4) A expansão de atos terroristas que, agora, alcançaram até  um país que tem sido reputado  uma nação tranquila e bem organizada – a  Noruega - -, onde  um só terrorista, possivelmente um desequilibrado e com ideias  extremistas sobre etnias, imigração e  credos religiosos, consegue assassinar perto de uma centena de pessoas inocentes e desprotegidas, além de dirigir sua  insânia e barbárie contra  órgãos públicos.&lt;br /&gt;Mencionei, para  não me alongar, uma pequena parte de um mundo contemporâneo que parece ter perdido o rumo em vários  aspectos da vida.&lt;br /&gt;Não se pode negar que estamos atravessando uma série de crises que  poderiam bem reduzir-se a um denominador comum: a humanidade falece de uma das mais profundas  crises já vistas: a moral.&lt;br /&gt;Não é preciso ser sociólogo, antropólogo, filósofo ou pensador para  entender  que a raiz de todas as crises se localiza na carência da  moralidade das  sociedades  tanto desenvolvidas quanto em desenvolvimento ou mesmo  atrasadas. Porém, paradoxalmente, nessas  três situações,  todas elas,  em graus  diferentes,  convivem com  os males da  permissividade, da dissolução dos costumes e de hábitos primitivos,  injustos e lesivos à integridade física e moral das pessoas, num laissez-faire de práticas  de vida que não têm   o mínimo  escrúpulo de ampliar seu raio de  comportamento social deletério  mesmo em países  mais  estruturados e  cercados de interditos, controles e vigilância em formas de leis,  portarias, códigos  civis e penais vigentes.&lt;br /&gt; Isso  porque, em geral,  há um agravante  escandaloso: grassa na sociedade, como  é exemplo  típico  a brasileira, e em todos os seus  segmentos sociais,  um descaso pela possibilidade de  haver punição a infratores.  Ou seja,  o homem de bem, a pessoa digna e responsável pelos seus atos se vão  tornando   raridade no seio  da  vida social. Quem tenha tido no passado  a imaginação de prever que, com o desenvolvimento das ciências e da tecnologia, haveríamos de conhecer, em tempos atuais, uma comunidade mundial a salvo de tantos comportamentos perniciosos, sobretudo  representados  por um dos piores, a violência, deve, agora,  em vida ou no além-túmulo,  ter-se sentido  desapontado com as suas projeções falhadas...&lt;br /&gt;Custa-me crer que tão espantoso progresso material não tenha tido correspondente  progresso  moral.&lt;br /&gt;Costuma-se afirmar ser o Brasil o país que  detém o recorde  de ter as mais altas taxas de juros do Planeta e, por extensão dessa assertiva, posso, sem medo de errar,  dizer que talvez a nossa  pátria seja – em tempos atuais – a que detenha um dos mais  elevados índices de criminalidade e de comportamento  indecoroso na  política e no exercício  das funções  públicas em diversos   setores do Estado brasileiro.&lt;br /&gt;Alguém poderá  argumentar: “Mas, isso não é de hoje.” Até concordo em parte. Entretanto, as circunstâncias  de agora me levam a inferir  que não estou faltando com a verdade.&lt;br /&gt;Veja-se, neste ainda começo  do mandato da Presidente Dilma Rousseff. No Ministério dos Transportes já houve mais de uma dezena de funcionários do alto escalão que pediram  demissão ou foram exonerados dos seus cargos,  a começar do próprio  Ministro. Todos  envolvidos ate à medula em práticas delituosas contra as finanças  públicas.&lt;br /&gt;Esta   realidade  melancólica e constrangedora  por que está  passando o  país e, por extensão,  o mundo  afundado que está  em outras formas  de  imoralidade, tem que ser  mudada para melhor, do contrário,  resvalará para o caos . E isso ninguém deseja para o nosso país nem para o mundo.&lt;br /&gt;De braços  cruzados,  é que não se pode ficar. Há que vislumbrar, conquanto seja em  médio prazo,  saídas  para os impasses dolorosos  que nos impuseram  governos  e grupos  inescrupulosos. Vejo que uma das  saídas para contornar  o conturbado  mundo contemporâneo seja pela  via mais correta e e sólida  que devemos recorrer: levar educação  e formação ética ao nosso país e ao mundo. &lt;br /&gt;Quando falo  “levar” e “mundo,” me refiro a ações humanas efetivas e organizadas em escala global através dos já conhecidos organismos  internacionais de que dispomos, de sorte que eles, esquecendo diferenças políticas, econômicas, ideológicas e religiosas, se voltem para  dotar  as novas gerações de instrumentos  educacionais e de conscientização  para a importância capital  de didaticamente  instilar nas mentes das crianças e adolescentes os princípios saudáveis da dignidade humana e do espírito  de abertura para as alteridades e respeito  à pessoa humana. &lt;br /&gt;Ao realizar estas metas  educativas,  é bem  possível que teremos adultos que,  inoculados, desde cedo, contra comportamentos moralmente  reprováveis, serão seguramente  indivíduos íntegros e  úteis à sociedade ainda, até  hoje, infelizmente, não de todo civilizada. Este seria o primeiro passo em direção a um Brasil respeitado e a um mundo mais justo e harmonioso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-5316680188790933463?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/5316680188790933463/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/07/o-mundo-pode-ter-solucao_3513.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/5316680188790933463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/5316680188790933463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/07/o-mundo-pode-ter-solucao_3513.html' title='O mundo pode ter solução'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-6327613757587128253</id><published>2011-07-26T08:09:00.000-07:00</published><updated>2011-07-26T08:11:41.315-07:00</updated><title type='text'>Um poema de Mary E. Coleridge (1861-1907)</title><content type='html'>Street lanterns&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Country roads are yellow and Brown.&lt;br /&gt;We mend the roads in London town.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Never a hansom dare come nigh,&lt;br /&gt;In between the turning wheels.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quickly ends the autumn day,&lt;br /&gt;And the workman goes his way.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Leaving, midst  the traffic rude,&lt;br /&gt;One small isle of solitude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lit, throughout the lengthy night,&lt;br /&gt;By the little lanterns  light.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jewels of the dark  have  we,&lt;br /&gt;Brighter than the rustic’s  be.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Over the dull earth are thrown&lt;br /&gt;Topaz, and the ruby stone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Lanternas de rua&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amarelas e brônzeas são as estradas do campo.&lt;br /&gt;Na cidade de Londres as ruas  reformamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um cabriolé nunca aproximar-se ousa,&lt;br /&gt;Nem tampouco uma carroça ruidosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um silêncio sem igual rápido&lt;br /&gt;Se cala  por entre as rodas em movimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num átimo, um dia outonal  se finda.&lt;br /&gt;Segue um trabalhador  o seu caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixando atrás, em meio ao áspero tráfego,&lt;br /&gt;Uma pequena ilha de solidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Iluminada, por   lanterninhas&lt;br /&gt;Por toda uma noite insone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Da escuridão enxergamos joias&lt;br /&gt;Mais rútilas do que as do campônio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por sobre a escura terra esparzem-se&lt;br /&gt;Topázios e pedras de rubi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     (Trad. de Cunha e Silva Filho)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-6327613757587128253?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/6327613757587128253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/07/um-poema-de-mary-e-coleridge-1861-1907_26.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/6327613757587128253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/6327613757587128253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/07/um-poema-de-mary-e-coleridge-1861-1907_26.html' title='Um poema de Mary E. Coleridge (1861-1907)'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-4819824459965645382</id><published>2011-07-25T15:19:00.000-07:00</published><updated>2011-07-25T15:21:26.951-07:00</updated><title type='text'>Visibilidade e invisibilidade em novos e confusos tempos  literários</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  O que é ter visibilidade restringindo-se este termo ao domínio da literatura? Faço esta indagação  de sorte que não se confundam várias formas de visibilidade, já que a condição de visibilidade pode se  instalar até no submundo da criminalidade, ou das chamadas celebridades do mundo contemporâneo.&lt;br /&gt;O espectro da visibilidade – reconheço  - está mais circunscrito às mídias,  a formações de grupos acadêmicos e, quando digo acadêmico”, me reporto aos recintos das universidades, geralmente públicas, Lá é onde germinam as sementes que,  positiva ou negativamente, se reverterão em sujeitos visíveis que, inter pares,  ganharam notoriedade por algum tempo,  porquanto notoriedade, fama,  consagração são temporalmente  conceitos limitados. São situações  de projeção  pessoal dependentes  de momentos culturais  históricos e perfeitamente  demarcados. São diferentes  dos consensos universais   apenas restritos  a algumas  figuras  de primeira grandeza na história  da cultura e, neste caso,  independentes  dos humores  temporais regionalizados.&lt;br /&gt;O mecanismo dos grupos restritos é que propiciará os eleitos ou incensados. Só que essa eleição grupal sem voto, felizmente, também tem limites e seus valores são relativos. Funciona mais ou menos tal mecanismo sócio-cultural como nos grandes clubes de futebol ou de outros  esportes  mais em voga.&lt;br /&gt;Se deslocarmos a visibilidade do campo   estrito da literatura para outros domínios do conhecimento, notadamente o científico,  o tecnológico, aquela visibilidade na literatura se apaga como vela acesa aos poucos se derretendo.&lt;br /&gt;A história literária ocidental – fiquemos no nosso país – ao longo do seu  percurso – tem provado suficientemente que a visibilidade tão prezada pelo elitismo  intelectual brasileiro contemporâneo não é mais do que uma vã ilusão. Os tempos mudam, os  homens morrem, as teorias (muitas) também envelhecem (?) como peças de museu e não mais exerceriam   quase nenhuma influência  ou utilidade face ao surgimento  de correntes  estéticas do pensamento crítico de nossos dias. Isso gera crise e impasses que levam  intelectuais a,  por assim dizer,  falarem em  morte da crítica literária, morte da poesia, morte do romance e assemelhados. A situação  da literatura, em suas múltiplas  formas e gêneros, fica tão frágil  na atual  conjuntura que nem seus próprios cultores parecem  diferenciar o que estão escrevendo, se crítica , se  resenha, se ensaio. Não paira  dúvida de que o contexto literário  está diante  de impasses para os quais devemos  divisar caminhos   com objetividade  e espírito  desarmado. &lt;br /&gt;O mundo contemporâneo se molda pelo tempo  presente  – sacrossanta era de uma certa ilusão de que o hic et nunc dita conceitos, normas,  tendências nos vários segmentos da sociedade  afluente e utilitarista, sociedade dos excessos,  dos objetos e seres descartáveis. Ao dispensar todas as honrarias  ao primado do presente,  os fenômenos culturais, em todas as suas configurações de gêneros e estilos, tenderão, em  pouco tempo, a provocar mais  dissensos e crises do que encontrar uma via de equilíbrio entre a tradição e a contemporaneidade,sendo que esta,   de resto, é sempre um termo de abrangência  fugidia. O apressado homem do presente semelha um deus de barro mais pretensioso do que aquilo que lhe  corresponde ao talento e saber,  com seu olhar supostamente altaneiro no que concerne a valores e competências adquiridas em anos de estudos,  pesquisas, atualizações de saberes  e talento  indiscutível.&lt;br /&gt;Cada sujeito da visibilidade possui sua duração mais ou menos com data,  marcada. Poucas são as exceções. O tempo do  surgimento do sujeito visível se mede dentro da contemporaneidade. Por isso,  comumente se reveste de um caráter cronológico. Quando deslocado para o passado, em razão de reavaliações e pesquisas feitas no presente, a visibilidade do sujeito, póstuma como é,  tende a atribuir-lhe o devido merecimento. É o caso, por exemplo,  do poeta Sousândrade (1832-1902), recuperado aos tempos atuais graças aos  esforços dos irmãos Campos.  Fernando Pessoa (1888-1935) não teve também visibilidade  em vida.  Ainda hoje sua obra poética se vai acrescendo de  novos inéditos e o valor  de sua  poesia vai readquirindo novos sentidos de visibilidade e grandeza para os pósteros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão da visibilidade está intimamente também conexionada com o fator negativo do olvido por parte da posteridade. Os movimentos literários confirmam  validade e olvido, ou seja, visibilidade e invisibilidade. A chamada tradição literária nunca foi assim tão bem recebida pela posteridade, quer dizer, pelas gerações dos diversos estilos de escrita que a história literária ocidental já conheceu e se convencionou  chamar de periodização literária, estilos  que sempre se diferenciavam pelo movimento pendular entre  razão e emoção, i.e.,  objetividade e subjetividade, para lembrar as duas tendências da alma  humana que remontam  aos conceitos  de Friedrich Nietzsche (1844-1900) discutidos na obra Nascimento da tragédia ou  helenismo e pessimismo (1872).&lt;br /&gt;As vanguardas  europeias aparecidas no  final do século 19 e continuando até  a década do século passado, como manifestações  artísticas que adentraram  igualmente outras  artes, como a pintura, a escultura, promoveram uma  radical  ruptura das formas de artes literárias, bem como de outras artes, segundo referi  acima,  pondo por terra maneiras  de expressão  artística já superadas  e que não mais poderiam  ressignificar a realidade dos  tempos modernos modificados  pelas alterações   da vida dos indivíduos nos centros industrialização, pelos  desastres sociais  e econômicos  trazidos  pela  Primeira  Guerra Mundial de 1914, pela queda da monarquia  russa com a revolução bolchevique de 1917.&lt;br /&gt; As vanguardas, no campo da poesia principalmente, e para o que interesse a esta  discussão,  foram responsáveis pelas profundas  mudanças de índole experimental, substituindo o que se poderia chamar lato sensu de ordem clássica para a “desorganização” estética moderna de visões de vida e de formas de linguagem. &lt;br /&gt;Após o Modernismo  de 1922, a literatura entre nós conheceu movimentos de renovação  tão  amplamente estudados   em nossas principais  histórias literárias que não seria o caso  aqui de  historiá-los novamente. Entretanto,  cumpre  fazer algumas considerações com respeito ao  sentido  de  subversão que eles  tiveram  para o atual  quadro de valores,  especialmente  tendo em vista que  seus autores,  nas diversas  vanguardas  brasileiras, se assim as posso  denominar, adquiriram   visibilidade  graças   às alterações formais diante  da tradição literária, embora muitos  deles hoje retomam  uma dicção  poética  que  muito tem a ver com  antigos ou menos  antigos  procedimentos  na utilização do discurso  poético – espécie de amálgama  obtida  por incansáveis  buscas  de  exploração  do poético  em fontes  tradicionais da lírica  brasileira ou europeia.&lt;br /&gt; A moderna  lírica brasileira,  em tempos de pós-modernidade, de imediatismo,  de alta tecnologia, de bizarrias eletrônicas,  da era virtual,  da internet, da cibernética, da robótica,  do homem-máquina, do vazio  individualista –   figura  um momento de encruzilhada de  uma contemporaneidade feita de diluídas fronteiras e de características  múltiplas. &lt;br /&gt; Lírica  de tempos pós-modernos, de  poéticas  sem ismos, nas  quais o lirismo se  sente senhor de  suas próprias escolhas, tendências,  temas, ritmos e técnicas, porém tendo em vista, na maior parte   de sua produção,   não perder  certos liames  da tradição, retrabalhando-a  e reajustando-a aos tempos   correntes e aos modos  pessoais de  instrumentalizar  a substância – ideologia,  recursos  formais e técnicas  -  pela  fatura de versos  que  exprimam  os anseios estéticos  e  temáticos do homem de agora.&lt;br /&gt;Em síntese,  a questão do sujeito  da visibilidade se  oferece, assim, como um  desafio  mais do âmbito da formação de grupos hegemônicos,  compostos do tripé – imprensa literária, editoras de grande porte e de grupos da intelligentsia brasileira  recrutados em geral  nos  umbrais  das universidades. Dessa convergência, a que não faltam  doses de protecionismo e reserva de mercado, poderão  ou não surgir os novos midiáticos da cultura brasileira. Quem, por acaso, estiver fora dos parâmetros mercadológico-elitista-midiáticos desses grupos que se repartem em filiais pelo país afora, estará, pelo menos, para o tempo  presente com pretensão de eternidade, relegado à condição de sujeito  da invisibilidade.&lt;br /&gt;Superar este óbice me parece tarefa quase instransponível porque,  embutidos no emparedamento do sujeito da invisibilidade, existem componentes de natureza idiossincrática, de  isolamento,  de timidez, de ética individual e de certo enfado existencial  que se colocam entre o artista e  a arte literária.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-4819824459965645382?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/4819824459965645382/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/07/visibilidade-e-invisibilidade-em-novos_25.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/4819824459965645382'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/4819824459965645382'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/07/visibilidade-e-invisibilidade-em-novos_25.html' title='Visibilidade e invisibilidade em novos e confusos tempos  literários'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-9216621890519241846</id><published>2011-07-19T10:29:00.000-07:00</published><updated>2011-07-19T10:30:17.078-07:00</updated><title type='text'>Carros? Por que tantos carros?</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  O leitor, se abrir qualquer jornal de médio ou grande porte, deve já ter percebido a quantidade gigantesca de anúncios, os denominados “Classificados,” de vendas, trocas, aluguéis de veículos, especialmente de automóveis, de todos os tamanhos, tipos,  anos e gostos. Todo mundo quer ter o seu.&lt;br /&gt;                  É um absurdo que, em detrimento de outras matérias a serem incluídas em seções mais  proveitosas  ao desenvolvimento cultural  das pessoas, o  conjunto de uma  edição de jornal ocupe, diria aproximadamente, uns dois terços só com esse tipo de anúncio. Um  outro leitor  poderia justificar o fato  pelo  lado  financeiro, no que  está certo mas não é justo. Da mesma maneira,  não  quero nem por sombra negar  o valor que os veículos motorizados  têm para a vida das pessoas.&lt;br /&gt;Recordo de um texto ficcional  de um autor norte-americano lido há anos no qual o narrador descreve aspectos  da vida  do povo americano, tão presa à posse e  à alegria  de um carro. Espécie de  “sonho americano”,   possuir seu  próprio carro era uma das conquistas mais caros  de um jovem americano. Aprender a dirigir, uma façanha a ser  conquistada a todo preço.    &lt;br /&gt;. Nos EUA é praticamente  impossível que um casal não saiba dirigir. Muito  da vida  particular  do povo  ianque depende de ter seu  carrinho na garagem, notadamente se o casal trabalha fora e distante. Talvez no  Brasil de hoje  essa realidade  já seja  aproximada. A posse de um carro  seria tão indispensável  quanto   a de uma casa própria. Não se podem isolar  os hábitos dos americanos sem  a presença  de um  automóvel, sobretudo daqueles  imensos  carros  como costumam ser esses veículos nos EUA.&lt;br /&gt;Uma vez,  conversando com um velho advogado, ele me fez a seguinte afirmação: “_ Você sabe,  um advogado sem carro próprio é mal interpretado pelo cliente. Já imaginou  um advogado indo ao Fórum sempre de ônibus? Que cliente  iria  respeitá-lo?&lt;br /&gt;Já escutei  vezes sem conta  pessoas comuns ou mesmo de classe média  fazendo esta observação  alienada: “- Já viu o “carrão “ dele?  Ou seja,  na valorização do carro e do ser humano,  este é , de certa  forma, preterido pelo primeiro. &lt;br /&gt;Outra vez,  um frentista imbecil, sem que nem pra quê,  exclamou de repente,  parecendo  desejar ser ouvido  por todos: “- Não respeito quem  não é dono de carro. Pra mim, um zé-ninguém.” Veja o leitor a mentalidade tacanha do vulgo em se tratando de um dos veículos  mais  divinizados da Terra: o automóvel.&lt;br /&gt;                  Em recente acidente de trânsito envolvendo automóveis de luxo, morreu tragicamente em segundos, num cruzamento  da capital  paulista,  uma jovem e bela advogada pertencente a uma  família abastada da Bahia. O sobrevivente do outro  carro,  que vinha em altíssima  velocidade, se chocou com o dela.   No hospital, recobrada a consciência, a primeira  frase  que lhe veio à cabeça oca de burguês afortunado foi: “-  Acabaram com o meu carro!” É essa a medida  de valor que algumas  pessoas hoje  têm  entre si?  O responsável pela tragédia é pessoa de posses,  fanático por carros de alto  luxo – os Porsches da vida.&lt;br /&gt;Sim, deveria haver uma lei nacional que punisse exemplarmente os crimes de trânsito, dolosos ou culposos. Lei que  saísse do papel e  começasse a fazer parte  das punições   sem recurso a brechas   na legislação. Lei pra valer. Lei  que refletisse a  seriedade de um  povo e de seus governantes. Lei aplicada a pessoas que dirigem como se fossem loucos furiosos.&lt;br /&gt;As punições deveriam  se estender desde  a perda  definitiva  do uso da carteira  de motorista até ao recolhimento aos cárceres dos  infratores  -  assassinos comprovados. Assassinos do trânsito são tão  maléficos quanto os marginais de toda  espécie. Não merecem misericórdia.&lt;br /&gt;No Brasil,  não  parece existir  punição para quem mata no trânsito das cidades, nas estradas Os automóveis, meio de locomoção  tão  útil a uma família, passou a ser arma de guerra nessa guerra  de viventes  em que se transformou  o mundo.  &lt;br /&gt;Objeto de ostentação na vida real,  no cinema, na televisão, na ficção, verdadeiro fetiche, reproduzido em escala mundial, muitas  vezes  servindo de inspiração  a piadas  de mau gosto pequeno  burguês, o automóvel traduz  à perfeição o alto conceito em que  a sociedade,  em toda  a extensão da pirâmide,  o coloca.&lt;br /&gt;Quantas vezes, vejo alguém estacionando o  carro que, depois de cuidadosamente fechado, põe-se a olhá-lo tridimensionalmente. .Deixa-o estacionado. Volta em instantes  e    o examina detidamente.  Parte por parte,  ângulo a ângulo:   o retrovisor,  os pneus,  os vidros, o para-brisa,  a mala, o capuz,  o brilho  da pintura. Verifica novamente se a porta está mesmo  fechada. Olha-o, olha-o como  se estivesse  deliciando-se com  o  ente mais  amado  do mundo.  Objeto antropomorfizado,&lt;br /&gt;Um outro tópico digno de reflexão dos homens de bem concerne à fabricação  desmedida de automóveis ou assemelhados. Exagero na quantidade de veículos saindo das fábricas para se movimentarem  em megalópoles  sem planejamento urbano adequado e engenharia de trânsito  competente e  atualizada, que pudessem dar conta   do caos urbano  medido ao cubo  pelos  engarrafamentos e  deterioração do meio ambiente, trazendo mais  e mais  poluição às cidades  e sendo mais um   fator  determinante  do efeito  estufa. O automóvel, que foi   inventado  pra encurtar  as distâncias, substituindo cabriolés  do século  19, tornou-se um objeto gerador  de  tragédias  da vida contemporânea.&lt;br /&gt;É preciso que a indústria  automobilista sofra  uma moratória, dê  um tempo pra se respirar,  a fim de que as cidades  possam voltar a ser  lugares  de convivo e fraternidade.Enfim, à história das tragédias de veículos se soma  às de discussões  raivosas entre motoristas que, por um  erro   por  vezes não tão  grave  de uma das partes, se  transformam em mais um  tipo de tragédia, levando   amiúde  à morte de uma das partes.&lt;br /&gt;Por aí se vê  até que  dimensão vão  a estupidez  e o primitivismo do homem  de hoje.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-9216621890519241846?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/9216621890519241846/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/07/carros-por-que-tantos-carros.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/9216621890519241846'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/9216621890519241846'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/07/carros-por-que-tantos-carros.html' title='Carros? Por que tantos carros?'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-8434967345969944788</id><published>2011-07-16T17:02:00.000-07:00</published><updated>2011-07-16T17:04:09.511-07:00</updated><title type='text'>Um poema de Carol Ann-Duffy*</title><content type='html'>“ o poema, ele mesmo, é uma busca por sua própria      veracidade, um mapa de sua própria verdade.”&lt;br /&gt;                                                                            &lt;br /&gt;                                                                                                                           Carol Ann-Duffy&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;COLD&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; It felt so cold, the snowball which wept in  my hands,&lt;br /&gt;and  when I rolled it along in the snow, it grew&lt;br /&gt;till I could sit on it, looking back at the house,&lt;br /&gt;where  it was cold when I woke in my room, the windows blind with ice, my breath n dressed itself on the air.&lt;br /&gt;Cold, too, embracing the torso of snow which I lifted up&lt;br /&gt;In my arms to build a snowman, my toes, burning, cold&lt;br /&gt;In my winter boots; my mother’s voice calling me in&lt;br /&gt;From the   cold.  And her hands were cold from peeling&lt;br /&gt;Then dipping potatoes into a bowl, stopping to cup&lt;br /&gt;Her daughter’s face,   a kiss for both cold cheeks, my cold nose.&lt;br /&gt;But nothing   so cold as the February night I opened the door&lt;br /&gt;In the Chapel of Rest where   my mother lay, neither young, nor old,&lt;br /&gt;Where my lips, returning her kiss to her brow, knew the meaning of cold.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   FRIO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito fria era a bola de neve que em   minhas mãos  dor causavam,&lt;br /&gt;e, ao  fazê-la rolar pela neve, se avolumava&lt;br /&gt;a ponto de nela pode  sentar-me, com o  olhar para  a casa voltado.&lt;br /&gt;Quanto frio fazia  ao  acordar no meu quarto, as janelas de frio baças,&lt;br /&gt;a respiração  no ar propagando-se.&lt;br /&gt;Estava mesmo  frio quando abracei o tronco que  com os braços ergui&lt;br /&gt;pra um homem de neve construir. Meus artelhos de frio  ardiam&lt;br /&gt;nas   minhas  botas de inverno. A voz de mamãe me chamando&lt;br /&gt;pra  do frio proteger-me. Suas mãos gélidas  estavam batatas descascando, &lt;br /&gt;molhando-as   logo  na tigela,  só a interrompendo pra cobrir&lt;br /&gt;de beijos nas bochechas e no nariz glacial da filha a face.&lt;br /&gt;Nada, todavia, foi tão  frio como na noite de fevereiro  ao abrir a porta&lt;br /&gt;da Capela do Descanso, onde jazia  mamãe, nem jovem, nem idosa.&lt;br /&gt;Meus  lábios, na fronte beijos  seus devolvendo, entendeu o sentido do frio &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         &lt;br /&gt;                                                                      (Trad. de Cunha e Silva Filho)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*  Segundo notícia publicada no Jornal O Globo, Prosa &amp; Verso ( p. 2, 16/06/2011), Carol Ann-Duffy é poeta laureada  do Reino Unido, nascida na Escócia,  estimada tanto nas escolas quanto no julgamento da crítica  que já lhe conferiu “todos os prêmios possíveis”. Participou agora da  9ª Feira Literária Internacional de Paraty (Flip).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-8434967345969944788?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/8434967345969944788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/07/um-poema-de-carol-ann-duffy.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/8434967345969944788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/8434967345969944788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/07/um-poema-de-carol-ann-duffy.html' title='Um poema de Carol Ann-Duffy*'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-2786806460835785961</id><published>2011-07-13T14:02:00.000-07:00</published><updated>2011-07-13T14:04:30.849-07:00</updated><title type='text'>Quero voltar no tempo</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;              Pouco me importa se me infantilizo, que é melhor do que virar “o homem medíocre’ de José  Ingenieros (1877-1925). Quero ir  pro fundo da memória lá onde há tanto tempo a terra me viu primeiro sob o terno olhar de mamãe. Passagem do não ser ao ser. Do vagido aos primeiros segundos  fora de mamãe, dela desejando umbilicalmente apenas os seios fartos  de leite – força da vida e da saúde materna. Em verdade vos digo: era o início de tudo, da vida e das transformações céleres, continuas e irreversíveis com marcas corporais do tempo  e cicatrizes da alma.  Tudo, visto e posto: data, hora, - enigmas. Limite  da matéria e passagem para a     metafísica.  Num e noutro caso, tudo são mistérios, campo do insondável.&lt;br /&gt; O lugar: uma   casa  simples e velhíssima, com porta e janelas (duas, no máximo) que ainda não consegui  precisar, visto que ninguém até hoje me disse onde  se fincava como  habitação. “Olha, lá adiante, do lado direito da Avenida Amaral. É uma daquelas casas. Já foi  reformada, certeza não tenho.”  O  tempo é fumaça. Só volta se o transformarmos  em arte ou História para não confundir com os ambíguos estória e história  da ficcionalidade. &lt;br /&gt;Uma vez que não sou  historiador,  escolho  o caminho da arte ou o que imagino que  o seja. Opção que nada tem a ver com os dois caminhos de Robert Frost (1874-1963) no poema “The road not taken” (1916).&lt;br /&gt;Dando os primeiros  passos da longa estrada, ali estou  nos cueiros aos cuidados de minha mãe, uma jovem senhora de cabelos escuros  ondulados,  pele morena clara e ainda bela naquele sempre lembrado  sinalzinho por  sobre os lábios.    &lt;br /&gt;Amarante ...  A calma Amarante do fim da Segunda Guerra Mundial. Era o início de dezembro. Lá estava eu na rede. Imagino que  fosse rede, pois berço era raro. Ninguém me disse.&lt;br /&gt;Papai, no Atheneu  Ruy Barbosa, não muito  distante dali. Umas duas ou três  ruas. Estava com  quarenta anos. Bem moço, ocupado com  a preparação de suas aulas em tantas matérias: português, aritmética, álgebra,  história, geografia, desenho   rudimentos de física,   de química,  até noções de francês e inglês. Era o tempo em que imperavam  os livros velhuscos  de Antonio Trajano (aritmética e álgebra ),  Suzanne Burtin Vinholes (francês), Jacob Bensabat (gramática inglesa),  Pe.. Júlio Albino Ferreira (An English Method),  entre  outros. &lt;br /&gt;Segundo me diria mais tarde,  quando eu  já  era adolescente,  sua disciplina no Atheneu era rígida. Os alunos  o respeitavam. Por isso,  muito feliz foi como  professor com alunos  que passaram pelas suas mãos e, na vida púbica  e profissional se deram muito bem. Tornar-se-iam adultos ilustres: governadores,ministros,  prefeitos,  militares do Exército de alta  patente  altos  funcionários do Banco do Brasil, médicos,  engenheiros, dentistas,  e uma gama de outras atividades nas quais se saíram  vitoriosos. Seus ex-alunos de Amarante foram seu  verdadeiro  orgulho de professor nato, como  ele costumava  se definir. &lt;br /&gt;Além da atividade do Atheneu, Ruy Barbosa,  desde cedo  começara a escrever  artigos para jornais de Floriano  e de Teresina. Eram artigos que já chamavam a atenção  do leitor para o seu  talento e competência. Isso tudo só mais tarde vim a  saber  por ele ou  por outros meios  de informação.&lt;br /&gt;Eu, criança,  ia me desenvolvendo: um ano, dois anos,  três anos. Já falava alguma coisa talvez atrapalhadamente. Já andava,  já brincava.  De poucos incidentse me recordo plenamente.  Um foi, quando pequenino, caí no chão de casa e tive  um rasgão no queixo. Lembro-me  de quem  então  mais  se  preocupou comigo: minha  avó  paterna, Candinha. Foi ela quem cuidou do ferimento. &lt;br /&gt;Lavou-me o queixo sangrando, passou-me  sal no local. Não sei bem se era sal, mas a sensação que tenho agora é que tinha  o  gosto de sal que seguramente  se espalhou pela boca escorrendo – quem sabe – do colo dela onde pusera  a criança  chorando  de dores. Resquícios do  ferimento ainda tenho até hoje. Quase invisíveis. &lt;br /&gt;Um outro incidente se refere à viagem de  ônibus de Amarante para Teresina. Estávamos de mudança para fixarmos residência na capital. Ônibus que não era fechado dos lados. Só havia os  assentos sem nenhum conforto. Era  o ano de 1948. Esse incidente,  porém, me foi contado  por mamãe.  O casal Cunha e Silva  já contava com  quatro filhos. Eu, o terceiro. Papai e mamãe cuidavam de segurar  três: Sônia,  Winston e Evandro, o quarto. Um senhora, companheira de viagem,  pediu à minha mamãe que  eu fosse para o colo dela, no que mamãe acedeu agradecida. Era menos um peso e cuidados.&lt;br /&gt;Outros fatos  ou circunstâncias da viagem não me vêm por enquanto à memória. Deixarei  para mais  tarde  - seguirei o conselho de Álvaro Lins(1912-1970) - a narração  desta  primeira tentativa de uma aspiração de adulto saudosista  ao espólio da memória  – coisas da idade que já começam a borbulhar no espírito mas que deste fazem parte no” balanço da vida.”&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-2786806460835785961?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/2786806460835785961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/07/quero-voltar-no-tempo_13.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/2786806460835785961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/2786806460835785961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/07/quero-voltar-no-tempo_13.html' title='Quero voltar no tempo'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-8479014678905306199</id><published>2011-07-11T09:14:00.000-07:00</published><updated>2011-07-11T09:15:15.141-07:00</updated><title type='text'>Cada um no seu canto: um espaço (literário) para todos</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Há livros para todas as tribos, gostos e  níveis intelectuais.  No que concerne ao que  neste texto me  interessa - a literatura -,   aqui  a  compreendo,  para fins de generalização esquemática, nos seus dois gêneros de criação maior, ficção e poesia, ainda que dela se diga que   está morrendo, ou  está se modificando para  se desenvolver dependendo dos  espólios     de obras  do passado, distante ou mais   distante,  ou do que  se  chama literatura da modernidade, exemplificada nos seus  mais  consagrados  expoentes  do cânone  ocidental. Ou seja,  literatura  que se nutre  do já feito, do que se  julgou  como    obra-prima ou grandes obras da criação  literária. &lt;br /&gt; É disso que  lucidamente   se ocupa um artigo de Leyla Perrone-Moisés, professora emérita da USP e  respeitada  ensaísta e crítica literária. Li  hoje o seu  texto “O longo adeus  à literatura”,  publicado no caderno Ilustríssima  da  Folha de São Paulo (p. 3), que me inspirou  estes comentários.&lt;br /&gt;O artigo de Leyla mais constata  realidades no domínio da criação literária do que a esta faz  reparos. O que em  resumo  o seu texto  sugere é que não há morte  da literatura por mais  velho que seja   posto   em dúvida  o destino da literatura. Leyla Perrone-Moisés   adianta  que, a despeito dos adeuses às letras,  o fenômeno literário  na prática  demonstra que a literatura  está bem acesa, bem viva,  produzindo  bem  aqui e mundo afora.&lt;br /&gt; Entretanto,  um fato  novo  se acrescenta   à arte  literária,  por exemplo, no romance, é o  surgimento de subgêneros, ou melhor,  de novas metamorfoses  sofridas  pela literatura, a passagem  da originalidade  das grandes obras para  a originalidade dos pastiches, das apropriações das obras canônicas através de recursos  narrativos como a citação, a intertextualidade, a alusão,    no período  por ela  chamado de alta  modernidade, iniciado nos anos 1980 e  até hoje ainda  fértil em  obras  assim elaboradas. Em outras palavras,   essa produção de   autores da pós-modernidade   cria uma situação de dependência de suas obras em relação a autores  do passado. &lt;br /&gt;Não creio que  essa forma  de criatividade  se prolongue  por muito tempo porquanto  uma literatura   assim  realizada  logo entra em estado  de exaustão,  quando   da novidade  passa  à fase de  cristalização, de mero artificialismo em  ficcionalizar  a personalidade de escritores  famosos como o que   fez Silviano Santiago no romance Em liberdade (1981), “dando” continuidade  às Memórias do cárcere (1953)   de Graciliano Ramos (1892-1953),  ou aproveitar  o tema-teórico da metaliteratura,  a  fim de  desenvolver  ficção sobre escritores, seus processos de criação ou escrevendo um gênero  misturando ficção,  diário e ensaio literário, conforme lembra Leyla Perrone-Moisés citando o catalão Enrique Vila-Matas.   Enfim,  sobre  temas centrados  na vida  de pessoas  ligadas  ao mundo dos livros,  editores,   professores de literatura.  &lt;br /&gt;Por outro lado,  ainda existe espaço suficiente para  aqueles  escritores que  não elegem   aspectos  experimentais ou  sofisticados  do fazer literário. Prosseguem na criação de  histórias  cujo epicentro  temático  se localiza  no romanesco, numa estrutura ficcional  linear ou  mesmo  não-linear, onde,   contudo, pode  modernamente   empregar  algumas  estratégias  ultrapassando uma arquitetura  meramente  tradicional do romance do século  19 ou mesmo  anterior, tendo em vista que enredo,  personagens, tempo, espaço e linguagem  podem  revestir-se  de   diferentes roupagens, de  outros recursos   sem que  seja  indispensável  o artifício metaficcional da pós-modernidade.&lt;br /&gt;Se há leitores que  se atualizaram na recepção de novas   formas  de  experimentalismos  ficcionais,  e que  as aceitaram tanto quanto  os críticos,  outros tantos leitores ainda  procuram  na literatura  uma história bem  narrada e que a eles  acrescentem  novos ângulos de percepção  da vida , alargando  seu conhecimento do mundo e da experiência  entre  os seres humanos.&lt;br /&gt;Leitores há para todos os gostos, sem  que com isso  estejamos  sendo indulgentes  com  outras formas  de  gêneros  ficcionais, como  a  ficção científica, o romance policial, a literatura  infanto-juvenil.&lt;br /&gt;Não é  o dado experimental que vai balizar o valor  de uma obra, mas  a originalidade de como  o autor trabalha  os temas, usa a linguagem,  agrega os elementos  da estrutura  ficcional a um todo que  proporcione ao leitor e ao crítico  o sentido  do equilíbrio e da justeza do que a palavra  artística é capaz de despertar enquanto  obra de criação  estética.  &lt;br /&gt;Se não fosse por isso,  não  sentiríamos ainda  um imenso   prazer  estético  com leituras de  romances  de  grandes   escritores dos séculos anteriores, aqui  e fora  do país. O dado  experimental  tem   seu lugar  desde que avance a história da produção  literária e de suas  novas  maneiras de expressão,  suscitando     inovadoras estesias  e visões  dos problemas do mundo e do ser humano no leitor  e crítico dos tempos que correm.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-8479014678905306199?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/8479014678905306199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/07/cada-um-no-seu-canto-um-espaco_8835.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/8479014678905306199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/8479014678905306199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/07/cada-um-no-seu-canto-um-espaco_8835.html' title='Cada um no seu canto: um espaço (literário) para todos'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-509302698827680339</id><published>2011-07-08T16:12:00.000-07:00</published><updated>2011-07-08T16:13:50.447-07:00</updated><title type='text'>Um poema de Alphonse de Lamartine (1790-1869)</title><content type='html'>À une fleur séchée dans um album&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Il m’en souvient, c’était aux plages&lt;br /&gt;Où m’attire un ciel de midi,&lt;br /&gt;Ciel san souillure et sans orages,&lt;br /&gt;Où j’aspirais sous les feuillages&lt;br /&gt;Les parfms d’un air attiédi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Une mer qu’aucun bord n’arrête&lt;br /&gt;S’étendait bleue à l’horizon;&lt;br /&gt;L’oranger, cet arbre de fête,&lt;br /&gt;Neigeait par moments sur ma tête:&lt;br /&gt;Des odeurs montaient du gazon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tu croissais près d’une colonne&lt;br /&gt;D’un temple écrasé par le temps;&lt;br /&gt;Tu lui faisais une couronne,&lt;br /&gt;Tu parais son tronc monotone,&lt;br /&gt;Avec tes chapiteaux flottants;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fleur que décore la ruine&lt;br /&gt;Sans un regard pour  t’admirer,&lt;br /&gt;Je cueillis ta blanche étamine,&lt;br /&gt;Et j’emportai sur ma poitrine&lt;br /&gt;Tes parfums pour les repairer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aujourd’hui, ciel, temple, rivage,&lt;br /&gt;Tout a disparu sans retour:&lt;br /&gt;Ton parfum est dans le nuage,&lt;br /&gt;Et je trouve, en tournant la page,&lt;br /&gt;La trace morte d’un beau jour!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A uma flor seca dum álbum&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   1827&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem-me à lembrança. Eram  praias&lt;br /&gt;Nas quais um céu de Meio-Dia me atraía,&lt;br /&gt;Céu sem mancha nem borrasca,&lt;br /&gt;Onde, sob as folhagens, respirava&lt;br /&gt;Do morno ar os perfumes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mar sem-fim,&lt;br /&gt;Azul, no horizonte, perdia-se.&lt;br /&gt;A laranjeira, esta festiva  árvore,&lt;br /&gt;Por instantes, por sobre minha cabeça nevava.&lt;br /&gt;Odores pelas  relvas exalando-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rente a uma coluna atravessavas&lt;br /&gt;Dum templo pelo tempo apagado&lt;br /&gt;Nele uma  coroa fazias&lt;br /&gt;Seu  tronco, monótono, lembrar fazes&lt;br /&gt;Com teus flutuantes capitéis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flor que a ruína adorna&lt;br /&gt;Sem um olhar que te  admire.&lt;br /&gt;Teu alvo  estame colhi&lt;br /&gt;Pro meu peito  transportei&lt;br /&gt;A  fim de teu perfume sorver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, céu, templo, praia&lt;br /&gt;Pra sempre tudo se foi:&lt;br /&gt;Na nuvem teu perfume encontra-se&lt;br /&gt;Dum belo dia, morta, a imagem!.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     (Trad. de cunha e Silva Filho)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-509302698827680339?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/509302698827680339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/07/um-poema-de-alphonse-de-lamartine-1790_7639.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/509302698827680339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/509302698827680339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/07/um-poema-de-alphonse-de-lamartine-1790_7639.html' title='Um poema de Alphonse de Lamartine (1790-1869)'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-2351843789271609379</id><published>2011-07-07T07:59:00.000-07:00</published><updated>2011-07-07T08:01:00.742-07:00</updated><title type='text'>Funções públicas</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;                 Diante de tantas denúncias (a mais recente  envolvendo   o ministro  dos transportes, felizmente já exonerado) sobre detentores de cargos   públicos que não dão exemplo de conduta ilibada ao  povo brasileiro, me vejo impelido a admitir que o  Brasil moralmente, nos últimos anos sobretudo, se tem comportando pessimamente.   Grave ainda é o fato de que  qualquer ex-titular, acusado de algum crime financeiro ou de outra natureza,  volta  às bases do seu partido e continua  intocável, sem investigações sobre a sua conduta e sem punição. E o pior, o partido dele continua igualmente dando sustentação  ao governo, no que redunda num jogo de faz-de-conta que  beira o absurdo de um  conto fantástico. Na realidade,  fatos dessa ordem vão se constituir em novos “mensalões” da  desastrada crônica  da vida  política brasileira   contemporânea.&lt;br /&gt;                Até parece que a honestidade – condição  intrínseca e inalienável  ao exercício de um cargo público – sumiu como  poeira  de nossas  instituições. Mais lembra uma espécie  de epidemia que tem se disseminado  entre aqueles   que são  alçados    às mais altas responsabilidades no governo federal, para não me estender  por ora aos  governos  estaduais e municipais.&lt;br /&gt;               Será que o país  atravessa os seus  anos da mais concentrada escalada de  corrupção jamais vista e  permeando múltiplos setores da vida  pública? O que,  então, está acontecendo com  o comportamento do homem brasileiro que, ao que tudo indica,  perdeu a noção  da vergonha e do  mais leve resquício ético e que,  por isso,  pouco se lhe importa  ser objeto constante de denúncia e de denúncia  comprovada quando no exercício de relevantes  funções, fundamentais a uma imagem limpa de um  país que aspira a um  posição de  realce como  potência mundial? &lt;br /&gt;              O brasileiro que ainda  possui um pouco de discernimento e acompanha, pelos vários meios  de comunicação, o desempenho de nossos homens públicos e os atos dos nossos governantes - .políticos, ministros e de  outros  órgãos e instituições do Estado -,  está  cansado de  ouvir e de tomar conhecimento, praticamente   diário, de inúmeras  denúncias de má administração e de desídias  praticadas por quem  detém  responsabilidades de  cunho político, executivo e administrativo &lt;br /&gt;            Sabemos que  em outros  países, o cancro da corrupção também campeia e não é de hoje, mas no Brasil, passou-se dos limites imagináveis.Em, pelo menos, duas décadas, com o  breve intervalo no período do governo de Itamar Franco e, de  certa forma,  no governo FHC, o país  tem sido alvo de escândalos  de corrupção ou outros desmandos administrativos, comprovados  ou não, e tudo feito à sombra e  proteção  da soberana e todo poderosa  impunidade.&lt;br /&gt;A despeito de tantas descalabros, o país – reconheço – progrediu e conseguiu boa visibilidade internacional.. De nada, porém,  adianta ter  riqueza e progresso  se nele ainda persiste  de forma insidiosa  o veneno da corrupção. Esta, como os problemas crônicos tão de nós conhecidos,  educação pública dos níveis  fundamental e médio,  saúde e violência, devem ser as prioridades de um governo que se quer  renovador e enfrentar os  grandes desafios que nos esperam como  país em desenvolvmento. Debelar todos esses males é dever imediato da presidente Dilma Rousseff. Não  o fazendo,  o  país arriscar-se-á a perder  notoriedade no exterior e  mesmo  enfrentar  retrocessos nos seus fundamentos  democráticos. Um país sem dignidade na política é presa fácil de aventureiros  irresponsáveis. E isso nenhum brasileiro deseja que  aconteça.&lt;br /&gt;Acompanhando regularmente há anos o que de mal têm feito nossos  governantes e administradores com o mau uso do dinheiro  público,  confesso  que o país jamais chegou  a tão aguda  crise de indignidade  de governança,  tão alarmantes têm sido  as notícias de malversações da máquina administrativa, com ramificações que se estendem a familiares  de quem ocupa  uma elevada  posição  no governo.São os chamados  enriquecimentos ilícitos, onde indivíduos,  em breve tempo,  multiplicam  seu patrimônio  particular para cifras astronômicas.&lt;br /&gt;Um novo  governo compõe suas pastas   ministeriais  Fica-se na esperança de que novas figuras conduzirão com  dignidade  seus  cargos. Técnicos especializados e, na maioria da dos casos,   políticos, são convidados para dirigirem  os Ministérios. No entanto,  ocorre que, em  pouco tempo na direção  de  seus cargos,   a grande  imprensa  começa a dar notícias  de que   algum titular está  sendo  alvo de denúncias de  improbidade administrativa, sendo uma das mais comuns e mais condenáveis a de superfaturamentos,  propinas,  trafico de influência, licitações  duvidosas etc.&lt;br /&gt;Será  que esses homens não se pejam de suas  ações lesivas ao  Erário do Estado? Será que pensam  que os brasileiros   são imbecis e não estão vendo  toda essa  promiscuidade nos alicerces  da vida  política?&lt;br /&gt;A escolha  de ministros ou de outras funções públicas de alto relevo deve ser criteriosa e  feita com  fundamento  na meritocracia.A exigência de  comportamento ético do escolhido tem que se respaldar em dois  pilares  extraídos de seu currículo : integridade moral e competência  para o cargo. Tal escolha não deve ser  feita na base da baixa  política,  de conchavos, de interesses meramente  partidários e de ambições  inconfessáveis. Os cargos  públicos não são um “balcão de nogociatas”  e de bastidores subterrâneos. Os cargos  públicos  se criam  para  o aperfeiçoamento  do Estado brasileiro  e interesse  da sociedade.&lt;br /&gt;O presidente da República, para ser fiel aos compromissos  constitucionais, tem que ser  imparcial, soberano e firme nas suas decisões. Ao comportar-se assim,  estará conquistando o respeito  e o prestígio dos brasileiros que lhe sufragaram a vitória  nas urnas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-2351843789271609379?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/2351843789271609379/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/07/funcoes-publicas.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/2351843789271609379'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/2351843789271609379'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/07/funcoes-publicas.html' title='Funções públicas'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-1244853972939312725</id><published>2011-07-04T16:05:00.000-07:00</published><updated>2011-07-04T16:06:22.713-07:00</updated><title type='text'>Valores  da atualidade</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Não são a literatura e outros  setores de estudos de humanidades que o mundo  moderno mais respeita e mais  estima. São antes os estudos e pesquisas que pertencem às ciências exatas e à tecnologia. Por que isso? Porque  eles  são as ferramentas  de atividades  humanas  que   geram  economia, numa  palavra,   produzem capital, dinheiro,  lucros,  dividendos,  investimentos, movimentam  o mercado, os negócios. Daí serem tão  vitais a profissionais  como  economistas,  tributaristas,  contadores,  auditores, fiscais da receita, administradores de empresas. &lt;br /&gt;Essa mesma visão em torno  do valor  do capital é partilhada por um renomado físico  brasileiro, professor  há longos anos em universidade  americana e detentor de importantes prêmios em sua  área de pesquisas. Perguntando-lhe um jornalista sobre que  campos da atividade humana não  daria  retorno remunerativo a  seus cultivadores,  respondeu-lhe que um  seria  literatura.&lt;br /&gt;Literatura e áreas afins pouco contam para o mundo dos negócios, para a chamada “riqueza das nações”.  Ficarão sempre em segundo plano, infelizmente.. As ciências representadas pela física, matemática, química, biologia,  nanotecnologia, robótica,  entre  outras,  é que, segundo os homens pragmáticos -  os calculistas  bem intencionados  e   os aparentemente sisudos, os   nefandos ( não há como excluí-los  desse mundo  de negócios)  wheel dealers -, são prioritárias e supervalorizadas. Seus estudiosos situam-se sempre no topo dos projetos e metas a serem alcançados. Sua participação nas alocações de verbas   para   bolsas  e pesquisas   de organismos  nacionais e internacionais  coloca-se sempre em primeiro  plano.&lt;br /&gt;Um componente serve primordialmente aos  interesses tanto  da ciência e  tecnologia  quanto do crescimento econômico: a disponibilidade do capital adquirido e oriundo de diversas atividades humanas: comércio, indústria, publicidade, imóveis, esportes (sobretudo o futebol), lazer,  turismo,  entre outras.&lt;br /&gt;Daí tanta ênfase que  a mídia  dispensa ao mundo dos negócios, através da seção  “Mercado”” ou outra designação  semelhante.&lt;br /&gt;A força da economia é tão  poderosa  que  se irradia  por outros segmentos  por ela inevitavelmente  permeados. Como gerir o dinheiro acumulado, por exemplo, por jogadores de futebol bem-sucedidos? Ora,  ao contrário de um Garrincha,   paradigma de grande  craque e de ser humano  destituído de ambições materiais, grandes  jogadores (Pelé é um deles, Zico, idem) nos tempos atuais têm sabido como administrar  e  aumentar  seu  patrimônio. Tornam-se homens de negócios vitoriosos também  graças a uma direção correta que dão  à sua vida  pessoal e à influência que têm no mundo  do futebol. &lt;br /&gt; Tendo ganhado  fortunas, sobretudo,  por haverem atuado brilhantemente no exterior, i.e.,  em grandes  clubes europeus ou asiáticos, esse  ídolos do futebol brasileiro, encerrado seu ciclo de atividade  da fase produtiva,  decidem investir no campo  da publicidade e em outras atividades  lucrativas. Um  exemplo típico desses grandes craques é o do Ronaldo, o fenômeno, que,  agora,  aproveitando toda a sua  fama e experiência de jogador, está  decidido a  passar uma temporada em Londres e lá  preparar-se para o mundo do  empresariado. Optou pelos estudos  de publicidade e dominar  o inglês com  a meta  de  partir  para novas  investidas na condição de businessman. Seguramente com a sua determinação e  responsabilidade,  não tardará  em  adquirir sólida  carreira de empresário   de setores  mais ligados  ao futebol, Ou seja,  é desse mundo de imagens que emergirá  o  potencial  financeiro  hoje de Ronaldo.&lt;br /&gt;Por outro  lado, os objetos simbólicos compreendidos  pelo universo   da literatura  e de outras artes são muito menos atraentes no seu conjunto,  notadamente quando entra em jogo  a situação  de quem escreve,  de quem se defronta  com um  rol de dificuldades de toda a sorte na mídia, desde o acesso à visibilidade, ao reconhecimento, até os frutos  de seus  praticantes,  produzindo, na maioria  dos casos,  sem nenhum  retorno  financeiro, circunstância que, com o tempo,  torna-se  um fator  de desestímulo, seja  pela baixa  ou quase nula  vendagem   de livros,  seja pela falta de reconhecimento  da sociedade, esta,  de resto,  e ao contrário, sempre  de mãos dadas  e em contínua  lua de mel com os vitoriosos  do capital.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-1244853972939312725?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/1244853972939312725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/07/valores-da-atualidade_04.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/1244853972939312725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/1244853972939312725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/07/valores-da-atualidade_04.html' title='Valores  da atualidade'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-7470288680371076874</id><published>2011-07-04T06:55:00.000-07:00</published><updated>2011-07-04T06:59:05.917-07:00</updated><title type='text'>Domingo carioca</title><content type='html'>Cunha e Silva Filho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Se ficar em casa, automaticamente me voltarei para mim mesmo. Ficarei mais calado e me isolarei do mundo lá fora, o que não é bom  nem pra mim nem para os que comigo convivem.&lt;br /&gt;Por isso,  digo pra   Elza: -“Vamos ao shopping.”  “Sim, vamos.” Noto quão feliz ficou com a minha proposta de sair de casa. Sabem os homens  que, em geral,  as mulheres adoram ir ver vitrinas, sobretudo  as de suas preferência: joias,  roupas,  bolsas, sapatos, perfumes, seções de móveis,  roupas de cama e de banho e outros  itens caracteristicamente  femininos.&lt;br /&gt;Os shoppings  se tornaram, nos tempos modernos, os lugares mais  adequados a passeios mais amenos. Lá se pode comprar ou simplesmente olhar pras novidades das modas nos vários  itens considerados.&lt;br /&gt;Entretanto,  confesso que o que mais me agrada nos shoppings são as livrarias ali instaladas. Enquanto minha mulher me empurra para as preferências dela, eu  fico aguardando a oportunidade pra dar uma pulinho a fim de  examinar  alguns livros  recém-saídos e  das estantes do meu interesse. Em geral,  primeiro  vejo os dicionários que surgem nas suas edições atualizadas.&lt;br /&gt;Há muitos anos tenho uma  verdadeira mania: ver o que o mercado editorial tem lançado na área de livros pra aprendizagem de idiomas. Só depois vou pra outras  variedades  : livros de crítica, ensaios, literatura nacional,  estrangeira, gramáticas, biografias,  linguística, história,  filosofia,  sociologia. Tenho, então, ganas de levar um exemplar de cada uma  destas  áreas de estudos. Só com muito esforço me controlo  pra não gastar o que não tenho.  Fico adiando com meus botões o dia em que, voltando ali,  possa levar algumas  livros novinhos em folha.&lt;br /&gt;Enquanto isso,  minha mulher me aguarda, já havíamos combinado o lugar,  sentada num dos bancos dos muitos corredores  do shopping. Ao me aproximar,  ela olha pra minhas  quase mãos vazias, pois levara  comigo de  casa o Ilustríssima da Folha de São Paulo, que leio aos domingos. Gosto de andar com um livro ou, às vezes, com uma  antiga agenda da editora Oxford. “Todo louco com a sua mania”, lá diz o provérbio.&lt;br /&gt;Não fui egoísta com  Elza, já que, logo ao entrar no  shopping,  foi ela  se dirigindo às lojas de roupas. Embora não seja meu fraco  ficar passando de uma loja a outra, parando numa,  parando noutra,  me contenho e até finjo que estou tão entusiasmado quanto ela. Para falar a verdade, muitas vezes não finjo. Mostro mesmo   curiosidade do que ela me  aponta de bom ou de  ruim  nas vitrinas. Ela tem  um bom gosto  admirável. Sabe escolher o que é bom tanto pra ela quanto  pra mim Tem mesmo gosto refinado. Muitas vezes, sozinha,  também  escolhe  alguma blusa, camisa  paletó, blazer, sapato ou tênis. Quando chega em casa,  me pede que prove: em noventa e nove  por cento tudo  sai segundo o meu  agrado.  Ela  sabe que não gosto de experimentar,   principalmente, roupas nas lojas. Já sabe do meu tamanho, da minha pontuação. &lt;br /&gt;Desta vez, levamos o nosso filho mais novo. Não  fizemos  nenhum lanche, nem houve  sorvete nem picolé. Nada gastamos. Era um domingo só  pra andar, olhar, ver  pessoas que passam  por nós com indiferença naquele contínuo  ir e vir  de gente dentro de um  shopping tão  igual  quanto qualquer  outro em  qualquer parte  do  país  ou mesmo do mundo, onde tudo se padroniza, se imita, se copia.&lt;br /&gt;Os shopping só se diferenciam  pelo nível de   suntuosidade,  pelo tamanho, pelos sotaques, níveis sociais e etnias. Os shoppings são, talvez,  um dos grandes  exemplos do Planeta globalizado, da sociedade reunida e ao mesmo tempo  dividida.  Dão a impressão nítida de que quem está num, está em todos. O mundo, assim, está virando um gigantesco  shopping,  típico  símbolo  da  pós-modernidade,  dos sonhos de consumo, dos encontros e desencontros entre criaturas,   da solidão e do silêncio, individual,   coletivo e universal. &lt;br /&gt;Toda vez que vou a um shopping, sempre  tenho a sensação  de que alguma coisa está faltando nas suas instalações, nos seus corredores, nos seus elevadores,  nas suas “praças de alimentação”, nas  suas    diversas lojas. Alguma coisa que, a meu ver,  está  relacionada a um ausência de   sentido maior de comunicabilidade, de aproximação de pessoas,  ainda que pequenos  grupos  ali se possam  ver   conversando divertidamente.&lt;br /&gt; Talvez eu  esteja  exigindo demais por idealizar  um  mundo  no qual  todas as pessoas  pudessem estar solidariamente mais presentes  umas com as outras. Mas, não,  o conjunto de pessoas  que ali se encontra    está mesmo é  à procura de seu  próprio prazer e necessidade, satisfação  de um  predisposição hedonista tão  entranhada  no gênero humano. Pouco  podemos fazer contra isso.&lt;br /&gt;Os shoppings aí estão, atraindo  pessoas de todas as faixas  etárias, mais valendo para elas  algumas poucas horas de lazer do que prestar atenção a um  mero  resmungo do cronista  sobre o  instinto gregário  dos homens.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3904402034499305543-7470288680371076874?l=asideiasnotempo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/feeds/7470288680371076874/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/07/domingo-carioca_04.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/7470288680371076874'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3904402034499305543/posts/default/7470288680371076874'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://asideiasnotempo.blogspot.com/2011/07/domingo-carioca_04.html' title='Domingo carioca'/><author><name>Cunha e Silva Filho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12037252010900446606</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://3.bp.blogspot.com/_yB5_CmTWcfg/TSI-8PEe6kI/AAAAAAAAABc/qSh4JtQ9bAQ/S220/31122010071.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3904402034499305543.post-7084306272077566806</id><published>2011-07-01T16:26:00.000-07:00</published><updated>2011-07-01T16:32:52.349-07:00</updated><title type='text'>Um poema de Lord Byron (1788-1824)</title><content type='html'>Ode to Napolean&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;‘Tis done – but yesterday a King&lt;br /&gt;             And arm’d with Kings to strive –&lt;br /&gt;And now thou art a nameless thing;&lt;br /&gt;              So abject – yet alive?&lt;br /&gt;Is this the man of thousand thrones,&lt;br /&gt;Who strew’d our earth with hostile  bones,&lt;br /&gt;              And can be thus survive?&lt;br /&gt;Since he, miscall’d the Morning Star,&lt;br /&gt;Nor man nor fiend hath fallen so far.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ill-minded man” why scourge thy kind&lt;br /&gt;             Who bow’d  so low to knee?&lt;br /&gt;By gazing on thyself  grown blind,&lt;br /&gt;              Thou taught’st the rest to see,&lt;br /&gt;With might unquestion’d – power to save, -&lt;br /&gt;Thine only gift has been the grave,&lt;br /&gt;             To those that worship d thee;&lt;br /&gt;Nor till fall could mortals guess&lt;br /&gt;Ambition s less than littleness!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Thanks for that lesson – it will teach&lt;br /&gt;             To after-warriors more&lt;br /&gt;Than high Philosophy can preach,&lt;br /&gt;             And vainly preach’d before.&lt;br /&gt;That spell upon the minds of men&lt;br /&gt;Breaks never to unite again&lt;br /&gt;             That led them to adore&lt;br /&gt;Those  Pagod things of sabre sway,&lt;br /&gt;With fronts of brass, and feet of clay.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The triumph, and the vanity,&lt;br /&gt;            The rupture of the strife –&lt;br /&gt;The earthquake voice of victory,&lt;br /&gt;            To thee the breath of life;&lt;br /&gt;The sword, the sceptre, and that sway&lt;br /&gt;Which man seem’d made but to obey,&lt;br /&gt;            Wherewith renown was rife –&lt;br /&gt;All quell’d – Dark Spirit! What must be&lt;br /&gt;The madness of thy memory!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The Desolator desolate!&lt;br /&gt;             The Victor overthrown!&lt;br /&gt;The Arbiter of other’s fate&lt;br /&gt;             A Supplicant for his own!&lt;br /&gt;Is it some yet imperial hope&lt;br /&gt;That with such change can calmy cope&lt;br /&gt;             Or dread of death alone?&lt;br /&gt;To die a prince – or live a slave –&lt;br /&gt;Thy choice is most ignobly brave!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;And Earth hath split blood for him,&lt;br /&gt;  
